O repórter fotográfico cambojano Dith Pran, que trabalhou para o jornal americano The New York Times no Sudeste Asiático nos anos 70 e foi um dos personagens do filme Os Gritos do Silêncio, morreu hoje aos 65 anos de câncer no pâncreas.
Durante a Guerra do Vietnã (1964-75), o Camboja foi duramente bombardeado pelos Estados Unidos porque era usado pelo guerrilheiros vietcongues como atalho para sair do Vietnã do Norte e atacar o Vietnã do Sul através da chamada Trilha de Ho Chi Minh, nome do líder da revolução vietnamita.
Em 1970, com apoio dos EUA, o general Lon Nol derrubou o chamado Príncipe Vermelho, Norodom Sihanuk, acusando-o de ser aliado do regime comunista do Vietnã do Norte. Isso levou ao surgimento de um grupo marxista ultra-radical de orientação maoísta, o Khmer Vermelho.
Duas semanas antes da queda de Saigon, a capital do Vietnã do Sul, em 16 de abril de 1975, o Khmer Vermelho entrou em Phnom Penh e instalou seu reino de terror. Em pouco menos de quatro anos, dois milhões de cambojanos foram mortos ou submetidos a programas de reeducação, no pior genocídio depois do fim da Segunda Guerra Mundial.
Dith Pran foi enviado para um dos centros de reeducação no interior do Camboja, sendo submetido a trabalhos forçados e a uma dieta de uma colher de sopa de arroz por dia.
O repórter do NY Times com quem trabalhara, Sydney H. Schanberg, contou a história ao mundo e conseguiu retirar a mulher e os filhos de Dith do Camboja.
Em 3 de setembro de 1979, o fotógrafo conseguiu escapar fugindo por terra do país, na época ocupado pelo Vietnã, que derrubara o governo genocida do Khmer Vermelho em 9 de janeiro de 1979. Chegou à Tailândia, de onde foi para os EUA, tornando-se em 1980 fotógrafo do NY Times.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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domingo, 30 de março de 2008
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