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sábado, 3 de janeiro de 2026

Trump captura Maduro e ameaça controlar a Venezuela

Depois de poucas semanas de cerco, forças de operações especiais do Exército dos Estados Unidos capturaram na madrugada de hoje em Caracas o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores. Os dois já estão em Nova York, onde serão processados por terrorismo e tráfico de drogas. 

A ação é ilegal à luz do direito internacional. Trump declarou que vai governar a Venezuela e controlar as reservas de petróleo do país, as maiores do mundo, até "uma transição segura, apropriada e judiciosa."

Desde agosto, os EUA enviaram forças militares para o Mar do Caribe perto da costa da Venezuela. Depois de atacar pequenos barcos que acusou de tráfico de drogas, Trump ordenou um bloqueio a navios petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela.O petróleo é fundamental para a economia venezuelana, que tem as maiores reservas mundiais, 303 bilhões de barris.

Na madrugada hoje, 150 aviões de guerra participaram da operação, que começou com bombardeio de sistemas de defesa antiaérea e arsenais das Forças Armadas da Venezuela. Uma grande explosão atingiu o Forte Tiúna, em Caracas, onde estava o ditador venezuelano. Trump disse que a captura de Maduro em si durou apenas 47 segundos.

Vários países, inclusive o Brasil, o México e a Colômbia, condenaram o ataque. A China alertou para o risco de desestabilização da América Latina. A União Europeia pediu uma transição pacífica e democrática.

Trump conquistou uma vitória tática importante que não garante o sucesso de sua estratégia para a América Latina. O grande problema das intervenções militares é o dia seguinte. O recado é que os EUA pretendem usar a força onde e quando quiserem.
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terça-feira, 11 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Novembro

FIM DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

    Em 1918, um armistício assinado pela Alemanha e os aliados às 5h entra em vigor às 11h e marca o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Os canhões silenciam na undécima hora do undécimo dia do undécimo mês do ano. A guerra, que no início todos acreditam que seja breve, dura quatro anos e acaba com a Era dos Impérios. Saem de cena os impérios alemão, austro-húngaro, otomano e russo.

Cerca de 20 milhões morrem na guerra e 50 milhões na pandemia da Gripe Espanhola, disseminada pela movimentação dos soldados.

A Primeira Guerra Mundial é o conflito que forja o século 20. Em 1917, com a Revolução Russa e a entrada dos Estados Unidos no conflito, entram em cena as duas superpotências que dominariam o mundo na segunda metade do século. 

O Nazismo e o Fascismo são reações à ascensão do comunismo e à humilhação sofrida pela Alemanha na Conferência de Paz de Versalhes.

"A guerra para acabar com todas as guerras", argumento do presidente Woodrow Wilson para convencer os norte-americanos a entrar na guerra na Europa, leva à paz para acabar com todas as pazes na Conferência de Versalhes, que impõe grandes perdas à Alemanha e alimenta o revanchismo nazista.

Quando a França se rende em junho de 1940, o ditador Adolf Hitler faz questão de que a rendição seja assinada no mesmo vagão em que a Alemanha se rende em 1918 para deixar claro que a Segunda Guerra Mundial é uma continuação da Primeira Guerra Mundial.

EUA REDUZEM IDADE PARA SERVIR NAS FORÇAS ARMADAS

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Congresso dos Estados Unidos aprova a redução para 18 anos da idade mínima para servir as Forças Armadas e limita a idade máxima a 37 anos.

O Congresso aprova o serviço militar obrigatório em tempo de paz em setembro de 1940, mais de um ano antes dos EUA entrarem na guerra.

A convocação dos homens de 21 a 36 anos começa um mês depois. São 20 milhões nos EUA. A metade é rejeitada no primeiro ano por problemas de saúde e 20% dos convocados por serem analfabetos.

Com o país em guerra, a idade mínima de convocação diminui. Os negros são discriminados por racismo. São considerados menos capazes e há dúvidas sobre a eficiência de um exército misto racialmente.

Isto muda em 1943, quando é estabelecida uma cota de 10,6% para negros, o percentual de sua participação na sociedade norte-americana. De início, eles ficam nas "unidades de trabalho". Mais tarde, entram em combate.

Quando a guerra termina, em 1945, o total de alistados é de 34 milhões; 10 milhões servem nas Forças Armadas dos EUA. Cerca de 416,8 mil soldados norte-americanos morrem na guerra.

URSS SE NEGA A JOGAR NO CHILE

    Em 1973, a União Soviética anuncia que não vai disputar uma partida contra o Chile pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1974 marcada para 21 de novembro no Estado Nacional de Santiago.

Depois do golpe militar do general Augusto Pinochet, que derruba o presidente socialista Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, o Estádio Nacional é usado como centro de concentração, tortura e execução dos aliados do governo deposto. Victor Jara, o músico popular mais famoso do Chile, é morto lá. 

INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA

    Em 1975, com a retirada dos portugueses depois da Revolução dos Cravos, em 1974, a República de Angola declara a independência. O Brasil é o primeiro país a reconhecê-la.

Os portugueses estão presentes no território do que hoje é Angola desde o século 15, quando exploram a costa da África em busca de um caminho marítimo para as Índias. O primeiro europeu a chegar lá é o navegador português Diogo Cão, que cai em desgraça por anunciar que havia descoberto o extremo sul da África, o que não se confirma.

Portugal mantém entrepostos comerciais em portos africanos, inclusive para o tráfico de escravos. A ocupação efetiva do território, ordenada para Conferência de Berlim (1884-85), que faz a Partilha da África entre as potências europeias, só começa nos anos 1920.

Com a descolonização da África depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), Portugal é a potência colonial que mais resiste. A queda da ditadura salazarista na Revolução dos Cravos abre caminho para a independência das colônias portuguesas.

A independência de Angola é proclamada pelo Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), um movimento guerrilheiro de esquerda apoiado pela União Soviética que se converte no partido que domina a política do país até hoje. De 1975 a 2002, o país enfrenta uma guerra civil travada principalmente entre o MPLA e a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA), que têm o apoio da África do Sul e dos Estados Unidos dentro da Guerra Fria.

MORTE DE YASSER ARAFAT

    Em 2004, morre em Paris Yassar Arafat, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) de 1994 a 2004 e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) de 1969 a 2004 e líder da Fatah (Luta), sua principal facção.

Filho de um casal palestino, Arafat nasce no Cairo, a capital do Egito, em 24 de agosto de 1929. Ele estuda engenharia na Universidade Rei Fuad I, onde abraça o nacionalismo árabe e o antissionismo.

Quando o Estado de Israel é fundado, em 1948, Arafat luta ao lado da Irmandade Muçulmana na Guerra da Independência de Israel (1948-49), que os árabes perdem. Em 1959, ele funda a Fatah, mas é o ditador do Egito Gamal Abdel Nasser que funda a OLP em 1964. Só depois da derrota árabe na Guerra dos Seis Dias (1967), a Terceira Guerra Árabe-Israelense, Arafat assume o controle da OLP, em 1969, e passa a liderar a luta guerrilheira contra Israel.

A tentativa de golpe contra o rei Hussein, da Jordânia, causa o massacre de palestinos conhecido como Setembro Negro (1970). A OLP foge para o Líbano. Isto desequilibra a relação entre cristãos e muçulmanos no país e ajuda a provocar a Guerra Civil Libanesa. A OKP faz incursões através da fronteira com Israel, especialmente a partir de 1978, e. Isso provoca a invasão de Israel ao Líbano, em 1982, para expulsar a OLP, que foge para a Tunísia.

Em 15 de novembro de 1988, Arafat anuncia o reconhecimento do direito de existência de Israel para participar de negociações de paz promovidas pelos Estados Unidos. Durante a Guerra do Golfo (1991) para expulsar os iraquianos do Kuwait, ele apoia o Iraque de Saddam Hussein, que propõe sair do Kuwait em troca da retirada de Israel dos territórios árabes ocupados na Guerra dos Seis Dias sem a menor chance de que isso tenha a menor chance de acontecer.

Por isso, a OLP é marginalizada das negociações sobre a paz no Oriente Médio iniciadas na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991. Como os negociadores palestinos não fazem nada sem consultar a OLP, ela participa das negociações secretas na Noruega que levam aos Acordos de Oslo (1994).

Em 13 de setembro de 1993, Arafat aperta a mão do primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, no jardim da Casa Branca, diante do presidente Bill Clinton, quando é anunciada uma declaração de princípios.

Os Acordos de Oslo criam a ANP, com jurisdição inicial sobre a Faixa de Gaza e Jericó e Arafat como presidente interino, e a promessa de criação de uma pátria para o povo palestino dentro de 10 anos. Arafat divide o Prêmio Nobel da Paz de 1994 com Rabin e o ministro do Exterior de Israel, Shimon Peres. Em 1996, ele é eleito presidente.

No fim do governo Bill Clinton (1993-2001), o presidente dos EUA tenta negociar um acordo de paz definitivo entre israelenses e palestinos, mas as negociações entre Arafat e o então primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, fracassam. Arafat faz a aposta errada. Imagina que será possível negociar um acordo melhor no governo de George W. Bush (2001-9) porque tradicionalmente o Partido Democrata é mais a favor de Israel.

Com as ações terroristas do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que defende a destruição de Israel, e a volta da direita ao poder em Israel, o processo de paz não avança. A guerra em Gaza, por pior que seja, cria uma oportunidade. Arafat morre em 2004. Sua mulher, Suha Arafat, acusa Israel de envenená-lo com polônio radioativo, mas investigadores franceses e russos não veem indícios de crime. 

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segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 11 de Novembro

FIM DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

    Em 1918, um armistício assinado pela Alemanha e os aliados às 5h entra em vigor às 11h e marca o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Os canhões silenciam na undécima hora do undécimo dia do undécimo mês do ano. A guerra, que no início todos acreditavam que seria breve, dura quatro anos e acaba com a Era dos Impérios. Saem de cena os impérios alemão, austro-húngaro, otomano e russo.

Cerca de 20 milhões morrem na guerra e 50 milhões na pandemia da Gripe Espanhola, disseminada pela movimentação dos soldados.

A Primeira Guerra Mundial é o conflito que forja o século 20. Em 1917, com a Revolução Russa e a entrada dos Estados Unidos no conflito, entram em cena as duas superpotências que dominariam o mundo na segunda metade do século. 

O Nazismo e o Fascismo são reações à ascensão do comunismo e à humilhação sofrida pela Alemanha na Conferência de Paz de Versalhes.

"A guerra para acabar com todas as guerras", argumento do presidente Woodrow Wilson para convencer os norte-americanos a entrar na guerra na Europa, leva à paz para acabar com todas as pazes na Conferência de Versalhes, que impõe grandes perdas à Alemanha e alimenta o revanchismo nazista.

EUA REDUZEM IDADE PARA SERVIR NAS FORÇAS ARMADAS

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o Congresso dos Estados Unidos aprova a redução para 18 anos da idade mínima para servir as Forças Armadas e limita a idade máxima a 37 anos.

O Congresso aprova o serviço militar obrigatório em tempo de paz em setembro de 1940, mais de um ano antes dos EUA entrarem na guerra.

A convocação dos homens de 21 a 36 anos começa um mês depois. São 20 milhões nos EUA. A metade é rejeitada no primeiro ano por problemas de saúde e 20% dos convocados por serem analfabetos.

Com o país em guerra, a idade mínima de convocação diminui. Os negros são discriminados por racismo. São considerados menos capazes e há dúvidas sobre a eficiência de um exército misto racialmente.

Isto muda em 1943, quando é estabelecida uma cota de 10,6% para negros, o percentual de sua participação na sociedade norte-americana. De início, eles ficam nas "unidades de trabalho". Mais tarde, entram em combate.

Quando a guerra termina, em 1945, o total de alistados é de 34 milhões; 10 milhões servem nas Forças Armadas dos EUA. Cerca de 416,8 mil soldados norte-americanos morrem na guerra.

URSS SE NEGA A JOGAR NO CHILE

    Em 1973, a União Soviética anuncia que não vai disputar uma partida contra o Chile pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1974 marcada para 21 de novembro no Estado Nacional de Santiago.

Depois do golpe militar do general Augusto Pinochet, que derruba o presidente socialista Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, o Estádio Nacional é usado como centro de concentração, tortura e execução dos aliados do governo deposto. Victor Jara, o músico popular mais famoso do Chile, é morto lá. 

INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA

    Em 1975, com a retirada dos portugueses depois da Revolução dos Cravos, em 1974, a República de Angola declara a independência. O Brasil é o primeiro país a reconhecê-la.

Os portugueses estão presentes no território do que hoje é Angola desde o século 15, quando exploram a costa da África em busca de um caminho marítimo para as Índias. O primeiro europeu a chegar lá é o navegador português Diogo Cão, que cai em desgraça por anunciar que havia descoberto o extremo sul da África, o que não se confirma.

Portugal mantém entrepostos comerciais em portos africanos, inclusive para o tráfico de escravos. A ocupação efetiva do território, ordenada para Conferência de Berlim (1884-85), que faz a Partilha da África entre as potências europeias, só começa nos anos 1920.

Com a descolonização da África depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), Portugal é a potência colonial que mais resiste. A queda da ditadura salazarista na Revolução dos Cravos abre caminho para a independência das colônias portuguesas.

A independência de Angola é proclamada pelo Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), um movimento guerrilheiro de esquerda apoiado pela União Soviética que se converte no partido que domina a política do país até hoje. De 1975 a 2002, o país enfrentou uma guerra civil travada principalmente entre o MPLA e a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA), que têm o apoio da África do Sul e dos Estados Unidos dentro da Guerra Fria.

MORTE DE YASSER ARAFAT

    Em 2004, morre em Paris Yassar Arafat, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) de 1994 a 2004 e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) de 1969 a 2004 e líder da Fatah (Luta), sua principal facção.

Filho de um casal palestino, Arafat nasce no Cairo, a capital do Egito, em 24 de agosto de 1929. Ele estuda engenharia na Universidade Rei Fuad I, onde abraça o nacionalismo árabe e o antissionismo.

Quando o Estado de Israel é fundado, em 1948, Arafat luta ao lado da Irmandade Muçulmana na Guerra da Independência de Israel (1948-49), que os árabes perdem. Em 1959, ele funda a Fatah, mas é o ditador do Egito, Gamal Abdel Nasser, que funda a OLP em 1964. Só depois da derrota árabe na Guerra dos Seis Dias (1967), a Terceira Guerra Árabe-Israelense, assume o controle da OLP, em 1969, e passa a liderar a luta guerrilheira contra Israel.

A tentativa de golpe contra o rei Hussein, da Jordânia, causa o massacre de palestinos conhecido como Setembro Negro (1970). A OLP foge para o Líbano, de onde faz incursões através da fronteira com Israel, especialmente a partir de 1978. Isso provoca a invasão de Israel ao Líbano, em 1982, para expulsar a OLP, que foge para a Tunísia.

Em 15 de novembro de 1988, Arafat anunciou o reconhecimento do direito de existência de Israel para participar de negociações de paz promovidas pelos Estados Unidos. Durante a Guerra do Golfo (1991) para expulsar os iraquianos do Kuwait, ele apoia o Iraque de Saddam Hussein, que propõe sair do Kuwait em troca da retirada de Israel dos territórios árabes ocupados na Guerra dos Seis Dias.

Por isso, a OLP é marginalizada das negociações sobre a paz no Oriente Médio iniciadas na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991. Como os negociadores palestinos não fazem nada sem consultar a OLP, ela participa das negociações secretas na Noruega que levam aos Acordos de Oslo (1994).

Em 13 de setembro de 1993, Arafat aperta a mão do primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, no jardim da Casa Branca, quando é anunciada uma declaração de princípios.

Os Acordos de Oslo criam a ANP, com jurisdição inicial sobre a Faixa de Gaza e Jericó e Arafat como presidente interino, e a promessa de criação de uma pátria para o povo palestino dentro de 10 anos. Arafat divide o Prêmio Nobel da Paz de 1994 com Rabin e o ministro do Exterior de Israel, Shimon Peres. Em 1996, ele é eleito presidente.

No fim do governo Bill Clinton (1993-2001), o presidente dos EUA tenta negociar um acordo de paz definitivo entre israelenses e palestinos, mas as negociações entre Arafat e o então primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak, fracassam. Arafat faz a aposta errada. Imagina que será possível negociar um acordo melhor no governo de George W. Bush (2001-9) porque tradicionalmente o Partido Democrata é mais a favor de Israel.

Com as ações terroristas do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que até defende a destruição de Israel, e a volta da direita ao poder em Israel, o processo de paz não avança. Arafat morre em 2004. Sua mulher, Suha Arafat, acusa Israel de envenená-lo com polônio radioativo, mas investigadores franceses e russos não veem indícios de crime.

sábado, 11 de novembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 11 de Novembro

 FIM DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

    Em 1918, um armistício assinado pela Alemanha e os aliados marca o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Os canhões silenciam na undécima hora do undécimo dia do undécimo mês do ano. A guerra, que no início todos acreditavam que seria breve, dura quatro anos e acaba com a Era dos Impérios. Saem de cena os impérios alemão, austro-húngaro, otomano e russo.

Cerca de 20 milhões morrem na guerra e 50 milhões na pandemia da Gripe Espanhola, disseminada pela movimentação dos soldados.

A Primeira Guerra Mundial é o conflito que forja o século 20. Em 1917, com a Revolução Russa e a entrada dos Estados Unidos no conflito, entram em cena as duas superpotências que dominariam o mundo na segunda metade do século. 

O Nazismo e o Fascismo são reações à ascensão do comunismo e à humilhação sofrida pela Alemanha na Conferência de Paz de Versalhes.

"A guerra para acabar com todas as guerras", argumento do presidente Woodrow Wilson para convencer os norte-americanos a entrar na guerra na Europa, leva à paz para acabar com todas as pazes na Conferência de Versalhes.

EUA REDUZEM IDADE PARA SERVIR NAS FORÇAS ARMADAS

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o Congresso dos Estados Unidos aprova a redução para 18 anos da idade mínima para servir as Forças Armadas e limita a idade máxima a 37 anos.

O Congresso aprova o serviço militar obrigatório em tempo de paz em setembro de 1940, mais de um ano antes dos EUA entrarem na guerra.

A convocação dos homens de 21 a 36 anos começa um mês depois. São 20 milhões nos EUA. A metade é rejeitada no primeiro ano por problemas de saúde e 20% dos convocados por serem analfabetos.

Com o país em guerra, a idade mínima de convocação diminui. Os negros são discriminados por racismo. São considerados menos capazes e há dúvidas sobre a eficiência de um exército misto racialmente.

Isto muda em 1943, quando é estabelecida uma cota de 10,6% para negros, o percentual de sua participação na sociedade norte-americana. De início, eles ficam nas "unidades de trabalho". Mais tarde, entram em combate.

Quando a guerra termina, em 1945, o total de alistados é de 34 milhões; 10 milhões servem nas Forças Armadas dos EUA.

URSS SE NEGA A JOGAR NO CHILE

    Em 1973, a União Soviética anuncia que não vai disputar uma partida contra o Chile pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 1974 marcada para 21 de novembro no Estado Nacional de Santiago.

Depois do golpe militar do general Augusto Pinochet, que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, o Estádio Nacional é usado como centro de concentração, tortura e execução dos aliados do governo deposto. Victor Jara, o músico popular mais famoso do Chile, foi morto lá.

domingo, 18 de dezembro de 2022

França participou de momentos decisivos da história da Argentina

A Argentina venceu a França nos pênaltis numa das finais mais emocionantes da história das Copas. Os dois países tiveram vários encontros ao longo da história.

A França foi o primeiro país a ocupar uma das Ilhas Malvinas. As guerras napoleônicas deflagraram a independência dos países da América Latina. A França interveio em guerras contra o caudilho Juan Manuel de Rosas. Levou a indústria do frio, que transformou a Argentina num dos países mais ricos do mundo no início do século 20. Durante a guerra suja da última ditadura militar contra a esquerda, o capitão Alfredo Astiz, o Anjo Louro da Morte, assassinou duas freiras francesas. Meu comentário:

domingo, 20 de novembro de 2022

Morre Hebe de Bonafini, líder histórica das Mães da Praça de Maio

 A presidente histórica da Associação das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, morreu hoje aos 93 anos no Hospital Italiano de La Plata, onde estava internada desde o dia 12, informou a família. 

Defensora radical dos direitos humanos, lutou até o fim da vida para esclarecer os desaparecimentos durante a última ditadura cívico-militar da Argentina (1976-83). Duríssima em suas críticas, inclusive de aliados, nunca se calou, nem na ditadura nem na democracia.

Ela será cremada. As cinzas serão jogadas num espaço verde diante da Casa Rosada, onde estão as de Azucena Villaflor, fundadora e presidente das Mães da Praça de Maio sequestrada pela ditadura em 10 de dezembro de 1977, Dia Internacional dos Direitos Humanos. Nesta data, em 1948, as Nações Unidas aprovaram sua Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Em 30 de novembro de 1976, oito meses depois do golpe militar de 24 de março, durante o "processo de reorganização nacional", Néstor, filho de Azucena, e sua noiva, Raquel Mangin, foram sequestrados e desapareceram.

MÃES PROTESTAM

Ao recorrer às autoridades sem sucesso, ela tem contato com outras mães na mesma situação, entre elas Hebe de Bonafini. Em 30 de abril de 1977, 14 mães protestam na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino, contra o silêncio da ditadura diante do desaparecimento de seus filhos.

Quando os militares as advertem a não se concentrar, elas decidem circular pela praça em silêncio.  A primeira marcha é num sábado. Depois, passa a se repetir toda quinta-feira às três e meia da tarde. Com o tempo, as mães passam a usar lenços de cabeça brancos com os nomes dos filhos desaparecidos.

FAMIGERADA ESMA

Azucena Villaflor foi sequestrada e levada para a famigerada Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o principal centro de detenção e tortura da guerra suja dos militares argentinos contra a esquerda. 

Os corpos dela e de outros sequestrados apareceram dias depois em praias do Rio da Prata. Os restos mortais só foram identificados em 2005. A autópsia revelou que a causa da morte foi impacto ao bater na água após ser jogada viva de um avião.

Pelo menos 5 mil dos 30 mil mortos pela última ditadura cívico-militar argentina passaram por aquele prédio na Avenida Figueroa Alcorta, uma das principais de Buenos Aires, onde fica o Estádio Monumental de Núñez, do River Plate, o maior do país.

Quem passava de carro e via as luzes acesas à noite sabia o que estava acontecendo na ESMA, onde mulheres que deram à luz tiveram de limpar o chão da sela com um pano de chão sujo, foram mortas e tiveram seus filhos roubados.  

Mais de 500 crianças foram sequestradas e adotadas por aliados do regime, tema do filme A História Oficial, de Luiz Puenzo, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1986. As Avós da Praça de Maio encontraram 130 netos até hoje.

DONA DE CASA VAI À LUTA

Hebe de Bonafini nasceu em 4 de dezembro de 1928 num bairro operário de Ensenada, que fica junto a La Plata, capital da Província de Buenos Aires. Aos 14 anos, casou com Humberto Alfredo Bonafini. O casal teve três filhos: Jorge Omar, Raúl Alfredo e María Alejandra.

Jorge Omar desapareceu em La Plata em 8 de fevereiro de 1977. Raúl Alfredo teve o mesmo destino em 6 de dezembro do mesmo ano, em Berazategui. Em 25 de maio de 1978, pouco antes da Copa do Mundo na Argentina, a repressão sequestrou a nora María Elena Bugnone Cepeda, mulher de Jorge Omar.

Presidente da Associação das Mães da Praça de Maio, Bonafini foi lutadora incansável na busca dos desaparecidos e seus filhos, os netos da Praça de Maio. Os militares as chamavam de Loucas da Praça de Maio.

"Antes que meu filho fosse sequestrado, até 7 de fevereiro de 1977, eu era uma mulher como as outras, uma dona de casa a mais da cidadezinha onde me criei. Em 8 de fevereiro, virei Hebe de Bonafini. A questão econômica, a situação política do país me eram totalmente alheias, indiferentes. Mas desde que desapareceu meu filho, o amor que eu sentia por ele, o afã de buscar até encontrá-lo, por rogar, por pedir, por exigir que o entregassem a mim; o encontro e a ânsia compartilhada com outras mães que sofriam a mesma angústia que eu me levaram a saber e a valorizar muitas coisas que não sabia e não me interessava em saber", declarou ela numa igreja em Madri em outubro de 1982.

"Agora, vou me dando conta de que todas as estas coisas com que muita gente não se preocupa são importantíssimas porque delas depende o futuro de um país inteiro, a felicidade ou a desgraça de muitíssimas famílias", acrescentou.

POPSTARS

Quando o roqueiro inglês Sting tocou na Argentina, em 1987, chamou as Mães para o palco no Estádio Monumental de Núñez e cantou a música They Dance Alone, composta em sua homenagem. Elas viraram popstars.

Em 1988, a banda de rock irlandesa U-2 visitou a Associação das Mães da Praça de Maio e as convidou a subir ao palco. Hebe foi ao show e presenteou o líder do grupo, Bono Vox, com um lenço com o nome dos filhos desaparecidos.

JUSTIÇA

A aliança com o kirchnerismo vem desde que o governo Néstor Kirchner (2003-7) revogou, em 21 de agosto de 2003, as Leis de Obediência Devida e Ponto Final e mais tarde os indultos de Carlos Menem (1989-99) aos comandantes das juntas militares. Em 2005, a Corte Suprema considerou as leis inconstitucionais e reabriu os processos contra sequestradores, torturadores e assassinos da ditadura. Em 2010, confirmou a inconstitucionalidade dos indultos.

Desde então, 1.065 pessoas foram condenadas em 269 sentenças. Há 364 casos em andamento, 17 nas fases finais dos processos.

CONTROVÉRSIAS

Visceralmente antinorte-americana, responsabiliza os EUA pela ditadura militar. Estava em Cuba em 11 de setembro de 2001 e festejou o ataque às Torres Gêmeas "pelo bloqueio, pelos meus filhos". Foi alvo de críticas ferozes. Não recuou.

Depois de criticar o cardeal Mario Bergoglio, então arcebispo de Buenos Aires, quando foi eleito papa Francisco, ela pediu desculpas em audiência privada no Vaticano e reconheceu seu trabalho para os pobres: "Ele é peronista", concluiu com orgulho.

Há até um escândalo de corrupção, o desvio de 206 milhões de um total de 748 milhões de pesos argentinos que os governos Néstor e Cristina Kirchner deram à Fundação Madres da Praça de Maio para construção de habitações populares no projeto Sonhos Compartilhados.

O juiz Martínez de Giorgio a considerou "partícipe de fraude contra o Estado". Em agosto de 2016, Hebe se negou a depor e declarou estar pronta para ser presa porque só o que lhe interessava eram "os filhos e os 30 mil desaparecidos." 

A investigação é sobre Sergio Shoklender, procurador da fundação acusado de obter financiamento ilegal do Ministério do Planejamento Federal na gestão de Julio De Vido, um expoente do kirchnerismo hoje preso e processado por corrupção. Em seu depoimento, Hebe de Bonafini avalizou todas as ações de Shoklender. O caso não foi julgado até hoje.

HOMENAGENS OFICIAIS

O presidente Alberto Fernández decretou luto oficial por três dias e, através do Twitter da Casa Rosada, se despediu "com profunda dar e respeito a Hebe de Bonafini, Mãe da Praça de Maio e incansável lutadora pelos direitos humanos."

Nas suas redes, disse: "Exigindo verdade e justiça junto com as Mães e Avós, enfrentou os genocidas quando o sentido comum coletivo ia em outra direção." 

Elas foram a grande resistência ao massacre no pior período da ditadura, desmoralizada pela derrota para o Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982), quando militares assassinos como o tenente de navio Alfredo Astiz, o Anjo da Morte, acusado de matar a adolescente sueco-argentina Dagmar Hagelin com um tiro pelas costas, se renderam aos britânicos sem disparar um tiro.

A vice-presidente Cristina Kirchner escreveu: "Queridíssima Hebe, Mãe da Praça de Maio, símbolo mundial da luta pelos direitos humanos, orgulho da Argentina. Deus te chamou no Dia da Soberania Nacional... não deve ser casualidade. Simplesmente obrigado para sempre."

A Secretaria de Direitos Humanos da Argentina destacou que "Hebe compartilhou com as Mães um destino que as uniu na luta contra a impunidade dos crimes do terrorismo do Estado, resistindo diante do silêncio e do esquecimento. Sua vida e sua obra, seu exemplo de compromisso e entrega às causas populares constituem um legado que nos acompanhará para sempre, nos guiando no caminho da defesa dos direitos humanos, da memória, da verdade e da justiça, e também na luta contra a impunidade e o neoliberalismo."

sábado, 2 de abril de 2022

Hoje na História do Mundo: 2 de Abril

MALVINAS ARGENTINAS

    Em 1982, em meio à guerra suja contra as esquerdas, sob pressão internacional por causa das violações dos direitos humanos, a ditadura militar da Argentina invade as Ilhas Malvinas, que os ingleses chamam de Falklands, uma colônia do Império Britânico desde 1833, perdida no Sul do Oceano Atlântico.

Nos anos 1970, há uma possibilidade de negociação de soberania, a exemplo do acertado em 1984 para devolver Hong Kong à China, mas a violência do regime militar instalado em Buenos Aires em 24 de março de 1976, acusado da morte de 30 mil pessoas, inibe qualquer iniciativa.

A Argentina proclama a independência em 1816. Quatro anos depois, reivindica a soberania sobre as Malvinas. Chega a erguer um forte na Ilha do Leste, em 1832, destruída pela Marinha Real.

Em 1981, em plebiscito, os 1,8 mil kelpers, nome dos colonos britânicos, decidem manter o vínculo com a coroa britânica. No mesmo ano, em 22 de dezembro, o comandante do Exército, general Leopoldo Fortunato Galtieri, assume a Presidência da Argentina.

Para dar um golpe dentro do golpe e se tornar ditador, Galtieri promete à Marinha, a mais poderosa força armada argentina, tomar as Malvinas, pressupondo que o Império Britânico não iria à guerra por "umas ilhotas". 

As forças de assalto anfíbio da Argentina logo dominaram a pequena guarnição de fuzileiros navais britânicos em Porto Stanley, a capital das Falklands. No dia seguinte, tomam as ilhas Sanduíche e a Geórgia do Sul. 

Mas grandes potências não costumam ser humilhadas. A primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, envia uma força-tarefa de 30 navios de guerra, que percorrem 13 mil quilômetros para chegar às Malvinas.

Em 25 de abril, os britânicos reconquistam a Geórgia do Sul e prendem o governador militar argentino, o capitão Alfredo Astiz, mais conhecido como o Anjo da Morte, um notório torturador e assassino, responsável pela morte de Dagmar Hagelin, uma adolescente sueco-argentina de 17 anos, e de freiras francesas, quando servia na Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), o pior centro de detenção e tortura da ditadura militar. Depois da guerra, Thatcher ignora os pedidos de extradição e solta o monstro.

As tropas britânicas desembarcam na Malvina do Leste em 21 de maio. Os argentinos se rendem em 14 de junho. Ao todo, 649 argentinos, 255 militares três civis britânicos morrem na Guerra das Malvinas. Desmoralizada, a junta militar argentina convoca eleições e devolve o poder aos civis em 10 de dezembro de 1983.

Thatcher obtém, em 1983, sua maior vitória eleitoral e a mais ampla maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico desde 1935. A partir daí, adota suas medidas mais radicais, enfrenta e derrota uma grave de mineiros de um ano e amplia o programa de privatização.

MORTE DE JOÃO PAULO II

    Em 2005, João Paulo II, o papa que mais viajou na história e o primeiro não italiano desde o século 16, no fim de um pontificado que fez história ao lutar contra o comunismo na Europa Oriental e na sua nativa Polônia. 

Seis dias depois, dois milhões de pessoas participaram do funeral, um dos maiores da história, na Cidade do Vaticano.

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Segurança de Bolsonaro trata jornalistas como na ditadura militar

 Cenas de fascismo explícito envergonham o Brasil no exterior

O neofascismo explícito marcou a visita do presidente Jair Bolsonaro à Itália, onde ficou totalmente isolado na conferência de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20), que reúne os 19 países mais ricos do mundo e a União Europeia, e se encontrou com líderes da extrema direita italiana. Com agressões a jornalistas que apenas tentavam fazer seu trabalho, lembrou a ditadura militar.

Leia mais em Quarentena News.

domingo, 29 de setembro de 2019

Egito põe milhares de policiais na rua para conter manifestações

A ditadura militar do Egito mobilizou milhares de policiais para impedir novas manifestações neste fim de semana depois de grandes protestos contra o regime liderado pelo marechal Abdel Fattah al-Sissi em 20 e 21 de setembro, noticiou a agência Associated Press (AP).

Desde o golpe militar de 3 de julho de 2013, que acabou com a breve experiência democrática da Primavera Árabe, reuniões públicas com de dez pessoas exigem autorização oficial. Em 2016, houve protestos quando o marechal Al-Sissi queria ceder duas ilhas habitadas do Mar Vermelho à Arábia Saudita. Agora, o alvo dos protestos é o ditador.

Mais de 2 mil pessoas foram presas nos últimos dias e a Internet desacelerada para dificultar a mobilização popular. Os protestos foram deflagrados por uma série de 35 vídeos divulgados via Internet pelo empresário Mohammed Ali, auto-asilado na Espanha, denunciando a corrupção, o luxo e a riqueza dos governantes num país onde um terço da população de 98 milhões de habitantes vive na miséria.

Como este quadro não vai mudar, a insatisfação com a situação econômica pode provocar novas manifestações de protesto contra a ditadura do marechal Al-Sissi e novas ondas de repressão, com os oposicionistas testando os limites.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Egito prende 2 mil pessoas para conter protestos contra o ditador

Mais de 2 mil pessoas foram presas nos últimos dias no Egito. É uma tentativa do governo de acabar com as manifestações contra o ditador do país, marechal Abdel Fattah al-Sissi, que chegou ao poder num golpe de Estado em 2013 e prorrogou seu mandato até 2030.

Uma onda de manifestações da chamada Primavera Árabe provocou a queda do ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011. Durante uma breve experiência democrática, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico do mundo, foi o primeiro e único líder do Egito eleito democraticamente. 

O autoritarismo e a intolerância da Irmandade Muçulmana deflagaram nova onda de protestos. A multidão voltou a tomar a Praça da Libertação, no centro do Cairo. Na prática, pediu uma intervenção militar.

Em 3 de julho de 2013, o comandante das Forças Armadas, marechal Al-Sissi, deu um golpe, acabou com a democracia e reimpôs o controle absoluto do chamado Estado profundo, formado pelas Forças Armadas, a polícia, os serviços secretos e empresários ligados ao regime. 

Mais de mil pessoas foram mortas logo depois do golpe. Os principais líderes da Irmandade Muçulmana foram presos e processados, inclusive Mursi, que morreu na prisão em 17 de junho deste ano.

Oito anos depois da Primavera Árabe, só a Tunísia, onde os protestos começaram, se tornou uma democracia. A Líbia, a Síria e o Iêmen estão até hoje em guerra civil. E o Egito voltou a ser uma ditadura ainda mais repressiva do que sob Mubarak. Mas o espírito da democracia sobrevive. Meu comentário:

domingo, 26 de agosto de 2018

Chile confisca bens de Pinochet no valor de US$ 1,6 milhão

Depois de 14 anos de investigação, a Justiça do Chile concluiu que o ditador Augusto Pinochet (1973-90) acumulou uma fortuna de US$ 21,3 milhões, sendo US$ 17,8 milhões de origem ilícita e a Corte Suprema ordenou o confiscou bens e propriedades de seus herdeiros no valor de US$ 1,6 milhão, noticiou o jornal espanhol El País.

O tribunal também condenou três ex-oficiais do Exército do Chile que ajudaram a depositar dinheiro em contas secretas no Riggs Bank, nos Estados Unidos. Gabriel Vergara Cifiuentes,  Juan Ricardo MacLean Vergara e Eugenio Castillo Cádiz pegaram quatro anos de prisão com direito a liberdade condicional.

Pinochet entregou a Presidência em 11 de março 1990, mas só deixou o comando do Exército oito meses depois, em 10 de março de 1998. Meses depois, em 16 de outubro, ele foi preso em Londres, quando fazia tratamento numa clínica particular, a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, que abriu inquérito sobre os crimes cometidos durante a ditadura militar chilena.

Pelo menos 3.105 pessoas foram mortas durante o governo Pinochet, cerca de 80 mil foram presas e 200 mil chilenos saíram do país. Um plebiscito, em 1988, rejeitou a extensão de seu mandato presidencial conquistado a tiros e bombardeios. Em 14 de dezembro de 1989, Patricio Aylwn foi eleito presidente do Chile com 55% dos votos na primeira eleição democrática desde a vitória de Salvador Allende, em 1970.

A Justiça do Reino Unido aceitou o pedido de extradição da Espanha, mas o processo foi até a Suprema Corte. O destino do general foi decidido numa reunião América Latina-União Europeia realizada no Rio de Janeiro.

Quando o governo espanhol deixou claro que não havia interesse em processar Pinochet, o que criaria uma questão internacional, o Chile se comprometeu a processar o ex-ditador e o secretário do Interior britânico, decidiu libertar o general, em 2 de março de 2000, alegando que sua saúde estava debilitada e que ele não teria condições mentais de responder a um processo. No mesmo dia, Pinochet deixou a Inglaterra.

Três dias depois de sua chegada, o juiz Juan Guzmán Tapia pediu a suspensão da imunidade parlamentar de Pinochet, que tinha um mandato de senador vitalício, para que fosse julgado pela Caravana da Morte, em que 97 presos políticos foram mortos.

O ex-ditador foi colocado em prisão domiciliar e mais uma vez se livrou do processo alegando demência senil. A Justiça chilena rejeitou um pedido de prisão da juíza argentina María Servini de Cubría por causa do assassinato do general Carlos Prats, o comandante do Exército que antecedeu Pinochet, em Buenos Aires, em 30 de setembro de 1974.

Em 1º de junho de 2001, Pinochet foi internado com urgência no Hospital Militar. Oito dias depois, foi beneficiado nos processos por demência senil. Em 4 de julho de 2002, o ex-ditador foi eximido de culpa por demência senil e renunciou ao mandato de senador vitalício.

Dois anos depois, em 28 de maio de 2004, o Tribunal de Recursos decidiu reabrir os processos, decisão confirmada pela Corte Suprema em 26 de agosto. Desta data até sua morte,  em 10 de dezembro de 2006, Pinochet esteve várias vezes em prisão domiciliar por diferentes processos, da Operação Condor, o desaparecimento de dissidentes em 1975 e o Caso Riggs, que levou agora ao confisco de bens. Mas nunca foi condenado.

Até 2004, a família Pinochet não havia sido investigada por enriquecimento ilícito. Naquele ano, uma subcomissão do Senado dos Estados Unidos que tentava descobrir as fontes de financiamento do terrorismo internacional encontrou contas secretas do ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, e de Pinochet, que tinha US$ 21,3 milhões no Banco Riggs.

Quando o processo foi aberto, há 14 anos, as contas bancárias, 23 imóveis e outras propriedades do ex-ditador foram congeladas. Em 2017, a Justiça restituiu US$ 6 milhões aos herdeiros porque vários casos prescreveram, tiveram a punibilidade extinta por decurso de prazo.

Isso explica por que só foram confiscados US$ 1,6 milhão, se o enriquecimento ilícito foi estimado em US$ 17,8 milhões. Com a sentença da sexta-feira, os herdeiros devem receber mais US$ 3,2 milhões.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Piñera é eleito presidente do Chile pela segunda vez

O bilionário conservador Sebastián Piñera será presidente do Chile mais uma vez. Ele venceu hoje o jornalista, professor e senador Alejandro Guillier no segundo turno da eleição presidencial e voltará a governar a partir de março o país, que presidiu de 2010 a 2014, informou o jornal conservador chileno El Mercurio.

Mais uma vez, as pesquisas de opinião erraram. No primeiro turno, davam 45% a Piñera, que teve pouco menos de 37% e 10% a 15% à terceira colocada, Beatriz Sánchez, que teve 20%, dando uma esperança a Guillier, reforçada pelas pesquisas que apontavam vantagem de apenas 2% para Piñera, dentro da margem de erro.

Com 99% das urnas apuradas, Piñera lidera com 3.768.839 votos (54,57%), contra 3.137.712 (45,43%) de Guillier. A abstenção ficou em 51,33%. O candidato derrotado e a atual presidente, Michelle Bachelet, cumprimentaram o presidente eleito por seu "triunfo impecável e maciço".

Pela segunda vez, Bachelet, do Partido Socialista, membro da aliança que derrotou a ditadura militar do general Augusto Pinochet (1973-90) passará a faixa presidencial a Piñera. Eles se revezam no poder desde 2006.

Nesta eleição, pela primeira vez, a ampla aliança de mais de dez partidos que derrubou Pinochet, liderada por democratas-cristãos e socialistas, a Convergência Democrática, mais tarde rebatizada como Nova Maioria, se dividiu, permitindo uma segunda vitória democrática da direita, sempre com Piñera. O bilionário ganhou em 13 das 15 regiões do Chile; em dez, por mais de cinco pontos percentuais.

No discurso da vitória, o presidente eleito convocou à unidade para transformar o Chile num "país desenvolvido, sem abusos nem discriminações arbitrárias."

Com uma população de cerca de 18 milhões de habitantes e um produto interno bruto de US$ 247 bilhões, 27 anos depois do fim da ditadura, o Chile tem a terceira maior renda média por pessoa da América Latina (US$ 13.576). De acordo com os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) relativos ao ano passado, fica atrás apenas do Uruguai e do Panamá.

O Chile tem o menor índice de homicídios da América Latina, 3,1 mortes para cada 100 mil habitantes por ano, seguido por Cuba (4,2) e Argentina (5,5). Esses dados são de 2010, quando a taxa no Brasil era 25,2.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Assassinos da ditadura militar pegam prisão perpétua na Argentina

O Tribunal Federal Oral da Argentina condenou há dois dias à prisão perpétua por "crimes contra a humanidade" 29 acusados por sequestros, torturas, assassinatos e os "voos de morte" durante a última ditadura militar (1976-83) a desgraçar o país, entre eles os capitães Alfredo Astiz, o Anjo da Morte, e Jorge Tigre Acosta, noticiaram os jornais Clarín e La Nación.

Foi o terceiro grande processo sobre os crimes cometidos na Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), a academia militar da Marinha argentina, que se tornou no principal centro de detenção, tortura e desaparecimento de presos políticos durante a guerra suja contra a esquerda. E o mais importante julgamento sobre direitos humanos na Argentina desde a condenação, há 32 anos, das juntas militares que desgovernaram o país de 1976 a 1982 e caíram com a derrota na Guerra das Malvinas.

No processo conhecido como ESMA III ou ESMA unificada, iniciado em 2012, 68 réus foram denunciados por crimes cometidos contra 789 pessoas; 14 morreram neste últimos cinco anos. Além dos 29 condenados à prisão perpétua, seis foram absolvidos e 19 pegaram de 8 a 25 anos de reclusão.

Durante a leitura da sentença, o tribunal situado no bairro do Retiro, no centro histórico de Buenos Aires, ficou dividido entre parentes das vítimas e defensores dos direitos humanos, de um lado, e partidários da ditadura, do outro, cantando o hino argentino e ofendendo jornalistas e ativistas.

O juiz David Obligado pediu aos manifestantes que baixassem faixas e cartas. Chegou a ameaçar evacuar a sala. Eram tantos os delitos que a leitura da sentença levou cinco horas. Só foram lidos os nomes dos réus, as acusações e os vereditos. As razões dos três desembargadores serão apresentadas noutro dia.

Mais de 5 mil presos políticos passaram pela ESMA e apenas centenas saíram com vida. Muitos foram drogados e jogados no mar nos sinistros voos da morte. Entre os sentenciados a passar a vida na cadeia, está o ex-piloto Mario Arru, responsável por alguns daqueles voos. Sua condenação foi das mais festejadas.

Arru estava no voo que jogou no Rio da Prata os sequestrados na Igreja de Santa Cruz, em que estavam a primeira presidente da organização das Mães da Praça de Maio, Azucena Villaflor, e as freiras francesas Alice Dumont e Leonis Duquet. Causou indignação a absolvição de Julio Poch, que morava na Holanda e foi extraditado depois de se gabar de ter participado dos voos da morte.

Talvez a figura mais odiada internacionalmente seja o capitão Alfredo Astiz, mais conhecido como Anjo da Morte, porque era jovem, louro e bonito na época da ditadura. Ele fico tristemente famoso por ter matado com um tiro pelas costas uma jovem sueca-argentina de apenas 17 anos, Dagmar Hagelin. Também foi acusado, entre muitos outros crimes, pelo sequestro e morte das freiras argentinas.

Durante a Guerra das Malvinas (1982), Astiz foi nomeado governador das Ilhas Geórgias do Sul, e se rendeu aos britânicos sem disparar um tiro. Preso, teve pedidos de extradição feitos pela França e a Suécia, mas a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher o entregou à ditadura militar argentina. Amiga do ditador chileno Augusto Pinochet, Thatcher era conivente com caçadores de comunistas.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

"Teu silêncio tem um preço alto", o bispo Tutu alerta Aung San Suu Kyi

Diante da perseguição e fuga da minoria muçulmana rohingya sob pressão do Exército de Mianmar, o arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984 pela luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, enviou uma carta advertindo a líder do movimento pela democratização do país, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Nobel da Paz em 1991: "Teu silêncio tem um preço muto alto."

Para o bispo Tutu, o "horror" e "limpeza étnica" no estado de Rakhine, com uma fuga que pode chegar a 300 mil rohingyas para o vizinho e miserável Bangladesh, o obrigou a escrever para a mulher que se acostumou a chamar de "minha querida e amada irmã".

O Exército realiza uma operação punitiva desde 25 de agosto, quando o grupo rebelde Exército de Salvação Rohingya Arakan atacou vários postos policiais. As Nações Unidas estimam que o total de mortos passe de mil.

Suu Kyi, filha de Aung San, líder da independência da Birmânia do Império Britânico, em 1948, se tornou o maior símbolo da luta pela democracia contra uma ditadura militar que embruteceu e empobreceu o país desde 1962.

Em 1990, sua Liga Nacional pela Democracia obteve uma vitória eleitoral esmagadora. Os militares anularam o resultado e mantiveram Suu Kyi em prisão domiciliar durante 15 anos. Cinco anos depois de ser libertada, ele liderou a LND à vitória nas primeiras eleições, em 2015.

Desde então, proibida de governar o país por uma lei feita sob medida pela ditadura por ter sido casada com um estrangeiro (britânico), é o poder por trás do trono como Primeira Conselheira do Estado. Teve de fazer concessões os militares, que aparentemente continuam tendo carta branca para atacar as inúmeras minorias étnicas de Mianmar.

Pelo menos 13 grupos armados aderiram a um cessar-fogo, mas cinco continuam ativos. A situação do povo rohingya, muçulmano, massacrado e perseguido pelo Exército da maioria budista, é a mais trágica.

Acusada de omissão, Suu Kyi desqualificou as denúncias de violações dos direitos humanos como "desinformação" e chamou os rohingyas de "terroristas".

"Sou agora velho, decrépito e formalmente aposentado, mas quebro meu voto de permanecer em silêncio sobre questões públicas por causa de uma tristeza profunda", escreveu Tutu.

"Durante anos, tive uma fotografia sua na minha mesa para me lembrar da injustiça e do sacrifício que você suportou por causa de seu amor e compromisso com o povo de Mianmar. Você simbolizava a correção.

"Sua emergência na vida pública aliviou nossas preocupações sobre a violência perpetrada contra membros do povo rohingya. Mas o que alguns chamam de 'limpeza étnica' e outros de um 'genocídio lento' persistiu - e recentemente se acelerou.

"É incongruente para um símbolo da correção liderar um país assim", criticou o arcebispo sul-africano. "Se o preço político por sua ascensão aos mais altos cargos em Mianmar é o teu silêncio, é certamente um preço alto demais."

A mais jovem ganhadora do Nobel da Paz, a estudante paquistanesa Malafa Yousafzai, também fez um apelo a Suu Kyi: "Toda vez que vejo as notícias meu coração se parte. Nos últimos anos, condenei repetidamente esse tratamento trágico e vergonhoso. Ainda estou esperando que minha colega laureada com o Nobel Aung San Suu Kyi faça o mesmo."

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Tailândia tem novo rei

O príncipe herdeiro Maha Vajiralongkorn Bodindradebayavarangkun ascendeu hoje ao trono da Tailândia como sucessor do pai, o rei Bhumibol Adulyadej, que morreu em 13 de outubro de 2016 depois de reinar por 70 anos, noticiou o jornal tailandês The Bangkok Post.

A data da coroação ainda não foi marcada. Será realizada no próximo ano, depois da cremação do rei morto;

O convite oficial foi feito pela Assembleia Nacional da Tailândia, dominada pelo Conselho Militar pela Paz e a Ordem, a junta militar que deu um golpe em maio de 2014.

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Guerra do Yom Kippur acabou com o modelo econômico da ditadura

Há 43 anos, em 6 de outubro de 1973, começava a última guerra de vários países árabes contra Israel. Mais de 100 mil soldados cruzaram o Canal de Suez rumo à Península do Sinai, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Foi a maior empreitada militar árabe da era moderna. A guerra provocou a primeira crise do petróleo e acabou com o modelo ecônomico da ditadura militar.

Sob a orientação política do então conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, os Estados Unidos fizeram a maior ponte aérea militar da história, entregando 22 mil toneladas de equipamentos militares a Israel no campo de batalha, duas vezes mais do que a União Soviética com seus aliados árabes, especialmente o Egito e a Síria.

Em 22 de outubro, os EUA e a URSS negociaram um cessar-fogo, mas Kissinger avisou a primeira-ministra Golda Meir que o governo americano não se importaria se Israel realizasse operações militares antes do início da trégua.

À noite e no dia seguinte, Israel cercou o III Exército do Egito no Sinai e estava prestes a aniquilar o inimigo quando a URSS entrou em alerta nuclear e ameaçou intervir na guerra, salvando o Exército do Egito. Dos cerca de 20 alertas nucleares da Guerra Fria, foi a única ameaça soviética de iniciar uma guerra atômica.

Isso não impediu que o presidente egípcio Anuar Sadat abandonasse a aliança com a URSS, se aproximasse dos EUA e visitasse Israel em 1977, abrindo caminho para as negociações que levaram ao Acordo de Paz de Camp David, a residência de verão do presidente dos EUA, em 1979.

Sadat sabia que era a única maneira de recuperar o Sinai. Pagou pela paz com a própria vida. Em 6 de outubro de 1981, durante a parada militar de comemoração do início da guerra, soldados ligados a grupos extremistas muçulmanos metralharam e mataram o presidente egípcio. O atual líder da rede terrorista Al Caeda, o médico Ayman al-Zawahiri participou da conspiração.

Mas o impacto imediato da Guerra do Yom Kippur. Em resposta ao apoio dos EUA a Israel, sob a liderança do rei Faissal, da Arábia Saudita, em 16 de outubro, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) iniciou um boicote à venda de petróleo aos EUA e aliados.

Começava a primeira crise do petróleo. Quando o embargo acabou, em março de 1974, o preço do petróleo tinha subido de US$ 3 para US$ 12. A alta de preços viabilizou a exploração em águas profundas, como no Mar do Norte e no mar territorial brasileiro, mas causou uma recessão mundial e longas filas nos postos de gasolina.

No Brasil, a crise do petróleo foi responsável, na minha opinião, pelo fim do modelo econômico da ditadura militar (1964-85), baseado em energia e mão de obra baratas, e a longo prazo do próprio regime de exceção. O Brasil nunca retomou as taxas de crescimento do pós-guerra, de 7% a 8% por ano em média.

Durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-74), o período mais sombrio da ditadura, o país cresceu a taxas de 7% a 14% ao ano no milagre econômico brasileiro. Quando o general Ernesto Geisel assumiu o poder, em março de 1974, anunciou a "distensão lenta, gradual e segura" que levaria à redemocratização, em 1985.

A segunda crise do petróleo, em 1979, depois da vitória da Revolução Islâmica no Irã, agravou ainda mais a crise econômica do Brasil, que na época importava 75% do petróleo que consumia. A alta nos preços do petróleo também está na origem da hiperinflação brasileira, que só seria derrotada pelo Plano Real, em 1994. Mas o crescimento forte não voltou.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Mianmar tem primeiro Parlamento democrático em mais de 50 anos

Depois de mais de meio século de ditadura militar, Mianmar (antiga Birmânia) empossou hoje o primeiro Parlamento parcialmente eleito. A maioria é da Liga Nacional pela Democracia, liderada por Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, mas ela está legalmente impedida de concorrer à Presidência.

A LND elegeu 255 dos 440 deputados e 135 dos 224 senadores, acabando na prática com o domínio absoluto dos militares sobre este empobrecido país do Sudeste Asiático, que vinha desde 1962. Mas os militares controlam 25% das cadeiras e têm poder de veto sobre reformas constitucionais. O comandante das Forças Armadas tem a prerrogativa de nomear os ministros da Defesa e do Interior.

Win Myint, da LND, foi eleito presidente do Parlamento, e T-Khun Myat, da minoria étnica kachin, vice.

O desafio da LND é formar uma coalizão que atraia os pequenos partidos representando minorias étnicas sem alienar a maioria nacionalista e budista nem os militares, que ainda controlam boa parte do Parlamento e da economia do país.

Suu Kyi advertiu que seja quem for o presidente do país, a ser eleito indiretamente, quem vai mandar é ela, num desafio aos militares. Filha de Aung San, o herói da independência do país do Império Britânico em 1948, não pode ser presidente porque é viúva de um britânicos e tem filhos cidadãos britânicos, uma cláusula constitucional incluída sob medida para afastá-la.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Partido da ditadura reconhece vitória da oposição em Mianmar

A Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, venceu as primeiras eleições democráticas realizadas em Mianmar, a antiga Birmânia, depois de 25 anos, admitiu hoje o presidente Partido da União Solidariedade e Desenvolvimento (PUSD), Htay Oo, citado pela agência Reuters.

Os resultados oficiais ainda não foram divulgados. Ainda não está claro se a LND terá a supermaioria de dois terços necessária para governar sem fazer aliança com outros partidos. A Constituição imposta pela ditadura militar que governa a antiga Birmânia desde 1962 e mudou o nome do país para Mianmar reserva 25% das cadeiras na Assembleia Nacional para indicados pelas Forças Armadas.

Com base em pesquisas de boca de urna e resultados parciais, um porta-voz da LND estimou que o partido possa eleger mais de 70% dos deputados. O novo Parlamento será responsável pela próxima eleição presidencial.

Em 1990, quando a LND conquistou 392 das 492 cadeiras, a junta militar ignorou o resultado, colocou Suu Kyi em prisão domiciliar e governou como Conselho de Estado para a Paz e o Desenvolvimento até 2011, quando começou a abertura democrática. Desta vez, os militares prometeram acatar a decisão das urnas.

Para barrar o acesso de Suu Kyi, filha de Aung San, herói da independência nacional, obtida do Império Britânico em 1947, os militares introduziram uma cláusula na Constituição feita sob medida para impedir que pessoas casadas com estrangeiros ou filhos de estrangeiros sejam presidentes. O falecido marido da líder oposicionista era britânicos e ela tem filhos britânicos

De qualquer maneira, Mianmar sai das eleições com um ambiente político mais pluralista, mais complexo e etnicamente carregado num momento de crescimento rápido e mudanças que vão definir o futuro do país. Se a LND confirmar a vitória e eleger o presidente, Suu Kyi vai governar, mesmo que seja indiretamente.

Seus principais desafios serão combater a corrupção endêmica, criar um ambiente econômico capaz de gerar milhões de empregos e resolver os conflitos étnicos de minorias que denunciavam discriminação sob a ditadura militar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Ditador do Egito perdoa 100 prisioneiros

Um dia antes de embarcar para Nova York, onde vai discursar na reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, o ditador do Egito, marechal Abdel Fattah al-Sissi, deu indulto a 100 presos, inclusive três jornalistas da televisão árabe Al Jazira.

O canadense Mohamed Fahmy, o egípcio Baher Mohamed e o australiano Peter Greste foram condenados a três anos de prisão num segundo julgamento no mês passado sob as acusações de trabalhar sem autorização e transmitir material danoso para o Egito. Greste foi deportado para a Austrália em fevereiro.

Outros prisioneiros indultados foram enquadrados numa lei que proíbe manifestações de protesto sem autorização. Ela foi imposta depois do golpe militar de 3 de julho de 2013, quando Al-Sissi derrubou o único presidente eleito democraticamente da história do Egito, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, que fazia um governo sectário e desastroso.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Maduro faz o que nem Pinochet fez

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, acaba de fazer o que nem o general Augusto Pinochet fez durante a ditadura militar do Chile (1973-90), quando o então primeiro-ministro espanhol Felipe González (1982-96) pôde visitar presos políticos no país.

González deixou Caracas hoje depois de uma visita de dois dias à Venezuela em que não conseguiu acesso ao principal preso político do país, o ex-prefeito de Chacao Leopoldo López. Também não pôde colaborar com a defesa do prefeito da região metropolitana da capital, Antonio Ledezma, que está em prisão domiciliar, noticiou o jornal espanhol El País.

A resposta do regime chavista foi declarar o antigo líder socialista da Espanha persona non grata na Venezuela. Pelo Twitter, Maduro acusou González: "O eixo Bogotá-Madri-Miami age em desespero, enviam personagens para legitimar sua guerra contra a Venezuela, querem pôr a mão na pátria."

O ex-chefe de governo da Espanha não teve autorização para entrar na prisão militar de Ramo Verde nem para assistir à audiência do processo contra López, preso há mais de um ano por causa da onda de protestos iniciada em 12 de fevereiro de 2014, em que pelo menos 42 pessoas foram mortas.

Depois de se reunir com os advogados de defesa dos presos políticos na casa da família López, González declarou que a Venezuela "precisa de muito diálogo" e que seria "um bom gesto" a convocação das eleições parlamentares previstas para este ano.

Na segunda-feira, ele se reuniu com a aliança oposicionista Mesa da Unidade Democrática para analisar a situação política venezuelana. Também foi à casa do ex-guerrilheiro Teodoro Petkoff, editor do semanário Tal Cual, que está proibido de sair da Venezuela pelo regime chavista, para lhe entregar o Prêmio Ortega y Gasset

"Gostaria de encontrar um país onde não houvesse bons e maus", resumiu o ex-primeiro-ministro espanhol ao deixar Caracas rumo à Colômbia.