Sem grande surpresa, o 19º Congresso do Partido Comunista chinês terminou com a consagração total do ditador Xi Jinping, elevado a "líder central do partido", ao nível do Grande Timoneiro Mao Tsé-tung, fundador da República Popular da China. Seu pensamento foi incluído na Constituição do país, honra até agora só concedida a Mao.
Com a volta de um culto da personalidade do líder supremo que não era visto desde a morte de Mao, em 1976, a dúvida é se Xi vai transferir o poder em 2022 ou governar além do segundo mandato de cinco anos que começa agora como líder do PC e em março como presidente da República.
Depois da morte de Mao, no fim da década caótica da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), o maior líder comunista chinês foi Deng Xiaoping. Mesmo sem ser presidente nem secretário-geral do partido, Deng foi o idealizador das reformas econômicas que transformaram a China na segunda maior economia do mundo, rumo ao primeiro lugar.
É uma superpotência. Xi Jinping pretende guiar a China nesta etapa final da ascensão e exercer seu poderio renovado em escala mundial. Pelas dimensões da obra de Deng, o Pequeno Timoneiro (ele era baixinho) deveria ser comparado a Mao e não Xi, que passou os últimos cinco anos consolidando o poder.
Sua campanha anticorrupção expurgou mais de 1,5 milhão de membros do partido. Numa ditadura como o regime comunista chinês, é dentro do partido que se faz política, numa luta intestina feroz. Amanhã, será anunciada a nova composição do Politburo, de 25 membros, e do Comitê Permanente do Politburo, os sete imperadores que governam a China.
Se não for indicado um sucessor, ficará a impressão de que Xi pretende manter o poder além de 2022, quebrando uma regra imposta por Deng depois do Massacre na Praça da Paz Celestial, em Beijim, o maior desafio ao poder absoluto do partido em 68 anos no poder.
Com a morte de Mao e o clima de anarquia da Revolução Cultural, quando o pai de Xi, também alto dirigente do partido, foi mandado para reeducação numa comunidade chinês, Deng viu a oportunidade para suas reformas.
Enquanto o atual líder supremo começava a vida como criador de porcos, Deng sabia que só uma ideia seria capaz de unir o partido: modernização.
Seu programa de Quatro Modernizações (agricultura, defesa, indústria e ciência e tecnologia), lançado em 13 de dezembro de 1978, marca o início da abertura econômica chinesa, das reformas econômicas que elevaram o produto interno da China de US$ 200 bilhões, em 1978, para mais de US$ 11 trilhões, no ano passado.
Deng resgatava uma proposta de 1963 do então primeiro-ministro Chu Enlai, depois depois do igualmente fracassado Grande Salto para a Frente (1958-62), a tentativa de fabricar aço em comunidades rurais. O produto industrial era de péssima qualidade e as safras agrícolas desabaram, provocando uma grande fome e com um total estimado de 30 a 55 milhões de mortes. Foi a pior fome da história.
Na luta interna do partido pós-Revolução Cultural, Deng dobrou a velha guarda maoísta alegando que os símbolos da revolução comunista, o camponês, o operário e o soldado do Exército Popular de Libertação, ainda levavam vidas miseráveis.
A abertura econômica causou o mais rápido surto de desenvolvimento econômico da história da humanidade. Sua máxima nada marxista: "Enriquecer é a glória." O povo tem o direito de enriquecer.
Para evitar a volta da Revolução Cultural, o grande fantasma da China de hoje, uma das providências de Deng foi combater o culto da personalidade. Xi flerta com o perigo.
Sob Deng, o pensamento de Mao continuou sendo a base da política do partido para justificar o poder absoluto do PC. Virou um pai da pátria cuja imagem adorna o Portão da Paz Celestial, na entrada da Cidade Proibida, o antigo Palácio Imperial de Beijim.
Mao paira acima de todos, mas suas ideias econômicas foram totalmente abandonadas em troca do capitalismo e da "economia de mercado socialista", outra ideia de Deng, que chegou a ser entrevistado pela Enciclopédia Britânica para apresentar sua definição.
Como o mercado é anterior ao sistema capitalista, o Pequeno Timoneiro explicou que assim não haveria impedimento para o surgimento de uma economia de mercado socialista, em que o Estado não seria dono dos meios de produção, mas manteria o controle geral do sistema econômico.
A combinação de abertura econômica controlada pelo Estado com um regime político ditatorial do PC, a fórmula de Deng para a ascensão chinesa, ressuscitou o autoritarismo em escala internacional, alimentado pela crise das maiores democracias capitalistas na Grande Depressão (2008-9).
É este modelo nacionalista autoritário que a China quer exportar em aliança com a Rússia de Vladimir Putin, em contraponto à ordem internacional liberal do pós-guerra dominada pelos Estados Unidos e seus aliados europeus.
Quando os jovens desafiaram o regime depois da morte do ex-secretário-geral do PC Hu Yaobang, em abril de 1989, e um movimento pela liberdade e a democracia acampou na praça central da capital chinesa, Deng chamou soldados de outras províncias, que não falavam mandarim.
Centenas, talvez milhares, de pessoas foram mortas no Massacre da Praça da Paz Celestial, na noite de 3 para 4 de junho de 1989. Os ativistas sobreviventes até hoje são perseguidos. O massacre é fortemente censurado. A censura à Internet e a perseguição aos dissidentes são outras marcas da era Xi. Aumentaram muito nos últimos cinco anos.
Mais antiga civilização ainda existente na Terra, com mais de 4 mil anos de história, a China conseguiu criar uma burocracia capaz de administrar seu vasto território, mas, nas palavras do sinólogo americano Kenneth Lieberthal, nunca foi capaz de criar um sistema político capaz de administrar a luta de suas elites pelo poder.
Sob a orientação de Deng, a partir de 1992, o partido passou a eleger o secretário-geral e o presidente da República por dois mandatos de cinco anos. Jiang Zemin virou secretário-geral em substituição a Zhao Ziyang, que caiu por ser contra a repressão ao movimento pela democracia, em junho de 1989.
Jiang manteve a liderança do partido e foi eleito presidente em 1993. Governou por dez anos e foi sucedido por Hu Jintao, que transferiu o comando do partido em 2012 e do governo em 2013 para Xi Jinping. Ao se colocar acima de Jiang e Hu, Xi sugere que esta norma não se aplica a ele.
Numa época de crise mundial, com a queda no crescimento de 10% para menos de 7% ao ano, Xi Jinping reforçou o controle do regime comunista sobre a economia. Desde o declínio do marxismo como ideologia, é o crescimento econômico que legitima o poder absoluto do partido.
A China planeja reorientar sua economia do investimento e da exportação para uma economia de consumo, serviços e alta tecnologia. Há um excesso de capacidade odiosa, o risco de formação de uma bolha no mercado imobiliário e o endividamento chegou a 265% do PIB, com grande peso das empresas estatais ineficientes.
Xi reluta em aprofundar as reformas por medo do impacto político da queda do crescimento. Quando a crise econômica vier, e um dia virá, o poder absoluto do partido será questionado. Assim, o PC chinês segue a teoria da bicicleta: precisa continuar pedalando, fazendo reformas, para manter o dinamismo da economia. Se parar, cai.
Em seu discurso de quase quatro horas na abertura do congresso do PC, na semana passada, o líder máximo defendeu a luta contra a corrupção, bastante popular, dadas as fortunas acumuladas por dirigentes do partido, e o combate à poluição para melhorar a qualidade de vida. Beijim sofre com uma poluição do ar 10 a 20 vezes pior do que o limite considerado saudável pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Também prometeu reformar as estatais, continuar a modernização tecnológica das Forças Armadas e colocar a Nova China no centro das decisões internacionais com seu ambicioso projeto de recriar a Rota da Seda, uma via comercial ligando o país à Europa, seu maior mercado consumidor. São projetos para muito além de 2022.
Uma possibilidade é que Xi siga o exemplo do presidente Vladimir Putin, que presidiu a Rússia de 2000 a 2008, trocou de cargo durante um mandato com o primeiro-ministro Dimitri Medvedev e voltou à Presidência em 2012. O Medvedev de Xi Jinping estaria entre os indicados para o Comitê Permanente.
Tudo, inclusive a pretensão de ser o maior líder do partido desde Mao, depende do desempenho e da ascensão da economia. É o partido que depende da economia e não o contrário.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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terça-feira, 24 de outubro de 2017
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Arábia Saudita faz planos para a era pós-petróleo
A Arábia Saudita anunciou hoje um ambicioso plano de reformas econômicas para diversificar a economia e superar a dependência do petróleo. O regime monárquico absolutista pretende vender até 5% da empresa estatal de petróleo Saudi Aramco e criar o maior fundo soberano do mundo, de US$ 2 trilhões.
"Desenvolvemos um verdadeiro vício em petróleo e isso transtornou o desenvolvimento de vários setores nos últimos anos", declarou em entrevista à televisão Al Arabiya, de propriedade da família real, o segundo príncipe herdeiro, Mohamed ben Salman, filho do sultão Salman ben Abdul Aziz al Saud. Com apenas 31 anos, é o homem-forte do reino desde a ascensão do pai ao trono em janeiro de 2015.
É a mesma fórmula usada para Noruega, cujo fundo tem hoje US$ 866 bilhões. A partir de 2020, o fundo saudita deve gerar uma renda equivalente aos ganhos com petróleo.
"A Aramco é tão grande que, se vendermos 1%, já será a maior oferta inicial de ações do mundo", acrescentou o segundo príncipe herdeiro saudita. É a maior companhia de petróleo do mundo, com capacidade de produção acima de 12 milhões de barris por dia, duas vezes mais do que qualquer outra empresa, e a quarta maior em refino.
Hoje a economia saudita depende em 80%. Como os preços caíram cerca de 70%, de US$ 110 em junho de 2014 para menor de US$ 30 no início deste ano, e hoje estão pouco acima de US$ 40, o reino enfrenta dificuldades financeiras.
Na prática, a Arábia Saudita foi a grande articuladora da queda nos preços do petróleo junto com as outras monarquias petroleiras do Golfo Pérsico. O objetivo era tirar do mercado produtores de alto custo como o óleo de xisto dos Estados Unidos, que voltaram a ser os maiores produtores mundiais de combustíveis líquidos. O déficit orçamento de 2015 ficou em US$ 100 bilhões
O príncipe Mohamed ben Salman negou que sua Visão Saudita seja consequência da queda nos preços do petróleo: "Seria posta em prática qualquer que fosse o preço. A Visão não requer grandes gastos e, sim, reestruturação."
Nos anos 1980s, no auge da segunda crise do petróleo e da Organização dos Países Exportadores do Petróleo (OPEP), o todo-poderoso ministro do Petróleo da Arábia Saudita, xeque Ahmed Zaki Yamani, advertiu: "A Idade da Pedra não acabou por falta de pedras. A era do petróleo vai acabar antes do fim do petróleo."
Agora, o segundo príncipe herdeiro pensa claramente nesta possibilidade: "A partir de 2020, se acaba o petróleo, podemos sobreviver. Precisamos do petróleo, mas creio que a partir de 2020 poderemos viver sem petróleo."
"Desenvolvemos um verdadeiro vício em petróleo e isso transtornou o desenvolvimento de vários setores nos últimos anos", declarou em entrevista à televisão Al Arabiya, de propriedade da família real, o segundo príncipe herdeiro, Mohamed ben Salman, filho do sultão Salman ben Abdul Aziz al Saud. Com apenas 31 anos, é o homem-forte do reino desde a ascensão do pai ao trono em janeiro de 2015.
É a mesma fórmula usada para Noruega, cujo fundo tem hoje US$ 866 bilhões. A partir de 2020, o fundo saudita deve gerar uma renda equivalente aos ganhos com petróleo.
"A Aramco é tão grande que, se vendermos 1%, já será a maior oferta inicial de ações do mundo", acrescentou o segundo príncipe herdeiro saudita. É a maior companhia de petróleo do mundo, com capacidade de produção acima de 12 milhões de barris por dia, duas vezes mais do que qualquer outra empresa, e a quarta maior em refino.
Hoje a economia saudita depende em 80%. Como os preços caíram cerca de 70%, de US$ 110 em junho de 2014 para menor de US$ 30 no início deste ano, e hoje estão pouco acima de US$ 40, o reino enfrenta dificuldades financeiras.
Na prática, a Arábia Saudita foi a grande articuladora da queda nos preços do petróleo junto com as outras monarquias petroleiras do Golfo Pérsico. O objetivo era tirar do mercado produtores de alto custo como o óleo de xisto dos Estados Unidos, que voltaram a ser os maiores produtores mundiais de combustíveis líquidos. O déficit orçamento de 2015 ficou em US$ 100 bilhões
O príncipe Mohamed ben Salman negou que sua Visão Saudita seja consequência da queda nos preços do petróleo: "Seria posta em prática qualquer que fosse o preço. A Visão não requer grandes gastos e, sim, reestruturação."
Nos anos 1980s, no auge da segunda crise do petróleo e da Organização dos Países Exportadores do Petróleo (OPEP), o todo-poderoso ministro do Petróleo da Arábia Saudita, xeque Ahmed Zaki Yamani, advertiu: "A Idade da Pedra não acabou por falta de pedras. A era do petróleo vai acabar antes do fim do petróleo."
Agora, o segundo príncipe herdeiro pensa claramente nesta possibilidade: "A partir de 2020, se acaba o petróleo, podemos sobreviver. Precisamos do petróleo, mas creio que a partir de 2020 poderemos viver sem petróleo."
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domingo, 8 de novembro de 2015
Primeiro-ministro da Índia perde eleições regionais
O Partido Bharatiya Janata (BJP), conservador, nacionalista e hindu, liderado pelo primeiro-ministro Narendra Modi, perdeu as eleições realizadas hoje no estado de Bihar, informou a agência de notícias Reuters. A derrota atrapalha a estratégia econômica do governo federal indiano.
Uma grande aliança anti-BJP chefiada pelo governador de Bihar, Nitish Kumar, elegeu 179 dos 243 deputados da Assembleia Legislativa estadual.
A derrota em Bihar, o terceiro estado mais populoso da Índia, vai galvanizar os partidos de oposição e mobilizar os rivais de Modi dentro de seu próprio partido, dificultando a aprovação das reformas econômicas prometidas pelo primeiro-ministro em sua campanha eleitoral.
O modelo da grande aliança de Kumar está aí para inspirar os políticos interessados em conter o poder de Modi a nível federal.
Uma grande aliança anti-BJP chefiada pelo governador de Bihar, Nitish Kumar, elegeu 179 dos 243 deputados da Assembleia Legislativa estadual.
A derrota em Bihar, o terceiro estado mais populoso da Índia, vai galvanizar os partidos de oposição e mobilizar os rivais de Modi dentro de seu próprio partido, dificultando a aprovação das reformas econômicas prometidas pelo primeiro-ministro em sua campanha eleitoral.
O modelo da grande aliança de Kumar está aí para inspirar os políticos interessados em conter o poder de Modi a nível federal.
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
China acaba com a política do filho único
Para combater o rápido envelhecimento da população, o regime comunista da China anunciou hoje o fim da política do filho único, adotada em 1979 para evitar uma explosão demográfica. A partir de agora, todo casal terá direito a ter dois filhos, revelou a agência oficial de notícias Nova China.
A medida foi tomada durante uma reunião plenária de quatro dias do Comitê Central do Partido Comunista que termina hoje à noite. Não foi divulgada a data em que entra em vigor.
Depois da vitória da revolução comunista, em 1º de outubro de 1949, o Grande Timoneiro Mao Tsé-tung incentivou o controle da natalidade para fortalecer o regime e usar sua massa humana com objetivos estratégicos. A China já tinha mais de 500 milhões de habitantes.
Quando Deng Xiaoping lançou as reformas para modernizar o país e abrir sua economia ao comércio internacional, temia que a explosão demográfica atrapalhasse sua estratégia de desenvolvimento. Adotou então o que o jornal inglês Financial Times descreveu hoje como "uma das experiências sociais mais draconianas da história moderna".
Há dois anos, o governo chinês relaxou a política, permitindo que casais onde pelo menos um dos cônjuges fosse filho único tenham dois filhos. Antes, os dois membros do casal precisavam ser filhos únicos para poderem ter dois filhos.
Em zonas rurais, a política do filho único foi flexibilizada quando o primeiro filho era menina ou deficiente para evitar o infanticídio de meninas. No interior da China, o filho homem é mais valorizado.
A medida foi tomada durante uma reunião plenária de quatro dias do Comitê Central do Partido Comunista que termina hoje à noite. Não foi divulgada a data em que entra em vigor.
Depois da vitória da revolução comunista, em 1º de outubro de 1949, o Grande Timoneiro Mao Tsé-tung incentivou o controle da natalidade para fortalecer o regime e usar sua massa humana com objetivos estratégicos. A China já tinha mais de 500 milhões de habitantes.
Quando Deng Xiaoping lançou as reformas para modernizar o país e abrir sua economia ao comércio internacional, temia que a explosão demográfica atrapalhasse sua estratégia de desenvolvimento. Adotou então o que o jornal inglês Financial Times descreveu hoje como "uma das experiências sociais mais draconianas da história moderna".
Há dois anos, o governo chinês relaxou a política, permitindo que casais onde pelo menos um dos cônjuges fosse filho único tenham dois filhos. Antes, os dois membros do casal precisavam ser filhos únicos para poderem ter dois filhos.
Em zonas rurais, a política do filho único foi flexibilizada quando o primeiro filho era menina ou deficiente para evitar o infanticídio de meninas. No interior da China, o filho homem é mais valorizado.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Ministros das Finanças da Eurozona aprovam ajuda à Grécia
Os ministros das Finanças dos países da União Europeia que adotam o euro como moeda comum aprovaram hoje em Bruxelas o terceiro programa de ajuda à Grécia, no valor de 86 bilhões de euros (US$ 95,8 bilhões ou R$ 333 bilhões), com um desembolso inicial de 26 bilhões de euros (R$ 100,6 bilhões).
Com o acordo, a Grécia fica na Zona do Euro, mas ainda enfrenta enormes obstáculos para voltar a crescer e reduzir o desemprego que atinge um quarto da população em idade de trabalhar.
Em troca, terá de fazer uma profunda reforma do Estado, com mais cortes de gastos e aumentos impostos. O acordo divide o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), um partido de esquerda eleito em 25 de janeiro de 2015, no auge da crise.
Na madrugada de hoje, quando o Parlamento aprovou o acordo, 40 deputados da Syriza votaram contra, inclusive o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis. O primeiro-ministro Alexis Tsipras precisou de votos da oposição. É grande a chance de realização de novas eleições ainda neste ano.
A Grécia cresceu 0,8% no segundo trimestre, escapando de uma recessão, depois de perder cerca de 25% do produto interno bruto desde o início da crise da dívida pública, em 2009. Apesar da redução de parte da dívida, o total está hoje em 320 bilhões de euros e deve chegar a 200% do PIB.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) está exigindo nova redução do montante total da dívida grega para participar deste terceiro programa. Os governos da Eurozona, que detêm hoje mais de 80% da dívida grega, relutam em aceitar um novo corte da dívida, especialmente Alemanha, Finlândia, Holanda e países da Europa Oriental.
Com o acordo, a Grécia fica na Zona do Euro, mas ainda enfrenta enormes obstáculos para voltar a crescer e reduzir o desemprego que atinge um quarto da população em idade de trabalhar.
Em troca, terá de fazer uma profunda reforma do Estado, com mais cortes de gastos e aumentos impostos. O acordo divide o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), um partido de esquerda eleito em 25 de janeiro de 2015, no auge da crise.
Na madrugada de hoje, quando o Parlamento aprovou o acordo, 40 deputados da Syriza votaram contra, inclusive o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis. O primeiro-ministro Alexis Tsipras precisou de votos da oposição. É grande a chance de realização de novas eleições ainda neste ano.
A Grécia cresceu 0,8% no segundo trimestre, escapando de uma recessão, depois de perder cerca de 25% do produto interno bruto desde o início da crise da dívida pública, em 2009. Apesar da redução de parte da dívida, o total está hoje em 320 bilhões de euros e deve chegar a 200% do PIB.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) está exigindo nova redução do montante total da dívida grega para participar deste terceiro programa. Os governos da Eurozona, que detêm hoje mais de 80% da dívida grega, relutam em aceitar um novo corte da dívida, especialmente Alemanha, Finlândia, Holanda e países da Europa Oriental.
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segunda-feira, 20 de outubro de 2014
Jokowi assume com desafio de reformar a Indonésia
O ex-governador de Jacarta Joko Widodo, de 53 anos, tomou posse hoje como sétimo presidente da Indonésia, o maior país muçulmano do mundo e o quarto maior de todos em população, com 250 milhões de habitantes distribuídos em 6,6 mil ilhas que se estendem por 5 mil quilômetros do Oceano Índico ao Pacífico.
Primeiro presidente de fora da elite indonésia, Jokowi, como é conhecido popularmente, terá como desafio enfrentar a burocracia e reformar o mercado de trabalho para manter o crescimento na média de 6% ao ano. Em 2013, a expansão foi de 5,8% e há uma desaceleração em 2014.
No ano passado, a Indonésia superou a Índia, tornando-se a segunda economia que mais cresce no Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia), atrás apenas da China. Beneficiando-se do "milagre econômico asiático", a Indonésia se industrializou nas últimas décadas.
Em 2012, a indústria respondeu por 46,4% do produto interno bruto da Indonésia, de US$ 895 bilhões, o 16º maior do mundo. Como tem custos baixos, pelo critério de paridade do poder de compra, sobe para o 9º lugar, com PIB estimado em US$ 2,389 trilhões. Em renda média por habitante, é o 101º mundo, com US$ 9.635 por ano pelo critério de PPP.
Um desequilíbrio grave é o subsídio aos combustíveis, que consome 20% do orçamento. Vem de um tempo em que a Indonésia era exportadora de petróleo. O país pertence à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Mas, com a queda na produção de 1,5 milhão de barris por dia no fim do século passado para 1 milhão de barris hoje e o aumento do consumo, o país se tornou importador.
Sem maioria no Congresso, Jokowi vai depender da reconciliação com o candidato derrotado, Prabowo Subianto, genro do falecido ditador Mohamed Suharto, que inicialmente entrou na Justiça para contestar o resultado das urnas. Num sinal de trégua, eles se encontraram na sexta-feira.
Primeiro presidente de fora da elite indonésia, Jokowi, como é conhecido popularmente, terá como desafio enfrentar a burocracia e reformar o mercado de trabalho para manter o crescimento na média de 6% ao ano. Em 2013, a expansão foi de 5,8% e há uma desaceleração em 2014.
No ano passado, a Indonésia superou a Índia, tornando-se a segunda economia que mais cresce no Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia), atrás apenas da China. Beneficiando-se do "milagre econômico asiático", a Indonésia se industrializou nas últimas décadas.
Em 2012, a indústria respondeu por 46,4% do produto interno bruto da Indonésia, de US$ 895 bilhões, o 16º maior do mundo. Como tem custos baixos, pelo critério de paridade do poder de compra, sobe para o 9º lugar, com PIB estimado em US$ 2,389 trilhões. Em renda média por habitante, é o 101º mundo, com US$ 9.635 por ano pelo critério de PPP.
Um desequilíbrio grave é o subsídio aos combustíveis, que consome 20% do orçamento. Vem de um tempo em que a Indonésia era exportadora de petróleo. O país pertence à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Mas, com a queda na produção de 1,5 milhão de barris por dia no fim do século passado para 1 milhão de barris hoje e o aumento do consumo, o país se tornou importador.
Sem maioria no Congresso, Jokowi vai depender da reconciliação com o candidato derrotado, Prabowo Subianto, genro do falecido ditador Mohamed Suharto, que inicialmente entrou na Justiça para contestar o resultado das urnas. Num sinal de trégua, eles se encontraram na sexta-feira.
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