Para o jornal espanhol El País, a presidente Dilma Rousseff trocou uma crise por outra ao substituir Nelson Jobim por Celso Amorim como ministro da Defesa.
Jobim foi "o primeiro ministro da Defesa que não teve problemas com a cúpula militar", diz o jornal em matéria do correspondente no Brasil publicada neste sábado. É "prestigiado e de indiscutível capacidade profissional".
Como ministro das Relações Exteriores, Amorim comandou a guinada da política externa à esquerda no governo Lula.
Na visão de El País, o ex-chanceler é ligado à "ala mais esquerdista do Partido dos Trabalhadores", considerado "antiamericano" e responsável pela aproximação com os regimes autoritários de Cuba, do Irã e da Venezuela de Hugo Chávez.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 6 de agosto de 2011
domingo, 5 de dezembro de 2010
FAB prefere aviões de caça dos EUA
Na concorrência para reequipar a Força Aérea Brasileira, o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, prefere os aviões de caça F-18, fabricado pelos Estados Unidos, revelam novos documentos de diplomacia americana divulgados pela organização não governamental WikiLeaks.
O governo Lula ainda não fez o anúncio oficial, mas tudo indica que vai optar pelos caças franceses Rafale, fabricados pela empresa Dassault, que ameaça falir se não fechar o negócio.
Para justificar essa decisão mais provável, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, alega que o Brasil está interessado em transferência de tecnologia, o que os EUA sempre relutam em fazer para não perder sua superioridade. Mas há também a preocupação de selar uma parceria estratégica com a França.
A França e a União Europeia têm interesse em colaborar com a ascensão do Brasil à potência mundial para usar o país como um contrapeso diante dos EUA e da China.
O Brasil tem interesse em manter boas relações e parcerias com todos os países e regiões. Mas a França, antiga potência imperial, é um país em declínio relativo, econômico, político e militar. Com seu poderoso setor agrícola ultraprotegido pela política de subsídios da Europa, não ajuda nas negociações de liberalização comercial UE-Mercosul.
O governo Lula ainda não fez o anúncio oficial, mas tudo indica que vai optar pelos caças franceses Rafale, fabricados pela empresa Dassault, que ameaça falir se não fechar o negócio.
Para justificar essa decisão mais provável, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, alega que o Brasil está interessado em transferência de tecnologia, o que os EUA sempre relutam em fazer para não perder sua superioridade. Mas há também a preocupação de selar uma parceria estratégica com a França.
A França e a União Europeia têm interesse em colaborar com a ascensão do Brasil à potência mundial para usar o país como um contrapeso diante dos EUA e da China.
O Brasil tem interesse em manter boas relações e parcerias com todos os países e regiões. Mas a França, antiga potência imperial, é um país em declínio relativo, econômico, político e militar. Com seu poderoso setor agrícola ultraprotegido pela política de subsídios da Europa, não ajuda nas negociações de liberalização comercial UE-Mercosul.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
EUA criticam Plano de Defesa Nacional do Brasil
Em novos documentos revelados pela organização não governamental WikiLeaks, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, criticou a Estratégia Nacional de Defesa (nossa doutrina de segurança nacional, que só não tem o nome correto porque o governo considera politicamente incorreto por lembrar a ditadura).
Sobel afirma que o Brasil se preocupa mais em reafirmar sua independência do que com a eficiência operacional das armas importadas. É uma crítica à opção por caças franceses, tomada, entre outras razões, porque os EUA não transferem tecnologias de defesa consideradas sensíveis. Também chamou o submarino nuclear de elefante branco.
Sobel afirma que o Brasil se preocupa mais em reafirmar sua independência do que com a eficiência operacional das armas importadas. É uma crítica à opção por caças franceses, tomada, entre outras razões, porque os EUA não transferem tecnologias de defesa consideradas sensíveis. Também chamou o submarino nuclear de elefante branco.
• Os EUA veem ainda uma atitude paranoica em defesa da Amazônia.
• Os EUA entendem que Sarkozy usa a mulher popstar para fortalecer a relação com o Brasil e atribui a opção pelos caças franceses.
• O presidente da Bolívia, Evo Morales, desmente que tenha um tumor na cabeça, afirmação atribuída pelos EUA ao ministro da Defesa, Nelson Jobim.
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Defesa deve ter uma dimensão sul-americana
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, inicia no Chile em 3 de dezembro uma série de contatos com seus colegas da América do Sul para dar uma dimensão regional à política de defesa.
Na sua opinião, é preciso definir se o Brasil vai ser ou não protagonista. Com a aspiração a um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o país precisa assumir responsabilidades internacionais, como faz na missão de paz da ONU no Haiti.
"Historicamente, o Brasil ficou de costas para a América Hispânica, pelo menos até 1946", lembrou o ministro na 4ª Conferência do Forte de Copacabana, organizada pela União Européia, a Fundação Konrad Adenauer, o Centro de Estudos das Américas da Universidade Cândido Mendes, a Cátedra Mercosul da Sciences Po (Faculdade de Ciência Políticas de Paris) e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Centro Brasileiro de Relações Internacionais). "Precisamos ser um pólo das decisões mundiais. Para isso, precisamos de uma formulação continental, uma integração das políticas de defesa".
Jobim disse ter encontrado os ministros da Defesa da Argentina, Nilda Garré, e do Chile, José Goñi, no Haiti, onde também fazem parte da missão da ONU. Explicou que vai começar seus contatos regionais pelo Chile porque a Argentina está em transição do governo Néstor Kirchner para o de sua mulher, Cristina Kirchner, que agora já confirmou Nilda Garré no cargo.
Na sua opinião, é preciso definir se o Brasil vai ser ou não protagonista. Com a aspiração a um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o país precisa assumir responsabilidades internacionais, como faz na missão de paz da ONU no Haiti.
"Historicamente, o Brasil ficou de costas para a América Hispânica, pelo menos até 1946", lembrou o ministro na 4ª Conferência do Forte de Copacabana, organizada pela União Européia, a Fundação Konrad Adenauer, o Centro de Estudos das Américas da Universidade Cândido Mendes, a Cátedra Mercosul da Sciences Po (Faculdade de Ciência Políticas de Paris) e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Centro Brasileiro de Relações Internacionais). "Precisamos ser um pólo das decisões mundiais. Para isso, precisamos de uma formulação continental, uma integração das políticas de defesa".
Jobim disse ter encontrado os ministros da Defesa da Argentina, Nilda Garré, e do Chile, José Goñi, no Haiti, onde também fazem parte da missão da ONU. Explicou que vai começar seus contatos regionais pelo Chile porque a Argentina está em transição do governo Néstor Kirchner para o de sua mulher, Cristina Kirchner, que agora já confirmou Nilda Garré no cargo.
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Jobim quer amplo debate sobre política de defesa
Ao abrir a 4ª Conferência do Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, prometeu nesta quinta-feira reaparelhar as Forças Armadas depois de definir uma nova política de defesa nacional, fortalecer a indústria nacional do setor, e só importar armas e equipamentos de países que aceitarem transferir tecnologia para evitar possíveis problemas no futuro. Na prática, isso exclui os Estados Unidos, que em princípio recusam-se a transferir tecnologia.
O ministro fez questão de deixar claro que qualquer política de defesa nacional será dissuasória porque o Brasil não tem ambições imperialistas e expansionistas, nem disputas de fronteiras: o Barão do "Rio Branco arquivou esse problema".
Jobim revelou que o ministro para Ações de Longo Prazo, Roberto Mangabeira Unger, foi à Índia e à Rússia, e no momento está na França, examinando as possibilidades de negócios para reequipar o Exército, a Marinha e a Aeronáutica: "Em janeiro, vamos juntos aos EUA".
Antes de comprar, ele entende ser necessário redefinir a política de defesa nacional num amplo debate com os militares e a sociedade civil. Só sabendo o que o Brasil quer das Forças Armadas será possível adquirir as armas e equipamentos adequados.
É essencial desenvolver a indústria nacional de defesa: "Temos de produzir insumos, fazer um ajuste com o setor privado e criar uma política de compras públicas, mesmo que o produto nacional seja inferior e mais caro, para estimular o desenvolvimento".
O ministro lamentou que, logo após o fim do regime militar, a desconfiança entre civis e militares tenha impedido um debate maduro sobre as questões de defesa na Assembléia Nacional Constituinte. Havia, por exemplo, "uma brutal oposição do Projeto Calha Norte", de defesa da Amazônia, visto com suspeita pelos constituintes como se fosse apenas mais uma forma de consolidação do poder militar.
"É preciso formular as hipóteses operacionais para proteção e monitoramento do território, do espaço aéreo e do mar territorial", explicou Jobim. A partir daí será possível decidir que tipo de Forças Armadas, com que objetivos e como aparelhá-las para cumprir sua missão.
"Precisamos ter capacidade para produzir a paz internacional. Precisamos de um submarino com propulsão nuclear para proteger o que a Marinha chama de Amazônia azul" (o mar territorial brasileiro tem uma área quase do tamanho da Amazônia), declarou o ministro da Defesa.
Isso é ainda mais importante, acrescentou, com a nova descoberta de petróleo na plataforma continental: "No momento, em que você tem uma grande riqueza nacional no Atlântico, temos de ter condições de protegê-la." Fez uma pausa e emendou: "Não da invasão de qualquer país apenas, mas de ações que possam vir da área do terror. E para isso nós precisamos da propulsão nuclear".
Ninguém precisa de submarinos para combater terroristas. O alvo mais evidente de uma operação dessas seria os EUA, especialmente para quem acredita que a invasão do Iraque foi por causa do petróleo. Mas o ministro não pode dizer isso.
"A energia nuclear não é para bomba atômica. Isso é bobagem", declarou Jobim.
Na Constituição, as funções das Forças Armadas são duas, explicou o ministro: defesa nacional e garantia da lei e da ordem.
Com sua liderança na missão internacional de paz das Nações Unidas no Haiti, observou Jobim, as Forças Armadas brasileiras mostraram "capacidade de operar em áreas urbanas para maner a lei e a ordem". Para que façam o mesmo no Brasil, é preciso mudar o "estatuto jurídico da tropa".
No Haiti, os militares brasileiros têm a cobertura da Carta da ONU. Aqui, em 1994, no final do governo Itamar Franco, "vários soldados foram processados" por sua atuação na segurança interna.
O ministro fez questão de deixar claro que qualquer política de defesa nacional será dissuasória porque o Brasil não tem ambições imperialistas e expansionistas, nem disputas de fronteiras: o Barão do "Rio Branco arquivou esse problema".
Jobim revelou que o ministro para Ações de Longo Prazo, Roberto Mangabeira Unger, foi à Índia e à Rússia, e no momento está na França, examinando as possibilidades de negócios para reequipar o Exército, a Marinha e a Aeronáutica: "Em janeiro, vamos juntos aos EUA".
Antes de comprar, ele entende ser necessário redefinir a política de defesa nacional num amplo debate com os militares e a sociedade civil. Só sabendo o que o Brasil quer das Forças Armadas será possível adquirir as armas e equipamentos adequados.
É essencial desenvolver a indústria nacional de defesa: "Temos de produzir insumos, fazer um ajuste com o setor privado e criar uma política de compras públicas, mesmo que o produto nacional seja inferior e mais caro, para estimular o desenvolvimento".
O ministro lamentou que, logo após o fim do regime militar, a desconfiança entre civis e militares tenha impedido um debate maduro sobre as questões de defesa na Assembléia Nacional Constituinte. Havia, por exemplo, "uma brutal oposição do Projeto Calha Norte", de defesa da Amazônia, visto com suspeita pelos constituintes como se fosse apenas mais uma forma de consolidação do poder militar.
"É preciso formular as hipóteses operacionais para proteção e monitoramento do território, do espaço aéreo e do mar territorial", explicou Jobim. A partir daí será possível decidir que tipo de Forças Armadas, com que objetivos e como aparelhá-las para cumprir sua missão.
"Precisamos ter capacidade para produzir a paz internacional. Precisamos de um submarino com propulsão nuclear para proteger o que a Marinha chama de Amazônia azul" (o mar territorial brasileiro tem uma área quase do tamanho da Amazônia), declarou o ministro da Defesa.
Isso é ainda mais importante, acrescentou, com a nova descoberta de petróleo na plataforma continental: "No momento, em que você tem uma grande riqueza nacional no Atlântico, temos de ter condições de protegê-la." Fez uma pausa e emendou: "Não da invasão de qualquer país apenas, mas de ações que possam vir da área do terror. E para isso nós precisamos da propulsão nuclear".
Ninguém precisa de submarinos para combater terroristas. O alvo mais evidente de uma operação dessas seria os EUA, especialmente para quem acredita que a invasão do Iraque foi por causa do petróleo. Mas o ministro não pode dizer isso.
"A energia nuclear não é para bomba atômica. Isso é bobagem", declarou Jobim.
Na Constituição, as funções das Forças Armadas são duas, explicou o ministro: defesa nacional e garantia da lei e da ordem.
Com sua liderança na missão internacional de paz das Nações Unidas no Haiti, observou Jobim, as Forças Armadas brasileiras mostraram "capacidade de operar em áreas urbanas para maner a lei e a ordem". Para que façam o mesmo no Brasil, é preciso mudar o "estatuto jurídico da tropa".
No Haiti, os militares brasileiros têm a cobertura da Carta da ONU. Aqui, em 1994, no final do governo Itamar Franco, "vários soldados foram processados" por sua atuação na segurança interna.
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