O déficit comercial da Indonésia bateu recorde em abril, chegando a US$ 2,5 bilhões, com a queda de 13,1% nas exportações, enquanto as importações baixaram apenas 6,6%, dificultando a luta da maior economia do Sudeste Asiático para enfrentar um período de turbulência com a guerra comercial entre Estados Unidos e China e a desaceleração da economia mundial.
A expectativa de economistas ouvidos pela agência Reuters era de queda de 7,2% nas exportações e de US$ 12,1% nas importações. O resultado foi o maior déficit da balança comercial desde que o jovem país independente começou a compilar estatísticas, no início dos anos 1950s. O governo tenta conter o problema limitando a importação.
A Indonésia é a 16ª maior economia do mundo, com produto interno bruto um pouco acima de US$ 1 trilhão no ano passado, o quarto país mais populoso do mundo, com 261 milhões de habitantes, e o maior muçulmano. É grande exportadora de matérias-primas como carvão e óleo de palma, que baixaram de preço em 2019 por causa da desaceleração do crescimento mundial.
O país era um grande exportador de petróleo nos anos 1980s, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), mas no século 21 o consumo interno ultrapassou a produção. Nos últimos anos, a Indonésia passou a importar petróleo.
Grande fornecedora de cartão, borracha e produtos florestais, inclusive madeira, para os EUA e a China, a Indonésia sofre com a guerra comercial entre os dois países mais ricos do mundo.
Mesmo assim, no primeiro trimestre de 2019, a Indonésia cresceu num ritmo anual de 5,07%, de causar inveja a qualquer país da América Latina. Em 2018, a expansão foi de 5,17%, a maior desde 2013.
Com 54% dos votos válidos, o presidente Joko Widodo foi reeleito em 17 de abril para um segundo mandato de cinco anos.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 15 de maio de 2019
domingo, 18 de janeiro de 2015
Brasil e Holanda retiram embaixadores da Indonésia
Em protesto contra a execução de seus cidadãos condenados à morte por tráfico de drogas, o Brasil e a Holanda retiraram seus embaixadores em Jacarta, a capital da Indonésia.
Os dois países, que não aceitam a pena de morte, fizeram apelos até a última hora, ignorados pelo presidente indonésio, Joko Widodo, eleito em julho de 2014 com 53% votos ao prometer, entre outras coisas, morte para traficantes. A presidente Dilma Rousseff recorreu até ao papa Francisco, sem sucesso.
Seis condenados foram fuzilados ontem na Indonésia por tráfico de drogas, cinco no complexo prisional de Nusakambangan, a 400 quilômetros da capital, inclusive o brasileiro e um holandês.
Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, era instrutor de voo livre e traficava drogas há anos na rota Rio-Amsterdã-Báli, informa a Folha de S. Paulo. Foi preso em 2003 tentando entrar no país com 13,4 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta. No ano seguinte, foi condenado à morte. Desde então, tentou todos os recursos possíveis.
Maior país muçulmano do mundo, com 250 milhões de habitantes, a Indonésia é um arquipélago de 17 mil ilhas, sendo 6,6 mil habitadas, que se estende por 5 mil quilômetros entre os oceanos Índico e Pacífico.
Sua história foi marcada por um golpe anticomunista contra o fundador do país, Ahmed Sukarno, seguido de uma violenta repressão em que foram mortas de 500 a mil a 1 milhão de pessoas, em 1965 e 1966. A tragédia é contada no filme O Ano em que Vivemos Perigosamente.
O golpe levou ao poder o general Mohamed Suharto, que governou o país com mão de ferro até ser deposto numa revolta popular, em maio de 1998, em meio a uma revolta popular deflagrada pela crise econômica da Ásia. Era o início de uma lenta transição para a democracia.
Sob pressão internacional, em 1999, a Indonésia aceitou a independência do Timor Leste, uma ex-colônia portuguesa ocupada desde 1975. Uma força internacional de paz formada principalmente por australianos ocupou o lado não indonésio da ilha, mas muita gente não aceitou, especialmente os radicais islamitas.
Em 12 de outubro de 2002, um atentado terrorista cometido por extremistas muçulmanos matou 202 na paradisíaca (e no caso infernal) ilha de Báli, o principal destino turístico do país. Os principais alvos seriam jovens turistas australianos. Três condenados no caso foram fuzilados na mesma prisão, em 9 de novembro de 2008.
Há outro brasileiro no corredor da morte. Rodrigo Gularte, de 43 anos, foi preso em 2004 quando entrava na Indonésia com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe.
O governo brasileiro promete manter o diálogo para salvá-lo, mas o embaixador Paulo Alberto da Silveira Soares, convocado pela presidente Dilma em sinal de protesto, não tem muita esperança. Não acredita que o presidente indonésio aceite o último pedido de clemência. Gularte pode ser fuzilado em dois meses.
Os dois países, que não aceitam a pena de morte, fizeram apelos até a última hora, ignorados pelo presidente indonésio, Joko Widodo, eleito em julho de 2014 com 53% votos ao prometer, entre outras coisas, morte para traficantes. A presidente Dilma Rousseff recorreu até ao papa Francisco, sem sucesso.
Seis condenados foram fuzilados ontem na Indonésia por tráfico de drogas, cinco no complexo prisional de Nusakambangan, a 400 quilômetros da capital, inclusive o brasileiro e um holandês.
Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, era instrutor de voo livre e traficava drogas há anos na rota Rio-Amsterdã-Báli, informa a Folha de S. Paulo. Foi preso em 2003 tentando entrar no país com 13,4 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa delta. No ano seguinte, foi condenado à morte. Desde então, tentou todos os recursos possíveis.
Maior país muçulmano do mundo, com 250 milhões de habitantes, a Indonésia é um arquipélago de 17 mil ilhas, sendo 6,6 mil habitadas, que se estende por 5 mil quilômetros entre os oceanos Índico e Pacífico.
Sua história foi marcada por um golpe anticomunista contra o fundador do país, Ahmed Sukarno, seguido de uma violenta repressão em que foram mortas de 500 a mil a 1 milhão de pessoas, em 1965 e 1966. A tragédia é contada no filme O Ano em que Vivemos Perigosamente.
O golpe levou ao poder o general Mohamed Suharto, que governou o país com mão de ferro até ser deposto numa revolta popular, em maio de 1998, em meio a uma revolta popular deflagrada pela crise econômica da Ásia. Era o início de uma lenta transição para a democracia.
Sob pressão internacional, em 1999, a Indonésia aceitou a independência do Timor Leste, uma ex-colônia portuguesa ocupada desde 1975. Uma força internacional de paz formada principalmente por australianos ocupou o lado não indonésio da ilha, mas muita gente não aceitou, especialmente os radicais islamitas.
Em 12 de outubro de 2002, um atentado terrorista cometido por extremistas muçulmanos matou 202 na paradisíaca (e no caso infernal) ilha de Báli, o principal destino turístico do país. Os principais alvos seriam jovens turistas australianos. Três condenados no caso foram fuzilados na mesma prisão, em 9 de novembro de 2008.
Há outro brasileiro no corredor da morte. Rodrigo Gularte, de 43 anos, foi preso em 2004 quando entrava na Indonésia com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe.
O governo brasileiro promete manter o diálogo para salvá-lo, mas o embaixador Paulo Alberto da Silveira Soares, convocado pela presidente Dilma em sinal de protesto, não tem muita esperança. Não acredita que o presidente indonésio aceite o último pedido de clemência. Gularte pode ser fuzilado em dois meses.
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segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Jokowi assume com desafio de reformar a Indonésia
O ex-governador de Jacarta Joko Widodo, de 53 anos, tomou posse hoje como sétimo presidente da Indonésia, o maior país muçulmano do mundo e o quarto maior de todos em população, com 250 milhões de habitantes distribuídos em 6,6 mil ilhas que se estendem por 5 mil quilômetros do Oceano Índico ao Pacífico.
Primeiro presidente de fora da elite indonésia, Jokowi, como é conhecido popularmente, terá como desafio enfrentar a burocracia e reformar o mercado de trabalho para manter o crescimento na média de 6% ao ano. Em 2013, a expansão foi de 5,8% e há uma desaceleração em 2014.
No ano passado, a Indonésia superou a Índia, tornando-se a segunda economia que mais cresce no Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia), atrás apenas da China. Beneficiando-se do "milagre econômico asiático", a Indonésia se industrializou nas últimas décadas.
Em 2012, a indústria respondeu por 46,4% do produto interno bruto da Indonésia, de US$ 895 bilhões, o 16º maior do mundo. Como tem custos baixos, pelo critério de paridade do poder de compra, sobe para o 9º lugar, com PIB estimado em US$ 2,389 trilhões. Em renda média por habitante, é o 101º mundo, com US$ 9.635 por ano pelo critério de PPP.
Um desequilíbrio grave é o subsídio aos combustíveis, que consome 20% do orçamento. Vem de um tempo em que a Indonésia era exportadora de petróleo. O país pertence à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Mas, com a queda na produção de 1,5 milhão de barris por dia no fim do século passado para 1 milhão de barris hoje e o aumento do consumo, o país se tornou importador.
Sem maioria no Congresso, Jokowi vai depender da reconciliação com o candidato derrotado, Prabowo Subianto, genro do falecido ditador Mohamed Suharto, que inicialmente entrou na Justiça para contestar o resultado das urnas. Num sinal de trégua, eles se encontraram na sexta-feira.
Primeiro presidente de fora da elite indonésia, Jokowi, como é conhecido popularmente, terá como desafio enfrentar a burocracia e reformar o mercado de trabalho para manter o crescimento na média de 6% ao ano. Em 2013, a expansão foi de 5,8% e há uma desaceleração em 2014.
No ano passado, a Indonésia superou a Índia, tornando-se a segunda economia que mais cresce no Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia), atrás apenas da China. Beneficiando-se do "milagre econômico asiático", a Indonésia se industrializou nas últimas décadas.
Em 2012, a indústria respondeu por 46,4% do produto interno bruto da Indonésia, de US$ 895 bilhões, o 16º maior do mundo. Como tem custos baixos, pelo critério de paridade do poder de compra, sobe para o 9º lugar, com PIB estimado em US$ 2,389 trilhões. Em renda média por habitante, é o 101º mundo, com US$ 9.635 por ano pelo critério de PPP.
Um desequilíbrio grave é o subsídio aos combustíveis, que consome 20% do orçamento. Vem de um tempo em que a Indonésia era exportadora de petróleo. O país pertence à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Mas, com a queda na produção de 1,5 milhão de barris por dia no fim do século passado para 1 milhão de barris hoje e o aumento do consumo, o país se tornou importador.
Sem maioria no Congresso, Jokowi vai depender da reconciliação com o candidato derrotado, Prabowo Subianto, genro do falecido ditador Mohamed Suharto, que inicialmente entrou na Justiça para contestar o resultado das urnas. Num sinal de trégua, eles se encontraram na sexta-feira.
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terça-feira, 22 de julho de 2014
Joko Widodo é eleito presidente da Indonésia
O prefeito reformista de Jacarta, Joko Widodo, de 53 anos, é o novo presidente da Indonésia, anunciou hoje a comissão eleitoral da terceira maior democracia do mundo.
Jokowi, como é mais conhecido, obteve 53% dos votos válidos contra 47% para o general Prabowo Subianto, genro do falecido ditador Mohamed Suharto, que denunciou fraude e prometeu recorrer à Justiça.
Jokowi, como é mais conhecido, obteve 53% dos votos válidos contra 47% para o general Prabowo Subianto, genro do falecido ditador Mohamed Suharto, que denunciou fraude e prometeu recorrer à Justiça.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Prefeito de Jacarta canta vitória na Indonésia
O prefeito da capital, Joko Widodo, declarou-se hoje vencedor da eleição presidencial na Indonésia com base em projeções dos resultados iniciais, mas seu adversário Prabowo Subianto afirmou ser cedo ainda para cantar vitória. O resultado oficial será divulgado em 22 de julho de 2014.
Se essas projeções forem confirmadas, Jokowi, como é conhecido popularmente, vai confirmar uma ascensão meteórica para governar a quarta maior nação do mundo e a terceira maior democracia. Seu adversário foi chefe de operações especiais da ditadura de Mohamed Suharto, do qual era genro. Tem ficha suja nas organizações de defesa dos direitos humanos.
Menos de duas horas depois do fechamento das urnas, Joko e os líderes do Partido Democrático da Luta deram entrevista na casa de sua presidente, Megawati Sukarnoputri, filha do herói da independência indonésia, Ahmed Sukarno.
Se essas projeções forem confirmadas, Jokowi, como é conhecido popularmente, vai confirmar uma ascensão meteórica para governar a quarta maior nação do mundo e a terceira maior democracia. Seu adversário foi chefe de operações especiais da ditadura de Mohamed Suharto, do qual era genro. Tem ficha suja nas organizações de defesa dos direitos humanos.
Menos de duas horas depois do fechamento das urnas, Joko e os líderes do Partido Democrático da Luta deram entrevista na casa de sua presidente, Megawati Sukarnoputri, filha do herói da independência indonésia, Ahmed Sukarno.
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