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terça-feira, 2 de maio de 2023

Hoje na História do Mundo: 2 de Maio

EUA MATAM BEN LADEN

    Em 2011, quase dez anos depois dos atentados contra Nova York e o Pentágono, um comando de elite da Marinha dos Estados Unidos mata o terrorista saudita Ossama ben Laden, líder da rede terrorista Al Caeda (A Base), no seu esconderijo em Abotabade, no Paquistão.

Quando a União Soviética invade o Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão se unem para apoiar a resistência afegã. Ben Laden é um dos enviados do reino saudita para arregimentar os chamados árabes afegãos.

A URSS está derrotada em 1988, quando Ben Laden cria a rede Al Caeda para levar a guerra santa islâmica a todos os conflitos com muçulmanos envolvidos.

A rede terrorista Al Caeda é assim um detrito da Guerra Fria. Criada para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS, alimentada pelos EUA, volta-se contra o Ocidente.

Com a retirada soviética, em 1989, o governo-fantoche de Mohammed Najibullah resiste até 1992, quando é vencido pelos rebeldes muçulmanos. Começa um período de anarquia.

Para defender os princípios do Islã num ambiente de anarquia, marcado pelo crime, a violência e a morte, nasce em 1994, com o apoio do serviço secreto militar do Paquistão, a Milícia dos Talebã (Estudantes), a maioria doutrinados nas madraças, as escolas religiosas paquistanesas onde só se ensina o Corão. Eles tomam o poder em Cabul em 1996 e abrigam acampamentos e centros de treinamento d'al Caeda.

Em 1998, depois de atentados terroristas contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, o governo Bill Clinton (1993-2001) bombardeia bases d'al Caeda no Afeganistão.

A resposta vem num atentado contra o navio norte-americano USS Cole, no ano 2000, e nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, quando Al Caeda leva as guerras do Grande Oriente Médio para o território dos EUA. Ben Laden comenta que não esperava que as Torres Gêmeas desabassem, só que queimassem do ponto de impacto para cima.

Os EUA invocam o art. 5 da Carta da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e atacam o Afeganistão com o apoio de uma força internacional em 7 de outubro de 2001. O regime fundamentalista muçulmano cai em três semanas.

Na Batalha de Tora Bora, de 6 a 17 de dezembro de 2001, os EUA chegam a cercar a liderança da rede Al Caeda num complexo de cavernas no Leste do Afeganistão, mas Ben Laden consegue escapar para o Paquistão.

Depois de anos, Ben Laden é localizado numa mansão superprotegida em Abotabade, cidade-sede da Academia Militar do Paquistão.

O ataque começa a uma da madrugada. Dois helicópteros Falcão Negro transportam 23 soldados de elite do comando SEALs da Marinha dos EUA até o complexo. Em 40 minutos, cinco pessoas são mortas, inclusive Ben Laden e um filho adulto. Um helicóptero se acidenta, mas ninguém sai ferido. Os soldados norte-americanos levam documentos e computadores.

O cadáver de Ben Laden é levado para confirmar a identidade no Afeganistão e jogado no Mar da Arábia. 

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Rússia completa instalação de rede de guerra radioeletrônica no Ártico

A Frota do Norte da Marinha da Rússia concluiu a instalação de um novo Centro para Guerra Radioeletrônica na região do Oceano Ártico, cada vez mais importante estrategicamente devido ao degelo da calota polar, noticiou o jornal russo Izvestia.

A Rússia está construindo há anos uma rede de estações de guerra radioeletrônica. Em 2018, fez vários testes. A escala da rede indica que os equipamentos podem ser usados como postos de comando para operações militares russas, para interceptar mensagens de inteligência ou perturbar as comunicações de inimigos.

Os sistemas têm capacidade para perturbar comunicações por rádio, inclusive transmissões de satélite. De acordo com a Rússia, terão um alcance de 8 mil quilômetros.

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Trump ataca almirante que comandou operação que matou Ben Laden

Em mais um sinal de total falta de caráter e de escrúpulos, o presidente Donald Trump atacou o almirante reformado William McRaven, ex-comandante da força de elite da Marinha Seals, responsável pela operação que matou o terrorista saudita Ossama ben Laden, no Paquistão, em 2 de maio de 2011.

Trump se irritou porque o almirante afirmou que os ataques do presidente à imprensa são a maior ameaça à democracia nos Estados Unidos que viu durante toda a sua vida. Em entrevista à TV Fox News, que o apoia, primeiro, Trump alegou que McRaven era partidário de Hillary Clinton e Barack Obama. Mentira. Depois, criticou a ação contra Ben Laden.

"Não teria sido melhor se tivéssemos pego Ossama ben Laden muito antes? Morando no Paquistão, no que acredito que fosse uma mansão bacana, perto da academia militar, todo o mundo no Paquistão sabia que ele estava lá. E nós damos US$ 1,3 bilhão por ano ao Paquistão", rosnou Trump, menosprezando o trabalho da Agência Central de Inteligência (CIA) para localizar Ben Laden.

O almirante, que serviu 37 na tropa de elite Seals, respondeu: "Não apoiei Hillary Clinton nem ninguém. Sou fã do presidente Obama e do presidente George W. Bush, para quem trabalhei. Admiro todos os presidentes, sem olhar para seus partidos políticos, que mantenham a dignidade do cargo e que usem o cargo para unir o país em momentos desafiantes."

E acrescentou: "Mantenho meu comentário de que os ataques do presidente à imprensa são a maior ameaça à democracia durante minha vida. Quando você mina o direito do povo a uma imprensa livre e à liberdade de expressão, você ameaça a Constituição e tudo o que ela representa."

Na mesma entrevista, Trump manifestou mais uma vez seu desprezo pelos militares ao declarar que não visitou o Cemitério Nacional de Arlington, na Virgínia, onde estão enterrados os heróis nacionais dos EUA, no dia em homenagem aos americanos mortos em combate, por "estar muito ocupado". Nunca estão tão ocupado que não possa descansar em seus clubes de golfe.

Quando esteve na França para as comemorações dos 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial, o presidente não foi a um cemitério militar americano porque o mau tempo tornava a viagem de helicóptero arriscada.

O chefe da Casa Civil da Casa Branca, general John Kelly, e o comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, general Joseph Dunford, fizeram a viagem por terra a 80 quilômetros de Paris e homenagearam os soldados mortos.

quinta-feira, 3 de maio de 2018

China instala mísseis em áreas disputadas do Mar do Sul da China

Nos últimos 30 dias, a China consolidou a ocupação militar do Mar do Sul da China, instalando mísseis antiaéreos e antinavios em ilhas artificiais construídas ilegalmente, noticiou ontem a televisão americana CNBC, especializada em economia. As águas territoriais são disputadas pela China com Brunei, as Filipinas, a Malásia, Taiwan e o Vietnã.

O regime comunista chinês reivindica a soberania sobre 90% da superfície do Mar do Sul da China com base em mapas antigos rejeitados pela Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia, na Holanda, em reclamação feita pelas Filipinas. Acaba de quebrar a promessa de não militarizar os recifes que transformou em ilhas artificiais.

A notícia atrapalha as negociações iniciadas hoje para evitar uma guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, que ainda não confirmaram a instalação dos mísseis. No mês passado, a China fez sua maior manobra de treinamento naval perto da ilha de Hainã. Três navios italianos que passaram pelo mar foram advertidos.

As relações da Austrália com a China, sua maior parceira comercial, se deterioraram desde que o governo australiano começou a combater a influência chinesa no país. O governo australiano está proibindo o fim de contribuições eleitorais vindas do exterior. A China protestou contra "a mentalidade da Guerra Fria e o viés ideológico" do que chamou de "típica histeria anti-China".

Os EUA fazem regularmente "operações de liberdade de navegação" no Mar do Sul da China. A Austrália não faz o mesmo deliberadamente.

Com seu extraordinário desenvolvimento econômico e a rápida ascensão a superpotência, a China intimida cada vez mais seus vizinhos. Ontem, fez um treinamento naval com munição real no Estreito de Taiwan.

Depois de uma dessas manobras militares, o ditador Xi Jinping declarou a bordo de um contratorpedeiro que a China precisa criar a maior força naval do mundo, o que a coloca em rota de colisão com os EUA.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Rússia reduz orçamento militar pela primeira vez em 19 anos

Os gastos militares da Rússia diminuíram em 2017 pela primeira vez desde 1998, quando o país enfrentou um colapso econômico. No ano passado, a queda foi de 20% para US$ 63 bilhões, de acordo com o relatório do Instituto de Pesquisas da Paz Internacional de Estocolmo (SIPRI). É nove vezes menos do que os Estados Unidos, antes do aumento do orçamento pedido pelo presidente Donald Trump.

Em 2017, as despesas russas com defesa baixaram de 5,5% para 4,3% do produto interno bruto, estimado pelo Fundo Monetário Internacional em US$ 1,527 trilhão. Depois de anos de contração da economia, o Kremlin foi obrigado a fazer grandes cortes no orçamento de defesa que devem ter impacto sobre as compras e as operações.

Com a limitação orçamentária, apesar das bravatas do ditador Vladimir Putin sobre o míssel nuclear "invencível", o Kremlin tem de tomar decisões difíceis e escolher prioridades. Será necessário reduzir as ambições marítimas para reforçar o poderio terrestre, observa a empresa de consultoria e análise estratégica Stratfor.

A Rússia não vai abandonar os mares, mas sua defesa será baseada na dissuasão nuclear por terra, mar e ar. O sonho de Putin era um grande Programa de Armamentos do Estado (2018-25). Com os cortes orçamentários, não será possível modernizar 70% de suas Forças Armadas até 2020. O programa de armamentos deve receber a metade do dinheiro previsto.

O maior problema está na Marinha, que não passou por uma modernização significativa desde o fim da União Soviética, em 1991, observa a Stratfor. O único porta-aviões russo, o Almirante Kuznetsov, foi lançado ao mar em 1985. Sem muito dinheiro, o foco deve ser em sistemas de armas e não em investimentos pesados em grandes navios.

Em maio do ano passado, o vice-primeiro-ministro Dimitri Rodozin, encarregado da indústria bélica, admitiu que, "ao contrário dos Estados Unidos, a Rússia não é uma potência naval". É uma potência continental.

Durante a Guerra Fria, a importância dos submarinos nucleares era tanta que a Marinha de superfície era uma força auxiliar. A tendência é que isso continue. Os submarinos serão o setor da força naval a ser poupado dos cortes de gastos.

O mecanismo de dissuasão nuclear da Rússia se assenta num tripé: mísseis baseados em terra, aviões bombardeiros estratégicos e mísseis balísticos lançados de submarinos, acrescentam os analistas estratégicos.

Na Força Aérea, preveem, o Kremlin vai investir em grandes aviões de transporte e caças-bombardeiros, com foco no aperfeiçoamento da quarta geração de caças a jato, em vez de comprar novos modelos de última geração como o avião de combate invisível aos radares T-50.

Outras preocupações são tornar as Forças Armadas mais ágeis, flexíveis e letais, com munição precisa guiada, maior capacidade tecnológica, equipamentos de comando e controle de alta tecnologia, satélites espaciais e desenvolvimento de drones para missões de reconhecimento, vigilância e inteligência.

As regiões militares mais beneficiadas pelo programa de modernização das Forças Armadas da Rússia devem ser os comandos do Sul e do Oeste, com jurisdição sobre áreas consideradas essenciais para a segurança nacional do país como o Mar Báltico, a Ucrânia e o Cáucaso. O Comando Estratégico Conjunto do Ártico será promovido a região militar em 2020.

Na visão de Moscou, marcada pelo histórico medo do cerco da Rússia, o maior país do mundo, com 60 milhões de quilômetros de fronteiras marítimas ou terrestres sem fronteiras naturais na maioria da parte terrestre, o inimigo é a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, e sua expansão pós-Guerra Fria até a fronteira russa.

Putin quer manter as repúblicas da antiga União Soviética dentro da esfera da influência da Rússia, mas não tem o poder econômico necessário para dar peso à União Econômica da Eurásia. Também projeta seu poderio a regiões do Ártico à Síria, num caso clássico de sobre-extensão imperial, quando as ambições externas são maiores do que a matriz pode bancar.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Porta-aviões da Rússia é rebocado no Mar Mediterrâneo

O porta-aviões russo Almirante Kuznetsov quebrou a caminho da Síria e está sendo puxado por um reboque no Mar Mediterrâneo. Suas máquinas pararam e exalaram uma nuvem de fumaça perto do litoral sírio, revelaram fotos de satélites distribuídas pelo projeto Digital Globe.

O única porta-aviões da Marinha da Rússia deve ser levado para a base militar de Tartus, na Síria, a única do país no Oriente Médio, onde deve ser reabastecido e reparado.

Com o Almirante Kuznetsov, o presidente Vladimir Putin pretende reforçar a intervenção militar em apoio à ditadura de Bachar Assad.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

EUA e Índia discutem patrulhas conjuntas no Mar do Sul da China

Os Estados Unidos e a Índia estão discutindo a possibilidade de realizar patrulhas navais conjuntas ainda neste ano, inclusive em águas territoriais disputadas pelo China e países vizinhos no Mar do Sul da China, revelaram fontes não identificadas do Departamento da Defesa dos EUA, o Pentágono, citadas pela agências Reuters.

A Marinha da Índia nunca realizou patrulhas navais conjuntas. O país adota uma política de só participar de forças internacionais sob a bandeira das Nações Unidas.

No passado, os EUA e a Índia fizeram manobras navais conjuntas com o Japão, outro país-chave na aliança de nações democráticas criada para contrabalançar a ascensão da China a superpotência. Durante a visita do presidente Barack Obama a Nova Déli, ele e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, concordaram em "identificar áreas específicas para expandir a cooperação marítima".

Os dois países também aumentaram a cooperação com o Vietnã, um dos países em disputa territorial com a China. A Marinha indiana aumentou sua presença no Mar do Sul da China, mas ainda reluta em patrulhar a região junto com os EUA, temendo provocar o regime comunista chinês.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

China e Rússia farão manobras navais conjuntas no Mar do Japão

As marinhas de guerra da China e da Rússia assinaram protocolo hoje para realizar manobras militares conjuntas no Mar do Japão no fim de agosto de 2015, informou a agência Tass. Pela primeira vez, chineses e russos vão treinar um assalto anfíbio, no caso ao território russo de Primorsky.

Um grupo naval da Frota do Pacífico da Rússia liderado por um porta-aviões vai participar das manobras, que reunirão ao todo cerca de 60 navios de guerra, além de barcos de apoio, aviões e helicópteres.

Em maio, a China e a Rússia fizeram exercícios militares conjuntos no Mar Mediterrâneo. O Kremlin planeja reforças suas posições na costa no Oceano Pacífico na próxima década, mas enfrenta restrições orçamentários que obrigarão a fazer opções.

As manobras serão realizadas pouco depois de uma decisão tomada nesta semana pelo Parlamento do Japão para autorizar as Forças Armadas do país a realizar operações ofensivas no exterior. Isso era proibido pela Constituição imposta pelos Estados Unidos depois da derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Marinha dos EUA vai monitorar navios no Estreito de Hormuz

Depois da apreensão pela Guarda Revolucionária do Irã de um navio cargueiro da companhia dinamarquesa Maersk com bandeira das Ilhas Marshalls, a Marinha dos Estados Unidos vai monitorar navios mercantes no Estreito de Hormuz, informou em Washington o Departamento da Defesa.

Os navios não serão escoltados pelo estreito, que fica em águas iranianas, mas serão monitorados eletronicamente para impedir qualquer interferência iraniana. Há nove navios de guerra dos EUA na região. A frota foi reforçada em apoio à intervenção militar da Arábia Saudita e aliados sunitas contra os rebeldes hutis do Iêmen, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã.

Na última terça-feira, 28 de abril de 2015, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã disparou tiros de advertência e abordou o navio Maersk Tigris, obrigando-o a ancorar no porto iranianio de Porto Abás.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Militares da Bolívia marcham contra baixos salários

Numa onda de transportes sem precedentes, militares do Exército, da Marinha e da Força Aérea da Bolívia protestaram hoje pelo terceiro dia consecutivo nas ruas de La Paz exigindo aumentos salariais e benefícios sociais. O movimento ainda é pequeno, mas revela desunião e insatisfação nas Forças Armadas seis meses antes da eleição presidencial de outubro de 2014.

Várias centenas de militares fizeram as primeiras marchas no dia 22 de abril em La Paz e Santa Cruz de la Sierra, e grupos menores nos departamentos (equivalentes aos estados no Brasil) de Beni, Chuquisaca, Potosí, Oruro e Tarija.

Os manifestantes exigem a reabilitação de quatro oficiais removidos de seus postos há três por liderar o movimento por salários maiores e melhoria nas condições de habitação, assistência médica, além de oportunidades para estudar e ascender dentro da carreira militar. Também querem uma lei para proibir a discriminação racial nas Forças Armadas da Bolívia.

A Bolívia tem uma história trágica marcada por 192 tentativas de golpe de Estado. Depois do sangrento golpe de 1982, naquele mesmo ano, com a redemocratização do país, foi eleito Hernán Siles Suazo, que não conseguiu completar o mandato por causa da quarta maior hiperinflação da história, de 27.000% ao ano.

No início do século 21, o esgotamento das políticas econômicas liberais usadas para controlar a inflação, que não produziram o desenvolvimento social prometido, levaram a uma onda de manifestações de protesto e à queda, em 2003, do presidente Gonzalo Sánchez de Losada, acusado de fazer um acordo com o Chile para vender gás boliviano para os Estados Unidos. O Chile é o inimigo histórico que tomou a saída da Bolívia para o mar, na Guerra do Pacífico (1879-83).

Desde então, o país viveu uma era de instabilidade até a eleição, em dezembro de 2005, de Evo Morales, o primeiro indígena a governar um país da América Latina desde Benito Juárez, no México (1858-64).

Aliado do então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, Morales estatizou o petróleo e o gás natural bolivianos, chegando a ocupar militarmente instalações da Petrobrás para isso, sem maior reação do governo brasileiro. Sem a riqueza do petróleo da Venezuela, Evo faz uma política econômica austera para manter o equilíbrio das contas públicas. Os militares estão cobrando sua parte.

Diante da repressão ao movimento, os manifestantes exigem a demissão do ministro da Defesa e dos comandantes das três armadas e a abertura de uma negociação direta com o presidente. Não há nenhum sinal de ameaça imediata a Morales, mas ele terá de dar uma resposta antes da eleição de outubro, quando será candidato à reeleição. Até agora, o governo se nega a iniciar um diálogo.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Atirador tinha oito sanções disciplinares na Marinha

O atirador de 34 anos que matou 12 pessoas ontem  ao atacar a tiros a sede do comando da Marinha dos Estados Unidos, em Washington, tinha sofrido oito sanções disciplinares antes de deixar a força, procurou tratamento para doentes mentais e tinha antecedentes criminais. Mesmo assim, possuía um cartão que lhe permitia entrar e sair da base que atacou.

Hoje o dono da empresa para quem Aaron Alexis trabalhava como técnico de informática declarou que não o teria contratado se soubesse de seus problemas. Thomas Hoshko, diretor-geral da empresa The Experts disse ter ficado perturbado ao saber que Alexis atirou contra o pneu de um trabalhador da construção civil, em 2004, e no teto de seu próprio apartamento em Fort Worth, em 2010.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Atirador mata 12 em base naval em Washington

Pelo menos 13 pessoas foram mortas a tiros hoje num quartel da Marinha dos Estados Unidos em Washington, inclusive o atirador que iniciou o tiroteio. A polícia suspeita que possa haver mais dois.

O atirador morto é um ex-funcionário civil que teria sido demitido pela Marinha, identificado como Aaron Alexis, de 34 anos.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Apreensão de navio derruba chefe da Marinha argentino

BUENOS AIRES - A apreensão de um navio de guerra da Argentina em Gana, na África, a pedido de investidores que tiveram seus bonos da dívida do país caloteados em 2001 e que não aceitaram os termos da negociação proposta pelo governo argentino, levaram à queda do comandante da Marinha, almirante Carlos Alberto Paz.

Há 13 dias, a fragata Libertad, usada para treinamento da Marinha do país vizinho, está atracada no porto de Tema, a 7.366 quilômetros do porto de Buenos Aires, com 289 tripulantes argentinos, 23 marinheiros uruguaios e chilenos, e 13 convidados especiais. O custo para mantê-la nesta situação é de US$ 50 mil por dia para o governo Cristina Fernández de Kirchner, que enfrenta uma crise de falta de divisas.

A apreensão do navio provocou uma discussão dentro do governo. O ministro da Defesa, Arturo Puricelli, argumenta que a decisão foi tomada em comum acordo com o Ministério das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto, onde o chanceler Héctor Timerman alega que foi a Defesa que organizou o itinerário.

Internamente, o ministro do Exterior acusaria o secretário de Comércio, Guillermo Moreno, que estaria interessado em promover a visita da presidente a Angola e melhorar as relações com a África. Moreno é o articulador das políticas protecionistas de controle das importações usadas para tentar manter o equilíbrio entre a entrada e a saída de dólares da Argentina, que ainda sofre as consequências do calote de 2001.

O novo comandante da Marinha argentina é o almirante Daniel Alberto Martín, que era o subcomandante de Paz, informa o jornal argentino Clarín.

domingo, 3 de junho de 2012

EUA concentram 60% das forças navais no Pacífico

Até 2020, o Departamento da Defesa dos Estados Unidos pretende concentrar no Oceano Pacífico 60% de suas forças navais, anunciou o secretário Leon Panetta. Se isso indica que o Pentágono considera o Oceano Atlântico uma zona de paz, ao mesmo tempo sinaliza uma preocupação crescente com a ascensão da China como superpotência.

Hoje os EUA tem uma frota de 285 navios dividida entre o Atlântico e o Pacífico. Ao fazer o anúncio numa conferência sobre segurança internacional realizada em Cingapura, Panetta declarou que a China deve ver os americanos como uma "força estabilizadora" na região e não como uma ameaça.

Apesar dos cortes de US$ 487 bilhões nos gastos com defesa previstos nos próximos dez anos para reduzir o déficit, o Pentágono promete fazer os investimentos necessários para desenvolver novas armas e consolidar sua presença militar na Ásia, reporta o jornal The Wall St. Journal.

Os EUA são a maior força militar no Pacífico desde a vitória na Segunda Guerra Mundial. Têm bases e tropas na Coreia do Sul e no Japão. Mas, nos últimos anos, na onda de seu extraordinário desenvolvimento econômico e de seu formidável comércio exterior, a China passou de um país introvertido na era de Mao Tsé-tung para uma superpotência econômica que multiplica seu orçamento de fesa.

Com a necessidade de proteger suas rotas comerciais e investimentos no exterior, a China começa a projetar seu poderio militar. Tem hoje uma Marinha de águas profundas, mísseis antissatélites, mísseis antiporta-aviões e porta-aviões. Seu objetivo é neutralizar a superioridade militar dos EUA no Leste da Ásia.

Além da reivindicação sobre Taiwan, a China tem disputas em torno de ilhas com o Japão, as Filipinas, Brunei, a Malásia e o Vietnã. Durante a crise de 1996, quando a China apontou mísseis para Taiwan para intimidar o eleitorado antes de uma eleição presidencial em que o favorito defendia a independência da ilha, os EUA deslocaram um grupo naval para o Estreito de Taiwan. Hoje isso é inimiginável.

A hegemonia dos EUA ajudou a criar um ambiente de segurança econômica no fim da Guerra Fria no Leste da Ásia, a região onde a Guerra Fria foi muito mais quente, com milhões de mortos na Guerra da Coreia, na Guerra do Vietnã, no ano em que a Indonésia viveu perigosamente, na grande fome causada pelo fracasso do Grande Salto para a Frente e da subsequente Revolução Cultural na China.

No fim da Guerra Fria, por sua rivalidade com a União Soviética, a China era na prática uma aliada sem ser membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

China confrontou navio de guerra da Índia

A Marinha da China confrontou um navio de guerra da Índia que saía do Vietnã no fim do mês de julho, no primeiro incidente deste tipo entre as superpotências emergentes do século 21, noticiou hoje o jornal inglês Financial Times.

Um navio chinês não identificado interpelou o navio de assalto anfíbio Airavat no Mar da China Meridional, intimando-o a se identificar e explicar o que estava fazendo em águas internacionais.

Essa afirmação do crescente poderio naval da China irritou os militares da Índia e do Vietnã. O regime comunista chinês reivindica a soberania sobre todo o Mar da China Meridional. Tem disputas de limites com Brunei, Filipinas, Malásia, Taiwan e Vietnã.

“Qualquer Marinha do mundo tem ampla liberdade para navegar por alto mar e águas internacionais”, comentou um oficial indiano. “Proclamar soberania ou questionar o direito de passagem é totalmente inaceitável.”

Para o Vietnã, que entrou em guerra com a China em 1979, depois da invasão vietnamita ao Camboja para depor a ditadura genocida de Pol Pot, é mais uma provocação. Os dois países são inimigos históricos.

A China e a Índia também são inimigas históricas. Travaram uma guerra de fronteiras na região do Himalaia em 1962, e a China ganhou. Agora que os dois países passam por um período de extraordinário crescimento, a economia fortalece as relações bilaterais, mas a rivalidade política tende a crescer.

Ambas são membros do grupo BRICS, ao lado do Brasil, da Rússia e da África do Sul, mas têm pouco em comum, além da hostilidade ao imperialismo ocidental

O governo chinês costurou uma série de alianças que cercam a Índia com o chamado colar de pérolas: Paquistão, Bangladesh, Sri Lanka, Mianmar e Nepal.

Por outro lado, a Índia se aproximou do Japão, inimigo histórico da China, e do Vietnã, e fez uma parceria nuclear com os EUA depois de testar armas atômicas, em 1998. 

São os primeiros movimentos do xadrez geopolítico do século da Ásia.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

OTAN afunda oito navios de guerra da Líbia

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, afundou oito navios da Marinha da Líbia em bombardeios coordenados aos portos de Trípoli, Al Khums e Sirte.

"Com o aumento do uso dos recursos navais, fomos obrigados a agir", diz a nota da OTAN, acusando o ditador Muamar Kadafi de usar a Marinha de Guerra contra seu próprio povo.

domingo, 9 de novembro de 2008

Acidente mata 20 em submarino nuclear russo

Mais de 20 marinheiros e trabalhadores da indústria naval morreram neste domingo, 9 de novembro de 2008, em um acidente a bordo de um submarino nuclear russo no Oceano Pacífico, revelou em Moscou a Marinha da Rússia.

Outras 21 pessoas ficaram feridas. Foram resgatadas por um navio que escoltava o submarino.

O reator nuclear do submarino funcionava normalmente e os níveis de radiação eram normais, declarou o porta-voz da Marinha, capitão Igor Dygalo. Mas um sistema antiincêndio entrou em operação por erro.

A Marinha da Rússia entrou em decadência no fim da União Soviética e sofreu graves acidentes. O pior foi a tragédia do submarino Kursk, que afundou no Ártico, matando todas 118 pessoas a bordo, em 2000.

Dentro da política de resgatar o poder imperial perdido com o colapso do comunismo e da URSS, o ex-presidente e agora primeiro-ministro Vladimir Putin quer modernizar e reequipar as Forças Armadas.

Dez anos depois do colapso do rublo na seqüência da crise asiática, a Rússia enriqueceu com a alta nos preços do petróleo e de outros produtos primários, equilibrou as contas públicas e acumulou reservas cambiais em moedas fortes de US$ 515 bilhões.

Com a autoconfiança restaurada, o Kremlin mandou um grupo naval para participar da manobras conjuntas com a Venezuela, perto do litoral dos Estados Unidos, neste mês de novembro de 2008.

Quando o presidente venezuelano, Hugo Chávez, fez o convite, os americanos ironizaram dizendo que a Marinha da Rússia não tem muitos navios em condições de realizar uma viagem dessas, desprezando a força naval russa.

O acidente mostra que a modernização das Forças Armadas da Rússia ainda é um desafio, um sonho distante para um Putin cada vez mais autoritário. A Rússia foi o único país que teve uma reação agressiva diante da eleição de Barack Obama.

Aqui na América Latina, os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e da Venezuela, Hugo Chávez, que tinham expulsado os embaixadores americanos, manifestaram a intenção de reatar relações com Washington no governo Obama.

A Rússia ameaçou instalar mísseis em Kaliningrado, um enclave no Mar Báltico entre a Polônia e a Lituânia. A cidade nasceu em 1255 como Koenigsberg. Era parte da Prússia Oriental.

Lá nasceu e viveu o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804).

Em 1946, sob ocupação da União Soviética, foi rebatizada Kaliningrado em homenagem póstuma a Mikhail Kalinin, que era um dos bolcheviques que tinham lutado na Revolução de Outubro, em 1917, e chegou a presidente do Presidium do Soviete Supremo da URSS.

Uma cabeça de praia no Báltico, Kaliningrado era base da Frota do Báltico da URSS durante a Guerra Fria.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

EUA prendem acusados de espionar para China

O FBI (Federal Bureau Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, anunciou na segunda-feira a prisão de quatro suspeitos de espionagem para o governo da China.

Entre os presos, está um funcionário do Departamento da Defesa com acesso a informações classificadas que teria passado a um agente chinês, como nos tempos da Guerra Fria, dados sobre as vendas de armas americanas para Taiwan, que o Partido Comunista da China considera uma província rebelde e parte essencial da integridade territorial do país.

Apesar de todo o desenvolvimento da China e sua marcha progressiva rumo ao status quo, a questão de Taiwan é a única pela qual a China ameaça ir à guerra, por exemplo, se o governo taiwanês declarar independência.

Em 1996, quando a China realizou testes de mísseis para amedrontar Taiwan antes da eleição presidencial, os EUA mandaram dois navios para o Estreito de Taiwan. O regime chinês considerou uma humilhação e já criou uma Marinha para águas profundas, capaz de projetar seu poderio crescente.

Ex-procurador critica tribunal de Guantânamo

O ex-procurador da Marinha dos Estados Unidos Charles Swift alerta para o risco de um julgamento injusto transformar Khaled Cheikh Mohammed e seus cúmplicas, acusados de planejar os atentados terroristas de 11 de setembro, em mártires.

Em entrevista à rede de televisão CNN, Swift advertiu: "O perdedor será o povo americano, a menos que mudanças fundamentais sejam feitas muito rapidamente". Ele representou o motorista de Ossama ben Laden num caso em que a Suprema Corte acabou rejeitando os tribunais militares do governo George Walker Bush.

Depois, o governo aprovou a Lei das Comissões Militares para julgar os suspeitos de terrorismo em Guantânamo, um enclave extraterritorial que os EUA têm em Cuba desde 1898. Era uma cabeça de praia na Guerra Hispano-Americana (1898-99), que terminou com a derrota da Espanha, a independência de Cuba e o controle das Filipinas, e em certa medida também de Cuba, pelos EUA.

Swift alega que as comissões militares não têm advogados de defesa especializados em defesa contra a pena de morte para oferecer aos réus. Os réus e seus advogados não terão direito a examinar provas classificadas como perigosas para a segurança nacional dos EUA. E os juízes podem aceitar confissões obtidas mediante tortura.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Jobim quer amplo debate sobre política de defesa

Ao abrir a 4ª Conferência do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, prometeu nesta quinta-feira reaparelhar as Forças Armadas depois de definir uma nova política de defesa nacional, fortalecer a indústria nacional do setor, e só importar armas e equipamentos de países que aceitarem transferir tecnologia para evitar possíveis problemas no futuro. Na prática, isso exclui os Estados Unidos, que em princípio recusam-se a transferir tecnologia.

O ministro fez questão de deixar claro que qualquer política de defesa nacional será dissuasória porque o Brasil não tem ambições imperialistas e expansionistas, nem disputas de fronteiras: o Barão do "Rio Branco arquivou esse problema".

Jobim revelou que o ministro para Ações de Longo Prazo, Roberto Mangabeira Unger, foi à Índia e à Rússia, e no momento está na França, examinando as possibilidades de negócios para reequipar o Exército, a Marinha e a Aeronáutica: "Em janeiro, vamos juntos aos EUA".

Antes de comprar, ele entende ser necessário redefinir a política de defesa nacional num amplo debate com os militares e a sociedade civil. Só sabendo o que o Brasil quer das Forças Armadas será possível adquirir as armas e equipamentos adequados.

É essencial desenvolver a indústria nacional de defesa: "Temos de produzir insumos, fazer um ajuste com o setor privado e criar uma política de compras públicas, mesmo que o produto nacional seja inferior e mais caro, para estimular o desenvolvimento".

O ministro lamentou que, logo após o fim do regime militar, a desconfiança entre civis e militares tenha impedido um debate maduro sobre as questões de defesa na Assembléia Nacional Constituinte. Havia, por exemplo, "uma brutal oposição do Projeto Calha Norte", de defesa da Amazônia, visto com suspeita pelos constituintes como se fosse apenas mais uma forma de consolidação do poder militar.

"É preciso formular as hipóteses operacionais para proteção e monitoramento do território, do espaço aéreo e do mar territorial", explicou Jobim. A partir daí será possível decidir que tipo de Forças Armadas, com que objetivos e como aparelhá-las para cumprir sua missão.

"Precisamos ter capacidade para produzir a paz internacional. Precisamos de um submarino com propulsão nuclear para proteger o que a Marinha chama de Amazônia azul" (o mar territorial brasileiro tem uma área quase do tamanho da Amazônia), declarou o ministro da Defesa.

Isso é ainda mais importante, acrescentou, com a nova descoberta de petróleo na plataforma continental: "No momento, em que você tem uma grande riqueza nacional no Atlântico, temos de ter condições de protegê-la." Fez uma pausa e emendou: "Não da invasão de qualquer país apenas, mas de ações que possam vir da área do terror. E para isso nós precisamos da propulsão nuclear".

Ninguém precisa de submarinos para combater terroristas. O alvo mais evidente de uma operação dessas seria os EUA, especialmente para quem acredita que a invasão do Iraque foi por causa do petróleo. Mas o ministro não pode dizer isso.

"A energia nuclear não é para bomba atômica. Isso é bobagem", declarou Jobim.

Na Constituição, as funções das Forças Armadas são duas, explicou o ministro: defesa nacional e garantia da lei e da ordem.

Com sua liderança na missão internacional de paz das Nações Unidas no Haiti, observou Jobim, as Forças Armadas brasileiras mostraram "capacidade de operar em áreas urbanas para maner a lei e a ordem". Para que façam o mesmo no Brasil, é preciso mudar o "estatuto jurídico da tropa".

No Haiti, os militares brasileiros têm a cobertura da Carta da ONU. Aqui, em 1994, no final do governo Itamar Franco, "vários soldados foram processados" por sua atuação na segurança interna.