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sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 24 de Outubro

 PAZ DA VESTFÁLIA

    Em 1648, a assinatura do Tratado de Paz da Vestfália acaba com a Guerra dos Trinta Anos, muda o equilíbrio de forças na Europa e consagra os princípios de soberania nacional e não intervenção nos assuntos internos de outros países, criando o sistema internacional moderno.

A guerra começa em 23 de maio de 1618, quando o rei da Boêmia e futuro imperador Ferdinando II, do Sacro Império Romano-Germânico, tenta impor o catolicismo como religião em todos os seus domínios. Os nobres protestantes se rebelam e jogam dois representantes do rei pela janela do Castelo de Praga. É a Segunda Defenestração de Praga.

No fim da guerra, a Espanha perde seu império europeu, com a independência da Holanda, a Suécia assume o controle sobre a região do Mar Báltico, a França se torna a potência dominante na Europa continental e o poder do imperador do Sacro Império é reduzindo, dando aos estados e principados germânicos o direito de escolher sua religião.

As invasões holandesas ao Nordeste (1624-25 e 1630-54) são fruto da guerra. Com o fim da Dinastia de Avis depois da morte do jovem rei português Dom Sebastião, na Batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, em 1578, Felipe II, talvez o rei mais poderoso da história da Espanha, reivindica a coroa de Portugal. A União Ibérica dura de 1580 a 1640, período conhecido na História do Brasil como Domínio Espanhol.

Em 1º de maio de 1640, o Cardeal de Richelieu, o poderoso e maquiavélico primeiro-ministro da França, fomenta a Revolta de Lisboa e Portugal recupera a independência.

NASCE A ONU

    Em 1945, meses depois da assinatura da Carta das Nações Unidas, em 26 de junho, a Organização das Nações Unidas (ONU) começa a funcionar em São Francisco com 51 países, um a mais dos que assinaram a carta por causa da restauração da independência da Polônia.

A ONU é a segunda organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial. Sucede a Liga das Nações, criada depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Antes mesmo dos Estados Unidos entrarem na  guerra, o presidente Franklin Roosevelt e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico, em 14 de agosto de 1941, estabelecendo os princípios de uma nova ordem mundial para o pós-guerra:

  1. Nenhum ganho territorial seria buscado pelos Estados Unidos ou pelo Reino Unido;
  2. Os ajustes territoriais devem estar de acordo com os desejos das populações afectadas;
  3. Todos os povos têm direito à autodeterminação;
  4. Barreiras comerciais devem ser reduzidas;
  5. Há de haver cooperação econômica global e avanço do bem-estar social;
  6. Os participantes vão trabalhar por um mundo livre do medo e da necessidade;
  7. Os participantes vão trabalhar pela liberdade nos mares;
  8. As nações agressoras serão desarmadas após a guerra.

Com a entrada dos EUA na guerra depois do ataque do Japão à frota norte-americana do Oceano Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, os mesmos princípios são a base da Declaração das Nações Unidas, assinada pelos quatro grandes (EUA, Reino Unido, União Soviética e China) em 1º de janeiro de 1942.

Até o fim da guerra, 47 países assinam a declaração. A ONU é criada em conferências realizadas em Moscou e Teerã, em 1943; Dumbartan Oaks, nos EUA, em 1944; Ialta, na URSS, em fevereiro de 1945; e em São Francisco, onde a Carta da ONU é assinada, em 26 de junho de 1945, antes do fim da guerra no Pacífico.

O preâmbulo da Carta indica as intenções de seus redatores: “os povos das Nações Unidas, decididos a preservar as gerações futuras do flagelo da guerra…e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, da dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas… 

“Para tais fins [decidem] praticar a tolerância e viver em paz…e unir nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais, e a garantir, pela aceitação de princípios e a instituição de métodos, que a força armada não será usada a não ser no interesse comum e a empregar um mecanismo internacional para promover o progresso econômico e social dos povos”.

EISENHOWER APOIA VIETNÃ DO SUL
    
    Em 1954, durante a Guerra Friao presidente Dwight Eisenhower promete apoio político e militar ao presidente do Vietnã do Sul, Ngo Dinh Diem, dando início ao envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1955-75).

Com a derrota da França na Guerra da Indochina (1946-54), a Conferência de Paz de Genebra divide o país em Vietnã do Norte, comunista, liderado por Ho Chi Minh, e Vietnã do Sul, dirigido por Diem. Uma eleição nacional a ser realizada em julho de 1956 deve unificar o país.

Diante da expectativa da vitória comunista, os EUA e o Vietnã do Sul se recusam a realizar as eleições, causa do início da Guerra do Vietnã.

BURTON DÁ SUPERDIAMANTE A LIZ

     Em 1969, o ator Richard Burton dá um diamante de 69 quilates (13,8 gramas) e US$ 1,5 milhão para sua mulher, a atriz Elizabeth Taylor, em meio à relação tumultuada do casal número um do cinema. Eles se conhecem a se apaixonam durante a flimagem de Cleópatra, em que ela interpreta a rainha do Egito e ele o general romano Marco Antônio.

Aos 30 anos, Liz, a musa dos olhos cor de violeta, casa pela quarta vez em 15 de março 1964. Os dois fazem 12 filmes juntos. Nos anos 1960, ganham US$ 88 milhões e gastam US$ 65 milhões em uma frota de Rolls-Royces, hotéis de luxo, um jato privado, um helicóptero e um iate de milhões de dólares. São a realeza de Hollywood. 

ÚLTIMO VOO DO CONCORDE

  Em 2003, o avião supersônico Concorde faz o último voo comercial, entre o Aeroporto Internacional John Kennedy, em Nova York, e o Aeroporto de Heathrow, em Londres, a duas vezes a velocidade do som no vácuo (340 metros por segundo), a serviço da companhia aérea British Airways, com 100 passageiros a bordo, inclusive um casal que pagou US$ 60 mil pelas passagens.

O Concorde, um projeto conjunto dos governos da França e do Reino Unido, entra em operação em janeiro de 1975. A uma velocidade de 2.160 quilômetros por hora, vai de Londres a Nova York em três horas e meia. É um luxo. A passagem de uma viagem transatlântica de ida e volta custa US$ 9 mil. 

Seu fim é trágico. Em 25 de julho de 2000, um Concorde da companhia aérea francesa Air France cai logo depois de decolar do Aeroporto Internacional Charles de Gaulle, nos arredores de Paris, com destino a Nova York, matando todas as 109 pessoas a bordo e quatro pessoas em terra.

A companhia aérea britânica Virgin Galactic, que explora o turismo no espaço, anuncia em agosto de 2020 uma associação com a fábrica de motores Rolls-Royce para desenvolver um avião capaz de voar a três vezes a velocidade do som.

Em junho de 2021, a companhia aérea norte-americana United Airlines revelou planos de retomar os voos supersônicos com uma aeronave fabricada pela empresa Boom Supersonic. Os voos de teste estão previstos para 2026.

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quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 24 de Outubro

 PAZ DA VESTFÁLIA

    Em 1648, a assinatura do Tratado de Paz da Vestfália acaba com a Guerra dos Trinta Anos, muda o equilíbrio de forças na Europa e consagra os princípios de soberania nacional e não intervenção nos assuntos internos de outros países, criando o sistema internacional moderno.

A guerra começa em 23 de maio de 1618, quando o rei da Boêmia e futuro imperador Ferdinando II, do Sacro Império Romano-Germânico, tenta impor o catolicismo como religião em todos os seus domínios. Os nobres protestantes se rebelam e jogam dois representantes do rei pela janela do Castelo de Praga. É a Segunda Defenestração de Praga.

No fim da guerra, a Espanha perde seu império europeu, com a independência da Holanda, a Suécia assume o controle sobre a região do Mar Báltico, a França se torna a potência dominante na Europa continental e o poder do imperador do Sacro Império é reduzindo, dando aos estados e principados germânicos o direito de escolher sua religião.

As invasões holandesas ao Nordeste (1624-25 e 1630-54) são fruto da guerra. Com o fim da Dinastia de Avis depois da morte do jovem rei português Dom Sebastião, na Batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, em 1578, Felipe II, o rei mais poderoso da história da Espanha, reivindica a coroa de Portugal. A União Ibérica dura de 1580 a 1640, período conhecido na História do Brasil como Domínio Espanhol.

Em 1º de maio de 1640, o Cardeal de Richelieu, o poderoso e maquiavélico primeiro-ministro da França, fomenta a Revolta de Lisboa, e Portugal recupera a independência.

NASCE A ONU

    Em 1945, meses depois da assinatura da Carta das Nações Unidas, em 26 de junho, a Organização das Nações Unidas (ONU) começa a funcionar em São Francisco com 51 países, um a mais dos que assinaram a carta por causa da restauração da independência da Polônia.

A ONU é a segunda organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial. Sucede a Liga das Nações, criada depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que não consegueevitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Antes mesmo dos Estados Unidos entrarem na  guerra, o presidente Franklin Roosevelt e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico, em 14 de agosto de 1941, estabelecendo os princípios de uma nova ordem mundial para o pós-guerra:

  1. Nenhum ganho territorial seria buscado pelos Estados Unidos ou pelo Reino Unido;
  2. Os ajustes territoriais devem estar de acordo com os desejos das populações afectadas;
  3. Todos os povos têm direito à autodeterminação;
  4. Barreiras comerciais devem ser reduzidas;
  5. Há de haver cooperação econômica global e avanço do bem-estar social;
  6. Os participantes vão trabalhar por um mundo livre do medo e da necessidade;
  7. Os participantes vão trabalhar pela liberdade nos mares;
  8. As nações agressoras serão desarmadas após a guerra.

Com a entrada dos EUA na guerra depois do ataque do Japão à frota norte-americana do Oceano Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, os mesmos princípios são a base da Declaração das Nações Unidas, assinada pelos quatro grandes (EUA, Reino Unido, União Soviética e China) em 1º de janeiro de 1942.

Até o fim da guerra, 47 países assinam a declaração. A ONU é criada em conferências realizadas em Moscou e Teerã, em 1943; Dumbartan Oaks, nos EUA, em 1944; Ialta, na URSS, em fevereiro de 1945; e em São Francisco, onde a Carta da ONU é assinada, em 26 de junho de 1945, antes do fim da guerra no Pacífico.

O preâmbulo da Carta indica as intenções de seus redatores: “os povos das Nações Unidas, decididos a preservar as gerações futuras do flagelo da guerra…e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, da dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas… 

“Para tais fins [decidem] praticar a tolerância e viver em paz…e unir nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais, e a garantir, pela aceitação de princípios e a instituição de métodos, que a força armada não será usada a não ser no interesse comum e a empregar um mecanismo internacional para promover o progresso econômico e social dos povos”.

EISENHOWER APOIA VIETNÃ DO SUL
    
    Em 1954, durante a Guerra Friao presidente Dwight Eisenhower promete apoio político e militar ao presidente do Vietnã do Sul, Ngo Dinh Diem, dando início ao envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1955-75).

Com a derrota da França na Guerra da Indochina (1946-54), a Conferência de Paz de Genebra divide o país em Vietnã do Norte, comunista, liderado por Ho Chi Minh, e Vietnã do Sul, dirigido por Diem. Uma eleição nacional a ser realizada em julho de 1956 deve unificar o país.

Diante da expectativa da vitória comunista, os EUA e o Vietnã do Sul se recusam a realizar as eleições, causa do início da Guerra do Vietnã.

BURTON DÁ SUPERDIAMANTE A LIZ

     Em 1969, o ator Richard Burton dá um diamante de 69 quilates (13,8 gramas) e US$ 1,5 milhão para sua mulher, a atriz Elizabeth Taylor, em meio à relação tumultuada do casal número um do cinema. Eles se conhecem a se apaixonam durante a flimagem de Cleópatra, em que ela interpreta a rainha do Egito e ele o general romano Marco Antônio.

Aos 30 anos, Liz, a musa dos olhos cor de violeta, casa pela quarta vez em 15 de março 1964. Os dois fazem 12 filmes juntos. Nos anos 1960, ganham US$ 88 milhões e gastam US$ 65 milhões em uma frota de Rolls-Royces, hotéis de luxo, um jato privado, um helicóptero e um iate de milhões de dólares. São a realeza de Hollywood. 

ÚLTIMO VOO DO CONCORDE

  Em 2003, o avião supersônico Concorde faz o último voo comercial, entre o Aeroporto Internacional John Kennedy, em Nova York, e o Aeroporto de Heathrow, em Londres, a duas vezes a velocidade do som no vácuo (340 metros por segundo), a serviço da companhia aérea British Airways, com 100 passageiros a bordo, inclusive um casal que pagou US$ 60 mil pelas passagens.

O Concorde, um projeto conjunto dos governos da França e do Reino Unido, entra em operação em janeiro de 1975. A uma velocidade de 2.160 quilômetros por hora, vai de Londres a Nova York em três horas e meia. É um luxo. A passagem de uma viagem transatlântica de ida e volta custa US$ 9 mil. 

Seu fim é trágico. Em 25 de julho de 2000, um Concorde da companhia aérea francesa Air France cai logo depois de decolar do Aeroporto Internacional Charles de Gaulle, nos arredores de Paris, com destino a Nova York, matando todas as 109 pessoas a bordo e quatro pessoas em terra.

A companhia aérea britânica Virgin Galactic, que explora o turismo no espaço, anuncia em agosto de 2020 uma associação com a fábrica de motores Rolls-Royce para desenvolver um avião capaz de voar a três vezes a velocidade do som.

Em junho de 2021, a companhia aérea norte-americana United Airlines revelou planos de retomar os voos supersônicos com uma aeronave fabricada pela empresa Boom Supersonic. Os voos de teste estão previstos para 2026.

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Hoje na História do Mundo: 24 de Outubro

  PAZ DA VESTFÁLIA

    Em 1648, a assinatura do Tratado de Paz da Vestfália acaba com a Guerra dos Trinta Anos, muda o equilíbrio de forças na Europa e consagra os princípios de soberania nacional e não intervenção nos assuntos internos de outros países, criando o sistema internacional moderno.

A guerra começa em 23 de maio de 1618, quando o rei da Boêmia e futuro imperador Ferdinando II, do Sacro Império Romano-Germânico, tenta impor o catolicismo como religião em todos os seus domínios. Os nobres protestantes se rebelam e jogam dois representantes do rei pela janela do Castelo de Praga, na Segunda Defenestração de Praga.

No fim da guerra, a Espanha perde seu império europeu, com a independência da Holanda, a Suécia assume o controle sobre a região do Mar Báltico, a França se torna a potência dominante na Europa continental e o poder do imperador do Sacro Império é reduzindo, dando aos estados e principados germânicos o direito de escolher sua religião.

As invasões holandesas ao Nordeste (1624-25 e 1630-54) são fruto da guerra. Com o fim da Dinastia de Avis depois da morte do jovem rei português Dom Sebastião, na Batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, em 1578, Felipe II, o rei mais poderoso da história da Espanha, reivindica a coroa de Portugal. A União Ibérica dura de 1580 a 1640, período conhecido na História do Brasil como Domínio Espanhol.

Em 1º de maio de 1640, o Cardeal de Richelieu, o poderoso e maquiavélico primeiro-ministro da França, fomenta a Revolta de Lisboa, e Portugal recupera a independência.

NASCE A ONU

    Em 1945, meses depois da assinatura da Carta das Nações Unidas, em 26 de junho, a Organização das Nações Unidas (ONU) começa a funcionar em São Francisco com 51 países, um a mais dos que assinaram a carta por causa da restauração da independência da Polônia.

A ONU é a segunda organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial. Sucede a Liga das Nações, criada depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que não conseguiu evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Antes mesmo dos Estados Unidos entrarem na  guerra, o presidente Franklin Roosevelt e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico, em 14 de agosto de 1941, estabelecendo os princípios de uma nova ordem mundial para o pós-guerra:

  1. Nenhum ganho territorial seria buscado pelos Estados Unidos ou pelo Reino Unido;
  2. Os ajustes territoriais devem estar de acordo com os desejos das populações afectadas;
  3. Todos os povos têm direito à autodeterminação;
  4. Barreiras comerciais devem ser reduzidas;
  5. Há de haver cooperação econômica global e avanço do bem-estar social;
  6. Os participantes vão trabalhar por um mundo livre do medo e da necessidade;
  7. Os participantes vão trabalhar pela liberdade nos mares;
  8. As nações agressoras serão desarmadas após a guerra.

Com a entrada dos EUA na guerra depois do ataque do Japão à frota norte-americana do Oceano Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, os mesmos princípios   são a base da Declaração das Nações Unidas, assinada pelos quatro grandes (EUA, Reino Unido, União Soviética e China) em 1º de janeiro de 1942.

Até o fim da guerra, 47 países assinam a declaração. A ONU é criada em conferências realizadas em Moscou e Teerã, em 1943; Dumbartan Oaks, em 1944; Ialta, em fevereiro de 1945; e em São Francisco, onde a Carta da ONU é assinada, em 26 de junho de 1945, antes do fim da guerra no Pacífico.

O preâmbulo da Carta indica as intenções de seus redatores: “os povos das Nações Unidas, decididos a preservar as gerações futuras do flagelo da guerra…e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, da dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas… 

“Para tais fins [decidem] praticar a tolerância e viver em paz…e unir nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais, e a garantir, pela aceitação de princípios e a instituição de métodos, que a força armada não será usada a não ser no interesse comum e a empregar um mecanismo internacional para promover o progresso econômico e social dos povos”.

EISENHOWER APOIA VIETNÃ DO SUL
    
    Em 1954, durante a Guerra Friao presidente Dwight Eisenhower promete apoio político e militar ao presidente do Vietnã do Sul, Ngo Dinh Diem, dando início ao envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1955-75).

Com a derrota da França na Guerra da Indochina (1946-54), a Conferência de Paz de Genebra divide o país em Vietnã do Norte, comunista, liderado por Ho Chi Minh, e Vietnã do Sul, dirigido por Diem. Uma eleição nacional a ser realizada em julho de 1956 deve unificar o país.

Diante da expectativa da vitória comunista, os EUA e o Vietnã do Sul se recusam a realizar as eleições, causa do início da Guerra do Vietnã.

BURTON DÁ SUPERDIAMANTE A LIZ

     Em 1969, o ator Richard Burton dá um diamante de 69 quilates (13,8 gramas) e US$ 1,5 milhão para sua mulher, a atriz Elizabeth Taylor, em meio à relação tumultuada do casal número um do cinema. Eles se conhecem a se apaixonam durante a flimagem de Cleópatra, em que ela interpreta a rainha do Egito e ele o general romano Marco Antônio.

Aos 30 anos, Liz, a musa dos olhos cor de violeta, casa pela quarta vez em 15 de março 1964. Os dois fazem 12 filmes juntos. Nos anos 1960, ganham US$ 88 milhões e gastam US$ 65 milhões em uma frota de Rolls-Royces, hotéis de luxo, um jato privado, um helicóptero e um iate de milhões de dólares. São a realeza de Hollywood. 

ÚLTIMO VOO DO CONCORDE

  Em 2003, o avião supersônico Concorde faz o último voo comercial, entre o Aeroporto Internacional John Kennedy, em Nova York, e o Aeroporto de Heathrow, em Londres, a duas vezes a velocidade do som no vácuo (340 metros por segundo), a serviço da companhia aérea British Airways, com 100 passageiros a bordo, inclusive um casal que pagou US$ 60 mil pelas passagens.

O Concorde, um projeto conjunto dos governos da França e do Reino Unido, entra em operação em janeiro de 1975. A uma velocidade de 2.160 quilômetros por hora, vai de Londres a Nova York em três horas e meia. É um luxo. A passagem de uma viagem transatlântica de ida e volta custa US$ 9 mil. 

Seu fim é trágico. Em 25 de julho de 2000, um Concorde da companhia aérea francesa Air France cai logo depois de decolar do Aeroporto Internacional Charles de Gaulle, nos arredores de Paris, com destino a Nova York, matando todas as 109 pessoas a bordo e quatro pessoas em terra.

A companhia aérea britânica Virgin Galactic, que explora o turismo no espaço, anuncia em agosto de 2020 uma associação com a fábrica de motores Rolls-Royce para desenvolver um avião capaz de voar a três vezes a velocidade do som.

Em junho de 2021, a companhia aérea norte-americana United Airlines revelou planos de retomar os voos supersônicos com uma aeronave fabricada pela empresa Boom Supersonic. Os voos de teste estão previstos para 2026.

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Hoje na História do Mundo: 24 de Outubro

 PAZ DA VESTFÁLIA

    Em 1648, a assinatura do Tratado de Paz da Vestfália acaba com a Guerra dos Trinta Anos, muda o equilíbrio de forças na Europa e consagra os princípios de soberania nacional e não intervenção nos assuntos internos de outros países, criando o sistema internacional moderno.

A guerra começa em 23 de maio de 1618, quando o rei da Boêmia e futuro imperador Ferdinando II, do Sacro Império Romano-Germânico, tenta impor o catolicismo como religião em todos os seus domínios. Os nobres protestantes se rebelam e jogam dois representantes do rei pela janela do Castelo de Praga, na Segunda Defenestração de Praga.

No fim da guerra, a Espanha perde seu império europeu, com a independência da Holanda, a Suécia assume o controle sobre a região do Mar Báltico, a França se torna a potência dominante na Europa continental e o poder do imperador do Sacro Império é reduzindo, dando aos estados e principados germânicos o direito de escolher sua religião.

As invasões holandesas ao Nordeste (1624-25 e 1630-54) são fruto da guerra. Com o fim da Dinastia de Avis depois da morte do jovem rei português Dom Sebastião, na Batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, em 1578, Felipe II, o rei mais poderoso da história da Espanha, reivindica a coroa de Portugal. A União Ibérica dura de 1580 a 1640, período conhecido na História do Brasil como Domínio Espanhol.

Em 1º de maio de 1640, o Cardeal de Richelieu, o poderoso e maquiavélico primeiro-ministro da França, fomenta a Revolta de Lisboa, e Portugal recupera a independência.

NASCE A ONU

    Em 1945, meses depois da assinatura da Carta das Nações Unidas, em 26 de junho, a Organização das Nações Unidas (ONU) começa a funcionar em São Francisco com 51 países, um a mais dos que assinaram a carta por causa da restauração da independência da Polônia.

A ONU é a segunda organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial. Sucede a Liga das Nações, criada depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que não conseguiu evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Antes mesmo dos Estados Unidos entrarem na  guerra, o presidente Franklin Roosevelt e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico, em 14 de agosto de 1941, estabelecendo os princípios de uma nova ordem mundial para o pós-guerra:

  1. Nenhum ganho territorial seria buscado pelos Estados Unidos ou pelo Reino Unido;
  2. Os ajustes territoriais devem estar de acordo com os desejos das populações afectadas;
  3. Todos os povos têm direito à autodeterminação;
  4. Barreiras comerciais devem ser reduzidas;
  5. Há de haver cooperação econômica global e avanço do bem-estar social;
  6. Os participantes vão trabalhar por um mundo livre do medo e da necessidade;
  7. Os participantes vão trabalhar pela liberdade nos mares;
  8. As nações agressoras serão desarmadas após a guerra.

Com a entrada dos EUA na guerra depois do ataque do Japão à frota norte-americana do Oceano Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, os mesmos princípios   são a base da Declaração das Nações Unidas, assinada pelos quatro grandes (EUA, Reino Unido, União Soviética e China) em 1º de janeiro de 1942.

Até o fim da guerra, 47 países assinam a declaração. A ONU é criada em conferências realizadas em Moscou e Teerã, em 1943; Dumbartan Oaks, em 1944; Ialta, em fevereiro de 1945; e em São Francisco, onde a Carta da ONU é assinada, em 26 de junho de 1945, antes do fim da guerra no Pacífico.

O preâmbulo da Carta indica as intenções de seus redatores: “os povos das Nações Unidas, decididos a preservar as gerações futuras do flagelo da guerra…e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, da dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações grandes e pequenas… 

“Para tais fins [decidem] praticar a tolerância e viver em paz…e unir nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais, e a garantir, pela aceitação de princípios e a instituição de métodos, que a força armada não será usada a não ser no interesse comum e a empregar um mecanismo internacional para promover o progresso econômico e social dos povos”.

EISENHOWER APOIA VIETNÃ DO SUL
    
    Em 1954, durante a Guerra Friao presidente Dwight Eisenhower promete apoio político e militar ao presidente do Vietnã do Sul, Ngo Dinh Diem, dando início ao envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1955-75).

Com a derrota da França na Guerra da Indochina (1946-54), a Conferência de Paz de Genebra divide o país em Vietnã do Norte, comunista, liderado por Ho Chi Minh, e Vietnã do Sul, dirigido por Diem. Uma eleição nacional a ser realizada em julho de 1956 deve unificar o país.

Diante da expectativa da vitória comunista, os EUA e o Vietnã do Sul se recusam a realizar as eleições, causa do início da Guerra do Vietnã.

BURTON DÁ SUPERDIAMANTE A LIZ

     Em 1969, o ator Richard Burton dá um diamante de 69 quilates (13,8 gramas) e US$ 1,5 milhão para sua mulher, a atriz Elizabeth Taylor, em meio à relação tumultuada do casal número um do cinema. Eles se conhecem a se apaixonam durante a flimagem de Cleópatra, em que ela interpreta a rainha do Egito e ele o general romano Marco Antônio.

Aos 30 anos, Liz, a musa dos olhos cor de violeta, casa pela quarta vez em 15 de março 1964. Os dois fazem 12 filmes juntos. Nos anos 1960, ganham US$ 88 milhões e gastam US$ 65 milhões em uma frota de Rolls-Royces, hotéis de luxo, um jato privado, um helicóptero e um iate de milhões de dólares. São a realeza de Hollywood. 

ÚLTIMO VOO DO CONCORDE

  Em 2003, o avião supersônico Concorde faz o último voo comercial, entre o Aeroporto Internacional John Kennedy, em Nova York, e o Aeroporto de Heathrow, em Londres, a duas vezes a velocidade do som no vácuo (340 metros por segundo), a serviço da companhia aérea British Airways, com 100 passageiros a bordo, inclusive um casal que pagou US$ 60 mil pelas passagens.

O Concorde, um projeto conjunto dos governos da França e do Reino Unido, entra em operação em janeiro de 1975. A uma velocidade de 2.160 quilômetros por hora, vai de Londres a Nova York em três horas e meia. É um luxo. A passagem de uma viagem transatlântica de ida e volta custa US$ 9 mil. 

Seu fim é trágico. Em 25 de julho de 2000, um Concorde da companhia aérea francesa Air France cai logo depois de decolar do Aeroporto Internacional Charles de Gaulle, nos arredores de Paris, com destino a Nova York, matando todas as 109 pessoas a bordo e quatro pessoas em terra.

A companhia aérea britânica Virgin Galactic, que explora o turismo no espaço, anuncia em agosto de 2020 uma associação com a fábrica de motores Rolls-Royce para desenvolver um avião capaz de voar a três vezes a velocidade do som.

Em junho de 2021, a companhia aérea norte-americana United Airlines revelou planos de retomar os voos supersônicos com uma aeronave fabricada pela empresa Boom Supersonic. Os voos de teste estão previstos para 2026.

terça-feira, 29 de março de 2022

Hoje na História do Mundo: 29 de Março

EUA SE RETIRAM DO VIETNÃ

    Em 1973, dois meses depois de assinar um acordo de paz com o Vietnã do Norte,  o Vietnã do Sul e os guerrilheiros do Viet Cong, os Estados Unidos retiram suas últimas forças de combate do Vietnã do Sul, pondo fim a uma intervenção militar de oito anos em que morreram 58.220 norte-americanos.

Depois de mais de uma década de ajuda militar indireta, em 1961, o presidente John Kennedy envia um grande número de assessores militares para ajudar a ditadura corrupta do Vietnã do Sul na guerra contra o Vietnã do Norte, comunista.

Três anos depois, o presidente Lyndon Johnson manda bombardear o Norte e forja o Incidente do Golfo de Tonquim para obter autorização do Congresso para declarar guerra ao regime norte-vietnamita.

Diante da ofensiva do Norte e dos guerrilheiros aliados do Viet Cong, Johnson aumenta gradualmente a presença militar dos EUA, que chega a mais de 300 mil soldados.

O grande número de baixas, os crimes de guerra como o Massacre de My Lai e a Ofensiva de Tet, no Ano Novo Lunar chinês em 1968 mostram que a vitória será penosa. Nos EUA, a opinião pública se volta contra a guerra . 

Em março de 1968, Johnson desiste de concorrer à reeleição, vencida pelo republicano e oposicionista Richard Nixon com a promessa de acabar com a participação norte-americana na Guerra do Vietnã (1955-75). 

Na primavera de 1969, o total de soldados dos EUA na guerra chega a 550 mil. Nixon amplia e intensifica os bombardeios aéreos, atacando os vizinhos Laos e Camboja.

Em 27 de janeiro de 1973, é assinado em Paris o Acordo para Acabar com a Guerra e Restaurar a Paz no Vietnã. A guerra só acaba em 30 de abril de 1975, quando as forças do Norte tomam a capital do Vietnã do Sul, Saigon, rebatizada como Cidade de Ho Chi Minh, o comunista que liderou a luta pela independência do país. Cerca de 2 milhões de vietnamitas morreram na guerra.

Ao aceitar a rendição do Sul, o coronel nortista Bui Tin declarou: "Vocês não têm nada a temer. Entre os vietnamitas, não há vencedores nem vencidos. Só os americanos foram derrotados."

Mais de 130 mil sul-vietnamitas que trabalhavam para o regime depois e a intervenção norte-americana saem do país. De 1975 a 1995, 800 mil vietnamitas fogem de barco e conseguem chegar a outro país em segurança, mas o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados estima que entre 200 e 400 mil pessoas do povo dos barcos, como são chamados, morreram no mar.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

General vietnamita que venceu França e EUA morre

O maior herói da História do Vietnã depois do líder comunista Ho Chi Minh, general Vo Nguyen Giap, fundador e comandante do Exército Popular do Vietnã, morreu hoje aos 102 anos, informa a televisão pública britânica BBC. Ao derrotar a França e os Estados Unidos, ele garantiu a independência e a unidade do país.

Ho Chi Minh declarou a independência do Vietnã em 2 de setembro de 1945, data da rendição japonesa e do fim da Segunda Guerra Mundial na Ásia, quando a França tentou restabelecer a administração colonial. A vitória do general Giap sobre a França na Batalha de Dien Bien Phu foi decisiva na Guerra da Indochina (1946-54).

Vo Nguyen Giap nasceu em 25 de agosto de 1911 na então Indochina Francesa. Aos 14 anos, começou a militar clandestinamente na resistência. Em 1938, na iminência da invasão japonesa, fugiu para a China com Ho Chi Minh.

No exílio, Giap organizou uma exército guerrilheiro para combater o Exército Imperial do Japão, seguindo uma tradição milenar que vinha da luta contra o Império Chinês e continuou no pós-guerra na luta contra a França.

BATALHA DE DIEN BIEN PHU
De 13 de março a 7 de maio de 1954, com cerca de 80 mil homens, o Exército vietnamita perdeu 7,9 mil soldados para acabar com o colonialismo francês no Sudeste Asiático na Batalha de Dien Bien Phu, um pequeno planalto no Nordeste do Vietnã, perto das fronteiras com o Laos e a China.

Da força expedicionária da França, 2.293 soldados foram mortos e 5.193 feridos em combate em Dien Bien Phu. Dos 11.721 franceses presos, a maioria morreu no cativeiro. Só 3.290 foram repatriados.

Como os comunistas liderados por Ho obteriam uma expressiva vitória nas eleições, elas foram vetadas pelos EUA, que insistiram na divisão do país na paz negociada nas Nações Unidas e instalaram um regime-fantoche no Vietnã do Sul.

GUERRA DO VIETNÃ
A divisão do país causou a Guerra do Vietnã (1955-75), que teve uma intervenção militar direta dos EUA de 1964-73, com a morte de 58 mil americanos. O general Giap supervisionou a Ofensiva do Tet, a maior batalha da guerra, decisiva para minar o apoio da opinião pública americana à guerra.

A Guerra do Vietnã ou Segunda Guerra da Indochina, travada no Vietnã, no Camboja e no Laos foi uma tentativa de impedir que o comunismo tomasse conta de todo o Vietnã. De acordo com a teoria do domino, poderia derrubar outros países do Sudeste Asiático.

Havia medo de que países vizinhos como a Malásia e a Indonésia, com recursos estratégicos como borracha, estanho e petróleo, virassem comunistas.

Em 1956, o Vietnã do Norte autorizou seu aliados do Vietcong a iniciar atividades guerrilheiras contra o regime-fantoche sustentado pelos EUA.

Em 1959, o Partido Comunista do Vietnã do Norte decidiu promover uma “guerra popular” no Sul. O primeiro envio de armas pela Trilha de Ho Chi Minh, através do Camboja, foi concluído em agosto de 1959.

A Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul foi fundada em 1960.

INTERVENÇÃO AMERICANA
O envolvimento dos EUA começa no governo Dwight Eisenhower (1953-61), que mandou 900 assessores militares. No fim do governo Kennedy (1961-63), havia 16,7 mil militares americanos no Vietnã. O economista John Kenneth Galbraith advertiu para o risco “de substituir a França como potência colonial e sangrar como a França”.

Como o Exército do Vietnã do Sul era muito incompetente no campo de batalha, militares americanos passaram a assessores as forças sul-vietnamitas em todas as frentes sem entender direito a natureza política da insurgência.

INCIDENTE DO GOLFO DE TONKIN
Depois de dois falsos ataques contra navios americanos forjados pelos EUA, em 2 a 4 de agosto de 1964, no Golfo de Tonkin, o presidente Lyndon Johnson declarou guerra ao Vietnã do Norte.

Documentos desclassificados em 2005 mostram que, no primeiro caso, o navio americano deu tiros de advertência a pesqueiros vietnamitas, que não responderam. No segundo caso, não houve ataque. Em nenhum dos dois, havia embarcações militares do Vietnã do Norte na área. O governo Johnson fabricou sua versão em Washington.

VIETCONGUE
De 5 mil rebeldes em 1959, quando foi criado, o grupo guerrilheiro Vietcongue tinha crescido para 1 milhão de homens em armas.

Em 2 de março de 1965, os EUA começaram uma campanha de intensos bombardeios aéreos que durou três anos. Com 3 mil fuzileiros navais enviados em 8 de março de 1965, os EUA entravam em combate em terra na linha de frente.

Ho Chi Minh alertou: “Se os americanos querem 20 anos de guerra, devemos lutar por 20 anos. Se eles querem paz, devemos fazer as pazes e convidá-los para tomar chá”.

O governo de Hanói declarava não ter a intenção de expandir sua revolução pelos países vizinhos, mas documentos secretos do Pentágono, revelados em 1971 pelo jornalista Jack Anderson no jornal The New York Times, falavam num “perigoso período de expansionismo vietnamita” citando expressamente o Laos e o Camboja como alvos fáceis e talvez também a Tailândia, a Malásia, Cingapura e a Indonésia.

OFENSIVA DO TET
Em 30 de janeiro de 1968, o Vietcongue lançou, durante os feriados do Ano Novo Lunar, uma de suas maiores ofensivas. Cerca de 84 mil guerrilheiros atacaram 155 cidades, inclusive 36 das 44 capitais provinciais e a capital do Vietnã do Sul, inclusive a Embaixada dos EUA e o comando militar americano.

1968 foi o pior ano para as tropas americanas: dos 58 mil americanos mortos na guerra, 16.592 soldados foram mortos naquele ano.

Com o fracasso da guerra, Johnson não concorreu à reeleição em 1968. Richard Nixon ganhou com a promessa de negociar a paz e tirar os soldados americanos do Vietnã. Para isso, o assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger iniciou uma aproximação com a China e a União Soviética.

PAZ QUE NÃO HOUVE
A paz entre EUA e Vietnã foi assinado em 1973, mas a guerra continuou até a queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, em 30 de abril de 1975, quando houve uma fuga espetacular de helicóptero da Embaixada dos EUA. O total de mortos vietnamitas é estimado pelo governo nacional em 2 milhões de civis e 1,1 milhões de soldados e guerrilheiros.

Duas semanas antes, em 16 de abril de 1975, o grupo guerrilheiro Khmer Vermelho, outro subproduto da Guerra do Vietnã, tomou o poder no vizinho Camboja, dando início a um reino de terror com mais de 2 milhões de mortes que acabaria em 8 de janeiro de 1979 com uma invasão vietnamita.

Depois da guerra, o general Giap manteve o cargo de ministro da Defesa e foi nomeado vice-primeiro-ministro em 1976. Marginalizado na luta interna pelo poder do regime comunista, abandonou a política seis anos depois.

O regime comunista internou mais de 1 milhão de pessoas em campos de reeducação, onde 165 mil vietnamitas morreram. A repressão de caráter stalinista provocou a fuga em massa de mais de 1,5 milhão de pessoas em barcos precários criando uma das grandes crises humanitárias dos anos 1980s. O Alto Comissariado da ONU para Refugiados estima que 200 a 400 mil pessoas morreram nessa fuga pelo mar.

domingo, 30 de março de 2008

Morre fotógrafo do genocídio no Camboja

O repórter fotográfico cambojano Dith Pran, que trabalhou para o jornal americano The New York Times no Sudeste Asiático nos anos 70 e foi um dos personagens do filme Os Gritos do Silêncio, morreu hoje aos 65 anos de câncer no pâncreas.

Durante a Guerra do Vietnã (1964-75), o Camboja foi duramente bombardeado pelos Estados Unidos porque era usado pelo guerrilheiros vietcongues como atalho para sair do Vietnã do Norte e atacar o Vietnã do Sul através da chamada Trilha de Ho Chi Minh, nome do líder da revolução vietnamita.

Em 1970, com apoio dos EUA, o general Lon Nol derrubou o chamado Príncipe Vermelho, Norodom Sihanuk, acusando-o de ser aliado do regime comunista do Vietnã do Norte. Isso levou ao surgimento de um grupo marxista ultra-radical de orientação maoísta, o Khmer Vermelho.

Duas semanas antes da queda de Saigon, a capital do Vietnã do Sul, em 16 de abril de 1975, o Khmer Vermelho entrou em Phnom Penh e instalou seu reino de terror. Em pouco menos de quatro anos, dois milhões de cambojanos foram mortos ou submetidos a programas de reeducação, no pior genocídio depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Dith Pran foi enviado para um dos centros de reeducação no interior do Camboja, sendo submetido a trabalhos forçados e a uma dieta de uma colher de sopa de arroz por dia.

O repórter do NY Times com quem trabalhara, Sydney H. Schanberg, contou a história ao mundo e conseguiu retirar a mulher e os filhos de Dith do Camboja.

Em 3 de setembro de 1979, o fotógrafo conseguiu escapar fugindo por terra do país, na época ocupado pelo Vietnã, que derrubara o governo genocida do Khmer Vermelho em 9 de janeiro de 1979. Chegou à Tailândia, de onde foi para os EUA, tornando-se em 1980 fotógrafo do NY Times.