Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
segunda-feira, 30 de março de 2026
Trump está entre a fuga e uma escalada na guerra
segunda-feira, 9 de março de 2026
Irã resiste e se radicaliza com guerra de EUA e Israel
domingo, 3 de julho de 2022
Hoje na História do Mundo: 3 de Julho
BATALHA DECISIVA
Em 1863, com o fracasso de uma tentativa do general Robert Lee, comandante militar dos Estados Confederados da América (Sul), de quebrar as linhas de defesa da União (Norte), termina com a vitória nortista a Batalha de Gettysburg, a mais decisiva da Guerra da Secessão (1861-65), a Guerra Civil Americana.
Depois de vencer a Batalha de Chancellorsville, o general Lee lança sua segunda invasão do Norte. Leva seu exército de 75 mil soldados do Norte da Virgínia para Maryland e a Pensilvânia. O objetivo é uma grande batalha em território do Norte para quebrar a força moral das tropas da União e esperar uma intervenção da França ou do Reino Unido em seu favor.
O Exército do Potomac, com 90 mil soldados, persegue os confederados até o estado de Maryland, mas o general Joseph Hooker, derrotado em Chancellorsville, teme atacar Lee. Os confederados dividem sua forças em busca de alvos para atacar, entre eles Harriburgo, a capital da Pensilvânia.
Diante da relutância, o presidente Abraham Lincoln substitui Hooker pelo general George Meade. Lee sabe da presença do exército da União e concentra suas forças perto da cidade de Gettysburg, na Pensilvânia.
Sob o comando do general Henry Heth, uma divisão do Sul marcha sobre Gettysburg em 1º de julho na esperança de encontrar suprimentos e se defronta com três brigadas de cavalaria da União. Começa a Batalha de Gettysburg. Lee e Meade mandam seus soldados entrar na luta.
No meio da tarde, 19 mil soldados federais enfrentam 24 mil confederados. Pouco depois, quando chega ao campo de batalha, o general Lee ordena um avanço geral. As tropas da União recuam até a Colina do Cemitério, ao sul da cidade.
O resto dos soldados de Meade chega à noite. Na tarde de 2 de julho, depois de consolidar suas posições, o general nortista James Longstreet lança a principal ofensiva do Norte. Depois de três horas e milhares de mortes, o combate cessa.
Em 3 de julho, depois de não conseguir quebrar as linhas da União pelos flancos direito e esquerdo, Lee lança um ataque frontal, com um bombardeio maciço pelo centro, com 15 mil homens sob o comando do general George Pickett. Os federais respondem, num dos maiores bombardeios da guerra civil.
Quando Pickett avança, vê que o bombardeio de Lee não debilita as linhas inimigas. É alvo de intenso bombardeio nortista. Ao mesmo tempo, a infantaria ianque ataca a retaguarda do avanço de Pickett para dividir os confederados. Poucos chegam até a linha de frente da União e logo são mortos. Mais de 7 mil confederados morrem em uma hora.
No fim da Batalha de Gettysburg, o Exército do Potomac está muito debilitado para perseguir as forças em retirada de Lee. Entre 46 e 51 mil pessoas morreram. É um virada na guerra civil. Nunca mais o Sul tenta invadir o Norte. Em 19 de novembro de 1963, ao inaugurar um cemitério no local da batalha, Lincoln fez o Discurso de Gettysburg, considerado o discurso político mais importante da História dos Estados Unidos.
MORTE DE BRIAN
Em 1969, o guitarrista e multi-instrumentista dos Rolling Stones Brian Jones é encontrado morto na piscina aos 27 anos, no que é considerada uma morte acidental por afogamento.
John Lennon comenta em 1970: "No início, Brian Jones era o mais interessante dos Rolling Stones, mas é um daqueles caras que de desintegraram diante de nós."
Por causa do abuso de drogas, Jones falta a ensaios e gravações, e erra na hora de tocar. Os EUA lhe negam visto para uma excursão em 1969. Em 8 de junho, Mick Jagger e Keith Richards o demitem da banda. Richards já tinha tomado a namorada dele, a modelo e atriz Anita Pallenberg.
Jimi Hendrix e Janis Joplin morreriam em 1970, Jim Morrison em 1971, Kurt Cobain em 1994 e Amy Winehouse em 2011 – todos aos 27 anos, por excesso de drogas.
MORTE DE JIM MORRISON
Em 1971, o cantor, compositor e poeta Jim Morrison, líder da banda americana The Doors, é encontrado morto aos 27 anos na banheira de seu apartamento em Paris.
A causa da morte é colapso cardíaco, provavelmente devido a uma dose excessiva de heroína. Não houve autópsia.
O Rei Lagarto seduz uma geração com suas letras e sua presença no palco, com as ideias do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, do poeta francês Arthur Rimbaud, do poeta e pintor inglês William Blake e o escritor americano Aldous Huxley.
O abuso de drogas o transforma num gênio indomável. Quase sempre doidão, "era difícil gravar, fazer um show e até mesmo tomar um avião", admitiu Ray Manzarek, o baterista da banda.
Morrison é preso e acusado de "exposição indecente" e "profanidade" por ter ameaçado mostrar seu órgão genital durante um show em Miami, em 1º de março de 1969. Vários concertos da banda são cancelados.
Em 20 de setembro de 1970, Morrison é condenado e, em 30 de outubro, sentenciado a seis meses de prisão e multa de US$ 500. Fica em liberdade por pagar fiança de US$ 50 mil.
"Perdi muito tempo e energia com o julgamento em Miami, cerca de um ano e meio", reconhece Morrison depois em entrevista. "Mas acho que foi uma experiência válida porque antes do julgamento eu tinha uma visão estudantil irrealista sobre o sistema judicial americano. Meus olhos se abriram um pouco. Há muitos caras negros que em cinco minutos pegam 20, 25 anos de cadeia. Se eu não tivesse fundos ilimitados para continuar lutando, ficaria uns três anos preso. Se você tem dinheiro, geralmente não vai preso."
O túmulo de Morrison é o mais visitado no Cemitério Père Lachaise, em Paris, onde também estão sepultados o pianista e compositor polonês Frédéric Chopin, o escritor Honoré de Balzac e o escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde. Os fãs costumavam beber e se drogar em homenagem ao ídolo.
TRAGÉDIA NO GOLFO
Em 1988, o cruzador americano Vincennes abate um avião de passageiros Airbus da Iran Air no Golfo Pérsico, matando todas as 290 pessoas a bordo.
A Guerra Irã-Iraque (1980-88) está no fim. Os EUA patrulham o golfo para evitar ataques a navios petroleiros e alegam que confundiram o avião civil com um caça-bombardeiro iraniano. O sistema de defesa Aegis, o Escudo de Zeus, que seria capaz de distinguir uma barata a quilômetros de distância, derruba o Airbus iraniano.
O ditador do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini, aceita em 20 de julho a Resolução nº 598 do Conselho de Segurança das Nações Unidos, que propõe um cessar-fogo. A trégua entra em vigor em 20 de agosto, depois de quase oito anos de uma guerra que matou entre 500 mil e 1 milhão de pessoas.
GOLPE NO EGITO
Em 2013, o comandante das Forças Armadas do Egito, general Abdel Fattah al-Sissi, lidera um golpe militar e derruba o governo da Irmandade Muçulmana e do presidente Mohamed Mursi, eleito na chamada Primavera Árabe.
Quando uma revolta popular derruba em 11 de fevereiro de 2011 o ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há 30 anos, um mês depois da queda de Zine ben Ali na Tunísia, só havia duas instituições organizadas no Egito: as Forças Armadas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para reislamizar o mundo muçulmano numa reação ao imperialismo ocidental.
Como único movimento político organizado, a Irmandade Muçulmana vence as primeiras eleições democráticas da história do país para a Assembleia Nacional e a Presidência. Em 30 de junho de 2013, primeiro aniversário da vitória de Mursi, 14 milhões de pessoas protestam nas ruas contra o autoritarismo do governo da Irmandade Muçulmana, acusada de sequestrar a revolução. Cinco manifestantes são mortos.
No dia seguinte, populares atacam e saqueiam a sede nacional da Irmandade Muçulmana no Cairo. Outras oito pessoas morrem numa manifestação diante de um quartel. Em 3 de julho, são mortos16 partidários da Irmandade Muçulmana. À noite, o Comando Supremo das Forças Armadas divulga um comunicado anunciando o fim do governo Mursi.
A repressão violenta leva à morte de pelo menos mil pessoas, massacradas pelas forças de segurança em 14 de agosto. A Irmandade Muçulmana afirma que houve 2,6 mil mortes. Mursi é preso e condenado a 20 anos de cadeia por prisões ilegais e torturas cometidas sob seu governo.
Em 17 de junho de 2019, a televisão estatal egípcia anuncia que Mursi desmaia durante uma audiência sobre acusações de espionagem. Levado a um hospital, ele morre, supostamente de ataque cardíaco.
sábado, 3 de julho de 2021
Hoje na História do Mundo: 3 de Julho
Em 1863, com o fracasso de uma tentativa do general Robert Lee, comandante militar dos Estados Confederados da América (Sul), de quebrar as linhas de defesa da União (Norte), termina com a vitória do Norte a Batalha de Gettysburg, a mais decisiva da Guerra da Secessão (1861-65), a Guerra Civil Americana.
Depois de vencer a Batalha de Chancellorsville, o general Lee lançou sua segunda invasão do Norte. Levou seu exército de 75 mil soldados do Norte da Virgínia para Maryland e a Pensilvânia. O objetivo era grande uma grande batalha em território do Norte para quebrar a força moral das tropas da União e esperar uma intervenção da França ou do Reino Unido em seu favor.
O Exército do Potomac, com 90 mil soldados, perseguiu os confederados até o estado de Maryland, mas o general Joseph Hooker, derrotado em Chancellorsville, tinha medo de atacar Lee. Os confederados dividiram sua forças em busca de alvos para atacar, entre eles Harriburg, a capital da Pensilvânia.
Diante da relutância, o presidente Abraham Lincoln substituiu Hooker pelo general George Meade. Lee soube da presença do exército da União e concentrou suas forças perto da cidade de Gettysburg, na Pensilvânia.
Sob o comando do general Henry Heth, uma divisão do Sul marcha sobre Gettysburg em 1º de julho na esperança de encontrar suprimentos e se defronta com três brigadas da cavalaria da União. Começa a Batalha de Gettysburg. Lee e Meade mandam seus soldados entrar na luta.
No meio da tarde, 19 mil soldados federais enfrentavam 24 mil confederados. Pouco depois, quando chegou ao campo de batalha, o general Lee ordenou um avanço geral. As tropas da União recuaram até a Colina do Cemitério, ao sul da cidade.
O resto dos soldados de Meade chegou à noite. Na tarde de 2 de julho, depois de consolidar suas posições, o general nortista James Longstreet lançou a principal ofensiva do Norte. Depois de três horas e milhares de mortes, o combate cessou.
Em 3 de julho, depois de não conseguir quebrar as linhas da União pelos flancos direito e esquerdo, Lee lançou um ataque frontal, com um bombardeio maciço pelo centro, com 15 mil homens sob o comando do general George Pickett. Os federais responderam, naquele que foi um dos maiores bombardeios da guerra civil.
Quando Pickett avançou, viu que o bombardeio de Lee não debilitara as linhas inimigas. Foi alvo de intenso bombardeio nortista. Ao mesmo tempo, a infantaria ianque atacou a retaguarda do avanço de Pickett para dividir os confederados. Poucos chegaram até a linha de frente da União e logo foram mortes. Mais de 7 mil confederados morreram em uma hora.
No fim da Batalha de Gettysburg, o Exército do Potomac estava muito debilitado para perseguir as forças em retirada de Lee. Mais de 23 mil pessoas morreram. Foi um virada na guerra civil. Nunca mais o Sul tentou invadir o Norte. Em 19 de novembro de 1963, ao inaugurar um cemitério no local da batalha, Lincoln fez o Discurso de Gettysburg, considerado o discurso político mais importante da História dos Estados Unidos.
Em 1969, o guitarrista e multi-instrumentista dos Rolling Stones Brian Jones é encontrado morto na piscina aos 27, no que foi considerada uma morte acidental por afogamento.
John Lennon comentou em 1970: "No início, Brian Jones era o mais interessante dos Rolling Stones, mas é um daqueles caras que de desintegraram diante de nós."
Por causa do abuso de drogas, Jones faltava a ensaios e gravações, e errava na hora de tocar. Os EUA lhe negaram visto para uma excurso em 1969. Em 8 de junho, Mick Jagger e Keith Richards o demitiram da banda. Richards já tinha tomado a namorada dele, a modelo e atriz Anita Pallenberg.
Jimi Hendrix e Janis Joplin morreriam em 1970, Jim Morrison em 1971, Kurt Cobain em 1994 e Amy Winehouse em 2011 - todos aos 27 anos, por excesso de drogas.
Em 1971, o cantor, compositor e poeta Jim Morrison, líder da banda americana The Doors, foi encontrado morto aos 27 anos na banheira de seu apartamento em Paris. A causa da morte foi colapso cardíaco, provavelmente devida a uma dose excessiva de heroína. Não houve autópsia
O Rei Lagarto seduziu uma geração com suas letras e sua presença no palco, com as ideias do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, do poeta francês Arthur Rimbaud, do poeta e pintor inglês William Blake e o escritor americano Aldous Huxley. O abuso de drogas o transformou num gênio indomável. Como sempre doidão, "era difícil gravar, fazer um show e até mesmo tomar um avião", confessou Ray Manzarek, o baterista da banda.
Morrison foi preso e acusado de "exposição indecente" e "profanidade" por ter ameaçado mostrar seu órgão genital durante um show em Miami, em 1º de março de 1969. Vários concertos da banda foram cancelados. Em 20 de setembro de 1970, foi condenado e, em 30 de outubro, sentenciado a seis meses de prisão e multa de US$ 500. Ficou em liberdade por pagar fiança de US$ 50 mil.
"Perdi muito tempo e energia com o julgamento em Miami, cerca de um ano e meio", reconheceu Morrison depois em entrevista. "Mas acho que foi uma experiência válida porque antes do julgamento eu tinha uma visão estudantil irrealista sobre o sistema judicial americano. Meus olhos se abriram um pouco. Há muitos caras, negros, que em cinco minutos pegam 20, 25 anos de cadeia. Se eu não tivesse fundos ilimitados para continuar lutando, ficaria uns três anos preso. Se você tem dinheiro, geralmente não vai preso."
O túmulo de Morrison é o mais visitado no Cemitério Père Lachaise, em Paris, onde também estão sepultados o pianista e compositor polonês Frédéric Chopin, o escritor Honoré de Balzac e o escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde. Os fãs costumavam beber e se drogar em homenagem ao ídolo.
Em 1988, o cruzador americano Vincennes abate um avião de passageiros Airbus da Iran Air no Golfo Pérsico, matando todas as 290 pessoas a bordo.
A Guerra Irã-Iraque (1980-88) estava no fim. Os EUA patrulhavam o golfe para evitar ataques a navios petroleiros e alegaram que o confundiram o avião civil com um caça-bombardeiro iraniano. O sistema de defesa Aegis, o Escudo de Zeus, que seria capaz de distinguir uma barata a quilômetros de distância derrubou o Airbus iraniano.
O ditador do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini, aceitou em 20 de julho a Resolução nº 598 do Conselho de Segurança das Nações Unidos, que propunha um cessar-fogo. A trégua entrou em vigor em 20 de agosto, depois de quase oito anos de uma guerra que matou entre 500 mil e 1 milhão de pessoas.
Em 2013, o comandante das Forças Armadas do Egito, general Abdel Fattah al-Sissi, lidera um golpe militar e derruba o governo da Irmandade Muçulmana e do presidente Mohamed Mursi, eleito na chamada Primavera Árabe.
Quando uma revolta popular derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, que estava no poder há 30 anos, um mês depois da queda de Zine ben Ali na Tunísia, só havia duas instituições organizadas no Egito: as Forças Armadas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para reislamizar o mundo muçulmano numa reação ao imperialismo ocidental.
Como único movimento político organizado, a Irmandade Muçulmana venceu as primeiras eleições democráticas da história do país para a Assembleia Nacional e a Presidência. Em 30 de junho de 2013, primeiro aniversário da vitória de Mursi, 14 milhões de pessoas protestaram nas ruas contra o autoritarismo do governo da Irmandade Muçulmana, acusada de sequestrar a revolução. Cinco manifestantes foram mortos.
No dia seguinte, populares atacaram e saquearam a sede nacional da Irmandade Muçulmana no Cairo. Outras oito pessoas morreram numa manifestação diante de um quartel. Em 3 de junho, foram mortos16 partidários da Irmandade Muçulmana. À noite, o Comando Supremo das Forças Armadas divulgou comunidade anunciando o fim do governo Mursi.
A repressão violenta levou à morte de pelo menos mil pessoas, massacradas pelas forças de segurança em 14 de agosto. A Irmandade Muçulmana afirma que houve 2,6 mil mortes. Mursi foi preso e condenado a 20 anos de cadeia por prisões ilegais e torturas cometidas sob seu governo.
Em 17 de junho de 2019, a televisão estatal egípcia anunciou que Mursi havia desmaiado durante uma audiência sobre acusações de espionagem. Levado a um hospital, ele morreu, supostamente de ataque cardíaco.
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Ministro do Exterior do Irã ameaça com "guerra total" se país for atacado
"Não queremos a guerra, não queremos nos engajar num conflito armado", declarou o chanceler iraniano, falando em "grande número de baixas", "mas não vamos pestanejar em defender nosso território."
Zarif afirmou que o ataque foi feito pelos rebeldes hutis na luta contra a intervenção militar saudita na guerra civil do Iêmen. Os governos americanos e sauditas não acreditam que os hutis bombardeassem o petróleo saudita sem autorização do Irã.
Como o presidente Donald Trump também não quer uma guerra a um ano da reeleição, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, convidou a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos para patrulhar o Golfo Pérsico e garantir a navegação dos navios petroleiros.
Desde maio, quando fez um ano que Trump abandonou acordo nuclear das grandes potências do Conselho de Segurança das Nações e a Alemanha com o Irã para congelar o programa nuclear iraniano, a Guarda Revolucionária Iraniana atacou vários navios-tanque no Golfo Pérsico.
A República Islâmica tenta desesperadamente se livrar das sanções impostas pelos EUA, que tentam impedir o país de exportar petróleo, sua maior riqueza. O objetivo de Trump é negociar um novo tratado que, além das armas nucleares, também proíba o Irã de desenvolver mísseis de médio e longo alcances e de interferir política e militarmente em outros países do Oriente Médio.
Por sua vez, o Irã exige o fim pelo menos parcial das sanções econômicas como precondição para retomar o diálogo. O presidente da França, Emmanuel Macron, propôs a abertura de uma linha de crédito de US$ 15 bilhões para aliviar a pressão sobre a economia iraniana.
Havia até a possibilidade de um encontro entre os presidentes Trump e Hassan Rouhani em Nova York na próxima semana, durante a reunião anual da Assembleia Geral da ONU. O ataque à Arábia Saudita bombardeou o encontro, vetado pelo Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, o ditador do Irã, aiatolá Ali Khamenei.
Os EUA e a Arábia Saudita temem novos ataques à indústria do petróleo, o que poderia abalar ainda mais o mercado internacional e provocar uma recessão mundial. O Irã ameaça, mas quer mesmo se livrar das sanções. Só negociações podem resolver o problema.
sábado, 20 de julho de 2019
Alemanha, França e Reino Unido exigem liberação de petroleiro tomado pelo Irã
A Alemanha, a França e o Reino Unido exigem a libertação imediata do Stena Impero, um navio-tanque de 183 metros de comprimento. O governo britânico notificou hoje Conselho de Segurança das Nações Unidas alegando que o petroleiro foi tomado em águas territoriais de Omã.
Agora, o petroleiro britânico está ancorado no porto de Porto Abás, no Sul do Irã. "Conforme a lei, depois de um acidente é preciso abrir um inquérito", afirmou o diretor-geral da Organização Marítima e Portuária da Província de Hormozgã.
A captura foi uma retaliação da República Islâmica. Em 4 de julho, a Marinha Real britânica tomou um navio-tanque do Irã no Estreito de Gibraltar com destino à Síria, que está sob sanções da União Europeia por causa da guerra civil.
Dias atrás, a Guarda Revolucionária tentou abordar outro petroleiro britânico, mas esse estava sob escolta da Marinha Real. Analistas militares criticaram as autoridades britânicas por deixar o navio navegar sem proteção depois das ameaças iranianas.
No Twitter, sem esconder o cinismo, o ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, chamou de pirataria a captura do petroleiro iraniano e descreveu a ação da Guarda Revolucionária Iraniana como uma proteção às normas do direito marítimo internacional.
Zarif estava hoje na Venezuela, onde denunciou o "terrorismo econômico" dos Estados Unidos. A ditadura de Nicolás Maduro também está sob sanções impostas pelo governo Donald Trump.
Sob pressão das sanções, o Irã realiza uma série de atos de provocação. Até agora, o conflito, agravado nos últimos três meses, era entre os Estados Unidos e o Irã porque Trump abandonou o acordo nuclear assinado em 2015 pelo governo Barack Obama para congelar o programa nuclear militar iraniano.
A União Europeia tentava aliviar as sanções criando um sistema de pagamentos fora da órbita do dólar para pagar fazer negócios com o Irã. Mas as empresas europeias temem ser excluídas do mercado americano e do mercado do dólar.
Ao entrar em conflito com um país europeu que não abandonou o acordo nuclear, o Irã derruba uma ponte que poderia usar para sair do isolamento e joga Reino Unido, França e Alemanha nas mãos dos EUA.
sexta-feira, 19 de julho de 2019
Irã captura um navio petroleiro britânico no Golfo Pérsico
A República Islâmica alegou que o petroleiro Stena Impero "violou regulamentações internacionais" e negou que um segundo petroleiro tenha sido tomado. Teria sido apenas "advertido pelas Forças Armadas iranianas e a respeitar as regulamentações ambientais e as precauções de segurança".
O Stena Impero foi apreendido por poluir as águas do Golfo Pérsico e entrar no Estreito de Ormuz numa rota usada pelos navios para sair
Não há cidadãos britânicos em nenhum dos dois petroleiros. Os 23 tripulantes do navio detido são indianos, russos, letões e filipinos. Em nota, a empresa Norbulk Shipping UK contou que o segundo navio "foi abordado por homens armados", mas depois foi liberado para seguir viagem.
Em 4 de julho, a Marinha Real britânica apreendeu um navio-tanque iraniano perto do Estreito de Gibraltar, que fica na entrada do Mar Mediterrâneo, sob a alegação de que levava petróleo para a Síria. Este país aliado do Irã está sob sanções da União Europeia por causa da guerra civil.
Desde então, a ditadura teocrática iraniana busca a retaliação. Antes disso, em maio e junho, houve ataques a seis petroleiros no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Golfo de Omã, a reação do Irã às sanções impostas pelos Estados Unidos para tentar impedir o país persa de exportar petróleo.
O presidente Donald Trump retirou, em maio do ano passado, os EUA de um acordo internacional para congelar o programa nuclear militar do Irã por dez anos e reimpôs duras sanções econômicas ao regime dos aiatolás. Esta política de "pressão máxima" visa a forçar o Irã a negociar outro acordo que inclua, além das armas atômicas, a proibição de desenvolver mísseis de médio e longo alcances e de interferir em outros países do Oriente Médio.
Com o estrangulamento da economia iraniana, que pode ter perda de 6% do produto interno bruto e inflação de 50% neste ano, e a série de incidentes no Golfo Pérsico, aumenta o risco de uma guerra deflagrada por erro ou acidente.
Se os EUA bombardearem o Irã e o regime resistir e sobreviver, com certeza, a República Islâmica vai fazer a bomba atômica. A herança maldita de Trump pode ser um Irã com armas nucleares.
quinta-feira, 18 de julho de 2019
EUA derrubam drone iraniano e Irã admite captura de petroleiro
Trump descreveu a aproximação do drone de um navio de guerra americano como “a última de muitas ações hostis e provocações do Irã. O Departamento da Defesa dos Estados Unidos, o Pentágono, afirmou que o navio USS Boxer estava em águas internacionais e reagiu quando a aeronave não tripulada se aproximou a uma distância perigosa.
Um barco iraniano chegou a menos de 500 metros do USS Boxer. Quando o drone ficou entre os dois, foi abatido.
Para aumentar ainda mais a pressão sobre o Irã, o Pentágono anunciou hoje o envio de 500 soldados americanos para a Arábia Saudita.
Também hoje, a televisão iraniana mostrou imagem de um navio-tanque estrangeiro capturado há quatro dias pela Guarda Revolucionária, sob a alegação de estar contrabandeando 1 milhão de litros de petróleo.
Aparentemente o Irã quer retaliar a recente apreensão de um petroleiro iraniano pela Marinha Real britânica perto do Estreito de Gibraltar, na entrada do Mar Mediterrâneo. O navio vinha do Oceano Atlântico com destino à Síria.Diante do aumento da tensão no Oriente Médio, o preço do barril de petróleo subiu pouco mais de 1%. Meu comentário:
quinta-feira, 13 de junho de 2019
EUA acusam Irã por ataques a petroleiros no Golfo de Omã
O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, responsabilizou o Irã pelos ataques contra dois petroleiros hoje no Golfo de Omã, depois de ataques contra quatro navios-tanques num porto dos Emirados Árabes Unidos no mês passado.
Há duas semanas, em visita aos Emirados Árabes Unidos, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o linha-dura John Bolton, declarou estar “quase certo” de que foi o Irã ou aliados.
Ataque a dois navios petroleiros aumenta tensão no Oriente Médio
Aumenta a tensão entre Estados Unidos e Arábia Saudita, de um lado, e do Irã, do outro, que já estava em alta com um ataque de míssil de rebeldes apoiados pelo Irã contra um aeroporto saudita, e o risco de guerra no Oriente Médio, adverte o jornal The New York Times.
Ainda não se sabe quem foram os responsáveis pelos ataques de hoje e do mês passado. Há duas semanas, em visita aos Emirados Árabes Unidos, aliados da Arábia Saudita, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, afirmou estar "quase certo" de que foi o Irã ou aliados.
Um dos navios atacados pertence à empresa norueguesa Frontline e estava fretado pela companhia estatal de petróleo de Taiwan para transportar nafta. Todos os 23 tripulantes foram resgatados.
O outro navio era do Panamá e transportava metanol do porto de Jubail, na Arábia Saudita, para Cingapura. Os 21 tripulantes eram filipinos. Eles deixaram o navio e foram resgatados por um barco que passava.
Ontem, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, foi a Teerã, onde se reuniu com o presidente Hassan Rouhani. Hoje, encontra-se com o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, para tentar intermediar um alívio de tensão entre EUA e Irã - e reduzir o risco de guerra.
Khamenei, o homem-forte da ditadura teocrática iraniana, rejeitou qualquer possibilidade de diálogo com o governo Donald Trump. O ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, declarou que os ataques são uma jogada para impedir o diálogo e provocar uma agressão.
No mês passado, o ministro da Defesa do Reino Unido, Jeremy Hunt, candidato a líder do Partido Conservador e próximo primeiro-ministro britânico, declarou estar "preocupado com o risco de um conflito deflagrado por acidente".
Os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã na guerra civil do Iêmen fizeram ataques recentes a alvos sauditas, inclusive oleodutos. Ontem, bombardearam o aeroporto de Abba, no Sudoeste da Arábia Saudita, com um míssil de cruzeiro, ferindo 26 pessoas.
Em 8 de maio de 2018, o presidente Trump retirou os EUA de um acordo negociado pelas cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Alemanha e o Irã para congelar por dez anos o programa nuclear militar iraniano.
Meses depois, o governo Trump reimpôs duras sanções econômicas para tentar impedir o Irã de exportar petróleo. No mês passado, os EUA enviaram um grupo naval liderado por um porta-aviões e mais 1,5 mil soldados para a região do Golfo Pérsico.
Trump alega não querer guerra com o Irã, mas sua estratégia de "pressão máxima" cria uma situação de altíssimo risco.
Um terço do petróleo exportado no mundo passa pelo Estreito de Ormuz. Os preços do petróleo subiram hoje mais de 3%.
quarta-feira, 12 de junho de 2019
Rebeldes do Iêmen apoiados pelo Irã atacam aeroporto saudita com míssil
O ataque com míssil de cruzeiro hoje ao aeroporto internacional de Abba, no Sudoeste da Arábia Saudita, mostra o aumento da capacidade ofensiva dos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã na guerra civil do Iêmen. Mísseis de cruzeiro são mais precisos do que mísseis balísticos e os sistema de lançamento têm maior mobilidade.

