É uma expansão modesta perto do agressivo militarismo da China, mas o Vietnã aumenta continuamente sua presença nas Ilhas Spratly, no Mar do Sul da China. Fotos de satélite mostram a abertura de um novo canal junto ao Recife Ladd e a ampliação das instalações na área.
O regime comunista chinês reivindica a soberania sobre 90% do Mar do Sul da China. Tem disputas territoriais na região com Brunei, as Filipinas, a Indonésia, a Malásia, Taiwan e o Vietnã. Em 12 de junho de 2016, o Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas negou validade à linha de nove traços que demarca o mar territorial reivindicado pela China.
Em 18 de março, uma foto revelou um canal recém-dragado a sudoeste do recife, com uma draga e dois grandes navios, levando a uma lagoa onde havia 21 embarcações menores, provavelmente barcos pesqueiros vietnamitas.
Ao aproximar a imagem, dá para ver a draga depositando areia numa barcaça ao lado. As Filipinas usam o mesmo método nas Ilha Thitu. A China prefere dragas de sucção, mais rápidas e agressivas, com um dano muito maior à natureza.
As imagem de 3 de junho mostram a ampliação de uma instalação no Norte do recife com os sedimentos dragados no canal e cerca de 80 pequenos barcos pesqueiros vietnamitas. Com esta obra, o Vietnã aumentou 21 das 49 instalações que mantém nas Ilhas Spratly. O novo canal permite o acesso e suprimento de grandes navios dentro da lagoa.
Ladd é o mais ocidental dos recifes e rochedos ocupados das Ilhas Spratly. A sudoeste, há vários bancos de areia totalmente submersos que a China reivindica como parte do arquipélago, assim como campos de petróleo e gás que foram objeto de atrito entre Beijim e Hanói em 2017.
Os Estados Unidos e a maioria da sociedade internacional apoiam a posição vietnamita de que as áreas submersas são parte da plataforma continental do Vietnã. A nova instalação inclui uma plataforma hexagonal com largura máxima de 30 metros.
Nos anos 1980s e 1990s, o Vietnã construiu uma série de pequenas plataformas chamadas de "estações de serviço econômicas, científicas e tecnológicas sobre os bancos de areia submersos". Extremamente vulneráveis, foram ameaçadas de destruição pela China no conflito em torno do petróleo e gás no ano passado.
A ameaça é uma das razões para o Vietnã aumentar sua presença nas Ilhas Spratly. Agora, a lagoa do Recife Ladd pode abrigar barcos de patrulha. A grande quantidade de barcos pesqueiros na região indica que o Vietnã vai adotar a doutrina militar chinesa.
O Exército Popular de Libertação da China usa uma milícia de pescadores como força avançada ou linha de defesa em províncias costeiras ou águas territoriais disputadas. O Vietnã aprendeu com a dificuldade para enfrentar esta tática chinesa num impasse em torno de uma plataforma de petróleo em 2014. A partir daí, passou a recrutar seus próprios pescadores para a luta.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 14 de junho de 2018
quarta-feira, 6 de junho de 2018
EUA aumentam patrulhamento no Mar do Sul da China
Num desafio à reivindicação de soberania da China sobre 90% do Mar do Sul da China, bombardeiros B-52 da Força Aérea dos Estados Unidos passaram perto ontem das disputadas Ilhas Spratly, no Mar do Sul da China, revelou hoje a rede de televisão americana CNN.
Os EUA também pretendem enviar navios de guerra para atravessar o Estreito de Taiwan em bases regulares. A última vez que um porta-aviões americanos passou por lá foi em 2007.
As medidas alimentam a tensão e a rivalidade entre as duas superpotências.
A China reforçou sua presença militar no Mar do Sul da China, onde construiu ilegalmente várias ilhas artificiais, com a instalação de equipamentos para guerra cibernética e mísseis antiaéreos nas ilhas Paracel e Spratly. Brunei, as Filipinas, a Indonésia, a Malásia, Taiwan e o Vietnã têm disputas territoriais com a China na região.
Em 29 de maio, durante conferência sobre segurança em Cingapura, o secretário da Defesa dos EUA, James Mattis, afirmou que o país vai continuar "batendo tambor com firmeza" em manobras militares navais para contestar a reivindicação chinesa de soberania.
O Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia, na Holanda, rejeitou em 12 de julho de 2016 o mapa usado pela China para alegar soberania sobre quase todo o Mar do Sul da China, em ação proposta pelas Filipinas. O regime comunista chinês ignorou a decisão.
Em 1996, o então presidente Bill Clinton mandou a Marinha dos EUA para o estreito quando a China ameaçava a eleição presidencial em Taiwan. Beijim considerou uma humilhação. Hoje, conta com porta-aviões, mísseis e satélites instalados para evitar uma repetição do desafio.
No momento, a China pressiona as companhias aéreas internacionais a usarem Taiwan, China, em seus voos para a ilha que o regime comunista chinês considera uma província rebelde. O governo Donald Trump não quer que as empresas americanas se submetam à exigência.
Os EUA também pretendem enviar navios de guerra para atravessar o Estreito de Taiwan em bases regulares. A última vez que um porta-aviões americanos passou por lá foi em 2007.
As medidas alimentam a tensão e a rivalidade entre as duas superpotências.
A China reforçou sua presença militar no Mar do Sul da China, onde construiu ilegalmente várias ilhas artificiais, com a instalação de equipamentos para guerra cibernética e mísseis antiaéreos nas ilhas Paracel e Spratly. Brunei, as Filipinas, a Indonésia, a Malásia, Taiwan e o Vietnã têm disputas territoriais com a China na região.
Em 29 de maio, durante conferência sobre segurança em Cingapura, o secretário da Defesa dos EUA, James Mattis, afirmou que o país vai continuar "batendo tambor com firmeza" em manobras militares navais para contestar a reivindicação chinesa de soberania.
O Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia, na Holanda, rejeitou em 12 de julho de 2016 o mapa usado pela China para alegar soberania sobre quase todo o Mar do Sul da China, em ação proposta pelas Filipinas. O regime comunista chinês ignorou a decisão.
Em 1996, o então presidente Bill Clinton mandou a Marinha dos EUA para o estreito quando a China ameaçava a eleição presidencial em Taiwan. Beijim considerou uma humilhação. Hoje, conta com porta-aviões, mísseis e satélites instalados para evitar uma repetição do desafio.
No momento, a China pressiona as companhias aéreas internacionais a usarem Taiwan, China, em seus voos para a ilha que o regime comunista chinês considera uma província rebelde. O governo Donald Trump não quer que as empresas americanas se submetam à exigência.
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quarta-feira, 16 de setembro de 2015
China constrói ilhas em mar territorial disputado com vizinhos
Apesar de anunciar quatro semanas atrás a suspensão das obras, o regime comunista da China está aterrando áreas ao redor de recifes nas Ilhas Spratly para criar ilhas onde construiu pistas de pouso e explora petróleo e gás natural, noticiou a agência Reuters citando pesquisa do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, de Washington.
O estudo analisa imagens recentes de satélites dos Estados Unidos dos recifes de Mischief e Subi, parte de um arquipélago de 750 atóis, ilhas, ilhotas e recifes com superfícies que somam 4 quilômetros quadrados e se espalham por 425 mil km2 do Mar do Sul da China. Esses dois recifes também são reivindicados pelas Filipinas e o Vietnã.
Em Subi, as dragas estão depositando sedimentos em áreas delimitadas pela recente construção de muros já chamados de Muralha do Mar da China. Um canal também está sendo dragado no recife de Mischief, possivelmente para uso militar. No recife Cruz Ardente, imagens de 14 de setembro revelam uma nova pista de pouso de 3 km, heliportos, a cúpula de um radar, uma torre da vigia e equipamentos de comunicação via satélite.
A China disputa a soberania sobre as Ilhas Spratly e Paracel com Brunei, as Filipinas, a Malásia, Taiwan e o Vietnã. Com a exceção de Brunei, todos têm forças militares no arquipélago. No subsolo, haveria bilhões de barris de petróleo e 25,5 trilhões de metros cúbicos de gás.
Diante da crescente agressividade chinesa e da presunção de que os EUA não vão comprar uma briga com a China para defender umas ilhotas, há uma rearticulação de alianças militares no Sudeste Asiático.
O Vietnã assinou um acordo de cooperação militar de cinco anos com a Índia em maio. Em junho, o presidente filipino, Benigno Aquino III, fez uma visita de Estado ao Japão, onde comprou dez barcos de patrulhamento naval e autorizou as Forças de Defesa japonesas a pousar e reabastecer nas Filipinas.
O estudo analisa imagens recentes de satélites dos Estados Unidos dos recifes de Mischief e Subi, parte de um arquipélago de 750 atóis, ilhas, ilhotas e recifes com superfícies que somam 4 quilômetros quadrados e se espalham por 425 mil km2 do Mar do Sul da China. Esses dois recifes também são reivindicados pelas Filipinas e o Vietnã.
Em Subi, as dragas estão depositando sedimentos em áreas delimitadas pela recente construção de muros já chamados de Muralha do Mar da China. Um canal também está sendo dragado no recife de Mischief, possivelmente para uso militar. No recife Cruz Ardente, imagens de 14 de setembro revelam uma nova pista de pouso de 3 km, heliportos, a cúpula de um radar, uma torre da vigia e equipamentos de comunicação via satélite.
A China disputa a soberania sobre as Ilhas Spratly e Paracel com Brunei, as Filipinas, a Malásia, Taiwan e o Vietnã. Com a exceção de Brunei, todos têm forças militares no arquipélago. No subsolo, haveria bilhões de barris de petróleo e 25,5 trilhões de metros cúbicos de gás.
Diante da crescente agressividade chinesa e da presunção de que os EUA não vão comprar uma briga com a China para defender umas ilhotas, há uma rearticulação de alianças militares no Sudeste Asiático.
O Vietnã assinou um acordo de cooperação militar de cinco anos com a Índia em maio. Em junho, o presidente filipino, Benigno Aquino III, fez uma visita de Estado ao Japão, onde comprou dez barcos de patrulhamento naval e autorizou as Forças de Defesa japonesas a pousar e reabastecer nas Filipinas.
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