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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Julho

BATALHA DECISIVA

    Em 1863, com o fracasso de uma tentativa do general Robert Lee, comandante militar dos Estados Confederados da América (Sul), de quebrar as linhas de defesa da União (Norte), termina com a vitória nortista a Batalha de Gettysburg, a mais decisiva da Guerra da Secessão (1861-65), a Guerra Civil Norte-Americana.

Depois de vencer a Batalha de Chancellorsville, o general Lee lança sua segunda invasão do Norte. Leva seu exército de 75 mil soldados do Norte da Virgínia para Maryland e a Pensilvânia. O objetivo é travar auma grande batalha em território do Norte para quebrar a força moral das tropas da União e esperar uma intervenção da França ou do Reino Unido em seu favor.

O Exército do Potomac, com 90 mil soldados, persegue os confederados até o estado de Maryland, mas o general Joseph Hooker, derrotado em Chancellorsville, teme atacar Lee. Os confederados dividem sua forças em busca de alvos para atacar, entre eles Harriburgo, a capital da Pensilvânia.

Diante da relutância, o presidente Abraham Lincoln substitui Hooker pelo general George Meade. Lee sabe da presença do exército da União e concentra suas forças perto da cidade de Gettysburg, na Pensilvânia.

Sob o comando do general Henry Heth, uma divisão do Sul marcha sobre Gettysburg em 1º de julho na esperança de encontrar suprimentos e se defronta com três brigadas de cavalaria da União. Começa a Batalha de Gettysburg. Lee e Meade mandam seus soldados entrar na luta.

No meio da tarde, 19 mil soldados federais enfrentam 24 mil confederados. Pouco depois, quando chega ao campo de batalha, o general Lee ordena um avanço geral. As tropas da União recuam até a Colina do Cemitério, ao sul da cidade.

O resto dos soldados de Meade chega à noite. Na tarde de 2 de julho, depois de consolidar suas posições, o general sulista James Longstreet lança uma ofensiva, mas discorda do plano de batalha do general Lee. Depois de três horas e milhares de mortes, o combate cessa.

Em 3 de julho, depois de não conseguir quebrar as linhas da União pelos flancos direito e esquerdo, Lee faz um ataque frontal, com um bombardeio maciço pelo centro, com 15 mil homens sob o comando do general George Pickett. Os federais respondem, num dos maiores bombardeios da guerra civil.

Quando Pickett avança, vê que o bombardeio de Lee não debilita as linhas inimigas. É alvo de intenso bombardeio nortista. Ao mesmo tempo, a infantaria ianque ataca a retaguarda do avanço de Pickett para dividir os confederados. Poucos chegam até a linha de frente da União e logo são mortos. Mais de 7 mil confederados morrem em uma hora.

No fim da Batalha de Gettysburg, o Exército do Potomac está muito debilitado para perseguir as forças em retirada de Lee. O total de mortes é estimado entre 46 e 51 mil pessoas. 

É uma virada na guerra civil. Nunca mais o Sul tenta invadir o Norte. Em 19 de novembro de 1863, ao consagrar um cemitério no local da batalha, Lincoln faz o Discurso de Gettysburg, considerado o discurso político mais importante da História dos Estados Unidos.

MORTE DE BRIAN

    Em 1969, o guitarrista e multi-instrumentista dos Rolling Stones Brian Jones é encontrado morto na piscina de casa aos 27 anos, na que é considerada uma morte acidental por afogamento.

John Lennon comenta em 1970: "No início, Brian Jones era o mais interessante dos Rolling Stones, mas é um daqueles caras que se desintegraram diante de nós."

Por causa do abuso de drogas, Jones falta a ensaios e gravações, e erra na hora de tocar. Os EUA lhe negam visto para uma excursão em 1969. Em 8 de junho, Mick Jagger e Keith Richards o demitem da banda. Richards já tinha tomado a namorada dele, a modelo e atriz Anita Pallenberg.

Jimi Hendrix e Janis Joplin morreriam em 1970, Jim Morrison em 1971, Kurt Cobain em 1994 e Amy Winehouse em 2011 – todos aos 27 anos, por excesso de drogas.

MORTE DE JIM MORRISON

    Em 1971, o cantor, compositor e poeta Jim Morrison, líder da banda de rock norte-americana The Doors, é encontrado morto aos 27 anos na banheira de seu apartamento em Paris.

A causa da morte é colapso cardíaco, provavelmente devido a uma dose excessiva de heroína. Não há autópsia.

O Rei Lagarto seduz uma geração com suas letras e sua presença no palco, com as ideias do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, do poeta francês Arthur Rimbaud, do poeta e pintor inglês William Blake e do escritor norte-americano Aldous Huxley. 

O abuso de drogas o transforma num gênio indomável. Quase sempre doidão, "era difícil gravar, fazer um show e até mesmo tomar um avião com ele", admite Ray Manzarek, o baterista da banda.

Morrison é preso e acusado de "exposição indecente" e "profanidade" por ter ameaçado mostrar seu pênis durante um show em Miami, em 1º de março de 1969. Vários concertos da banda são cancelados. 

Em 20 de setembro de 1970, Morrison é condenado e, em 30 de outubro, sentenciado a seis meses de prisão e multa de US$ 500. Fica em liberdade por pagar fiança de US$ 50 mil.

"Perdi muito tempo e energia com o julgamento em Miami, cerca de um ano e meio", reconhece Morrison depois em entrevista. "Mas acho que foi uma experiência válida porque antes do julgamento eu tinha uma visão estudantil irrealista sobre o sistema judicial norte-americano. Meus olhos se abriram um pouco. Há muitos caras negros que em cinco minutos pegam 20, 25 anos de cadeia. Se eu não tivesse fundos ilimitados para continuar lutando, ficaria uns três anos preso. Se você tem dinheiro, geralmente não vai preso."

O túmulo de Morrison é o mais visitado no Cemitério Père Lachaise, em Paris, onde também estão sepultados o pianista e compositor polonês Frédéric Chopin, o escritor Honoré de Balzac e o escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde. Os fãs costumam beber e se drogar em homenagem ao ídolo.

VITÓRIA EM ENTEBBE

    Em 1976, um comando de Israel lança uma operação de resgate para libertar reféns de um avião Airbus A300 da companhia aérea Air France com 248 passageiros, dos quais 77 israelenses, sequestrado e levado para Entebbe, em Uganda, no coração da África, por terroristas da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e das Células Revolucionárias alemãs.

O voo AF139 vai de Telavive, em Israel, para Paris, a capital da França, em 27 de junho com escala em Atenas, a capital da Grécia, onde os quatro terroristas embarcam. Oito minutos depois de decolagem de Atenas, pouco depois do meio-dia, eles assumem o controle da aeronave.

Por volta das 14h, o avião pede licença para aterrisar em Bengási, na Líbia, governada pelo ditador Muamar Kadafi, para um reabastecimento que permita mais quatro horas de voo. Fica seis horas e meia em Bengási, onde uma mulher é libertada, e segue viagem para Entebbe, a antiga capital de Uganda, onde fica o maior aeroporto do país governado pelo ditador Idi Amin. Chega por volta das 3h de 28 de junho. Os reféns são levados para um antigo terminal.

Em Israel, o primeiro-ministro Yitzhak Rabin reúne alguns ministros, entre eles Shimon Peres, da Defesa, para tomar providências para libertar os reféns israelenses.

Em 29 de junho, os terroristas anunciam suas exigências: a libertação até 1º de julho às 14h de 53 presos, 13 na Alemanha Ocidental, na França, na Suíça e no Quênia, e 40 em Israel. Caso contrário, ameaçam explodir o avião com os reféns a bordo. A Alemanha Ocidental e a França se recusam a soltar presos.

Oficialmente, a ditadura de Idi Amin se declara neutra, mas na realidade apoia os sequestradores. Idi Amin havia expulsado todos os israelenses de Uganda depois que Israel se negou a fornecer aviões de caça ao país.

Em 30 de junho, os terroristas libertam 47 reféns, nenhum israelense. O capitão e a tripulação decidem ficar com os passageiros. Quando os reféns libertados confirmam a suspeita de apoio da ditadura de Idi Amin aos terroristas, Israel toma a decisão de agir.

Como o aeroporto foi construído por uma empresa de Israel, as autoridades israelenses conseguem mapas detalhados para planejar a operação de resgate. O general brigadeiro Dan Shonrom, comandante de paraquedistas, é nomeado chefe da operação em Israel e Yonatan Netanyahu, irmão do atual primeiro-ministro, comandante da força-tarefa.

Israel tenta negociar, mas os terroristas exigem a libertação dos presos. Ampliam o prazo até 14h de 4 de julho. O comando é dividido em cinco grupos de assalto para assumir o controle da pista e dos dois terminais do aeroporto, impedir a intervenção das Forças Armadas de Uganda e evacuar os reféns, levando-os para um avião de transporte C-130 Hercules.

Na madrugada de 3 de julho, o ministro da Defesa de Israel, Shimon Peres, recebe o aviso de que o comando está pronto para entrar em ação. Os aviões israelenses partem do Aeroporto Ben Gurion às 13h20 de 3 de julho. Eles se reabastecem em Charm al-Cheikh, no Egito, e voam para Uganda.

Quando a ação começa, os ugandenses percebem a invasão, mas são rechaçados. Os reféns estão no salão principal do terminal velho, deitados no chão. Muitos dormem. Quatro terroristas que montam guarda são mortos imediatamente.

As ordens são tratar os soldados ugandenses como inimigos armados a serem atacados se abrirem fogo e eliminar todos os terroristas. A ação no terminal antigo dura três minutos.

O segundo avião pousa sete minutos depois do primeiro, com soldados e veículos de transporte que atacam o novo terminal. A principal resistência vem da torre de controle, de onde parte uma rajada de metralhadora que mata Yoni Netanyahu.

Ao todo, sete terroristas e 45 soldados ugandenses são mortos; 102 dos 106 reféns são libertados. Do lado israelense, Netanyahu e três reféns morrem. Às 0h30 de 4 julho, uma hora e meia depois da aterrissagem do primeiro avião, o último avião israelense deixa o Aeroporto de Entebbe.

TRAGÉDIA NO GOLFO

    Em 1988, o cruzador norte-americano Vincennes abate um avião de passageiros Airbus da Iran Air no Golfo Pérsico, matando todas as 290 pessoas a bordo.

A Guerra Irã-Iraque (1980-88) está no fim. Os EUA patrulham o golfo para evitar ataques a navios petroleiros e alegam que confundiram o avião civil com um caça-bombardeiro iraniano. O sistema de defesa Aegis, o Escudo de Zeus, que seria capaz de distinguir uma barata a quilômetros de distância, derruba o Airbus iraniano. 

O ditador do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini, aceita em 20 de julho a Resolução nº 598 do Conselho de Segurança das Nações Unidos, que propõe um cessar-fogo. A trégua entra em vigor em 20 de agosto, depois de quase oito anos de uma guerra que mata entre 500 mil e 1 milhão de muçulmanos.

GOLPE NO EGITO

     Em 2013, o comandante das Forças Armadas do Egito, general Abdel Fattah al-Sissi, lidera um golpe militar e derruba o governo da Irmandade Muçulmana e do presidente Mohamed Mursi, eleito na chamada Primavera Árabe.

Quando uma revolta popular derruba, em 11 de fevereiro de 2011, o ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há 30 anos, um mês depois da queda de Zine el-Abidine Ben Ali na Tunísia, só há duas instituições organizadas no Egito: as Forças Armadas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para reislamizar o mundo muçulmano numa reação ao imperialismo ocidental.

Como único movimento político organizado, a Irmandade Muçulmana vence as primeiras eleições democráticas da história do país para a Assembleia Nacional e a Presidência. Em 30 de junho de 2013, primeiro aniversário da vitória de Mursi, 14 milhões de pessoas protestam nas ruas contra o autoritarismo do governo da Irmandade Muçulmana, acusada de sequestrar a revolução. Cinco manifestantes são mortos.

No dia seguinte, populares atacam e saqueiam a sede nacional da Irmandade Muçulmana no Cairo. Outras oito pessoas morrem numa manifestação diante de um quartel. Em 3 de julho, são mortos 16 partidários da Irmandade Muçulmana. À noite, o Comando Supremo das Forças Armadas divulga um comunicado anunciando o fim do governo Mursi.

A repressão violenta leva à morte de pelo menos mil pessoas, massacradas pelas forças de segurança em 14 de agosto. A Irmandade Muçulmana afirma que são 2,6 mil mortes. Mursi é preso e condenado a 20 anos de cadeia por prisões ilegais e torturas cometidas sob seu governo. 

Em 17 de junho de 2019, a televisão estatal egípcia anuncia que Mursi desmaia durante uma audiência sobre acusações de espionagem. Levado a um hospital, ele morre, supostamente de ataque cardíaco.

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terça-feira, 24 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Março

 NAT KING COLE EM PRIMEIRO

    Em 1945, a revista norte-americana Billboard lança sua lista de álbuns mais vendidos e o cantor e pianista Nat King Cole é o primeiro a ficar em primeiro lugar.

Cole nasce em 17 de março de 1919 em Montgomery, no estado do Alabama, e cresce em Chicago. Aos 12 anos, toca órgão e canta na igreja onde o pai é pastor. Cinco anos depois, ele cria seu primeiro grupo de jazz.

Em 1937, começa a tocar em grupo de jazz de Los Angeles. Logo, forma o Nat King Cole Trio. A popularidade de Cole o torna o primeiro negro norte-americano a apresentar um programa de televisão. 

O Nat King Cole Show estreia na rede NBC em 1956, mas é cancelado um ano depois por falta de patrocinadores porque as empresas não querem associar suas marcas a um negro. O racismo da época o impede de ter um sucesso ainda maior, mas não evita que trabalhe em vários filmes de Hollywood.

GUERRA SUJA ARGENTINA

    Em 1976, um golpe militar derruba a presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, viúva de Juan Domingo Perón, e dá início ao "Processo de Reorganização Nacional", uma guerra suja contra a esquerda na Argentina que mata um total de mais de 8,9 mil pessoas.

A primeira junta militar é formada pelo general Jorge Rafael Videla, comandante do Exército; almirante Emilio Eduardo Massera, comandante da Marinha; e general-brigadeiro Orlando Ramón Agosti, comandante da Força Aérea. A desculpa para a repressão é o combate à guerrilha.

Depois da morte de Perón por causas naturais em 1º de julho de 1974, ele é sucedido por Isabelita, que não tem o carisma nem o talento político de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

Fraca politicamente, Isabelita é assessorada por um grupo de assessores militares que lança, em 5 de fevereiro de 1975, a Operação Independência, de combate às guerrilhas esquerdistas. Eles dividem o país em cinco regiões militares e dão autonomia aos comandantes para desencadear a repressão e eliminar os guerrilheiros.

A repressão vai muito além dos guerrilheiros. Tenta eliminar toda uma corrente de pensamento, num politicídio, com prisões ilegais, sequestros, desaparecimento de pessoas e execuções sumárias, inclusive os voos da morte, em que opositores são drogados e jogados no mar.

Pela Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o principal centro de detenção e tortura, passam 5 mil pessoas que são mortas. Cerca de 500 bebês filhos de presos assassinados são sequestrados e adotados por famílias ligadas ao regime.

Em 30 de abril de 1977, Azucena Villaflor e outras mães de desaparecidos protestam na Plaza de Mayo, diante da Casa Rosada, a sede do governo. Nasce o movimento das Mães da Praça de Maio, que dá origem ao movimento das Avós da Praça de Maio, que consegue recuperar mais de 130 netos.

A ditadura sanguinária começa a cair em 2 de abril de 1982, quando o general-presidente Leopoldo Fortunato Galtieri, que dera um golpe dentro do golpe, manda invadir as Ilhas Malvinas, possessão do Império Britânico, que as chama de Falklands.

O general delinquente não imagina que a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, envie uma força-tarefa que derrota e humilha os militares argentinos. Eles massacram seu próprio povo, mas fracassam em sua aventura militar.

Depois de 10 semanas e das mortes de 649 argentinos e 258 britânicos (3 civis), a Argentina se rende em 14 de junho. Os militares continuam no poder até 10 de dezembro de 1983, quando entregam o poder ao presidente democraticamente eleito Raúl Alfonsín (1983-89).

Alfonsín manda investigar o desaparecimento de pessoas e o relatório enviado à Justiça serve de ponto de partida para o Julgamento das Juntas, dos nove comandantes das três juntas militares que governaram a Argentina depois do golpe, concluído em 1985.

Sob a pressão de revoltas de militares de baixo escalão, o governo Alfonsín cede e aprova as leis Ponto Final e de Obediência Devida, para julgar somente as juntas pelos crimes da ditadura. Em 8 de outubro de 1989, assume o presidente Carlos Menem (1989-99), que indulta os comandantes no fim de dezembro de 1990.

Em 2003, no governo Néstor Kirchner (2003-7), as leis que acabam com os processos e os indultos são anulados e as investigações reabertas. Desde então, mais de 1,7 mil repressores são condenados.

No 50º aniversário do golpe, o presidente neofascista Javier Milei tenta apagar a memória e responsabilizar os guerrilheiros de esquerda pela guerra suja argentina. Pode dar indulto a repressores.

ARCEBISPO ASSASSINADO

    Em 1980, Dom Óscar Romero, arcebispo de San Salvador, um crítico das violações dos direitos humanos pela ditadura e os grupos paramilitares de El Salvador durante a guerra civil contra a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), é assassinado durante a missa de domingo. Ele é canonizado em 2018.

Óscar Arnulfo Romero Galdámez é considerado conservador antes de ser nomeado arcebispo, em 1977, mas denuncia a ditadura do general Carlos Humberto Romero, que não tinha relação de parentesco com ele, e se nega a apoiar a junta militar que substitui o general deposto.

Sua defesa dos pobres, as grandes vítimas da violência política, provoca ameaças de morte. Sua defesa dos direitos humanos vale a indicação de deputados dos Estados Unidos e do Reino Unido ao Prêmio Nobel da Paz de 1979.

Depois do fim da Guerra Civil Salvadorenha (1979-92), a Comissão da Verdade de El Salvador conclui que Dom Romero foi morto por um esquadrão da morte liderado pelo ex-major Roberto D'Aubuisson.

PETRÓLEO NO MAR DO ALASCA

    Em 1989, o navio-tanque Exxon Valdez, da companhia petrolífera Exxon, bate num recife na Enseada Príncipe William, no sul do estado do Alasca, e derrama 41,6 milhões de litros de petróleo no mar, no pior acidente da indústria petrolífera na história dos Estados Unidos.

As tentativas de conter o vazamento são inúteis. O petróleo bruto se espalha até uma distância de 160 quilômetros, poluindo mais de 1,1 mil km de costa e matando milhares de aves e mamíferos.

Mais tarde, sabe-se que o capitão Joseph Hazelwood está bebendo na hora do acidente e manda um marinheiro sem qualificação pilotar o petroleiro. 

Em março de 1990, ele é condenado por contravenção penal a mil horas de trabalho comunitário e multa de US$ 50 mil. A pena é anulada em julho de 1992 com base numa lei federal que livra de processo quem relatar um vazamento de petróleo.

O Serviço Nacional de Segurança dos Transportes dos EUA impõe à Exxon uma multa de US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão a serem pagos em 10 anos para despoluir o meio ambiente. A Exxon e o estado do Alasca rejeitam o acordo e a questão é encerrada com o pagamento pela empresa de apenas US$ 25 milhões.

GUERRA DO KOSSOVO

    Em 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) inicia uma campanha de bombardeios aéreos de 78 dias contra a Iugoslávia, reduzida a Sérvia e Montenegro, e a posições militares sérvias que perseguem a maioria de origem albanesa na província do Kossovo.

A região ocupa um lugar especial da história da Sérvia. Na Batalha do Kossovo, em 15 de junho de 1389, o Império Otomano derrota o rei Lazar e conquista a Sérvia, que só recupera a independência em 1867. Quando retoma o Kossovo, em 1913, a província é povoada por albaneses.

Em 1974, o ditador da Iugoslávia, Josip Broz Tito, dá autonomia ao Kossovo dentro da Sérvia. Com a morte de Tito, em 1980, e o declínio da ideologia comunista, em 1987, Slobodan Milosevic é eleito líder da Liga Comunista da Sérvia com a promessa de restaurar o controle sobre o Kossovo.

Eleito presidente da Sérvia em 1989, Milosevic acaba com a autonomia do Kossovo em 1990. Com o renascimento do nacionalismo sérvio, a Croácia e a Eslovênia declaram independência em 1991. O Exército Federal da Iugoslávia intervém. A guerra da Eslovênia acaba logo, mas a da Croácia se arrasta por anos.

Em 1992, a independência da Bósnia-Herzegovina deflagra a pior das guerras que dividem a Iugoslávia, que dura mais de três anos e mata mais de 100 mil pessoas. A Iugoslávia fica reduzida a Sérvia e Montenegro.

O Exército de Libertação do Kossovo nasce em 1996 para lutar contra a dominação sérvia. Chega a controlar a metade da província quando a Sérvia reage e inicia uma campanha de purificação étnica que leva à intervenção da OTAN, a aliança militar liderada pelos EUA, que não perde nenhum soldado em combate durante a campanha aérea.

Milosevic cai em 5 de outubro de 2000 numa revolta popular na Sérvia. É preso e entregue ao Tribunal Penal Internacional para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia. Morre em 11 de março de 2006, antes do fim do processo em que era acusados de mais de 60 crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

GENOCIDA DA BÓSNIA

    Em 2016, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia, com sede em Haia, na Holanda, condena a 40 anos de prisão por crimes de guerra, inclusive genocídio, o psiquiatra Radovan Karadzic, líder da autoproclamada República Sérvia durante a Guerra da Independência da Bósnia-Herzegovina (1992-95). Em 2019, a pena é ampliada para prisão perpétua.

A Bósnia tem a população mais dividida religiosa etnicamente da antiga Iugoslávia: 44% bósnios muçulmanos; 31% sérvios, que são cristãos ortodoxos; e 16% croatas, que são católicos. 

Com o apoio do presidente da Sérvia, Slobodan Milosevic, do Exército Federal da Iugoslávia e do comandante militar sérvio-bósnio, general Ratko Mladic, os sérvios cercam Sarajevo, a capital do país, e fazem uma campanha de "limpeza étnica" para expulsar quem não é sérvio das áreas sob seu controle.

Em 1995, o tribunal o acusa crimes guerra e crimes contra a vida, inclusive genocídio, assassinato, tortura, estupro e limpeza étnica. O caso mais notório foi o Massacre de Srebrenica, de 11 a 25 de julho de 1995, quando pelo menos 8.373 bósnios muçulmanos, toda a população masculina adulta da cidade, morre.

Karadzic foge para a Sérvia depois da guerra e trabalha numa clínica de medicina alternativa em Belgrado até ser preso em julho de 2008 e enviado ao tribunal de Haia.

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quarta-feira, 18 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Março

 COMUNA DE PARIS

    Em 1871, depois da derrota da França na Guerra Franco-Prussiana (1870-71) e do colapso do Segundo Império, estoura a Comuna de Paris, a primeira insurreição que cria um governo popular proletário, expressão do crescimento das ideias socialistas entre o operariado europeu.

A Assembleia Popular eleita em fevereiro de 1871 para concluir um acordo de paz com a Alemanha recém-unificada tem uma maioria monarquista que reflete o conservadorismo das províncias. 

Para garantir a ordem na capital francesa, o chefe do governo provisório, Adolphe Thiers, decide desarmar a Guarda Nacional, formada principalmente por trabalhadores que lutaram durante o cerco de Paris. Em 18 de março, essa força se revolta quando tentam tomar os canhões.

Em 26 de março, eleições organizadas pelo comitê central da guarda resulta na vitória dos revolucionários, que formam o governo da Comuna. Entre eles, estão os chamados jacobinos, que seguem as ideias radicais da segunda fase da Revolução Francesa de 1789 e querem que a Comuna controle a revolução; os proudhonistas, socialistas a favor de formar uma federação de comunas por toda a França; e os blanquistas, que defendem uma ação violenta.

O programa da Comuna defende algumas medidas de 1793 como o fim do apoio à Igreja e a adoção do calendário revolucionário, e medidas sociais como jornada de trabalho de no máximo 10 horas por dia e o fim do trabalho noturno dos padeiros.

Com a rápida derrota das comunas que surgem em Lyon, Saint-Étienne, Marselha e Toulouse, a Comuna de Paris fica sozinha na luta contra o governo instalado em Versalhes. Os fédérés, como são chamados os insurgentes, não conseguem se organizar militarmente e partir para a ofensiva. Em 21 de maio, tropas governamentais entram numa zona não defendida de Paris.

Durante a Semana Sangrenta, as forças do governo esmagam a Comuna de Paris. Os rebeldes de defendem armando barricadas com paralelepípedos e tocando fogo em prédios públicos como o Palácio das Tulherias e a Prefeitura. Cerca de 20 mil rebeldes e 750 soldados morrem. Depois do fim da rebelião, em 28 de maio, o governo prende cerca de 38 mil pessoas e deporta mais de 7 mil.

Na descrição de Karl Marx, o ideólogo do comunismo, em A Guerra Civil na França, “a Comuna era composta de vereadores eleitos por sufrágio universal nos diversos distritos da cidade. Eram responsáveis e substituíveis a qualquer momento. 

"A Comuna deveria ser não um órgão parlamentar, mas uma corporação de trabalho, executiva e legislativa ao mesmo tempo. Em vez de continuar sendo um instrumento do governo central, a polícia foi imediatamente despojada de suas atribuições políticas e convertida num instrumento da Comuna, responsável diante dela e demissível a qualquer momento. O mesmo foi feito em relação aos funcionários dos demais ramos da administração. Todos que desempenhavam cargos públicos deviam receber salários de operários. 

"Como é lógico, a Comuna de Paris seria o modelo para todos os grandes centros industriais da França. Uma vez estabelecido em Paris e nos centros secundários o regime comunal, o antigo governo centralizado teria que ceder lugar também nas províncias ao autogoverno dos produtores. 

"No breve esboço de organização nacional que a Comuna não teve tempo de desenvolver, a Comuna deveria ser a forma política inclusive das menores aldeias do país e, nos distritos rurais, o exército permanente devia ser substituído por uma milícia popular com um tempo de serviço extraordinariamente curto. As comunas rurais de cada distrito administrariam seus assuntos coletivos por meio de uma assembleia de delegados na capital do distrito correspondente a essas assembleias, por sua vez, enviariam deputados à delegação nacional em Paris.”

Para Friedrich Engels, o outro autor do Manifesto Comunista, “só os operários de Paris tinham a intenção bem definida, ao derrubar o governo, de derrubar o regime da burguesia”, ainda que “nem o progresso econômico do país nem o desenvolvimento intelectual das massas operárias francesas, contudo, tinham atingido ainda o grau que teria tornado possível uma reconstrução social”.

PRIMEIRAS GRAVAÇÕES DE VOZ

    Em 1902, o tenor italiano Enrico Caruso, um dos primeiros músicos a gravar sua voz, faz sua primeira gravação fonográfica.

Caruso, o mais admirado tenor italiano do início do século 20, nasce em Nápoles, na Itália, em 25 de fevereiro de 1873 numa família pobre. Ele canta músicas folclóricas napolitanas nas ruas e entra para o coral da igreja aos 9 anos, mas só começa a receber educação musical formal aos 18 anos com o professor Guglielmo Vergine.

Ele estreia como cantor de ópera em 1894 na peça L'amico Francesco, de Mario Morelli, no Teatro Novo, em Nápoles. Quatro anos depois, ele interpreta o personagem Loris na avant-première de Fedora, de Umberto Giordano, em Milão.

Seu sucesso o leva a se apresentar em Moscou, São Petersburgo e Buenos Aires. Caruso estreia em 1900 no famoso Teatro Scala, de Milão, com La Bohème. Em 1902, ele canta La Bohème em Mônaco e Rigoletto em Covent Garden, em Londres.

Em 23 de novembro de 1903, Caruso faz sua primeira apresentação nos Estados Unidos, cantando La Bohème na Ópera Metropolitana de Nova York. Nos próximos 17 anos, ele participa da abertura da temporada de ópera em Nova York interpretando 36 papéis.

Caruso faz sua última performance em público como Eléazar em La Juive na 607ª apresentação na Ópera Metropolitana de Nova York, em 24 de dezembro de 1920. Ele morre em 2 de agosto de 1921 em Nápoles aos 48 anos.

PRIMEIRO PASSEIO NO ESPAÇO

    Em 1965, o cosmonauta soviético Alexei Leonov sai da nave espacial Voskhod 2 e se torna o primeiro homem a passear no espaço.

Leonov nasce em 30 de maio de 1934 em Listvyanka, na Rússia, então parte da União Soviética. Depois de cursar os ensinos fundamental e médio em Kaliningrado, ele entra para a Força Aérea em 1953. Quatro anos depois, conclui seu treinamento. Serve como piloto de 1957 a 1959, quando é selecionado para se tornar um cosmonauta.

A Voskhod 2 é lançada ao espaço em 18 de março com Leonov e Pavel Balvaiev a bordo. Na segunda volta em órbita da Terra, a 117 quilômetros da superfície da Crimeia, Leonov sai da nave preso por um cabo, faz observações, filma e faz algumas manobras por 10 minutos e volta quando a Voskhod 2 sobrevoa a Sibéria. A nave volta depois de dar 17 voltas na Terra em 26 horas.

Dez anos depois, ele comanda a Soyuz 19, que faz com uma nave Apollo o primeiro acoplamento espacial de espaçonaves dos Estados Unidos e da URSS, em 17 de julho de 1975.

Alexei Leonov se aposenta como cosmonauta em 1982 e trabalha até 1991 no Centro de Trenamento de Cosmonautas Yuri Gagarin, perto de Moscou. Em 2004, lança com o astronauta norte-americano David Scott o livro Duas Faces da Lua: nossa história da corrida espacial na Guerra Fria. Ele morre em 11 de outubro de 2019 em Moscou aos 85 anos.  

EUA BOMBARDEIAM CAMBOJA

    Em 1969, durante a Guerra do Vietnã (1955-75), aviões bombardeiros dos Estados Unidos deixam de lado seus alvos no Vietnã para atacar bases dos guerrilheiros comunistas do Viet Cong e a chamada Trilha de Ho Chi Minh, no Camboja, usada pelos rebeldes para ir do Vietnã do Norte para o Vietnã do Sul através do país vizinho, que estava fora da guerra.

Ao todo, 3.360 missões aéreas jogam 110 mil toneladas de bombas no Camboja durante um ano e dois meses, até 26 de maio de 1970. A Operação Menu é realizada em segredo. Nem o Congresso nem a opinião pública norte-americana é informada porque o Camboja é um país neutro.

GOLPE NO CAMBOJA

    Em 1970, o general e primeiro-ministro Lon Nol dá um golpe militar no Camboja, derruba o Príncipe Vermelho, Norodom Sihanouk, e instaura uma ditadura com o apoio dos EUA.

A guerra, os bombardeios e a ditadura apoiada por Washington alimentam o grupo guerrilheiro Khmer Vermelho, em atividade desde 1968, que toma o poder em 16 de abril de 1975, duas semanas antes da queda de Saigon, no fim da Guerra do Vietnã.

O Khmer Vermelho, apoiado pela China e inspirado pelo maoísmo e a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), instaura um dos regimes comunistas mais cruéis e brutais, talvez o pior de todos, um reino do terror que mata 1,5 a 2 milhões de pessoas até ser derrubado por uma invasão do Vietnã em 7 de janeiro de 1979.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Setembro

 GUERRA DA SUCESSÃO ESPANHOLA

    Em 1709, o Duque de Marlborough e o príncipe Engênio, de Saboia, lideram uma força de 100 mil britânicos, holandeses e austríacos contra um exército de 90 mil franceses sob o comando do general Claude-Louis-Hector, Duque de Villers, e do marechal Louis-François, Duque de Boufflers, na Batalha de Malplaquet, uma das mais sangrentas da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14).

A guerra começa após a morte de Carlos II, da Espanha, que não deixa sucessores. Sobe ao trono o Duque de Anjou, Felipe de Anjou, da Dinastia de Bourbon, neto de Luís XIV, da França, como Felipe V. Na prática, a sucessão joga a Espanha nos braços da França. Isto provoca a reação do Reino Unido, da Holanda, da Prússia, de Portugal, de Saboia e da Áustria, onde Leopoldo I quer unir as coroas espanhola e austríaca com seu filho Carlos.

Os aliados cercam o forte de Mons em 4 de setembro e atacam Malplaquet pelos flancos para obrigar os defensores franceses a enfraquecer a resistência no centro, onde avançam com uma cavalaria de 30 mil homens O plano de ataque funciona, com altas perdas. Pelo menos 22 mil aliados e 12 mil franceses são mortos ou feridos.

A França se retira e os aliados continuam o avanço até tomar Mons em 26 de outubro. Há várias negociações. A guerra deveria acabar com o Tratado de Utrecht (1713), mas vai até 1714. Felipe V mantém a coroa e as colônias da Espanha, mas abre mão de se candidatar ao trono da França. A Áustria não participa das negociações de Utrecht, mas não tem como continuar a guerra sem os aliados.

QUEDA DE BARCELONA

    Em 1714, depois de 14 meses de cerco, o Exército de Felipe V, da Espanha, toma Barcelona na Guerra da Sucessão Espanhola. É o fim das leis e instituições catalãs. É a data nacional da Catalunha.

O Cerco da Barcelona é uma das últimas operações militares da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14). Quando morre Carlos II, da Espanha, que não deixa herdeiros, é o fim da dinastia austríaca, do ramo espanhol do Império dos Habsburgo. 

Ascende ao trono o Duque de Anjou, Felipe de Anjou, neto de Luís XIV, como Felipe V. Isto fortaleceria a relação entre Espanha e França, mudando a relação de forças no continente. A França, por sua vez, teme uma união entre Espanha e Áustria.  A Holanda e o Reino Unido se opõe à França, com que disputam a supremacia na Europa.

Durante a guerra, portugueses e espanhóis se enfrentam na América do Sul na luta pelo controle da Colônia do Sacramento. O Reino Unido toma o Estreito de Gibraltar, reclamado até agora pela Espanha.

No fim da guerra, Felipe V, da Dinastia de Bourbon, aproveita a resistência dos catalães em Barcelona para derrubar os muros das cidades que se opõem a seu Exército. O cerco começa em 25 de julho de 1714, com um número de soldados muito superior aos dos defensores de Barcelona. 

A data nacional da Catalunha é celebrada desde 11 de setembro de 1886. É proibida nas ditaduras de Miguel Primo de Rivera (1923-30) e Francisco Franco (1939-75).

GUERRA DA CRIMEIA

    Em 1855, durante a Guerra da Crimeia (1853-56), depois de onze meses de cerco, a França e o Reino Unido tomam Sebastopol, onde fica a principal base da Frota do Mar Negro da Rússia.

É uma das maiores operações militares da guerra. Cerca de 50 mil soldados britânicos e franceses, e 10 mil piemonteses, sob o comando de Lorde Raglan e do general francês François Conrobert, cercam Sebastopol a partir de 17 de outubro de 1854. O príncipe Alexander Menshikov comanda as forças da Rússia.

A batalha dura 11 meses porque os aliados não têm artilharia pesada para quebrar a resistência da cidade, enquanto os russos não conseguem romper o cerco. Em 8 de setembro, os franceses tomam Malakhov, no Sudeste da cidade. Os russos afundam os navios, explodem as fortificações e fogem em 11 de setembro.

A Guerra da Crimeia termina em 1º de fevereiro de 1856 com a derrota da Rússia. Isto leva o novo czar, Alexandre II, que sucede a Nicolau I em março de 1855, a fazer reformas como o fim da servidão, em 1861. No mesmo ano, começa a Guerra da Secessão (1861-65) em torno da abolição da escravatura nos Estados Unidos.

A Áustria, que se alia à França e ao Reino Unido, perde o apoio da Rússia, e sofre derrotas em 1859 e 1866 que levam às unificações da Itália (1861) e da Alemanha (1871).

GOLPE NO CHILE

    Em 1973, um golpe militar apoiado pelos Estados Unidos na Guerra Fria derruba o presidente socialista Salvador Allende e dá início à ditadura do general Augusto Pinochet, que mata 3.216 pessoas.

Allende é eleito em 1970 por uma aliança de socialistas e comunistas, com 36% dos votos, 39 mil a mais do que um candidato conservador. Sua eleição precisa ser referendada pelo Congresso, onde o Partido Democrata-Cristão vota a favor.

Em plena Guerra Fria, os EUA sabotam Allende desde a campanha. Fomentam uma revolta para impedir a posse. A CIA (Agência Central de Inteligência) dá US$ 8 milhões a grupos de oposição, como o sindicato dos caminhoneiros, que para o país, 

Sem maioria no Congresso do Chile, o governo da Unidade Popular enfrenta forte da oposição da direita e depois dos democratas-cristãos, que apoiam o golpe e são perseguidos pela ditadura pinochetista. Mais de 40 mil pessoas são torturadas e 200 mil fogem do Chile.

Um plebiscito, em 5 de outubro de 1988, nega a prorrogação do mandato do tirano. Em 1989, o democrata-cristão Patricio Aylwin é eleito pela Concertação, uma aliança de 16 partidos liderada por democratas-cristãos e socialistas.

Aylwin toma posse em 11 de março de 1990, pondo fim à ditadura. Pinochet permanece no comando do Exército até 1998. Depois de deixar o cargo, é preso em Londres em 16 de outubro de 1998 por ordem do juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón sob as acusações de genocídio, tortura, terrorismo internacional e desaparecimento de pessoas.

Quando o governo conservador espanhol de José María Aznar deixa claro que não vai pedir a extradição, o Reino Unido faz um acordo com o Chile para liberar Pinochet com a desculpa de que ele sofreria sérios problemas de saúde. 

No Chile, o ex-ditador é processado por 18 sequestros e 57 assassinatos. Chega a ficar em prisão domiciliar, mas nunca é condenado definitivamente. Impune, Pinochet morre do coração em 10 de dezembro de 2006.

Como consequência do golpe no Chile, a maioria dos países da América Latina hoje faz eleição presidencial em dois turnos quando o primeiro colocado não consegue a maioria absoluta dos votos válidos ou uma ampla vantagem sobre o segundo em alguns países que não exigem 50% dos votos válidos mais um. Assim, o presidente chega ao poder com o apoio da maioria.

TERROR NOS EUA

    Em 2001, no pior atentado terrorista da história, a rede Al Caeda transforma aviões de passageiros em mísseis guiados por pilotos suicidas, derruba as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e ataca o Pentágono, sede do Departamento da Defesa dos Estados Unidos, perto de Washington. Causa a morte 2.977 pessoas em Nova York, 125 no Pentágono e 69 num quarto voo, derrubado pelos passageiros, que iria para a Casa Branca ou o Capitólio.

O ataque provoca uma reação dos EUA: a Guerra contra o Terror, um equívoco desde o nome porque o terrorismo é uma tática de guerra, não é um inimigo em si. O inimigo, no caso, é o jihadismo, o terrorismo dos fundamentalistas islâmicos que pregam a guerra santa. 

É de certa forma um populismo político que pesca no mar do Corão para criar sua ideologia sanguinária. É uma ideologia e uma guerra ideológica é uma batalha de ideias. Antes de mais nada, é uma guerra civil dentro do Islã sobre qual é a verdadeira interpretação do Corão. 

O movimento jihadista tem uma base religiosa, sonha em recriar o mundo à imagem da Arábia no século 7, no tempo de Maomé, mas ao mesmo tempo usa os recursos tecnológicos do século 21. Cria um califado digital que recruta voluntários para o martírio. Na verdade, é um movimento político extremista surgido em lugares onde não há liberdade política, então eles se encontram nas mesquitas.

Depois de atacar o Afeganistão em 7 de outubro de 2001 e derrubar o regime fundamentalista dos Talebã em três semanas, os EUA conseguem cercar a liderança d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, mas Ossama ben Laden foge para o Paquistão.

Em 2003, o então presidente George W. Bush resolve invadir o Iraque do ditador Saddam Hussein, que não tem relação alguma com os atentados, provocando uma revolta dos muçulmanos sunitas de que Al Caeda se aproveita para entrar no Iraque.

Al Caeda do Iraque se torna Estado Islâmico do Iraque e, na guerra civil da Síria, Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Depois de retirar as forças dos EUA em 2011, o presidente Barack Obama declara em agosto de 2014 guerra ao Estado Islâmico, que proclama a fundação de um califado nas regiões que ocupava no Iraque e na Síria.

A Guerra do Afeganistão, a mais longa da história dos Estados Unidos, acaba de maneira humilhante para os norte-americanos, com a volta imediata dos talebã ao poder e caos no aeroporto de Cabul, inclusive um atentado terrorista cometido pelo Estado Islâmico. 

A vitória dos jihadistas empolga os extremistas do mundo inteiro e certamente ajuda a recrutar mais voluntários para o martírio. O Afeganistão volta a ser solo fértil para grupos jihadistas que fazem terrorismo internacional. 

Os talebã prometem no acordo com os EUA não deixar usar o território afegão para desfechar ataques aos americanos e aliados, mas não controlam totalmente o país para garantir isso.

A Guerra contra o Terror não termina. Pelos dados oficiais morreram 6.892 soldados dos EUA nas guerras do Afeganistão, do Iraque e na Síria e no Iraque contra o Estado Islâmico. Ao todo, a Guerra contra o Terror custa aos EUA US$ 8 trilhões. Estima-se que 900 mil pessoas morrem nesta guerra.

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 3 de Julho

BATALHA DECISIVA

    Em 1863, com o fracasso de uma tentativa do general Robert Lee, comandante militar dos Estados Confederados da América (Sul), de quebrar as linhas de defesa da União (Norte), termina com a vitória nortista a Batalha de Gettysburg, a mais decisiva da Guerra da Secessão (1861-65), a Guerra Civil Norte-Americana.

Depois de vencer a Batalha de Chancellorsville, o general Lee lança sua segunda invasão do Norte. Leva seu exército de 75 mil soldados do Norte da Virgínia para Maryland e a Pensilvânia. O objetivo é travar auma grande batalha em território do Norte para quebrar a força moral das tropas da União e esperar uma intervenção da França ou do Reino Unido em seu favor.

O Exército do Potomac, com 90 mil soldados, persegue os confederados até o estado de Maryland, mas o general Joseph Hooker, derrotado em Chancellorsville, teme atacar Lee. Os confederados dividem sua forças em busca de alvos para atacar, entre eles Harriburgo, a capital da Pensilvânia.

Diante da relutância, o presidente Abraham Lincoln substitui Hooker pelo general George Meade. Lee sabe da presença do exército da União e concentra suas forças perto da cidade de Gettysburg, na Pensilvânia.

Sob o comando do general Henry Heth, uma divisão do Sul marcha sobre Gettysburg em 1º de julho na esperança de encontrar suprimentos e se defronta com três brigadas de cavalaria da União. Começa a Batalha de Gettysburg. Lee e Meade mandam seus soldados entrar na luta.

No meio da tarde, 19 mil soldados federais enfrentam 24 mil confederados. Pouco depois, quando chega ao campo de batalha, o general Lee ordena um avanço geral. As tropas da União recuam até a Colina do Cemitério, ao sul da cidade.

O resto dos soldados de Meade chega à noite. Na tarde de 2 de julho, depois de consolidar suas posições, o general sulista James Longstreet lança uma ofensiva, mas discorda do plano de batalha do general Lee. Depois de três horas e milhares de mortes, o combate cessa.

Em 3 de julho, depois de não conseguir quebrar as linhas da União pelos flancos direito e esquerdo, Lee faz um ataque frontal, com um bombardeio maciço pelo centro, com 15 mil homens sob o comando do general George Pickett. Os federais respondem, num dos maiores bombardeios da guerra civil.

Quando Pickett avança, vê que o bombardeio de Lee não debilita as linhas inimigas. É alvo de intenso bombardeio nortista. Ao mesmo tempo, a infantaria ianque ataca a retaguarda do avanço de Pickett para dividir os confederados. Poucos chegam até a linha de frente da União e logo são mortos. Mais de 7 mil confederados morrem em uma hora.

No fim da Batalha de Gettysburg, o Exército do Potomac está muito debilitado para perseguir as forças em retirada de Lee. O total de mortes é estimado entre 46 e 51 mil pessoas. 

É uma virada na guerra civil. Nunca mais o Sul tenta invadir o Norte. Em 19 de novembro de 1863, ao consagrar um cemitério no local da batalha, Lincoln faz o Discurso de Gettysburg, considerado o discurso político mais importante da História dos Estados Unidos.

MORTE DE BRIAN

    Em 1969, o guitarrista e multi-instrumentista dos Rolling Stones Brian Jones é encontrado morto na piscina aos 27 anos, na que é considerada uma morte acidental por afogamento.

John Lennon comenta em 1970: "No início, Brian Jones era o mais interessante dos Rolling Stones, mas é um daqueles caras que se desintegraram diante de nós."

Por causa do abuso de drogas, Jones falta a ensaios e gravações, e erra na hora de tocar. Os EUA lhe negam visto para uma excursão em 1969. Em 8 de junho, Mick Jagger e Keith Richards o demitem da banda. Richards já tinha tomado a namorada dele, a modelo e atriz Anita Pallenberg.

Jimi Hendrix e Janis Joplin morreriam em 1970, Jim Morrison em 1971, Kurt Cobain em 1994 e Amy Winehouse em 2011 – todos aos 27 anos, por excesso de drogas.

MORTE DE JIM MORRISON

    Em 1971, o cantor, compositor e poeta Jim Morrison, líder da banda de rock norte-americana The Doors, é encontrado morto aos 27 anos na banheira de seu apartamento em Paris.

A causa da morte é colapso cardíaco, provavelmente devido a uma dose excessiva de heroína. Não há autópsia.

Rei Lagarto seduz uma geração com suas letras e sua presença no palco, com as ideias do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, do poeta francês Arthur Rimbaud, do poeta e pintor inglês William Blake e do escritor norte-americano Aldous Huxley. 

O abuso de drogas o transforma num gênio indomável. Quase sempre doidão, "era difícil gravar, fazer um show e até mesmo tomar um avião com ele", admite Ray Manzarek, o baterista da banda.

Morrison é preso e acusado de "exposição indecente" e "profanidade" por ter ameaçado mostrar seu pênis durante um show em Miami, em 1º de março de 1969. Vários concertos da banda são cancelados. 

Em 20 de setembro de 1970, Morrison é condenado e, em 30 de outubro, sentenciado a seis meses de prisão e multa de US$ 500. Fica em liberdade por pagar fiança de US$ 50 mil.

"Perdi muito tempo e energia com o julgamento em Miami, cerca de um ano e meio", reconhece Morrison depois em entrevista. "Mas acho que foi uma experiência válida porque antes do julgamento eu tinha uma visão estudantil irrealista sobre o sistema judicial norte-americano. Meus olhos se abriram um pouco. Há muitos caras negros que em cinco minutos pegam 20, 25 anos de cadeia. Se eu não tivesse fundos ilimitados para continuar lutando, ficaria uns três anos preso. Se você tem dinheiro, geralmente não vai preso."

O túmulo de Morrison é o mais visitado no Cemitério Père Lachaise, em Paris, onde também estão sepultados o pianista e compositor polonês Frédéric Chopin, o escritor Honoré de Balzac e o escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde. Os fãs costumam beber e se drogar em homenagem ao ídolo.

VITÓRIA EM ENTEBBE

    Em 1976, um comando de Israel lança uma operação de resgate para libertar reféns de um avião Airbus A300 da companhia aérea Air France com 248 passageiros, dos quais 77 israelenses, sequestrado e levado para Entebbe, em Uganda, no coração da África, por terroristas da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e das Células Revolucionárias alemãs.

O voo AF139 vai de Telavive, em Israel, para Paris, a capital da França, em 27 de junho com escala em Atenas, a capital da Grécia, onde os quatro terroristas embarcam. Oito minutos depois de decolagem de Atenas, pouco depois do meio-dia, eles assumem o controle da aeronave.

Por volta das 14h, o avião pede licença para aterrisar em Bengási, na Líbia, governada pelo ditador Muamar Kadafi, para um reabastecimento que permita mais quatro horas de voo. Fica seis horas e meia em Bengási, onde uma mulher é libertada, e segue viagem para Entebbe, a antiga capital de Uganda, onde fica o maior aeroporto do país governado pelo ditador Idi Amin. Chega por volta das 3h de 28 de junho. Os reféns são levados para um antigo terminal.

Em Israel, o primeiro-ministro Yitzhak Rabin reúne alguns ministros, entre eles Shimon Peres, da Defesa, para tomar providências para libertar os reféns israelenses.

Em 29 de junho, os terroristas anunciam suas exigências: a libertação até 1º de julho às 14h de 53 presos, 13 na Alemanha Ocidental, na França, na Suíça e no Quênia, e 40 em Israel. Caso contrário, ameaçam explodir o avião com os reféns a bordo. A Alemanha Ocidental e a França se recusam a soltar presos.

Oficialmente, a ditadura de Idi Amin se declara neutra, mas na realidade apoia os sequestradores. Idi Amin havia expulsado todos os israelenses de Uganda depois que Israel se negou a fornecer aviões de caça ao país.

Em 30 de junho, os terroristas libertam 47 reféns, nenhum israelense. O capitão e a tripulação decidem ficar com os passageiros. Quando os reféns libertados confirmam a suspeita de apoio da ditadura de Idi Amin aos terroristas, Israel toma a decisão de agir.

Como o aeroporto foi construído por uma empresa de Israel, as autoridades israelenses conseguem mapas detalhados para planejar a operação de resgate. O general brigadeiro Dan Shonrom, comandante de paraquedistas, é nomeado chefe da operação em Israel e Yonatan Netanyahu, irmão do atual primeiro-ministro, comandante da força-tarefa.

Israel tenta negociar, mas os terroristas exigem a libertação dos presos. Ampliam o prazo até 14h de 4 de julho. O comando é dividido em cinco grupos de assalto para assumir o controle da pista e dos dois terminais do aeroporto, impedir a intervenção das Forças Armadas de Uganda e evacuar os reféns, levando-os para um avião de transporte C-130 Hercules.

Na madrugada de 3 de julho, o ministro da Defesa de Israel, Shimon Peres, recebe o aviso de que o comando está pronto para entrar em ação. Os aviões israelenses partem do Aeroporto Ben Gurion às 13h20 de 3 de julho. Eles se reabastecem em Charm al-Cheikh, no Egito, e voam para Uganda.

Quando a ação começa, os ugandenses percebem a invasão, mas são rechaçados. Os reféns estão no salão principal do terminal velho, deitados no chão. Muitos dormem. Quatro terroristas que montam guarda são mortos imediatamente.

As ordens são tratar os soldados ugandenses como inimigos armados a serem atacados se abrirem fogo e eliminar todos os terroristas. A ação no terminal antigo dura três minutos.

O segundo avião pousa sete minutos depois do primeiro, com soldados e veículos de transporte que atacam o novo terminal. A principal resistência vem da torre de controle, de onde parte uma rajada de metralhadora que mata Yoni Netanyahu.

Ao todo, sete terroristas e 45 soldados ugandenses são mortos; 102 dos 106 reféns são libertados. Do lado israelense, Netanyahu e três reféns morrem. Às 0h30 de 4 julho, uma hora e meia depois da aterrissagem do primeiro avião, o último avião israelense deixa o Aeroporto de Entebbe.

TRAGÉDIA NO GOLFO

    Em 1988, o cruzador norte-americano Vincennes abate um avião de passageiros Airbus da Iran Air no Golfo Pérsico, matando todas as 290 pessoas a bordo.

A Guerra Irã-Iraque (1980-88) está no fim. Os EUA patrulham o golfo para evitar ataques a navios petroleiros e alegam que confundiram o avião civil com um caça-bombardeiro iraniano. O sistema de defesa Aegis, o Escudo de Zeus, que seria capaz de distinguir uma barata a quilômetros de distância, derruba o Airbus iraniano. 

O ditador do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini, aceita em 20 de julho a Resolução nº 598 do Conselho de Segurança das Nações Unidos, que propõe um cessar-fogo. A trégua entra em vigor em 20 de agosto, depois de quase oito anos de uma guerra que mata entre 500 mil e 1 milhão de muçulmanos.

GOLPE NO EGITO

     Em 2013, o comandante das Forças Armadas do Egito, general Abdel Fattah al-Sissi, lidera um golpe militar e derruba o governo da Irmandade Muçulmana e do presidente Mohamed Mursi, eleito na chamada Primavera Árabe.

Quando uma revolta popular derruba, em 11 de fevereiro de 2011, o ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há 30 anos, um mês depois da queda de Zine el-Abidine Ben Ali na Tunísia, só há duas instituições organizadas no Egito: as Forças Armadas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para reislamizar o mundo muçulmano numa reação ao imperialismo ocidental.

Como único movimento político organizado, a Irmandade Muçulmana vence as primeiras eleições democráticas da história do país para a Assembleia Nacional e a Presidência. Em 30 de junho de 2013, primeiro aniversário da vitória de Mursi, 14 milhões de pessoas protestam nas ruas contra o autoritarismo do governo da Irmandade Muçulmana, acusada de sequestrar a revolução. Cinco manifestantes são mortos.

No dia seguinte, populares atacam e saqueiam a sede nacional da Irmandade Muçulmana no Cairo. Outras oito pessoas morrem numa manifestação diante de um quartel. Em 3 de julho, são mortos 16 partidários da Irmandade Muçulmana. À noite, o Comando Supremo das Forças Armadas divulga um comunicado anunciando o fim do governo Mursi.

A repressão violenta leva à morte de pelo menos mil pessoas, massacradas pelas forças de segurança em 14 de agosto. A Irmandade Muçulmana afirma que são 2,6 mil mortes. Mursi é preso e condenado a 20 anos de cadeia por prisões ilegais e torturas cometidas sob seu governo. 

Em 17 de junho de 2019, a televisão estatal egípcia anuncia que Mursi desmaia durante uma audiência sobre acusações de espionagem. Levado a um hospital, ele morre, supostamente de ataque cardíaco.