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terça-feira, 1 de outubro de 2019

China festeja 70 anos da revolução com armas de superpotência

A República Popular da China comemorou hoje os 70 anos da vitória da revolução comunista apresentando novas armas. Em discurso, o ditador Xi Jinping advertiu que "nenhuma força será capaz de impedir o avanço da China e do povo chinês", enquanto milhares de pessoas protestavam em Hong Kong, uma região administrativa especial, pedindo democracia e liberdade. Um estudante foi baleado no peito.


A Revolução Chinesa e a ascensão do país nas últimas décadas foram fenômenos definidores do mundo no século 20. De potência dominante na Ásia, onde era conhecida como Império do Centro, e uma das fábricas do mundo até o início do século 19, a China se tornou dependente do Ocidente depois de ser derrotada pelo Império Britânico nas Guerras do Ópio. 

A derrota para o Japão na Guerra Sino-Japonesa de 1894 e 1895 acabou com a ordem sinocêntrica no Leste da Ásia e apressou o fim do império chinês, em 1911. Dominado por senhores da guerra, a China se tornou um dos países mais pobres do mundo, com renda média por habitante de apenas cem dólares por ano. 

Neste ambiente de decadência, o Partido Comunista da China foi fundado em julho de 1921 e travou uma longa guerra civil contra os nacionalistas do Kuomintang. Em 1931, o Exército Imperial do Japão invadiu a região da Mandchúria e, em 1937, o resto do Leste da China, onde ficam as principais cidades do país, no início da Segunda Guerra Mundial na Ásia. 

Quando a guerra contra o Japão acabou, em 1945, recomeçou a guerra civil. Em 1º de outubro de 1949, o líder Mao Tsé-tung proclamou a fundação da República Popular da China. Meu comentário:

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Partido Comunista da China eleva Xi Jinping ao nível de Mao Tsé-tung

Sem grande surpresa, o 19º Congresso do Partido Comunista chinês terminou com a consagração total do ditador Xi Jinping, elevado a "líder central do partido", ao nível do Grande Timoneiro Mao Tsé-tung, fundador da República Popular da China. Seu pensamento foi incluído na Constituição do país, honra até agora só concedida a Mao.

Com a volta de um culto da personalidade do líder supremo que não era visto desde a morte de Mao, em 1976, a dúvida é se Xi vai transferir o poder em 2022 ou governar além do segundo mandato de cinco anos que começa agora como líder do PC e em março como presidente da República.

Depois da morte de Mao, no fim da década caótica da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), o maior líder comunista chinês foi Deng Xiaoping. Mesmo sem ser presidente nem secretário-geral do partido, Deng foi o idealizador das reformas econômicas que transformaram a China na segunda maior economia do mundo, rumo ao primeiro lugar.

É uma superpotência. Xi Jinping pretende guiar a China nesta etapa final da ascensão e exercer seu poderio renovado em escala mundial. Pelas dimensões da obra de Deng, o Pequeno Timoneiro (ele era baixinho) deveria ser comparado a Mao e não Xi, que passou os últimos cinco anos consolidando o poder.

Sua campanha anticorrupção expurgou mais de 1,5 milhão de membros do partido. Numa ditadura como o regime comunista chinês, é dentro do partido que se faz política, numa luta intestina feroz. Amanhã, será anunciada a nova composição do Politburo, de 25 membros, e do Comitê Permanente do Politburo, os sete imperadores que governam a China.

Se não for indicado um sucessor, ficará a impressão de que Xi pretende manter o poder além de 2022, quebrando uma regra imposta por Deng depois do Massacre na Praça da Paz Celestial, em Beijim, o maior desafio ao poder absoluto do partido em 68 anos no poder.

Com a morte de Mao e o clima de anarquia da Revolução Cultural, quando o pai de Xi, também alto dirigente do partido, foi mandado para reeducação numa comunidade chinês, Deng viu a oportunidade para suas reformas.

Enquanto o atual líder supremo começava a vida como criador de porcos, Deng sabia que só uma ideia seria capaz de unir o partido: modernização.

Seu programa de Quatro Modernizações (agricultura, defesa, indústria e ciência e tecnologia), lançado em 13 de dezembro de 1978, marca o início da abertura econômica chinesa, das reformas econômicas que elevaram o produto interno da China de US$ 200 bilhões, em 1978, para mais de US$ 11 trilhões, no ano passado.

Deng resgatava uma proposta de 1963 do então primeiro-ministro Chu Enlai, depois depois do igualmente fracassado Grande Salto para a Frente (1958-62), a tentativa de fabricar aço em comunidades rurais. O produto industrial era de péssima qualidade e as safras agrícolas desabaram, provocando uma grande fome e com um total estimado de 30 a 55 milhões de mortes. Foi a pior fome da história.

Na luta interna do partido pós-Revolução Cultural, Deng dobrou a velha guarda maoísta alegando que os símbolos da revolução comunista, o camponês, o operário e o soldado do Exército Popular de Libertação, ainda levavam vidas miseráveis.

A abertura econômica causou o mais rápido surto de desenvolvimento econômico da história da humanidade. Sua máxima nada marxista: "Enriquecer é a glória." O povo tem o direito de enriquecer.

Para evitar a volta da Revolução Cultural, o grande fantasma da China de hoje, uma das providências de Deng foi combater o culto da personalidade. Xi flerta com o perigo.

Sob Deng, o pensamento de Mao continuou sendo a base da política do partido para justificar o poder absoluto do PC. Virou um pai da pátria cuja imagem adorna o Portão da Paz Celestial, na entrada da Cidade Proibida, o antigo Palácio Imperial de Beijim.

Mao paira acima de todos, mas suas ideias econômicas foram totalmente abandonadas em troca do capitalismo e da "economia de mercado socialista", outra ideia de Deng, que chegou a ser entrevistado pela Enciclopédia Britânica para apresentar sua definição.

Como o mercado é anterior ao sistema capitalista, o Pequeno Timoneiro explicou que assim não haveria impedimento para o surgimento de uma economia de mercado socialista, em que o Estado não seria dono dos meios de produção, mas manteria o controle geral do sistema econômico.

A combinação de abertura econômica controlada pelo Estado com um regime político ditatorial do PC, a fórmula de Deng para a ascensão chinesa, ressuscitou o autoritarismo em escala internacional, alimentado pela crise das maiores democracias capitalistas na Grande Depressão (2008-9).

É este modelo nacionalista autoritário que a China quer exportar em aliança com a Rússia de Vladimir Putin, em contraponto à ordem internacional liberal do pós-guerra dominada pelos Estados Unidos e seus aliados europeus.

Quando os jovens desafiaram o regime depois da morte do ex-secretário-geral do PC Hu Yaobang, em abril de 1989, e um movimento pela liberdade e a democracia acampou na praça central da capital chinesa, Deng chamou soldados de outras províncias, que não falavam mandarim.

Centenas, talvez milhares, de pessoas foram mortas no Massacre da Praça da Paz Celestial, na noite de 3 para 4 de junho de 1989. Os ativistas sobreviventes até hoje são perseguidos. O massacre é fortemente censurado. A censura à Internet e a perseguição aos dissidentes são outras marcas da era Xi. Aumentaram muito nos últimos cinco anos.

Mais antiga civilização ainda existente na Terra, com mais de 4 mil anos de história, a China conseguiu criar uma burocracia capaz de administrar seu vasto território, mas, nas palavras do sinólogo americano Kenneth Lieberthal, nunca foi capaz de criar um sistema político capaz de administrar a luta de suas elites pelo poder.

Sob a orientação de Deng, a partir de 1992, o partido passou a eleger o secretário-geral e o presidente da República por dois mandatos de cinco anos. Jiang Zemin virou secretário-geral em substituição a Zhao Ziyang, que caiu por ser contra a repressão ao movimento pela democracia, em junho de 1989.

Jiang manteve a liderança do partido e foi eleito presidente em 1993. Governou por dez anos e foi sucedido por Hu Jintao, que transferiu o comando do partido em 2012 e do governo em 2013 para Xi Jinping. Ao se colocar acima de Jiang e Hu, Xi sugere que esta norma não se aplica a ele.

Numa época de crise mundial, com a queda no crescimento de 10% para menos de 7% ao ano, Xi Jinping reforçou o controle do regime comunista sobre a economia. Desde o declínio do marxismo como ideologia, é o crescimento econômico que legitima o poder absoluto do partido.

A China planeja reorientar sua economia do investimento e da exportação para uma economia de consumo, serviços e alta tecnologia. Há um excesso de capacidade odiosa, o risco de formação de uma bolha no mercado imobiliário e o endividamento chegou a 265% do PIB, com grande peso das empresas estatais ineficientes.

Xi reluta em aprofundar as reformas por medo do impacto político da queda do crescimento. Quando a crise econômica vier, e um dia virá, o poder absoluto do partido será questionado. Assim, o PC chinês segue a teoria da bicicleta: precisa continuar pedalando, fazendo reformas, para manter o dinamismo da economia. Se parar, cai.

Em seu discurso de quase quatro horas na abertura do congresso do PC, na semana passada, o líder máximo defendeu a luta contra a corrupção, bastante popular, dadas as fortunas acumuladas por dirigentes do partido, e o combate à poluição para melhorar a qualidade de vida. Beijim sofre com uma poluição do ar 10 a 20 vezes pior do que o limite considerado saudável pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Também prometeu reformar as estatais, continuar a modernização tecnológica das Forças Armadas e colocar a Nova China no centro das decisões internacionais com seu ambicioso projeto de recriar a Rota da Seda, uma via comercial ligando o país à Europa, seu maior mercado consumidor. São projetos para muito além de 2022.

Uma possibilidade é que Xi siga o exemplo do presidente Vladimir Putin, que presidiu a Rússia de 2000 a 2008, trocou de cargo durante um mandato com o primeiro-ministro Dimitri Medvedev e voltou à Presidência em 2012. O Medvedev de Xi Jinping estaria entre os indicados para o Comitê Permanente.

 Tudo, inclusive a pretensão de ser o maior líder do partido desde Mao, depende do desempenho e da ascensão da economia. É o partido que depende da economia e não o contrário.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Transição hegemônica EUA-China gera riscos

A irresistível ascensão da China e o declínio relativo dos Estados Unidos levam à chamada transição hegemônica, sempre um período de alto risco nas relações internacionais, observou o historiador Ronald Pruessen, professor da Universidade de Toronto, no Canadá, em palestra na Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, em 8 de novembro de 2011.

"Quando um grande ator entra em cena, os outros países mudam o comportamento em relação a ele", comentou. "Sua moral e seus sistemas de valores passam a ter mais peso. Até agora, isso não criou problemas significativos".

No momento, por causa da interdependência das duas maiores economias do mundo, "há um certo grau de tensão e um certo grau de estabilidade" nas relações EUA-China. "Os EUA têm fraquezas como a dívida e a infraestrutura. No Discurso sobre o Estado da União, o presidente Obama deu grau D para a infraestrutura do país".

Há uma década, recordou, "a China ia ultrapassar a economia americana em 2041. Agora, há estudos prevendo que será três vezes maior em 2040".

Em editorial publicado em 17 de fevereiro de 1941, o editor da revista Time, Henry Luce, usou a expressão Século Americano, exortando os EUA a abandonar seu isolacionismo histórico e aproveitar a Segunda Guerra Mundial para se tornar a potência dominante nas relações internacionais. Agora, parece que o século de Luce vai terminar antes de completar cem anos.

A questão central, pondera o professor Pruessen, é se as duas superpotências vão colaborar, criando um mundo baseado na interdependência econômica entre os dois países, no que ele chamou de Chimérica, ou se vão de envolver num "choque de titãs".

Há uma disputa pela supremacia. A China investe cada vez mais em tecnologia de defesa. Já tem porta-aviões, mísseis antissatélites e outras armas capazes de neutralizar a superioridade dos EUA no Oceano Pacífico e projetar seu poderio por outros mares.

Os americanos, por sua vez, apoiaram o Japão quando um pesqueiro chinês bateu num navio da Marinha japonesa em águas territoriais disputadas, vendem armas para Taiwan e fizeram uma parceria nuclear com a Índia.

Em 1971, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, foi a Beijim para jogar a carta da China contra a União Soviética na Guerra Fria. Os EUA podem usar agora a Índia e o Japão como parceiros para contrabalançar o superpoderio chinês.

Hoje a secretária de Estado, Hillary Clinton, chegou a Mianmar, um regime ditatorial que fazia parte do colar de pérolas, os aliados da China na região. Aproveita a abertura política no país para afastá-lo da China e atraí-lo para a esfera de influência dos EUA.

Para o professor John Mearsheimer, da Universidade de Chicago, um pensador da corrente realista citado por Pruessen, "a História mostra que isto não acaba bem".

Já o ex-assessor de Segurança Nacional dos EUA no governo Jimmy Carter, Zbigniew Brzezinski, acredita na Chimérica. Pensa que "a História não é um grande guia para olhar para a frente".

Criador do conceito de poder suave, o poder da persuasão e da comunicação, o professor Joseph Nye, da Universidade de Harvard, entende que "o mundo aprendeu com as guerras e crises do passado. Ainda existem paixões nacionalistas, mas as ações serão mais racionais".

Como o déficit comercial dos EUA com a China é o maior da História e os chineses são os maiores donos de títulos da dívida pública americana, "os EUA não estão em condições de adotar uma postura mais beligerante em relação à China", notou Pruessen. "A China também não pode tomar medidas contra os EUA sem dar um tiro nos próprios pés".

O cenário de interdependência, da Chimérica, é o mais provável. Vai evoluir para um Grupo dos Dois (G-2) que tomará todas as grandes decisões internacionais? É difícil, no mundo globalizado, concentrar tanto poder. Há um ônus da hegemonia, a sobre-extensão imperial, e o multilateralismo dá mais condições para enfrentar problemas globais, da crise econômica à mudança do clima.

"É virtualmente impossível prever os próximos 10 ou 15 anos. Há muita complexidade. A visão chinesa é extremamente otimista", como era no Super-Japão dos anos 80. "Os EUA têm sérios problemas, mas as empresas que estão mudando o mundo, como Apple, Google e Facebook, são americanas, têm grande energia criativa", acrescenta o professor Pruessen.

"Enquanto a China gastou US$ 300 bilhões para construir uma rede ferroviária para trens de alta velocidade", compara o historiador, um projeto suspenso depois de um acidente grave, "o presidente Obama não consegue US$ 65 bilhões do Congresso para lançar um novo programa de geração de empregos".

A China terá problemas demográficos. Por força da política do filho único para conter a natalidade, vai haver escassez de mão de obra para trabalhar e sustentar a previdência social. Seu crescimento não será sempre linear, a taxas elevadas. O país tem sérios problemas ambientais por causa da industrialização sem controle numa sociedade autoritária e problemas políticos em potencial.

Quando uma crise econômica séria afetar o bem-estar da sociedade chinesa, inevitavelmente o monopólio de poder do Partido Comunista será questionado: "Não é difícil imaginar que a economia da China tenha problemas. As consequências políticas e sociais podem ser enormes", admite o professor Pruessen.

"A classe média", como disse uma autoridade chinesa ao então embaixador brasileiro em Beijim, Luiz Augusto de Castro Neves, "é muito palpiteira".

Pruessen vê no multipolarismo crescente uma limitação ao que os EUA e a China poderão fazer unilateralmente como grandes potências. Ao mesmo tempo, os chineses se tornam cada vez mais influentes nas organizações internacionais. Isso implica uma adesão às normas, regimes e procedimentos do sistema internacional.

"Eles terão a sabedoria de manter um comportamento moderado e pragmático"? pergunta-se o professor da Universidade de Toronto. "A Alemanha pós-Bismarck mostra que grandes líderes podem ser substituídos por líderes irracionais".

Nas conferências de relações internacionais, os chineses afirmam ter aprendido com as lições das ascensões da Alemanha e da União Soviética, que levaram a duas guerras mundiais quentes e à Guerra Fria. Mas o fortalecimento militar da China e a atitude agressiva em relação a vizinhos com os quais têm questões territoriais aumentam a tensão na Ásia.

O declínio dos EUA gera o radicalismo de movimentos como a Festa do Chá, um grupo de radicais de direita que sonha em recriar um país idealizado do tempo dos Pais da Pátria. A única questão capaz de unir hoje os partidos Republicano e Democrata nos EUA é falar mal da China.

Na blogosfera chinesa, há um crescente militarismo nacionalista que parece medir a ascensão chinesa pela capacidade de confrontar os EUA. É preciso conter os radicais dos dois lados.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Presidente da China faz visita oficial aos EUA

O presidente Hu Jintao chegou hoje a Washington para uma visita oficial de quatro dias aos Estados Unidos no momento em que a China se afirma como superpotência e exige tratamento de igual para igual. Entre os temas centrais, estão câmbio, comércio, o crescente poderio militar chinês, Taiwan, a questão nuclear da Coreia do Norte e os direitos humanos. 

A China confirmou recentemente ter desenvolvido um míssil antinavio capaz de atingir os porta-aviões americanos e começou a testar um avião de caça invisível aos radares, o J-20, capazes de neutralizar a superioridade aeronaval dos EUA no Oeste do Oceano Pacífico. É o único país em condições de convencer a Coreia do Norte a não fazer armas nucleares.

Para a opinião pública chinesa, as relações entre os dois países se deterioraram em 2010. Mas, desde que Mao Tsé-tung convidou uma equipe de tênis de mesa dos EUA a jogar na China, em 1971, o comércio bilateral cresceu 4 mil vezes, chegando a mais de US$ 400 bilhões no passado, com déficit de mais de US$ 250 bilhões para os EUA. Os números finais de 2010 ainda não foram calculados.


Na semana passada, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, condicionou o acesso da China a setores de alta tecnologia dos EUA a uma abertura maior do imenso mercado interno chinês a produtos americanos. Nesta semana, voltou a pressionar Beijim a valorizar o iuã para refletir os saldos comerciais chineses e equilibrar o comércio entre os dois países.

Mais preocupado em garantir empregos para os milhões de jovens que chegam todos os anos ao mercado de trabalho, o regime comunista chinês resiste. A subvalorização da moeda é a pedra fundamental de agressiva política de exportações que está tornando a China na maior economia do mundo.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, criticou na semana passada a situação dos direitos humanos na China, pedindo a libertação do dissidente Liu Xiaobo, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2010. Mas, numa mensagem vazada pelo sítio WikiLeaks, admitiu que gostaria de ser mais dura nas negociações com a China e perguntou: "Como negociar duramente com seu banqueiro?"

Os chineses detêm hoje mais de US$ 1 trilhão em títulos da dívida pública dos EUA. A interdependência econômica entre as duas maiores potências é cada vez maior.

Discreto, Hu é um dos líderes mundiais menos conhecidos. Seu poder certamente é limitado pela estrutura do regime político chinês e pela aproximação do fim de seu segundo e último mandato, em 2012.

Em entrevista por escrito a jornais americanos, o presidente chinês declarou que "os dois países ganham com a cooperação e perdem com a confrontação". O resto do mundo assiste com atenção.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Inflação chinesa passa de 7% ao ano

A inflação anual da China em janeiro foi a maior dos últimos 11 anos. Chegou a 7,1%, depois de registrar um crescimento de preços de 6,5% no final de 2007.

É mais um sinal de superaquecimento na economia que mais cresce no mundo, 11,4% no ano passado. As autoridades econômicas chinesas enfrentam um dilema entre controlar a inflação ou esperar para ver se o impacto da crise financeira nos Estados Unidos não será suficiente para desaquecer a economia e arrefecer o crescimento de preços.

Como uma superpotência econômica e locomotiva da economia mundial, a China é a esperança de que desta vez a crise americana não contagie o resto do mundo.