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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Ex-juíza que denunciou genocídio em Gaza ganha Nobel da Paz

A jurista sul-africana de origem indiana Navanethem Navy Pillay, de 85 ano, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI) e ex-alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2026 por "seus esforços para promover a paz e o direito internacional", anunciou hoje em Oslo, na Noruega, o Comitê Norueguês do Nobel.

No ano passado, Pillay liderou uma investigação da ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio na guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza. O governo israelense rejeitou o relatório. A África do Sul denunciou Israel por genocídio perante a Corte Internacional de Justiça da ONU.

"Pillay responsabilizou países e líderes nacionais por suas ações, levou esperança às vítimas de violência e conflitos, e mostrou uma bússola moral sólida ao longo de sua extensa carreira", declarou o comitê ao justificar a premiação.

O secretário-geral da ONU, o ex-primeiro-ministro português António Guterres, cumprimentou Pillay e a elogiou como "uma campeã do direito internacional e dos direitos humanos, e uma voz independente e inabalável da justiça em alguns dos casos internacionais mais históricos do nosso tempo." 

Guterrres acrescentou que como mais alta autoridade da ONU para direitos humanos a laureada mostrou que o direito deve prevalecer sempre e que a defesa dos direitos humanos é a salvaguarda mais eficaz contra a injustiça. "O prêmio de hoje é um tributo a todos aqueles que trabalham para garantir e defender o direito internacional, o Estado de direito e os direitos humanos, e garantir a paz, a justiça e a dignidade humana", disse o secretário-geral da ONU.

Navi Pillay, de origem tâmil, nasceu num bairro pobre de Durban em 23 de setembro de 1941. Com a ajuda de doações da comunidade indiana, se formou em artes e em direito na Universidade de Natal.

Em 1967, tornou-se a primeira mulher a abrir seu próprio escritório de advocacia em Natal. Conta que não teve alternativa porque ninguém lhe daria emprego por causa da cor de pele.

Durante 28 anos como advogada na África do Sul, ela defendeu ativistas do movimento antiapartheid e revelou a tortura e as péssimas condições das prisões do regime segregacionista da minoria branca. Em 1973, conseguiu garantir aos presos políticos, inclusive Nelson Mandela, o direito de ter um advogado.

Nos anos 1980, Pillay fez mestrado e doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Em 1995, um ano depois que o Congresso Nacional Africano (CNA) chegou ao poder, Mandela a nomeou para ser a primeira juíza não branca da Suprema Corte da África do Sul.

Na carreira internacional, Pillay presidiu o tribunal internacional que julgou o genocídio de Ruanda. De 2003 a 2008, foi juíza do TPI. Em 2 de julho de 2008, o então secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, a nomeou alta comissária da ONU para Direitos Humanos, cargo que exerceu até 2014.

Com o prêmio a Navi Pillay, o comitê do Nobel reforça a importância direito internacional no momento em que está sob ataque de líderes de superpotências como o presidente dos EUA, Donald Trump, e o ditador da Rússia, Vladimir Putin. Ambos estão envolvidos em guerras que não conseguem ganhar apesar da superioridade militar de seus países e rejeitam a legitimidade do TPI.

"Ao dar o Prêmio Nobel deste ano, o Comitê Norueguês do Nobel quer lembrar o mundo que o Estado de direito – nacional e internacional – é o alicerce do sistema que criamos para garantir a paz e resolver conflitos de maneira não violenta", declarou o comitê. Fez a ressalva de que juízes de tribunais internacionais "guardam a tênue linha vermelha entre a ordem e o caos", são alvos de "sanções e suas instituições são atacadas."

Horas depois, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou sanções ao TPI e afirmou que "o presidente Donald Trump nunca permitirá que o TPI processe norte-americanos." O tribunal apelou aos 125 países-membros para que o defendam.

De certa forma, o comitê se reabilita depois de dar o prêmio do ano passado a María Corina Machado, uma extremista de direita que lidera a oposição na Venezuela, foi a favor do golpe contra o presidente Hugo Chávez em 1992 e foi marginalizada por Trump depois do sequestro do ditador Nicolás Maduro por forças dos EUA em 3 de janeiro deste ano, apesar de dar a medalha do Nobel ao presidente norte-americano. Agora, ela pede realização de eleições no próximo ano.

Navi Pillay ganha um prêmio de 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6 milhões. Na segunda-feira, será anunciado o ganhador do Prêmio Nobel de Economia, o último Nobel a ser atribuído neste ano.

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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Setembro

CAPITÓLIO EM OBRAS

    Em 1793, o presidente George Washington lança a pedra fundamental do Capitólio, a sede do Congresso dos Estados Unidos.

A construção leva quase um século. Os britânicos tocam fogo na obra ao incendiar a cidade durante a Guerra de 1812, quando o Império Britânico tenta acabar com a independência dos EUA.

Hoje o Capitólio tem mais seis prédios de escritórios e três da Biblioteca do Congresso, construídos nos séculos 19 e 20. É alvo de um ataque de extremistas de direita insuflados pelo presidente Donald Trump em 6 de janeiro de 2021, numa tentativa de impedir a certificação da vitória da Joe Biden na eleição presidencial de 2020.

IMPERIALISMO JAPONÊS

    Em 1931, o Exército Imperial do Japão provoca o Incidente de Mukden, uma explosão numa ferrovia japonesa, acusa dissidentes chineses e usa como pretexto para ocupar Mukden e aumentar seu controle sobre a região da Manchúria, que domina totalmente dentro de três meses.

É o início da Segunda Guerra Sino-Japonesa. Uma das razões é a escassez de energia no Japão, que logo começa a explorar carvão da Manchúria.

Seis meses depois, o Japão domina a província e cria o Estado-fantoche de Manchukuo. Em 1937, depois do Incidente na Ponte Marco Polo, o Japão invade as principais cidades da China e a guerra se torna aberta. É o início da Guerra do Pacífico e da Segunda Guerra Mundial na Ásia.

MORRE SECRETÁRIO-GERAL DA ONU

    Em 1961, em uma queda de avião durante a Primeira Guerra Civil do Congo, o sueco Dag Hammarksjöld se torna o único secretário-geral da Organização das Nações Unidas a morrer no exercício do cargo, em Ndola, na Rodésia do Norte, hoje Zâmbia.


Filho do primeiro-ministro Hjalmar Hammarksjöld (1914-17), que preside a Fundação do Prêmio Nobel (1929-47), Dag estuda direito e economia nas universidades de Estocolmo e Uppsala, e dá aula de economia política antes de ser nomeado subsecretário do Ministério das Finanças e presidente do Banco da Suécia.

Desde 1947, Dag Hammarksjöeld passa a trabalhar para o Ministério do Exterior da Suécia. Em 1951, ele é subchefe de uma delegação sueca na ONU. No ano seguinte, é eleito presidente da Assembleia Geral da ONU. Em 1953, torna-se o segundo secretário-geral da ONU.

Suas preocupações iniciais são com conflitos no Oriente Médio, como a Guerra de Suez, quando Reino Unido e França rejeitaram a nacionalização do Canal de Suez e têm o apoio de Israel, em 1956.

Quando o antigo Congo Belga se torna independente da Bélgica, em 30 de junho de 1960, começa uma guerra civil. Duas semanas depois, a ONU aprova o envio de uma missão de paz que depois a União Soviética denuncia, pedindo a saída de Hammarksjöld, porque é a primeira vez que uma força de paz entra em conflito, no caso, contra os secessionistas da rica província mineral da Katanga.

Em plena Guerra Fria, a guerra civil congolesa entra na disputa Leste-Oeste. O herói da independência do Congo, Patrice Lumumba, aliado da URSS, é executado em 17 de janeiro de 1961 em Katanga. 

Hammarksjöld, que defende o princípio de que o secretário-geral deve ter o poder de tomar iniciativas pela paz antes da autorização do Conselho de Segurança, decide negociar com o líder do movimento pela independência de Katanga, Moïse Tchombe. Morre no caminho.

Uma investigação concluída em 2017 concluiu que "parece plausível que uma ameaça ou ataque externo possa ter sido a causa do acidente."

MORTE DE JIMI HENDRIX

    Em 1970, o cantor, compositor e maior guitarrista de todos os tempos, Jimi Hendrix, morre aos 27 anos engasgado no próprio vômito depois de tomar uma overdose de 16 Mandrax, um sonífero. Sua música mistura influências do blues, do jazz e do rock numa fusão de ritmos e amplia os limites da guitarra elétrica de uma forma sem precedentes.

James Marshall Hendrix nasce em Seattle em 27 de novembro de 1942. Os pais se separam em 1951. Quando a mãe morre em 1958, Jimi se aproxima da avô materna, que tem origem cherokee e lhe transmite o orgulho de sua ancestralidade.

Ele se alista no Exército e serve como paraquedista na 101ª Divisão Aerotransportada, com base em Forte Campbell, no Kentucky. Dá baixa depois de fraturar o tornozelo num salto. O som do ar assobiando no paraquedas é uma inspiração de sua música. É influenciado por Bone Walker, B. B. King, Muddy Waters, Howlin' Wolf, Robert Johnson, Albert King, Elmore Jones, Curtis Mayfield e Little Richard.

Tem sua própria banda, Jimmy James and The Flames e toca no Café Wha?, em Nova York, em 1966, quando Chas Chandler o leva para Londres, a meca dos guitarristas. Eric Clapton, Jeff Back e Pete Townshend eram rivais porque disputavam a honra de ser melhor guitarrista da Inglaterra. Ficaram amigos vendo Hendrix tocar no Marquee Club com sua nova banda, The Jimi Hendrix Experience, com que grava seu primeiro disco solo.

Com o sucesso em Londres, Jimi volta aos EUA e estoura no Festival de Monterrey, em 1967, indicado por Paul McCartney. Em 18 de agosto de 1969, fecha o Festival de Woodstock. Em 1970, é uma das principais atrações do Festival da Ilha de Wight, na Inglaterra.

MILIONÁRIA GUERRILHEIRA

    Em 1975, a polícia prende por assalto à mão armada num apartamento em São Francisco a milionária Patricia Hearst, herdeira de um império jornalístico que adere a um grupo guerrilheiro de ultraesquerda, o Exército Simbionês de Libertação (ESL), depois de ser sequestrada.


Patty Hearst, filha do magnata Randolph Hearst, é sequestrada em 4 de fevereiro de 1974 em seu apartamento em Berkeley, na Califórnia. Os sequestradores, dois homens negros e uma mulher branca, a vendam e a colocam à força na mala de um carro, dando tiros para afugentar vizinhos que veem a cena.

Quatro dias depois, o ESL exige que seu pai doe US$ 7 milhões em alimentos para todas as pessoas de Santa Rosa a Los Angeles. Rudolph Hearst hesita, mas dá US$ 2 milhões. Os terroristas consideram pouco. Exigem US$ 4 milhões. A família responde que dará o dinheiro se ela for libertada ilesa.

Tudo muda em abril de 1974, quando ela envia uma gravação às autoridades anunciando que está aderindo ao ESL. No mesmo mês, câmeras de segurança flagram Patty Hearst participando de um assalto a banco em São Francisco e do roubo de uma loja em Los Angeles.

Em maio de 1974, a polícia ataca uma célula clandestina e mata seis dos nove militantes conhecidos do grupo, inclusive o líder, o ex-condenado Donald DeFreeze.

Presa, Patty Hearst alega ter sido vítima de uma lavagem cerebral, mas é condenada a 7 anos de cadeia em 20 de março de 1976. O presidente Jimmy Carter (1977-81) comuta a pena. Ela é solta em fevereiro de 1979. Em 2001, no fim de seu governo, o presidente Bill Clinton lhe concede o indulto presidencial.

FUNERAL DO GRANDE TIMONEIRO

    Em 1976, mais de 1 milhão de pessoas participam do enterro de Mao Tsé-tung, líder do Partido Comunista da China, da Revolução Chinesa e presidente da República Popular da China desde sua fundação, que morre anos 82 anos.

A morte de Mao marca o fim da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), dez anos de luta interna dentro do regime comunista, sectarismo político e convulsão social, um fantasma que até hoje a assombra os chineses. A possível volta da Revolução Cultural é um fantasma usado para enquadrar a população.

Mao nasce em 26 de dezembro de 1893. Estuda para ser professor. Em 1921, é um dos fundadores do PC chinês. Depois de uma fracassada aliança com o partido nacionalista Kuomintang (KMT) numa política de frente popular imposta ao PC pelo ditador soviético Josef Stalin que resulta num massacre de comunistas, Mao participa a Grande Marcha (1934-35), uma fuga de 9 mil quilômetros que dura um ano.

Com a invasão japonesa de 1937 e a Segunda Guerra Mundial (1939-45), há uma trégua para a luta contra o invasor. A guerra civil contra o KMT recomeça no pós-guerra e os comunistas tomam o poder em 1º de outubro de 1949.

Sob Mao, o regime comunista lança a campanha das Cem Flores (1956-57), um breve período de liberalização em que os intelectuais são incentivados a criticar, seguida de uma campanha "antidireitista" em que os dissidentes foram perseguidos.

Para consolidar a aliança operário-camponesa, o grande delírio ideológico do maoísmo, o partido lança o Grande Salto para a Frente (1958-62), uma tentativa de criar usinas siderúrgicas nas zonas rurais. O resultado foi um aço de péssima qualidade e o colapso da produção agrícola, o que causa a maior fome da história da humanidade, com total de mortes estimado em 15 a 55 milhões.

Depois da ruptura com a União Soviética e do início da intervenção militar dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, em 1964, com a China isolada internacionalmente e sua liderança contestada, Mao lança a Revolução Cultural para reafirmar seu poder, deflagrando uma grande onda de expurgos e perseguições políticas.

O conflito com a URSS leva a vários choques na fronteira entre as duas potências comunistas em 1969. Disso se aproveitam os EUA. Em 1971, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, vai a Beijim e prepara a visita do presidente Richard Nixon, em fevereiro de 1972, que abre o caminho para o reconhecimento pelos EUA de que a República Popular da China é a representante do povo chinês. O regime de Mao ocupa a cadeira da China no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Mao morre em 9 de setembro de 1976.

ESCÓCIA REJEITA INDEPENDÊNCIA

    Em 2014, por 55,3% a 44,7%, os eleitores da Escócia rejeitam em plebiscito a independência do Reino Unido, de que o país faz parte desde o Ato de União de 1707 com a Inglaterra, que cria a Grã-Bretanha.


O movimento nacionalista escocês cresce com a descentralização de poderes e a autonomia regional concedida pelo governo Tony Blair (1997-2007), com a recriação do Parlamento da Escócia, em 12 de maio de 1999.

O Partido Nacional Escocês (SNP), a favor da independência, passa a dominar a política do país. Mas não vence o plebiscito por causa da importância das relações econômicas dentro do Reino Unido e na União Europeia (UE).

Quando dois anos depois, em 23 de junho de 2016, por 52% a 48%, os eleitores britânicos decidem sair da União Europeia, 62% dos escoceses votam para ficar. O SNP aproveita o resultado para reivindicar a realização de novo plebiscito. A Escócia independente poderia voltar à UE. Mas uma série de escândalos desmoralizou o SNP nos últimos anos. O Partido Trabalhista voltou a ser o maior da Escócia.

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quinta-feira, 9 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Abril

 LOUISIANA FRANCESA 

    Em 1682, René-Robert Cavelier, Senhor de La Salle, reinvindica para a França a soberania sobre a Bacia do Rio de Mississípi, chamando-a de Louisiana em homenagem a Luís XIV (1638-1716), o Rei Sol.

O primeiro europeu a explorar a região é o espanhol Hernando de Soto em 1541. Depois da reivindicação de La Salle, a França começa a colonizar a Louisiana em 1702 com os irmãos Pierre La Moyne d'Iberville e Jean-Baptiste La Moyne de Bienville. Este último funda Nova Orleans em 1718.

Nova Orleans e a Louisiana são cedidas à Espanha por um tratado secreto em 1762. A região volta ao controla francês em 1800. Três anos depois, o presidente Thomas Jefferson compra o território de 2,14 milhões de quilômetros quadrados, incluindo toda a bacia do Missouri-Mississípi, do ditador francês Napoleão Bonaparte por US$ 15 milhões.

Em 1812, a Louisiana passa a ser o 18º estado da União.

NASCIMENTO DE BAUDELAIRE

    Em 1821, nasce em Paris o poeta, tradutor, ensaísta e crítico de arte e literatura Charles-Pierre Baudelaire, autor de As Flores do Mal, talvez o mais importante livro de poesia publicado na Europa no século 19.

Um dos precursores do simbolismo, Baudelaire é considerado o criador da poesia moderna ao lado do norte-americano Walt Whitman.

Ele estuda no Colégio Real de Lyon e no Liceu Louis-le-Grand, de onde é expulso por não revelar o conteúdo de um bilhete passado por um colega. Rebelde, é enviado à Índia pelo padrasto em 1840. Vai até a Ilha da Reunião e volta. Por dois anos, vive com Jeane Duval e abusa de drogas e álcool, o que leva a mãe a acionar a Justiça para que a herança do pai seja controlada por um notário.

Em 1857, lança As Flores do Mal, com 100 poemas. Por causa de seis, a Justiça considera o livro um ultraje à moral pública. A obra é aprendida. O autor é multado em 300 francos e a editora em 100. Baudelaire aceita a sentença e escreve seis poemas que descreve como "mais belos do que os censurados".

Durante uma visita à Igreja de St. Loup, em Namur, na Bélgica, Baudelaire sofre um colapso. Desde março de 1866, sofre de hemiplegia, uma paralisia da metade do corpo. Ele morre de sífilis em Paris em 31 de agosto de 1867.

NORTE VENCE GUERRA DA SECESSÃO

    Em 1865, o general Robert Lee, comandante das forças dos Estados Confederados da América, e 28 mil soldados do Sul se rendem ao general Ulysses Grant, comandante militar da União, no Tribunal de Justiça de Appomattox, na Virgínia, pondo fim à Guerra da Secessão (1861-65). É o conflito mais sangrento da história dos Estados Unidos. Mais de 620 mil pessoas morrem porque estados sulistas não aceitam a abolição da escravatura e tentam se separar.

Depois de ser obrigado a deixar a capital da Confederação, Richmond, na Virgínia, impedido de se reagrupar com o que resta do exército do Sul na Carolina do Norte e acossado pela cavalaria da União, Lee não tem saída.

As deserções aumentam. Em 8 de abril, os confederados estão totalmente cercados. No dia seguinte, Lee envia mensagem de rendição a Grant. Os dois generais se encontram às 13h na sala de visitas da casa de Wilmer McLean. Veteranos da Guerra Mexicano-Americana (1846-48), quando os EUA tomam mais de 40% do território mexicano, já se conhecem.

Grant chega com seu fardamento de guerra embarrado, enquanto Lee usa a farda de gala completa, com faixa e espada. Nos termos da proposta do Norte, todos os oficiais e soldados são perdoados e voltam para casa com seus bens, principalmente os cavalos, que podem ser usados para um plantio tardio na primavera. Os famintos soldados do Sul recebem comida.

QUEDA DE SADDAM HUSSEIN

    Em 2003, três semanas depois da invasão do Iraque, os Estados Unidos derrubam o ditador Saddam Hussein, que estava no poder desde 1979.

No Discurso sobre o Estado da União de 2002, meses depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, o presidente George Walker Bush acusa a Coreia do Norte, o Irã e o Iraque de fazer parte de um "eixo do mal".

Com a fuga de Ossama ben Laden e da liderança da rede terrorista Al Caeda, responsável pelos atentatos, para o Paquistão depois da Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, os neoconservadores do governo Bush buscam outro país muçulmano para atacar. O escolhido é o Iraque de Saddam Hussein, derrotado na Primeira Guerra do Golfo (1991) pelo governo de George Herbert Walker Bush, o pai.

A alegação para justificar a guerra é que Saddam está desenvolvendo armas de destruição em massa (quimícas, biológicas ou nucleares). O governo italiano de Silvio Berlusconi divulga um informe falso afirmando que o Iraque tentara comprar urânio no Níger para fazer armas nucleares.

Sob um duro regime de inspeções imposto pelas Nações Unidas depois da guerra de 1991, o Iraque nega que tenha as armas proibidas. Os EUA levam a questão ao Conselho de Segurança da ONU, onde o secretário de Estado norte-americano, general Colin Powell, não consegue convencer os outros países. 

Sem votos suficientes e sob o risco de veto da França, aliada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os EUA não colocam a proposta de uso da força em votação e invadem o Iraque em 20 de março de 2003, numa guerra ilegal, porque não é aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, e ilegítima, porque a alegação para justificar a guerra é falsa.

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terça-feira, 7 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Abril

NASCE BILLIE HOLIDAY

    Em 1915, Eleanora Fagan Gough, mais conhecida pelo nome artístico Billie Holiday, uma das maiores cantoras de jazz e blues da história, nasce na Filadélfia.

Negra e pobre, abandonada pelos pais que eram adolescentes quando ela nasceu, violentada por um vizinho aos 10 anos e aos 14 pelo dono de um prostíbulo onde lava o chão para sobreviver, agredida física e psicologicamente num asilo para meninas abusadas sexualmente, moradora de rua e prostituta, tem uma vida trágica. 

Aos 15 anos, engravida sem saber de quem e a mãe, com quem volta a viver, a obriga a fazer um aborto aos três meses de gestação. Deprimida, recorre a drogas e álcool e faz várias tentativa de suicídio.

Em 1930, procura emprego como dançarina no Harlem, o bairro negro de Nova York, mas não agrada ao público. Com pena dela, o pianista pergunta se sabe cantar. Ela diz que não, mas que é seu sonho. Aplaudida de pé, consegue um emprego nos fins de semana. Para complementar a renda, continua se prostituindo.

Billie Holiday nunca recebe educação formal como música. Autodidata, aprende ouvindo Louis Armstrong e Bessie Smith. Depois de três anos cantando no Harlem, chama a atenção do crítico musical John Hammond, que a leva a uma gravadora.

Seu primeiro disco, com a banda de Benny Goodman, é um sucesso. Ela compra um apartamento e abandona a vida de garota de programa. Passa a cantar nas melhoras casas noturnas de Nova York. Sua voz levemente rouca e sensual expressa uma profunda emoção.

Nos anos 1940, apesar do sucesso, a depressão que a atormenta desde a infância a conduz ao vício de cigarros, álcool, maconha e heroína, que injeta na veia. Seus relacionamentos amorosos fracassam e terminam com violência e abuso. Ela cogita abandonar a carreira para não ter a vida exposta.

Em 1947, é presa com uma quantidade de heroína que caracteriza tráfico, mas fica poucos dias na cadeia, paga fiança e é solta.

Três anos antes de morrer, em 1956, ela publica uma autobiografia, Lady Sings the Blues, que vira filme com Diana Ross no papel principal. Billie Holiday morre aos 44 anos em Nova York em 17 de julho de 1959 de edema pulmonar, cirrose hepática e insuficiência cardíaca.

CERVEJA LIBERADA

    Em 1933, oito meses antes do fim da Lei Seca, a cerveja de baixo teor alcoólico é liberada nos Estados Unidos. A data vira Dia Nacional da Cerveja.

O movimento contra as bebidas alcoólicas começa no início do século 19 e ganha força no fim do século 19. A Emenda nº 18 é aprovada em dezembro de 1917 e ratificada por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos EUA, em janeiro de 1919.

Nove meses depois, a Lei Volstead regulamenta sua aplicação, inclusive a criação de uma unidade especial do Departamento do Tesouro para fiscalizar sua aplicação. A Lei Seca entra em vigor em 17 de janeiro de 1920. A proibição não funciona e cria um mercado negro em que prospera o crime organizado.

Em 1933, a 21ª Emenda acaba com a proibição a partir de 5 de dezembro de 1933.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE

    Em 1948, a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma agência das Nações Unidas, é instalada em Genebra, na Suíça, onde fica a segunda maior sede da ONU.

A OMS herda funções específicas de controle de epidemias, medidas de quarentena e padronização de medicamentos do Escritório Internacional de Saúde Pública, instalado em 1907 em Paris, e da Organização de Saúde da Liga das Nações, precursora da ONU, instalada em 1923. Mas tem um mandato maior para promover "o padrão de saúde mais alto possível para todos os povos".

A definição de saúde inclui o aspecto positivo. É "um estado de bem-estar físico, mental e social completo, e não apenas a ausência de doenças e enfermidades".

A Assembleia Mundial da Saúde reúne anualmente delegações dos 194 países-membros para traçar as políticas de saúde a serem implementadas pelo Secretariado sob a liderança de um diretor-geral nomeado pelo comitê executivo. Abaixo dele, há um subdiretor-geral e diretores-gerais adjuntos para cada área de atuação.

As prioridades da OMS são:

  1. Auxiliar os países a progredir rumo à cobertura universal de saúde.
  2. Ajudar os países a ter capacidade de aderir às Regulamentações de Saúde Internacional.
  3. Aumentar o acesso a produtos médicos essenciais e de alta qualidade
  4. Abordar o papel dos fatores sociais, econômicos e ambientais na saúde pública.
  5. Coordenar as respostas a doenças não transmissíveis.
  6. Promover a saúde pública e o bem-estar de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Assembleia Geral da ONU.

GENOCÍDIO EM RUANDA

    Em 1994, no dia seguinte à morte do presidente Juvenal Habyarimana num avião abatido pela Frente Patriótica de Ruanda (FPR), o Exército dominado pela maioria hutu e milícias aliadas, em fuga, iniciam um genocídio em que 800 mil tútsis, tuás e hutus moderados são mortos até 15 de julho. 

O genocídio é cometido principalmente com facões pelas milícias. A principal é Interahamwe (os que lutam juntos). Quem queria uma morte mais rápida e menos dolorosa tinha de pagar a bala.

Os hutus fogem para o Leste do Zaire, onde entram em conflito com os baniamulengues, que são etnicamente tútsis. Começa uma guerra civil que leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutara no Congo nos anos 1960 com Ernesto Che Guevara, que o chamou de bêbado e mulherengo, "incapaz de fazer uma revolução", a sair de seu refúgio nas Montanhas da Lua, no coração da África, marchar até Kinshasa e derrubar, em 1997, o ditador Joseph Mobutu, que estava no poder desde aquela época.

No poder, Kabila muda o nome do país para República Democrática do Congo. A revolta contra Mobutu deflagra a Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2002) com o envolvimento de nove exércitos interessados em pilhar as riquezas minerias do Congo e centenas de grupos armados irregulares. É o conflito armado mais violento depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Cerca de 5 milhões de pessoas morrem em combate e de fome e doenças causadas pela guerra.

ODISSEIA EM MARTE

    Em 2001, os Estados Unidos lançam a nave espacial Odisseia em Marte, que entra na órbita do Planeta Vermelho em outubro e envia fotos e dados à Terra.

A sonda sai da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo de um foguete Delta II. Seus principais objetivos são usar espectômetros e imagens térmicas para detectar a presença de água e gelo, estudar a geologia e a radiação em Marte. Atua também como uma estação de satélite que envia à Terra as imagens e mensagens de outros instrumentos de exploração espacial.

O custo do projeto é avaliado em US$ 297 milhões. O nome da nave é uma homenagem ao filme 2001: Uma Odisseia Espacial, de Stanley Kubrick, com base no livro do mesmo nome escrito por Arthur Clarke.

A missão descobre grande quantidade de hidrogênio e gelo em Marte, indicando que o planeta tem muito mais água do que se pensava. Também detecta a presença de ferro, potássio, silício e tório. Mapeia, vulcões, derramamentos de lava, desfiladeiros e crateras abertas por impacto. A radiação elevada exige que os astronautas que um dia cheguem lá usem trajes protetores.

O presidente Donald Trump anunciou a intenção de enviar uma missão tripulada a morte. O bilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, assessor de Trump, sonha em criar colônias no planeta.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Fevereiro

 TUMBA DO FARAÓ MENINO

    Em 1923, o arqueólogo britânico Howard Carter tira o lacre no Vale dos Reis da câmara mortuária de Tutancâmon, o faraó menino, que governa o Egito de 1333-23 antes de Cristo e morre aos 19 anos.

Durante seu reinado, Tutancâmon restaura a arte e a religião tradicionais do Egito Antigo, marginalizadas por seu antecessor, Akhenaton, que venera o deus Aton. Mas Tutancâmon é conhecido pela preservação de sua tumba, que não é saqueada. Sua descoberta é uma grande contribuição à egiptologia.

PRIMEIRA KNESSET

    Em 1949, a Knesset (Assembleia, em hebraico), o parlamento unicameral de Israel, eleito em 25 de janeiro, realiza sua primeira sessão, em Jerusalém.

Israel não tem Constituição. A Knesset ratifica a Lei de Transição. Depois, aprova leis básicas sobre a própria Knesset (1958), sobre as terras de Israel (1960), sobre o presidente (1964), eleito indiretamente pelo parlamento para um mandato de cinco anos podendo ser reeleito uma vez, e sobre o governo (1968).

Antes do início da guerra contra o grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenta aprovar uma reforma judiciária para dar à Knesset o direito de anular decisões da Suprema Corte. Quer se livrar de três processos por corrupção que podem levá-lo para a cadeia. A Suprema Corte derruba a reforma em 1º de janeiro de 2024.

PRIMEIRO-MINISTRO FIDEL CASTRO

    Em 1959, um mês e meio depois da fuga do ditador Fulgencio Batista e da vitória da Revolução Cubana, o comandante Fidel Castro toma posse como primeiro-ministro, se torna presidente em 1976 e fica no poder em Havana até 2006, quando sofre uma hemorragia intestinal.

Fidel Alejandro Castro Ruz nasce em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro, vira um esquerdista e anti-imperialista quando estuda direito na Universidade de Havana. Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República, Fidel lança sua revolução no assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953.

No julgamento, Fidel diz talvez sua frase mais célebre: "A história me absolverá." Preso durante um ano, ele sai e vai para o México onde forma o Movimento 26 de Julho com o irmão Raúl Castro e o médico e revolucionário argentino Ernesto Che Guevara.

Em 1956, um grupo de 82 guerrilheiros sai do México no navio Granma para desembarcar na Praya das Coloradas. Depois de fortes perdas nos primeiros combates, 21 guerrilheiros conseguem se refugiar na Sierra Maestra. Em fevereiro de 1958, já são 400 homens acantonados nas montanhas.

As forças do ditador Fulgencio Batista têm 50 mil, mas o governo cubano só consegue mobilizar 10 mil homens e lança uma ofensiva aérea e terrestre contra os guerrilheiros de abril a agosto de 1958. O fracasso desta ação militar é decisivo para a vitória da Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959.

No poder, sob pressão dos Estados Unidos, Fidel adota um regime socialista autoritário de caráter stalinista e se alia à União Soviética durante a Guerra Fria. Depois da fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, Cuba se aproxima ainda mais de Moscou. Isto leva à tentativa de instalar mísseis nucleares soviéticos na ilha, causa da Crise dos Mísseis, em outubro de 1962, no momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. 

Ao transferir oficialmente por motivos de saúde os cargos de presidente e primeiro-ministro de Cuba ao irmão Raúl Castro, em 2008, 49 anos depois da posse, Fidel comenta que não pode se apegar a cargos. Ele morre aos 90 anos em 25 de novembro de 2016, em Havana.

PROTOCOLO DE QUIOTO

    Em 2005, entra em vigor o Protocolo de Quioto, um documento adicional à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima para combater o aquecimento global diminuindo as emissões de 41 países desenvolvidos e da União Europeia. O objetivo é reduzir as emissões de seis gases que agravam o efeito estufa em 5,2% em relação a 1990. 

O acordo é fechado em Quioto, o antiga capital imperial do Japão, em 11 de dezembro de 1997. Um dos grandes negociadores é o então vice-presidente Al Gore, mas o Senado dos Estados Unidos, na época o maior poluidor mundial (hoje é a China), não ratifica o Protocolo de Quioto sob o argumento de que daria uma vantagem competitiva a países em desenvolvimento, não submetidos à mesma regra, no caso, a China.

O Protocolo de Quioto caduca em 2012. Para substituí-lo, as Conferências da ONU sobre Mudança do Clima aprovam o Acordo de Paris, em 2015. É o primeiro acordo em que todos os países se comprometem a estabelecer metas voluntárias de redução de emissões. O grande problema é que não existe nenhuma penalidade pelo não cumprimento das metas.

LÍDER DA OPOSIÇÃO RUSSA MORRE

    Em 2024, Alexei Navalny, o principal líder da oposição à ditadura de Vladimir Putin, morre aos 47 anos numa prisão do Arquipélago Gulag da era soviética situada ao norte do Círculo Polar Ártico, onde a temperatura nesta época do ano está abaixo de menos 20 graus. Agora, uma investigação de vários países europeus conclui que ele morre envenenado por um veveno de sapo que é considerado arma biológica e só pode ser manipulado por serviços secretos sofisticados.

Navalny nasce em Butin, na Rússia, em 4 de junho de 1976. Em 1998, se forma na Faculdade de Direito da Universidade Russa da Amizade entre os povos. Advogado, Ganha prestígio com um blogue em que denuncia a corrupção e a vida de luxo e riqueza da oligarquia que orbita ao redor do Kremlin. Um vídeo sobre um palacete de US$ 1 bilhão no Mar Negro que seria de Putin tem mais de 130 milhões de visualizações. 

Em 2010, Navalny consegue reunir 150 mil pessoas em Moscou na maior manifestação contra Putin. Essa mobilização ameaça Putin, na época primeiro-ministro.

O ano seguinte, 2011, é o ano da Primavera Árabe, uma onda de revoltas por democracia e liberdade no mundo árabe contra governos corruptos e ditatoriais. Com sua visão conspiratória do mundo, Putin vê a mão invisível do Ocidente por trás das revoltas, assim como havia visto nas "revoluções coloridas" nas ex-repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia. 

Putin aumenta a repressão às manifestações antes das eleições parlamentares de 2011 e volta à Presidência em 2012 para não mais sair. 

Navalny é candidato a prefeito de Moscou em 2013, fica em segundo lugar, mas não pôde concorrer à Presidência da Rússia por força de condenação em 2014 por "fraude" e "desvio de recursos" num processo forjado em que pegou três anos e meio de prisão, mas teve direito a suspensão da pena. 

Em 20 de agosto de 2020, é envenado quando faz campanha eleitoral no interior da Rússia. Seu voo de Tomsk para Moscou é obrigado a fazer um pouso de emergência em Omsk para salvá-lo.

Sob pressão da Alemanha, dois dias depois a ditadura de Putin autoriza que ele seja levado para tratamento em Berlim. Os médicos alemães identificam a droga novichok, um agente nervoso, uma arma química desenvolvida pela União Soviética nos anos 1970. 

Ao voltar à Rússia, Navalny é preso sob a acusação de violar os termos de sua liberdade condicional, embora tenha saído da Rússia desacordado. A suspensão da pena é revogada e a sentença é de nove anos em regime fechado por "fraude" e "desacato ao tribunal".

Em agosto de 2023, Navalny é condenado de novo, desta vez a 19 anos de prisão por "extremismo" por criar sua fundação anticorrupção, na verdade, por fazer oposição à invasão da Ucrânia.

Em dezembro de 2023, Navalny desaparece por quase três semanas e reaparece numa nova prisão a 2 mil quilômetros de Moscou, ao norte do Círculo Polar Ártico, a Colônia Penal nº 3, mais conhecida como Lobo Polar, parte do Arquipélago Gulag, as prisões e campos de trabalhos forçados do stalinismo.

Como Navalny é silenciado, no fim do comentário, gravado há dois anos, cito suas propostas para o fim da guerra na Ucrânia.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Fevereiro

FIM DAS GUERRAS PÚNICAS

    Em 146 antes de Cristo, a República Romana finalmente vence Cartago depois de mais um século de guerra e se torna a potência dominante no Mar Mediterrâneo durante sete séculos.

As Guerras Púnicas são travadas entre Roma e Cartago, uma cidade situada onde hoje é a Tunísia, no Norte da África, entre 264 e 146 AC, num total de 43 anos de guerra.

O império cartaginês domina uma faixa do Norte da África junto ao mar, algumas ilhas do Mediterrâneo, inclusive partes da Sicília, da Córsega e da Sardenha. No momento de maior expansão, controla metade da Península Ibérica. É a maior potência mediterrânea.

A Primeira Guerra Púnica dura 23 anos. É travada em torno das ilhas da Sicília, da Córsega e da Sardenha, por causa do expansionismo romano. Termina com a vitória de Roma, que assume o controle das ilhas do Mediterrâneo.

Na Segunda Guerra Púnica, que começa em 218 AC, o grande general cartaginês Aníbal Barca atravessa a Cordilheira dos Alpes e invade a Itália, onde seu exército luta durante 14 anos até que Roma contra-ataca a cidade de Cartago, forçando Aníbal, que usa até elefantaria, a voltar para defender sua capital. Com a derrota na Batalha de Zama, em 202, Cartago se rende, perde os territórios na Europa e em parte da África, e fica proibido de ir à guerra.

A Terceira Guerra Púnica começa em 149 AC, depois que Cartago se defende invasões de numídios. Roma usa como pretexto para destruir o inimigo. A guerra é travada em território cartaginês, onde hoje é a Tunísia. Cartago é cercada, invadida, saqueada, arrasada e sua população é escravizada. As ruínas da cidade ficam a leste de Túnis.

CONSTITUIÇÃO MEXICANA

    Em 1917, depois da Revolução de 1910, o México adota uma nova Constituição, em vigor até hoje. É a primeira Constituição a reconhecer os direitos sociais.

A Assembleia Constituinte é convocada pelo presidente Venustiano Carranza para institucionalizar a Revolução Mexicana. Reúne-se em Querétaro de 1º de dezembro de 1916 a 31 de janeiro de 2017.

A Constituição Mexicana de 1917 encampa algumas ideias da Revolução. Tem 137 artigos que definem os direitos da cidadania e a estrutura do Estado, manda fazer a reforma agrária e protege os direitos humanos fundamentais dos mexicanos, inclusive direitos trabalhistas (salário mínimo, jornada de trabalho de 8 horas, direito de associação a sindicatos, direito de greve e limitação aos trabalhos feminino e infantil). 

ARMAS DE SADDAM

    Em 2003, numa apresentação patética diante do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário de Estado norte-americano, general Colin Powell, afirma que o ditador do Iraque, Saddam Hussein, tem armas de destruição em massa que representam uma ameaça iminente para justificar a invasão de março do mesmo ano.

A CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) recebe em 18 de outubro de 2001, pouco depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, um informe do serviço secreto militar da Itália, na época governada pela primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi, dizendo que o Iraque estava comprando torta amarela de urânio enriquecido do Níger.

Em fevereiro de 2002, os EUA enviam o embaixador Joseph Wilson ao Níger investigar a denúncia. Ele fala com o ex-primeiro-ministro nigerino Ibrahim Hassane Mayaki, que diz não saber de nenhum contato, a não ser de um empresário que recebe uma delegação iraquiana interessada em "expandir" as relações comerciais.

Wilson entrega seu relatório em março de 2002, concluindo que o informe italiano não tem fundamento.

Mesmo assim, em 28 de janeiro de 2003, um ano depois de declarar que o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte formam um "eixo do mal", no Discurso sobre o Estado da União perante o Congresso, o presidente George Walker Bush alega que "o governo britânico soube que Saddam Hussein tentou comprar quantidades de urânio significativas na África."

Com a decisão de invadir o Iraque tomada, Colin Powell vai à ONU apresentar as justificativas dos EUA. Em 2016, reconhece que sua apresentação "foi um grande fracasso de inteligência". As alegações vêm do Conselho de Segurança Nacional e a conselheira na época, Condoleezza Rice, as atribui ao escritório do vice-presidente Dick Cheney, o grande defensor da guerra. Era secretário da Defesa em 1991, quando os EUA e aliados expulsam os iraquianos do Kuwait mas não marcham até Bagdá.

Powell declara que a Comissão de Desarmamento da ONU não conseguiu eliminar os programas de armas de destruição em massa de Saddam, que o Iraque amordaça seus cientistas, esconde armas proibidas, inclusive toneladas do agente biológico antraz, abriga terroristas ligados à rede Al Caeda, ainda tenta desenvolver armas nucleares e que Saddam se nega a se desarmar pacificamente.

Os EUA não conseguem convencer nem aliados como a Alemanha e a França, não propõem uma resolução para legalizar a guerra e invadem o Iraque em 20 de março sem a autorização da ONU.

CHANTAGEM À UCRÂNIA

    Em 2020, depois de ser denunciado pela Câmara dos Representantes por chantagear o presidente da Ucrânia, o presidente Donald Trump é absolvido no Senado com os votos da maioria republicana.

O processo é aberto pela maioria democrata na Câmara porque Trump pressiona, em conversa telefônica em 25 de julho de 2019, o presidente Volodymyr Zelenski a acusar Joe Biden e filhos de algum negócio ilícito na Ucrânia para usar isso na campanha eleitoral. Trump ameaça não liberar uma ajuda militar US$ 391 milhões à Ucrânia aprovada pelo Congreso. É denunciado por "abuso de poder" e "obstrução do Congresso".

No fim de seu primeiro governo (2017-21), Trump é submetido a um segundo processo de impeachment pelo assalto de seus partidários ao Capitólio em 6 de janeiro de 2001 para tentar impedir a certificação da vitória de Biden. É absolvido pela segunda vez. De volta à Casa Branca em 2025, usa o Departamento da Justiça para perseguir quem o acusou e investigou.