É o grande acobertamento de um crime bárbaro em marcha. Diante de uma reação internacional sem precedentes, a monarquia absolutista da Arábia Saudita confirmou hoje que o jornalista dissente Jamal Khashoggi foi morto dentro do consulado do país em Istambul, na Turquia. De início, os sauditas alegaram que o jornalista saíra do consulado. Agora, a desculpa oficial é que houve uma "confrontação com pessoas reunidas no consulado".
Dezoito pessoas foram presas. Dois altos funcionários foram presos, o subchefe do serviço secreto, general Ahmed Assiri, e o assessor real Saud al-Kahtani. O sultão Salman ben Abdul Aziz al-Saud mandou uma comissão formada pelo príncipe-herdeiro e homem-forte do reino, Mohamed ben Salman, principal suspeito de ser o mandante do crime, para reestruturar o serviço.
"As pessoas que ele conheceu no consulado do reino em Istambul provocaram uma briga que levou à sua morte", afirmou a agência oficial de notícias saudita. "As investigações estão em andamento e 18 súditos do reino foram presos."
Nenhum esclarecimento sobre o que foi feito do corpo. Ninguém vai comprar esta versão mentirosa ou talvez só o presidente Donald Trump. Ele deixou claro que não pretende cancelar negócios de venda de armas no valor de US$ 110 bilhões nem mudar sua política para o Oriente Médio, de isolar o Irã e defender Israel.
MbS, como o príncipe é conhecido popularmente, prometeu enfrentar o clero ultraconservador, combater o terrorismo, se aproximar de Israel, contribuir para a paz com os palestinos e modernizar o país para prepará-lo para a era pós-petróleo com o programa Arábia Saudita 2030.
Tudo isso e seu próprio futuro como sultão estão ameaçados pela morte de Khashoggi, um ex-assessor da família real que se mudou para os EUA no ano passado e era colunita do jornal The Washington Post. Ele entrou no consulado em 2 de outubro para pegar um documento para se casar e nunca mais saiu.
Gravações vazadas para a imprensa pela inteligência turca revelaram que Jamal foi esquartejado vivo até a morte. Para o jornalista americano Thomas Friedman, que considerava a missão do príncipe quase impossível, agora entende que ele nunca poderá ser rei.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Arábia Saudita confirma morte de jornalista em "briga" no sindicato
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Arábia Saudita deve admitir que jornalista morreu sob tortura
Em conversa telefônica com o presidente Donald Trump, o sultão da Arábia Saudita, Salman ben Abdul Aziz al-Saud, negou hoje ter qualquer conhecimento da morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinado durante uma visita ao Consulado Saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro. Horas depois, a CNN noticiou que o reino prepara um relatório para admitir que ele morreu durante o interrogatório.
Desde o início do caso, uma das explicações possíveis é que uma equipe de 15 agentes sauditas foi à Turquia naquele dia para tentar prender Khashoggi e levá-lo para a Arábia Saudita. Como ele resistiu, pode ter sido morto quando era torturado.
Ex-assessor da família real, Khashoggi se tornou um dos maiores críticos do príncipe-herdeiro Mohamed ben Salman. No ano passado, foi para o autoexílio nos Estados Unidos, onde era colaborador do jornal The Washington Post.
Para desculpar a monarquia absolutista saudita, conhecida por ser um reino medieval sem o menor respeito pelos direitos humanos, Trump disse hoje que podem ser "assassinos vagabundos", sem ligação com a Arábia Saudita.
É difícil imaginar como 15 agentes tenham ido a Turquia numa operação desses sem a autorização da família real. A desculpa oficial pode ser que eles não tinham autorização superior para fazer o que fizeram.
Trump enviou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, a Riade para conversar com o sultão.
Desde o início do caso, uma das explicações possíveis é que uma equipe de 15 agentes sauditas foi à Turquia naquele dia para tentar prender Khashoggi e levá-lo para a Arábia Saudita. Como ele resistiu, pode ter sido morto quando era torturado.
Ex-assessor da família real, Khashoggi se tornou um dos maiores críticos do príncipe-herdeiro Mohamed ben Salman. No ano passado, foi para o autoexílio nos Estados Unidos, onde era colaborador do jornal The Washington Post.
Para desculpar a monarquia absolutista saudita, conhecida por ser um reino medieval sem o menor respeito pelos direitos humanos, Trump disse hoje que podem ser "assassinos vagabundos", sem ligação com a Arábia Saudita.
É difícil imaginar como 15 agentes tenham ido a Turquia numa operação desses sem a autorização da família real. A desculpa oficial pode ser que eles não tinham autorização superior para fazer o que fizeram.
Trump enviou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, a Riade para conversar com o sultão.
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segunda-feira, 27 de agosto de 2018
Rei da Arábia Saudita vetou privatização parcial da estatal de petróleo
Nos últimos dois anos, por iniciativa do príncipe-herdeiro, Mohamed ben Salman, a Arábia Saudita preparou a venda de 5% das ações da companhia estatal de petróleo Aramco. A meta era arrecadar US$ 100 bilhões para o plano de modernização Arábia Saudita 2030. Em junho, o sultão Salman ben Abdul Aziz al Saud mandou cancelar a privatização, revelou hoje a agência Reuters.
Seria a maior oferta pública inicial de ações da história. Se chagasse a US$100 bilhões, a empresa estaria avaliada em US$2 trilhões. O rei tomou a decisão depois de ouvir membros da família real, banqueiros e altos executivos do setor de petróleo, inclusive um ex-diretor-geral da Aramco.
A maior advertência desses conselheiros foi que exporia o reino e o buraco negro de seus negócios petrolíferos, sua base de poder. Para ter ações cotadas em bolsas de valores, a empresa teria de revelar suas atividades financeiras em detalhes.
O príncipe Mohamed chegou a desmentir as notícias do cancelamento da privatização, mas todos os analistas acreditam que a palavra do rei é definitiva, apesar de um comitê formado por MbS e os ministros da Energia, da Economia e das Finanças.
É uma perda de poder de jovem príncipe de 32 anos. Desde que assumiu o Ministério da Defesa, em janeiro de 2015, MbS interveio na guerra civil do Iêmen, hoje a mais violenta do mundo, sem conseguir restaurar o governo deposto por rebeldes hutis apoiados pelo Irã. Também promoveu um cerco político, econômico e diplomático ao emirado do Catar, acusando-o de ser próximo do Irã, seu arqui-inimigo.
O príncipe deu às mulheres o direito de dirigir e mandou reabrir os cinemas de seu reino medieval. A Arábia Saudita não está preparada para a modernidade.
Em abril de 2015, Mohamed se tornou o príncipe-herdeiro, destronando o primo Mohamed ben Nayef. Ao se aproximar do governo Donald Trump e mais discretamente de Israel, também arqui-inimigos do regime fundamentalista iraniano, MbS deu a impressão de que aceitaria a decisão americana de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.
"O rei está obscecado pelo julgamento da história", comentou uma das fontes da Reuters. Não quer passar a história como o sultão que entregou Jerusalém e vendeu a Aramco.
Seria a maior oferta pública inicial de ações da história. Se chagasse a US$100 bilhões, a empresa estaria avaliada em US$2 trilhões. O rei tomou a decisão depois de ouvir membros da família real, banqueiros e altos executivos do setor de petróleo, inclusive um ex-diretor-geral da Aramco.
A maior advertência desses conselheiros foi que exporia o reino e o buraco negro de seus negócios petrolíferos, sua base de poder. Para ter ações cotadas em bolsas de valores, a empresa teria de revelar suas atividades financeiras em detalhes.
O príncipe Mohamed chegou a desmentir as notícias do cancelamento da privatização, mas todos os analistas acreditam que a palavra do rei é definitiva, apesar de um comitê formado por MbS e os ministros da Energia, da Economia e das Finanças.
É uma perda de poder de jovem príncipe de 32 anos. Desde que assumiu o Ministério da Defesa, em janeiro de 2015, MbS interveio na guerra civil do Iêmen, hoje a mais violenta do mundo, sem conseguir restaurar o governo deposto por rebeldes hutis apoiados pelo Irã. Também promoveu um cerco político, econômico e diplomático ao emirado do Catar, acusando-o de ser próximo do Irã, seu arqui-inimigo.
O príncipe deu às mulheres o direito de dirigir e mandou reabrir os cinemas de seu reino medieval. A Arábia Saudita não está preparada para a modernidade.
Em abril de 2015, Mohamed se tornou o príncipe-herdeiro, destronando o primo Mohamed ben Nayef. Ao se aproximar do governo Donald Trump e mais discretamente de Israel, também arqui-inimigos do regime fundamentalista iraniano, MbS deu a impressão de que aceitaria a decisão americana de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.
"O rei está obscecado pelo julgamento da história", comentou uma das fontes da Reuters. Não quer passar a história como o sultão que entregou Jerusalém e vendeu a Aramco.
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terça-feira, 26 de setembro de 2017
Arábia Saudita finalmente autoriza mulheres a dirigir
Por decreto real, o sultão Salman ben Abdul Aziz al Saud decidiu autorizar as mulheres da Arábia Saudita a dirigir. Era o único país do mundo onde as mulheres eram proibidas de dirigir. O decreto entra em vigor em junho de 2018, dando tempo a um comitê governamental de examinar as consequências da medida.
"Examinamos as consequências negativas de não deixar as mulheres dirigirem e os aspectos positivos de permitir que o façam, levando em consideração a necessária regulamentação com base no direito islâmico e sua aplicação", diz o decreto real.
Para as mulheres sauditas, foi a vitória numa campanha que durou décadas: "Estamos empolgadas. Estamos na lua", declarou Hatun al Fassi, historiadora e feminista saudita. "Nossa luta, nossos anos de trabalho, finalmente deram resultado. Nosso direito foi conquistado. É um momento histórico. O rei Salman tomou uma decisão história."
A medida, imediatamente criticada pelos sauditas conservadores nas redes sociais, chega num momento de grandes reformas promovidas pelo príncipe herdeiro Mohamed ben Salman. Ele pretende abrir a economia da Arábia Saudita para acabar com a dependência do petróleo.
O rei Salman mudou a regra sucessória, nomeando seu próprio filho como príncipe herdeiro. Será o primeiro rei saudita que não será filho do fundador do país Abdul Aziz al Saud.
Desde o início do mês, dezenas de pessoas foram presas por articular uma suposta oposição a uma abdicação do rei Salman em benefício do filho.
"Examinamos as consequências negativas de não deixar as mulheres dirigirem e os aspectos positivos de permitir que o façam, levando em consideração a necessária regulamentação com base no direito islâmico e sua aplicação", diz o decreto real.
Para as mulheres sauditas, foi a vitória numa campanha que durou décadas: "Estamos empolgadas. Estamos na lua", declarou Hatun al Fassi, historiadora e feminista saudita. "Nossa luta, nossos anos de trabalho, finalmente deram resultado. Nosso direito foi conquistado. É um momento histórico. O rei Salman tomou uma decisão história."
A medida, imediatamente criticada pelos sauditas conservadores nas redes sociais, chega num momento de grandes reformas promovidas pelo príncipe herdeiro Mohamed ben Salman. Ele pretende abrir a economia da Arábia Saudita para acabar com a dependência do petróleo.
O rei Salman mudou a regra sucessória, nomeando seu próprio filho como príncipe herdeiro. Será o primeiro rei saudita que não será filho do fundador do país Abdul Aziz al Saud.
Desde o início do mês, dezenas de pessoas foram presas por articular uma suposta oposição a uma abdicação do rei Salman em benefício do filho.
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quarta-feira, 21 de junho de 2017
Sultão da Arábia Saudita nomeia filho como sucessor
O rei da Arábia Saudita, Salman ben Abdul Aziz al Saud, mudou a linha sucessória, promovendo seu filho Mohamed ben Salman, de 31 anos, de segundo para primeiro príncipe herdeiro. Até hoje, todos os sultões sauditas foram filhos do fundador do país, Abdul Aziz al Saud. O rei Salman vira a linha sucessória para sua descendência.
Até agora, o primeiro na linha de sucessão ao trono era Mohamed ben Nayef, ministro do Interior, responsável pelo combate ao terrorismo. A grande questão é se o resto da família real vai aceitar a manobra do sultão.
O príncipe Mohamed ben Salman é ministro da Defesa e presidente o conselho econômico encarregado de modernizar a economia do país. Para promover o desenvolvimento e reduzir a dependência do petróleo, propôs uma série de reformas liberalizantes que incluem a venda de 5% da companhia estatal de petróleo.
Até o pai ascender ao trono, em janeiro de 2015, o jovem príncipe era praticamente desconhecido do público saudita Seu desafio será modernizar o regime e reduzir a dependência do petróleo sem minar todo o sistema político, se não houver uma revolta dos príncipes caroneados na manobra do rei.
Para o jornal liberal israelense Haaretz, é uma boa notícia para os Estados Unidos e Israel na medida em que fortalece o setor reformista, preocupado em modernizar a economia saudita.
Até agora, o primeiro na linha de sucessão ao trono era Mohamed ben Nayef, ministro do Interior, responsável pelo combate ao terrorismo. A grande questão é se o resto da família real vai aceitar a manobra do sultão.
O príncipe Mohamed ben Salman é ministro da Defesa e presidente o conselho econômico encarregado de modernizar a economia do país. Para promover o desenvolvimento e reduzir a dependência do petróleo, propôs uma série de reformas liberalizantes que incluem a venda de 5% da companhia estatal de petróleo.
Até o pai ascender ao trono, em janeiro de 2015, o jovem príncipe era praticamente desconhecido do público saudita Seu desafio será modernizar o regime e reduzir a dependência do petróleo sem minar todo o sistema político, se não houver uma revolta dos príncipes caroneados na manobra do rei.
Para o jornal liberal israelense Haaretz, é uma boa notícia para os Estados Unidos e Israel na medida em que fortalece o setor reformista, preocupado em modernizar a economia saudita.
segunda-feira, 25 de abril de 2016
Arábia Saudita faz planos para a era pós-petróleo
A Arábia Saudita anunciou hoje um ambicioso plano de reformas econômicas para diversificar a economia e superar a dependência do petróleo. O regime monárquico absolutista pretende vender até 5% da empresa estatal de petróleo Saudi Aramco e criar o maior fundo soberano do mundo, de US$ 2 trilhões.
"Desenvolvemos um verdadeiro vício em petróleo e isso transtornou o desenvolvimento de vários setores nos últimos anos", declarou em entrevista à televisão Al Arabiya, de propriedade da família real, o segundo príncipe herdeiro, Mohamed ben Salman, filho do sultão Salman ben Abdul Aziz al Saud. Com apenas 31 anos, é o homem-forte do reino desde a ascensão do pai ao trono em janeiro de 2015.
É a mesma fórmula usada para Noruega, cujo fundo tem hoje US$ 866 bilhões. A partir de 2020, o fundo saudita deve gerar uma renda equivalente aos ganhos com petróleo.
"A Aramco é tão grande que, se vendermos 1%, já será a maior oferta inicial de ações do mundo", acrescentou o segundo príncipe herdeiro saudita. É a maior companhia de petróleo do mundo, com capacidade de produção acima de 12 milhões de barris por dia, duas vezes mais do que qualquer outra empresa, e a quarta maior em refino.
Hoje a economia saudita depende em 80%. Como os preços caíram cerca de 70%, de US$ 110 em junho de 2014 para menor de US$ 30 no início deste ano, e hoje estão pouco acima de US$ 40, o reino enfrenta dificuldades financeiras.
Na prática, a Arábia Saudita foi a grande articuladora da queda nos preços do petróleo junto com as outras monarquias petroleiras do Golfo Pérsico. O objetivo era tirar do mercado produtores de alto custo como o óleo de xisto dos Estados Unidos, que voltaram a ser os maiores produtores mundiais de combustíveis líquidos. O déficit orçamento de 2015 ficou em US$ 100 bilhões
O príncipe Mohamed ben Salman negou que sua Visão Saudita seja consequência da queda nos preços do petróleo: "Seria posta em prática qualquer que fosse o preço. A Visão não requer grandes gastos e, sim, reestruturação."
Nos anos 1980s, no auge da segunda crise do petróleo e da Organização dos Países Exportadores do Petróleo (OPEP), o todo-poderoso ministro do Petróleo da Arábia Saudita, xeque Ahmed Zaki Yamani, advertiu: "A Idade da Pedra não acabou por falta de pedras. A era do petróleo vai acabar antes do fim do petróleo."
Agora, o segundo príncipe herdeiro pensa claramente nesta possibilidade: "A partir de 2020, se acaba o petróleo, podemos sobreviver. Precisamos do petróleo, mas creio que a partir de 2020 poderemos viver sem petróleo."
"Desenvolvemos um verdadeiro vício em petróleo e isso transtornou o desenvolvimento de vários setores nos últimos anos", declarou em entrevista à televisão Al Arabiya, de propriedade da família real, o segundo príncipe herdeiro, Mohamed ben Salman, filho do sultão Salman ben Abdul Aziz al Saud. Com apenas 31 anos, é o homem-forte do reino desde a ascensão do pai ao trono em janeiro de 2015.
É a mesma fórmula usada para Noruega, cujo fundo tem hoje US$ 866 bilhões. A partir de 2020, o fundo saudita deve gerar uma renda equivalente aos ganhos com petróleo.
"A Aramco é tão grande que, se vendermos 1%, já será a maior oferta inicial de ações do mundo", acrescentou o segundo príncipe herdeiro saudita. É a maior companhia de petróleo do mundo, com capacidade de produção acima de 12 milhões de barris por dia, duas vezes mais do que qualquer outra empresa, e a quarta maior em refino.
Hoje a economia saudita depende em 80%. Como os preços caíram cerca de 70%, de US$ 110 em junho de 2014 para menor de US$ 30 no início deste ano, e hoje estão pouco acima de US$ 40, o reino enfrenta dificuldades financeiras.
Na prática, a Arábia Saudita foi a grande articuladora da queda nos preços do petróleo junto com as outras monarquias petroleiras do Golfo Pérsico. O objetivo era tirar do mercado produtores de alto custo como o óleo de xisto dos Estados Unidos, que voltaram a ser os maiores produtores mundiais de combustíveis líquidos. O déficit orçamento de 2015 ficou em US$ 100 bilhões
O príncipe Mohamed ben Salman negou que sua Visão Saudita seja consequência da queda nos preços do petróleo: "Seria posta em prática qualquer que fosse o preço. A Visão não requer grandes gastos e, sim, reestruturação."
Nos anos 1980s, no auge da segunda crise do petróleo e da Organização dos Países Exportadores do Petróleo (OPEP), o todo-poderoso ministro do Petróleo da Arábia Saudita, xeque Ahmed Zaki Yamani, advertiu: "A Idade da Pedra não acabou por falta de pedras. A era do petróleo vai acabar antes do fim do petróleo."
Agora, o segundo príncipe herdeiro pensa claramente nesta possibilidade: "A partir de 2020, se acaba o petróleo, podemos sobreviver. Precisamos do petróleo, mas creio que a partir de 2020 poderemos viver sem petróleo."
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segunda-feira, 11 de maio de 2015
Novo rei da Arábia Saudita rejeita convite de Obama
Num sinal de descontentamento com as negociações nucleares entre os Estados Unidos e o Irã, o novo rei da Arábia Saudita, Salman ben Abdul Aziz al-Saud, não vai participar de uma reunião nos dias 13 e 14 de maio com as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico convocada pelo presidente Barack Obama, informa o jornal The New York Times.
Até sexta-feira, a Casa Branca contava com a presença de Salman, que talvez ligue para Obama hoje para se explicar. Os países do Golfo querem, na reunião a ser realizada em Camp David, na casa de campo dos presidentes americanos, garantias de segurança dos EUA contra a expansão do Irã.
As grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha estão negociando até 30 de junho de 2015 um acordo para desarmar o programa nuclear do Irã e evitar que o país faça bomba atômicas. Israel e os países árabes não acreditam no compromisso do regime fundamentalista iraniano com o desarmamento nuclear.
No domingo, a agência oficial saudita revelou que o país será representado pelos recém-promovidos a primeiro príncipe herdeiro, o ministro do Interior, Mohamed ben Nayef; e segundo príncipe herdeiro, o ministro da Defesa, Mohamed ben Salman, filho do novo rei.
O rei do Bahrein, Hamad ben Issa al-Khalifah, também não vai. Com problemas de saúde, o sultão de Omã e o presidente dos Emirados Árabes Unidos nunca foram esperados. Os outros convidados são os emires do Kuwait e do Catar, que seguem hoje para Washington.
Para o governo Obama, a reunião visa a reassegurar os árabes de que os EUA não estão se retirando do Oriente Médio nem se acomodando diante de uma expansão crescente da influência do Irã no Bahrein, no Iraque, na Síria, no Líbano e no Iêmen.
As monarquias petroleiras também estão insatisfeitas com uma entrevista recente de Obama a Thomas Friedman, do NY Times. O presidente advertiu que certos países deveriam se preocupar com ameaças internas como "populações alienadas, jovens subempregados, uma ideologia destrutiva e niilista e, em alguns casos, uma sensação de que não há saída política legítima para expressar insatisfação".
Por causa do compromisso com a segurança de Israel, é improvável que os EUA assinem um tratado de defesa mútua com os países do Golfo, que teria de ser aprovado pelo Congresso. Mais provável é a venda de sistemas de defesa americanos de alta tecnologia.
A ausência do novo sultão dará a oportunidade aos EUA de avaliar os novos príncipes herdeiros nomeados por Salman, que representam uma mudança de gerações na política saudita.
Até sexta-feira, a Casa Branca contava com a presença de Salman, que talvez ligue para Obama hoje para se explicar. Os países do Golfo querem, na reunião a ser realizada em Camp David, na casa de campo dos presidentes americanos, garantias de segurança dos EUA contra a expansão do Irã.
As grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha estão negociando até 30 de junho de 2015 um acordo para desarmar o programa nuclear do Irã e evitar que o país faça bomba atômicas. Israel e os países árabes não acreditam no compromisso do regime fundamentalista iraniano com o desarmamento nuclear.
No domingo, a agência oficial saudita revelou que o país será representado pelos recém-promovidos a primeiro príncipe herdeiro, o ministro do Interior, Mohamed ben Nayef; e segundo príncipe herdeiro, o ministro da Defesa, Mohamed ben Salman, filho do novo rei.
O rei do Bahrein, Hamad ben Issa al-Khalifah, também não vai. Com problemas de saúde, o sultão de Omã e o presidente dos Emirados Árabes Unidos nunca foram esperados. Os outros convidados são os emires do Kuwait e do Catar, que seguem hoje para Washington.
Para o governo Obama, a reunião visa a reassegurar os árabes de que os EUA não estão se retirando do Oriente Médio nem se acomodando diante de uma expansão crescente da influência do Irã no Bahrein, no Iraque, na Síria, no Líbano e no Iêmen.
As monarquias petroleiras também estão insatisfeitas com uma entrevista recente de Obama a Thomas Friedman, do NY Times. O presidente advertiu que certos países deveriam se preocupar com ameaças internas como "populações alienadas, jovens subempregados, uma ideologia destrutiva e niilista e, em alguns casos, uma sensação de que não há saída política legítima para expressar insatisfação".
Por causa do compromisso com a segurança de Israel, é improvável que os EUA assinem um tratado de defesa mútua com os países do Golfo, que teria de ser aprovado pelo Congresso. Mais provável é a venda de sistemas de defesa americanos de alta tecnologia.
A ausência do novo sultão dará a oportunidade aos EUA de avaliar os novos príncipes herdeiros nomeados por Salman, que representam uma mudança de gerações na política saudita.
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quarta-feira, 29 de abril de 2015
Sultão da Arábia Saudita muda príncipe herdeiro e ministro do Exterior
Numa mudança inesperada na alta cúpula da monarquia da Arábia Saudita, o rei Salman destituiu seu meio-irmão Mukrin ben Abdul Aziz do posto de príncipe herdeiro e nomeou como seu herdeiro o príncipe Mohamed ben Nayef, ministro do Interior e seu sobrinho, que até agora era o segundo na linha de sucessão ao trono. O segundo agora é o príncipe Mohamed ben Salman, filho do novo sultão e ministro da Defesa.
Se ascender ao trono, Nayef será o primeiro rei saudita que não será um dos 45 filhos do fundador do país, Abdul Aziz al Saud. Como ministro do Exterior, ele se notabilizou na repressão interna à rede terrorista Al Caeda e outros grupos jihadistas. É uma voz influente na política externa do reino.
O novo rei, que chegou ao poder supremo em 23 de fevereiro de 2015 com a morte do sultão Abdala, também substituiu o veterano ministro do Exterior saudita, príncipe Saud al-Faissal, pelo embaixador nos Estados Unidos, Adel al-Jubeir.
Salman decidiu adotar uma política externa mais agressiva para conter a expansão da influência do Irã no Oriente Médio. Desde 25 de março, a Arábia Saudita e aliados sunitas intervêm militarmente no Iêmen para conter o avanço dos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã. Os dois príncipes promovidos estão diretamente envolvidos na intervenção militar.
Se ascender ao trono, Nayef será o primeiro rei saudita que não será um dos 45 filhos do fundador do país, Abdul Aziz al Saud. Como ministro do Exterior, ele se notabilizou na repressão interna à rede terrorista Al Caeda e outros grupos jihadistas. É uma voz influente na política externa do reino.
O novo rei, que chegou ao poder supremo em 23 de fevereiro de 2015 com a morte do sultão Abdala, também substituiu o veterano ministro do Exterior saudita, príncipe Saud al-Faissal, pelo embaixador nos Estados Unidos, Adel al-Jubeir.
Salman decidiu adotar uma política externa mais agressiva para conter a expansão da influência do Irã no Oriente Médio. Desde 25 de março, a Arábia Saudita e aliados sunitas intervêm militarmente no Iêmen para conter o avanço dos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã. Os dois príncipes promovidos estão diretamente envolvidos na intervenção militar.
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Hutis exigem fim dos bombardeios sauditas para negociar no Iêmen
Depois de 12 dias de bombardeios aéreos liderados pela Arábia Saudita e mais de 500 mortes, os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, manifestaram a intenção de participar de negociações sobre a paz no Iêmen. Suas exigências são o fim dos bombardeios e uma mediação neutra.
O veterano líder huti Saleh al-Samad quer que as negociações sejam transmitidas ao vivo pela televisão para a população iemenita acompanhar.
Em 30 de março, o novo rei Salman ben Abdul Aziz al-Saud, da Arábia Saudita, declarou estar pronto para suspender a campanha aérea e realizar negociações no âmbito do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, dominado pela Arábia Saudita e outras monarquias petroleiras árabes aliadas. Não é um mediador neutro.
No porto de Áden, milícias tribais xiitas aliadas ao presidente deposto Abed Rabbo Mansur Hadi, que fugiu para a Arábia Saudita, resistem à ofensiva huti. Os combates são violentos. Só hoje cerca de 50 pessoas foram mortas.
Há o risco de uma tragédia humanitária. A Rússia apresentou um anteprojeto de resolução ao Conselho de Segurança das Nações propondo uma trégua humanitária. É uma manobra diplomática oportunista num conflito onde não há interesses russos em jogo, mas a população local merece.
O veterano líder huti Saleh al-Samad quer que as negociações sejam transmitidas ao vivo pela televisão para a população iemenita acompanhar.
Em 30 de março, o novo rei Salman ben Abdul Aziz al-Saud, da Arábia Saudita, declarou estar pronto para suspender a campanha aérea e realizar negociações no âmbito do Conselho de Cooperação do Golfo Pérsico, dominado pela Arábia Saudita e outras monarquias petroleiras árabes aliadas. Não é um mediador neutro.
No porto de Áden, milícias tribais xiitas aliadas ao presidente deposto Abed Rabbo Mansur Hadi, que fugiu para a Arábia Saudita, resistem à ofensiva huti. Os combates são violentos. Só hoje cerca de 50 pessoas foram mortas.
Há o risco de uma tragédia humanitária. A Rússia apresentou um anteprojeto de resolução ao Conselho de Segurança das Nações propondo uma trégua humanitária. É uma manobra diplomática oportunista num conflito onde não há interesses russos em jogo, mas a população local merece.
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