A Rússia mudou o ministro da Defesa e lançou uma ofensiva para recapturar Carcóvia, a segunda maior cidade da Ucrânia. Ao nomear para o cargo um economista e tecnocrata, Andrei Beloussov, Putin aposta na indústria de armas para ganhar uma longa guerra de atrito, numa aliança com a indústria bélica e transforma ainda mais o país numa economia de guerra.
Quatro dias depois que o procurador-geral do Tribunal Penal Internacional pediu a prisão do primeiro-ministro e do ministro da Defesa de Israel e de três altos dirigentes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, a Corte Internacional de Justiça da ONU mandou Israel suspender a ofensiva contra a cidade de Rafá. O tribunal da ONU também exigiu a abertura da fronteira para ajuda internacional e o acesso de uma comissão internacional independente de investigação de crimes de guerra à Faixa de Gaza. Israel deve apresentar um relatório em um mês sobre as medidas tomadas para cumprir a decisão. A morte do presidente do Irã, Ebrahim Raissi, deflagra luta pelo poder no regime fundamentalista iraniano. A eleição presidencial está convocada para 28 de junho. A China cercou Taiwan em manobras militares depois que o novo presidente taiwanês, Lai Ching-te, defendeu autonomia da ilha que Beijim considera uma província rebelde. O primeiro-ministro conservador britânico Rishi Sunak convocou eleições para 4 de julho. Com a ampla vantagem da oposição trabalhista nas pesquisas, de mais de 20 pontos, Keir Starmer deve ser o próximo primeiro-ministro do Reino Unido. O presidente de extrema direita da Argentina, Javier Milei, foi a Espanha, não teve nenhum contato oficial com o governo socialista espanhol e acusou de corrupção a mulher do primeiro-ministro Pedro Sánchez.Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
sábado, 25 de maio de 2024
Putin aposta na indústria bélica para ganhar a guerra
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024
EUA pedem a tribunal da ONU que não condene ocupação israelense
Em depoimento na Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, os Estados Unidos pediram ao tribunal de Haia, na Holanda, que leve em conta as preocupações de segurança e não condene Israel pela ocupação de territórios palestinos. A decisão do tribunal sai em meses e não será de cumprimento obrigatório.
A maioria dos israelenses não acredita na "vitória total" contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) prometida pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Não espera a eliminação do grupo terrorista.
Uma escalada na guerra em Gaza pode elevar o número de mortos daqui a seis meses para 85, preveem epidemiologistas da Universidade Johns Hopkins, dos EUA, e da London School of Hygiene and Tropical Medicine, do Reino Unido.
A violência sexual no ataque terrorista de 7 de outubro a Israel foi sistemática e amplamente disseminada. Não foram atos isolados ou casos esporádicos, foi parte da estratégia da operação, concluiu um relatório de entidades israelenses que lutam contra a violência contra as mulheres.
Em sua primeira visita ao Brasil, o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, discordou da comparação do presidente Lula entre a guerra na Faixa de Gaza e o Holocausto e disse que os EUA não veem um genocídio em Gaza.
Ao abrir a reunião de ministros das relações exteriores do Grupo dos 20, no Rio de Janeiro, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, criticou o uso da força e de sanções unilaterais para resolver conflitos internacionais e a "paralisia inaceitável" do Conselho de Segurança da ONU.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024
Brasil condena ocupação "ilegal e inaceitável" de territórios palestinos
Ao depor no processo em que a Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas examina em Haia, na Holanda, a legalidade da ocupação de territórios árabes por Israel, o Brasil pediu ao tribunal que considere a "ocupação ilegal e inaceitável".
Com uma ampla maioria de 99 dos 120 deputados, o parlamento de Israel aprovou moção rejeitando o reconhecimento unilateral da independência de um Estado palestino, o que os Estados Unidos, a França e o Reino Unido cogitam fazer para pressionar Israel a fazer um acordo de paz definitivo.
Pela terceira vez, os EUA vetaram um projeto de resolução do Conselho de Segurança das ONU que pedia um cessar-fogo na Faixa de Gaza. A embaixadora norte-americana alegou que os EUA trabalham numa resolução que imponha uma trégua e a libertação de todos os reféns. Uma resolução sem prever as duas coisas atrapalharia as negociações realizadas no Cairo, a capital do Egito.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu hoje em Brasília o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, que veio ao Brasil para uma reunião de ministro das Relações Exteriores do Grupo dos Vinte (G-20), que reúne as 19 maiores economias do mundo, a União Europeia e agora também a União Africana.
Blinken é judeu e o padrasto morreu no Holocausto, mas não comentou a crise diplomática entre o Brasil e Israel causada pela declaração de Lula comparando a guerra de Israel na Faixa de Gaza à morte de judeus pela Alemanha de Adolf Hitler.
terça-feira, 20 de fevereiro de 2024
EUA articulam resolução da ONU para cessar fogo em Gaza
Depois de vetar duas propostas, os Estados Unidos apresentam hoje ao Conselho de Segurança das Nações Unidas uma resolução para pedir um cessar-fogo temporário e imediato na Faixa de Gaza, a libertação de todos os reféns e o fim das barreiras à ajuda humanitária, noticiou o jornal The New York Times. Uma trégua pode ser o início do fim da guerra.
A Corte Internacional de Justiça da ONU começou a examinar na segunda-feira, a pedido da Assembleia Geral, a legalidade da ocupação israelense da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Em seis dias de audiências, 51 países e três organizações internacionais, um recorde na história do tribunal, vão apresentar seus argumentos. A decisão final deve demorar meses e não será de cumprimento obrigatório.
Na abertura dos trabalhos, o ministro do Exterior da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Riyad al-Maliki, acusou Israel de colonialismo e aparheid. Um advogado alegou que a ocupação é o melhor obstáculo à solução com dois países, Israel e Palestina, convivendo em paz.
Israel rejeita a legitimidade do caso, que descreve como uma tentativa dos palestinos de impor um acordo de paz sem negociações diretas. Um professor israelense prevê que.a defesa do país alegue necessidade de segurança porque não há um acordo de paz e Israel está sujeito a ataques como em 7 de outubro, quando 1.139 israelenses e estrangeiros foram mortos e 257 sequestrados.
segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024
Israel dá prazo para Hamas libertar reféns e evitar invasão de Rafá
Num ultimato aos grupos terroristas, Israel deu um prazo até 10 de março para todos os reféns serem libertados. Se não forem, as forças israelenses vão invadir a cidade de Rafá, no extremo sul da Faixa de Faza, onde haveria 1,5 milhão de pessoas, ameaçou no domingo o ex-comandante militar e ex-vice-primeiro-ministro Benny Gantz, membro do gabinete de guerra e favorito para ser o próximo chefe de governo de Israel.
A pedido da Assembleia Geral das Nações Unidas, a Corte Internacional de Justiça examina a partir de hoje a legalidade da ocupação da Cisjordânia, o maior território onde seria criado o Estado nacional do povo palestino. A decisão não terá caráter obrigatório. Será política e simbólica.
Daqui a uma semana, Israel tem de apresentar ao tribunal um relatório com as medidas tomadas para proteger civis inocentes e aumentar a ajuda humanitária aos palestinos de Gaza.
Israel reagiu à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparando a guerra em Gaza ao Holocausto cometido pela Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando 6 milhões de judeus e 1,5 milhão de ciganos foram mortos.
sábado, 10 de fevereiro de 2024
Biden ameaça cortar ajuda militar a Israel
Os Estados Unidos deram um prazo de 45 dias para Israel apresentar um relatório sobre medidas para proteger civis e evitar crimes de guerra, sob a ameaça do presidente Joe Biden de cortar a ajuda militar, noticiou o jornal conservador israelense Jerusalem Post.
Israel tem mais duas semanas para apresentar relatório à Corte Internacional de Justiça dentro do processo em que é acusado pela África do Sul de cometer "atos de genocídio" na Faixa de Gaza.
A grande preocupação é com a ofensiva rumo a Rafá, no extremo sul de Gaza, que está sob intenso bombardeio nos últimos dias em preparação de um avanço por terra do Exército de Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou a retirada dos civis e a destruição de quatro batalhões do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) que estariam aquartelados na cidade.
Netanyahu insiste numa "vitória total", com a eliminação do Hamas, mas a inteligência dos EUA estima que só um terço dos milicianos do grupo terrorista tenham sido mortos até agora. A destruição da máquina militar do Hamas exigiria muito meses mais, talvez anos.
sábado, 27 de janeiro de 2024
Corte da ONU manda Israel fazer todo o possível para evitar genocídio
A Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas ordenou ontem Israel a tomar todas as medidas possíveis para impedir o cometimento contra os palestinos na Faixa de Gaza de crimes previstos na Convenção Internacional sobre Prevenção e Punição de Crimes de Genocídio, de 1948, mas exigiu um cessar-fogo imediato.
O mais alto tribunal da ONU, com sede em Haia, na Holanda, também exigiu a libertação imediata de todos os reféns sequestrados no ataque terrorista de 7 de outubro a Israel. Pelo menos 132 ainda estariam em poder de grupos armados palestinos.
Na decisão de 29 páginas, o tribunal de declara competente para examinar a queixa-crime apresentada pela África do Sul contra Israel em 29 de dezembro de 2023, que considerou plausível, e mandou Israel adotar seis das oito medidas preliminares pedidas pelo governo sul-africano.
Tanto a África do Sul quanto Israel e os palestinos apresentaram a decisão como vitória, embora alguns ministros de Israel tenham acusado o tribunal de antissemitismo por não rejeitar a petição.
O julgamento de mérito da reclamação sul-africana, apoiada pelo Brasil, deve levar anos.
As decisões do Tribunal Internacional de Justiça são obrigatórias, mas sua aplicação depende da autorização do Conselho de Segurança da ONU, onde os Estados Unidos costumam usar seu poder de veto para proteger Israel. Têm mais força simbólica do que impacto imediato no campo de batalha.
As Forças Armadas de Israel disseram que a Batalha de Khan Yunes, a mais violenta da guerra, continua em grande intensidade, enquanto a organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) denuncia que o atendimento de saúde em Gaza entrou em colapso.
Um navio de Cingapura foi atingido no Golfo de Áden por um míssil que provocou um incêndio a bordo. A China pressionou o Irã a mandar a milícia huti Ansar Alá (Partidários de Deus) a suspender os ataques a navios, sob pena de prejudicar as relações entre os dois países.
A polícia italiana mandou adiar manifestações a favor dos palestinos marcadas para este sábado em Roma e Milão para não coincidir com o Dia Internacional em Memória do Holocausto, celebrado hoje, data da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).
sexta-feira, 26 de janeiro de 2024
Tribunal da ONU manda Israel evitar genocídio mas não ordena fim da guerra
O julgamento final sobre o mérito da reclamação sul-africana, apoiada pelo Brasil, pode levar anos.
Israel e Hamas acertam princípios uma trégua, diz jornal israelense
Em negociações no Cairo, Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), responsável pelo ataque terrorista de 7 de outubro, teriam chegado a um acordo sobre os "princípios básicos" de uma trégua de de 35 dias para libertar todos os reféns israelenses por prisioneiros palestinos, informou o jornal liberal israelense Haaretz. A notícia não foi confirmada.
Até agora, as posições de negociações pareciam inconciliáveis. O Hamas exigia o fim da guerra e Israel um cessar-fogo temporário. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chegou a atacar o Catar, que negocia pelo Hamas.
Com 110 dias de guerra completados ontem, apesar dos esforços para evitar sua expansão, o conflito no Oriente Médio envolve diretamente 10 países e o povo palestino. Qualquer acordo durável exige um compromisso envolvendo Israel, o Egito, a Jordânia, o Catar, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, sob a liderança dos Estados Unidos, o aliado mais confiável de Israel.
O maior risco de ampliação conflito vem do Líbano, onde Israel bombardeou ontem um aeroporto a 20 quilômetros da fronteira sob o pretexto de que era usado pela milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) e o Irã para atacar o território israelense. Israel deu um prazo até o fim do mês para a retirada do Hesbolá da fronteira. Quer estabelecer uma zona de segurança no Sul do Líbano.
Nesta sexta-feira, a Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas (CIJ) deve anunciar se aceita a denúncia de genocídio apresentada pela África do Sul contra Israel e se vai tentar impor medidas preliminares, inclusive ordenar o fim da guerra, antes do julgamento de mérito, que pode levar anos.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2024
Guerra entre Israel e Hamas é a mais mortal da história recente
domingo, 14 de janeiro de 2024
Guerra entre Israel e Hamas faz 100 dias sem perspectiva de paz
Com 100 dias de guerra, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeita as pressões internacionais por um cessar-fogo e afirmar que "nada vai parar Israel", nem o Tribunal Internacional de Justiça das Nações, onde a África do Sul fez uma denúncia de genocídio do povo palestino. Por causa dos bombardeios dos Estados Unidos ao Iêmen, uma escalada no conflito é mais provável do que a paz.
A guerra começou em 7 de outubro de 2023, com o ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e aliados em que 1.139 israelenses e estrangeiros foram mortos e cerca de 250 sequestrados.
Desde então, 23.843 palestinos foram mortos na Faixa de Gaza e pelo menos 330 na Cisjordânia ocupada, onde aumentaram os ataques de colonos israelenses. Cerca de 8 mil palestinos estão desaparecidos e outros 60 mil foram feridos. Quase 2 milhões de palestinos fugiram de casa. Cerca de 355 mil residências foram destruídas total ou parcialmente. Pelo menos 188 soldados israelenses e 79 jornalistas morreram. É a guerra mais mortal para jornalistas.
Numa segunda frente de combate, no Norte de Israel e no Sul do Líbano, Israel e a milícia xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) trocam se atacam mutuamente com risco de degenerar para uma guerra total depois que Israel matou um líder do Hamas em bombardeio ao Sul de Beirute e matou dois comandantes do Hesbolá.
Na madrugada de sábado, os Estados Unidos bombardearam pela segunda vez o território do Iêmen alvejando bases militares, plataformas de lançanmento de mísseis, radares e sistemas de defesa antiaérea para tentar reduzir a capacidade dos rebeldes hutis, apoiados pelo Irã, que fizeram pelo menos 27 ataques à navegação do Mar Vermelho. Como os hutis resistiram a oito anos de bombardeios da Arábia Saudita e aliados na guerra civil do Iêmen, há um risco ao transporte marítimo capaz de abalar a economia internacional.
Desde 17 de outubro, milícias ligadas ao Irã atacaram 115 vezes bases norte-americanas no Iraque e na Síria. Mais de 30 milicianos e um comandante foram mortos nos contra-ataques dos EUA.
A Alemanha anunciou que vai apoiar a defesa Israel do tribunal da ONU. A Namíbia, onde a Alemanha cometeu um genocídio no início do século 20, reagiu dizendo que vai ficar do lado da África do Sul, Na quinta-feira, a acusação sul-africana alegou que o ataque terrorista foi cruel e brutal, mas a resposta israelense viola o direito internacional e a Convenção sobre Genocídio.
Israel lembrou que o povo judeu foi vítima do pior genocídio da história e que tem o direito de se defender de um grupo terrorista que prega sua destruição. Argumentou que avisa os civis antes de atacar para que saiam da região e que o crime dos crimes não pode ser banalizado.
sexta-feira, 12 de janeiro de 2024
Israel pede a tribunal da ONU que rejeite denúncia de genocídio
Ao apresentar a acusação ontem, o ministro da Justiça sul-africano, Ronald Lamola, afirmou: "Nenhum ataque armado em território de um país, por mais grave que seja, mesmo um ataque envolvendo crimes e atrocidades, pode fornecer qualquer justificativa ou defesa para violações da Convenção sobre Genocídio seja por uma questão de lei ou moral. A resposta de Israel ao ataque de 7 de outubro de 2023 cruzou essa linha."
quinta-feira, 11 de janeiro de 2024
Tribunal da ONU examina acusação de genocídio a Israel
segunda-feira, 1 de outubro de 2018
Bolívia não pode forçar o Chile a negociar saída para o mar
A Bolívia perdeu a saída para o mar na Guerra do Pacífico (1879-83), quando o Chile venceu a Bolívia e o Peru e tomou parte de seus territórios, inclusive as regiões de Antofagasta e Arica. Desde então, reivindica a devolução da região perdida.
O acesso ao mar aumentaria as oportunidades de negócios e exportações para empresas bolivianas. Com a decisão contrária à Bolívia no tribunal da ONU, cabe ao Chile decidir se vai negociar ou manter a situação atual.
Depois do fracasso das negociações em 2011, o governo boliviano decidiu recorrer ao tribunal da ONU em 2013. A disputa territorial resultante da Guerra do Pacífico só acabou em 2014, quando a corte internacional reconheceu a validade das fronteiras internacionais do Chile e mudou a fronteira marítima, ampliando o mar territorial do Peru.
Em março deste ano, o presidente Evo Morales declarou que Antofagasta pertence à Bolívia. Para Morales, além da soberania nacional, está em jogo sua determinação de concorrer a um quarto mandato presidencial depois que o Supremo Tribunal o autorizou, a pedido de seu partido o Movimento ao Socialismo (MaS).
O Chile já aceitou discutir uma saída para o mar para a Bolívia, desde que não inclua Antofagasta, hoje uma das cidades com a maior renda média do país. Em seus arredores, há importantes jazidas de cobre, lítio e salitre,
Durante a ditadura militar do general Augusto Pinochet (1973-90), em 1975, o Chile ofereceu à Bolívia um corredor de acesso ao Pacífico junto à fronteira com o Peru. As negociações não avançaram. O atual vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, admite voltar a discutir com base na proposta de Pinochet.
A grande exportação da Bolívia é o gás natural. Sem acesso a portos, seus maiores compradores são a Argentina e o Brasil, que devem dobrar suas produções em dez anos. A Petrobrás já anunciou que não vai renovar o contrato atual, que vence no fim de 2019.
Riquíssimo em recursos minerais, o Chile não tem gás natural. Importa gás liquefeito. A Bolívia se nega a exportar para o Chile enquanto a questão da mediterraneidade não for resolvida.
quinta-feira, 14 de junho de 2018
Vietnã amplia presença no Mar do Sul da China
O regime comunista chinês reivindica a soberania sobre 90% do Mar do Sul da China. Tem disputas territoriais na região com Brunei, as Filipinas, a Indonésia, a Malásia, Taiwan e o Vietnã. Em 12 de junho de 2016, o Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas negou validade à linha de nove traços que demarca o mar territorial reivindicado pela China.
Em 18 de março, uma foto revelou um canal recém-dragado a sudoeste do recife, com uma draga e dois grandes navios, levando a uma lagoa onde havia 21 embarcações menores, provavelmente barcos pesqueiros vietnamitas.
Ao aproximar a imagem, dá para ver a draga depositando areia numa barcaça ao lado. As Filipinas usam o mesmo método nas Ilha Thitu. A China prefere dragas de sucção, mais rápidas e agressivas, com um dano muito maior à natureza.
As imagem de 3 de junho mostram a ampliação de uma instalação no Norte do recife com os sedimentos dragados no canal e cerca de 80 pequenos barcos pesqueiros vietnamitas. Com esta obra, o Vietnã aumentou 21 das 49 instalações que mantém nas Ilhas Spratly. O novo canal permite o acesso e suprimento de grandes navios dentro da lagoa.
Ladd é o mais ocidental dos recifes e rochedos ocupados das Ilhas Spratly. A sudoeste, há vários bancos de areia totalmente submersos que a China reivindica como parte do arquipélago, assim como campos de petróleo e gás que foram objeto de atrito entre Beijim e Hanói em 2017.
Os Estados Unidos e a maioria da sociedade internacional apoiam a posição vietnamita de que as áreas submersas são parte da plataforma continental do Vietnã. A nova instalação inclui uma plataforma hexagonal com largura máxima de 30 metros.
Nos anos 1980s e 1990s, o Vietnã construiu uma série de pequenas plataformas chamadas de "estações de serviço econômicas, científicas e tecnológicas sobre os bancos de areia submersos". Extremamente vulneráveis, foram ameaçadas de destruição pela China no conflito em torno do petróleo e gás no ano passado.
A ameaça é uma das razões para o Vietnã aumentar sua presença nas Ilhas Spratly. Agora, a lagoa do Recife Ladd pode abrigar barcos de patrulha. A grande quantidade de barcos pesqueiros na região indica que o Vietnã vai adotar a doutrina militar chinesa.
O Exército Popular de Libertação da China usa uma milícia de pescadores como força avançada ou linha de defesa em províncias costeiras ou águas territoriais disputadas. O Vietnã aprendeu com a dificuldade para enfrentar esta tática chinesa num impasse em torno de uma plataforma de petróleo em 2014. A partir daí, passou a recrutar seus próprios pescadores para a luta.
quarta-feira, 6 de junho de 2018
EUA aumentam patrulhamento no Mar do Sul da China
Os EUA também pretendem enviar navios de guerra para atravessar o Estreito de Taiwan em bases regulares. A última vez que um porta-aviões americanos passou por lá foi em 2007.
As medidas alimentam a tensão e a rivalidade entre as duas superpotências.
A China reforçou sua presença militar no Mar do Sul da China, onde construiu ilegalmente várias ilhas artificiais, com a instalação de equipamentos para guerra cibernética e mísseis antiaéreos nas ilhas Paracel e Spratly. Brunei, as Filipinas, a Indonésia, a Malásia, Taiwan e o Vietnã têm disputas territoriais com a China na região.
Em 29 de maio, durante conferência sobre segurança em Cingapura, o secretário da Defesa dos EUA, James Mattis, afirmou que o país vai continuar "batendo tambor com firmeza" em manobras militares navais para contestar a reivindicação chinesa de soberania.
O Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia, na Holanda, rejeitou em 12 de julho de 2016 o mapa usado pela China para alegar soberania sobre quase todo o Mar do Sul da China, em ação proposta pelas Filipinas. O regime comunista chinês ignorou a decisão.
Em 1996, o então presidente Bill Clinton mandou a Marinha dos EUA para o estreito quando a China ameaçava a eleição presidencial em Taiwan. Beijim considerou uma humilhação. Hoje, conta com porta-aviões, mísseis e satélites instalados para evitar uma repetição do desafio.
No momento, a China pressiona as companhias aéreas internacionais a usarem Taiwan, China, em seus voos para a ilha que o regime comunista chinês considera uma província rebelde. O governo Donald Trump não quer que as empresas americanas se submetam à exigência.
quinta-feira, 3 de maio de 2018
China instala mísseis em áreas disputadas do Mar do Sul da China
O regime comunista chinês reivindica a soberania sobre 90% da superfície do Mar do Sul da China com base em mapas antigos rejeitados pela Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia, na Holanda, em reclamação feita pelas Filipinas. Acaba de quebrar a promessa de não militarizar os recifes que transformou em ilhas artificiais.
A notícia atrapalha as negociações iniciadas hoje para evitar uma guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, que ainda não confirmaram a instalação dos mísseis. No mês passado, a China fez sua maior manobra de treinamento naval perto da ilha de Hainã. Três navios italianos que passaram pelo mar foram advertidos.
As relações da Austrália com a China, sua maior parceira comercial, se deterioraram desde que o governo australiano começou a combater a influência chinesa no país. O governo australiano está proibindo o fim de contribuições eleitorais vindas do exterior. A China protestou contra "a mentalidade da Guerra Fria e o viés ideológico" do que chamou de "típica histeria anti-China".
Os EUA fazem regularmente "operações de liberdade de navegação" no Mar do Sul da China. A Austrália não faz o mesmo deliberadamente.
Com seu extraordinário desenvolvimento econômico e a rápida ascensão a superpotência, a China intimida cada vez mais seus vizinhos. Ontem, fez um treinamento naval com munição real no Estreito de Taiwan.
Depois de uma dessas manobras militares, o ditador Xi Jinping declarou a bordo de um contratorpedeiro que a China precisa criar a maior força naval do mundo, o que a coloca em rota de colisão com os EUA.
sexta-feira, 19 de junho de 2015
Chile x Bolívia é um jogo marcado por uma rivalidade histórica
Ao proclamar a fundação da República de Bolívar, nome meses depois mudado para Bolívia, em 1825, o libertador Simón Bolívar exigiu que o país tivesse uma saída para o mar, conhecida como a província do Litoral. Na época, Chile e Peru protestaram, alegando que eles dividiam a fronteira.
Em 1837, quando Bolívia e Peru formaram a Confederação Peruano-Boliviana, o Chile, sentindo-se ameaçado, foi à guerra, conseguindo acabar com a confederação. Isso levou a décadas de instabilidade política e econômica nos derrotados, de novo divididos em dois países.
Dois tratados foram assinados, em 1866 e 1874, para tentar definir a fronteira no Deserto do Atacama, onde havia jazidas de cobre, guano e salitre, esses dois últimos grandes fontes de nitratos usados como fertilizantes na agricultura.
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| Antes da guerra |
Pelo acordo, uma empresa chilena, a Companía de Salitres y Ferrocarriles de Antofagasta (CSFA), com 30% de capital britânico e participação acionária de políticos e militares chilenos, teria o direito de explorar essas reservas sem a cobrança de impostos durante 25 anos.
Em pesquisa nos arquivos do Ministério do Exterior do Reino Unido, o historiador marxista britânico Victor Kiernan não encontrou nenhum documento comprovando a interferência direta do governo de Londres na Guerra do Pacífico, mas houve a influência de capitais privados e de fabricantes de armas de vários países interessados em avaliar o impacto de novas armas, como metralhadoras e navios blindados.
DEZ CENTAVOS
Depois de um maremoto que arrasou Antofagasta em 1877, o governo boliviano decidiu em 1878 cobrar um imposto de dez centavos sobre cada quintal de 100 quilos de salitre extraído na região. O Chile protestou e pediu uma mediação internacional para resolver o conflito.
A Bolívia não só rejeitou a mediação como cassou a licença da companhia, encampou seus bens e marcou um leilão para vendê-los em 14 de fevereiro de 1879. Naquele dia, 200 soldados do Chile tomaram Antofagasta sob aplausos da população local, de maioria chilena, atraída para CSFA.
Em 1º de março de 1879, a Bolívia declarou guerra ao Chile e cobrou o apoio do Peru. Desde 1873, os dois países tinham um acordo secreto de defesa mútua. O Congresso peruano marcou uma sessão para decidir a posição do país, a princípio neutro, em 24 de abril. Antes disso, em 5 de abril de 1879, o Chile declarou guerra a ambos.
LUTA PELA HEGEMONIA
A Guerra do Pacífico também é conhecida como a Guerra do Salitre e a Guerra dos Dez Centavos, mas é claro que havia muito mais do que dez centavos por quintal de salitre em jogo, observou o historiador britânico Ronald Bruce St. John: "Por um lado, havia a força, o prestígio e a estabilidade do Chile, comparados com a deterioração econômica e a instabilidade política que caracterizaram a Bolívia e o Peru depois da independência.
"Por outro lado", acrescenta o historiador, "estava em curso uma luta pela hegemonia política e econômica da região, complicada ainda mais pela profunda antipatia entre o Chile e o Peru. Nesse ambiente, a incerteza sobre as fronteiras entre os três países se somou ao descobrimento de valiosos depósitos de nitrato e guano nos territórios disputados para produzir um conflito de dimensões insuperáveis."
MISSÃO BALMACEDA
A fim de garantir a neutralidade da Argentina, que tinha litígios territoriais com o Chile no Sul do continente, ambos reivindicavam a Patagônia, o governo chileno enviou a Buenos Aires o embaixador José Manuel Balmaceda. Ele foi mais tarde ministro das Relações Exteriores (1881-82), ministro do Interior (1882-85) e presidente do Chile (1886-91).
Na época, o Exército da Argentina estava empenhado em consolidar o domínio sobre as terras do Sul do país, habitadas por indígenas rebeldes. A Campanha do Deserto, liderada pelo general Julio Argentino Roca, também futuro presidente, exterminou os índios como se ninguém vivesse lá. O Chile temia que fosse uma preparação para atacá-lo.
A Bolívia e o Peru pediram ajuda à Argentina. Diante da Missão Balmaceda, o presidente Nicolás Avellaneda decidiu manter a neutralidade, contrariando a linha dura. O jovem Roque Sáenz Peña, que seria presidente da Argentina (1910-14) e virou nome de praça na Tijuca, no Rio de Janeiro, lutou como voluntário do Exército do Peru.
Um dos principais receios da Argentina era que o Chile pedisse ajuda ao Império do Brasil, ampliando o conflito para dimensões continentais. Como não têm fronteiras comuns, o Brasil e o Chile mantinham boas relações, a ponto de mais tarde o Barão do Rio Branco, o mais importante ministro das Relações Exteriores brasileiro, dizer que o Chile era o único país amigo do Brasil na América do Sul.
GUERRA NO MAR
Nos primeiros seis meses da Guerra do Pacífico, houve uma disputa pela supremacia naval, importante para a guerra no Deserto do Atacama, a região mais seca do mundo. Como a Bolívia não tinha forças navais, a guerra no mar foi travada pelas marinhas do Chile e do Peru.
Com duas fragatas blindadas, Cochrane e Blanco Escalada, o Chile tinha superioridade naval. A Marinha peruana ficou logo reduzida a um navio de combate, o Huáscar. Sob o comando do almirante Miguel Grau, que passou à história como o Cavaleiro dos Mares, um dos grandes heróis do Peru, durante cinco meses as Corridas do Huáscar desafiaram a armada chilena até o navio ser tomado, em 8 de outubro de 1879.
A Bolívia abandonou a guerra depois da derrota aliada na Batalha de Tacna, em 26 de maio de 1880. O Exército boliviano tem fama de ser o mais incompetente da América do Sul. Foi responsável por 194 golpes e tentativas de golpe, um triste recorde mundial. Massacrou seu próprio povo, mas perdeu todas as guerras, a saída para o mar para o Chile; o Acre para o Brasil; e parte da região do Chaco para o Paraguai.
O Exército do Peru sofreu nova derrota na Batalha de Arica, em 7 de junho de 1880. Naquele ano, os Estados Unidos tentaram mediar a paz em troca de concessões da Bolívia e do Peru para explorar a área. Mas o Chile se negou a devolver os territórios ocupados, a província boliviana do Litoral ou de Antofagasta e a província peruana de Tarapacá.
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| Fim da guerra |
Sem acordo, o Exército chileno entrou em Lima em 17 de janeiro de 1881, mas não conseguiu tomar o resto do Peru. Nos últimos dois anos, o Peru resistiu com uma guerra de guerrilhas na região da Cordilheira dos Andres liderada por Andrés Cáceres, que virou um herói nacional, foi ditador (1884-85) e presidente constitucional do país (1886-90 e 1894-95).
Em 23 de julho de 1881, como preço de sua neutralidade, a Argentina fez um acordo que lhe dava a Patagônia oriental, a leste dos Andes, e cedia ao Chile o controle total sobre o Estreito de Magalhães.
Se o estreito fosse bloqueado pela Argentina, as forças chilenas só poderiam receber suprimentos da Europa através do Panamá, onde na época as cargas passavam em lombo de burro, já que o canal interoceânico só foi aberto em 1914, ou dando a volta no Cabo dos Chifres, considerado o local mais perigoso da navegação mundial.
A Guerra do Pacífico terminou em 20 de outubro de 1883 com a assinatura em Lima do Tratado de Ancón entre Chile e Peru. O total de mortos foi estimado em 13 a 18 mil bolivianos e peruanos, e 2,4 mil a 2,8 mil chilenos.
NOVAS FRONTEIRAS
O acordo de paz deu ao Chile "perpétua e incondicionalmente" a soberania sobre o departamento de Tarapacá e o direito de ocupação durante dez anos das províncias peruanas de Arica e Tacna. Ao fim desse período, haveria um plebiscito para decidir o futuro desses territórios.
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| Mapa atual |
Até hoje, a Bolívia luta para recuperar sua saída para o mar e mantém uma Marinha estacionada no Lago Titicaca, distante do litoral, a 3.812 metros acima do nível do mar.
PROPOSTA CHILENA
Durante o último ciclo de ditaduras militares, quando os generais Augusto Pinochet e Hugo Banzer eram aliados na luta contra a esquerda na América do Sul, em 1975, Pinochet ofereceu à Bolívia um corredor ao norte da cidade de Arica para lhe dar acesso ao mar.
Como era território peruano antes da Guerra do Pacífico, o Peru teria de concordar. O ditador peruano, Francisco Morales Bermúdez, rejeitou a proposta.
Depois da descoberta de grandes jazidas de gás natural na província boliviana de Tarija no fim do século passado, o presidente Jorge Quiroga anunciou em 2002 a construção de um gasoduto para exportar gás para os EUA através de um porto chileno. A venda de mais uma riqueza nacional a estrangeiros com que a Bolívia tem diferenças históricas causou uma revolta popular.
GUERRA DO GÁS
Na chamada Guerra do Gás, em setembro e outubro de 2003, os bolivianos se rebelaram contra o presidente Gonzalo Sánchez de Losada, que tem dupla nacionalidade, é americano e fala espanhol com sotaque forte. Pelo menos 64 pessoas morreram e 228 foram feridas em confrontos com as forças de segurança.
Sob a pressão das ruas, Sánchez de Losada renunciou em 17 de outubro de 2003, dando início a um período de instabilidade política. Isso só acabou com a eleição de Evo Morales, do Movimento ao Socialismo (MAS), o primeiro índio a governar o país de maioria indígena desde a independência.
Morales ganhou a eleição de 18 de dezembro de 2005, com 54% dos votos. Foi o primeiro presidente eleito com maioria absoluta da história da Bolívia.
ESTATIZAÇÃO
Em 1º de maio de 2006, Dia do Trabalho, Morales estatizou as jazidas de petróleo e gás, e mandou o Exército ocupar as instalações da Petrobrás, ignorando os apelos do governo brasileiro por uma solução negociada.
Com o apoio do caudilho venezuelano Hugo Chávez, que prometia tomar banho de mar numa praia boliviana, o governo Morales tentou reabrir a negociação no âmbito da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). O Chile rejeitou, alegando não haver mais nada a negociar. A Bolívia tem o direito de usar portos chilenos, mas não tem soberania sobre nenhum território com saída para o mar.
TRIBUNAL DA ONU
Sem sucesso, a Bolívia apelou em 24 de abril de 2013 à Corte Internacional de Justiça da ONU, com sede em Haia, na Holanda. O governo boliviano se baseia no "direito de expectativa". Alega que, ao fazer sua proposta, o ditador Augusto Pinochet criou uma expectativa de que o Chile negociaria uma saída para o mar, acabando com a mediterraneidade boliviana.
Os dois países apresentaram seus argumentos no tribunal de 4 a 8 de maio de 2015. O Chile afirma que não há nada a negociar porque as fronteiras foram estabelecidas pelo tratado de 1904. Pede ao tribunal da ONU que não aceite o caso.
O governo chileno alega ainda que o Pacto de Bogotá ou Tratado Americano de Soluções Pacíficas, de 1948, estabeleceu o princípio de que os países da região não recorreriam ao tribunal da ONU para resolver questões anteriores à criação do tribunal, em 1945.
A Corte de Haia ainda não marcou a data para apresentar sua decisão.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Chile não negocia saída para o mar para Bolívia
A Bolívia perdeu a saída para o mar para o Chile na Guerra do Pacífico (1879-83). Desde então, tenta romper com a mediterraneidade e recuperar a saída para o mar. O país tem até uma Marinha, estacionada no Lago Titicaca. O presidente Evo Morales recorreu até à Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia, na Holanda.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Corte da ONU rejeita pedido de fechar Botnia
A Corte Internacional de Justiça rejeitou assim o pedido argentino para fechar a fábrica instalada pela empresa finlandesa Botnia em Fray Bentos, no Uruguai. Mas concluiu que o Uruguai não seguiu os procedimentos do tratado ao não consultar a Argentina sobre a instalação das fábricas de papel e celulose. E propôs um monitoramento conjunto do impacto ambiental.
Já dura quase cinco anos esse conflito conhecido nos países vizinhos como a "guerra das papeleiras". Duas fábricas, uma finlandesa e outra do grupo espanhol Ence, do lado uruguaio do Rio, num investimento de US$ 2 bilhões, equivalentes a 15% do produto interno bruto da República Oriental do Uruguai.
Na Argentina, os moradores da cidade de Gualeguaychú prometem manter o bloqueio da ponte internacional, iniciado há três anos e meio, com o apoio, na época, do então presidente Néstor Kirchner. Eles insistem que a Botnia está contaminando o Rio Uruguai e exalando mau cheiro.
Como o acordo entre os dois países não há referências a mau cheiro nem a queda no turismo, o tribunal de Haia ignorou essas demandas argentinas.



