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sexta-feira, 3 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Julho

BATALHA DECISIVA

    Em 1863, com o fracasso de uma tentativa do general Robert Lee, comandante militar dos Estados Confederados da América (Sul), de quebrar as linhas de defesa da União (Norte), termina com a vitória nortista a Batalha de Gettysburg, a mais decisiva da Guerra da Secessão (1861-65), a Guerra Civil Norte-Americana.

Depois de vencer a Batalha de Chancellorsville, o general Lee lança sua segunda invasão do Norte. Leva seu exército de 75 mil soldados do Norte da Virgínia para Maryland e a Pensilvânia. O objetivo é travar auma grande batalha em território do Norte para quebrar a força moral das tropas da União e esperar uma intervenção da França ou do Reino Unido em seu favor.

O Exército do Potomac, com 90 mil soldados, persegue os confederados até o estado de Maryland, mas o general Joseph Hooker, derrotado em Chancellorsville, teme atacar Lee. Os confederados dividem sua forças em busca de alvos para atacar, entre eles Harriburgo, a capital da Pensilvânia.

Diante da relutância, o presidente Abraham Lincoln substitui Hooker pelo general George Meade. Lee sabe da presença do exército da União e concentra suas forças perto da cidade de Gettysburg, na Pensilvânia.

Sob o comando do general Henry Heth, uma divisão do Sul marcha sobre Gettysburg em 1º de julho na esperança de encontrar suprimentos e se defronta com três brigadas de cavalaria da União. Começa a Batalha de Gettysburg. Lee e Meade mandam seus soldados entrar na luta.

No meio da tarde, 19 mil soldados federais enfrentam 24 mil confederados. Pouco depois, quando chega ao campo de batalha, o general Lee ordena um avanço geral. As tropas da União recuam até a Colina do Cemitério, ao sul da cidade.

O resto dos soldados de Meade chega à noite. Na tarde de 2 de julho, depois de consolidar suas posições, o general sulista James Longstreet lança uma ofensiva, mas discorda do plano de batalha do general Lee. Depois de três horas e milhares de mortes, o combate cessa.

Em 3 de julho, depois de não conseguir quebrar as linhas da União pelos flancos direito e esquerdo, Lee faz um ataque frontal, com um bombardeio maciço pelo centro, com 15 mil homens sob o comando do general George Pickett. Os federais respondem, num dos maiores bombardeios da guerra civil.

Quando Pickett avança, vê que o bombardeio de Lee não debilita as linhas inimigas. É alvo de intenso bombardeio nortista. Ao mesmo tempo, a infantaria ianque ataca a retaguarda do avanço de Pickett para dividir os confederados. Poucos chegam até a linha de frente da União e logo são mortos. Mais de 7 mil confederados morrem em uma hora.

No fim da Batalha de Gettysburg, o Exército do Potomac está muito debilitado para perseguir as forças em retirada de Lee. O total de mortes é estimado entre 46 e 51 mil pessoas. 

É uma virada na guerra civil. Nunca mais o Sul tenta invadir o Norte. Em 19 de novembro de 1863, ao consagrar um cemitério no local da batalha, Lincoln faz o Discurso de Gettysburg, considerado o discurso político mais importante da História dos Estados Unidos.

MORTE DE BRIAN

    Em 1969, o guitarrista e multi-instrumentista dos Rolling Stones Brian Jones é encontrado morto na piscina de casa aos 27 anos, na que é considerada uma morte acidental por afogamento.

John Lennon comenta em 1970: "No início, Brian Jones era o mais interessante dos Rolling Stones, mas é um daqueles caras que se desintegraram diante de nós."

Por causa do abuso de drogas, Jones falta a ensaios e gravações, e erra na hora de tocar. Os EUA lhe negam visto para uma excursão em 1969. Em 8 de junho, Mick Jagger e Keith Richards o demitem da banda. Richards já tinha tomado a namorada dele, a modelo e atriz Anita Pallenberg.

Jimi Hendrix e Janis Joplin morreriam em 1970, Jim Morrison em 1971, Kurt Cobain em 1994 e Amy Winehouse em 2011 – todos aos 27 anos, por excesso de drogas.

MORTE DE JIM MORRISON

    Em 1971, o cantor, compositor e poeta Jim Morrison, líder da banda de rock norte-americana The Doors, é encontrado morto aos 27 anos na banheira de seu apartamento em Paris.

A causa da morte é colapso cardíaco, provavelmente devido a uma dose excessiva de heroína. Não há autópsia.

O Rei Lagarto seduz uma geração com suas letras e sua presença no palco, com as ideias do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, do poeta francês Arthur Rimbaud, do poeta e pintor inglês William Blake e do escritor norte-americano Aldous Huxley. 

O abuso de drogas o transforma num gênio indomável. Quase sempre doidão, "era difícil gravar, fazer um show e até mesmo tomar um avião com ele", admite Ray Manzarek, o baterista da banda.

Morrison é preso e acusado de "exposição indecente" e "profanidade" por ter ameaçado mostrar seu pênis durante um show em Miami, em 1º de março de 1969. Vários concertos da banda são cancelados. 

Em 20 de setembro de 1970, Morrison é condenado e, em 30 de outubro, sentenciado a seis meses de prisão e multa de US$ 500. Fica em liberdade por pagar fiança de US$ 50 mil.

"Perdi muito tempo e energia com o julgamento em Miami, cerca de um ano e meio", reconhece Morrison depois em entrevista. "Mas acho que foi uma experiência válida porque antes do julgamento eu tinha uma visão estudantil irrealista sobre o sistema judicial norte-americano. Meus olhos se abriram um pouco. Há muitos caras negros que em cinco minutos pegam 20, 25 anos de cadeia. Se eu não tivesse fundos ilimitados para continuar lutando, ficaria uns três anos preso. Se você tem dinheiro, geralmente não vai preso."

O túmulo de Morrison é o mais visitado no Cemitério Père Lachaise, em Paris, onde também estão sepultados o pianista e compositor polonês Frédéric Chopin, o escritor Honoré de Balzac e o escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde. Os fãs costumam beber e se drogar em homenagem ao ídolo.

VITÓRIA EM ENTEBBE

    Em 1976, um comando de Israel lança uma operação de resgate para libertar reféns de um avião Airbus A300 da companhia aérea Air France com 248 passageiros, dos quais 77 israelenses, sequestrado e levado para Entebbe, em Uganda, no coração da África, por terroristas da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e das Células Revolucionárias alemãs.

O voo AF139 vai de Telavive, em Israel, para Paris, a capital da França, em 27 de junho com escala em Atenas, a capital da Grécia, onde os quatro terroristas embarcam. Oito minutos depois de decolagem de Atenas, pouco depois do meio-dia, eles assumem o controle da aeronave.

Por volta das 14h, o avião pede licença para aterrisar em Bengási, na Líbia, governada pelo ditador Muamar Kadafi, para um reabastecimento que permita mais quatro horas de voo. Fica seis horas e meia em Bengási, onde uma mulher é libertada, e segue viagem para Entebbe, a antiga capital de Uganda, onde fica o maior aeroporto do país governado pelo ditador Idi Amin. Chega por volta das 3h de 28 de junho. Os reféns são levados para um antigo terminal.

Em Israel, o primeiro-ministro Yitzhak Rabin reúne alguns ministros, entre eles Shimon Peres, da Defesa, para tomar providências para libertar os reféns israelenses.

Em 29 de junho, os terroristas anunciam suas exigências: a libertação até 1º de julho às 14h de 53 presos, 13 na Alemanha Ocidental, na França, na Suíça e no Quênia, e 40 em Israel. Caso contrário, ameaçam explodir o avião com os reféns a bordo. A Alemanha Ocidental e a França se recusam a soltar presos.

Oficialmente, a ditadura de Idi Amin se declara neutra, mas na realidade apoia os sequestradores. Idi Amin havia expulsado todos os israelenses de Uganda depois que Israel se negou a fornecer aviões de caça ao país.

Em 30 de junho, os terroristas libertam 47 reféns, nenhum israelense. O capitão e a tripulação decidem ficar com os passageiros. Quando os reféns libertados confirmam a suspeita de apoio da ditadura de Idi Amin aos terroristas, Israel toma a decisão de agir.

Como o aeroporto foi construído por uma empresa de Israel, as autoridades israelenses conseguem mapas detalhados para planejar a operação de resgate. O general brigadeiro Dan Shonrom, comandante de paraquedistas, é nomeado chefe da operação em Israel e Yonatan Netanyahu, irmão do atual primeiro-ministro, comandante da força-tarefa.

Israel tenta negociar, mas os terroristas exigem a libertação dos presos. Ampliam o prazo até 14h de 4 de julho. O comando é dividido em cinco grupos de assalto para assumir o controle da pista e dos dois terminais do aeroporto, impedir a intervenção das Forças Armadas de Uganda e evacuar os reféns, levando-os para um avião de transporte C-130 Hercules.

Na madrugada de 3 de julho, o ministro da Defesa de Israel, Shimon Peres, recebe o aviso de que o comando está pronto para entrar em ação. Os aviões israelenses partem do Aeroporto Ben Gurion às 13h20 de 3 de julho. Eles se reabastecem em Charm al-Cheikh, no Egito, e voam para Uganda.

Quando a ação começa, os ugandenses percebem a invasão, mas são rechaçados. Os reféns estão no salão principal do terminal velho, deitados no chão. Muitos dormem. Quatro terroristas que montam guarda são mortos imediatamente.

As ordens são tratar os soldados ugandenses como inimigos armados a serem atacados se abrirem fogo e eliminar todos os terroristas. A ação no terminal antigo dura três minutos.

O segundo avião pousa sete minutos depois do primeiro, com soldados e veículos de transporte que atacam o novo terminal. A principal resistência vem da torre de controle, de onde parte uma rajada de metralhadora que mata Yoni Netanyahu.

Ao todo, sete terroristas e 45 soldados ugandenses são mortos; 102 dos 106 reféns são libertados. Do lado israelense, Netanyahu e três reféns morrem. Às 0h30 de 4 julho, uma hora e meia depois da aterrissagem do primeiro avião, o último avião israelense deixa o Aeroporto de Entebbe.

TRAGÉDIA NO GOLFO

    Em 1988, o cruzador norte-americano Vincennes abate um avião de passageiros Airbus da Iran Air no Golfo Pérsico, matando todas as 290 pessoas a bordo.

A Guerra Irã-Iraque (1980-88) está no fim. Os EUA patrulham o golfo para evitar ataques a navios petroleiros e alegam que confundiram o avião civil com um caça-bombardeiro iraniano. O sistema de defesa Aegis, o Escudo de Zeus, que seria capaz de distinguir uma barata a quilômetros de distância, derruba o Airbus iraniano. 

O ditador do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini, aceita em 20 de julho a Resolução nº 598 do Conselho de Segurança das Nações Unidos, que propõe um cessar-fogo. A trégua entra em vigor em 20 de agosto, depois de quase oito anos de uma guerra que mata entre 500 mil e 1 milhão de muçulmanos.

GOLPE NO EGITO

     Em 2013, o comandante das Forças Armadas do Egito, general Abdel Fattah al-Sissi, lidera um golpe militar e derruba o governo da Irmandade Muçulmana e do presidente Mohamed Mursi, eleito na chamada Primavera Árabe.

Quando uma revolta popular derruba, em 11 de fevereiro de 2011, o ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há 30 anos, um mês depois da queda de Zine el-Abidine Ben Ali na Tunísia, só há duas instituições organizadas no Egito: as Forças Armadas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para reislamizar o mundo muçulmano numa reação ao imperialismo ocidental.

Como único movimento político organizado, a Irmandade Muçulmana vence as primeiras eleições democráticas da história do país para a Assembleia Nacional e a Presidência. Em 30 de junho de 2013, primeiro aniversário da vitória de Mursi, 14 milhões de pessoas protestam nas ruas contra o autoritarismo do governo da Irmandade Muçulmana, acusada de sequestrar a revolução. Cinco manifestantes são mortos.

No dia seguinte, populares atacam e saqueiam a sede nacional da Irmandade Muçulmana no Cairo. Outras oito pessoas morrem numa manifestação diante de um quartel. Em 3 de julho, são mortos 16 partidários da Irmandade Muçulmana. À noite, o Comando Supremo das Forças Armadas divulga um comunicado anunciando o fim do governo Mursi.

A repressão violenta leva à morte de pelo menos mil pessoas, massacradas pelas forças de segurança em 14 de agosto. A Irmandade Muçulmana afirma que são 2,6 mil mortes. Mursi é preso e condenado a 20 anos de cadeia por prisões ilegais e torturas cometidas sob seu governo. 

Em 17 de junho de 2019, a televisão estatal egípcia anuncia que Mursi desmaia durante uma audiência sobre acusações de espionagem. Levado a um hospital, ele morre, supostamente de ataque cardíaco.

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quinta-feira, 3 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 3 de Julho

BATALHA DECISIVA

    Em 1863, com o fracasso de uma tentativa do general Robert Lee, comandante militar dos Estados Confederados da América (Sul), de quebrar as linhas de defesa da União (Norte), termina com a vitória nortista a Batalha de Gettysburg, a mais decisiva da Guerra da Secessão (1861-65), a Guerra Civil Norte-Americana.

Depois de vencer a Batalha de Chancellorsville, o general Lee lança sua segunda invasão do Norte. Leva seu exército de 75 mil soldados do Norte da Virgínia para Maryland e a Pensilvânia. O objetivo é travar auma grande batalha em território do Norte para quebrar a força moral das tropas da União e esperar uma intervenção da França ou do Reino Unido em seu favor.

O Exército do Potomac, com 90 mil soldados, persegue os confederados até o estado de Maryland, mas o general Joseph Hooker, derrotado em Chancellorsville, teme atacar Lee. Os confederados dividem sua forças em busca de alvos para atacar, entre eles Harriburgo, a capital da Pensilvânia.

Diante da relutância, o presidente Abraham Lincoln substitui Hooker pelo general George Meade. Lee sabe da presença do exército da União e concentra suas forças perto da cidade de Gettysburg, na Pensilvânia.

Sob o comando do general Henry Heth, uma divisão do Sul marcha sobre Gettysburg em 1º de julho na esperança de encontrar suprimentos e se defronta com três brigadas de cavalaria da União. Começa a Batalha de Gettysburg. Lee e Meade mandam seus soldados entrar na luta.

No meio da tarde, 19 mil soldados federais enfrentam 24 mil confederados. Pouco depois, quando chega ao campo de batalha, o general Lee ordena um avanço geral. As tropas da União recuam até a Colina do Cemitério, ao sul da cidade.

O resto dos soldados de Meade chega à noite. Na tarde de 2 de julho, depois de consolidar suas posições, o general sulista James Longstreet lança uma ofensiva, mas discorda do plano de batalha do general Lee. Depois de três horas e milhares de mortes, o combate cessa.

Em 3 de julho, depois de não conseguir quebrar as linhas da União pelos flancos direito e esquerdo, Lee faz um ataque frontal, com um bombardeio maciço pelo centro, com 15 mil homens sob o comando do general George Pickett. Os federais respondem, num dos maiores bombardeios da guerra civil.

Quando Pickett avança, vê que o bombardeio de Lee não debilita as linhas inimigas. É alvo de intenso bombardeio nortista. Ao mesmo tempo, a infantaria ianque ataca a retaguarda do avanço de Pickett para dividir os confederados. Poucos chegam até a linha de frente da União e logo são mortos. Mais de 7 mil confederados morrem em uma hora.

No fim da Batalha de Gettysburg, o Exército do Potomac está muito debilitado para perseguir as forças em retirada de Lee. O total de mortes é estimado entre 46 e 51 mil pessoas. 

É uma virada na guerra civil. Nunca mais o Sul tenta invadir o Norte. Em 19 de novembro de 1863, ao consagrar um cemitério no local da batalha, Lincoln faz o Discurso de Gettysburg, considerado o discurso político mais importante da História dos Estados Unidos.

MORTE DE BRIAN

    Em 1969, o guitarrista e multi-instrumentista dos Rolling Stones Brian Jones é encontrado morto na piscina aos 27 anos, na que é considerada uma morte acidental por afogamento.

John Lennon comenta em 1970: "No início, Brian Jones era o mais interessante dos Rolling Stones, mas é um daqueles caras que se desintegraram diante de nós."

Por causa do abuso de drogas, Jones falta a ensaios e gravações, e erra na hora de tocar. Os EUA lhe negam visto para uma excursão em 1969. Em 8 de junho, Mick Jagger e Keith Richards o demitem da banda. Richards já tinha tomado a namorada dele, a modelo e atriz Anita Pallenberg.

Jimi Hendrix e Janis Joplin morreriam em 1970, Jim Morrison em 1971, Kurt Cobain em 1994 e Amy Winehouse em 2011 – todos aos 27 anos, por excesso de drogas.

MORTE DE JIM MORRISON

    Em 1971, o cantor, compositor e poeta Jim Morrison, líder da banda de rock norte-americana The Doors, é encontrado morto aos 27 anos na banheira de seu apartamento em Paris.

A causa da morte é colapso cardíaco, provavelmente devido a uma dose excessiva de heroína. Não há autópsia.

Rei Lagarto seduz uma geração com suas letras e sua presença no palco, com as ideias do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, do poeta francês Arthur Rimbaud, do poeta e pintor inglês William Blake e do escritor norte-americano Aldous Huxley. 

O abuso de drogas o transforma num gênio indomável. Quase sempre doidão, "era difícil gravar, fazer um show e até mesmo tomar um avião com ele", admite Ray Manzarek, o baterista da banda.

Morrison é preso e acusado de "exposição indecente" e "profanidade" por ter ameaçado mostrar seu pênis durante um show em Miami, em 1º de março de 1969. Vários concertos da banda são cancelados. 

Em 20 de setembro de 1970, Morrison é condenado e, em 30 de outubro, sentenciado a seis meses de prisão e multa de US$ 500. Fica em liberdade por pagar fiança de US$ 50 mil.

"Perdi muito tempo e energia com o julgamento em Miami, cerca de um ano e meio", reconhece Morrison depois em entrevista. "Mas acho que foi uma experiência válida porque antes do julgamento eu tinha uma visão estudantil irrealista sobre o sistema judicial norte-americano. Meus olhos se abriram um pouco. Há muitos caras negros que em cinco minutos pegam 20, 25 anos de cadeia. Se eu não tivesse fundos ilimitados para continuar lutando, ficaria uns três anos preso. Se você tem dinheiro, geralmente não vai preso."

O túmulo de Morrison é o mais visitado no Cemitério Père Lachaise, em Paris, onde também estão sepultados o pianista e compositor polonês Frédéric Chopin, o escritor Honoré de Balzac e o escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde. Os fãs costumam beber e se drogar em homenagem ao ídolo.

VITÓRIA EM ENTEBBE

    Em 1976, um comando de Israel lança uma operação de resgate para libertar reféns de um avião Airbus A300 da companhia aérea Air France com 248 passageiros, dos quais 77 israelenses, sequestrado e levado para Entebbe, em Uganda, no coração da África, por terroristas da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e das Células Revolucionárias alemãs.

O voo AF139 vai de Telavive, em Israel, para Paris, a capital da França, em 27 de junho com escala em Atenas, a capital da Grécia, onde os quatro terroristas embarcam. Oito minutos depois de decolagem de Atenas, pouco depois do meio-dia, eles assumem o controle da aeronave.

Por volta das 14h, o avião pede licença para aterrisar em Bengási, na Líbia, governada pelo ditador Muamar Kadafi, para um reabastecimento que permita mais quatro horas de voo. Fica seis horas e meia em Bengási, onde uma mulher é libertada, e segue viagem para Entebbe, a antiga capital de Uganda, onde fica o maior aeroporto do país governado pelo ditador Idi Amin. Chega por volta das 3h de 28 de junho. Os reféns são levados para um antigo terminal.

Em Israel, o primeiro-ministro Yitzhak Rabin reúne alguns ministros, entre eles Shimon Peres, da Defesa, para tomar providências para libertar os reféns israelenses.

Em 29 de junho, os terroristas anunciam suas exigências: a libertação até 1º de julho às 14h de 53 presos, 13 na Alemanha Ocidental, na França, na Suíça e no Quênia, e 40 em Israel. Caso contrário, ameaçam explodir o avião com os reféns a bordo. A Alemanha Ocidental e a França se recusam a soltar presos.

Oficialmente, a ditadura de Idi Amin se declara neutra, mas na realidade apoia os sequestradores. Idi Amin havia expulsado todos os israelenses de Uganda depois que Israel se negou a fornecer aviões de caça ao país.

Em 30 de junho, os terroristas libertam 47 reféns, nenhum israelense. O capitão e a tripulação decidem ficar com os passageiros. Quando os reféns libertados confirmam a suspeita de apoio da ditadura de Idi Amin aos terroristas, Israel toma a decisão de agir.

Como o aeroporto foi construído por uma empresa de Israel, as autoridades israelenses conseguem mapas detalhados para planejar a operação de resgate. O general brigadeiro Dan Shonrom, comandante de paraquedistas, é nomeado chefe da operação em Israel e Yonatan Netanyahu, irmão do atual primeiro-ministro, comandante da força-tarefa.

Israel tenta negociar, mas os terroristas exigem a libertação dos presos. Ampliam o prazo até 14h de 4 de julho. O comando é dividido em cinco grupos de assalto para assumir o controle da pista e dos dois terminais do aeroporto, impedir a intervenção das Forças Armadas de Uganda e evacuar os reféns, levando-os para um avião de transporte C-130 Hercules.

Na madrugada de 3 de julho, o ministro da Defesa de Israel, Shimon Peres, recebe o aviso de que o comando está pronto para entrar em ação. Os aviões israelenses partem do Aeroporto Ben Gurion às 13h20 de 3 de julho. Eles se reabastecem em Charm al-Cheikh, no Egito, e voam para Uganda.

Quando a ação começa, os ugandenses percebem a invasão, mas são rechaçados. Os reféns estão no salão principal do terminal velho, deitados no chão. Muitos dormem. Quatro terroristas que montam guarda são mortos imediatamente.

As ordens são tratar os soldados ugandenses como inimigos armados a serem atacados se abrirem fogo e eliminar todos os terroristas. A ação no terminal antigo dura três minutos.

O segundo avião pousa sete minutos depois do primeiro, com soldados e veículos de transporte que atacam o novo terminal. A principal resistência vem da torre de controle, de onde parte uma rajada de metralhadora que mata Yoni Netanyahu.

Ao todo, sete terroristas e 45 soldados ugandenses são mortos; 102 dos 106 reféns são libertados. Do lado israelense, Netanyahu e três reféns morrem. Às 0h30 de 4 julho, uma hora e meia depois da aterrissagem do primeiro avião, o último avião israelense deixa o Aeroporto de Entebbe.

TRAGÉDIA NO GOLFO

    Em 1988, o cruzador norte-americano Vincennes abate um avião de passageiros Airbus da Iran Air no Golfo Pérsico, matando todas as 290 pessoas a bordo.

A Guerra Irã-Iraque (1980-88) está no fim. Os EUA patrulham o golfo para evitar ataques a navios petroleiros e alegam que confundiram o avião civil com um caça-bombardeiro iraniano. O sistema de defesa Aegis, o Escudo de Zeus, que seria capaz de distinguir uma barata a quilômetros de distância, derruba o Airbus iraniano. 

O ditador do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini, aceita em 20 de julho a Resolução nº 598 do Conselho de Segurança das Nações Unidos, que propõe um cessar-fogo. A trégua entra em vigor em 20 de agosto, depois de quase oito anos de uma guerra que mata entre 500 mil e 1 milhão de muçulmanos.

GOLPE NO EGITO

     Em 2013, o comandante das Forças Armadas do Egito, general Abdel Fattah al-Sissi, lidera um golpe militar e derruba o governo da Irmandade Muçulmana e do presidente Mohamed Mursi, eleito na chamada Primavera Árabe.

Quando uma revolta popular derruba, em 11 de fevereiro de 2011, o ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há 30 anos, um mês depois da queda de Zine el-Abidine Ben Ali na Tunísia, só há duas instituições organizadas no Egito: as Forças Armadas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para reislamizar o mundo muçulmano numa reação ao imperialismo ocidental.

Como único movimento político organizado, a Irmandade Muçulmana vence as primeiras eleições democráticas da história do país para a Assembleia Nacional e a Presidência. Em 30 de junho de 2013, primeiro aniversário da vitória de Mursi, 14 milhões de pessoas protestam nas ruas contra o autoritarismo do governo da Irmandade Muçulmana, acusada de sequestrar a revolução. Cinco manifestantes são mortos.

No dia seguinte, populares atacam e saqueiam a sede nacional da Irmandade Muçulmana no Cairo. Outras oito pessoas morrem numa manifestação diante de um quartel. Em 3 de julho, são mortos 16 partidários da Irmandade Muçulmana. À noite, o Comando Supremo das Forças Armadas divulga um comunicado anunciando o fim do governo Mursi.

A repressão violenta leva à morte de pelo menos mil pessoas, massacradas pelas forças de segurança em 14 de agosto. A Irmandade Muçulmana afirma que são 2,6 mil mortes. Mursi é preso e condenado a 20 anos de cadeia por prisões ilegais e torturas cometidas sob seu governo. 

Em 17 de junho de 2019, a televisão estatal egípcia anuncia que Mursi desmaia durante uma audiência sobre acusações de espionagem. Levado a um hospital, ele morre, supostamente de ataque cardíaco. 

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Hoje na História do Mundo: 3 de Julho

BATALHA DECISIVA

    Em 1863, com o fracasso de uma tentativa do general Robert Lee, comandante militar dos Estados Confederados da América (Sul), de quebrar as linhas de defesa da União (Norte), termina com a vitória nortista a Batalha de Gettysburg, a mais decisiva da Guerra da Secessão (1861-65), a Guerra Civil Norte-Americana.

Depois de vencer a Batalha de Chancellorsville, o general Lee lança sua segunda invasão do Norte. Leva seu exército de 75 mil soldados do Norte da Virgínia para Maryland e a Pensilvânia. O objetivo é travar auma grande batalha em território do Norte para quebrar a força moral das tropas da União e esperar uma intervenção da França ou do Reino Unido em seu favor.

O Exército do Potomac, com 90 mil soldados, persegue os confederados até o estado de Maryland, mas o general Joseph Hooker, derrotado em Chancellorsville, teme atacar Lee. Os confederados dividem sua forças em busca de alvos para atacar, entre eles Harriburgo, a capital da Pensilvânia.

Diante da relutância, o presidente Abraham Lincoln substitui Hooker pelo general George Meade. Lee sabe da presença do exército da União e concentra suas forças perto da cidade de Gettysburg, na Pensilvânia.

Sob o comando do general Henry Heth, uma divisão do Sul marcha sobre Gettysburg em 1º de julho na esperança de encontrar suprimentos e se defronta com três brigadas de cavalaria da União. Começa a Batalha de Gettysburg. Lee e Meade mandam seus soldados entrar na luta.

No meio da tarde, 19 mil soldados federais enfrentam 24 mil confederados. Pouco depois, quando chega ao campo de batalha, o general Lee ordena um avanço geral. As tropas da União recuam até a Colina do Cemitério, ao sul da cidade.

O resto dos soldados de Meade chega à noite. Na tarde de 2 de julho, depois de consolidar suas posições, o general sulista James Longstreet lança uma ofensiva, mas discorda do plano de batalha do general Lee. Depois de três horas e milhares de mortes, o combate cessa.

Em 3 de julho, depois de não conseguir quebrar as linhas da União pelos flancos direito e esquerdo, Lee faz um ataque frontal, com um bombardeio maciço pelo centro, com 15 mil homens sob o comando do general George Pickett. Os federais respondem, num dos maiores bombardeios da guerra civil.

Quando Pickett avança, vê que o bombardeio de Lee não debilita as linhas inimigas. É alvo de intenso bombardeio nortista. Ao mesmo tempo, a infantaria ianque ataca a retaguarda do avanço de Pickett para dividir os confederados. Poucos chegam até a linha de frente da União e logo são mortos. Mais de 7 mil confederados morrem em uma hora.

No fim da Batalha de Gettysburg, o Exército do Potomac está muito debilitado para perseguir as forças em retirada de Lee. O total de mortes é estimado entre 46 e 51 mil pessoas. 

É uma virada na guerra civil. Nunca mais o Sul tenta invadir o Norte. Em 19 de novembro de 1863, ao consagrar um cemitério no local da batalha, Lincoln faz o Discurso de Gettysburg, considerado o discurso político mais importante da História dos Estados Unidos.

MORTE DE BRIAN

    Em 1969, o guitarrista e multi-instrumentista dos Rolling Stones Brian Jones é encontrado morto na piscina aos 27 anos, na que é considerada uma morte acidental por afogamento.

John Lennon comenta em 1970: "No início, Brian Jones era o mais interessante dos Rolling Stones, mas é um daqueles caras que se desintegraram diante de nós."

Por causa do abuso de drogas, Jones falta a ensaios e gravações, e erra na hora de tocar. Os EUA lhe negam visto para uma excursão em 1969. Em 8 de junho, Mick Jagger e Keith Richards o demitem da banda. Richards já tinha tomado a namorada dele, a modelo e atriz Anita Pallenberg.

Jimi Hendrix e Janis Joplin morreriam em 1970, Jim Morrison em 1971, Kurt Cobain em 1994 e Amy Winehouse em 2011 – todos aos 27 anos, por excesso de drogas.

MORTE DE JIM MORRISON

    Em 1971, o cantor, compositor e poeta Jim Morrison, líder da banda de rock norte-americana The Doors, é encontrado morto aos 27 anos na banheira de seu apartamento em Paris.

A causa da morte é colapso cardíaco, provavelmente devido a uma dose excessiva de heroína. Não houve autópsia.

Rei Lagarto seduz uma geração com suas letras e sua presença no palco, com as ideias do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, do poeta francês Arthur Rimbaud, do poeta e pintor inglês William Blake e do escritor norte-americano Aldous Huxley. 

O abuso de drogas o transforma num gênio indomável. Quase sempre doidão, "era difícil gravar, fazer um show e até mesmo tomar um avião com ele", admitiu Ray Manzarek, o baterista da banda.

Morrison é preso e acusado de "exposição indecente" e "profanidade" por ter ameaçado mostrar seu pênis durante um show em Miami, em 1º de março de 1969. Vários concertos da banda são cancelados. 

Em 20 de setembro de 1970, Morrison é condenado e, em 30 de outubro, sentenciado a seis meses de prisão e multa de US$ 500. Fica em liberdade por pagar fiança de US$ 50 mil.

"Perdi muito tempo e energia com o julgamento em Miami, cerca de um ano e meio", reconhece Morrison depois em entrevista. "Mas acho que foi uma experiência válida porque antes do julgamento eu tinha uma visão estudantil irrealista sobre o sistema judicial norte-americano. Meus olhos se abriram um pouco. Há muitos caras, negros, que em cinco minutos pegam 20, 25 anos de cadeia. Se eu não tivesse fundos ilimitados para continuar lutando, ficaria uns três anos preso. Se você tem dinheiro, geralmente não vai preso."

O túmulo de Morrison é o mais visitado no Cemitério Père Lachaise, em Paris, onde também estão sepultados o pianista e compositor polonês Frédéric Chopin, o escritor Honoré de Balzac e o escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde. Os fãs costumam beber e se drogar em homenagem ao ídolo.

VITÓRIA EM ENTEBBE

    Em 1976, um comando de Israel lança uma operação de resgate para libertar reféns de um avião Airbus A300 da companhia aérea Air France com 248 passageiros, dos quais 77 israelenses, sequestrado e levado para Entebbe, em Uganda, no coração da África, por terroristas da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) e das Células Revolucionárias alemãs.

O voo AF139 vai de Telavive, em Israel, para Paris, a capital da França, em 27 de junho com escala em Atenas, a capital da Grécia, onde os quatro terroristas embarcam. Oito minutos depois de decolagem de Atenas, pouco depois do meio-dia, eles assumem o controle da aeronave.

Por volta das 14h, o avião pede licença para aterrisar em Bengási, na Líbia, governada pelo ditador Muamar Kadafi, para reabastecimento que permita mais quatro horas de voo. Fica seis horas e meia em Bengási, onde uma mulher é libertada, e segue viagem para Entebbe, a antiga capital de Uganda, onde fica o maior aeroporto do país governado pelo ditador Idi Amin. Chega por volta das 3h de 28 de junho. Os reféns são levados para um antigo terminal.

Em Israel, o primeiro-ministro Yitzhak Rabin reúne alguns ministros, entre eles Shimon Peres, da Defesa, para tomar providências para libertar os reféns israelenses.

Em 29 de junho, os terroristas anunciam suas exigências: a libertação até 1º de julho às 14h de 53 presos, 13 na Alemanha Ocidental, na França, na Suíça e no Quênia, e 40 em Israel. Caso contrário, ameaçam explodir o avião com os reféns a bordo. A Alemanha Ocidental e a França se recusam a soltar presos.

Oficialmente, a ditadura de Idi Amin se declara neutra, mas na realidade apoia os sequestradores. Idi Amin havia expulsado todos os israelenses de Uganda depois que Israel se negou a fornecer aviões de caça ao país.

Em 30 de junho, os terroristas libertam 47 reféns, nenhum israelense. O capitão e a tripulação decidem ficar com os passageiros. Quando os reféns libertados confirmam a suspeita de apoio da ditadura de Idi Amin aos terroristas, Israel toma a decisão de agir.

Como o aeroporto foi construído por uma empresa de Israel, as autoridades israelenses conseguem mapas detalhados para planejar a operação de resgate. O general brigadeiro Dan Shonrom, comandante de paraquedistas, é nomeado chefe da operação em Israel e Yonatan Netanyahu, irmão do atual primeiro-ministro, comandante da força-tarefa.

Israel tenta negociar, mas os terroristas exigem a libertação dos presos. Ampliam o prazo até 14h de 4 de julho. O comando é dividido em cinco grupos de assalto para assumir o controle da pista e dos dois terminais do aeroporto, impedir a intervenção das Forças Armadas de Uganda e evacuar os reféns, levando-os para avião de transporte C-130 Hercules.

Na madrugada de 3 de julho, o ministro da Defesa de Israel, Shimon Peres, recebe o aviso de que o comando está pronto para entrar em ação. Os aviões israelenses partem do Aeroporto Ben Gurion às 13h20 de 3 de julho. Eles se reabastecem em Charm al-Cheikh, no Egito, e voam para Uganda.

Quando a ação começa, os ugandenses percebem a invasão, mas são rechaçados. Os reféns estão no salão principal do terminal velho, deitados no chão. Muitos dormem. Quatro terroristas que montam guarda são mortos imediatamente.

As ordens são tratar os soldados ugandenses como inimigos armados a serem atacados se abrirem fogo e eliminar todos os terroristas. A ação no terminal antigo dura três minutos.

O segundo avião pousa sete minutos depois do primeiro, com soldados e veículos de transporte que atacam o novo terminal. A principal resistência vem da torre de controle, de onde parte uma rajada de metralhadora que mata Yoni Netanyahu.

Ao todo, sete terroristas e 45 soldados ugandenses são mortos; 102 dos 106 reféns são libertados. Do lado israelense, Netanyahu e três reféns morrem. Às 0h30 de 4 julho, uma hora e meia depois da aterrissagem do primeiro avião, o último avião israelense deixa o Aeroporto de Entebbe.

TRAGÉDIA NO GOLFO

    Em 1988, o cruzador americano Vincennes abate um avião de passageiros Airbus da Iran Air no Golfo Pérsico, matando todas as 290 pessoas a bordo.

A Guerra Irã-Iraque (1980-88) está no fim. Os EUA patrulham o golfo para evitar ataques a navios petroleiros e alegam que confundiram o avião civil com um caça-bombardeiro iraniano. O sistema de defesa Aegis, o Escudo de Zeus, que seria capaz de distinguir uma barata a quilômetros de distância, derruba o Airbus iraniano. 

O ditador do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini, aceita em 20 de julho a Resolução nº 598 do Conselho de Segurança das Nações Unidos, que propõe um cessar-fogo. A trégua entra em vigor em 20 de agosto, depois de quase oito anos de uma guerra que mata entre 500 mil e 1 milhão de muçulmanos.

GOLPE NO EGITO

     Em 2013, o comandante das Forças Armadas do Egito, general Abdel Fattah al-Sissi, lidera um golpe militar e derruba o governo da Irmandade Muçulmana e do presidente Mohamed Mursi, eleito na chamada Primavera Árabe.

Quando uma revolta popular derruba, em 11 de fevereiro de 2011, o ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há 30 anos, um mês depois da queda de Zine ben Ali na Tunísia, só há duas instituições organizadas no Egito: as Forças Armadas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para reislamizar o mundo muçulmano numa reação ao imperialismo ocidental.

Como único movimento político organizado, a Irmandade Muçulmana vence as primeiras eleições democráticas da história do país para a Assembleia Nacional e a Presidência. Em 30 de junho de 2013, primeiro aniversário da vitória de Mursi, 14 milhões de pessoas protestam nas ruas contra o autoritarismo do governo da Irmandade Muçulmana, acusada de sequestrar a revolução. Cinco manifestantes são mortos.

No dia seguinte, populares atacam e saqueiam a sede nacional da Irmandade Muçulmana no Cairo. Outras oito pessoas morrem numa manifestação diante de um quartel. Em 3 de julho, são mortos 16 partidários da Irmandade Muçulmana. À noite, o Comando Supremo das Forças Armadas divulga um comunicado anunciando o fim do governo Mursi.

A repressão violenta leva à morte de pelo menos mil pessoas, massacradas pelas forças de segurança em 14 de agosto. A Irmandade Muçulmana afirma que são 2,6 mil mortes. Mursi é preso e condenado a 20 anos de cadeia por prisões ilegais e torturas cometidas sob seu governo. 

Em 17 de junho de 2019, a televisão estatal egípcia anuncia que Mursi desmaia durante uma audiência sobre acusações de espionagem. Levado a um hospital, ele morre, supostamente de ataque cardíaco. 

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Hoje na História do Mundo: 3 de Julho

BATALHA DECISIVA

    Em 1863, com o fracasso de uma tentativa do general Robert Lee, comandante militar dos Estados Confederados da América (Sul), de quebrar as linhas de defesa da União (Norte), termina com a vitória nortista a Batalha de Gettysburg, a mais decisiva da Guerra da Secessão (1861-65), a Guerra Civil Norte-Americana.

Depois de vencer a Batalha de Chancellorsville, o general Lee lança sua segunda invasão do Norte. Leva seu exército de 75 mil soldados do Norte da Virgínia para Maryland e a Pensilvânia. O objetivo é uma grande batalha em território do Norte para quebrar a força moral das tropas da União e esperar uma intervenção da França ou do Reino Unido em seu favor.

O Exército do Potomac, com 90 mil soldados, persegue os confederados até o estado de Maryland, mas o general Joseph Hooker, derrotado em Chancellorsville, teme atacar Lee. Os confederados dividem sua forças em busca de alvos para atacar, entre eles Harriburgo, a capital da Pensilvânia.

Diante da relutância, o presidente Abraham Lincoln substitui Hooker pelo general George Meade. Lee sabe da presença do exército da União e concentra suas forças perto da cidade de Gettysburg, na Pensilvânia.

Sob o comando do general Henry Heth, uma divisão do Sul marcha sobre Gettysburg em 1º de julho na esperança de encontrar suprimentos e se defronta com três brigadas de cavalaria da União. Começa a Batalha de Gettysburg. Lee e Meade mandam seus soldados entrar na luta.

No meio da tarde, 19 mil soldados federais enfrentam 24 mil confederados. Pouco depois, quando chega ao campo de batalha, o general Lee ordena um avanço geral. As tropas da União recuam até a Colina do Cemitério, ao sul da cidade.

O resto dos soldados de Meade chega à noite. Na tarde de 2 de julho, depois de consolidar suas posições, o general sulista James Longstreet discorda do general Lee, mas ataca assim mesmo. Depois de três horas e milhares de mortes, o combate cessa.

Em 3 de julho, depois de não conseguir quebrar as linhas da União pelos flancos direito e esquerdo, Lee faz um ataque frontal, com um bombardeio maciço pelo centro, com 15 mil homens sob o comando do general George Pickett. Os federais respondem, num dos maiores bombardeios da guerra civil.

Quando Pickett avança, vê que o bombardeio de Lee não debilita as linhas inimigas. É alvo de intenso bombardeio nortista. Ao mesmo tempo, a infantaria ianque ataca a retaguarda do avanço de Pickett para dividir os confederados. Poucos chegam até a linha de frente da União e logo são mortos. Mais de 7 mil confederados morrem em uma hora.

No fim da Batalha de Gettysburg, o Exército do Potomac está muito debilitado para perseguir as forças em retirada de Lee. O total de mortes é estimado entre 46 e 51 mil pessoas soldados. 

É um virada na guerra civil. Nunca mais o Sul tenta invadir o Norte. Em 19 de novembro de 1963, ao inaugurar um cemitério no local da batalha, Lincoln faz o Discurso de Gettysburg, considerado o discurso político mais importante da História dos Estados Unidos.

MORTE DE BRIAN

    Em 1969, o guitarrista e multi-instrumentista dos Rolling Stones Brian Jones é encontrado morto na piscina aos 27 anos, na que é considerada uma morte acidental por afogamento.

John Lennon comenta em 1970: "No início, Brian Jones era o mais interessante dos Rolling Stones, mas é um daqueles caras que se desintegraram diante de nós."

Por causa do abuso de drogas, Jones falta a ensaios e gravações, e erra na hora de tocar. Os EUA lhe negam visto para uma excursão em 1969. Em 8 de junho, Mick Jagger e Keith Richards o demitem da banda. Richards já tinha tomado a namorada dele, a modelo e atriz Anita Pallenberg.

Jimi Hendrix e Janis Joplin morreriam em 1970, Jim Morrison em 1971, Kurt Cobain em 1994 e Amy Winehouse em 2011 – todos aos 27 anos, por excesso de drogas.

MORTE DE JIM MORRISON

    Em 1971, o cantor, compositor e poeta Jim Morrison, líder da banda de rock norte-americana The Doors, é encontrado morto aos 27 anos na banheira de seu apartamento em Paris.

A causa da morte é colapso cardíaco, provavelmente devido a uma dose excessiva de heroína. Não houve autópsia.

Rei Lagarto seduz uma geração com suas letras e sua presença no palco, com as ideias do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, do poeta francês Arthur Rimbaud, do poeta e pintor inglês William Blake e o escritor norte-americano Aldous Huxley. 

O abuso de drogas o transforma num gênio indomável. Quase sempre doidão, "era difícil gravar, fazer um show e até mesmo tomar um avião", admitiu Ray Manzarek, o baterista da banda.

Morrison é preso e acusado de "exposição indecente" e "profanidade" por ter ameaçado mostrar seu órgão genital durante um show em Miami, em 1º de março de 1969. Vários concertos da banda são cancelados. 

Em 20 de setembro de 1970, Morrison é condenado e, em 30 de outubro, sentenciado a seis meses de prisão e multa de US$ 500. Fica em liberdade por pagar fiança de US$ 50 mil.

"Perdi muito tempo e energia com o julgamento em Miami, cerca de um ano e meio", reconhece Morrison depois em entrevista. "Mas acho que foi uma experiência válida porque antes do julgamento eu tinha uma visão estudantil irrealista sobre o sistema judicial norte-americano. Meus olhos se abriram um pouco. Há muitos caras, negros, que em cinco minutos pegam 20, 25 anos de cadeia. Se eu não tivesse fundos ilimitados para continuar lutando, ficaria uns três anos preso. Se você tem dinheiro, geralmente não vai preso."

O túmulo de Morrison é o mais visitado no Cemitério Père Lachaise, em Paris, onde também estão sepultados o pianista e compositor polonês Frédéric Chopin, o escritor Honoré de Balzac e o escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde. Os fãs costumam beber e se drogar em homenagem ao ídolo.

TRAGÉDIA NO GOLFO

    Em 1988, o cruzador americano Vincennes abate um avião de passageiros Airbus da Iran Air no Golfo Pérsico, matando todas as 290 pessoas a bordo.

A Guerra Irã-Iraque (1980-88) está no fim. Os EUA patrulham o golfo para evitar ataques a navios petroleiros e alegam que confundiram o avião civil com um caça-bombardeiro iraniano. O sistema de defesa Aegis, o Escudo de Zeus, que seria capaz de distinguir uma barata a quilômetros de distância, derruba o Airbus iraniano. 

O ditador do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini, aceita em 20 de julho a Resolução nº 598 do Conselho de Segurança das Nações Unidos, que propõe um cessar-fogo. A trégua entra em vigor em 20 de agosto, depois de quase oito anos de uma guerra que matou entre 500 mil e 1 milhão de muçulmanos.

GOLPE NO EGITO

     Em 2013, o comandante das Forças Armadas do Egito, general Abdel Fattah al-Sissi, lidera um golpe militar e derruba o governo da Irmandade Muçulmana e do presidente Mohamed Mursi, eleito na chamada Primavera Árabe.

Quando uma revolta popular derruba, em 11 de fevereiro de 2011, o ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há 30 anos, um mês depois da queda de Zine ben Ali na Tunísia, só há duas instituições organizadas no Egito: as Forças Armadas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para reislamizar o mundo muçulmano numa reação ao imperialismo ocidental.

Como único movimento político organizado, a Irmandade Muçulmana vence as primeiras eleições democráticas da história do país para a Assembleia Nacional e a Presidência. Em 30 de junho de 2013, primeiro aniversário da vitória de Mursi, 14 milhões de pessoas protestam nas ruas contra o autoritarismo do governo da Irmandade Muçulmana, acusada de sequestrar a revolução. Cinco manifestantes são mortos.

No dia seguinte, populares atacam e saqueiam a sede nacional da Irmandade Muçulmana no Cairo. Outras oito pessoas morrem numa manifestação diante de um quartel. Em 3 de julho, são mortos 16 partidários da Irmandade Muçulmana. À noite, o Comando Supremo das Forças Armadas divulga um comunicado anunciando o fim do governo Mursi.

A repressão violenta leva à morte de pelo menos mil pessoas, massacradas pelas forças de segurança em 14 de agosto. A Irmandade Muçulmana afirma que são 2,6 mil mortes. Mursi é preso e condenado a 20 anos de cadeia por prisões ilegais e torturas cometidas sob seu governo. 

Em 17 de junho de 2019, a televisão estatal egípcia anuncia que Mursi desmaia durante uma audiência sobre acusações de espionagem. Levado a um hospital, ele morre, supostamente de ataque cardíaco. 

sábado, 3 de julho de 2021

Hoje na História do Mundo: 3 de Julho

    Em 1863, com o fracasso de uma tentativa do general Robert Lee, comandante militar dos Estados Confederados da América (Sul), de quebrar as linhas de defesa da União (Norte), termina com a vitória do Norte a Batalha de Gettysburg, a mais decisiva da Guerra da Secessão (1861-65), a Guerra Civil Americana.

Depois de vencer a Batalha de Chancellorsville, o general Lee lançou sua segunda invasão do Norte. Levou seu exército de 75 mil soldados do Norte da Virgínia para Maryland e a Pensilvânia. O objetivo era grande uma grande batalha em território do Norte para quebrar a força moral das tropas da União e esperar uma intervenção da França ou do Reino Unido em seu favor.

O Exército do Potomac, com 90 mil soldados, perseguiu os confederados até o estado de Maryland, mas o general Joseph Hooker, derrotado em Chancellorsville, tinha medo de atacar Lee. Os confederados dividiram sua forças em busca de alvos para atacar, entre eles Harriburg, a capital da Pensilvânia.

Diante da relutância, o presidente Abraham Lincoln substituiu Hooker pelo general George Meade. Lee soube da presença do exército da União e concentrou suas forças perto da cidade de Gettysburg, na Pensilvânia.

Sob o comando do general Henry Heth, uma divisão do Sul marcha sobre Gettysburg em 1º de julho na esperança de encontrar suprimentos e se defronta com três brigadas da cavalaria da União. Começa a Batalha de Gettysburg. Lee e Meade mandam seus soldados entrar na luta.

No meio da tarde, 19 mil soldados federais enfrentavam 24 mil confederados. Pouco depois, quando chegou ao campo de batalha, o general Lee ordenou um avanço geral. As tropas da União recuaram até a Colina do Cemitério, ao sul da cidade.

O resto dos soldados de Meade chegou à noite. Na tarde de 2 de julho, depois de consolidar suas posições, o general nortista James Longstreet lançou a principal ofensiva do Norte. Depois de três horas e milhares de mortes, o combate cessou.

Em 3 de julho, depois de não conseguir quebrar as linhas da União pelos flancos direito e esquerdo, Lee lançou um ataque frontal, com um bombardeio maciço pelo centro, com 15 mil homens sob o comando do general George Pickett. Os federais responderam, naquele que foi um dos maiores bombardeios da guerra civil.

Quando Pickett avançou, viu que o bombardeio de Lee não debilitara as linhas inimigas. Foi alvo de intenso bombardeio nortista. Ao mesmo tempo, a infantaria ianque atacou a retaguarda do avanço de Pickett para dividir os confederados. Poucos chegaram até a linha de frente da União e logo foram mortes. Mais de 7 mil confederados morreram em uma hora.

No fim da Batalha de Gettysburg, o Exército do Potomac estava muito debilitado para perseguir as forças em retirada de Lee. Mais de 23 mil pessoas morreram. Foi um virada na guerra civil. Nunca mais o Sul tentou invadir o Norte. Em 19 de novembro de 1963, ao inaugurar um cemitério no local da batalha, Lincoln fez o Discurso de Gettysburg, considerado o discurso político mais importante da História dos Estados Unidos.

    Em 1969, o guitarrista e multi-instrumentista dos Rolling Stones Brian Jones é encontrado morto na piscina aos 27, no que foi considerada uma morte acidental por afogamento.

John Lennon comentou em 1970: "No início, Brian Jones era o mais interessante dos Rolling Stones, mas é um daqueles caras que de desintegraram diante de nós."

Por causa do abuso de drogas, Jones faltava a ensaios e gravações, e errava na hora de tocar. Os EUA lhe negaram visto para uma excurso em 1969. Em 8 de junho, Mick Jagger e Keith Richards o demitiram da banda. Richards já tinha tomado a namorada dele, a modelo e atriz Anita Pallenberg.

Jimi Hendrix e Janis Joplin morreriam em 1970, Jim Morrison em 1971, Kurt Cobain em 1994 e Amy Winehouse em 2011 - todos aos 27 anos, por excesso de drogas.

    Em 1971, o cantor, compositor e poeta Jim Morrison, líder da banda americana The Doors, foi encontrado morto aos 27 anos na banheira de seu apartamento em Paris. A causa da morte foi colapso cardíaco, provavelmente devida a uma dose excessiva de heroína. Não houve autópsia

O Rei Lagarto seduziu uma geração com suas letras e sua presença no palco, com as ideias do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, do poeta francês Arthur Rimbaud, do poeta e pintor inglês William Blake e o escritor americano Aldous Huxley. O abuso de drogas o transformou num gênio indomável. Como sempre doidão, "era difícil gravar, fazer um show e até mesmo tomar um avião", confessou Ray Manzarek, o baterista da banda.

Morrison foi preso e acusado de "exposição indecente" e "profanidade" por ter ameaçado mostrar seu órgão genital durante um show em Miami, em 1º de março de 1969. Vários concertos da banda foram cancelados. Em 20 de setembro de 1970, foi condenado e, em 30 de outubro, sentenciado a seis meses de prisão e multa de US$ 500. Ficou em liberdade por pagar fiança de US$ 50 mil.

"Perdi muito tempo e energia com o julgamento em Miami, cerca de um ano e meio", reconheceu Morrison depois em entrevista. "Mas acho que foi uma experiência válida porque antes do julgamento eu tinha uma visão estudantil irrealista sobre o sistema judicial americano. Meus olhos se abriram um pouco. Há muitos caras, negros, que em cinco minutos pegam 20, 25 anos de cadeia. Se eu não tivesse fundos ilimitados para continuar lutando, ficaria uns três anos preso. Se você tem dinheiro, geralmente não vai preso."

O túmulo de Morrison é o mais visitado no Cemitério Père Lachaise, em Paris, onde também estão sepultados o pianista e compositor polonês Frédéric Chopin, o escritor Honoré de Balzac e o escritor e dramaturgo irlandês Oscar Wilde. Os fãs costumavam beber e se drogar em homenagem ao ídolo.

    Em 1988, o cruzador americano Vincennes abate um avião de passageiros Airbus da Iran Air no Golfo Pérsico, matando todas as 290 pessoas a bordo

A Guerra Irã-Iraque (1980-88) estava no fim. Os EUA patrulhavam o golfe para evitar ataques a navios petroleiros e alegaram que o confundiram o avião civil com um caça-bombardeiro iraniano. O sistema de defesa Aegis, o Escudo de Zeus, que seria capaz de distinguir uma barata a quilômetros de distância derrubou o Airbus iraniano. 

O ditador do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini, aceitou em 20 de julho a Resolução nº 598 do Conselho de Segurança das Nações Unidos, que propunha um cessar-fogo. A trégua entrou em vigor em 20 de agosto, depois de quase oito anos de uma guerra que matou entre 500 mil e 1 milhão de pessoas.

     Em 2013, o comandante das Forças Armadas do Egito, general Abdel Fattah al-Sissi, lidera um golpe militar e derruba o governo da Irmandade Muçulmana e do presidente Mohamed Mursi, eleito na chamada Primavera Árabe.

Quando uma revolta popular derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, que estava no poder há 30 anos, um mês depois da queda de Zine ben Ali na Tunísia, só havia duas instituições organizadas no Egito: as Forças Armadas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para reislamizar o mundo muçulmano numa reação ao imperialismo ocidental.

Como único movimento político organizado, a Irmandade Muçulmana venceu as primeiras eleições democráticas da história do país para a Assembleia Nacional e a Presidência. Em 30 de junho de 2013, primeiro aniversário da vitória de Mursi, 14 milhões de pessoas protestaram nas ruas contra o autoritarismo do governo da Irmandade Muçulmana, acusada de sequestrar a revolução. Cinco manifestantes foram mortos.

No dia seguinte, populares atacaram e saquearam a sede nacional da Irmandade Muçulmana no Cairo. Outras oito pessoas morreram numa manifestação diante de um quartel. Em 3 de junho, foram mortos16 partidários da Irmandade Muçulmana. À noite, o Comando Supremo das Forças Armadas divulgou comunidade anunciando o fim do governo Mursi.

A repressão violenta levou à morte de pelo menos mil pessoas, massacradas pelas forças de segurança em 14 de agosto. A Irmandade Muçulmana afirma que houve 2,6 mil mortes. Mursi foi preso e condenado a 20 anos de cadeia por prisões ilegais e torturas cometidas sob seu governo. 

Em 17 de junho de 2019, a televisão estatal egípcia anunciou que Mursi havia desmaiado durante uma audiência sobre acusações de espionagem. Levado a um hospital, ele morreu, supostamente de ataque cardíaco.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Egito prende 2 mil pessoas para conter protestos contra o ditador

Mais de 2 mil pessoas foram presas nos últimos dias no Egito. É uma tentativa do governo de acabar com as manifestações contra o ditador do país, marechal Abdel Fattah al-Sissi, que chegou ao poder num golpe de Estado em 2013 e prorrogou seu mandato até 2030.

Uma onda de manifestações da chamada Primavera Árabe provocou a queda do ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011. Durante uma breve experiência democrática, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico do mundo, foi o primeiro e único líder do Egito eleito democraticamente. 

O autoritarismo e a intolerância da Irmandade Muçulmana deflagaram nova onda de protestos. A multidão voltou a tomar a Praça da Libertação, no centro do Cairo. Na prática, pediu uma intervenção militar.

Em 3 de julho de 2013, o comandante das Forças Armadas, marechal Al-Sissi, deu um golpe, acabou com a democracia e reimpôs o controle absoluto do chamado Estado profundo, formado pelas Forças Armadas, a polícia, os serviços secretos e empresários ligados ao regime. 

Mais de mil pessoas foram mortas logo depois do golpe. Os principais líderes da Irmandade Muçulmana foram presos e processados, inclusive Mursi, que morreu na prisão em 17 de junho deste ano.

Oito anos depois da Primavera Árabe, só a Tunísia, onde os protestos começaram, se tornou uma democracia. A Líbia, a Síria e o Iêmen estão até hoje em guerra civil. E o Egito voltou a ser uma ditadura ainda mais repressiva do que sob Mubarak. Mas o espírito da democracia sobrevive. Meu comentário:

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Morte na prisão de presidente eleito do Egito é sinal do fracasso da Primavera Árabe

O ex-presidente Mohamed Mursi, o único eleito democraticamente na história do Egito morreu hoje num tribunal onde era processado por espionagem. Ele foi eleito em 2012 e deposto em 3 de junho de 2013, depois de pouco mais de um ano no cargo.

A Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, ao qual Mursi pertencia, acusou a ditadura do marechal Abdel Fattah al-Sissi pela morte.

Sua morte é um bom momento para fazer um balanço da Primavera Árabe, uma tentativa frustrada de democratizar os países árabes que enfrentou forte resistência das monarquias absolutistas como a Arábia Saudita. Meu comentário: