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sexta-feira, 15 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Maio

TEMPLO DE MERCÚRIO

    Em 495 antes de Cristo, um templo a Mercúrio, deus do comércio, da medicina, da comunicação, dos viajantes, da fortuna e da trapaça, e mensageiro dos deuses, é consagrado no Monte Aventino, perto do Circo Máximo, em Roma.


É o único templo de grande escala dedicado a Mercúrio que se conhece na Roma Antiga, na época uma República. É um ano de grande agitação política, com protesto dos plebeus contra os senadores patrícios. No ano seguinte, começam as Revoltas da Plebe, que vão até 287 AC.

Na mais importante, em 494 AC, sob a alegação de que são explorados economicamente pelos patrícios, os plebeus se recusam a servir o Exército e exigem direitos políticos e sociais. Eles se retiram para o Monte Aventino, uma das sete colinas de Roma, e ameaçam fundar uma nova cidade.

As Revoltas da Plebe levam à criação do cargo de tribunos da plebe, ao acesso gradual a cargos públicos antes exclusivos dos patrícios e aprovação de leis que protegem os plebeus como a Lei das Doze Tábuas, uma compilação das primeiras leis escritas de Roma.

MORTE DE EMILY DICKINSON

    Em 1886, morre de uma inflamação renal aos 55 anos em Amherst, no estado de Massachusetts, Emily Dickinson, uma das poetas mais importantes da literatura dos Estados Unidos.

Emily nasce na mesma cidade em 10 de dezembro de 1830 numa família religiosa e leva uma vida reclusa. Não se casa. A Bíblia é uma de suas fontes de inspiração. Começa a escrever na adolescência. Só 10 de seus cerca de 1,8 mil poemas são publicados durante sua vida. Ela envia centenas de poemas para amigos e correspondentes. Aparentemente, guarda grande quantidade para si mesma.

Seu estilo radicalmente diferente do padrão de sua época: versos curtos, rimas imperfeitas ou falta de rima, travessões, pontuação e uso de maiúsculas incomum são sua marca registrada. Ela parece vanguardista até hoje.

Dickinson escreve sobre o amor, a morte, a imortalidade, a solidão, o abandono, a natureza e a vida interior. Sua poesia de um brilho enigmático é filosófica, mística e emocional, ao mesmo tempo intimista e universal. 

CAMUNDONGO MICKEY

    Em 1928, com a avant-première de Plane Crazy, Walt Disney lança o primeiro filme do Camundongo Mickey.

Plane Crazy é um desenho animado de curta metragem originalmente mudo que apresenta ao público Mickey e sua namorada Minnie. É um teste para ver a reação da plateia a um filme de animação. Um executivo da Metro-Goldwin-Mayer vê o filme, mas não consegue distribuir.

No mesmo ano, os estúdios Disney lançam o primeiro filme sonoro com Mickey, Steamboat Willie. Plane Crazy é relançado em 17 de março de 1929 como o quarto filme do Mickey.

GUERRA DA INDEPENDÊNCIA DE ISRAEL

    Em 1948, os países árabes vizinhos rejeitam a fundação de Israel e atacam o novo país. Os exércitos do Egito, da Síria, da Jordânia, do Líbano, do Iraque e da Arábia Saudita convergem e invadem em três frentes a pequena faixa de terra que é o Estado de Israel. É o dia da Nakba, o Dia da Catástrofe para os palestinos.

O conflito começa em 30 de novembro, um dia depois que as Nações Unidas aprovam a Resolução 181, que divide o território histórico da Palestina num país árabe e outro judeu. Até a fundação oficial de Israel se chama a Guerra Civil da Palestina Mandatária.

No fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), os impérios Britânico e Francês recebem mandatos da Liga das Nações para administrar territórios do extinto Império Otomano, inclusive a Palestina, onde o Reino Unido havia prometido criar uma pátria para o povo judeu.

A guerra acontece principalmente no território histórico da Palestina e também no Líbano e na Península do Sinai, no Egito. Termina com a vitória de Israel, que conquista 50% do território que seria destinado ao país árabe, e um armistício, em 10 de março de 1949. Na realidade, não acabou até hoje. A Jordânia ocupa a Cisjordânia e o Egito, a Faixa de Gaza.

Do lado de Israel, morrem 6.373 pessoas. Entre os árabes, as estimativas vão de 6,7 a 20 mil contando militares e civis. Cerca de 700 mil árabes são expulsos do território israelense, criando a diáspora palestina.

RETIRADA SOVIÉTICA

    Em 1988, na era das reformas do líder Mikhail Gorbachev, começa a saída das forças da União Soviética do Afeganistão, invadido mais de oito anos antes, no Natal de 1979, para Moscou impor seus favoritos no regime comunista afegão.

Antes da invasão, há uma revolta incipiente da população muçulmana, que não aceita o comunismo. Disso se aproveitam os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão, decididos a fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS.

Com armas como os mísseis antiaéreos Stinger, enviados pelos EUA a partir de 1981, os mujahedin conseguem derrotar o invasor, que nunca assume o controle do interior do país. Em dez anos de invasão, cerca de 15 mil soldados soviéticos morrem no Afeganistão, menos do que a Rússia perdeu em 80 dias de invasão da Ucrânia.

Também em 1988, os chamados árabes afegãos, liderados pelo saudita Ossama ben Laden, fundam a rede terrorista Al Caeda (A Base), que ataca os EUA em 11 de setembro de 2001, levando as guerras do Oriente Médio para o território norte-americano.

A rebelião muçulmana derruba em 1992 o ditador Mohamed Najibullah, entronizado pela URSS. O Afeganistão vive um período de anarquia até que a Milícia dos Estudantes (Talebã), criada em 1994 com o apoio do serviço secreto militar do Paquistão, assume o poder em Cabul (nunca controla todo o país) em 1996.

Depois dos atentados de 11 de setembro, os EUA invadem o Afeganistão, derrubam o regime dos talebã e chegam a cercar a liderança da Caeda na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, mas Ben Laden consegue fugir para o Paquistão, onde é morto por uma operação de comandos de elite da Marinha dos EUA em 2 de maio de 2011.

Com a retirada das forças internacionais e o fim da guerra, a mais longa da história dos EUA, em 30 de agosto de 2021, os Talebã retomam o poder no Afeganistão e, ao contrário das promessas, voltam a reprimir as mulheres, proibidas de estudar, trabalhar, viajar sem um parente e obrigadas a cobrir o rosto ao sair à rua.

PRIMEIRA-MINISTRA DA FRANÇA

    Em 1991, o presidente socialista François Mitterrand (1981-95) nomeia Édith Cresson como a primeira mulher a chefiar o governo da França, mas a primeira-ministra cai em menos de um ano por causa do desemprego em massa e da queda do apoio dentro do Partido Socialista.

Édith Campion nasce em 27 de janeiro de 1934 em Bologne-Billancourt, perto de Paris. Filha de um funcionário público, ela faz doutorado em demografia na Escola Superior de Estudos Comerciais. Em 1959, casa com Jacques Cresson. 

Ela entra para o Partido Socialista (PS) em 1965 e trabalha na fracassada campanha presidencial de Mitterrand naquele ano. Concorre a uma cadeira na Assembleia Nacional e perde em 1975, mas se torna deputada do Parlamento Europeu em 1979. É eleita prefeita duas vezes, em Thuré (1977) e Châtelleroult (1983).

Depois da eleição de Mitterrand, em 1981, antes de se tornar primeira-ministra, Cresson é ministra várias vezes, da Agricultura, do Turismo e Comércio Exterior, e da Europa. Com a demissão do primeiro-ministro Michel Rocard, o presidente a nomeia para o cargo.

O governo Cresson é um dos mais curtos da 5ª República Francesa. Impopular, ela cai em 2 de abril de 1992. Na luta contra o predomínio no mercado de produtos do Japão, ela dá uma tirada racista ao chamar os japoneses de "formigas amarelas que querem dominar o mundo". Ao comentar a vida sexual dos britânicos, declarou que "a homossexualidade me parece estranha. É diferente e marginal. Existe mais na tradição anglo-saxã do que na latina."

Em 1995, no fim de seu governo, Mitterrand a indica para comissária de Ciência, Pesquisa e Educação da União Europeia. A Comissão Europeia renuncia coletivamente em 1999 num escândalo de fraude e corrupção. Cresson é condenada em 2006 por favoritismo e má administração, mas não é punida. Hoje ela faz parte do Conselho das Mulheres Líderes Mundiais.

A segunda primeira-ministra da França é Élisabeth Borne (2022-24), que cai em janeiro de 2024.

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domingo, 15 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Fevereiro

 USS MAINE EXPLODE EM HAVANA

    Em 1898, o navio de guerra encouraçado USS Maine explode no porto de Havana, onde protegia os interesses norte-americanos durante a luta pela independência de Cuba. Serve de pretexto para a Guerra Hispano-Americana, um marco na expansão imperialista dos Estados Unidos, que conquistam as Filipinas e Porto Rico e tornam Cuba num protetorado. É o fim do Império Espanhol, 406 anos depois de Descoberta da América pelos europeus.

O Maine era um navio de 6 mil toneladas e US$ 2 milhões. Um inquérito da Marinha dos EUA conclui que uma mina explodiu o encouraçado. Não responsabiliza a Espanha, mas o jornalismo amarelo (sensacionalista) do magnata da imprensa William Randolph Hearst convence a opinião pública e parte do Congresso.

Na Guerra da Independência de Cuba, surgem os campos de concentração para isolar as famílias camponesas. A indignação diante da violenta repressão espanhola e a manipulada explosão do Maine deflagram a guerra.

A Espanha anuncia uma trégua com os rebeldes em 9 de abril, mas o Congresso dos EUA reconhece o direito à independência de Cuba, exige a retirada das forças espanholas e autoriza o uso da força.

Em 24 de abril, a Espanha declara guerra aos EUA, que fazem o mesmo no dia seguinte. É uma guerra unilateral. Em 1º de maio, em duas horas, os norte-americanos vencem a Batalha da Baía de Manila. Em agosto, os EUA tomam a capital das Filipinas.

A frota espanhola em Cuba estava ancorada em Santiago. Os norte-americanos invadem por terra a pressionam a armada espanhola, sob o comando do almirante Pascual Cervera, a sair para o mar em 3 de julho, onde é destruída pela Marinha dos EUA. Em 17 de julho, a Espanha se rende.

No Tratado de Paris, assinado em 10 de dezembro de 1898, a Espanha reconhece a independência de Cuba e cede as Filipinas, Guam e Porto Rico aos EUA.

Em 1975, um inquérito da Marinha dos EUA conclui que o Maine explodiu acidentalmente por causa de um curto-circuito.

GAROTA IT

    Em 1927, o filme mudo It estreia nos cinemas dos Estados Unidos e lança Clara Bow como a primeira Garota It, a garota com algo mais, com carisma, personalidade e estilo próprios, capaz de influenciar o modo de vestir, pensar e agir, a primeira influenciadora da história do cinema.

Clara Bow nasce em 29 de julho de 1905 no bairro do Brooklyn, em Nova York, numa família pobre. É abusada sexualmente pelo pai e negligenciada pela mãe, que tem problemas mentais. É estudante do segundo grau quando se torna uma atriz de Hollywood. Começa com um papel pequeno em Além do Arco-Íris (1922) e faz outros filmes até estourar as bilheterias com Garota It.

Ela faz a transição para o cinema sonoro com The Wild Party (1929), o primeiro filme sonoro da Paramount. Ao todo, faz 46 filmes mudos e 11 sonoros. Campeã de bilheteria em 1928, recebe mais de 45 mil cartas em janeiro de 1929.

RETIRADA SOVIÉTICA

    Em 1989, a União Soviética, sob a presidência de Mikhail Gorbachev, retira suas últimas tropas do Afeganistão pouco mais de oito anos depois da invasão, no Natal de 1979.

A invasão do Afeganistão acaba com a détente, o degelo na Guerra Fria nos anos 1970 depois das visitas do presidente norte-americano Richard Nixon à China e à URSS, em 1972. Os EUA boicotam a Olimpíada de 1980 em Moscou e articulam uma aliança com a Arábia, Saudita, a China e o Paquistão para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS.

É o início da Segunda Guerra Fria, que vai até a ascensão do líder reformista Mikhail Gorbachev à Secretaria-Geral do Partido Comunista da URSS, em 11 de março de 1985.

Com lançadores portáteis de mísseis antiaéreos, guerrilheiros muçulmanos resistem aos soviéticos, que nunca controlam o Afeganistão muito além da capital, Cabul. A rede terrorista Al Caeda, fundada em 1988 pelo egípcio Ayman al-Zawahiri e o saudita Ossama ben Laden, é fruto da invasão soviética ao Afeganistão. 

Os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão se unem para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS. Mais de 15 mil soviéticos morrem no Afeganistão, bem menos do que os 58,2 mil norte-americanos mortos no Vietnã.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Janeiro

 RECONQUISTA DA PENÍNSULA IBÉRICA

    Em 1492, com a queda de Granada, é o fim do Império Andaluz e da reconquista da Espanha, sob a liderança dos reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, que patrocinam a viagem de Cristóvão Colombo para descobrir a América para os europeus, iniciada em 3 de agosto do mesmo ano.

Os árabes invadem a Península Ibérica em 711 e avançam pela Europa até serem derrotados pelo rei franco Carlos Martel em 732 na Batalha de Poitiers.

Durante séculos, os muçulmanos dominam a Península Ibérica com o Império Andaluz. Portugal e Espanha são frutos da Reconquista.

PRIMEIRA FOTO DA LUA

    Em 1839, o artista e químico francês Louis Daguerre, um dos inventores da fotografia, da daguerreotipia, tira a primeira foto da Lua. É destruída quando seu escritório pega fogo pouco tempo depois.


A primeira foto da natureza é feita em 1826 ou 1827 pelo francês Nicéphore Niépce. Mas é de má qualidade e exige um tempo de exposição de 8 horas.

Louis Daguerre nasce em Louis-Jacques-Mandé em 18 de novembro de 1787. Ele é fiscal do imposto de renda e pintor de cenários para ópera.

Desde 1814, Niépce tenta obter imagens permanentes gravadas pelo Sol. Em 1824, fica sabendo dos esforços de Daguerre no mesmo sentido. De 1829 até a morte de Niépce, em 1833, eles desenvolvem a heliografia.

Daguerra prossegue com suas pesquisas, Descobre que expor sal de prata iodado numa câmera resulta numa imagem latente que pode ser revelada se exposta a fumaça de mercúrio e fixada por uma solução de sal de cozinha comum.

Em 9 de janeiro de 1839, uma descrição minuciosa da daguerreotipia é apresentada à Academia de Ciências da França pelo astrônomo e físico François Arago. Daguerre entra para a Legião de Honra.

GUERRA RUSSO-JAPONESA

    Em 1905, a Rússia se rende em Port Arthur, hoje parte da cidade de Dalian, na China, durante a Guerra Russo-Japonesa (1904-5).

A guerra contém a expansão da Rússia, que assume o controle da Sibéria no século 17 e tenta avançar rumo ao sul e dominar a Manchúria e a Coreia. Termina em 5 de setembro de 1905 a vitória do Japão. 

A derrota deflagra a Revolução de 1905 na Rússia, precursora das revoluções de 1917, que acabam com o regime monárquico e implantam o comunismo.

FIM DA DÉTENTE

    Em 1980, o presidente Jimmy Carter reage à invasão da União Soviética ao Afeganistão dizendo ao Congresso dos Estados Unidos para suspender o debate sobre a ratificação do Segundo Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (SALT-2) e retira o embaixador norte-americano em Moscou, acabando com o degelo na Guerra Fria iniciado com as viagens do presidente Richard Nixon à China e à URSS, em 1972.

É o início da Segunda Guerra Fria, que vai até a ascensão de Mikhail Gorbachev à Secretaria-Geral do Partido Comunista da URSS, em 11 março de 1985.

Como a URSS se nega a se retirar, Carter suspende as exportações de grãos e de alta tecnologia, e decide boicotar a Olimpíada de Moscou, em 1980.

No governo Ronald Reagan, em aliança com a Arábia Saudita, a China e os Paquistão, os EUA armam um exército guerrilheiro muçulmano para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS. Os soviéticos se retiram em 1989, depois de perderem 15 mil homens. 

Os mujahedin, os árabes afegãos, criam em 1988 a rede terrorista Al Caeda, sob a liderança do saudita Ossama ben Laden e do egípcio Ayman al-Zawahiri, que ataca os EUA nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Novembro

 MASSACRE DO DIA DE SÃO BRICE

    Em 1002, acontece um massacre de dinamarqueses na Inglaterra ordenado pelo rei Etelredo II, também conhecido como Etelredo, o Despreparado. Em resposta à invasão e aos frequentes ataques dos vikings, o rei ordena a execução de todos os dinamarqueses que vivem no país.

Etelredo nasce em 968, filho do rei Edgar (959-975). Ascende ao trono em 978 com o assassinato de seu meio-irmão, o rei Eduardo, o Mártir. Sob suspeita de ter participado da morte do irmão, é alvo de desconfiança e deslealdade que minam sua autoridade. Assim, quando os vikings dinamarqueses invadem, em 980, não há uma defesa unificada do país.

Com quase todo o país arrasado, seus esforços de paz fracassam e o invasor cada mais mais feroz e ousado, Etelredo ordena o massacre. No fim de 1013, o rei dinamarquês Sweyn I é reconhecido como rei da Inglaterra. Etelredo foge para a Normandia. Ele recupera o trono em 1014 e governa até a morte, em 23 de abril de 1016.

Etelredo tem 16 filhos de dois casamentos, com Elgiva de York e Ema da Normandia, tia-avó de Guilherme, Duque da Normandia, que reivindica a coroa, invade a Inglaterra em 1066 e entra para a história como Guilherme I, o Conquistador.

A Conquista Normanda é um marco na história da Inglaterra. Está na origem de séculos de guerras e reivindicações de soberania entre a França e a Inglaterra que só acabam com a aliança na Entente Cordiale, em 1904, para fazer frente à ascensão da Alemanha.

ILHA DO TESOURO

    Em 1850, nasce em Edimburgo, na Escócia, o escritor, poeta e ensaísta Robert Louis Stevenson, autor de clássicos da literatura como  A Ilha do Tesouro O Médico e o Monstro.

Um dos escritores britânicos mais importantes do século 19 e um dos autores mais traduzidos do mundo, é também um ativista político, crítico social e humanista.

Filho de um engenheiro civil de sucesso, ele tem problemas de saúde. Aos 17 anos, entra para a Universidade de Edimburgo para estudar direito. Depois de se formar, em 1873, ele se muda para Londres para fugir do círculo familiar e da moral puritana.

Em 1876, Stevenson conhece na França uma norte-americana 10 anos mais velha, Fany Van de Grift Osbourne, com quem se casa em São Francisco da Califórnia em 1880. Publica sem primeiro livro, uma narrativa de viagem, em 1878.

Com tuberculose, é internado em 1881 em Davos, na Suíça. O sucesso vem em 1886, com o lançamento de O Médico e o Monstro. Em 1888, aventura-se com a mulher e o enteado numa viagem de veleiro pelo Sul do Oceano Pacífico, onde se apaixona pela natureza tropical e decide morar em Apia, nas Ilhas Samoa. Em 1894, publica Noites das Ilhas, um de meus livros favoritos, e morre prematuramente em 3 de dezembro.

ERUPÇÃO DO NEVADO DEL RUIZ

    Em 1985, uma erupção do Nevado del Ruiz, o vulcão mas ativo da Cordilheira dos Andes na Colômbia, gera uma avalanche de lava, lama e gelo da neve do topo da montanha que vai até 100 quilômetros de distância e mata mais de 23 mil pessoas. É a segunda erupção vulcânica mais mortal do século 20.

Uma chuva torrencial piora a situação e causa enchentes. A cidade mais atingida é Armero, onde morrem três quartos dos 28,7 mil habitantes.

O Nevado del Ruiz, de 5.370 metros de altura, dá os primeiros sinais de que vai entrar em erupção um ano antes. A maioria dos moradores dos vales sobreviveria se morasse em lugares mais altos.

QUEDA DE CABUL

    Em 2001, depois da invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos para punir os responsáveis pelos atentados terroristas de 11 de setembro, a Aliança do Norte toma o poder em Cabul.

Quando fica evidente que a rede terrorista Al Caeda é responsável pelos ataques ao World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, a sede do Departamento da Defesa dos EUA, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas e o apoio dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os EUA atacam o Afeganistão, a partir de 7 de outubro de 2001. 

Os objetivos são caçar os terroristas d'al Caeda e derrubar o regime da milícia fundamentalista dos Talebã, que acolhia os campos de treinamento do terror. O regime cai em 28 de ourubro. A Aliança do Norte, inimiga dos Talebã, é usada como força terrestre aliada para tomar Cabul.

TERROR EM PARIS

    Em 2015, o grupo terrorista Estado Islâmico comete uma série de atentados que matam 132 pessoas e ferem outras 416 em Paris e na cidade-satélite de St.-Denis, no maior ataque à França depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Às 21h15 pela hora local, três terroristas suicidas se detonam do lado de fora depois de não conseguir entrar no Estádio da França, em St.-Denis, onde jogam Alemanha e França, com o presença do presidente francês, François Hollande.

Outro grupo ataca bares, cafés e restaurantes, enquanto um terceiro comando terrorista invade o teatro Bataclan, onde há um concerto de rock. Os jihadistas tomam reféns, enfrentam a polícia e se explodem como homens-bomba, matando 90 pessoas.

O Estado Islâmico nasce como Al Caeda no Iraque, depois da intervenção militar dos Estados Unidos para derrubar Saddam Hussein, em 2003, e da alienação da minoria sunita. Na guerra civil da Síria, vira Estado Islâmico do Iraque e do Levante, rompe com a rede terrorista Al Caeda, toma Mossul, uma das maiores cidades iraquianas, e proclama a fundação de um califado de jurisdição universal, em 2014.

Quando o Estado Islâmico começa a matar reféns ocidentais, os EUA, a França e o Reino Unido passam a bombardear o califado. Os atentados em Paris são a retaliação dos jihadistas.

A capital francesa é alvo do terrorismo de extremistas muçulmanos em 7 de janeiro de 2015, quando é atacado o jornal satírico Charlie Hebdo, que publicara caricaturas do profeta Maomé, e mais ações nos dias seguintes, com um total de 16 mortes. Esses ataques são de jihadistas ligada a Al Caeda.

Desde então, a França, que tem a maior população muçulmana da Europa depois da Rússia, cerca de 5 milhões de habitantes, é alvo de atentados terroristas. Em outubro de 2020, três pessoas, inclusive a brasileira Simone Barreto Silva, são mortas num ataque a uma igreja. Em 2022, o professor Samuel Paty é degolado depois de ser acusado de islamofobia por uma estudante de 13 anos que depois confessa a mentira.

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domingo, 2 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 2 de Novembro

 DECLARAÇÃO DE BALFOUR

    Em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, o ministro do Exterior britânico, lorde Arthur James Balfour, envia uma carta ao líder da comunidade judaica no Reino Unido, o Barão Lionel Walter Rothschild, manifestando apoio à criação de uma pátria para o povo judeu no território histórico da Palestina, na época sob controle do Império Otomano (turco), que está perdendo a guerra.


O movimento pela fundação de uma pátria para o povo judeu ganha força no fim do século 19, quando há vários pogroms (massacres) de judeus na Europa Oriental e casos de antissemitismo como a condenação injusta de Alfred Dreyfus, capitão do Exército da França, acusado de espionagem para a Alemanha, preso condenado e encarcerado na prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

Em 1895, o jornalista austro-húngaro Theodor Herzl, pai do moderno sionismo, lança o livro O Estado Judeu. A Argentina e Uganda, na África, são citadas como possíveis locais, mas o sonho do movimento sionista é voltar a Jerusalém e ao território histórico de Israel, na Palestina, de onde os judeus são expulsos no ano 70 com a invasão do imperador romano Tito, que destrói Jerusalém.

Com a derrota iminente do Império Otomano, Lorde Balfour lança a ideia definitivamente.

TRUMAN VENCE DEWEY

    Em 1948, contrariando as pesquisas e as expectativas dos analistas, o presidente democrata Harry Truman derrota o governador de Nova York, Thomas Dewey, por mais de 2 milhões de votos e é eleito para um segundo mandato de quatro anos na Casa Branca.

Antes do fim da apuração, o jornal Chicago Tribune sai com a manchete: "Dewey derrota Truman".

Truman assume a Presidência dos Estados Unidos com a morte do presidente Franklin Delano Roosevelt, em 12 de abril de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O eleitorado o considera uma sombra de Roosevelt, eleito em 1932, no auge da Grande Depressão (1929-39). Truman ainda hostiliza os democratas do Sul com sua política de direitos civis para os negros.

No fim, sua imagem de homem íntegro e honesto prevalece.

EXPLOSÃO MATA MILHARES

    Em 1982, a explosão de um caminhão dentro do Túnel Salang, no Afeganistão, mata cerca de 3 mil pessoas, na maioria soldados da União Soviética.

A invasão soviética do Afeganistão, iniciada em 24 de dezembro de 1979, é um fracasso em todos os sentidos, com mais de 15 mil soldados mortos. O pior incidente é a explosão dentro do túnel quando um comboio do Exército Vermelho o atravessa a caminho de Cabul, a capital afegã.

O Túnel Salang fica a 3.350 metros de altitude. Tem 2,7 quilômetros de cumprimento, pouco mais de 6,6 metros de altura e cerca de 5,2 metros de largura.

A URSS nunca revela os detalhes da tragédia. A hipótese mais provável é que um veículo militar se choque com um caminhão-tanque, que explode e destrói cerca de 30 ônibus com soldados do Exército Vermelho. Oficiais soviéticos tomam a explosão por um ataque e impedem os veículos de sair do túnel.

Lá dentro, o incêndio continua e os veículos parados emitem gás carbônico. As vítimas morrem queimadas ou intoxicadas. Para piorar a situação, o sistema de ventilação do túnel está quebrado. São necessários dias para remover todos os corpos.

DIA DE LUTHER KING

    Em 1983, o presidente Ronald Reagan sanciona a lei que transforma a terceira segunda-feira de janeiro num feriado nacional nos Estados Unidos em homenagem ao reverendo Martin Luther King Jr., líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros norte-americanos.

Filho de um pastor batista, o Dr. King nasce 1929 em Atlanta, na Geórgia. Em 1955, ele organiza a primeira grande manifestação contra a segregação racial no Sul dos EUA: o Boicote aos Ônibus de Montgomery, no Alabama.

Sob influência do líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, o Mahatma, Luther King defende a luta não violenta e a desobediência civil como instrumentos contra o racismo institucionalizado. Apesar da reação violenta da maioria branca, o movimento persiste, mas enfrenta oposição dos Panteras Negras como Stokely Carmichael e Louis Farrakhan, a favor do uso da força.

Grande orador, King apela para os valores cristãos e da democracia como base de sua campanha. Em 28 de agosto de 1963, lidera a Marcha sobre Washington e faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho: "Eu tenho um sonho de que um dia meus filhos serão julgados pelo seu caráter e não pela cor da pele."

A Lei de Direitos Civis, aprovada em 1964, proíbe a discriminação racial no emprego e na educação, e acaba com a segregação em locais públicos. Em outubro de 1965, Luther King ganha o Prêmio Nobel da Paz. 

Martin Luther King é assassinado em 4 de abril de 1968 por James Earl Ray em Memphis, no Tennessee.

MORANDO NO ESPAÇO

    Em 2000, a primeira tripulação residente chega para ficar quatro meses e meio na Estação Espacial Internacional, fruto da cooperação entre os Estados Unidos, a Europa, o Canadá, o Japão e a Rússia.

Estes países decidem se associar em 1998. As primeiras partes da estação espacial entram em órbita no fim deste ano. Cinco viagens de ônibus espaciais norte-americanos e duas de naves soviéticas levam os componentes. 

Os russos Yuri Gidzenko e Serguei Krikalev e o norte-americano Bill Shepard são escolhidos para a missão. Durante a permanência no espaço, eles se exercitam duas horas por dia para evitar a atrofia muscular e dão 15,5 voltas por dia ao redor da Terra.

Uma nova tripulação chega em 10 de março do ano seguinte. Em 21 de março, a primeira tripulação volta à Terra. Até hoje 280 astronautas de 23 países estiveram na estação espacial, inclusive o ex-ministro da Ciência e da Tecnologia, Marcos Pontes, hoje senador por São Paulo.

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terça-feira, 7 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 7 de Outubro

BATALHA DE LEPANTO

    Em 1571, forças cristãs aliadas vencem o Império Otomano (turco) na Batalha de Lepanto, uma batalha naval pelo controle do Leste do Mar Mediterrâneo, a maior travada no Ocidente desde a Antiguidade.

So o comando de João da Áustria, a Liga Santa, formada pela República de Veneza, o Reino da Espanha, os Cavaleiros de Malta e os Estados Pontifícios, vence os turcos no Mar Jônico ao largo de Lepanto, no Golfo de Patras, no Sudoeste da Grécia. É uma batalha da infantaria sobre plataformas navais.

Veneza tenta conter a expansão otomana no Mediterrâneo Oriental até 1540, quando faz um acordo de paz humilhante com o imperador Suleiman I. Seu sucessor, Selim II, está decidido a tomar a ilha de Chipre, uma possessão veneziana.

Quando Veneza se nega a ceder o Chipre, o Império Otomano invade. Veneza, então, faz um apelo ao papa Pio V (1566-72), que desde o início de seu pontificado tenta articular uma aliança católica. Mas a França e o Sacro Império Romano-Germânico estão mais preocupados com o impacto da Reforma Protestante. O rei Felipe II, da Espanha, enfrenta revoltas na Andalusia e na Holanda. Veneza rejeita a influência espanhola na Itália.

Em 1570, o papa alerta os governantes católicos de que a invasãp otomana a Chipre é iminente e envia João da Áustria à Itália, onde ele obtém o apoio dos Cavaleiros de Malta, que recebem ajuda econômica do Vaticano, e das marinhas da Espanha, de Veneza e dos Estados Pontifícios. Forma uma esquadra com 208 galés e seis galeaças.

A esquadra parte de Messina, na Sicília, em 16 de setembro de 1571. Em 7 de outubro, enfrenta 230 galés turcas. Depois da batalha, o mar fica manchado de vermelho. A expansão otomana no Mediterrâneo está contida.

NASCE A ALEMANHA ORIENTAL

    Em 1949, durante a Guerra Fria, cinco meses depois que os Estados Unidos, a França e o Reino criam a República Federal da Alemanha, a Alemanha Ocidental, é proclamada a República Democrática da Alemanha, mais conhecida como Alemanha Oriental, na região ocupada pela União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Com a reconstrução do lado ocidental e a ditadura comunista do lado oriental, milhares de alemães-orientais começam a "votar com os pés" e fugir para o Ocidente. Na noite de 12 para 13 de outubro, a Alemanha Oriental inicia a construção do Muro de Berlim, a cicatriz viva da divisão do mundo na Guerra Fria.

A Alemanha Oriental é o país mais rico do Bloco Soviético.

A abertura do muro, em 9 de novembro de 1989, é um março do fim do conflito Leste-Oeste. Leva à reunificação da Alemanha em 3 de outubro de 1990.

GINSBERG LÊ UIVO EM PÚBLICO

    Em 1955, o poeta beat Allen Ginsberg lê pela primeira vez em público o poema Howl (Uivo), na Six Gallery, em São Francisco.

É um sucesso imediato. A literatura beat expressa a rebelião da juventude dos anos 1950 e dá o tom para a poesia confessional dos anos 1960.

Ginsberg nasce em 1926, filho de um professor do ensino médio e de uma mãe marxista que mais tarde tem problemas mentais. O pai o introduz à literatura de poetas como Edgar Allan Poe, Charles Dickens, John Keats e John Milton.

Na Universidade de Colúmbia, antes de ser expulso, conhece Jack Kerouac, William Burroughs e Neal Cassady, figuras centrais do movimento beat.

Preso por drogas que um amigo viciado deixa em sua casa, Ginsberg alega problemas mentais para não ser condenado e passa oito meses internado numa clínica psiquiátrica.

Depois de se mudar para São Francisco da Califórnia, escreve Howl (Uivo) em dois meses. O poema é publicado pelo também poeta Lawrence Ferlinghetti e sua livraria e editora City Lights, outro ícone do movimento beat.

Por causa da publicação, Ferlinghetti é processado por obscenidade. Graças ao depoimento de nove críticos literários sobre o valor do livro, o editor é absolvido.

Ícone da contracultura, Ginsberg entra para a lista de subversivos de John Edgar Hoover, diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a policia federal dos EUA. Vai a Cuba, onde fica decepcionado com a perseguição aos gays e denuncia o autoritarismo e a repressão do regime de Fidel Castro. Também faz campanha contra a participação norte-americana na Guerra do Vietnã (1955-75).

SEGUNDO DEBATE KENNEDY x NIXON

   Em 1960, no segundo de quatro debates na televisão entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o senador John Kennedy e o vice-presidente Richard Nixon discutem política externa em plena Guerra Fria, com destaque para a Revolução Cubana e a derrubada de um avião-espião norte-americano U-2 na União Soviética.

Kennedy acusa o governo Dwight Eisenhower (1953-61) de tímidez e indecisão ao enfrentar a ameaça soviética, enquanto Nixon descreve o jovem oponente como ingênuo e pronto para ceder à URSS e à China.

Os primeiros debates televisionados são considerados decisivos para a vitória de Kennedy, mais telegênico e mais confiável na visão dos telespectadores. O sociólogo canadense Marshall McLuhan compara Kennedy ao xerife bonachão em que uma pequena cidade confia e Nixon ao advogado da estrada de ferro que vai ferrar a cidade.

No poder, Kennedy enfrenta seu maior desafio na Crise dos Mísseis em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, quando mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear. É assassinado em 22 de novembro de 1963.

Nixon é eleito em 1968, no auge da Guerra do Vietnã. Em 1972, vai à URSS e à China, iniciando o período da détente na Guerra Fria.

EUA ATACAM AFEGANISTÃO

    Em 2001, um mês depois dos atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos e aliados bombardeiam a invadem o Afeganistão para derrubar o regime extremista muçulmano da Milícia dos Talebã (Estudantes) e caçar a liderança da rede terrorista Al Caeda, responsável pelos ataques a Nova York e ao Pentágono.

O regime afegão cai em três semanas. Em dezembro, os EUA cercam os líderes d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, mas Ossma ben Laden foge para o Paquistão, onde é morto por um comando de elite na Marinha norte-americana em 2 de maio de 2011.

A guerra mais longa da história dos EUA só termina em 15 de agosto de 2021, com a retirada das últimas forças internacionais e a volta dos Talebã ao poder. Pelo menos 2.448 soldados e 3.486 civis norte-americanos, 1.444 soldados de países aliados e 66 mil soldados e policiais afegãos morrem nesse período, num total estimado em mais de 240 mil mortes.

SCHWARZENEGGER GOVERNADOR

    Em 2003, o ator e fisiculturista Arnold Schwarzenegger é eleito governador da Califórnia, o estado mais rico e populoso dos Estados Unidos e a quinta maior economia do mundo, centro mundial da revolução tecnológica da informática.

Apesar da inexperiência política, ele ganha a eleição para substituir o governador Gray Davis, o primeiro governador norte-americano a perder o mandato num referendo revogatório desde 1921.

Schwarzenegger nasce em Thal, na Áustria, em 30 julho de 1947 e começa a fazer musculação na adolescência. Aos 20 anos, ganha o título de Mr. Universo. Em 1968, migra para os EUA.

Seu sucesso como ator de cinema começa em 1982, com Conan, o Bárbaro. Seu personagem definitivo é em O Exterminador do Futuro.

Em 1986, ele casa com a jornalista de televisão Maria Kennedy Schriver, sobrinha do presidente John Kennedy, mas entra na política pelo Partido Republicano. Governa a Califórnia por dois mandatos até 2011, quando se separa de Maria Shriver.

HAMAS BARBARIZA ISRAEL

    Em 2023, um ataque terrorista liderado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) mata cerca de 1,2 mil pessoas e sequestra outras 257 em Israel, que contra-ataca a Faixa de Gaza numa guerra em que mais de 40 mil palestinos morrem, de acordo com dados do Hamas contestados por estimativas independentes.

A guerra se propaga para outras frentes. Nas últimas semanas, o conflito de baixa intensidade entre Israel e a milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) no Norte de Israel e o Sul do Líbano vira uma guerra total.

Cento e dez reféns são trocados por prisioneiros palestinos durante uma trégua no fim de novembro. Uma nova negociação para libertar reféns está estagnada há meses porque Israel só aceita uma trégua temporária e o Hamas exige um cessar-fogo definitivo

A Corte Internacional da Justiça das Nações Unidas julga uma denúncia de genocídio feita pela África do Sul contra Israel, com o apoio do Brasil, enquanto o Tribunal Penal Internacional examina pedidos de prisão de três líderes do Hamas, dois agora mortos por Israel, e do primeiro-ministro e do ministro da Defesa de Israel.

Com as derrotas do Hamas e do Hesbolá, a queda da ditadura de Bachar Assad na Síria e os bombardeios que destroem as defesas antiaéreas do Irã, Israel torna-se potência hegemônica no Oriente. Só agora, depois de dois anos de guerra, o presidente Donald Trump está pressionando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a acabar com a guerra.

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sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 15 de Agosto

 ABERTO O CANAL DO PANAMÁ

    Em 1914, o navio de carga e de passageiros norte-americano Ancon é o primeiro a atravessar o Canal do Panamá, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico.

O Panamá pertencia å Colômbia, enfraquecida pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902). Quando o Senado colombiano rejeita a proposta dos EUA para abrir o canal, uma intervenção militar norte-americana promove a independência do Panamá, que cede aos EUA o controle da Zona do Canal.

Só em 1977, o ditador Omar Torrijos negocia com o presidente Jimmy Carter a soberania sobre o canal. Em 1999, o Panamá assume o controle, fator de grande prosperidade do país nas últimas décadas.

Ao voltar à Casa Branca no início do ano, o presidente Donald Trump ameaça retomar o canal sob o pretexto de que há empresas chinesas operando portos dos dois lados.

FIM DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

     Em 1945, depois dos bombardeios nucleares dos Estados Unidos a Hiroxima e Nagasáki em 6 e 9 de agosto, num discurso de 4 minutos e 36 segundos, o imperador Hiroíto anuncia a rendição incondicional do Japão, pondo fim à Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

A rendição é assinada oficialmente em 2 de setembro, quando países asiáticos ocupados pelo Japão declaram independência de seus colonizadores ocidentais, inclusive o Vietnã.

O Império do Japão invade a Manchúria em 1931 e o resto da China em 1937. De certa forma, começa a Segunda Guerra Mundial na Ásia antes da invasão da Alemanha Nazista à Polônia, em 1º de setembro de 1939, início da guerra na Europa.

A partir de 1940, o Japão invade os países do Sudeste Asiático colonizados por potências europeias sob a desculpa de libertá-los do imperialismo ocidental, mas é uma força de ocupação violenta e brutal. Em 7 de dezembro de 1941, quando o Japão bombardeia a 7ª Frota dos EUA em Pearl Harbor, no Havaí, os norte-americanos entram na guerra.

Diante da impressionante defesa do Japão durante as batalhas de Iwo Jima e Okinawa, em 1945, os EUA estimam que a invasão das quatro maiores ilhas do arquipélago japonês custaria 1 milhão de vidas e decidem usar a bomba atômica, testada pela primeira vez em 16 de julho em Alamogordo, no Novo México.

No seu primeiro pronunciamento pelo rádio, ao justificar a rendição, humilhante na cultura japonesa, que aconselha a lutar até a morte, Hiroíto alega que "o inimigo começou a usar a bomba mais cruel, com poder para produzir danos realmente incalculáveis, tirando muitas vidas inocentes". Em sua memória oral, publicada depois da guerra, o imperador confessa o temor de que "a raça japonesa seria destruída se a guerra continuasse".

Com a derrota, o imperador é obrigado a renunciar a seu status divino. Fica no cargo porque os americanos o mantêm como símbolo da identidade nacional. Em 1952, o Japão recupera a independência, mas até hoje há forças dos EUA no país.


INDEPENDÊNCIA E DIVISÃO DA ÍNDIA

    Em 1947, a Índia e o Paquistão conquistam a independência do Império Britânico acabando com 89 anos de dominação colonial direta e 190 anos desde que a Companhia das Índias Orientais toma Bengala.

O líder indiano Mohandas Gandhi, o Mahatma, saúda "o ato mais nobre da nação britânica". Mas o país se divide. As províncias de maioria hindu formam a República da Índia e as muçulmanas, o Paquistão. A Caxemira, de maioria muçulmana, vira o pomo da discórdia e causa a primeira e a segunda de quatro guerras entre os dois inimigos históricos e hoje potências nucleares, em 1947 e 1965.

Pelo menos 20 milhões de pessoas migram de um lado para o outro e 2 milhões morrerm. Índia e Paquistão voltam a entrar em guerra em 1971, quando a Índia apoia a independência de Bangladesh, a República de Bengala, antigo Paquistão Oriental.

Também há um conflito que alguns historiadores e cientistas políticos chamam de guerra em 1999 na região de Cargill, na Cordilheira do Himalaia.

Em maio de 1998, a Índia e o Paquistão testam bombas atômicas e assumem o status de potências nucleares.

NASCE A COREIA DO SUL

    Em 1948, Syngman Rhee anuncia a fundação da República da Coreia (Coreia do Sul) com uma reivindicação de soberania sobre toda a Península Coreana.

A Coreia vive sob ocupação japonesa de 1910 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando os Estados Unidos tomam o Sul da Península Coreana e a União Soviética, o Norte. Com o início da Guerra Fria, a unificação do país se torna inviável.

Rhee cria a República da Coreia, que reivindica a soberania sobre toda a Península Coreana. O mesmo faz a República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), fundada em 9 de setembro de 1948 pelo Grande Líder Kim Il Sung. 

Isto leva à Guerra da Coreia, que começa com a invasão do Sul pelo Norte em 25 de junho de 1950 e termina em 27 de julho de 1953, com a restauração do status quo anterior à guerra. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo.

PAZ, AMOR E MÚSICA EM WOODSTOCK

    Em 1969, começa o Festival de Woodstock, o mais emblemático dos anos 1960 e da era hippie, três dias de paz, amor e rock'n'roll numa fazenda da cidade de Bethel, no estado de Nova York, encerrado com Jimi Hendrix apresentando uma versão épica do Hino dos Estados Unidos distorcido para lembrar os bombardeios da Guerra do Vietnã.

Os organizadores querem levantar dinheiro para criar um estúdio e um retiro para músicos na cidade de Woodstock, que nega permissão para o evento, quase abandonado. A solução vem do produtor de leite Max Yasgur, que oferece sua fazenda de 240 hectares em Bethel, a cerca de 80 quilômetros de Woodstock.

Os ingressos custam 6 e 8 dólares por dia, mas a maioria das 400 mil pessoas pula a cerca e entra de graça. O prejuízo inicial é estimado em US$ 1,3 milhão, cerca de US$ 9 milhões pela cotação de hoje. Durante três dias, ouvem músicos como Hendrix, Richie Havens, Joan Baez, Janis Joplin, Joe Cocker, The Who, Jefferson Airplane, Ten Years After e Crosby Stills Nash & Young. 

Pouco mais de uma década depois, o festival começa a dar lucro, com a venda dos discos, do filme e de lembranças deste grande marco na história do rock.

APOCALIPSE NO VIETNÃ

    Em 1979, depois de muitos problemas de produção e vários adiamentos, é lançado o filme Apocalypse Now, uma ficção de Francis Ford Coppola sobre a Guerra do Vietnã inspirada no livro No Coração das Trevas, de Joseph Conrad, sobre a criminosa exploração do Congo pela Bélgica.

A história se passa em 1969, quando o capitão do Exército dos Estados Unidos e veterano de operações especiais Benjamin Willard (Martin Sheen) é encarregado de matar o coronel rebelde Walter Kurtz (Marlon Brando), que cria seu próprio feudo no Camboja, onde é venerado como um semideus.

Durante a viagem, ele passa por cenas patéticas como soldados surfando em meio a um ataque de helicópteros enquanto uma floresta vizinha atingida por bombas incendiárias de napalm pega fogo. É um dos melhores filmes de guerra da história do cinema.

PIOR ATENTADO NA IRLANDA DO NORTE

    Em 1998, depois da assinatura do Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, o Exército Republicano Irlandês Real ou Verdadeiro (Real IRA) explode uma bomba em Omagh, mata 29 pessoas e deixa mais de 200 feridas no pior atentado terrorista da guerra civil na Irlanda do Norte.

O Ira Real é um grupo dissidente do IRA Provisório, que luta durante 29 anos contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte. Não aceita o acordo de paz. Ao contrário de ataques anteriores, o telefonema que revela a existência de uma bomba manda as pessoas irem em direção ao local da explosão.

Cerca de 3,5 mil pessoas morrem na guerra civil na Irlanda do Norte.

VOLTA DOS TALEBÃ

    Em 2021, com a retirada dos Estados Unidos, a Milícia dos Talebã (Estudantes) volta ao poder no Afeganistão depois de quase 20 anos e reimpõe o regime fundamentalismo islâmico que oprime especialmente as mulheres, proibidas de estudar, trabalhar e viajar sozinhas.

Os EUA e aliados atacam o Afeganistão em 7 de outubro de 2001 atrás dos líderes da rede terrorista Al Caeda, responsáveis pelos atentados de 11 de setembro daquele ano em Nova York e no Pentágono. Os talebã caem em três semanas. Os chefes da Caeda são cercados na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, mas Ossama ben Laden consegue fugir para o Paquistão, onde é morto por uma tropa de elite dos EUA em 2 de maio de 2011.

No ano seguinte, o governo George W. Bush reorienta a guerra contra o terrorismo para atacar o Iraque, que não tinha relação com o extremismo muçulmano. Os EUA instalam governos-fantoches no Afeganistão que nunca controlam o interior do país.

Com quase 20 anos, a Guerra do Afeganistão é a mais longa da história dos EUA. Pelo menos 169 mil pessoas morrem, sendo 2.448 soldados norte-americanos.

O governo afegão é catastrófico. Por causa das violações dos direitos humanos, o dinheiro do país depositado no exterior está congelado. A grande maioria da população sofre de insegurança alimentar.

A morte do líder d’al Caeda, Ayman al-Zawahiri, atingido por um drone dos EUA na casa onde morava num bairro nobre de Cabul em 31 de julho de 2022, indica que o Afeganistão volta a ser um refúgio para extremistas muçulmanos.