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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Setembro

GUERRA DA SUCESSÃO ESPANHOLA

    Em 1709, o Duque de Marlborough e o príncipe Engênio, de Saboia, lideram uma força de 100 mil britânicos, holandeses e austríacos contra um exército de 90 mil franceses sob o comando do general Claude-Louis-Hector, Duque de Villers, e do marechal Louis-François, Duque de Boufflers, na Batalha de Malplaquet, uma das mais sangrentas da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14).

A guerra começa após a morte de Carlos II, da Espanha, que não deixa sucessores. Sobe ao trono o Duque de Anjou, Felipe de Anjou, da Dinastia de Bourbon, neto de Luís XIV, da França, como Felipe V. Na prática, a sucessão joga a Espanha nos braços da França. Isto provoca a reação do Reino Unido, da Holanda, da Prússia, de Portugal, de Saboia e da Áustria, onde Leopoldo I quer unir as coroas espanhola e austríaca com seu filho Carlos.

Os aliados cercam o forte de Mons em 4 de setembro e atacam Malplaquet pelos flancos para obrigar os defensores franceses a enfraquecer a resistência no centro, onde avançam com uma cavalaria de 30 mil homens O plano de ataque funciona, com altas perdas. Pelo menos 22 mil aliados e 12 mil franceses são mortos ou feridos.

A França se retira e os aliados continuam o avanço até tomar Mons em 26 de outubro. Há várias negociações. A guerra deveria acabar com o Tratado de Utrecht (1713), mas vai até 1714. Felipe V mantém a coroa e as colônias da Espanha, mas abre mão de se candidatar ao trono da França. A Áustria não participa das negociações de Utrecht, mas não tem como continuar a guerra sem os aliados.

QUEDA DE BARCELONA

    Em 1714, depois de 14 meses de cerco, o Exército de Felipe V, da Espanha, toma Barcelona na Guerra da Sucessão Espanhola. É o fim das leis e instituições catalãs. É a data nacional da Catalunha.

O Cerco da Barcelona é uma das últimas operações militares da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14). Quando morre Carlos II, da Espanha, que não deixa herdeiros, é o fim da dinastia austríaca, do ramo espanhol do Império dos Habsburgo. 

Ascende ao trono o Duque de Anjou, Felipe de Anjou, neto de Luís XIV, como Felipe V. Isto fortaleceria a relação entre Espanha e França, mudando a relação de forças no continente. A França, por sua vez, teme uma união entre Espanha e Áustria.  A Holanda e o Reino Unido se opõe à França, com que disputam a supremacia na Europa.

Durante a guerra, portugueses e espanhóis se enfrentam na América do Sul na luta pelo controle da Colônia do Sacramento. O Reino Unido toma o Estreito de Gibraltar, reclamado até agora pela Espanha.

No fim da guerra, Felipe V, da Dinastia de Bourbon, aproveita a resistência dos catalães em Barcelona para derrubar os muros das cidades que se opõem a seu Exército. O cerco começa em 25 de julho de 1714, com um número de soldados muito superior aos dos defensores de Barcelona. 

A data nacional da Catalunha é celebrada desde 11 de setembro de 1886. É proibida nas ditaduras de Miguel Primo de Rivera (1923-30) e Francisco Franco (1939-75).

GUERRA DA CRIMEIA

    Em 1855, durante a Guerra da Crimeia (1853-56), depois de onze meses de cerco, a França e o Reino Unido tomam Sebastopol, onde fica a principal base da Frota do Mar Negro da Rússia.

É uma das maiores operações militares da guerra. Cerca de 50 mil soldados britânicos e franceses, e 10 mil piemonteses, sob o comando de Lorde Raglan e do general francês François Conrobert, cercam Sebastopol a partir de 17 de outubro de 1854. O príncipe Alexander Menshikov comanda as forças da Rússia.

A batalha dura 11 meses porque os aliados não têm artilharia pesada para quebrar a resistência da cidade, enquanto os russos não conseguem romper o cerco. Em 8 de setembro, os franceses tomam Malakhov, no Sudeste da cidade. Os russos afundam os navios, explodem as fortificações e fogem em 11 de setembro.

A Guerra da Crimeia termina em 1º de fevereiro de 1856 com a derrota da Rússia. Isto leva o novo czar, Alexandre II, que sucede a Nicolau I em março de 1855, a fazer reformas como o fim da servidão, em 1861. No mesmo ano, começa a Guerra da Secessão (1861-65) em torno da abolição da escravatura nos Estados Unidos.

A Áustria, que se alia à França e ao Reino Unido, perde o apoio da Rússia, e sofre derrotas em 1859 e 1866 que levam às unificações da Itália (1861) e da Alemanha (1871).

GOLPE NO CHILE

    Em 1973, um golpe militar apoiado pelos Estados Unidos na Guerra Fria derruba o presidente socialista Salvador Allende e dá início à ditadura do general Augusto Pinochet, que mata 3.216 pessoas.

Allende é eleito em 1970 por uma aliança de socialistas e comunistas, com 36% dos votos, 39 mil a mais do que um candidato conservador. Sua eleição precisa ser referendada pelo Congresso, onde o Partido Democrata-Cristão vota a favor.

Em plena Guerra Fria, os EUA sabotam Allende desde a campanha. Fomentam uma revolta para impedir a posse. A CIA (Agência Central de Inteligência) dá US$ 8 milhões a grupos de oposição, como o sindicato dos caminhoneiros, que para o país, 

Sem maioria no Congresso do Chile, o governo da Unidade Popular enfrenta forte da oposição da direita e depois dos democratas-cristãos, que apoiam o golpe e são perseguidos pela ditadura pinochetista. Mais de 40 mil pessoas são torturadas e 200 mil fogem do Chile.

Um plebiscito, em 5 de outubro de 1988, rejeita a a prorrogação do mandato do tirano. Em 1989, o democrata-cristão Patricio Aylwin é eleito pela Concertação, uma aliança de 16 partidos liderada por democratas-cristãos e socialistas.

Aylwin toma posse em 11 de março de 1990, pondo fim à ditadura. Pinochet permanece no comando do Exército até 1998. Depois de deixar o cargo, é preso em Londres em 16 de outubro de 1998 por ordem do juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón sob as acusações de genocídio, tortura, terrorismo internacional e desaparecimento de pessoas.

Quando o governo conservador espanhol de José María Aznar deixa claro que não vai pedir a extradição, o Reino Unido faz um acordo com o Chile para liberar Pinochet com a desculpa de que ele sofreria sérios problemas de saúde. 

No Chile, o ex-ditador é processado por 18 sequestros e 57 assassinatos. Chega a ficar em prisão domiciliar, mas nunca é condenado definitivamente. Impune, Pinochet morre do coração em 10 de dezembro de 2006.

Como consequência do golpe no Chile, a maioria dos países da América Latina hoje faz eleição presidencial em dois turnos quando o primeiro colocado não consegue a maioria absoluta dos votos válidos ou uma ampla vantagem sobre o segundo em alguns países que não exigem 50% dos votos válidos mais um. Assim, o presidente chega ao poder com o apoio da maioria.

TERROR NOS EUA

    Em 2001, no pior atentado terrorista da história, a rede Al Caeda transforma aviões de passageiros em mísseis guiados por pilotos suicidas, derruba as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e ataca o Pentágono, sede do Departamento da Defesa dos Estados Unidos, perto de Washington. Causa a morte 2.977 pessoas em Nova York, 125 no Pentágono e 69 num quarto voo, derrubado pelos passageiros, que iria para a Casa Branca ou o Capitólio.

O ataque provoca uma reação dos EUA: a Guerra contra o Terror, um equívoco desde o nome porque o terrorismo é uma tática de guerra, não é um inimigo em si. O inimigo, no caso, é o jihadismo, o terrorismo dos fundamentalistas islâmicos que pregam a guerra santa. 

É de certa forma um populismo político que pesca no mar do Corão para criar sua ideologia sanguinária. É uma ideologia e uma guerra ideológica é uma batalha de ideias. Antes de mais nada, é uma guerra civil dentro do Islã sobre qual é a verdadeira interpretação do Corão. 

O movimento jihadista tem uma base religiosa, sonha em recriar o mundo à imagem da Arábia no século 7, no tempo de Maomé, mas ao mesmo tempo usa os recursos tecnológicos do século 21. Cria um califado digital que recruta voluntários para o martírio. Na verdade, é um movimento político extremista surgido em lugares onde não há liberdade política, então eles se encontram nas mesquitas.

Depois de atacar o Afeganistão em 7 de outubro de 2001 e derrubar o regime fundamentalista dos Talebã em três semanas, os EUA conseguem cercar a liderança d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, mas Ossama ben Laden foge para o Paquistão.

Em 2003, o então presidente George W. Bush resolve invadir o Iraque do ditador Saddam Hussein, que não tem relação alguma com os atentados, provocando uma revolta dos muçulmanos sunitas de que Al Caeda se aproveita para entrar no Iraque.

Al Caeda no Iraque se torna Estado Islâmico do Iraque em 15 de outubro de 2006 e, na guerra civil da Síria, em 8 de abril de 2013, Estado Islâmico do Iraque e do Levante. A partir de 29 de junho de 2014, vira Estado Islâmico.

Depois de retirar as forças dos EUA em 2011, o presidente Barack Obama declara em agosto de 2014 guerra ao Estado Islâmico, que proclama a fundação de um califado nas regiões que ocupava no Iraque e na Síria com jurisdição universal. Seu objetivo é impor sua ideologia assassina ao mundo inteiro.

A Guerra do Afeganistão, a mais longa da história dos Estados Unidos, acaba de maneira humilhante para os norte-americanos, com a volta imediata dos talebã ao poder, em 15 de agosto de 2021, e caos no aeroporto de Cabul, inclusive um atentado terrorista cometido pelo Estado Islâmico. 

A vitória dos jihadistas empolga os extremistas do mundo inteiro e certamente ajuda a recrutar mais voluntários para o martírio. O Afeganistão volta a ser solo fértil para grupos jihadistas que fazem terrorismo internacional. 

Os talebã prometem no acordo com os EUA não deixar usar o território afegão para desfechar ataques aos americanos e aliados, mas não controlam totalmente o país para garantir isso.

A Guerra contra o Terror não termina. Pelos dados oficiais morreram 6.892 soldados dos EUA nas guerras do Afeganistão, do Iraque e na Síria e no Iraque contra o Estado Islâmico. Ao todo, a Guerra contra o Terror custa aos EUA US$ 8 trilhões. Estima-se que 900 mil pessoas morrem nesta guerra.

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domingo, 26 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 26 de Outubro

 GEORGE III AUTORIZA USO DA FORÇA

    Em 1775, seis meses depois do início da Guerra da Independência dos Estados Unidos, o rei George III, do Reino Unido, fala diante das duas câmaras do Parlamento Britânico. Começa lendo a Proclamação da Rebelião e pede uma ação rápida e enérgica contra os colonos norte-americanos. 

"Muitas dessas pessoas infelizes ainda podem ser leais, e talvez não sejam muito inteligentes para não ver as consequências fatais de sua usurpação e desejem resistir; que a onda de violência seja suficientemente forte para compelir sua aquiescência", declara George III.

Ao autorizar o uso da força, o rei faz o que os colonos acreditam que jamais aconteceria: o Império Britânico atacando seus próprios súditos.

A esta altura, a maioria dos colonos permanecia leal à coroa. Em janeiro de 1776, o revolucionário britânico Tom Paine publica o livro Senso Comum, a favor da independência. Em 4 de julho, os colonos proclamam a independência dos Estados Unidos.

BENJAMIN FRANKLIN VAI A PARIS

    Em 1776, Benjamin Franklin viaja para Paris como embaixador para negociar uma aliança com a França na Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83).

Inventor do para-raio, Franklin, é recebido com honrarias nos círculos científicos e literários de Paris. O governo francês apoia secretamente os colonos. Entende que só deve apoiar abertamente a revolta quando os colonos tiverem chance de vitória.

Depois da vitória dos colonos na Batalha de Saratoga, em 1777, começam as negociações para o Tratado de Amizade e Comércio e o Tratado de Aliança, assinados em 6 de fevereiro de 1778. A guerra termina com o Tratado de Paris, de 3 de setembro de 1783, quando a França e o Reino Unido reconhecem a independência dos EUA.

TIROTEIO EM TOMBSTONE

    Em 1881, os irmãos Earp enfrentam a gangue da Clanton e McLaury num tiroteio histórico em O. K. Corral, na cidade de Tombstone, que se tornara uma das mais ricas cidades mineiras do Sudoeste dos Estados Unidos desde a descoberta de prata em 1877.

Wyatt Earp, ex-policial no Kansas, é segurança de um banco. Ele e os irmãos, Morgan e Virgil, o xerife da cidade, são os defensores da segurança pública em Tombstone.

Os Clanton e os McLaury moram em ranchos fora da cidade e estão envolvidos com ladrões de gado, assaltantes e assassinos. A disputa de poder em Tombstone resulta em tiroteio.

Ike Clanton e Tom McLaury vão a Tombstone fazer compras na manhã de 25 de outubro. Nas próximas 24 horas, eles têm vários encontros com os irmãos Earp e seu amigo Doc Holliday.

Às 13h30 do dia 26, Billy Clanton, Frank McLaury e Billy Clairborne vão à cidade. Ao entrar no bar da cidade, Holliday conta que seus irmãos levaram coronhadas dos irmãos Earp e eles saem em busca de vingança.

Por volta das 15h, os irmãos Earp e Holliday veem os cinco membros da gangue num terreno baldio no fim da rua Fremont. Em 30 segundos, 30 tiros são disparados. 

A maioria dos relatos diz que Virgil Earp disparou primeiro, matando Billy Clanton, enquanto Holliday atira no peito de Tom McLaury e Wyatt Earp atinge Frank McLaury, que ainda consegue disparar alguns tiros antes de morrer.

Quando acaba o tiroteio, os irmãos McLaury e Billy Clanton estão mortos. Doc Holliday, Morgan e Virgil Earp saem feridos. Ike Clanton e Clairborne fogem para a montanha.

O xerife do Condado de Cochise, John Behan, acusa Holliday e os irmãos Earp de homicídio, mas o juiz de Tombstone os absolve sob o argumento de que os homicídios eram "totalmente justificáveis". Cinco filmes são feitos sobre o tiroteio em O.K. Corral.

DITADOR DA COREIA DO SUL ASSASSINADO

    Em 1979, o ditador sul-coreano Park Chung Hee é morto pelo chefe da Agência Central de Inteligência da Coreia (KCIA), Kim Jae Kyu, seu amigo de longa data, que é condenado à morte pelo crime.

Park Chung Hee nasce em 14 de novembro de 1917 numa família camponesa pobre em Gumi, hoje parte da Coreia do Sul. Ele se forma na Escola Normal Daegu e trabalha como professor do ensino fundamental antes de entrar para uma academia militar japonesa. O Japão ocupa a Coreia de 1910 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Durante a guerra, Park serve como segundo-tenente no Exército Imperial do Japão. Quando a Coreia recupera a independência, passa a fazer parte de seu exército. No fim da guerra, o país é ocupado pelos Estados Unidos e a União Soviética, que declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, o dia da bomba de Nagasáki. Durante a Guerra Fria, é dividido entre Coreia do Norte e Coreia do Sul.

A tentativa do regime comunista do Norte de unificar o país deflagra a Guerra da Coreia (1950-53). No fim desta guerra, Park é promovido a general de brigada e, em 1958, a general de exército.

Em 16 de maio de 1961, Park lidera um golpe militar e derruba a Segunda República. Ele chefia a junta militar durante dois anos e depois se elege presidente três vezes. Em 17 de outubro de 1972, impõe a lei marcial e reforma a Constituição para angariar amplos poderes.

Seu regime restringe as liberdades democráticas, censura os meios de comunicação, proíbe partidos de oposição, controla o Poder Judiciário e as universidades, mas o país tem um grande desenvolvimento, o milagre econômico sul-coreano.

Quando Park afasta da Assembleia Nacional o deputado Kim Young Sam, muito popular. que seria presidente (1993-99), estoura uma onda de protestos e manifestações violentas no país. Neste clima de violência, Park é assassinado. Até hoje se discute se foi acidental, um impulso ou premeditado. ]

Sua morte leva à democratização da Coreia do Sul nos anos 1980 com muita luta e protestos do movimento estudantil contra policiais vestidos como Darth Vader, o vilão da série cinematofráfica Guerra nas Estrelas. 

A filha Park Geon Hye se torna a primeira mulher a presidir a Coreia do Sul (2013-17) e é afastada num processo de impeachment por corrupção envolvendo a Samsung, a maior empresa do país e hoje a maior fabricante mundial de produtos eletroeletrônicos.

BUSH SANCIONA LEI PATRIÓTICA

    Em 2001, um mês e meio depois dos atentados de 11 de setembro, o presidente George Walker Bush assina a Lei Patriótica para "fortalecer as punições aos terroristas e a quem os ajudar".

Os movimentos de defesa dos direitos civis criticam a lei por restringir as liberdades democráticas e dar poderes demais ao governo para investigar seus próprios cidadãos, prender estrangeiros por tempo indeterminado sem submetê-los a julgamento e fazer operações de busca e apreensão em residências sem consentimento nem ordem judicial.

Até a tortura é autorizada na luta contra o terrorismo dos jihadistas. A maioria da provisões da lei caduca em 2020, mas ela não é revogada.

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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Outubro

GRANDE INCÊNDIO DE CHICAGO

    Em 1871, começa um incêndio no celeiro de Patrick e Catherine O'Leary em Chicago. Quando o fogo se apaga dois dias depois com a ajuda de uma chuva, deixa 30 mortes e um terço da cidade, uma área de 9 quilômetros quadrados e 17.450 edificações arrasadas. Cerca de 100 mil pessoas ficam sem casa.

O crescimento de Chicago em meados do século 19 é extraordinário. A população, de 30 mil habitantes em 1850, triplica em uma década. Os incêndios são frequentes, mas não nesta escala. Desta vez, meses de seca criam condições para a tragédia.

JERRY LEE LEWIS GRAVA MÚSICA PECAMINOSA

   Em 1957, o roqueiro Jerry Lee Lewis enfrenta um drama de consciência ao gravar Great Balls of Fire em Memphis, no Tennessee.

Certamente não é o único músico religioso a temer que sua obra ofenda os princípios da moral cristã. Depois de horas no estúdio, Lewis diz ao produtor Sam Phillips que a música é profana demais para ser gravada.

Na discussão em altos brados, Phillips tenta convencer o músico de que a canção vai "salvar muitas almas". "Como o demônio pode salvar almas?", retruca Lewis. "Tenho o diabo em mim."

CHE CAPTURADO NA BOLÍVIA

    Em 1967, um destacamento especial do Exército da Bolívia vence um grupo guerrilheiro comunista liderado pelo argentino Ernesto Che Guevara de la Serna, herói da Revolução Cubana (1959), que é preso e executado no dia seguinte.

Che Guevara é uma figura central da Revolução Cubana e contribui para que o comandante Fidel Castro adote o regime comunista. Depois de ocupar várias posições no governo revolucionário, ele se desentende com Fidel e sai secretamente de Cuba em 1965. 

Vai para a guerra civil no Congo (antigo Congo Belga), onde o primeiro-mnistro socialista Patrice Lumumba é assassinado em 1961, mas a luta guerrilheira não prospera. O Che afirma ser impossível fazer revolução bom Laurent Kabila, que chama de "bêbado e mulherengo".

Com o fracasso da guerrilha contra o ditador Joseph Mobutu, aliado do Ocidente na Guerra Fria, Kabila se refugia nas Montanhas da Lua, no centro da África, de onde sai em 1997 para derrubar Mobutu.

Guevara reaparece na Bolívia em 1967, mas comete um erro de avaliação ao levar sua luta guerrilheira para uma região onde houve reforma agrária depois da Revolução de 1952 e os pequenos proprietários de terra não querem saber de comunismo.

SOLJENÍTSIN GANHA NOBEL DE LITERATURA

    Em 1970, Alexander Soljenítsin, um dos maiores escritores russos contemporâneos e um dos maiores críticos do comunismo soviético, ganha o Prêmio Nobel de Literatura.

Soljenítsin nasce Kislovodsk, na Rússia, em 1918. Por criticar o totalitarismo de Josef Stalin, é preso em 1945 e fica oito anos em campos de trabalhos forçados. Solto em 1953, é enviado para o exílio interno na Rússia Asiática.

Seu primeiro livro, Um Dia na Vida de Ivan Denisovich, é lançado em 1963, depois da denúncia dos crimes do stalinismo no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, em 1956, pelo líder soviético Nikita Kruschev (1953-64).

Depois, escreve Pavilhão de Cancerosos (1968) e a trilogia Arquipélago Gulag (1973-78). O regime soviético não o deixa sair do país para receber o Prêmio Nobel. Expulso da URSS em 1974, ele vai para os EUA e volta à Rússia em 1994, depois do fim do comunismo e da URSS.

VIETNÃ DO NORTE RECUSA PROPOSTA DE NIXON

    Em 1970, durante as negociações de paz sobre a Guerra do Vietnã (1955-75) realizadas em Paris, o Vietnã do Norte, comunista, rejeita uma proposta do presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, que incluía um cessar-fogo no Vietnã do Sul, no Laos e no Camboja e a libertação incondicional de todos os prisioneiros de guerra.

O Vietnã do Norte exige a retirada incondicional dos EUA e o fim do regime fantoche sul-vietnamita. Os EUA pedem a ajuda da União Soviética, aliada dos norte-vietnamitas e dos guerrilheiros vietcongues, mas o Vietnã do Norte rejeita.

Com os Acordos de Paz de Paris, assinados em 27 de janeiro de 1943, os EUA retiram suas forças do Vietnã, mas a guerra vai até 30 de abril 1975, quando o Vietnã do Norte toma Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e há uma fuga espetacular da embaixada norte-americana.

SEGURANÇA INTERNA NOS EUA

    Em 2001, menos de um mês depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, os Estados Unidos criam o Escritório de Segurança Interna, que seria transformado em departamento (ministério) em 2002 e é hoje um dos maiores do governo norte-americano, tendo como funções combater o terrorismo, proteger as fronteiras, prevenir desastres naturais e socorrer em casos de calamidade pública.

O Departamento de Segurança Interna absorve 22 agências, inclusive o Serviço Secreto, a Proteção de Fronteiras e Aduanas e a Guarda Costeira. Em 2005, é muito criticado pelo fracasso no socorro às vítimas do Furacão Katrina.

O Policiamento de Fronteiras e Aduanas (ICE), criado em 2003, é muito criticado ao aplicar as políticas anti-imigração do governo Donald Trump (2017-21), com a prisão de famílias inteiras e a separação de crianças dos pais para desestimular a imigração. É alvo de campanhas para ser extinto.

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terça-feira, 7 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 7 de Outubro

BATALHA DE LEPANTO

    Em 1571, forças cristãs aliadas vencem o Império Otomano (turco) na Batalha de Lepanto, uma batalha naval pelo controle do Leste do Mar Mediterrâneo, a maior travada no Ocidente desde a Antiguidade.

So o comando de João da Áustria, a Liga Santa, formada pela República de Veneza, o Reino da Espanha, os Cavaleiros de Malta e os Estados Pontifícios, vence os turcos no Mar Jônico ao largo de Lepanto, no Golfo de Patras, no Sudoeste da Grécia. É uma batalha da infantaria sobre plataformas navais.

Veneza tenta conter a expansão otomana no Mediterrâneo Oriental até 1540, quando faz um acordo de paz humilhante com o imperador Suleiman I. Seu sucessor, Selim II, está decidido a tomar a ilha de Chipre, uma possessão veneziana.

Quando Veneza se nega a ceder o Chipre, o Império Otomano invade. Veneza, então, faz um apelo ao papa Pio V (1566-72), que desde o início de seu pontificado tenta articular uma aliança católica. Mas a França e o Sacro Império Romano-Germânico estão mais preocupados com o impacto da Reforma Protestante. O rei Felipe II, da Espanha, enfrenta revoltas na Andalusia e na Holanda. Veneza rejeita a influência espanhola na Itália.

Em 1570, o papa alerta os governantes católicos de que a invasãp otomana a Chipre é iminente e envia João da Áustria à Itália, onde ele obtém o apoio dos Cavaleiros de Malta, que recebem ajuda econômica do Vaticano, e das marinhas da Espanha, de Veneza e dos Estados Pontifícios. Forma uma esquadra com 208 galés e seis galeaças.

A esquadra parte de Messina, na Sicília, em 16 de setembro de 1571. Em 7 de outubro, enfrenta 230 galés turcas. Depois da batalha, o mar fica manchado de vermelho. A expansão otomana no Mediterrâneo está contida.

NASCE A ALEMANHA ORIENTAL

    Em 1949, durante a Guerra Fria, cinco meses depois que os Estados Unidos, a França e o Reino criam a República Federal da Alemanha, a Alemanha Ocidental, é proclamada a República Democrática da Alemanha, mais conhecida como Alemanha Oriental, na região ocupada pela União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Com a reconstrução do lado ocidental e a ditadura comunista do lado oriental, milhares de alemães-orientais começam a "votar com os pés" e fugir para o Ocidente. Na noite de 12 para 13 de outubro, a Alemanha Oriental inicia a construção do Muro de Berlim, a cicatriz viva da divisão do mundo na Guerra Fria.

A Alemanha Oriental é o país mais rico do Bloco Soviético.

A abertura do muro, em 9 de novembro de 1989, é um março do fim do conflito Leste-Oeste. Leva à reunificação da Alemanha em 3 de outubro de 1990.

GINSBERG LÊ UIVO EM PÚBLICO

    Em 1955, o poeta beat Allen Ginsberg lê pela primeira vez em público o poema Howl (Uivo), na Six Gallery, em São Francisco.

É um sucesso imediato. A literatura beat expressa a rebelião da juventude dos anos 1950 e dá o tom para a poesia confessional dos anos 1960.

Ginsberg nasce em 1926, filho de um professor do ensino médio e de uma mãe marxista que mais tarde tem problemas mentais. O pai o introduz à literatura de poetas como Edgar Allan Poe, Charles Dickens, John Keats e John Milton.

Na Universidade de Colúmbia, antes de ser expulso, conhece Jack Kerouac, William Burroughs e Neal Cassady, figuras centrais do movimento beat.

Preso por drogas que um amigo viciado deixa em sua casa, Ginsberg alega problemas mentais para não ser condenado e passa oito meses internado numa clínica psiquiátrica.

Depois de se mudar para São Francisco da Califórnia, escreve Howl (Uivo) em dois meses. O poema é publicado pelo também poeta Lawrence Ferlinghetti e sua livraria e editora City Lights, outro ícone do movimento beat.

Por causa da publicação, Ferlinghetti é processado por obscenidade. Graças ao depoimento de nove críticos literários sobre o valor do livro, o editor é absolvido.

Ícone da contracultura, Ginsberg entra para a lista de subversivos de John Edgar Hoover, diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a policia federal dos EUA. Vai a Cuba, onde fica decepcionado com a perseguição aos gays e denuncia o autoritarismo e a repressão do regime de Fidel Castro. Também faz campanha contra a participação norte-americana na Guerra do Vietnã (1955-75).

SEGUNDO DEBATE KENNEDY x NIXON

   Em 1960, no segundo de quatro debates na televisão entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o senador John Kennedy e o vice-presidente Richard Nixon discutem política externa em plena Guerra Fria, com destaque para a Revolução Cubana e a derrubada de um avião-espião norte-americano U-2 na União Soviética.

Kennedy acusa o governo Dwight Eisenhower (1953-61) de tímidez e indecisão ao enfrentar a ameaça soviética, enquanto Nixon descreve o jovem oponente como ingênuo e pronto para ceder à URSS e à China.

Os primeiros debates televisionados são considerados decisivos para a vitória de Kennedy, mais telegênico e mais confiável na visão dos telespectadores. O sociólogo canadense Marshall McLuhan compara Kennedy ao xerife bonachão em que uma pequena cidade confia e Nixon ao advogado da estrada de ferro que vai ferrar a cidade.

No poder, Kennedy enfrenta seu maior desafio na Crise dos Mísseis em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, quando mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear. É assassinado em 22 de novembro de 1963.

Nixon é eleito em 1968, no auge da Guerra do Vietnã. Em 1972, vai à URSS e à China, iniciando o período da détente na Guerra Fria.

EUA ATACAM AFEGANISTÃO

    Em 2001, um mês depois dos atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos e aliados bombardeiam a invadem o Afeganistão para derrubar o regime extremista muçulmano da Milícia dos Talebã (Estudantes) e caçar a liderança da rede terrorista Al Caeda, responsável pelos ataques a Nova York e ao Pentágono.

O regime afegão cai em três semanas. Em dezembro, os EUA cercam os líderes d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, mas Ossma ben Laden foge para o Paquistão, onde é morto por um comando de elite na Marinha norte-americana em 2 de maio de 2011.

A guerra mais longa da história dos EUA só termina em 15 de agosto de 2021, com a retirada das últimas forças internacionais e a volta dos Talebã ao poder. Pelo menos 2.448 soldados e 3.486 civis norte-americanos, 1.444 soldados de países aliados e 66 mil soldados e policiais afegãos morrem nesse período, num total estimado em mais de 240 mil mortes.

SCHWARZENEGGER GOVERNADOR

    Em 2003, o ator e fisiculturista Arnold Schwarzenegger é eleito governador da Califórnia, o estado mais rico e populoso dos Estados Unidos e a quinta maior economia do mundo, centro mundial da revolução tecnológica da informática.

Apesar da inexperiência política, ele ganha a eleição para substituir o governador Gray Davis, o primeiro governador norte-americano a perder o mandato num referendo revogatório desde 1921.

Schwarzenegger nasce em Thal, na Áustria, em 30 julho de 1947 e começa a fazer musculação na adolescência. Aos 20 anos, ganha o título de Mr. Universo. Em 1968, migra para os EUA.

Seu sucesso como ator de cinema começa em 1982, com Conan, o Bárbaro. Seu personagem definitivo é em O Exterminador do Futuro.

Em 1986, ele casa com a jornalista de televisão Maria Kennedy Schriver, sobrinha do presidente John Kennedy, mas entra na política pelo Partido Republicano. Governa a Califórnia por dois mandatos até 2011, quando se separa de Maria Shriver.

HAMAS BARBARIZA ISRAEL

    Em 2023, um ataque terrorista liderado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) mata cerca de 1,2 mil pessoas e sequestra outras 257 em Israel, que contra-ataca a Faixa de Gaza numa guerra em que mais de 40 mil palestinos morrem, de acordo com dados do Hamas contestados por estimativas independentes.

A guerra se propaga para outras frentes. Nas últimas semanas, o conflito de baixa intensidade entre Israel e a milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) no Norte de Israel e o Sul do Líbano vira uma guerra total.

Cento e dez reféns são trocados por prisioneiros palestinos durante uma trégua no fim de novembro. Uma nova negociação para libertar reféns está estagnada há meses porque Israel só aceita uma trégua temporária e o Hamas exige um cessar-fogo definitivo

A Corte Internacional da Justiça das Nações Unidas julga uma denúncia de genocídio feita pela África do Sul contra Israel, com o apoio do Brasil, enquanto o Tribunal Penal Internacional examina pedidos de prisão de três líderes do Hamas, dois agora mortos por Israel, e do primeiro-ministro e do ministro da Defesa de Israel.

Com as derrotas do Hamas e do Hesbolá, a queda da ditadura de Bachar Assad na Síria e os bombardeios que destroem as defesas antiaéreas do Irã, Israel torna-se potência hegemônica no Oriente. Só agora, depois de dois anos de guerra, o presidente Donald Trump está pressionando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a acabar com a guerra.

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quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Setembro

 GUERRA DA SUCESSÃO ESPANHOLA

    Em 1709, o Duque de Marlborough e o príncipe Engênio, de Saboia, lideram uma força de 100 mil britânicos, holandeses e austríacos contra um exército de 90 mil franceses sob o comando do general Claude-Louis-Hector, Duque de Villers, e do marechal Louis-François, Duque de Boufflers, na Batalha de Malplaquet, uma das mais sangrentas da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14).

A guerra começa após a morte de Carlos II, da Espanha, que não deixa sucessores. Sobe ao trono o Duque de Anjou, Felipe de Anjou, da Dinastia de Bourbon, neto de Luís XIV, da França, como Felipe V. Na prática, a sucessão joga a Espanha nos braços da França. Isto provoca a reação do Reino Unido, da Holanda, da Prússia, de Portugal, de Saboia e da Áustria, onde Leopoldo I quer unir as coroas espanhola e austríaca com seu filho Carlos.

Os aliados cercam o forte de Mons em 4 de setembro e atacam Malplaquet pelos flancos para obrigar os defensores franceses a enfraquecer a resistência no centro, onde avançam com uma cavalaria de 30 mil homens O plano de ataque funciona, com altas perdas. Pelo menos 22 mil aliados e 12 mil franceses são mortos ou feridos.

A França se retira e os aliados continuam o avanço até tomar Mons em 26 de outubro. Há várias negociações. A guerra deveria acabar com o Tratado de Utrecht (1713), mas vai até 1714. Felipe V mantém a coroa e as colônias da Espanha, mas abre mão de se candidatar ao trono da França. A Áustria não participa das negociações de Utrecht, mas não tem como continuar a guerra sem os aliados.

QUEDA DE BARCELONA

    Em 1714, depois de 14 meses de cerco, o Exército de Felipe V, da Espanha, toma Barcelona na Guerra da Sucessão Espanhola. É o fim das leis e instituições catalãs. É a data nacional da Catalunha.

O Cerco da Barcelona é uma das últimas operações militares da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14). Quando morre Carlos II, da Espanha, que não deixa herdeiros, é o fim da dinastia austríaca, do ramo espanhol do Império dos Habsburgo. 

Ascende ao trono o Duque de Anjou, Felipe de Anjou, neto de Luís XIV, como Felipe V. Isto fortaleceria a relação entre Espanha e França, mudando a relação de forças no continente. A França, por sua vez, teme uma união entre Espanha e Áustria.  A Holanda e o Reino Unido se opõe à França, com que disputam a supremacia na Europa.

Durante a guerra, portugueses e espanhóis se enfrentam na América do Sul na luta pelo controle da Colônia do Sacramento. O Reino Unido toma o Estreito de Gibraltar, reclamado até agora pela Espanha.

No fim da guerra, Felipe V, da Dinastia de Bourbon, aproveita a resistência dos catalães em Barcelona para derrubar os muros das cidades que se opõem a seu Exército. O cerco começa em 25 de julho de 1714, com um número de soldados muito superior aos dos defensores de Barcelona. 

A data nacional da Catalunha é celebrada desde 11 de setembro de 1886. É proibida nas ditaduras de Miguel Primo de Rivera (1923-30) e Francisco Franco (1939-75).

GUERRA DA CRIMEIA

    Em 1855, durante a Guerra da Crimeia (1853-56), depois de onze meses de cerco, a França e o Reino Unido tomam Sebastopol, onde fica a principal base da Frota do Mar Negro da Rússia.

É uma das maiores operações militares da guerra. Cerca de 50 mil soldados britânicos e franceses, e 10 mil piemonteses, sob o comando de Lorde Raglan e do general francês François Conrobert, cercam Sebastopol a partir de 17 de outubro de 1854. O príncipe Alexander Menshikov comanda as forças da Rússia.

A batalha dura 11 meses porque os aliados não têm artilharia pesada para quebrar a resistência da cidade, enquanto os russos não conseguem romper o cerco. Em 8 de setembro, os franceses tomam Malakhov, no Sudeste da cidade. Os russos afundam os navios, explodem as fortificações e fogem em 11 de setembro.

A Guerra da Crimeia termina em 1º de fevereiro de 1856 com a derrota da Rússia. Isto leva o novo czar, Alexandre II, que sucede a Nicolau I em março de 1855, a fazer reformas como o fim da servidão, em 1861. No mesmo ano, começa a Guerra da Secessão (1861-65) em torno da abolição da escravatura nos Estados Unidos.

A Áustria, que se alia à França e ao Reino Unido, perde o apoio da Rússia, e sofre derrotas em 1859 e 1866 que levam às unificações da Itália (1861) e da Alemanha (1871).

GOLPE NO CHILE

    Em 1973, um golpe militar apoiado pelos Estados Unidos na Guerra Fria derruba o presidente socialista Salvador Allende e dá início à ditadura do general Augusto Pinochet, que mata 3.216 pessoas.

Allende é eleito em 1970 por uma aliança de socialistas e comunistas, com 36% dos votos, 39 mil a mais do que um candidato conservador. Sua eleição precisa ser referendada pelo Congresso, onde o Partido Democrata-Cristão vota a favor.

Em plena Guerra Fria, os EUA sabotam Allende desde a campanha. Fomentam uma revolta para impedir a posse. A CIA (Agência Central de Inteligência) dá US$ 8 milhões a grupos de oposição, como o sindicato dos caminhoneiros, que para o país, 

Sem maioria no Congresso do Chile, o governo da Unidade Popular enfrenta forte da oposição da direita e depois dos democratas-cristãos, que apoiam o golpe e são perseguidos pela ditadura pinochetista. Mais de 40 mil pessoas são torturadas e 200 mil fogem do Chile.

Um plebiscito, em 5 de outubro de 1988, nega a prorrogação do mandato do tirano. Em 1989, o democrata-cristão Patricio Aylwin é eleito pela Concertação, uma aliança de 16 partidos liderada por democratas-cristãos e socialistas.

Aylwin toma posse em 11 de março de 1990, pondo fim à ditadura. Pinochet permanece no comando do Exército até 1998. Depois de deixar o cargo, é preso em Londres em 16 de outubro de 1998 por ordem do juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón sob as acusações de genocídio, tortura, terrorismo internacional e desaparecimento de pessoas.

Quando o governo conservador espanhol de José María Aznar deixa claro que não vai pedir a extradição, o Reino Unido faz um acordo com o Chile para liberar Pinochet com a desculpa de que ele sofreria sérios problemas de saúde. 

No Chile, o ex-ditador é processado por 18 sequestros e 57 assassinatos. Chega a ficar em prisão domiciliar, mas nunca é condenado definitivamente. Impune, Pinochet morre do coração em 10 de dezembro de 2006.

Como consequência do golpe no Chile, a maioria dos países da América Latina hoje faz eleição presidencial em dois turnos quando o primeiro colocado não consegue a maioria absoluta dos votos válidos ou uma ampla vantagem sobre o segundo em alguns países que não exigem 50% dos votos válidos mais um. Assim, o presidente chega ao poder com o apoio da maioria.

TERROR NOS EUA

    Em 2001, no pior atentado terrorista da história, a rede Al Caeda transforma aviões de passageiros em mísseis guiados por pilotos suicidas, derruba as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e ataca o Pentágono, sede do Departamento da Defesa dos Estados Unidos, perto de Washington. Causa a morte 2.977 pessoas em Nova York, 125 no Pentágono e 69 num quarto voo, derrubado pelos passageiros, que iria para a Casa Branca ou o Capitólio.

O ataque provoca uma reação dos EUA: a Guerra contra o Terror, um equívoco desde o nome porque o terrorismo é uma tática de guerra, não é um inimigo em si. O inimigo, no caso, é o jihadismo, o terrorismo dos fundamentalistas islâmicos que pregam a guerra santa. 

É de certa forma um populismo político que pesca no mar do Corão para criar sua ideologia sanguinária. É uma ideologia e uma guerra ideológica é uma batalha de ideias. Antes de mais nada, é uma guerra civil dentro do Islã sobre qual é a verdadeira interpretação do Corão. 

O movimento jihadista tem uma base religiosa, sonha em recriar o mundo à imagem da Arábia no século 7, no tempo de Maomé, mas ao mesmo tempo usa os recursos tecnológicos do século 21. Cria um califado digital que recruta voluntários para o martírio. Na verdade, é um movimento político extremista surgido em lugares onde não há liberdade política, então eles se encontram nas mesquitas.

Depois de atacar o Afeganistão em 7 de outubro de 2001 e derrubar o regime fundamentalista dos Talebã em três semanas, os EUA conseguem cercar a liderança d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, mas Ossama ben Laden foge para o Paquistão.

Em 2003, o então presidente George W. Bush resolve invadir o Iraque do ditador Saddam Hussein, que não tem relação alguma com os atentados, provocando uma revolta dos muçulmanos sunitas de que Al Caeda se aproveita para entrar no Iraque.

Al Caeda do Iraque se torna Estado Islâmico do Iraque e, na guerra civil da Síria, Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Depois de retirar as forças dos EUA em 2011, o presidente Barack Obama declara em agosto de 2014 guerra ao Estado Islâmico, que proclama a fundação de um califado nas regiões que ocupava no Iraque e na Síria.

A Guerra do Afeganistão, a mais longa da história dos Estados Unidos, acaba de maneira humilhante para os norte-americanos, com a volta imediata dos talebã ao poder e caos no aeroporto de Cabul, inclusive um atentado terrorista cometido pelo Estado Islâmico. 

A vitória dos jihadistas empolga os extremistas do mundo inteiro e certamente ajuda a recrutar mais voluntários para o martírio. O Afeganistão volta a ser solo fértil para grupos jihadistas que fazem terrorismo internacional. 

Os talebã prometem no acordo com os EUA não deixar usar o território afegão para desfechar ataques aos americanos e aliados, mas não controlam totalmente o país para garantir isso.

A Guerra contra o Terror não termina. Pelos dados oficiais morreram 6.892 soldados dos EUA nas guerras do Afeganistão, do Iraque e na Síria e no Iraque contra o Estado Islâmico. Ao todo, a Guerra contra o Terror custa aos EUA US$ 8 trilhões. Estima-se que 900 mil pessoas morrem nesta guerra.