Em reunião de chanceleres realizada hoje em São Paulo, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) decidiu por unanimidade suspender a participação da Venezuela por violar a cláusula democrática do bloco comercial.
A medida tem poucas consequências práticas. A Venezuela estava excluída do Mercosul desde o fim do ano passado por não ter internalizado as regras do bloco onde entrou pela janela em 2012.
Na época, numa manobra oportunista, as então presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner, aproveitaram a suspensão do Paraguai por causa do impeachment do presidente Fernando Lugo sem direito de defesa para colocar a Venezuela no Mercosul.
A Venezuela tinha pedido associação em 2006, mas o Congresso do Paraguai nunca ratificou o ingresso. Ao contrário do que acontece em blocos regionais de sucesso como a União Europeia, a Venezuela não negociou previamente a adesão às regras do bloco comercial. Isso foi usado pelos governos direitistas de Mauricio Macri, na Argentina, e Michel Temer, no Brasil, para suspender a Venezuela em 2016.
Agora, houve "ruptura da ordem democrática". A Venezuela só volta ao bloco quando acabar a ditadura imposta pela Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada pelo ditador Nicolás Maduro.
"Na Venezuela, não há democracia e sem democracia não se faz parte do Mercosul", declarou o chanceler argentino, Jorge Faurie. "É uma sanção grave, de natureza política", comentou o ministro brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira. "O objetivo é ter uma transição pacífica e a libertação de todos os presos políticos. Queremos que a Venezuela reencontre a democracia."
Aparentemente, o bloco perdeu a capacidade de mediar a crise venezuelana.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 5 de agosto de 2017
terça-feira, 4 de outubro de 2016
EUA rompem diálogo com a Rússia sobre a guerra civil na Síria
Diante da intensificação dos bombardeios da Força Aérea da Rússia na Batalha de Alepo, o secretário de Estado americano, John Kerry, anunciou ontem o rompimento do diálogo com Moscou na busca de uma solução negociada para a guerra civil na Síria.
"Juntos, a Rússia e a Síria rejeitaram a diplomacia e parecem continuar perseguindo uma vitória militar sobre corpos destroçados, hospitais bombardeados e crianças traumatizadas numa terra que sofre há muito tempo", desabafou Kerry, citado pelo jornal The New York Times.
Os militares dos dois países vão manter o contato para evitar choques durante "operações antiterrorismo na Síria", esclareceram porta-vozes da diplomacia dos Estados Unidos.
Depois de um breve cessar-fogo no mês passado, a ditadura de Bachar Assad e sua aliada Rússia voltam a apostar numa vitória militar do regime sírio. Em 28 de setembro, o secretário Kerry advertiu o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, que suspenderia o diálogo se o assalto a Alepo não parasse.
A Rússia rejeitou as exigências e acusou os EUA de apoiar terroristas na Síria. O regime de Assad acusa todos os inimigos de terrorismo, embora o maior terrorista na guerra civil síria seja ele, se considerarmos que terrorismo é um ataque indiscriminado contra civis inocentes escolhidos ao acaso para quebrar a fibra moral do inimigo.
Para não entregar o poder, Assad destruiu seu próprio país com a ajuda do Irã e da Rússia, e a conivência indiferente da sociedade internacional.
O Brasil votou sistematicamente com a China e a Rússia no Conselho de Segurança das Nações Unidas, evitando a condenação do regime sírio sob a alegação de que serviria de pretexto para uma intervenção militar como a que derrubou o ditador Muamar Kadafi na Líbia.
Quando o presidente Barack Obama mandou a Força Aérea dos EUA bombardear a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante para impedir o genocídio do povo yazidi, em agosto de 2014, a então presidente Dilma Rousseff propôs diálogo durante uma entrevista coletiva em Nova York durante a Assembleia Geral da ONU. Com o Estado Islâmico?
A responsabilidade do presidente Barack Obama também não pode ser ignorada. O presidente americano ameaçou bombardear as forças do regime se Assad usasse armas químicas na guerra.
Depois de um ataque que matou mais de mil pessoas na periferia da capital, Damasco, em agosto de 2013, Obama não cumpriu a ameaça. Aceitou um acordo mediado pela Rússia para supostamente acabar com o arsenal químico da Síria. Os ataques químicos esporádicos continuam até hoje.
Dois anos depois da hesitação de Obama, em 30 de setembro de 2015, a Força Aérea da Rússia entrou na guerra civil da Síria a pretexto de combater o terrorismo com uma política de terra arrasada semelhante à usada pelo protoditador Vladimir Putin na Guerra da Chechênia.
Na prática, a Rússia interveio para sustentar o regime e voltar a ser um ator geopolítico importante no Oriente Médio, o que a antiga União Soviética deixara de ser em 1977, quando o então presidente do Egito, Anuar Sadat, abandonou Moscou e se aliou a Washington para recuperar a Península do Sinai, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
No momento, há pouco que os EUA possam fazer além de criticar a Rússia. Não vão correr o risco de uma guerra nuclear para defender a Síria. Mas junto com seus aliados na região vão continuar armando alguns grupos rebeldes ditos moderados.
Com a revolta da maioria sunita contra Assad, é altamente improvável uma paz estável na Síria sem a saída do ditador e o objetivo da guerra civil desde o começo é manter Assad no poder. A tragédia síria continua.
"Juntos, a Rússia e a Síria rejeitaram a diplomacia e parecem continuar perseguindo uma vitória militar sobre corpos destroçados, hospitais bombardeados e crianças traumatizadas numa terra que sofre há muito tempo", desabafou Kerry, citado pelo jornal The New York Times.
Os militares dos dois países vão manter o contato para evitar choques durante "operações antiterrorismo na Síria", esclareceram porta-vozes da diplomacia dos Estados Unidos.
Depois de um breve cessar-fogo no mês passado, a ditadura de Bachar Assad e sua aliada Rússia voltam a apostar numa vitória militar do regime sírio. Em 28 de setembro, o secretário Kerry advertiu o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, que suspenderia o diálogo se o assalto a Alepo não parasse.
A Rússia rejeitou as exigências e acusou os EUA de apoiar terroristas na Síria. O regime de Assad acusa todos os inimigos de terrorismo, embora o maior terrorista na guerra civil síria seja ele, se considerarmos que terrorismo é um ataque indiscriminado contra civis inocentes escolhidos ao acaso para quebrar a fibra moral do inimigo.
Para não entregar o poder, Assad destruiu seu próprio país com a ajuda do Irã e da Rússia, e a conivência indiferente da sociedade internacional.
O Brasil votou sistematicamente com a China e a Rússia no Conselho de Segurança das Nações Unidas, evitando a condenação do regime sírio sob a alegação de que serviria de pretexto para uma intervenção militar como a que derrubou o ditador Muamar Kadafi na Líbia.
Quando o presidente Barack Obama mandou a Força Aérea dos EUA bombardear a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante para impedir o genocídio do povo yazidi, em agosto de 2014, a então presidente Dilma Rousseff propôs diálogo durante uma entrevista coletiva em Nova York durante a Assembleia Geral da ONU. Com o Estado Islâmico?
A responsabilidade do presidente Barack Obama também não pode ser ignorada. O presidente americano ameaçou bombardear as forças do regime se Assad usasse armas químicas na guerra.
Depois de um ataque que matou mais de mil pessoas na periferia da capital, Damasco, em agosto de 2013, Obama não cumpriu a ameaça. Aceitou um acordo mediado pela Rússia para supostamente acabar com o arsenal químico da Síria. Os ataques químicos esporádicos continuam até hoje.
Dois anos depois da hesitação de Obama, em 30 de setembro de 2015, a Força Aérea da Rússia entrou na guerra civil da Síria a pretexto de combater o terrorismo com uma política de terra arrasada semelhante à usada pelo protoditador Vladimir Putin na Guerra da Chechênia.
Na prática, a Rússia interveio para sustentar o regime e voltar a ser um ator geopolítico importante no Oriente Médio, o que a antiga União Soviética deixara de ser em 1977, quando o então presidente do Egito, Anuar Sadat, abandonou Moscou e se aliou a Washington para recuperar a Península do Sinai, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967.
No momento, há pouco que os EUA possam fazer além de criticar a Rússia. Não vão correr o risco de uma guerra nuclear para defender a Síria. Mas junto com seus aliados na região vão continuar armando alguns grupos rebeldes ditos moderados.
Com a revolta da maioria sunita contra Assad, é altamente improvável uma paz estável na Síria sem a saída do ditador e o objetivo da guerra civil desde o começo é manter Assad no poder. A tragédia síria continua.
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terça-feira, 30 de agosto de 2016
Bolívia vai retirar embaixador do Brasil se Dilma for impedida
Em nota no Twitter, o presidente Evo Morales escreveu hoje que, "se prospera o golpe parlamentar contra o governo democrático de Dilma Rousseff, a Bolívia convocará seu embaixador. Defendamos a democracia e a paz", informou o jornal boliviano La Razón.
A retirada do embaixador José Kinn Franco seria um gesto usado com frequência para manifestar descontentamento nas relações diplomáticas. Morales também pode pedir explicações ao embaixador brasileiro em La Paz.
Uma resposta mais dura seria rebaixar as relações bilaterais, retirando o embaixador permanentemente, um passo antes do rompimento de relações diplomáticas.
Morales já havia se manifestado ontem contra o processo de impeachment: "O único juiz que pode sancionar sua conduta política é o povo, os outros cumprem o vergonhoso encargo do Império. Força, Dilma!"
Morales faz parte da ala mais radical do chavismo, que vê todos os problemas da América Latina como conspirações do imperialismo americano. Como o Partido dos Trabalhadores, está preso na armadilha ideológica da Guerra Fria.
Nas relações com o Brasil, além de ocupar militarmente a estatizar instalações da Petrobrás na Bolívia, Morales negou salvo-conduto ao senador boliviano Roger Pinto Molina, refugiado na embaixada brasileira em La Paz. Um diplomata brasileiro retirou pessoalmente o senador do país e o trouxe para o Brasil, gerando uma crise entre os dois países.
A retirada do embaixador José Kinn Franco seria um gesto usado com frequência para manifestar descontentamento nas relações diplomáticas. Morales também pode pedir explicações ao embaixador brasileiro em La Paz.
Uma resposta mais dura seria rebaixar as relações bilaterais, retirando o embaixador permanentemente, um passo antes do rompimento de relações diplomáticas.
Morales já havia se manifestado ontem contra o processo de impeachment: "O único juiz que pode sancionar sua conduta política é o povo, os outros cumprem o vergonhoso encargo do Império. Força, Dilma!"
Morales faz parte da ala mais radical do chavismo, que vê todos os problemas da América Latina como conspirações do imperialismo americano. Como o Partido dos Trabalhadores, está preso na armadilha ideológica da Guerra Fria.
Nas relações com o Brasil, além de ocupar militarmente a estatizar instalações da Petrobrás na Bolívia, Morales negou salvo-conduto ao senador boliviano Roger Pinto Molina, refugiado na embaixada brasileira em La Paz. Um diplomata brasileiro retirou pessoalmente o senador do país e o trouxe para o Brasil, gerando uma crise entre os dois países.
sábado, 19 de dezembro de 2015
Brasil veta embaixador designado por Israel
Depois de chamar o Brasil de "anão diplomático", o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, indicou em 5 de agosto um novo embaixador em Brasília, Dani Dayan, rejeitado pelo governo Dilma Rousseff por ser líder dos colonos assentados ilegalmente nos territórios árabes ocupados. O prazo-limite é o Natal, revelou na semana passada o jornal The Times of Israel.
A nomeação de Dayan foi elogiada até mesmo pelo Partido Trabalhista, de esquerda, favorável a uma paz negociada com a criação de um Estado Nacional para o povo palestino, com a retirada israelense dos territórios árabes ocupados na Guerra dos Seis Dias, em
Imediatamente, no Brasil e em Israel, começou um movimento para pressionar o governo brasileiro a rejeitar a indicação. Em 20 de setembro, o mesmo jornal noticiou que a presidente Dilma Rousseff vetou Dayan, que tivera a nomeação aprovada pelo governo em 6 de setembro.
"O Brasil não vai aceitar Dayan", comentou anonimamente um ex-diplomata israelense. "Eles não nos deram nenhuma resposta, o que significa que esperam que a gente entenda a mensagem por nós mesmos. Para o Brasil, é um escândalo que mande um líder dos colonos como embaixador."
Desde a indicação, Dayan estuda português e mantém contato com organizações judaicas e parlamentares brasileiros. Terá tempo de sobra para aprender a língua, mas talvez não tenha onde usá-la.
A nomeação de Dayan foi elogiada até mesmo pelo Partido Trabalhista, de esquerda, favorável a uma paz negociada com a criação de um Estado Nacional para o povo palestino, com a retirada israelense dos territórios árabes ocupados na Guerra dos Seis Dias, em
Imediatamente, no Brasil e em Israel, começou um movimento para pressionar o governo brasileiro a rejeitar a indicação. Em 20 de setembro, o mesmo jornal noticiou que a presidente Dilma Rousseff vetou Dayan, que tivera a nomeação aprovada pelo governo em 6 de setembro.
"O Brasil não vai aceitar Dayan", comentou anonimamente um ex-diplomata israelense. "Eles não nos deram nenhuma resposta, o que significa que esperam que a gente entenda a mensagem por nós mesmos. Para o Brasil, é um escândalo que mande um líder dos colonos como embaixador."
Desde a indicação, Dayan estuda português e mantém contato com organizações judaicas e parlamentares brasileiros. Terá tempo de sobra para aprender a língua, mas talvez não tenha onde usá-la.
segunda-feira, 30 de novembro de 2015
Mundo discute mudança do clima sem esperança de acordo pra valer
Os chefes de Estado e de governo de cerca de 150 países se reúnem de hoje a 11 de dezembro de 2015 em Paris na 21ª Conferência das Partes (CoP-21) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O objetivo é chegar a um acordo para conter o aumento da temperatura média do planeta em dois graus centígrados até o fim do século 21. Mas, na melhor das hipóteses, não será um tratado de cumprimento obrigatório.
Desde o início da Revolução Industrial, na segunda metade do século 18, a temperatura média da Terra subiu 0,85ºC por causa do aumento da concentração na atmosfera de gases carbônicos produzidos pelo homem, principalmente através de queima de combustíveis fósseis como gás, carvão e petróleo.
Em 1896, o químico sueco Svante Arrhenius, que viria a ganhar o Prêmio Nobel de Química em 1903, previu que a atividade humana mudaria o clima do planeta.
A atmosfera da Terra funciona como uma espécie de estufa retendo parcialmente o calor dos raios do sol. Sem o efeito estufa, a temperatura média do planeta seria de -16ºC. Com o efeito estufa, fica em torno de 16ºC, o que favoreceu o desenvolvimento de diversas formas de vida.
O aquecimento global causado pelo homem ameaça romper o delicado equilíbrio da natureza. Deve provocar derretimento de geleiras, aumento do nível dos mares, extinção ou migração de seres vivos, e fenômenos climáticos como furacões, tornados, secas e enchentes mais violentos.
Depois da aprovação da Convenção do Clima durante a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992, a partir de 1995 são realizadas todos os anos conferências das partes para tomar as medidas contra o aquecimento global.
Em 1997, foi aprovado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países ricos e desenvolvidos se comprometeram a reduzir suas emissões de gases estufa em 5% em relação aos níveis de 1990. Essa meta não foi cumprida. O protocolo expirou em 2012 sem nenhum acordo que o substituísse.
Cerca de 10 mil delegados de 195 países e da União Europeia participam da Conferência de Paris, realizada no distrito de Le Bourget, sob a proteção de 2,8 mil policiais e soldados. Outros 6,3 mil agentes de segurança patrulham a capital francesa.
Com as manifestações proibidas por causa do estado de emergência contra o terrorismo, grupos mais radicais desafiaram a polícia da França, jogando inclusive as velas deixadas na Praça da República em homenagem aos mortos em 13 de novembro. Pelo menos 174 ativistas do movimento antiglobalização foram presos.
Um problema central no debate sobre mudança do clima é o argumento dos países em desenvolvimento e de desenvolvimento recente não consideram responsáveis por séculos de Revolução Industrial. Por isso, em Quioto, não foi imposta nenhuma obrigação aos países mais pobres para não comprometer o desenvolvimento.
Com crescimento econômico sem precedentes, nas últimas décadas, a China superou os EUA. É hoje o país mais poluidor da atmosfera, com cerca de 25% dos gases de efeito estufa, em comparação com 12% para os EUA.
Se em 1992, o então presidente americano George W. H. Bush rejeitou qualquer compromisso capaz de reduzir a competitividade da economia dos EUA, hoje Washington exige que grandes países em desenvolvimento como a China e a Índia participem de um acordo.
Na CoP-15, realizada em Copenhague, na Dinamarca, em 2009, os países ricos se comprometeram a dar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para promover a transição para uma economia de baixo carbono e mitigar os efeitos do aquecimento global. O total deste ano foi estimado em US$ 62 bilhões pelo ministro do Exterior da França, Laurent Fabius, presidente da CoP-21.
O presidente chinês, Xi Jinping, já declarou a intenção de reduzir a emissão de gases carbônicos até 2030. Até lá, falta muito tempo. Com os altíssimos índices de poluição das grandes cidades da China e da Índia, talvez seja possível convencer esses países a tomar medidas sérias antes disso.
Outra questão é que o Partido Republicano dos EUA nega qualquer responsabilidade humana pela mudança do clima. Como a oposição conservadora tem maioria no Senado, um acordo impondo metas de redução de emissões certamente será rejeitado.
Por isso, o secretário de Estado americano, John Kerry, deixou claro que os EUA não vão aceitar nenhum tratado, nenhum acordo que imponha metas de cumprimento obrigatório.
É mais provável portanto que as partes da Convenção do Clima apresentem propostas voluntárias de redução de emissões. Até agora, 183 países, responsáveis por 95% das emissões, fizeram promessas de reduzi-las, anunciou o ministro do Exterior da França, Laurent Fabius.
A presidente Dilma Rousseff chega a Paris no momento em que o Brasil enfrenta seu pior acidente ecológico com a ruptura da barragem da mineradora Samarco, parceria da Vale com a anglo-australiana BHP Billiton, em Mariana, no estado de Minas Gerais, e o desmatamento na Amazônia cresceu 16%. De agosto de 2014 a julho de 2015, a floresta perdeu 5.831 quilômetros quadrados.
Desde o início da Revolução Industrial, na segunda metade do século 18, a temperatura média da Terra subiu 0,85ºC por causa do aumento da concentração na atmosfera de gases carbônicos produzidos pelo homem, principalmente através de queima de combustíveis fósseis como gás, carvão e petróleo.
Em 1896, o químico sueco Svante Arrhenius, que viria a ganhar o Prêmio Nobel de Química em 1903, previu que a atividade humana mudaria o clima do planeta.
A atmosfera da Terra funciona como uma espécie de estufa retendo parcialmente o calor dos raios do sol. Sem o efeito estufa, a temperatura média do planeta seria de -16ºC. Com o efeito estufa, fica em torno de 16ºC, o que favoreceu o desenvolvimento de diversas formas de vida.
O aquecimento global causado pelo homem ameaça romper o delicado equilíbrio da natureza. Deve provocar derretimento de geleiras, aumento do nível dos mares, extinção ou migração de seres vivos, e fenômenos climáticos como furacões, tornados, secas e enchentes mais violentos.
Depois da aprovação da Convenção do Clima durante a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992, a partir de 1995 são realizadas todos os anos conferências das partes para tomar as medidas contra o aquecimento global.
Em 1997, foi aprovado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países ricos e desenvolvidos se comprometeram a reduzir suas emissões de gases estufa em 5% em relação aos níveis de 1990. Essa meta não foi cumprida. O protocolo expirou em 2012 sem nenhum acordo que o substituísse.
Cerca de 10 mil delegados de 195 países e da União Europeia participam da Conferência de Paris, realizada no distrito de Le Bourget, sob a proteção de 2,8 mil policiais e soldados. Outros 6,3 mil agentes de segurança patrulham a capital francesa.
Com as manifestações proibidas por causa do estado de emergência contra o terrorismo, grupos mais radicais desafiaram a polícia da França, jogando inclusive as velas deixadas na Praça da República em homenagem aos mortos em 13 de novembro. Pelo menos 174 ativistas do movimento antiglobalização foram presos.
Um problema central no debate sobre mudança do clima é o argumento dos países em desenvolvimento e de desenvolvimento recente não consideram responsáveis por séculos de Revolução Industrial. Por isso, em Quioto, não foi imposta nenhuma obrigação aos países mais pobres para não comprometer o desenvolvimento.
Com crescimento econômico sem precedentes, nas últimas décadas, a China superou os EUA. É hoje o país mais poluidor da atmosfera, com cerca de 25% dos gases de efeito estufa, em comparação com 12% para os EUA.
Se em 1992, o então presidente americano George W. H. Bush rejeitou qualquer compromisso capaz de reduzir a competitividade da economia dos EUA, hoje Washington exige que grandes países em desenvolvimento como a China e a Índia participem de um acordo.
Na CoP-15, realizada em Copenhague, na Dinamarca, em 2009, os países ricos se comprometeram a dar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para promover a transição para uma economia de baixo carbono e mitigar os efeitos do aquecimento global. O total deste ano foi estimado em US$ 62 bilhões pelo ministro do Exterior da França, Laurent Fabius, presidente da CoP-21.
O presidente chinês, Xi Jinping, já declarou a intenção de reduzir a emissão de gases carbônicos até 2030. Até lá, falta muito tempo. Com os altíssimos índices de poluição das grandes cidades da China e da Índia, talvez seja possível convencer esses países a tomar medidas sérias antes disso.
Outra questão é que o Partido Republicano dos EUA nega qualquer responsabilidade humana pela mudança do clima. Como a oposição conservadora tem maioria no Senado, um acordo impondo metas de redução de emissões certamente será rejeitado.
Por isso, o secretário de Estado americano, John Kerry, deixou claro que os EUA não vão aceitar nenhum tratado, nenhum acordo que imponha metas de cumprimento obrigatório.
É mais provável portanto que as partes da Convenção do Clima apresentem propostas voluntárias de redução de emissões. Até agora, 183 países, responsáveis por 95% das emissões, fizeram promessas de reduzi-las, anunciou o ministro do Exterior da França, Laurent Fabius.
A presidente Dilma Rousseff chega a Paris no momento em que o Brasil enfrenta seu pior acidente ecológico com a ruptura da barragem da mineradora Samarco, parceria da Vale com a anglo-australiana BHP Billiton, em Mariana, no estado de Minas Gerais, e o desmatamento na Amazônia cresceu 16%. De agosto de 2014 a julho de 2015, a floresta perdeu 5.831 quilômetros quadrados.
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terça-feira, 30 de junho de 2015
Obama: "Brasil é uma potência global"
Em entrevista na Casa Branca agora ao lado da presidente Dilma Rousseff, o presidente Barack Obama declarou que os Estados Unidos veem o Brasil como uma "potência global" e não apenas regional.
"O Brasil faz parte do Grupo dos Vinte" [maiores economias do mundo], lembrou Obama, "e é fundamental para as negociações de um acordo sobre o clima. Não é possível resolver problemas globais como a mudança do clima e o terrorismo, sem a colaboração de outros países. Dois países sempre terão diferenças", mas isso deve ser considerado normal.
Dilma considerou superado o escândalo de espionagem que a fez cancelar uma visita de Estado prevista para 2013 e declarou que o reatamento EUA-Cuba coloca as relações com a superpotência em novo patamar.
A presidente também destacou a importância econômica dos EUA e fez um paralelo entre os dois países, citando que ambos possuem grandes populações negras e um multiculturalismo em comum.
Diante dos recentes atentados atribuídos ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante fora do Oriente Médio, Dilma afirmou que a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro será realizada com amplas garantias de segurança para atletas, dirigentes, convidados e torcedores.
"O Brasil faz parte do Grupo dos Vinte" [maiores economias do mundo], lembrou Obama, "e é fundamental para as negociações de um acordo sobre o clima. Não é possível resolver problemas globais como a mudança do clima e o terrorismo, sem a colaboração de outros países. Dois países sempre terão diferenças", mas isso deve ser considerado normal.
Dilma considerou superado o escândalo de espionagem que a fez cancelar uma visita de Estado prevista para 2013 e declarou que o reatamento EUA-Cuba coloca as relações com a superpotência em novo patamar.
A presidente também destacou a importância econômica dos EUA e fez um paralelo entre os dois países, citando que ambos possuem grandes populações negras e um multiculturalismo em comum.
Diante dos recentes atentados atribuídos ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante fora do Oriente Médio, Dilma afirmou que a Olimpíada de 2016 no Rio de Janeiro será realizada com amplas garantias de segurança para atletas, dirigentes, convidados e torcedores.
quarta-feira, 24 de junho de 2015
Obama jura a Hollande que EUA não espionam presidente francês
Em conversa por telefone hoje com o presidente da França, François Hollande, o presidente Barack Obama afirmou que os Estados Unidos não o espionam, ao contrário do que revelaram ontem documentos vazados pelo sítio WikiLeaks e divulgados pelo jornal Libération.
Obama reafirmou o que prometeu pessoalmente à chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, que está "firmemente engajado contra a espionagem de aliados".
Hollande convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional ao saber, no escândalo batizados de FranceLeaks que a Agência de Segurança Nacional dos EUA escutou telefonemas dos três últimos presidentes da França: Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e o próprio Hollande. O Ministério do Exterior francês pediu explicações à embaixadora americana em Paris, Jane Hartley.
A presidente Dilma Rousseff cancelou uma visita de Estado aos EUA quando os documentos vazados pelo ex-agente Edward Snowden revelaram, em 1º de setembro de 2013, que seu telefone era grampeado pelos serviços secretos americanos. A viagem está remarcada para 27 a 30 de junho de 2015 como uma visita de governo.
A espionagem de países amigos e inimigos é prática comum e regular da diplomacia há séculos. Os EUA e Israel são aliados incondicionais, mas mantêm agentes presos por passar segredos de Estado ao amigo. É uma tradição das Nações Unidas que as grandes potências com poder de veto espionem o gabinete do secretário-geral. Mas as denúncias do WikiLeaks e de Snowden abalaram a imagem dos EUA no mundo com prejuízos para o país.
Obama reafirmou o que prometeu pessoalmente à chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, que está "firmemente engajado contra a espionagem de aliados".
Hollande convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional ao saber, no escândalo batizados de FranceLeaks que a Agência de Segurança Nacional dos EUA escutou telefonemas dos três últimos presidentes da França: Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e o próprio Hollande. O Ministério do Exterior francês pediu explicações à embaixadora americana em Paris, Jane Hartley.
A presidente Dilma Rousseff cancelou uma visita de Estado aos EUA quando os documentos vazados pelo ex-agente Edward Snowden revelaram, em 1º de setembro de 2013, que seu telefone era grampeado pelos serviços secretos americanos. A viagem está remarcada para 27 a 30 de junho de 2015 como uma visita de governo.
A espionagem de países amigos e inimigos é prática comum e regular da diplomacia há séculos. Os EUA e Israel são aliados incondicionais, mas mantêm agentes presos por passar segredos de Estado ao amigo. É uma tradição das Nações Unidas que as grandes potências com poder de veto espionem o gabinete do secretário-geral. Mas as denúncias do WikiLeaks e de Snowden abalaram a imagem dos EUA no mundo com prejuízos para o país.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
Brasil deve aproveitar reatamento EUA-Cuba para crise na Venezuela
Com a morte de um adolescente que não participava de protestos ontem pela Guarda Nacional Bolivarista, a Venezuela dá mais um passo rumo à guerra civil sem que o presidente Nicolás Maduro e a cúpula do regime chavista façam qualquer sinal de ceder às demandas políticas e econômicas da oposição. Mas há uma oportunidade: os Estados Unidos entraram hoje nas negociações entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), realizadas em Cuba.
Se o ex-secretário de Estado adjunto para a América Latina no governo George H. W. Bush (1989-93), Bernard Aronson, pode contribuir para a paz entre a Colômbia e as FARC negociada em Havana, por que não colaborar com o diálogo entre o regime chavista e a oposição venezuelana?
O grupo de amigos da Venezuela formado dentro da União das Nações da América do Sul (Unasul) por Brasil, Colômbia e Equador para mediar a crise deve convidar Cuba, pela sua proximidade com o regime chavista, e os EUA, sempre apontado como fonte de todos os males por Maduro, para participarem de uma mediação efetiva em Caracas.
Desde que chegou ao poder, Maduro já denunciou 16 tentativas de golpe de Estado contra ele. A mais recente levou à prisão do prefeito da região metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma, acusado de conspiração por assinar um documento defendendo a organização de um governo de transição de união nacional.
Em troca do fim da repressão, da libertação dos presos políticos e de uma ampla reforma econômica que adote políticas compatíveis com uma economia capitalista, a oposição daria um fôlego para Maduro até a próxima eleição presidencial ou ao menos até o prazo legal para convocar um referendo revogatório do mandato presidencial, introduzido pelo presidente Hugo Chávez (1999-2013).
É uma chance. Para avisar aos chavistas que a revolução acabou, é preciso antes que Brasília se convença disso. Uma análise feita pelo então ministro das Relações Exteriores Antonio Patriota, no primeiro governo Dilma Rousseff, citada hoje na coluna de Eliane Cantanhece nO Estado de S. Paulo, mostra que o Itamaraty já se deu conta disso: recessão, inflação galopante, grave desabastecimento e crise até mesmo nos programas sociais, as missões de Chávez.
Falta convencer a presidente e seu assessor especial para política internacional, Marco Aurélio Garcia. A alternativa é aceitar o risco de uma guerra civil junto à fronteira norte num país-sócio do Mercosul.
Se o ex-secretário de Estado adjunto para a América Latina no governo George H. W. Bush (1989-93), Bernard Aronson, pode contribuir para a paz entre a Colômbia e as FARC negociada em Havana, por que não colaborar com o diálogo entre o regime chavista e a oposição venezuelana?
O grupo de amigos da Venezuela formado dentro da União das Nações da América do Sul (Unasul) por Brasil, Colômbia e Equador para mediar a crise deve convidar Cuba, pela sua proximidade com o regime chavista, e os EUA, sempre apontado como fonte de todos os males por Maduro, para participarem de uma mediação efetiva em Caracas.
Desde que chegou ao poder, Maduro já denunciou 16 tentativas de golpe de Estado contra ele. A mais recente levou à prisão do prefeito da região metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma, acusado de conspiração por assinar um documento defendendo a organização de um governo de transição de união nacional.
Em troca do fim da repressão, da libertação dos presos políticos e de uma ampla reforma econômica que adote políticas compatíveis com uma economia capitalista, a oposição daria um fôlego para Maduro até a próxima eleição presidencial ou ao menos até o prazo legal para convocar um referendo revogatório do mandato presidencial, introduzido pelo presidente Hugo Chávez (1999-2013).
É uma chance. Para avisar aos chavistas que a revolução acabou, é preciso antes que Brasília se convença disso. Uma análise feita pelo então ministro das Relações Exteriores Antonio Patriota, no primeiro governo Dilma Rousseff, citada hoje na coluna de Eliane Cantanhece nO Estado de S. Paulo, mostra que o Itamaraty já se deu conta disso: recessão, inflação galopante, grave desabastecimento e crise até mesmo nos programas sociais, as missões de Chávez.
Falta convencer a presidente e seu assessor especial para política internacional, Marco Aurélio Garcia. A alternativa é aceitar o risco de uma guerra civil junto à fronteira norte num país-sócio do Mercosul.
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domingo, 18 de janeiro de 2015
Brasil e Holanda retiram embaixadores da Indonésia
Em protesto contra a execução de seus cidadãos condenados à morte por tráfico de drogas, o Brasil e a Holanda retiraram seus embaixadores em Jacarta, a capital da Indonésia.
Os dois países, que não aceitam a pena de morte, fizeram apelos até a última hora, ignorados pelo presidente indonésio, Joko Widodo, eleito em julho de 2014 com 53% votos ao prometer, entre outras coisas, morte para traficantes. A presidente Dilma Rousseff recorreu até ao papa Francisco, sem sucesso.
Seis condenados foram fuzilados ontem na Indonésia por tráfico de drogas, cinco no complexo prisional de Nusakambangan, a 400 quilômetros da capital, inclusive o brasileiro e um holandês.
Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, era instrutor de voo livre e traficava drogas há anos na rota Rio-Amsterdã-Báli, informa a Folha de S. Paulo. Foi preso em 2003 tentando entrar no país com 13,4 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta. No ano seguinte, foi condenado à morte. Desde então, tentou todos os recursos possíveis.
Maior país muçulmano do mundo, com 250 milhões de habitantes, a Indonésia é um arquipélago de 17 mil ilhas, sendo 6,6 mil habitadas, que se estende por 5 mil quilômetros entre os oceanos Índico e Pacífico.
Sua história foi marcada por um golpe anticomunista contra o fundador do país, Ahmed Sukarno, seguido de uma violenta repressão em que foram mortas de 500 a mil a 1 milhão de pessoas, em 1965 e 1966. A tragédia é contada no filme O Ano em que Vivemos Perigosamente.
O golpe levou ao poder o general Mohamed Suharto, que governou o país com mão de ferro até ser deposto numa revolta popular, em maio de 1998, em meio a uma revolta popular deflagrada pela crise econômica da Ásia. Era o início de uma lenta transição para a democracia.
Sob pressão internacional, em 1999, a Indonésia aceitou a independência do Timor Leste, uma ex-colônia portuguesa ocupada desde 1975. Uma força internacional de paz formada principalmente por australianos ocupou o lado não indonésio da ilha, mas muita gente não aceitou, especialmente os radicais islamitas.
Em 12 de outubro de 2002, um atentado terrorista cometido por extremistas muçulmanos matou 202 na paradisíaca (e no caso infernal) ilha de Báli, o principal destino turístico do país. Os principais alvos seriam jovens turistas australianos. Três condenados no caso foram fuzilados na mesma prisão, em 9 de novembro de 2008.
Há outro brasileiro no corredor da morte. Rodrigo Gularte, de 43 anos, foi preso em 2004 quando entrava na Indonésia com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe.
O governo brasileiro promete manter o diálogo para salvá-lo, mas o embaixador Paulo Alberto da Silveira Soares, convocado pela presidente Dilma em sinal de protesto, não tem muita esperança. Não acredita que o presidente indonésio aceite o último pedido de clemência. Gularte pode ser fuzilado em dois meses.
Os dois países, que não aceitam a pena de morte, fizeram apelos até a última hora, ignorados pelo presidente indonésio, Joko Widodo, eleito em julho de 2014 com 53% votos ao prometer, entre outras coisas, morte para traficantes. A presidente Dilma Rousseff recorreu até ao papa Francisco, sem sucesso.
Seis condenados foram fuzilados ontem na Indonésia por tráfico de drogas, cinco no complexo prisional de Nusakambangan, a 400 quilômetros da capital, inclusive o brasileiro e um holandês.
Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, era instrutor de voo livre e traficava drogas há anos na rota Rio-Amsterdã-Báli, informa a Folha de S. Paulo. Foi preso em 2003 tentando entrar no país com 13,4 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta. No ano seguinte, foi condenado à morte. Desde então, tentou todos os recursos possíveis.
Maior país muçulmano do mundo, com 250 milhões de habitantes, a Indonésia é um arquipélago de 17 mil ilhas, sendo 6,6 mil habitadas, que se estende por 5 mil quilômetros entre os oceanos Índico e Pacífico.
Sua história foi marcada por um golpe anticomunista contra o fundador do país, Ahmed Sukarno, seguido de uma violenta repressão em que foram mortas de 500 a mil a 1 milhão de pessoas, em 1965 e 1966. A tragédia é contada no filme O Ano em que Vivemos Perigosamente.
O golpe levou ao poder o general Mohamed Suharto, que governou o país com mão de ferro até ser deposto numa revolta popular, em maio de 1998, em meio a uma revolta popular deflagrada pela crise econômica da Ásia. Era o início de uma lenta transição para a democracia.
Sob pressão internacional, em 1999, a Indonésia aceitou a independência do Timor Leste, uma ex-colônia portuguesa ocupada desde 1975. Uma força internacional de paz formada principalmente por australianos ocupou o lado não indonésio da ilha, mas muita gente não aceitou, especialmente os radicais islamitas.
Em 12 de outubro de 2002, um atentado terrorista cometido por extremistas muçulmanos matou 202 na paradisíaca (e no caso infernal) ilha de Báli, o principal destino turístico do país. Os principais alvos seriam jovens turistas australianos. Três condenados no caso foram fuzilados na mesma prisão, em 9 de novembro de 2008.
Há outro brasileiro no corredor da morte. Rodrigo Gularte, de 43 anos, foi preso em 2004 quando entrava na Indonésia com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe.
O governo brasileiro promete manter o diálogo para salvá-lo, mas o embaixador Paulo Alberto da Silveira Soares, convocado pela presidente Dilma em sinal de protesto, não tem muita esperança. Não acredita que o presidente indonésio aceite o último pedido de clemência. Gularte pode ser fuzilado em dois meses.
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terça-feira, 25 de novembro de 2014
EUA intimam Petrobrás a apresentar documentos sobre escândalo
CAMBRIDGE-MA, EUA - A Comissão de Valores Mobiliários (SEC, do inglês) dos Estados Unidos intimou a Petrobrás para ter acesso aos documentos relativos ao escândalo de corrupção envolvendo a maior empresa brasileira, noticia hoje o jornal inglês Financial Times, principal diário econômico-financeiro da Europa.
A companhia admitiu ter recebido a intimação, sem entrar em detalhes. Limitou-se a dizer que vai "colaborar com as autoridades públicas americanas da mesma forma que está atendendo às autoridades brasileiras".
No início do mês, o FT informara que o Departamento da Justiça dos EUA está investigando a Petrobrás. Como a empresa vende ações na Bolsa de Valores de Nova York, está sujeita à legislação americana.
O jornal cita as acusações de que políticos do Partido dos Trabalhadores e de outros partidos aliados do governo brasileiro receberiam comissões ilegais de 3% de todos os contratos firmados pela empresa estatal brasileira. Registra ainda que o PT nega tudo, assim como a presidente Dilma Rousseff, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás de 2003 a 2010, que promete não obstruir as investigações. Também cita o atraso na divulgação do último balancete trimestral da companhia depois que a empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers se negou a assiná-lo.
Esse atraso pode dificultar o financiamento da Petrobrás no mercado até a solução do problema. De acordo com o banco americano Morgan Stanley, se o balanço não for divulgado até 30 de abril de 2015, os compradores de bônus da empresa podem cobrar US$ 57 bilhões e os bancos credores outros US$ 66 bilhões.
Em outra reportagem, o FT observa que, se as empreiteiras envolvidas forem declaradas inidôneas, obras e projetos no valor de R$ 871 bilhões podem ser paralisados, a não ser que o país contrate empresas estrangeiras. Nota ainda que o Tribunal de Contas da União sugeriu a renegociação dos contratos, mas isso pode não ser suficiente para os investidores estrangeiros.
A infraestrutura deficiente é um dos maiores problemas para o desenvolvimento do Brasil e uma das maiores oportunidades para investidores estrangeiros, comenta um analista internacional.
A companhia admitiu ter recebido a intimação, sem entrar em detalhes. Limitou-se a dizer que vai "colaborar com as autoridades públicas americanas da mesma forma que está atendendo às autoridades brasileiras".
No início do mês, o FT informara que o Departamento da Justiça dos EUA está investigando a Petrobrás. Como a empresa vende ações na Bolsa de Valores de Nova York, está sujeita à legislação americana.
O jornal cita as acusações de que políticos do Partido dos Trabalhadores e de outros partidos aliados do governo brasileiro receberiam comissões ilegais de 3% de todos os contratos firmados pela empresa estatal brasileira. Registra ainda que o PT nega tudo, assim como a presidente Dilma Rousseff, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás de 2003 a 2010, que promete não obstruir as investigações. Também cita o atraso na divulgação do último balancete trimestral da companhia depois que a empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers se negou a assiná-lo.
Esse atraso pode dificultar o financiamento da Petrobrás no mercado até a solução do problema. De acordo com o banco americano Morgan Stanley, se o balanço não for divulgado até 30 de abril de 2015, os compradores de bônus da empresa podem cobrar US$ 57 bilhões e os bancos credores outros US$ 66 bilhões.
Em outra reportagem, o FT observa que, se as empreiteiras envolvidas forem declaradas inidôneas, obras e projetos no valor de R$ 871 bilhões podem ser paralisados, a não ser que o país contrate empresas estrangeiras. Nota ainda que o Tribunal de Contas da União sugeriu a renegociação dos contratos, mas isso pode não ser suficiente para os investidores estrangeiros.
A infraestrutura deficiente é um dos maiores problemas para o desenvolvimento do Brasil e uma das maiores oportunidades para investidores estrangeiros, comenta um analista internacional.
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segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Vitória de Dilma derruba ações brasileiras nos EUA e na Europa
A reeleição da presidente Dilma Rousseff por margem estreita derrubou a cotação das empresas brasileiras com ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York.
As ações da Petrobrás caíram hoje 14,23%, enquanto a Vale perdeu 6,18% e um fundo de ações brasileiras (EWZ.P) 4,97%, noticiou, a agência Reuters.
Na Europa, o fundo Lyxor ETF Brazil, vendido na Bolsa de Paris, chegou a cair 10,4%, atingindo o menor nível em sete meses. Na Bolsa de Milão, na Itália, o mesmo fundo baixou 11,6%, enquanto o iShares MSCI Brazil ETF, negociado em Frankfurt, na Alemanha, recuou 8,8%, informou o Financial Times, principal diário econômico-financeiro do continente.
O real foi a moeda mais desvalorizada no mundo hoje. Baixou a seu menor valor em 10 anos. No mercado internacional, chegou a cair 3,1% em relação ao dólar, que fechou em R$ 2,52. No fim do dia, o jornal americano The Wall St. Journal anunciou uma alta do dólar de 2,07% em relação ao real.
As ações da Petrobrás caíram hoje 14,23%, enquanto a Vale perdeu 6,18% e um fundo de ações brasileiras (EWZ.P) 4,97%, noticiou, a agência Reuters.
Na Europa, o fundo Lyxor ETF Brazil, vendido na Bolsa de Paris, chegou a cair 10,4%, atingindo o menor nível em sete meses. Na Bolsa de Milão, na Itália, o mesmo fundo baixou 11,6%, enquanto o iShares MSCI Brazil ETF, negociado em Frankfurt, na Alemanha, recuou 8,8%, informou o Financial Times, principal diário econômico-financeiro do continente.
O real foi a moeda mais desvalorizada no mundo hoje. Baixou a seu menor valor em 10 anos. No mercado internacional, chegou a cair 3,1% em relação ao dólar, que fechou em R$ 2,52. No fim do dia, o jornal americano The Wall St. Journal anunciou uma alta do dólar de 2,07% em relação ao real.
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quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Dilma ignora terrorismo e pede diálogo com Estado Islâmico
Em mais um discurso eleitoreiro, ao abrir hoje a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, depois de elogiar os avanços sociais no seu governo, a presidente Dilma Rousseff condenou a intervenção militar dos Estados Unidos no Iraque e na Síria para combater a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).
Dilma defendeu o "diálogo" e a "negociação", como se o grupo extremista muçulmano fosse enviar delegados para negociar a paz na sede da ONU em Genebra, na Suíça. Ignorou as 193 mil mortes na guerra civil na Síria, em que o Brasil sempre se omitiu, a ameaça de genocídio do povo yazidi, a expulsão dos cristãos do Norte do Iraque e dos curdos do Norte da Síria. Alegou que o uso da força agravou os conflitos nesses dois países.
Ao presidir em seguida a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, Obama criticou "o cinismo e a indiferença quando se trata de questões humanas. Nada justifica esses atos. Não pode haver negociação. A única linguagem compreendida por assassinos como esses é a força."
A aliança militar articulada pelos EUA tem a participação direta da Arábia Saudita, do Bahrein, do Catar, dos Emirados Árabes Unidos, do Iraque, da Jordânia e da Turquia, o apoio tácito da Síria e do Irã enquanto os alvos forem milícias sunitas, e obviamente também de Israel. No mundo real, todos os governos do Oriente Médio são contra o EIIL.
Quem vai representar o Estado Islâmico? O Brasil vai se apresentar como mediador como fez com sucesso no passado, ajudando a evitar um bombardeio americano ao Iraque em 1998, quando o atual ministro da Defesa, Celso Amorim, era o embaixador na ONU?
Foram mais palavras ao vento. Dilma poderia resgatar o conceito da "responsabilidade ao proteger", que usou há dois anos no mesmo púlpito para criticar a intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia em 2011. Optou por cutucar os EUA para bancar o discurso de campanha de que o Brasil não se curva diante das grandes potências, um discurso subdesenvolvido típico do complexo de vira-lata.
Dilma defendeu o "diálogo" e a "negociação", como se o grupo extremista muçulmano fosse enviar delegados para negociar a paz na sede da ONU em Genebra, na Suíça. Ignorou as 193 mil mortes na guerra civil na Síria, em que o Brasil sempre se omitiu, a ameaça de genocídio do povo yazidi, a expulsão dos cristãos do Norte do Iraque e dos curdos do Norte da Síria. Alegou que o uso da força agravou os conflitos nesses dois países.
Ao presidir em seguida a uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, Obama criticou "o cinismo e a indiferença quando se trata de questões humanas. Nada justifica esses atos. Não pode haver negociação. A única linguagem compreendida por assassinos como esses é a força."
A aliança militar articulada pelos EUA tem a participação direta da Arábia Saudita, do Bahrein, do Catar, dos Emirados Árabes Unidos, do Iraque, da Jordânia e da Turquia, o apoio tácito da Síria e do Irã enquanto os alvos forem milícias sunitas, e obviamente também de Israel. No mundo real, todos os governos do Oriente Médio são contra o EIIL.
Quem vai representar o Estado Islâmico? O Brasil vai se apresentar como mediador como fez com sucesso no passado, ajudando a evitar um bombardeio americano ao Iraque em 1998, quando o atual ministro da Defesa, Celso Amorim, era o embaixador na ONU?
Foram mais palavras ao vento. Dilma poderia resgatar o conceito da "responsabilidade ao proteger", que usou há dois anos no mesmo púlpito para criticar a intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia em 2011. Optou por cutucar os EUA para bancar o discurso de campanha de que o Brasil não se curva diante das grandes potências, um discurso subdesenvolvido típico do complexo de vira-lata.
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terça-feira, 6 de maio de 2014
ONG denuncia tortura e repressão na Venezuela
Com brutalidade policial, tortura e ataques de milícias aliadas, o governo da Venezuela está atropelando os direitos humanos para reprimir a onda de manifestações contra o regime chavista do presidente Nicolás Maduro, denunciou ontem a organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos).
Pelo menos 40 pessoas foram mortas pela violência política desde 12 de fevereiro de 2014. A ONG cobra uma atuação mais decisiva da União das Nações Sul-Americanas (Unasul)
Ao combater os protestos da oposição, a polícia e a Guarda Nacional Bolivariana usam tanto armas letais quanto de efeito moral indiscriminadamente, além de espancar os manifestantes, diz o relatório Punidos por protestar: violações de direitos nas ruas, centros de detenção e no sistema judicial da Venezuela. Há prisões sem provas, justificativas ou mandado judicial. Os detidos são submetidos a torturas com choques e queimaduras.
"Chamam a atenção a virulência e a brutalidade da repressão, o fato de ser prolongada, o uso de civis armados, a negação do que está ocorrendo e a conivência da Justiça, especialmente do Ministério Público", declarou José Miguel Vivanco, diretor da HRW para a América. "É uma anomalia. Há comentários do presidente amplamente documentados que podem ser identificados como incitação à violência. Não é possível que ele não saiba o que está acontecendo."
As milícias chavistas agem com total liberdade e impunidade, acrescenta o relatório. Há pelo menos 13 casos de jornalistas perseguidos e agredidos, e suas fotos e vídeos, destruídas. O Poder Judiciário, dominado pelo regime, realiza julgamentos de madrugada. Não respeita prazos nem o direito à ampla defesa.
"Não são raras as manifestações por melhores condições de vida na região, como aconteceu no ano passado no Brasil, no Chile e no México. Também não é raro o uso excessivo da força pela polícia como aconteceu no Brasil, no Chile, no México e na Colômbia. Mas, quando houve excessos, presidente democráticos como Dilma Rousseff condenaram claramente a violação dos direitos humanos, uma situação bem distinta dos governantes da Venezuela", observou Vivanco.
Com a hiperinflação, o desabastecimento, um dos maiores índices de homicídio do mundo e agora também a violência política quotidiana, oito em cada vez venezuelanos consideram ruim a situação do país. A aprovação a Maduro caiu de 47% no início de fevereiro, antes do início da onda de protestos, para 37% em abril.
Para a HRW, o apoio do ex-presidente Lula à eleição de Maduro, em 2013, e o entusiasmo do assessor especial da Presidência da República para questões internacionais, Marco Aurélio Garcia, com os governos bolivaristas do subcontinente criam "sérios problemas de crebilidade" para a política externa brasileira.
Pelo menos 40 pessoas foram mortas pela violência política desde 12 de fevereiro de 2014. A ONG cobra uma atuação mais decisiva da União das Nações Sul-Americanas (Unasul)
Ao combater os protestos da oposição, a polícia e a Guarda Nacional Bolivariana usam tanto armas letais quanto de efeito moral indiscriminadamente, além de espancar os manifestantes, diz o relatório Punidos por protestar: violações de direitos nas ruas, centros de detenção e no sistema judicial da Venezuela. Há prisões sem provas, justificativas ou mandado judicial. Os detidos são submetidos a torturas com choques e queimaduras.
"Chamam a atenção a virulência e a brutalidade da repressão, o fato de ser prolongada, o uso de civis armados, a negação do que está ocorrendo e a conivência da Justiça, especialmente do Ministério Público", declarou José Miguel Vivanco, diretor da HRW para a América. "É uma anomalia. Há comentários do presidente amplamente documentados que podem ser identificados como incitação à violência. Não é possível que ele não saiba o que está acontecendo."
As milícias chavistas agem com total liberdade e impunidade, acrescenta o relatório. Há pelo menos 13 casos de jornalistas perseguidos e agredidos, e suas fotos e vídeos, destruídas. O Poder Judiciário, dominado pelo regime, realiza julgamentos de madrugada. Não respeita prazos nem o direito à ampla defesa.
"Não são raras as manifestações por melhores condições de vida na região, como aconteceu no ano passado no Brasil, no Chile e no México. Também não é raro o uso excessivo da força pela polícia como aconteceu no Brasil, no Chile, no México e na Colômbia. Mas, quando houve excessos, presidente democráticos como Dilma Rousseff condenaram claramente a violação dos direitos humanos, uma situação bem distinta dos governantes da Venezuela", observou Vivanco.
Com a hiperinflação, o desabastecimento, um dos maiores índices de homicídio do mundo e agora também a violência política quotidiana, oito em cada vez venezuelanos consideram ruim a situação do país. A aprovação a Maduro caiu de 47% no início de fevereiro, antes do início da onda de protestos, para 37% em abril.
Para a HRW, o apoio do ex-presidente Lula à eleição de Maduro, em 2013, e o entusiasmo do assessor especial da Presidência da República para questões internacionais, Marco Aurélio Garcia, com os governos bolivaristas do subcontinente criam "sérios problemas de crebilidade" para a política externa brasileira.
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terça-feira, 25 de março de 2014
S&P rebaixa nota de crédito do Brasil
Por causa do baixo crescimento e da deterioração das contas públicas e da balança comercial, a agência de classficação de risco Standard & Poor's rebaixou ontem a nota de crédito da dívida soberana do Brasil em um grau, de BBB para BBB-, deixando-a apenas um nível acima do limite entre grau de investimento e investimento especulativo.
A S&P ainda manifestou preocupações com a inflação e a crise energética. As empresas estatais Petrobrás e Eletrobrás também foram rebaixados.
Quando os títulos da dívida pública de um país são rebaixados, os juros cobrados para emprestar dinheiro para e o governo e as empresas sobem. Se não tem grau de investimento, os fundos de pensão, que aplicam dinheiro para aposentadoria, são proibidos pelas legislações de vários países de aplicar nesses fundos.
Como observou o economista americano Paul Krugman em palestra recente no Brasil, a situação econômica do país não pode ser comparada com a crise permanente anterior ao Plano Real. O Brasil passou bem pela Grande Recessão de 2008-9. Mas houve uma grande deterioração das expectativas quanto ao futuro imediato da economia brasileira.
Na década passada, embalado pelo extraordinário crescimento da China, no governo Lula, o Brasil cresceu numa taxa média superior a 4% ao ano, aliás, a meta prometida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nos primeiros anos do governo Dilma Rousseff.
A revista inglesa The Economist já pediu várias vezes a cabeça do ministro Mantega. Dilma se nega a demiti-lo porque diz não aceitar pressões de uma publicação estrangeira. Na verdade, a verdadeira ministra da Economia é a presidente, que incluiu no seu Currículo Lattes um doutorado que não completou.
Foi Dilma quem decidiu baixar a taxa básica de juros na marra, apesar do risco inflacionário, e ainda disse que estava mais preocupada com o desemprego do que com os preços, mostrando leniência com a inflação. Foi Dilma quem reduziu as tarifas de energia elétrica deixando um rombo de R$ 18 bilhões que será pago pelo consumidor.
Agora, sabemos também que Dilma não se manifestou contra negócios ruinosos da Petrobrás, cujo conselho presidia como ministra-chefe da Casa Civil de Lula. Sob os governos petistas, a Petrobrás e a Eletrobrás perderam US$ 100 bilhões. O país ficou mais pobre. A empresa estatal de petróleo caiu de 12ª para 120ª maior empresa do mundo.
O Brasil não vai tão mal assim, mas as expectativas de desenvolvimento pioraram muito. Bastou boato de que os candidatos da oposição cresceriam na última pesquisa do Ibope para a Bolsa de Valores de São Paulo ter forte alta. Em outras palavras, na visão de empresários e investidores, a crise é Dilma.
Para gerar os empregos necessários para absorver os milhões de jovens que entram a cada ano no mercado de trabalho e resgatar a dívida social com a população carente, o Brasil precisa crescer a taxas de 5% ao ano. Com a economia dilmista, foi continuar se arrastando, perdendo competitividade e se desindustrializando.
Mas, como o povo vota com a mão no bolso, enquanto a maioria da população não sentir os efeitos da crise na inflação, no salário e no emprego, a presidente será favorita à reeleição.
A S&P ainda manifestou preocupações com a inflação e a crise energética. As empresas estatais Petrobrás e Eletrobrás também foram rebaixados.
Quando os títulos da dívida pública de um país são rebaixados, os juros cobrados para emprestar dinheiro para e o governo e as empresas sobem. Se não tem grau de investimento, os fundos de pensão, que aplicam dinheiro para aposentadoria, são proibidos pelas legislações de vários países de aplicar nesses fundos.
Como observou o economista americano Paul Krugman em palestra recente no Brasil, a situação econômica do país não pode ser comparada com a crise permanente anterior ao Plano Real. O Brasil passou bem pela Grande Recessão de 2008-9. Mas houve uma grande deterioração das expectativas quanto ao futuro imediato da economia brasileira.
Na década passada, embalado pelo extraordinário crescimento da China, no governo Lula, o Brasil cresceu numa taxa média superior a 4% ao ano, aliás, a meta prometida pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, nos primeiros anos do governo Dilma Rousseff.
A revista inglesa The Economist já pediu várias vezes a cabeça do ministro Mantega. Dilma se nega a demiti-lo porque diz não aceitar pressões de uma publicação estrangeira. Na verdade, a verdadeira ministra da Economia é a presidente, que incluiu no seu Currículo Lattes um doutorado que não completou.
Foi Dilma quem decidiu baixar a taxa básica de juros na marra, apesar do risco inflacionário, e ainda disse que estava mais preocupada com o desemprego do que com os preços, mostrando leniência com a inflação. Foi Dilma quem reduziu as tarifas de energia elétrica deixando um rombo de R$ 18 bilhões que será pago pelo consumidor.
Agora, sabemos também que Dilma não se manifestou contra negócios ruinosos da Petrobrás, cujo conselho presidia como ministra-chefe da Casa Civil de Lula. Sob os governos petistas, a Petrobrás e a Eletrobrás perderam US$ 100 bilhões. O país ficou mais pobre. A empresa estatal de petróleo caiu de 12ª para 120ª maior empresa do mundo.
O Brasil não vai tão mal assim, mas as expectativas de desenvolvimento pioraram muito. Bastou boato de que os candidatos da oposição cresceriam na última pesquisa do Ibope para a Bolsa de Valores de São Paulo ter forte alta. Em outras palavras, na visão de empresários e investidores, a crise é Dilma.
Para gerar os empregos necessários para absorver os milhões de jovens que entram a cada ano no mercado de trabalho e resgatar a dívida social com a população carente, o Brasil precisa crescer a taxas de 5% ao ano. Com a economia dilmista, foi continuar se arrastando, perdendo competitividade e se desindustrializando.
Mas, como o povo vota com a mão no bolso, enquanto a maioria da população não sentir os efeitos da crise na inflação, no salário e no emprego, a presidente será favorita à reeleição.
sexta-feira, 21 de março de 2014
Brasil se omite nas crises internacionais
Um país que ambiciona ser membro permanente do Conselho de
Segurança das Nações Unidas, como o Brasil, deveria se manifestar em todas as situações de risco à paz, a
começar pela guerra civil na Síria, em que a omissão é cruel e injustificável diante de 140 mil mortes nos últimos três anos.
De que adianta a "responsabilidade ao proteger" defendida pela presidente Dilma Rousseff num de seus pronunciamentos na Assembleia Geral da ONU, se a sociedade internacional não consegue articular uma proposta de solução para a guerra civil síria?
De que adianta a "responsabilidade ao proteger" defendida pela presidente Dilma Rousseff num de seus pronunciamentos na Assembleia Geral da ONU, se a sociedade internacional não consegue articular uma proposta de solução para a guerra civil síria?
No caso da Ucrânia, há o medo de ferir a sensibilidade do novo czar de todas as Rússias, Vladimir Putin, nosso sócio no heterogêneo grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Bastaria reafirmar dois princípios
básicos da política externa brasileira: o repúdio ao uso da força para resolver
conflitos e mudar fronteiras; e a consequente defesa de uma solução negociada
política e diplomaticamente. Uma simples declaração ou reafirmação de
princípios.
A maior omissão é na Venezuela, onde a crise se agrava.
Ao votar contra a proposta do Panamá para discutir a crise venezuelana na Organização dos Estados Americanos (OEA), o Brasil reafirmou sua posição resolver as crises da América Latina entre os latino-americanos.
Até aí, tudo bem. Mas a nota da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) limitou-se a apoiar o presidente Nicolás Maduro, avalizando a violenta repressão policial contra as manifestações de protesto.
Aparentemente o Brasil e os aliados de Maduro apostaram no esvaziamento das manifestações de protesto. Com inflação de 56%, desabastecimento de 28% das mercadorias, altas taxas de criminalidade e a violência das milícias chavistas e de grupos da oposição, isso não vai acontecer, só com um grande diálogo nacional.
Até aí, tudo bem. Mas a nota da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) limitou-se a apoiar o presidente Nicolás Maduro, avalizando a violenta repressão policial contra as manifestações de protesto.
Aparentemente o Brasil e os aliados de Maduro apostaram no esvaziamento das manifestações de protesto. Com inflação de 56%, desabastecimento de 28% das mercadorias, altas taxas de criminalidade e a violência das milícias chavistas e de grupos da oposição, isso não vai acontecer, só com um grande diálogo nacional.
Como não há o menor clima para o diálogo na Venezuela, uma
intermediação externa é fundamental para evitar o agravamento da crise. Ela não
vai se resolver sozinha. Se a presidente Dilma Rousseff não tem espírito,
poderia mandar o ex-presidente Lula como enviado especial.
Mesmo tendo apoiado a candidatura de Maduro, por ser de esquerda, Lula é um dos poucos líderes com autoridade e prestígio dentro do regime bolivarista para dizer algumas verdades a Maduro e ao presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, se tiver peito e coragem para advertir que a revolução está em risco e a melhor saída é a democracia.
Mesmo tendo apoiado a candidatura de Maduro, por ser de esquerda, Lula é um dos poucos líderes com autoridade e prestígio dentro do regime bolivarista para dizer algumas verdades a Maduro e ao presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, se tiver peito e coragem para advertir que a revolução está em risco e a melhor saída é a democracia.
Um acordo aceitável pelos dois lados na Venezuela exige o
fim das políticas econômicas fracassadas antiliberais, anticapitalistas e antimercado do "socialismo do século
21", o fim da censura e o desarmamento das milícias chavistas em troca de
um compromisso da oposição de manter os programas sociais, as misiones
de Chávez, o resultado positivo da revolução bolivarista, e de respeitar os
prazos constitucionais para convocar um referendo revogando o mandato de
Maduro.
O maior obstáculo a um acordo é a militarização do regime sob a influência de Cuba.
Seria o fim da revolução. Mas é melhor do que a guerra civil.
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sábado, 1 de março de 2014
Barbosa tem todo o direito de ser candidato
Na ofensiva midiática do Partido do Trabalhadores para desmoralizar o Supremo Tribunal Federal (STF) e maquiar o Mensalão como julgamento político, o ex-porta-voz de Lula André Singer, professor da Universidade de São Paulo, diz hoje na Folha de S. Paulo que "não espantaria que o nome dele aparecesse na céula para presidente da República".
Ele é o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, convertido em inimigo número um dos petistas e corruptos por ter relatado o primeiro processo em que altos dirigentes políticos foram condenados por corrupção na história deste país. Por ironia, o primeiro ministro negro do Supremo virou alvo do "governo popular" por exercer seu cargo com a maior honradez e dignidade, não cedendo a chicanas de advogados, manobras protelatórias e tentativas de negar evidências.
O Brasil, ou pelo menos a maioria do povo brasileiro, reconhece o trabalho de Barbosa como honesto e correto, na busca da verdade e da punição dos responsáveis, sem floreios nem exageros de retórica que afastam o STF do cidadão comum. A presidente Dilma Rousseff mudou a composição do tribunal para absolver o partido do crime de quadrilha.
Algumas observações sobre o duelo em torno da Ação Penal 470 que deve marcar a campanha eleitoral:
5. Se a presidente Dilma Rousseff tivesse um mínimo interesse em "regenerar os costumes políticos brasileiros", teria se livrado há muitos anos de seu amigo de juventude Fernando Pimentel, ex-ministro e candidato petista ao governo de Minas Gerais, que ganhou R$ 2 milhões com consultorais nunca prestadas quando era prefeito de Belo Horizonte. Escapou da "faxina".
6. Não há defesa para o PT nem para os intelectuais malandros que esgrimem argumentos para esconder o que todos sabem. Este é um governo corrupto e ladrão que não tem a menor intenção de corrigir seus comportamentos criminosos, que demite ministros, mas deixa as mesmas máfias partidárias tomando conta do galinheiro.
7. No dia em que a antiga cúpula petista era absolvida por formação de quadrilha, a ex-namorada de Lula e ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha, foi denunciada formalmente por formação de quadrilha, um crime que persegue o PT.
8. Se a candidatura de Barbosa ajudar a derrotar o atual governo, ele terá cumprido um papel histórico pela segunda vez.
Ele é o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, convertido em inimigo número um dos petistas e corruptos por ter relatado o primeiro processo em que altos dirigentes políticos foram condenados por corrupção na história deste país. Por ironia, o primeiro ministro negro do Supremo virou alvo do "governo popular" por exercer seu cargo com a maior honradez e dignidade, não cedendo a chicanas de advogados, manobras protelatórias e tentativas de negar evidências.
O Brasil, ou pelo menos a maioria do povo brasileiro, reconhece o trabalho de Barbosa como honesto e correto, na busca da verdade e da punição dos responsáveis, sem floreios nem exageros de retórica que afastam o STF do cidadão comum. A presidente Dilma Rousseff mudou a composição do tribunal para absolver o partido do crime de quadrilha.
Algumas observações sobre o duelo em torno da Ação Penal 470 que deve marcar a campanha eleitoral:
1.
Barbosa tem todo o direito de disputar a Presidência, especialmente
depois que o governo petista mudou a composição do tribunal para não
entrar para a história como o partido que virou quadrilha.
2. O resultado final mudou, mas ficará na história que um partido popular eleito prometendo acabar com a miséria e a corrupção torrou milhões de reais para comprar apoio político e se eternizar no poder, violentando a democracia brasileira.
3. A impressão é que José Genoino não enriqueceu, apenas assinou documentos com empréstimos forjados, mas a facilidade com que Delúbio Soares levantou dinheiro para pagar a conta é no mínimo suspeita. José Dirceu virou lobista de multinacionais. Tem mesa cativa no Cipriani, no Copacabana Palace, um dos restaurantes mais caros do país. Como chefão da (ex-)quadrilha, deveria ter pego a maior pena. É o mais sujo e o que mais pretexta inocência. E o fugitivo número um do PT, Henrique Pizzolato, ex-candidato a governador do Paraná e ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, posições importantíssimas comprou imóveis na Europa e teria milhões na Suíça e outros paraísos fiscais. Então, houve enriquecimento pessoal, sim.
4. A crítica de Barbosa ao empolado e pernóstico ministro Barroso foi perfeita. De que vale um discurso genérico e barroco contra a corrupção se no fim absolve os (ex-)quadrilheiros?5. Se a presidente Dilma Rousseff tivesse um mínimo interesse em "regenerar os costumes políticos brasileiros", teria se livrado há muitos anos de seu amigo de juventude Fernando Pimentel, ex-ministro e candidato petista ao governo de Minas Gerais, que ganhou R$ 2 milhões com consultorais nunca prestadas quando era prefeito de Belo Horizonte. Escapou da "faxina".
6. Não há defesa para o PT nem para os intelectuais malandros que esgrimem argumentos para esconder o que todos sabem. Este é um governo corrupto e ladrão que não tem a menor intenção de corrigir seus comportamentos criminosos, que demite ministros, mas deixa as mesmas máfias partidárias tomando conta do galinheiro.
7. No dia em que a antiga cúpula petista era absolvida por formação de quadrilha, a ex-namorada de Lula e ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha, foi denunciada formalmente por formação de quadrilha, um crime que persegue o PT.
8. Se a candidatura de Barbosa ajudar a derrotar o atual governo, ele terá cumprido um papel histórico pela segunda vez.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Dilma não mostra interesse em política externa
Sem ter mostrado até agora maior interesse na política externa, a presidente Dilma Rousseff autorizou o Ministério das Relações Exteriores a produzir um Livro Branco com as diretrizes para a diplomacia brasileira baseado numa série de debates com representantes da sociedade civil a serem realizados em Brasília de 28 de fevereiro a 2 de abril de 2014.
Em matéria publicada ontem nO Globo para a qual dei entrevista, critiquei a pouca importância que a presidente dá a questões externas, desperdiçando o capital político acumulado com o ativismo da política externa de Lula e Celso Amorim.
Em matéria publicada ontem nO Globo para a qual dei entrevista, critiquei a pouca importância que a presidente dá a questões externas, desperdiçando o capital político acumulado com o ativismo da política externa de Lula e Celso Amorim.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Prisão de brasileiro ligado a Snowden foi legal
O Superior Tribunal de Justiça do Reino Unido considerou legal hoje a detenção do brasileiro David Miranda por nove horas no Aeroporto de Heathrow, em Londres, em 18 de agosto de 2013, com base na lei antiterrorismo. Ele é companheiro do jornalista americano Glenn Greenwald, que divulgou as denúncias de espionagem em grande escala feitas pelo ex-analista da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden.
Miranda alegou que sua detenção era ilegal e uma violação dos direitos humanos. Mas os juízes consideraram "a medida apropriada às circunstâncias", tendo em vista o risco que o vazamento de segredos de Estado poderia causar à segurança nacional do país. "Seu objetivo era não apenas legítimo, mas urgente", declarou no voto o juiz Peter Openshaw, citado pela televisão pública britânica BBC.
Quando foi detido, David Miranda, de 28 anos, levava arquivos de computador para Greenwald, apreendidos junto com um computador, um telefone celular, cartões de memória e DVDs.
Ao saber da decisão, Greenwald, que mora no Rio de Janeiro, acusou a Justiça britânica de equiparar jornalismo a terrorismo.
Depois de vazar as informações confidenciais, Snowden se refugiou na China e na Rússia, onde recebeu asilo temporário. Entre suas revelações, está a espionagem dos EUA à presidente Dilma Rousseff, entre outros líderes estrangeiros, como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, e à Petrobrás. Há um movimento para que ele receba asilo permanente no Brasil.
Miranda alegou que sua detenção era ilegal e uma violação dos direitos humanos. Mas os juízes consideraram "a medida apropriada às circunstâncias", tendo em vista o risco que o vazamento de segredos de Estado poderia causar à segurança nacional do país. "Seu objetivo era não apenas legítimo, mas urgente", declarou no voto o juiz Peter Openshaw, citado pela televisão pública britânica BBC.
Quando foi detido, David Miranda, de 28 anos, levava arquivos de computador para Greenwald, apreendidos junto com um computador, um telefone celular, cartões de memória e DVDs.
Ao saber da decisão, Greenwald, que mora no Rio de Janeiro, acusou a Justiça britânica de equiparar jornalismo a terrorismo.
Depois de vazar as informações confidenciais, Snowden se refugiou na China e na Rússia, onde recebeu asilo temporário. Entre suas revelações, está a espionagem dos EUA à presidente Dilma Rousseff, entre outros líderes estrangeiros, como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, François Hollande, e à Petrobrás. Há um movimento para que ele receba asilo permanente no Brasil.
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
UE propõe controle internacional da Internet
Diante da revelação de que os Estados Unidos usaram grandes empresas americanas da Internet para espionagem, a União Europeia deve propor hoje "medidas concretas" para internacionalizar o controle sobre a rede mundial de computadores, a começar pela distribuição de domínios.
A Comissão Europeia, órgão executivo da UE, quer estabelecer um cronograma para internacionalizar a corporação que registra nomes e domínios na rede, a ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), hoje totalmente americana, que também exerce outras funções, como controlar o roteamento do tráfego.
"Ações de inteligência e espionagem em larga escala levaram à perda de confiança na Internet e na sua atual estrutura de governança", sustenta a CE.
O Departamento do Comércio dos EUA aceita discutir a questão, mas não revelou se vai oferecer elementos essenciais da arquitetura da Internet que cede à ICANN sob contrato. Também reluta em levar a discussão para o âmbito das Nações Unidas, onde os governos de países não democráticos como a China e a Rússia poderiam tentar censurar a rede.
"Queremos trabalhar coletivamente para uma governança inclusiva com muitos participantes que mantenha a estabilidade de uma Internet aberta e inovadora", declarou o secretário de Comércio adjunto, Lawrence Strickling.
A UE conta com o apoio do Brasil. Em setembro de 2013, a presidente Dilma Rousseff cobrou na Assembleia Geral da ONU um controle internacional da Internet depois das revelações do ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) Edward Snowden de uma espionagem maciça, inclusive da própria Dilma.
Na proposta europeia, "a Internet deve continuar sendo a rede das redes, única, aberta, livre, não fragmentada, submetida às mesmas leis e normas aplicadas a outras aspectos das nossas vidas cotidianas."
O Encontro Global Multiparticipativo sobre o Futuro da Governança na Internet (Global Multi-stakeholder Meeting on the Future of Internet Governance) será realizado no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo, em 23 e 24 de abril de 2014. A União Internacional de Telecomunicações (UIT), parte do Sistema ONU, se reúne em outubro na Coreia do Sul.
A Comissão Europeia, órgão executivo da UE, quer estabelecer um cronograma para internacionalizar a corporação que registra nomes e domínios na rede, a ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), hoje totalmente americana, que também exerce outras funções, como controlar o roteamento do tráfego.
"Ações de inteligência e espionagem em larga escala levaram à perda de confiança na Internet e na sua atual estrutura de governança", sustenta a CE.
O Departamento do Comércio dos EUA aceita discutir a questão, mas não revelou se vai oferecer elementos essenciais da arquitetura da Internet que cede à ICANN sob contrato. Também reluta em levar a discussão para o âmbito das Nações Unidas, onde os governos de países não democráticos como a China e a Rússia poderiam tentar censurar a rede.
"Queremos trabalhar coletivamente para uma governança inclusiva com muitos participantes que mantenha a estabilidade de uma Internet aberta e inovadora", declarou o secretário de Comércio adjunto, Lawrence Strickling.
A UE conta com o apoio do Brasil. Em setembro de 2013, a presidente Dilma Rousseff cobrou na Assembleia Geral da ONU um controle internacional da Internet depois das revelações do ex-funcionário da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) Edward Snowden de uma espionagem maciça, inclusive da própria Dilma.
Na proposta europeia, "a Internet deve continuar sendo a rede das redes, única, aberta, livre, não fragmentada, submetida às mesmas leis e normas aplicadas a outras aspectos das nossas vidas cotidianas."
O Encontro Global Multiparticipativo sobre o Futuro da Governança na Internet (Global Multi-stakeholder Meeting on the Future of Internet Governance) será realizado no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo, em 23 e 24 de abril de 2014. A União Internacional de Telecomunicações (UIT), parte do Sistema ONU, se reúne em outubro na Coreia do Sul.
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
EUA prometem não espionar líderes de países aliados
Em pronunciamento concluído há pouco no Departamento da Justiça, em Washington, o presidente Barack Obama afirmou que os Estados Unidos vão parar de espionar chefes de Estado e de governo de países aliados. A primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, o presidente da França, François Hollande, e a presidente Dilma Rousseff tiveram ligações telefônicas grampeadas pelos serviços secretos dos EUA, como revelou o ex-agente Edward Snowden seis meses atrás.
Obama também prometeu estender aos cidadãos comuns estrangeiros algumas das proteções à privacidade garantidas nos EUA. Um decreto presidencial dará nova orientação aos serviços secretos "para preservar aliados, relações comerciais, a privacidade e os direitos". O presidente rejeitou a recomendação do painel de que agentes federais precisem de autorização judicial para examinar transações financeiras e comunicações de empresas.
Com base no decreto presidencial, anunciou Obama, a partir de 28 de março de 2014, os chefes das agências de inteligência terão de obter uma autorização de um tribunal secreto para a segurança nacional para examinar os dados de ligações telefônicas. Até lá, o secretário da Justiça, Eric Holder, e oficiais de inteligência vão coordenar um plano de transição sobre o que fazer com a grande massa de dados armazenada pelo governo americano.
As atividades da Agência de Segurança Nacional (NSA) serão revisadas anualmente, e um painel de defensores públicos indicados pelo Congresso Nacional vai fiscalizar os pedidos de acesso a dados. Para o jornal The New York Times, a promessa de limitar a coleta de dados pode ter o mesmo destino do compromisso de fechar a prisão instalada na base naval de Guantânamo, em Cuba, reafirmada no primeira dia de governo, em janeiro de 2009, e jamais cumprida.
O presidente começou defendendo a espionagem como essencial à segurança do país mesmo antes da independência, em 1776. Citou um grupo chamado Filhos da Liberdade, ao qual pertencia Paul Revere, um heróis da luta pela independência. Os Filhos da Liberdade tinham a missão de descobrir que ações militares os britânicos estavam planejando.
A inteligência militar aliada foi decisiva na Segunda Guerra Mundial, ao decifrar os códigos usados nas mensagens da Alemanha e mais ainda durante a Guerra Fria "para penetrar na cortina de ferro" e coletar informações no Bloco Soviético, acrescentou Obama, para justificar as ações de espionagem de seu governo.
Mais complexo ainda, alegou, tornou-se o serviço de inteligência dos EUA depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001: "Agora, precisam identificar alvos e possíveis agressores em qualquer canto do mundo. Na década passada, demos grandes passos. Hoje a NSA consegue rastrear contatos e movimentos de terroristas. O relacionamento com agências estrangeiras mudou. Evitamos múltiplos ataques e salvamos vidas nos EUA e no exterior."
O risco de que o governo vá além dos limites também é maior, reconheceu Obama: "Depois do 11 de setembro, o governou passou a usar técnicas mais duras em interrogatórios", disse o presidente dos EUA, sem usar a palavra tortura.
"Vários aspectos complicam a tarefa de defender a nação protegendo as liberdades civis", argumentou. "Enquanto pegamos um terrorismo no Iêmen ou no Sahel, temos acesso a uma quantidade enorme de dados".
Os supercomputadores modernos e a Internet ampliaram o poder de espionagem de forma sem precedentes. "No mundo globalizado, várias agências coletam informações além de suas fronteiras, mas a capacidade dos EUA é única", admitiu Obama.
Ao mesmo tempo em que "necessitamos de mais informações sobre o mundo", raciocinou o presidente americano, "as agências de inteligência precisam fazer seu trabalho em segrego. O perigo de cometer excessos é mais agudo. Por todas estas razões, mantive minhas suspeitas em relação ao programa desde que cheguei à Casa Branca. Tentamos manter o Congresso a par. O que eu não fiz foi suspender esses programas porque nossa revisão inicial indicou que as agências de inteligência não estavam violando a lei."
Sempre defendendo a espionagem, Obama alegou que, "se houver outro atentado como os de 11 de setembro ou um ataque cibernético, os funcionários das agências serão cobrados por não ter ligado os pontinhos". Ele se negou a discutir "os atos e motivações de Snowden. Ninguém pode decidir por conta própria quando revelar segredos sem prejudicar nossa capacidade de proteger a população".
Os EUA querem "manter a liderança mundial preservando os direitos individuais, mas os atentados terroristas e os ataques cibernéticos não vão parar", justificou o presidente. "Ninguém espera que a China faça um debate aberto sobre seus programas de vigilância nem que a Rússia leve em consideração as preocupações de seus cidadãos com privacidade", acrescentou, alfinetando os países que acolheram Snowden.
Obama também prometeu estender aos cidadãos comuns estrangeiros algumas das proteções à privacidade garantidas nos EUA. Um decreto presidencial dará nova orientação aos serviços secretos "para preservar aliados, relações comerciais, a privacidade e os direitos". O presidente rejeitou a recomendação do painel de que agentes federais precisem de autorização judicial para examinar transações financeiras e comunicações de empresas.
Com base no decreto presidencial, anunciou Obama, a partir de 28 de março de 2014, os chefes das agências de inteligência terão de obter uma autorização de um tribunal secreto para a segurança nacional para examinar os dados de ligações telefônicas. Até lá, o secretário da Justiça, Eric Holder, e oficiais de inteligência vão coordenar um plano de transição sobre o que fazer com a grande massa de dados armazenada pelo governo americano.
As atividades da Agência de Segurança Nacional (NSA) serão revisadas anualmente, e um painel de defensores públicos indicados pelo Congresso Nacional vai fiscalizar os pedidos de acesso a dados. Para o jornal The New York Times, a promessa de limitar a coleta de dados pode ter o mesmo destino do compromisso de fechar a prisão instalada na base naval de Guantânamo, em Cuba, reafirmada no primeira dia de governo, em janeiro de 2009, e jamais cumprida.
O presidente começou defendendo a espionagem como essencial à segurança do país mesmo antes da independência, em 1776. Citou um grupo chamado Filhos da Liberdade, ao qual pertencia Paul Revere, um heróis da luta pela independência. Os Filhos da Liberdade tinham a missão de descobrir que ações militares os britânicos estavam planejando.
A inteligência militar aliada foi decisiva na Segunda Guerra Mundial, ao decifrar os códigos usados nas mensagens da Alemanha e mais ainda durante a Guerra Fria "para penetrar na cortina de ferro" e coletar informações no Bloco Soviético, acrescentou Obama, para justificar as ações de espionagem de seu governo.
Mais complexo ainda, alegou, tornou-se o serviço de inteligência dos EUA depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001: "Agora, precisam identificar alvos e possíveis agressores em qualquer canto do mundo. Na década passada, demos grandes passos. Hoje a NSA consegue rastrear contatos e movimentos de terroristas. O relacionamento com agências estrangeiras mudou. Evitamos múltiplos ataques e salvamos vidas nos EUA e no exterior."
O risco de que o governo vá além dos limites também é maior, reconheceu Obama: "Depois do 11 de setembro, o governou passou a usar técnicas mais duras em interrogatórios", disse o presidente dos EUA, sem usar a palavra tortura.
"Vários aspectos complicam a tarefa de defender a nação protegendo as liberdades civis", argumentou. "Enquanto pegamos um terrorismo no Iêmen ou no Sahel, temos acesso a uma quantidade enorme de dados".
Os supercomputadores modernos e a Internet ampliaram o poder de espionagem de forma sem precedentes. "No mundo globalizado, várias agências coletam informações além de suas fronteiras, mas a capacidade dos EUA é única", admitiu Obama.
Ao mesmo tempo em que "necessitamos de mais informações sobre o mundo", raciocinou o presidente americano, "as agências de inteligência precisam fazer seu trabalho em segrego. O perigo de cometer excessos é mais agudo. Por todas estas razões, mantive minhas suspeitas em relação ao programa desde que cheguei à Casa Branca. Tentamos manter o Congresso a par. O que eu não fiz foi suspender esses programas porque nossa revisão inicial indicou que as agências de inteligência não estavam violando a lei."
Sempre defendendo a espionagem, Obama alegou que, "se houver outro atentado como os de 11 de setembro ou um ataque cibernético, os funcionários das agências serão cobrados por não ter ligado os pontinhos". Ele se negou a discutir "os atos e motivações de Snowden. Ninguém pode decidir por conta própria quando revelar segredos sem prejudicar nossa capacidade de proteger a população".
Os EUA querem "manter a liderança mundial preservando os direitos individuais, mas os atentados terroristas e os ataques cibernéticos não vão parar", justificou o presidente. "Ninguém espera que a China faça um debate aberto sobre seus programas de vigilância nem que a Rússia leve em consideração as preocupações de seus cidadãos com privacidade", acrescentou, alfinetando os países que acolheram Snowden.
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