Mostrando postagens com marcador Genocídio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Genocídio. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Abril

MARTINHO LUTERO SE DEFENDE

    Em 1521, o monge alemão Martinho Lutero depõe na Dieta (assembleia) do Sacro Império Romano-Germânico, reunida em Worms, para responder à acusação de heresia depois de pregar suas 95 Teses sobre o poder e a eficiência das indulgências, criticando a corrupção na Igreja Católica, na porta da igreja do Castelo de Wittemberg em 31 de outubro de 1517, marco do início da Reforma Protestante.

O papa Leão X condena 41 teses em junho de 1520, mas dá a Lutero a chance de se arrepender e se retratar. Em resposta, Lutero queima a bula papal e se nega a retirar suas acusações. Ele é excomungado em 3 de janeiro de 1521.

O imperador deveria prender e executar Lutero. Ele é salvo pela intervenção de seu príncipe, Frederico III, o Sábio, eleitor (líder) da Saxônia. Por causa da confusão ou promiscuidade entre política e religião, Lutero é convocado pelas autoridades políticas e não pelo papa ou por um conselho da Igreja. Ele recebe um salvo-conduto do imperador para depor na Dieta de Worms.

No depoimento, em 17 de abril, Lutero admite a autoria de vários livros expostos. Sob pressão para repudiar suas ideias, pede mais um dia para pensar. No dia seguinte, se nega mais uma vez a repudiar sua obra, a não ser que seja convencido "pelas Escrituras ou pela razão". Alega que sua consciência está submetida à "palavra de Deus".

Em maio, uma nova dieta presidida pelo imperador Carlos V, do Sacro Império, aprova o Édito de Worms, que proíbe os escritos de Martinho Lutero e o declara "inimigo do Estado". Ele deveria ser preso e entregue ao imperador, mas a pena nunca é aplicada. A decisão limita as viagens de Lutero, que depende da proteção do príncipe da Saxônia até sua morte, em 18 de fevereiro de 1546.

PRIMEIRA GUERRA SINO-JAPONESA

    Em 1895, o Tratado de Shimonoseki acaba com a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) com a vitória do Japão. A China é obrigada a reconhecer a independência da Coreia, que dominava historicamente; cede Taiwan, as Ilhas Pescadores e a Península de Liaodong, no Sul da Manchúria, ao Japão; paga uma indenização de 200 milhões de taéis de prata ao Japão. Sob pressão da Alemanha, da França, do Reino Unido e da Rússia, o Japão devolde Liaodong em troca de mais 30 milhões de taéis.

A China e o Japão tinham uma tradição de isolamento que termina sob pressão do colonialismo ocidental. Com as Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), o Reino Unido abre a China ao livre comércio, inclusive de ópio. Em 1854, o almirante norte-americano Matthew Perry rompe o fechamento de mais de dois séculos do Japão meses depois de ameaçar bombardear o porto de Tóquio.

A Restauração Meiji (1868) acaba com o xogunato e restaura o poder do imperador. É o fim da Idade Média no Japão, que se ocidentaliza e desenvolve a indústria para não se submeter ao colonialismo e preservar sua independência. A China, o Império do Meio, centro do mundo na Ásia há quase 2 mil anos, entra em decadência.

Em 1874, um navio japonês naufraga na costa sudoeste de Taiwan e a população local mata a tripulação. A China rejeita o pedido de indenização sob o argumento de que é uma tribo rebelde que não se submete ao imperador. Uma expedição punitiva japonesa força a China a pagar.

A grande causa da guerra é o conflito sobre a Coreia. O conselheiro militar alemão Klemens Meckel, que participa da modernização do Exército japonês, considera a Coreia "uma adaga apontada para o coração do Japão".

Em 27 de fevereiro de 1876, o Japão impõe o Tratado de Ganghwa. Obriga a Coreia a se abrir ao comércio e proclamar independência da China. Para neutralizar a influência japonesa, a China pressiona a Coreia a se aproximar das potências ocidentais.

Sob influência do Japão, os reformistas coreanos tentam derrubar o governo conservador aliado à China num golpe sangrento em 1884, mas tropas chinesas sob o comando do general Yuan Shikai dão um contragolpe igualmente sangrento, com a morte de vários japoneses. Pela Convenção de Li-Ito, os dois países concordam em retirar suas forças da Península Coreana para evitar a guerra.

Em 28 de março de 1894, o líder do golpe de 1884, Kim Ok Kyun, é atraído para Xangai e assassinado, provavelmente por agentes de Yuan Shikai. Seu corpo é enviado de navio à Coreia, onde é esquartejado e exposto ao público.

Quando estoura o Levante de Tonghak, uma revolta camponesa marcha rumo a Seul em 1º de junho de 1894. A pedido do rei coreano, a China envia Yuan Shikai com 2,8 mil soldados. O Japão considera a intervenção chinesa uma violação da Convenção de Li-Ito e manda 8 mil militares à Coreia. A China tenta enviar reforços, mas o Japão afunda o navio britânico Kowshing, que os transporta.

O Japão toma o palácio real em Seul, captura o imperador em 8 de junho de 1894 e instala um governo de coreanos aliados. A rebelião acaba em 11 de junho, mas o Japão manda o general Otori Keisuke ficar na Coreia e envia mais soldados.

Em 23 de julho, o Japão marcha sobre Seul, captura o imperador e reinstala um governo colaboracionista que rompe todos os acordos com a China e autoriza o Exército Imperial Japonês a expulsar os militares chineses.

O general japonês Oshima Yoshimasa avança rumo a Seul com 4 mil homens para enfrentar 3,5 mil soldados da guarnição chinesa. O combate acontece em 28 de julho. Cerca 500 chineses e 92 japoneses são mortos ou feridos. Os chineses recuam para Pyongyang, que hoje é a capital da Coreia do Norte.

A guerra começa oficialmente em 1º de agosto de 1894. Os analistas militares estrangeiros esperam uma vitória rápida da China, mas a modernização do Japão se impõe. A China tem entre 13 a 15 mil soldados em Pyongyang, para onde as forças japonesas convergem em 15 de setembro e invadem a cidade no dia seguinte. Dois mil chineses morrem e 4 mil saem feridos, em contraste com 102 japoneses mortos, 433 feridos e 33 desaparecidos.

A Marinha Imperial Japonesa destrói 8 dos 10 navios da frota chinesa perto da foz do Rio Yalu e assume o controle do mar. A China abandona o Norte da Coreia. Em 24 de outubro, o Japão cruza o Rio Yalu e invade a Manchúria. Toma Lushunkou (Port Arthur) em 21 de novembro, onde massacra milhares de civis, e Kaipeng em 10 de dezembro.

Em março de 1895, o Japão domina a província de Shandong e a Manchúria. No dia 23 de março, ataca as Ilhas Pescadores. A China pede negociações de paz.

Com a derrota, acaba a ordem sinocêntrica em vigor há quase 2 mil anos no Leste da Ásia. Mesmo durante a era do Império Mongol criado por Gengis Khan, a cultura chinesa se impunha por ser superior à dos conquistadores.

Outra derrota, na Guerra dos Boxers (1899-1901), quando Beijim é ocupada por forças estrangeiras da Aliança de Oito Nações, abala definitivamente a monarquia. Com a revolução de 1911, liderada por Sun Yat-Sen, acaba o Império e nasce a República da China, em 1912.

 INVASÃO DA BAÍA DOS PORCOS

    Em 1961, começa a invasão da Baía dos Porcos, quando refugiados cubanos financiados e treinados pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) desembarcam em Cuba e tentam derrubar o regime comunista de Fidel Castro, que vence, consolida o poder e pede proteção da União Soviética, o que leva à Crise dos Mísseis em outubro de 1962, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear.

A revolução liderada por Fidel Castro toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959, após a fuga do ditador Fulgencio Batista. Quando a revolução nacionaliza as empresas norte-americanas na ilha, bancos, refinarias de petróleo, plantações de café e de cana-de-açúcar, entre outras medidas, o governo Dwight Eisenhower (1953-61) destina US$ 13,1 milhões para a CIA usar contra Fidel e impõe as primeiras sanções.

O plano é do vice-presidente Richard Nixon, notório anticomunista e candidato a presidente em 1960 contra o senador John Kennedy, que na campanha é mais anticomunista do que Nixon para não passar a imagem de jovem inseguro, incapaz de enfrentar o desafio soviético na Guerra Fria.

Ao tomar posse, em 20 de janeiro de 1961, o presidente Kennedy herda a operação. O Partido Democrata é acusado de "perder a China". Estava no poder com Harry Truman (1945-53) quando os comunistas tomaram o poder em Beijim, em 1º de outubro de 1949.

Em 15 de abril, aviões bombardeiros B-26 pilotados por exilados atacam três pistas de pouso em Cuba, mas não conseguem aniquilar a Força Aérea Cubana. Pelo menos seis aviões ficam intactos. 

Quando Kennedy suspende a segunda onda de bombardeio aéreo, em 16 de abril, a operação está condenada ao fracasso. O sucesso do desembarque depende do controle do espaço aéreo. A Força Aérea Cubana ataca os barcos.

Mais de 1,4 mil homens, divididos em cinco batalhões de infantaria e um de paraquedistas, tentam desembarcar na praia Girón, em Cuba, onde encontam forte resistência e são derrotados. Mais de 100 invasores e 176 soldados cubanos morrem. Cerca de 1,2 mil invasores são presos.

Fidel pede proteção à URSS. O líder soviético Nikita Kruschev aproveita para tentar equilibrar a corrida armamentista. Apesar de lançar o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik, a URSS fica atrás no desenvolvimento de mísseis nucleares e tenta instalar mísseis em Cuba. Os EUA reagem, bloqueiam Cuba e ameaçam invadir a ilha na Crise dos Mísseis, de 14 a 27 de outubro de 1962. A URSS recua e retira os mísseis num acordo tácito em que os EUA prometem não invadir Cuba.

VITÓRIA DO KHMER VERMELHO

   Em 1975, os guerrilheiros maoístas do Khmer Vermelho, liderados por Pol Pot, entram em Phnom Penh, derrubam a ditadura do general Lon Nol e impõem ao Camboja um regime genocida acusado pela morte de 1,5 milhão a 2 milhões de pessoas com perseguições políticas, tortura, assassinatos em massa e fome, tendo como principal alvo a elite educada e intelectualizada. Como a população do país tinha pouco mais de 7,3 milhões de habitantes, é considerado o regime mais assassino do século 20.

A vitória do Khmer Vermelho é resultado da intervenção militar dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1955-75). Como os guerrilheiros vietcongues e os soldados norte-vietnamitas usam o Camboja para ir do Vietnã do Norte para o Vietnã do Sul pela chamada Trilha de Ho Chi Minh, os EUA bombardeiam intensamente o Camboja.

Diante da intervenção norte-americana no Vietnã, o chefe de Estado do Camboja, Norodom Sihanouk, o Príncipe Vermelho, declara neutralidade. Durante uma viagem de Sihanouk a Moscou e Beijim, em 18 de março de 1970, a Assembleia Nacional do Camboja derruba o príncipe e entrega o poder ao general e primeiro-ministro Lon Nol, aliado dos EUA.

A Força Aérea dos EUA começa a bombardear zonas rurais cambojanas em 1965. Os ataques aéreos ganham maior intensidade com a Operação Menu, de 18 de março de 1969 a 26 de maio de 1970. De maio de 1970 até 15 de agosto de 1973, a Operação Freedom Deal continua os bombardeios. 

Entre 1969 e 1973, os EUA jogam 500 mil toneladas de bombas no Camboja contra 113.716 alvos, matando centenas de milhares de pessoas. O assessor de Segurança Nacional do governo Richard Nixon, Henry Kissinger, é considerado criminoso de guerra pelo bombardeio estratégico ao Camboja.

A campanha aérea retarda, mas não impede a vitória do Khmer Vermelho, que tenta fazer uma grande engenharia social com uma política de Ano Zero para impor uma sociedade comunista puramente agrária que considera o campesinato a verdadeira classe revolucionária e não o proletariado urbano e industrial, como previra Karl Marx, o pai do comunismo.

O objetivo da ditadura do Khmer Vermelho é eliminar qualquer pessoa suspeita de exercer atividades de livre mercado. Isto inclui profissionais, todas as pessoas com alguma educação formal ou ligadas de alguma forma a países estrangeiros. Seus líderes são influenciados pelo stalinismo radical do Partido Comunista Francês no início dos anos 1950 e pelo pensamento do líder da revolução comunista na China, Mao Tsé-tung.

A ditadura polpotiana fecha escolas, hospitais e fábricas, abole o sistema bancário, as finanças e a moeda, proíbe todas as religiões, confisca todas as propriedades privadas e transfere populações urbanas para fazendas coletivas onde fazem trabalhos forçados.

O dinheiro é abolido, livros são queimados, professores, comerciantes e quase toda a elite intelectual cambojana é assassinada para fundar uma nova sociedade pura, livre dos males do capitalismo, a partir do Ano Zero. 

Como os pais são vistos como envenenados pelo capitalismo, os filhos são separados dos pais e internados em centros de reeducação onde sofrem uma lavagem cerebral. Os jovens aprendem métodos de tortura com animais e recebem papéis de liderança em torturas e execuções.

Sua reforma agrária causa uma fome generalizada. A pretensão de autossuficiência destrói os serviços públicos. Milhares de cambojanos morrem de doenças curáveis como a malária.

A ditadura do Khmer Vermelho cai em 7 de janeiro de 1979, depois de uma invasão vietnamita no Camboja apoiada pela União Soviética no Natal de 1978. Em resposta, a China invade o Vietnã em 17 de fevereiro de 1979, na primeira guerra aberta entre países comunistas. (Em 1969, a China e a URSS travam uma série de escaramuças na longa fronteira comum.)

O Vietnã repele a invasão. A China se retira em 16 de março, mas continua apoiando o deposto regime genocida do Khmer Vermelho como representante do Camboja na ONU, assim como os EUA e o Reino Unido, por causa de sua oposição à URSS.

MORTE DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

    Em 2014, morre na Cidade do México o escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982, considerado um dos autores mais importantes do século 20.

García Márquez nasce em Aracataca em 6 de março de 1927. Nos primeiros oito anos de sua vida, seus pais moram com seus avós, o coronel Nicolás Márquez, veterano da Guerra dos Mil Dias (1899-1902) e Tranquilina Iguarán de Márquez. Após a morte do avô, a família se muda para Barraquilla. Ele recebe uma educação de qualidade, mas mais tarde atribui ao avô e às histórias de Aracataca as grandes fontes de sua literatura.

Ele estuda direito, mas se torna um jornalista, profissão que abraça até se tornar um escritor de sucesso. García Márquez aperfeiçoa sua educação como correspondente em Paris. Também trabalha como jornalista em Bogotá e em Nova York antes de ir para o México, onde escreve Cem Anos de Solidão, o romance que lhe dá fama e dinheiro.

O livro conta a história de Macondo, uma cidadezinha que reflete a história da América Latina, a truculência, o autoritarismo e a desigualdade social. É o expoente de uma literatura latino-americana descrita como "realismo mágico", que mistura fatos históricos com ficção sob a inspiração de escritores como o cubano Alejo Carpentier, pioneiro do gênero. Os habitantes de Macondo são movidos por paixões como desejo, cobiça, ganância e sede de poder, mas esbarram na realidade política..

A obra é lançada em 1967 por uma editora argentina e alcança sucesso universal. Já vendeu mais de 50 milhões de cópias em 46 idiomas. É um dos livros mais lidos e influentes do século 20.

De 1967 a 1975, ele mora na Espanha. Depois, tem uma casa na Cidade do México e um apartamento em Paris. Também passa um tempo em Havana, a convite de Fidel Castro, a quem apoia. Como escritor de sucesso, García Márquez lança O Outono do Patriarca (1975), Crônica de uma Morte Anunciada (1981), Do Amor e Outros Demônios (1981), O Amor nos Tempos de Cólera (1985), O General em seu Labirinto (1989), sobre os últimos dias do libertador Simón Bolívar, e Notícia de um Sequestro (1996).

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

terça-feira, 7 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Abril

NASCE BILLIE HOLIDAY

    Em 1915, Eleanora Fagan Gough, mais conhecida pelo nome artístico Billie Holiday, uma das maiores cantoras de jazz e blues da história, nasce na Filadélfia.

Negra e pobre, abandonada pelos pais que eram adolescentes quando ela nasceu, violentada por um vizinho aos 10 anos e aos 14 pelo dono de um prostíbulo onde lava o chão para sobreviver, agredida física e psicologicamente num asilo para meninas abusadas sexualmente, moradora de rua e prostituta, tem uma vida trágica. 

Aos 15 anos, engravida sem saber de quem e a mãe, com quem volta a viver, a obriga a fazer um aborto aos três meses de gestação. Deprimida, recorre a drogas e álcool e faz várias tentativa de suicídio.

Em 1930, procura emprego como dançarina no Harlem, o bairro negro de Nova York, mas não agrada ao público. Com pena dela, o pianista pergunta se sabe cantar. Ela diz que não, mas que é seu sonho. Aplaudida de pé, consegue um emprego nos fins de semana. Para complementar a renda, continua se prostituindo.

Billie Holiday nunca recebe educação formal como música. Autodidata, aprende ouvindo Louis Armstrong e Bessie Smith. Depois de três anos cantando no Harlem, chama a atenção do crítico musical John Hammond, que a leva a uma gravadora.

Seu primeiro disco, com a banda de Benny Goodman, é um sucesso. Ela compra um apartamento e abandona a vida de garota de programa. Passa a cantar nas melhoras casas noturnas de Nova York. Sua voz levemente rouca e sensual expressa uma profunda emoção.

Nos anos 1940, apesar do sucesso, a depressão que a atormenta desde a infância a conduz ao vício de cigarros, álcool, maconha e heroína, que injeta na veia. Seus relacionamentos amorosos fracassam e terminam com violência e abuso. Ela cogita abandonar a carreira para não ter a vida exposta.

Em 1947, é presa com uma quantidade de heroína que caracteriza tráfico, mas fica poucos dias na cadeia, paga fiança e é solta.

Três anos antes de morrer, em 1956, ela publica uma autobiografia, Lady Sings the Blues, que vira filme com Diana Ross no papel principal. Billie Holiday morre aos 44 anos em Nova York em 17 de julho de 1959 de edema pulmonar, cirrose hepática e insuficiência cardíaca.

CERVEJA LIBERADA

    Em 1933, oito meses antes do fim da Lei Seca, a cerveja de baixo teor alcoólico é liberada nos Estados Unidos. A data vira Dia Nacional da Cerveja.

O movimento contra as bebidas alcoólicas começa no início do século 19 e ganha força no fim do século 19. A Emenda nº 18 é aprovada em dezembro de 1917 e ratificada por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos EUA, em janeiro de 1919.

Nove meses depois, a Lei Volstead regulamenta sua aplicação, inclusive a criação de uma unidade especial do Departamento do Tesouro para fiscalizar sua aplicação. A Lei Seca entra em vigor em 17 de janeiro de 1920. A proibição não funciona e cria um mercado negro em que prospera o crime organizado.

Em 1933, a 21ª Emenda acaba com a proibição a partir de 5 de dezembro de 1933.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE

    Em 1948, a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma agência das Nações Unidas, é instalada em Genebra, na Suíça, onde fica a segunda maior sede da ONU.

A OMS herda funções específicas de controle de epidemias, medidas de quarentena e padronização de medicamentos do Escritório Internacional de Saúde Pública, instalado em 1907 em Paris, e da Organização de Saúde da Liga das Nações, precursora da ONU, instalada em 1923. Mas tem um mandato maior para promover "o padrão de saúde mais alto possível para todos os povos".

A definição de saúde inclui o aspecto positivo. É "um estado de bem-estar físico, mental e social completo, e não apenas a ausência de doenças e enfermidades".

A Assembleia Mundial da Saúde reúne anualmente delegações dos 194 países-membros para traçar as políticas de saúde a serem implementadas pelo Secretariado sob a liderança de um diretor-geral nomeado pelo comitê executivo. Abaixo dele, há um subdiretor-geral e diretores-gerais adjuntos para cada área de atuação.

As prioridades da OMS são:

  1. Auxiliar os países a progredir rumo à cobertura universal de saúde.
  2. Ajudar os países a ter capacidade de aderir às Regulamentações de Saúde Internacional.
  3. Aumentar o acesso a produtos médicos essenciais e de alta qualidade
  4. Abordar o papel dos fatores sociais, econômicos e ambientais na saúde pública.
  5. Coordenar as respostas a doenças não transmissíveis.
  6. Promover a saúde pública e o bem-estar de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Assembleia Geral da ONU.

GENOCÍDIO EM RUANDA

    Em 1994, no dia seguinte à morte do presidente Juvenal Habyarimana num avião abatido pela Frente Patriótica de Ruanda (FPR), o Exército dominado pela maioria hutu e milícias aliadas, em fuga, iniciam um genocídio em que 800 mil tútsis, tuás e hutus moderados são mortos até 15 de julho. 

O genocídio é cometido principalmente com facões pelas milícias. A principal é Interahamwe (os que lutam juntos). Quem queria uma morte mais rápida e menos dolorosa tinha de pagar a bala.

Os hutus fogem para o Leste do Zaire, onde entram em conflito com os baniamulengues, que são etnicamente tútsis. Começa uma guerra civil que leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutara no Congo nos anos 1960 com Ernesto Che Guevara, que o chamou de bêbado e mulherengo, "incapaz de fazer uma revolução", a sair de seu refúgio nas Montanhas da Lua, no coração da África, marchar até Kinshasa e derrubar, em 1997, o ditador Joseph Mobutu, que estava no poder desde aquela época.

No poder, Kabila muda o nome do país para República Democrática do Congo. A revolta contra Mobutu deflagra a Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2002) com o envolvimento de nove exércitos interessados em pilhar as riquezas minerias do Congo e centenas de grupos armados irregulares. É o conflito armado mais violento depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Cerca de 5 milhões de pessoas morrem em combate e de fome e doenças causadas pela guerra.

ODISSEIA EM MARTE

    Em 2001, os Estados Unidos lançam a nave espacial Odisseia em Marte, que entra na órbita do Planeta Vermelho em outubro e envia fotos e dados à Terra.

A sonda sai da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo de um foguete Delta II. Seus principais objetivos são usar espectômetros e imagens térmicas para detectar a presença de água e gelo, estudar a geologia e a radiação em Marte. Atua também como uma estação de satélite que envia à Terra as imagens e mensagens de outros instrumentos de exploração espacial.

O custo do projeto é avaliado em US$ 297 milhões. O nome da nave é uma homenagem ao filme 2001: Uma Odisseia Espacial, de Stanley Kubrick, com base no livro do mesmo nome escrito por Arthur Clarke.

A missão descobre grande quantidade de hidrogênio e gelo em Marte, indicando que o planeta tem muito mais água do que se pensava. Também detecta a presença de ferro, potássio, silício e tório. Mapeia, vulcões, derramamentos de lava, desfiladeiros e crateras abertas por impacto. A radiação elevada exige que os astronautas que um dia cheguem lá usem trajes protetores.

O presidente Donald Trump anunciou a intenção de enviar uma missão tripulada a morte. O bilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, assessor de Trump, sonha em criar colônias no planeta.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

terça-feira, 8 de julho de 2025

Israel quer confinar palestinos em campo de concentração em Gaza

 Enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarava na Casa Branca que os palestinos que quiserem podem ficar na Faixa de Gaza, o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciou ontem a intenção de concentrar a população palestina, de mais de 2 milhões de pessoas, numa zona na cidade de Rafá, junto à fronteira com Egito, dando-lhes a opção de sair do território. 

Seria uma limpeza étnica, que pode ser enquadrada como crime de guerra ou crime contra a humanidade, depois do uso da fome como arma de guerra, o que caracteriza genocídio, como afirmou o historiador Omer Bartov, ex-soldado do Exército de Israel, hoje professor e especialista no Holocaustro da Universidade Brown, nos Estados Unidos em entrevista à televisão britânica BBC.

Sem dar maiores detalhes, o presidente Donald Trump afirmou que vários países do Oriente Médio estariam dispostos a receber palestinos, mas nada indica que os principais aliados árabes dos Estados Unidos – Egito, Jordânia e as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico – concordem em esvaziar Gaza para fazer o jogo de Israel.

A grande questão no momento é como chegar a um cessar-fogo com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) capaz de levar à libertação dos reféns israelenses e ao fim da guerra iniciada pelo grupo terrorista em 7 de outubro de 2023, quando cerca de 1,2 mil israelenses e estrangeiros foram mortos e mais de 250 sequestrados. 

A grande dúvida é sobre o futuro de Gaza. Desde que Trump falou em transformar o território numa Riviera do Oriente Médio de propriedade dos EUA com empreendimentos imobiliários à beira-mar, em 5 de fevereiro, o governo de extrema direita de Israel dificultou ainda mais a ajuda humanitária. Usa a fome como arma de guerra, tornando a situação insuportável, o que é considerado genocídio nos termos da Convenção para Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, para forçar a emigração dos palestinos. O jornal liberal israelense revelou em 27 de junho que os soldados têm ordem de atirar para matar quem está na fila da comida.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Abril

MARTINHO LUTERO SE DEFENDE

    Em 1521, o monge alemão Martinho Lutero depõe na Dieta (assembleia) do Sacro Império Romano-Germânico, reunida em Worms, para responder à acusação de heresia depois de pregar suas 95 Teses sobre o poder e a eficiência das indulgências, criticando a corrupção na Igreja Católica, na porta da igreja do Castelo de Wittemberg em 31 de outubro de 1517, marco do início da Reforma Protestante.

O papa Leão X condena 41 teses em junho de 1520, mas dá a Lutero a chance de se arrepender e se retratar. Em resposta, Lutero queima a bula papal e se nega a retirar suas acusações. Ele é excomungado em 3 de janeiro de 1521.

O imperador deveria prender e executar Lutero. Ele é salvo pela intervenção de seu príncipe, Frederico III, o Sábio, eleitor (líder) da Saxônia. Por causa da confusão ou promiscuidade entre política e religião, Lutero é convocado pelas autoridades políticas e não pelo papa ou por um conselho da Igreja. Ele recebe um salvo-conduto do imperador para depor na Dieta de Worms.

No depoimento, em 17 de abril, Lutero admite a autoria de vários livros expostos. Sob pressão para repudiar suas ideias, pede mais um dia para pensar. No dia seguinte, se nega mais uma vez a repudiar sua obra, a não ser que seja convencido "pelas Escrituras ou pela razão". Alega que sua consciência está submetida à "palavra de Deus".

Em maio, uma nova dieta presidida pelo imperador Carlos V, do Sacro Império, aprova o Édito de Worms, que proíbe os escritos de Martinho Lutero e o declara "inimigo do Estado". Ele deveria ser preso e entregue ao imperador, mas a pena nunca é aplicada. A decisão limita as viagens de Lutero, que depende da proteção do príncipe da Saxônia até sua morte, em 18 de fevereiro de 1546.

PRIMEIRA GUERRA SINO-JAPONESA

    Em 1895, o Tratado de Shimonoseki acaba com a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) com a vitória do Japão. A China é obrigada a reconhecer a independência da Coreia, que dominava historicamente; cede Taiwan, as Ilhas Pescadores e a Península de Liaodong, no Sul da Manchúria, ao Japão; paga uma indenização de 200 milhões de taéis de prata ao Japão. Sob pressão da Alemanha, da França, do Reino Unido e da Rússia, o Japão devolde Liaodong em troca de mais 30 milhões de taéis.

A China e o Japão tinham uma tradição de isolamento que termina sob pressão do colonialismo ocidental. Com as Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), o Reino Unido abre a China ao livre comércio, inclusive de ópio. Em 1854, o almirante norte-americano Matthew Perry rompe o fechamento de mais de dois séculos do Japão meses depois de ameaçar bombardear o porto de Tóquio.

A Restauração Meiji (1868) acaba com o xogunato e restaura o poder do imperador. É o fim da Idade Média no Japão, que se ocidentaliza e desenvolve a indústria para não se submeter ao colonialismo e preservar sua independência. A China, o Império do Meio, centro do mundo na Ásia há quase 2 mil anos, entra em decadência.

Em 1874, um navio japonês naufraga na costa sudoeste de Taiwan e a população local mata a tripulação. A China rejeita o pedido de indenização sob o argumento de que é uma tribo rebelde que não se submete ao imperador. Uma expedição punitiva japonesa força a China a pagar.

A grande causa da guerra é o conflito sobre a Coreia. O conselheiro militar alemão Klemens Meckel, que participa da modernização do Exército japonês, considera a Coreia "uma adaga apontada para o coração do Japão".

Em 27 de fevereiro de 1786, o Japão impõe o Tratado de Ganghwa. Obriga a Coreia a se abrir ao comércio e proclamar independência da China. Para neutralizar a influência japonesa, a China pressiona a Coreia a se aproximar das potências ocidentais.

Sob influência do Japão, os reformistas coreanos tentam derrubar o governo conservador aliado à China num golpe sangrento em 1884, mas tropas chinesas sob o comando do general Yuan Shikai dão um contragolpe igualmente sangrento, com a morte de vários japoneses. Pela Convenção de Li-Ito, os dois países concordam em retirar suas forças da Península Coreana para evitar a guerra.

Em 28 de março de 1894, o líder do golpe de 1884, Kim Ok Kyun, é atraído para Xangai e assassinado, provavelmente por agentes de Yuan Shikai. Seu corpo é enviado de navio à Coreia, onde é esquartejado e exposto ao público.

Quando estoura o Levante de Tonghak, uma revolta camponesa marcha rumo a Seul em 1º de junho de 1894. A pedido do rei coreano, a China envia Yuan Shikai com 2,8 mil soldados. O Japão considera a intervenção chinesa uma violação da Convenção de Li-Ito e manda 8 mil militares à Coreia. A China tenta enviar reforços, mas o Japão afunda o navio britânico Kowshing, que os transporta.

O Japão toma o palácio real em Seul, captura o imperador em 8 de junho de 1894 e instala um governo de coreanos aliados. A rebelião acaba em 11 de junho, mas o Japão manda o general Otori Keisuke ficar na Coreia e envia mais soldados.

Em 23 de julho, o Japão marcha sobre Seul, captura o imperador e reinstala um governo colaboracionista que rompe todos os acordos com a China e autoriza o Exército Imperial Japonês a expulsar os militares chineses.

O general japonês Oshima Yoshimasa avança rumo a Seul com 4 mil homens para enfrentar 3,5 mil soldados da guarnição chinesa. O combate acontece em 28 de julho. Cerca 500 chineses e 92 japoneses são mortos ou feridos. Os chineses recuam para Pyongyang, que hoje é a capital da Coreia do Norte.

A guerra começa oficialmente em 1º de agosto de 1894. Os analistas militares estrangeiros esperam uma vitória rápida da China, mas a modernização do Japão se impõe. A China tem entre 13 a 15 mil soldados em Pyongyang, para onde as forças japonesas convergem em 15 de setembro e invadem a cidade no dia seguinte. Dois mil chineses morrem e 4 mil saem feridos, em contraste com 102 japoneses mortos, 433 feridos e 33 desaparecidos.

A Marinha Imperial Japonesa destrói 8 dos 10 navios da frota chinesa perto da foz do Rio Yalu e assume o controle do mar. A China abandona o Norte da Coreia. Em 24 de outubro, o Japão cruza o Rio Yalu e invade a Manchúria. Toma Lushunkou (Port Arthur) em 21 de novembro, onde massacra milhares de civis, e Kaipeng em 10 de dezembro.

Em março de 1895, o Japão domina a província de Shandong e a Manchúria. No dia 23 de março, ataca as Ilhas Pescadores. A China pede negociações de paz.

Com a derrota, acaba a ordem sinocêntrica que vigora há quase 2 mil anos no Leste da Ásia. Mesmo durante a era do Império Mongol criado por Gengis Khan, a cultura chinesa se impunha por ser superior à dos conquistadores.

Outra derrota, na Guerra dos Boxers (1899-1901), quando Beijim é ocupada por forças estrangeiras da Aliança de Oito Nações, abala definitivamente a monarquia. Com a revolução de 1911, liderada por Sun Yat-Sen, acaba o Império e nasce a República da China, em 1912.

 INVASÃO DA BAÍA DOS PORCOS

    Em 1961, começa a invasão da Baía dos Porcos, quando refugiados cubanos financiados e treinados pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) desembarcam em Cuba e tentam derrubar o regime comunista de Fidel Castro, que vence, consolida o poder e pede proteção da União Soviética, o que leva à Crise dos Mísseis em outubro de 1962, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear.

A revolução liderada por Fidel Castro toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959, com a fuga do ditador Fulgencio Batista. Quando a revolução nacionaliza as empresas norte-americanas na ilha, bancos, refinarias de petróleo, plantações de café e de cana-de-açúcar, entre outras, o governo Dwight Eisenhower (1953-61) destina US$ 13,1 milhões para a CIA usar contra Fidel.

O plano é do vice-presidente Richard Nixon, notório anticomunista e candidato a presidente em 1960 contra o senador John Kennedy, que na campanha é mais anticomunista do que Nixon para não passar a imagem de jovem inseguro, incapaz de enfrentar o desafio soviético na Guerra.

Ao tomar posse, em 20 de janeiro de 1961, o presidente Kennedy herda a operação. O Partido Democrata é acusado de "perder a China". Estava no poder com Harry Truman (1945-53) quando os comunistas tomaram o poder em Beijim, em 1º de outubro de 1949.

Em 15 de abril, aviões bombardeiros B-26 pilotados por exilados atacam três pistas de pouso em Cuba, mas não conseguem aniquilar a Força Aérea Cubana. Pelo menos seis aviões ficam intactos. 

Quando Kennedy suspende a segunda onda de bombardeio aéreo, em 16 de abril, a operação está condenada ao fracasso. O sucesso do desembarque depende do controle do espaço aéreo. A Força Aérea Cubana ataca os barcos.

Mais de 1,4 mil homens, divididos em cinco batalhões de infantaria e um de paraquedistas, tentam desembarcar na praia Girón, em Cuba, onde encontam forte resistência e são derrotados. Mais de 100 invasores e 176 soldados cubanos morrem. Cerca de 1,2 mil invasores são presos.

VITÓRIA DO KHMER VERMELHO

   Em 1975, os guerrilheiros maoístas do Khmer Vermelho, liderados por Pol Pot, entram em Phnom Penh, derrubam a ditadura do general Lon Nol e impõem ao Camboja um regime genocida acusado pela morte de 1,5 milhão a 2 milhões de pessoas com perseguições políticas, tortura, assassinatos em massa e fome, tendo como principal alvo a elite educada e intelectualizada. Como a população do país tinha pouco mais de 7,3 milhões de habitantes, é considerado o regime mais assassino do século 20.

A vitória do Khmer Vermelho é resultado da intervenção militar dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1955-75). Como os guerrilheiros vietcongues e os soldados norte-vietnamitas usavam o Camboja para ir do Vietnã do Norte para o Vietnã do Sul pela chamada Trilha de Ho Chi Minh, os EUA bombardeiam intensamente o Camboja.

Diante da intervenção norte-americana no Vietnã, o chefe de Estado do Camboja, Norodom Sihanouk, o Príncipe Vermelho, declara neutralidade. Durante uma viagem de Sihanouk a Moscou e Beijim, em 18 de março de 1970, a Assembleia Nacional do Camboja derruba o príncipe e entrega o poder ao general e primeiro-ministro Lon Nol, aliado dos EUA.

A Força Aérea dos EUA começa a bombardear zonas rurais cambojanas em 1965. Os ataques aéreos ganham maior intensidade com a Operação Menu, de 18 de março de 1969 a 26 de maio de 1970. De maio de 1970 até 15 de agosto de 1973, a Operação Freedom Deal continua os bombardeios. 

Entre 1969 e 1973, os EUA jogam 500 mil toneladas de bombas no Camboja contra 113.716 alvos, matando centenas de milhares de pessoas. O assessor de Segurança Nacional do governo Richard Nixon, Henry Kissinger, é considerado criminoso de guerra pelo bombardeio estratégico ao Camboja.

A campanha aérea retarda, mas não impede a vitória do Khmer Vermelho, que tenta fazer uma grande engenharia social com uma política de Ano Zero para impor uma sociedade comunista puramente agrária que considera o campesinato a verdadeira classe revolucionária e não o proletariado urbano e industrial, como previra Karl Marx, o pai do comunismo.

O objetivo da ditadura do Khmer Vermelho é eliminar qualquer pessoa suspeita de exercer atividades de livre mercado. Isto inclui profissionais, todas as pessoas com alguma educação formal ou ligadas de alguma forma a países estrangeiros. Seus líderes são influenciados pelo stalinismo radical do Partido Comunista Francês no início dos anos 1950 e pelo pensamento do líder da revolução comunista na China, Mao Tsé-tung.

A ditadura polpotiana fecha escolas, hospitais e fábricas, abole o sistema bancário, as finanças e a moeda, proíbe todas as religiões, confisca todas as propriedades privadas e transfere populações urbanas para fazendas coletivas onde fazem trabalhos forçados.

O dinheiro é abolido, livros são queimados, professores, comerciantes e quase toda a elite intelectual cambojana é assassinada para fundar uma nova sociedade pura, livre dos males do capitalismo, a partir do Ano Zero. 

Como os pais são vistos como envenenados pelo capitalismo, os filhos são separados dos pais e internados em centros de reeducação onde sofrem uma lavagem cerebral. Os jovens aprendem métodos de tortura com animais e recebem papéis de liderança em torturas e execuções.

Sua reforma agrária causa uma fome generalizada. A pretensão de autossuficiência destrói os serviços públicos. Milhares de cambojanos morrem de doenças curáveis como a malária.

A ditadura do Khmer Vermelho cai em 7 de janeiro de 1979, depois de uma invasão vietnamita no Camboja apoiada pela União Soviética no Natal de 1978. Em resposta, a China invade o Vietnã em 17 de fevereiro de 1979, na primeira guerra aberta entre países comunistas. (Em 1969, a China e a URSS travam uma série de escaramuças na longa fronteira comum.)

O Vietnã repele a invasão. A China se retira em 16 de março, mas continua apoiando o deposto regime genocida do Khmer Vermelho, assim como os EUA e o Reino Unido, por causa de sua oposição à URSS.

MORTE DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

    Em 2014, morre na Cidade do México o escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982, considerado um dos autores mais importantes do século 20.

García Márquez nasce em Aracataca em 6 de março de 1927. Nos primeiros oito anos de sua vida, seus pais moram com seus avós, o coronel Nicolás Márquez, veterano da Guerra dos Mil Dias (1899-1902) e Tranquilina Iguarán de Márquez. Após a morte do avô, a família se muda para Barraquilla. Ele recebe uma educação de qualidade, mas mais tarde atribui ao avô e às histórias de Aracataca as grandes fontes de sua literatura.

Ele estuda direito, mas se torna um jornalista, profissão que abraça até se tornar um escritor de sucesso. García Márquez aperfeiçoa sua educação como correspondente em Paris. Também trabalha como jornalista em Bogotá e em Nova York antes de ir para o México, onde escreve Cem Anos de Solidão, o romance que lhe dá fama e dinheiro.

O livro conta a história de Macondo, uma cidadezinha que reflete a história da América Latina, a truculência, o autoritarismo e a desigualdade social. É o expoente de uma literatura latino-americana descrita como "realismo mágico", que mistura fatos históricos com ficção sob a inspiração de escritores como o cubano Alejo Carpentier, pioneiro do gênero. Os habitantes de Macondo são movidos por paixões como desejo, cobiça, ganância e sede de poder, mas esbarram na realidade política..

A obra é lançada em 1967 por uma editora argentina e alcança sucesso universal. Já vendeu mais de 50 milhões de cópias em 46 idiomas. É um dos livros mais lidos e influentes do século 20.

De 1967 a 1975, ele mora na Espanha. Depois, tem uma casa na Cidade do México e um apartamento em Paris. Também passa um tempo em Havana, a convite de Fidel Castro, a quem apoia. Como escritor de sucesso, García Márquez lança O Outono do Patriarca (1975), Crônica de uma Morte Anunciada (1981), Do Amor e Outros Demônios (1981), O Amor nos Tempos de Cólera (1985), O General em seu Labirinto (1989), sobre os últimos dias do libertador Simón Bolívar, e Notícia de um Sequestro (1996).

segunda-feira, 7 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 7 de Abril

NASCE BILLIE HOLIDAY

    Em 1915, Eleanora Fagan Gough, mais conhecida pelo nome artístico Billie Holiday, uma das maiores cantoras de jazz e blues da história, nasce na Filadélfia.

Negra e pobre, abandonada pelos pais que eram adolescentes quando ela nasceu, violentada por um vizinho aos 10 anos e aos 14 pelo dono de um prostíbulo onde lava o chão para sobreviver, agredida física e psicologicamente num asilo para meninas abusadas sexualmente, moradora de rua e prostituta, tem uma vida trágica. 

Aos 15 anos, engravida sem saber de quem e a mãe, com quem volta a viver, a obriga a fazer um aborto aos três meses de gestação. Deprimida, recorre a drogas e álcool e faz várias tentativa de suicídio.

Em 1930, procura emprego como dançarina no Harlem, o bairro negro de Nova York, mas não agrada ao público. Com pena dela, o pianista pergunta se sabe cantar. Ela diz que não, mas que é seu sonho. Aplaudida de pé, consegue um emprego nos fins de semana. Para complementar a renda, continua se prostituindo.

Billie Holiday nunca recebe educação formal como música. Autodidata, aprende ouvindo Louis Armstrong e Bessie Smith. Depois de três anos cantando no Harlem, chama a atenção do crítico musical John Hammond, que a leva a uma gravadora.

Seu primeiro disco, com a banda de Benny Goodman, é um sucesso. Ela compra um apartamento e abandona a vida de garota de programa. Passa a cantar nas melhoras casas noturnas de Nova York. Sua voz levemente rouca e sensual expressa uma profunda emoção.

Nos anos 1940, apesar do sucesso, a depressão que a atormentava desde a infância a conduz ao vício de cigarros, álcool, maconha e heroína, que injeta na veia. Seus relacionamentos amorosos fracassam e terminam com violência e abuso. Ela cogita abandonar a carreira para não ter a vida exposta.

Em 1947, é presa com uma quantidade de heroína que caracteriza tráfico, mas fica poucos dias na cadeia, paga fiança e é solta.

Três anos antes de morrer, em 1956, ela publica uma autobiografia, Lady Sings the Blues, que vira filme com Diana Ross no papel principal. Billie Holiday morre aos 44 anos em Nova York em 17 de julho de 1959 de edema pulmonar, cirrose hepática e insuficiência cardíaca.

CERVEJA LIBERADA

    Em 1933, oito meses antes do fim da Lei Seca, a cerveja de baixo teor alcoólico é liberada nos Estados Unidos. A data vira Dia Nacional da Cerveja.

O movimento contra as bebidas alcoólicas começa no início do século 19 e ganha força no fim do século 19. A Emenda nº 18 é aprovada em dezembro de 1917 e ratificada por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos EUA, em janeiro de 1919.

Nove meses depois, a Lei Volstead regulamenta sua aplicação, inclusive a criação de uma unidade especial do Departamento do Tesouro para fiscalizar sua aplicação. A Lei Seca entra em vigor em 17 de janeiro de 1920. A proibição não funciona e cria um mercado negro em que prospera o crime organizado.

Em 1933, a 21ª Emenda acaba com a proibição a partir de 5 de dezembro de 1933.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE

    Em 1948, a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma agência das Nações Unidas, é instalada em Genebra, na Suíça, onde fica a segunda maior sede da ONU.

A OMS herda funções específicas de controle de epidemias, medidas de quarentena e padronização de medicamentos do Escritório Internacional de Saúde Pública, instalado em 1907 em Paris, e da Organização de Saúde da Liga das Nações, precursora da ONU, instalada em 1923. Mas tem um mandato maior para promover "o padrão de saúde mais alto possível para todos os povos".

A definição de saúde inclui o aspecto positivo. É "um estado de bem-estar físico, mental e social completo, e não apenas a ausência de doenças e enfermidades".

A Assembleia Mundial da Saúde reúne anualmente delegações dos 194 países-membros para traçar as políticas de saúde a serem implementadas pelo Secretariado sob a liderança de um diretor-geral nomeado pelo comitê executivo. Abaixo dele, há um subdiretor-geral e diretores-gerais adjuntos para cada área de atuação.

As prioridades da OMS são:

  1. Auxiliar os países a progredir rumo à cobertura universal de saúde.
  2. Ajudar os países a ter capacidade de aderir às Regulamentações de Saúde Internacional.
  3. Aumentar o acesso a produtos médicos essenciais e de alta qualidade
  4. Abordar o papel dos fatores sociais, econômicos e ambientais na saúde pública.
  5. Coordenar as respostas a doenças não transmissíveis.
  6. Promover a saúde pública e o bem-estar de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Assembleia Geral da ONU.

GENOCÍDIO EM RUANDA

    Em 1994, no dia seguinte à morte do presidente Juvenal Habyarimana num avião abatido pela Frente Patriótica de Ruanda (FPR), o Exército dominado pela maioria hutu e milícias aliadas, em fuga, iniciam um genocídio em que 800 mil tútsis, tuás e hutus moderados são mortos até 15 de julho. 

O genocídio é cometido principalmente com facões pelas milícias. A principal é Interahamwe (os que lutam juntos). Quem queria uma morte mais rápida e menos dolorosa tinha de pagar a bala.

Os hutus fogem para o Leste do Zaire, onde entram em conflito com os baniamulengues, que são etnicamente tútsis. Começa uma guerra civil que leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutara no Congo nos anos 1960 com Ernesto Che Guevara, que o chamou de bêbado e mulherengo, "incapaz de fazer uma revolução", a sair de seu refúgio nas Montanhas da Lua, no coração da África, marchar até Kinshasa e derrubar, em 1997, o ditador Joseph Mobutu, que estava no poder desde aquela época.

No poder, Kabila muda o nome do país para República Democrática do Congo. A revolta contra Mobutu deflagra a Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2002) com o envolvimento de nove exércitos interessados em pilhar as riquezas minerias do Congo e centenas de grupos armados irregulares. É o conflito armado mais violento depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Cerca de 5 milhões de pessoas morrem em combate e de fome e doenças causadas pela guerra.

ODISSEIA EM MARTE

    Em 2001, os Estados Unidos lançam a nave espacial Odisseia em Marte, que entra na órbita do Planeta Vermelho em outubro e envia fotos e dados à Terra.

A sonda sai da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo de um foguete Delta II. Seus principais objetivos são usar espectômetros e imagens térmicas para detectar a presença de água e gelo, estudar a geologia e a radiação em Marte. Atua também como uma estação de satélite que envia à Terra as imagens e mensagens de outros instrumentos de exploração espacial.

O custo do projeto é avaliado em US$ 297 milhões. O nome da nave é uma homenagem ao filme 2001: Uma Odisseia Espacial, de Stanley Kubrick, com base no livro do mesmo nome escrito por Arthur Clarke.

A missão descobre grande quantidade de hidrogênio e gelo em Marte, indicando que o planeta tem muito mais água do que se pensava. Também detecta a presença de ferro, potássio, silício e tório. Mapeia, vulcões, derramamentos de lava, desfiladeiros e crateras abertas por impacto. A radiação elevada exige que os astronautas que um dia cheguem lá usem trajes protetores.

O presidente Donald Trump anunciou a intenção de enviar uma missão tripulada a morte. O bilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, assessor de Trump, sonha em criar colônias no planeta.