Pela primeira vez na História, neste ano, a fome vai atingir um bilhão de pessoas, enquanto a ajuda alimentar cai ao menor nível em 20 anos.
De um orçamento de US$ 6,7 bilhões, o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas só recebeu até agora US$ 2,6 bilhões.
No ano passado, durante a Reunião de Cúpula da Fome, a Organização para Agricultura e Alimentos (FAO), parte do sistema ONU, pediu US$ 30 bilhões por ano para acabar com a fome no mundo.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Famintos do mundo são quase um bilhão
Os países ricos que colocaram mais de US$ 3 trilhões à disposição dos bancos para evitar um colapso do sistema financeiro internacional não são capazes de dar os US$ 30 bilhões pedidos pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO).
Desde o início do ano, o total de pessoas ameaçada pela fome no mundo subiu 119 milhões por causa da inflação mundial nos preços dos alimentos nos últimos anos, que já começam a baixar por causa da crise econômica global. Mas o total de necessitados de ajuda de emergência chegou a 967 milhões, alerta a organização não-governamental britânica Oxfam (Comitê de Oxford para Alívio da Fome).
A crise de alimentos "força as pessoas a comerem menos e alimentos de menos qualidade, tira crianças da escola e obriga agricultores a migrarem do campo para a cidade, onde vão morar em favelas", adverte o relatório divulgado hoje, Dia Mundial da Alimentação.
Na Somália, os preços do trigo aumentaram 300% nos 15 meses até abril deste ano.
Em Nova Iorque, o relator especial da ONU sobre direito à alimentação, Oliver de Schutter, propôs a adoção de regras internacionais para a produção de biocombustíveis e o congelamento de investimentos para produção de biocombustíveis em grande escala para exportação, alegando que ameaça alguns dos países mais frágeis do mundo.
Schutter defendeu ainda a formação de estoques reguladores nacionais e internacionais para combater a especulação com os preços dos alimentos em função de problemas climáticos e quebras de safras. Assim, os países não precisariam recorrer ao mercado para alimentar suas populações necessitadas.
A Oxfam pede que a mesma determinação usada para resolver a crise financeira global seja aplicada no combate à fome.
Na reunião de cúpula sobre a crise de alimentos, realizada de 3 a 5 de junho deste ano na sede da FAO, em Roma, esta organização pediu US$ 30 bilhões para acabar com a fome. Ouviu promessas de US$ 12 bilhões. Até agora, só recebeu US$ 1 bilhão.
Desde o início do ano, o total de pessoas ameaçada pela fome no mundo subiu 119 milhões por causa da inflação mundial nos preços dos alimentos nos últimos anos, que já começam a baixar por causa da crise econômica global. Mas o total de necessitados de ajuda de emergência chegou a 967 milhões, alerta a organização não-governamental britânica Oxfam (Comitê de Oxford para Alívio da Fome).
A crise de alimentos "força as pessoas a comerem menos e alimentos de menos qualidade, tira crianças da escola e obriga agricultores a migrarem do campo para a cidade, onde vão morar em favelas", adverte o relatório divulgado hoje, Dia Mundial da Alimentação.
Na Somália, os preços do trigo aumentaram 300% nos 15 meses até abril deste ano.
Em Nova Iorque, o relator especial da ONU sobre direito à alimentação, Oliver de Schutter, propôs a adoção de regras internacionais para a produção de biocombustíveis e o congelamento de investimentos para produção de biocombustíveis em grande escala para exportação, alegando que ameaça alguns dos países mais frágeis do mundo.
Schutter defendeu ainda a formação de estoques reguladores nacionais e internacionais para combater a especulação com os preços dos alimentos em função de problemas climáticos e quebras de safras. Assim, os países não precisariam recorrer ao mercado para alimentar suas populações necessitadas.
A Oxfam pede que a mesma determinação usada para resolver a crise financeira global seja aplicada no combate à fome.
Na reunião de cúpula sobre a crise de alimentos, realizada de 3 a 5 de junho deste ano na sede da FAO, em Roma, esta organização pediu US$ 30 bilhões para acabar com a fome. Ouviu promessas de US$ 12 bilhões. Até agora, só recebeu US$ 1 bilhão.
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Zimbábue proíbe campanha da oposição

A polícia do Zimbábue prendeu o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, candidato mais votado no primeiro turno da eleição presidencial, em 29 de março, e favorito para o segundo turno, em 27 de junho, e o proibiu de fazer campanha.
Depois da derrota do presidente Robert Mugabe, o Zimbábue foi vítima de um golpe palaciano. O país estaria sendo governado por uma junta chamada de Comando de Operações Conjuntas. Oficialmente, é presidido por um político veterano, , mas quem manda mesmo é o comandante das Forças Armadas, general Constantine Chiwenga, descrito pelo jornal inglês The Independent como a nova face do poder no Zimbábue (foto).
No mundo inteiro, houve protestos contra a decisão do governo do Zimbábue de suspender toda a ajuda externa, inclusive de alimentos, seja de organizações intergovernamentais como as Nações Unidas, suas agências e a União Européia, seja de organizações não-governamentais, sob o pretexto de que estaria sendo usada para fazer propaganda eleitoral da oposição.
Ao contrário, é Mugabe que está usando a comida como arma de guerra, o que foi duramente criticado durante a Cúpula Mundial sobre a Fome realizada no início da semana em Roma, na Itália, onde o ditador zimbabueano fez uma breve aparição acusando a Grã-Bretanha, antiga potência colonial, de tentar recolonizar o país.
Aos 84 anos, o herói da independência convertido em ditador cruel está velho e alquebrado. Por trás dele, uma junta militar garantiria o apoio. A eleição presidencial foi disputada em 29 de março, mas o resultado oficial só saiu em 2 de maio.
Nesse período, a vitória da oposição foi apurada e anulada. Chegou a haver negociação do regime com Tsvangirai para transferência de poder com a formação de um governo de união nacional. Isto manteria no poder a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF).
Mas as negociações foram suspensas e houve o golpe de Estado palaciano.
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