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domingo, 4 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Janeiro

  INDEPENDÊNCIA DA BIRMÂNIA

    Em 1948, a Birmânia, o país mais ao norte do Sudeste Asiático, conquista formalmente a independência do Império Britânico, concluindo a transferência de poder negociada em 1947 entre o líder birmanês Aung San e o primeiro-ministro do Reino Unido, Clement Atlee.

A região é habitada desde a pré-história. Desde o primeiro milênio da Era Cristã, é uma rota de passagem entre a China e Índia. Tem uma forte influência da cultura indiana. O budismo chega no século 9 e se torna a religião dominante no século 11.

O Império Mongol conquista o que hoje é a Birmânia do início do século 13 ao fim do século 14.. No século 16, o rei Tabinshweti e o filho conseguem unificar o país com a ajuda dos portugueses. Em 1599, o Reino de Pegu passa a fazer parte do Império Português.

Na dinastia criada por Alaungpaya, o reino de expande para o Oeste e entra em conflito com a Companhia das Índias Ocidentais, que toma Bengala em 1757 a serviço do Império Britânico. Depois das guerras de 1824-26, 1852 e 1885, os britânicos colonizam o país e dão o nome de Birmânia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Império do Japão domina a Birmânia. Com o fim da guerra, os países do Sudeste Asiático conquistam a independência.

A Birmânia é um país relativamente próspero até 1962, quando o general Ne Win dá um golpe e socializa a maior parte da economia do país, iniciando uma era de domínio dos militares que continua até hoje.

Em 1989, a ditadura militar rebatiza o país como União de Mianmar. Um breve período de redemocratização começa em 2011 sob a liderança de Aung San Suu Kyi, filha do líder da independência que passa anos em prisão domiciliar e ganha o Prêmio Nobel da Paz em 1991. 

Como conselheira do Estado a partir de 6 de abril de 2016, Suu Kyi chefia o governo como uma espécie de primeira-ministra até o golpe militar de 1º de fevereiro de 2021, quando ela e o presidente Win Myint são presos. Desde então, Mianmar está em guerra civil, um dos piores conflitos hoje no mundo. No momento, a ditadura realiza eleições numa tentativa de se legitimar.

GRANDE SOCIEDADE

    Em 1965, no Discurso sobre o Estado da União, o presidente Lyndon Johnson lança o programa social Grande Sociedade. 

Depois do assassinato do presidente John Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume o cargo e é eleito em 1964 com votação recorde no voto popular. 

No discurso, a prestação anual de contas do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, ele anuncia a criação dos programas de saúde Medicaid (para pobres) e Medicare (para idosos), a Lei de Direitos Civis, a Lei dos Direitos de Voto e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Com a Lei de Oportunidade Econômica, Johnson declara guerra à pobreza com políticas de educação infantil e de emprego.

Apesar do projeto Grande Sociedade, Johnson se torna extremamente impopular com o envolvimento direto dos EUA na Guerra do Vietnã (1964-73) e não se candidata à reeleição em 1968.

NIXON NÃO ENTREGA FITAS

    Em 1974, o presidente Richard Nixon (1969-74) se recusa a entregar documentos da Casa Branca pedidos pela comissão do Senado que investiga o Escândalo de Watergate, a invasão de sede do Partido Democrata em Washington em 17 de junho de 1972 pelo grupo de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de espionagem. 

É o início do fim de seu governo. O caso vai até a Suprema Corte, que manda o presidente entregar as fitas, que revelam obstrução de justiça. Nixon renuncia sete meses depois, em 9 de agosto. 

PRIMEIRA PRESIDENTE DA CÂMARA

    Em 2007, com a retomada do controle da Câmara dos Representantes pelo Partido Democrata, a deputada californiana Nancy Pelosi é a primeira mulher a presidir a casa legislativa. É a única mulher a presidir a Câmara até hoje.

"É um momento histórico para o Congresso e para a mulher neste país, um momento que estamos esperando há 200 anos", declarou Pelosi. "Para nossas filhas e netas, quebramos o teto de mármore. Para nossas filhas e netas, o céu é o limite. Tudo é possível para elas."

Nancy Pelosi começa a carreira política 20 anos antes como deputada federal. Entra para a liderança do Partido Democrata em 2001 e se torna líder na Câmara em 2003. Ela preside a Câmara dos Representantes de 2007-11 e 2019-23.

EDIFÍCIO MAIS ALTO DO MUNDO

    Em 2010, o emirado árabe de Dubai inaugura o edifício mais alto do mundo, Burj Khalifa, a Torre do Califa, com 828 metros e 160 andares, um projeto de US$ 1,5 bilhão.

O edifício faz parte de um complexo industrial e comercial com área de dois quilômetros quadrados no Centro de Dubai. A obra, realizada pela empresa sul-coreana Samsung Engenharia & Construções, começa em 21 de setembro de 2004. O preço inicial do metro quadrado das salas para escritórios é de US$ 43 mil.

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sábado, 4 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Janeiro

 INDEPENDÊNCIA DA BIRMÂNIA

    Em 1948, a Birmânia, o país mais ao norte do Sudeste Asiático, conquista formalmente a independência do Império Britânico, concluindo a transferência de poder negociada em 1947 entre o líder birmanês Aung San e o primeiro-ministro do Reino Unido, Clement Atlee.

A região é habitada desde a pré-história. No primeiro milênio da Era Cristã, é uma rota de passagem entre a China e Índia. Tem uma forte influência da cultura indiana. O budismo chega no século 9 e se torna a religião dominante no século 11.

O Império Mongol conquista o que hoje é a Birmânia do início do século 13 ao fim do século 14.. No século 16, o rei Tabinshweti e o filho conseguem unificar o país com a ajuda dos portugueses. Em 1599, o Reino de Pegu passa a fazer parte do Império Português.

Na dinastia criada por Alaungpaya, o reino de expande para o Oeste e entra em conflito com a Companhia das Índias Ocidentais, que toma Bengala em 1757 a serviço do Império Britânico. Depois das guerras de 1824-26, 1852 e 1885, os britânicos colonizam o país e dão o nome de Birmânia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Império do Japão domina a Birmânia. Com o fim da guerra, os países do Sudeste Asiático conquistam a independência.

A Birmânia é um país relativamente próspero até 1962, quando o general Ne Win e dá um golpe e socializa a maior parte da economia do país, iniciando uma era de domínio dos militares que continua até hoje.

Em 1989, a ditadura militar rebatiza o país como União de Mianmar. Um breve período de redemocratização começa em 2011 sob a liderança de Aung San Suu Kyi, filha do líder da independência que passa anos em prisão domiciliar e ganha o Prêmio Nobel da Paz em 1991. 

Como conselheira do Estado a partir de 6 de abril de 2016, Suu Kyi chefia o governo como uma espécie de primeira-ministra até o golpe militar de 1º de fevereiro de 2021, quando ela e o presidente Win Myint são presos. Desde então, Mianmar está em guerra civil, um dos piores conflitos hoje no mundo.

GRANDE SOCIEDADE

    Em 1965, no Discurso sobre o Estado da União, o presidente Lyndon Johnson lança o programa social Grande Sociedade. 

Depois do assassinato do presidente John Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume o cargo e é eleito em 1964 com votação recorde no voto popular. 

No discurso, a prestação anual de contas do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, ele anuncia a criação dos programas de saúde Medicaid (para pobres) e Medicare (para idosos), a Lei de Direitos Civis, a Lei do Direito de Voto e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Com a Lei de Oportunidade Econômica, Johnson declara guerra à pobreza com políticas de educação infantil e de emprego.

Apesar do projeto Grande Sociedade, Johnson se tornou extremamente impopular com o envolvimento direto dos EUA na Guerra do Vietnã (1964-73) e não se candidatou à reeleição em 1968.

NIXON NÃO ENTREGA FITAS

    Em 1974, o presidente Richard Nixon (1969-74) se recusa a entregar documentos da Casa Branca pedidos pela comissão do Senado que investiga o Escândalo de Watergate, a invasão de sede do Partido Democrata em Washington em 17 de junho de 1972 pelo grupo de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de espionagem. 

É o início do fim de seu governo. O caso vai até a Suprema Corte, que manda o presidente entregar as fitas, que revelam obstrução de justiça. Nixon renuncia sete meses depois, em 9 de agosto. 

PRIMEIRA PRESIDENTE DA CÂMARA

    Em 2007, com a retomada do controle da Câmara dos Representantes pelo Partido Democrata, a deputada californiana Nancy Pelosi é a primeira mulher a presidir a casa legislativa. É a única mulher a presidir a Câmara até hoje.

"É um momento histórico para o Congresso e para a mulher neste país, um momento que estamos esperando há 200 anos", declarou Pelosi. "Para nossas filhas e neta, quebramos o teto de mármore. Para nossas filhas e netas, o céu é o limite. Tudo é possível para elas."

Nancy Pelosi começa a carreira política 20 anos antes como deputada federal. Entra para a liderança do Partido Democrata em 2001 e se torna líder na Câmara em 2003. Ela preside a Câmara dos Representantes de 2007-11 e 2019-23.

EDIFÍCIO MAIS ALTO DO MUNDO

    Em 2010, o emirado árabe de Dubai inaugura o edifício mais alto do mundo, Burj Khalifa, a Torre do Califa, com 828 metros e 160 andares, um projeto de US$ 1,5 bilhão.

O edifício faz parte de um complexo industrial e comercial com área de dois quilômetros quadrados no Centro de Dubai. A obra, realizada pela empresa sul-coreana Samsung Engenharia & Construções, começa em 21 de setembro de 2004. O preço inicial do metro quadrado das salas para escritórios é de US$ 43 mil.

sábado, 27 de março de 2021

Ditadura de Mianmar atira na multidão e mata mais de cem pessoas

 É uma terra de milhares de templos onde o budismo, uma religião pacifista, virou instrumento de dominação e repressão. No Dia das Forças Armadas, os militares que derrubaram o governo civil de Mianmar, a antiga Birmânia, em 1º de fevereiro atiraram hoje contra uma multidão de manifestantes desarmados e mataram 114 pessoas. Entre os mortos, há crianças de 5, 13 e 14 anos.

Pelo menos 420 mianmarenses foram mortos pela repressão desde o golpe militar. Mais de 3 mil foram presos, inclusive o presidente U Win Myint e a líder civil do país, Aung San Suu Kyi, filha do herói da independência do Império Britânico, Aung San, e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991. 

Hoje foi o dia mais sangrento. Desta vez. A história registra vários massacres cometidos pelo Exército de Mianmar. No pior, em resposta à rebelião de 8 de agosto de 1988, mais de 3 mil pessoas morreram, embora os militares só admitam 350 mortes.

Desde 1962, ditaduras militares dominam este país do Sudeste Asiático, transformando-o num dos mais pobres do continente, com um breve período democrático recentemente. Em 2015, a Liga Nacional pela Democracia venceu as eleições parlamentares e elegeu 86% dos deputados da Assembleia da União.

Como Suu Kyi é proibida de presidir o país por uma cláusula constitucional feita para impedi-la, por ter sido casada com um estrangeiro e ter filhos com dupla nacionalidade, ela foi nomeada conselheira e se tornou uma espécie de primeira-ministra.

Em pronunciando na televisão, o líder do golpe, general Min Aung Hlaing lembrou que Aung San foi o fundador das Forças Armadas do país, mas não citou a filha, mantida em prisão domiciliar. A ditadura anulou as eleições de 8 de novembro, outra vitória esmagadora da LND. O general prometeu realizar eleições democráticas, sem citar uma data.

Suu Kyi perdeu o prestígio por defender as ações do Exército contra a minoria étnica rohingya, inclusive perante o Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia na Holanda. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel de 1984, pediu que o prêmio da líder mianmarense fosse retirado.

Nos Estados Unidos, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, declarou-se "horrorizado pelo banho de sangue provocado pelas forças de segurança, que mostra que a junta sacrificará a vida das pessoas". O chefe da diplomacia dos Estados Unidos elogiou "a coragem do povo de Mianmar ao rejeitar o reino de terror dos militares."

O secretário-geral da ONU, António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal, condenou o massacre "nos termos mais duros". Mas o povo de Mianmar precisa de muito mais do que elogios dos EUA e condenações formais da ONU. Nas ruas de Yangum, Mandalay e Naipidau, pedem uma intervenção internacional e acusam a China de apoiar o golpe.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Ditadura de Mianmar abre fogo e mata 18 manifestantes

 É uma tragédia anunciada desde que o povo saiu às ruas para rejeitar o golpe militar de 1º de fevereiro em Mianmar, a antiga Birmânia, um país do Sudeste Asiático. Duas pessoas haviam sido mortes em protestos anteriores. 

Hoje, as forças de segurança abriram fogo contra manifestações em  mais de uma cidade. Pelo menos 18 pessoas morreram no domingo sangrento em Yangum, a antiga Rangun, maior cidade do país. Algumas fontes falam em 26 mortos.

Os militares derrubaram o governo civil sob a alegação de que houve fraude maciça nas eleições de 8 de novembro de 200, em que a Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Aung San Suu Kyi,  conquistou ampla maioria na Câmara dos Representantes e na Câmara das Nacionalidades da Assembleia da União, o parlamento bicameral do país.

Até agora, as Forças Armadas e a polícia estavam usando gás lacrimogênio, bombas de efeito moral e balas de borracha. Neste domingo, pela primeira vez, usaram munição real em Yangum, Mandalay, Bago e Dawei. O Escritório dos Direitos Humanos das Nações Unidas no país condenou a violência e declarou que "o uso de violência letal contra manifestantes não violentos nunca é justificável sob as normas internacionais dos direitos humanos."

"Quantas vidas são necessárias para a ONU agir?", perguntou Nyi Nyi Aung Htet Naing no sábado à noite no Facebook. No domingo, o engenheiro civil de 23 anos foi baleado e morto em Yangum.

Os militares mandam em Mianmar desde um golpe em 1962. Transformaram um dos países mais ricos da região num dos mais pobres e atrasados. Em 8 de agosto de 1988, massacraram 3 mil pessoas em Yangum, a antiga capital e principal cidade do país, no chamado Levante 8888.

A principal líder civil do país, Aung San Suu Kyi, é filha do herói da independência do país do Império Britânico, em 1948, Aung San, assassinado pouco antes da independência. Suu Kyu estudou na Universidade de Déli, na Índia e nas Universidades de Oxford e de Londres, na Inglaterra, casou-se com um inglês e trabalhou na ONU em Nova York.

Suu Kyi voltou ao país para cuidar da mãe doente em 1988. Diante do massacre, tornou-se líder da oposição com um comício para 500 mil pessoas em 26 de agosto e fundou a LND. No ano seguinte, foi colocada em prisão domiciliar. A LND conquistou 59% dos votos e 81% das cadeiras da Assembleia da União em 1990. Os militares anularam as eleições.

Em 1991, Suu Kyu ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Presa em casa, não pôde receber. Durante 21 anos, ela ficou 15 em prisão domiciliar. Duas vezes, em 1996 e 2003, sua caravana foi atacada quando fazia política no interior do país.

A breve experiência democrática mianmarense veio em consequência de uma catástrofe da natureza. Com ventos de até 215 quilômetros por hora, o ciclone Nargis arrasou a região do delta do Rio Irauádi. Mais de 138 mil pessoas morreram. O prejuízo passou de US$ 10 bilhões.

Com o país falido, os militares anunciaram uma abertura democrática em 2010 e a LND voltou a pedir registro como partido político, em 2011. O governo Barack Obama apoiou a democratização. Nas eleições de 2012, ela chegou à Assembleia da União. No mesmo ano, foi aos EUA, recebeu a Medalha de Ouro do Congresso e esteve com o presidente Obama na Casa Branca.

Em 2015, a LND obteve outra grande vitória, mas Suu Kyi foi barrada de se candidatar à Presidência por ser viúva de um estrangeiro e ter dois filhos estrangeiros. Virou então, em 2026, Conselheira do Estado, uma espécie de primeira-ministra, cargo que exercia até o golpe. 

Desde então, ela está prisão domiciliar. A primeira acusação foi de importar 10 equipamentos de telecomunicações tipo walkie-talkie. Depois, também foi denunciada por violar a Lei de Gestão de Desastres, por interagir com uma multidão durante a pandemia do novo coronavírus, e incitação a distúrbios da ordem pública. Pode ser condenada a até nove anos de prisão.

O presidente U Win Myint também está preso e incomunicável sob a acusação de infringir a lei sobre catástrofes e incitar a distúrbios da ordem. O prefeito da capital, Naipidau, Myo Aung, foi denunciado por incitar à desordem.

No governo, Suu Kyi manchou sua imagem internacional ao aceitar o genocídio da etnia muçulmana rohingya, vítima de massacres cometidos pelos militares, o que levou à fuga de 700 mil pessoas para Bangladesh em 2016 e 2017. Foi acusada de "legitimar o genocídio".

Diante do Tribunal Internacional de Justiça da ONU, em Haia, na Holanda, ela defendeu a atuação dos militares contra a minoria rohingya. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1984, pediu que o Nobel de Suu Kyi fosse retirado. Mas ela continua sendo a líder do país.

Ela pode ter se resignado diante da superioridade do poder de fato dos militares, mas há fortes suspeitas de que compactue com a visão nacionalista dos militares, que são budistas e enfrentam rebeliões de nove grupos armados de alguns dos 135 povos que vivem no país. Muitos lutam pela independência desde que o país deixou o Império Britânico.

A mais longa guerra civil em andamento no mundo justifica a ditadura e os massacres.

A China apoia a ditadura. Descreveu o golpe como uma "reforma ministerial". Nas ruas, os manifestantes denunciam o regime comunista chinês e pedem apoio aos EUA, que anunciaram sanções contra o golpe militar. O Japão, maior democracia da Ásia, ficou em silêncio.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Militares dão golpe e prendem líder civil de Mianmar

Os militares, que mandam em Mianmar, a antiga Birmânia, desde 1962, deram mais um golpe de Estado no país do Sudeste Asiático. A líder civil Aung San Suu Kyu, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991, e outros políticos foram presos. Horas antes, os militares decretaram estado de emergência por um ano. Legalmente, só o presidente Win Myint, aliado de Suu Kyi, poderia fazer isso. Ele também foi preso.

A desculpa para o golpe foi uma suposta fraude nas eleições parlamentares de novembro, vencidas por ampla margem pela Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Suu Kyi, que conquistou supermaiorias nas duas câmaras da Assembleia da União. Na quinta-feira, a comissão eleitoral rejeitou as alegações de fraude dos militares.

Com soldados ocupando as ruas da capital, Naupidai, e da principal cidade, Yangum, a antiga Rangum, o poder será transferido hoje para o comandante das Forças Armadas, general Min Aung Hlaing. O telefone e a Internet foram cortados, os voos domésticos foram cancelados e o aeroporto internacional de Yangum fechado. O novo Parlamento tomaria posse nesta semana.

Filha de Aung San, o herói da independência do país do Império Britânico, em 1948, Suu Kyi passou 15 anos em prisão domiciliar. Depois da ampla vitória da LND nas eleições de 8 de novembro de 2015, impedida de assumir a Presidência, foi nomeada Conselheira do Estado, um cargo comparado ao de primeira-ministra.

Em 2017, centenas de milhares de muçulmanos do povo rohingya fugiram de Mianmar para escapar de um genocídio cometido pelo Exército. A maioria era refugiada ou descendente de refugiados da guerra da independência de Bangladesh, a República de Bengala, que se tornou independente do Paquistão em 1971.

Suu Kyi ignorou os apelos da sociedade internacional para proteger os rohingyas. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1984, chegou a pedir que o prêmio dela fosse cassado. Ela perdeu a aura de defensora dos direitos humanos.

Os Estados Unidos, a União Europeia e a Austrália exigiram a restauração da democracia e liberdade para os presos políticos.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Mianmar solta jornalistas presos por denunciar massacre do Exército

Depois de 511 dias de prisão, Mianmar libertou hoje dois jornalistas condenados por denunciar um massacre cometido pelo Exército do país na guerra contra a minoria rohingya num processo que gerou pesadas críticas ao desrespeito aos direitos humanos pelo governo mianmarense.

Wa Lone, de 33 anos, e Kyaw Soe Oo, de 29, foram presos em dezembro de 2017 e considerados culpados com base na Lei de Segredos Oficiais, do tempo em que a antiga Birmânia era uma colônia do Império Britânico. Em setembro de 2018, pegaram sete anos de cadeia.

Hoje, saíram da prisão por causa de uma anistia dada pelo presidente Win Myint a 6.250 prisioneiros no início do Ano Novo pelo calendário tradicional de Mianmar.

"Estou feliz e ansioso para ver minha família e meus colegas", declarou Wa Lone, citado pela agência de notícias Reuters. "Não vejo a hora de voltar à redação."

A reportagem que provocou a ira dos militares denunciou o massacre de 10 muçulmanos da minoria rohingya, perseguida pela maioria budista que domina Mianmar e o Exército, em Inn Din, no estado de Rakhine.

As autoridades mianmarenses reconheceram o massacre. No ano passado, sete soldados foram condenados a 10 anos de trabalhos forçados pelos crimes cometidos.

Mesmo assim, no mês passado, a Suprema Corte rejeitou um recurso dos jornalistas pedindo a revogação da sentença condenatória. Também no mês passado, a agência Reuters recebeu o Prêmio Politzer, o mais importante do jornalismo americano, pelo trabalho de reportagem em Mianmar, com destaque para as "notáveis contribuições" dos dois.

O caso suscitou pesadas críticas contra a principal líder política do país, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1991. Vários críticos pediram que o prêmio fosse retirado.

Mais de 730 mil rohingyas fugiram para Bangladesh para escapar da repressão em Mianmar, que não os reconhece como cidadãos alegando que são parte e descendentes de refugiados da Guerra da Independência de Bangladesh, em 1971.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Mianmar condena repórteres à prisão por divulgar segredos de Estado

A Justiça de Mianmar, a antiga Birmânia, condenou hoje dois jornalistas da agência de notícias Reuters a sete anos de cadeia por obter e divulgar segredos de Estado sobre o conflito com a minoria étnica rohingya. As Forças Armadas do país são acusadas de genocídio contra os rohingyas, que são muçulmanos.

Wa Lone e Kyae Soe Oo relataram graves violações dos direitos humanos nas operações dos militares mianmarenses no estado de Rakhine, no Oeste de Mianmar. A polícia plantou documentos secretos para incriminar os repórteres, alegou a defesa.

A denúncia foi feita com base na Lei de Segredos de Estado, reminiscência do período colonial britânico, encerrado em 1948. Os promotores afirmaram que os documento secretos foram roubados para ganho financeiro da Reuters em prejuízo dos interesses nacionais de Mianmar, uma linguagem típica da ditadura militar que o país foi até pouco tempo e de que não consegue se livrar.

Suas reportagens revelaram o massacre de dez homens e garotos amarrados uns aos outros na vila de Inn Din, uma das raras ocasiões em que o Exército foi obrigado a reconhecer as atrocidades cometidas pelos soldados.

Os militares de Mianmar foram acusados pelos investigadores da ONU por cerca de 10 mil mortes e pela fuga do país de mais de 700 mil rohingyas, que foram para o vizinho Bangladesh, a República de Bengala, criada com a independência do antigo Paquistão Oriental, em 1971.

A linha dura das Forças Armadas da Birmânia, que desgovernaram o país de 1962 até 2016 e ainda têm plenos poderes para combater várias minorias étnicas rebeldes. A líder civil do país é Aung San Suu Kyi, que passou a maior parte das três últimas décadas em prisão domiciliar e ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991.

Suu Kyi tem sido extremamente criticada pelo silêncio diante das atrocidades dos generais. A luta contra as minorias étnicas e religiosas têm o apoio da maioria budista e o silêncio da filha do líder da independência, que se tornou o símbolo da luta pela democracia no país, enquanto os militares falam em "acabar com o problema bengalês", como se os rohingyas fossem imigrantes ilegais.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

ONU acusa Forças Armadas de Mianmar de genocídio

As Forças Armadas de Mianmar, a antiga Birmânia, cometeram crimes de guerra e crimes contra a humanidade contra a minoria rohingya, no estado de Rakhine, que configuram genocídio, denunciou um relatório das Nações Unidas, citado pelo jornal inglês The Guardian, pedindo ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que abra os devidos processos.

Como o governo de Mianmar não deixou os investigadores da ONU entrarem no país, eles entrevistaram 875 pessoas que fugiram. Essas testemunhas contaram que os militares "mataram indiscriminadamente, violentaram mulheres, atacaram crianças e incendiaram vilas inteiras" em Kakhine, onde vivem os muçulmanos rohingya, e também nos estados de Chan e Kachin, onde há outros grupos étnicos rebeldes.

Os militares mianmarenses são acusados de homicídios, prisão arbitrárias, sequestros, desaparecimento depessoas, tortura, estupro, perseguição e escravização - todos crimes contra a humanidade. No Norte de Rakhine, foram coletadas provas de extermínio em massa e deportação.

"As recomendações claras do relatório mostrou a necessidade óbvia de dar passos concretos para levar à Justiça esses crimes atrozes, em vez de condenações e expressões de preocupação vazias", declarou o diretor para a Ásia da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos), Brad Adams.

"Este relatório deve eliminar qualquer dúvida sobre a urgência de investigar as responsabilidades por essas atrocidades em massa", acrescentou.

Em um ano de ofensiva militar, cerca de 25 mil rohingyas foram mortos e 700 mil fugiram para Bangladesh. O maior acusado é o comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Min Aung Hlaing, que prometeu resolver "o antigo problema bengalês".

Minutos depois da divulgação do relatório, o Facebook tirou da rede 18 contas e 52 páginas ligados aos militares de Mianmar, inclusive uma do general. Eles foram usadas para culpar "terroristas muçulmanos" pelos massacres.

"Queremos impedir que usem nosso serviço para inflamar ainda mais as tensões étnicas e religiosas", declarou o Facebook.

sábado, 28 de abril de 2018

Milhares de pessoas fogem de Mianmar

Além do genocídio dos rohingyas, outro conflito étnico põe milhares de pessoas em fuga em Mianmar por causa da ofensiva do Exército contra os rebeldes da minoria kachin no Noroeste do país, junto à fronteira com a China,  informaram as Nações Unidas.

Desde abril, mais de 4 mil pessoas fugiram de suas casas, diante do agravamento do longo conflito entre forças governamentais e o Exército Independente Kachin. Os militares estão bombardeando os kachins com artilharia e a Força Aérea.

Um cessar-fogo foi rompido em 2011. Os kachins são uma minoria cristã num país budista onde a ditadura militar historicamente discriminou as minorias religiosas e agora, mesmo sob um governo parcialmente eleito, o Exército massacrou a minoria muçulmana rohingya, deflagrando a fuga de 600 mil pessoas.

A crise dos rohingya abalou o prestígio e a honra da principal líder política de Mianmar, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1991 por sua luta contra a ditadura militar.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

"Teu silêncio tem um preço alto", o bispo Tutu alerta Aung San Suu Kyi

Diante da perseguição e fuga da minoria muçulmana rohingya sob pressão do Exército de Mianmar, o arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984 pela luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, enviou uma carta advertindo a líder do movimento pela democratização do país, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Nobel da Paz em 1991: "Teu silêncio tem um preço muto alto."

Para o bispo Tutu, o "horror" e "limpeza étnica" no estado de Rakhine, com uma fuga que pode chegar a 300 mil rohingyas para o vizinho e miserável Bangladesh, o obrigou a escrever para a mulher que se acostumou a chamar de "minha querida e amada irmã".

O Exército realiza uma operação punitiva desde 25 de agosto, quando o grupo rebelde Exército de Salvação Rohingya Arakan atacou vários postos policiais. As Nações Unidas estimam que o total de mortos passe de mil.

Suu Kyi, filha de Aung San, líder da independência da Birmânia do Império Britânico, em 1948, se tornou o maior símbolo da luta pela democracia contra uma ditadura militar que embruteceu e empobreceu o país desde 1962.

Em 1990, sua Liga Nacional pela Democracia obteve uma vitória eleitoral esmagadora. Os militares anularam o resultado e mantiveram Suu Kyi em prisão domiciliar durante 15 anos. Cinco anos depois de ser libertada, ele liderou a LND à vitória nas primeiras eleições, em 2015.

Desde então, proibida de governar o país por uma lei feita sob medida pela ditadura por ter sido casada com um estrangeiro (britânico), é o poder por trás do trono como Primeira Conselheira do Estado. Teve de fazer concessões os militares, que aparentemente continuam tendo carta branca para atacar as inúmeras minorias étnicas de Mianmar.

Pelo menos 13 grupos armados aderiram a um cessar-fogo, mas cinco continuam ativos. A situação do povo rohingya, muçulmano, massacrado e perseguido pelo Exército da maioria budista, é a mais trágica.

Acusada de omissão, Suu Kyi desqualificou as denúncias de violações dos direitos humanos como "desinformação" e chamou os rohingyas de "terroristas".

"Sou agora velho, decrépito e formalmente aposentado, mas quebro meu voto de permanecer em silêncio sobre questões públicas por causa de uma tristeza profunda", escreveu Tutu.

"Durante anos, tive uma fotografia sua na minha mesa para me lembrar da injustiça e do sacrifício que você suportou por causa de seu amor e compromisso com o povo de Mianmar. Você simbolizava a correção.

"Sua emergência na vida pública aliviou nossas preocupações sobre a violência perpetrada contra membros do povo rohingya. Mas o que alguns chamam de 'limpeza étnica' e outros de um 'genocídio lento' persistiu - e recentemente se acelerou.

"É incongruente para um símbolo da correção liderar um país assim", criticou o arcebispo sul-africano. "Se o preço político por sua ascensão aos mais altos cargos em Mianmar é o teu silêncio, é certamente um preço alto demais."

A mais jovem ganhadora do Nobel da Paz, a estudante paquistanesa Malafa Yousafzai, também fez um apelo a Suu Kyi: "Toda vez que vejo as notícias meu coração se parte. Nos últimos anos, condenei repetidamente esse tratamento trágico e vergonhoso. Ainda estou esperando que minha colega laureada com o Nobel Aung San Suu Kyi faça o mesmo."

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Rebeldes de Mianmar atacam perto da fronteira com a China

Centenas de rebeldes de diferentes grupos étnicos lançaram uma série de ataques contra postos militares do Exército de Mianmar no estado de Chã, no Norte do país, perto da fronteira com a China, reportou o jornal Myanmar Times. Outros ataques foram relatados no estado de Raquine, no Oeste de Mianmar.

A ofensiva é uma ação combinada de vários grupos rebeldes de base étnica: o Exército Nacional de Libertação Taang, o Exército Independente Kachin, o Exército da Aliança Democrática Nacional de Mianmar e o Exército Arakã.

De acordo com um porta-voz do  Exército Nacional de Libertação Taang, a ofensiva rebelde é uma resposta a operações militares recentes nos estados de Chã, Kachin e Raquine. Pelo menos 900 civis fugiram das regiões conflagradas. Alguns atravessaram a fronteira com a China.

Por outro lado, o Exército Popular de Libertação da China entrou em alerta máxima, noticiou a agência Reuters.

Alguns exércitos rebeldes controlam regiões ricas em recursos naturais e resistem em ceder o poder ao governo central de Mianmar.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Assessor de Aung San Suu Kyi assume Presidência de Mianmar

Htin Kyaw, um assessor de Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, assumiu hoje a Presidência de Mianmar, a antiga Birmânia, noticiou a Agência France Presse (AFP). É o primeiro governo eleito democraticamente depois de mais de 50 anos de ditadura militar.

O general da reserva Myint Swe e Henry Van Thio, da minoria étnica chin, foram empossados como vice-presidentes. Suu Kyi foi nomeada ministro do Exterior, mas deixou claro que será o poder real por trás do trono no país do Sudeste Asiático.

Ela não pode presidir o país por causa de uma lei aprovada pela ditadura barrando pessoas casadas com estrangeiros ou que tenham filhos com estrangeiros possam chefiar o Estado. Suu Kyi é viúva de um britânico, com quem teve filhos.

A Liga Nacional pela Democracia, que domina o novo governo, pretende integrar as diversas minorias étnicas que lutaram contra a ditadura militar, mas os militares devem resistir. Há 17 grupos armados em luta contra o governo. Depois de ficar no poder desde 1962, os militares dominam a burocracia e a economia de Mianmar.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Mianmar tem primeiro Parlamento democrático em mais de 50 anos

Depois de mais de meio século de ditadura militar, Mianmar (antiga Birmânia) empossou hoje o primeiro Parlamento parcialmente eleito. A maioria é da Liga Nacional pela Democracia, liderada por Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, mas ela está legalmente impedida de concorrer à Presidência.

A LND elegeu 255 dos 440 deputados e 135 dos 224 senadores, acabando na prática com o domínio absoluto dos militares sobre este empobrecido país do Sudeste Asiático, que vinha desde 1962. Mas os militares controlam 25% das cadeiras e têm poder de veto sobre reformas constitucionais. O comandante das Forças Armadas tem a prerrogativa de nomear os ministros da Defesa e do Interior.

Win Myint, da LND, foi eleito presidente do Parlamento, e T-Khun Myat, da minoria étnica kachin, vice.

O desafio da LND é formar uma coalizão que atraia os pequenos partidos representando minorias étnicas sem alienar a maioria nacionalista e budista nem os militares, que ainda controlam boa parte do Parlamento e da economia do país.

Suu Kyi advertiu que seja quem for o presidente do país, a ser eleito indiretamente, quem vai mandar é ela, num desafio aos militares. Filha de Aung San, o herói da independência do país do Império Britânico em 1948, não pode ser presidente porque é viúva de um britânicos e tem filhos cidadãos britânicos, uma cláusula constitucional incluída sob medida para afastá-la.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Partido da ditadura reconhece vitória da oposição em Mianmar

A Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, venceu as primeiras eleições democráticas realizadas em Mianmar, a antiga Birmânia, depois de 25 anos, admitiu hoje o presidente Partido da União Solidariedade e Desenvolvimento (PUSD), Htay Oo, citado pela agência Reuters.

Os resultados oficiais ainda não foram divulgados. Ainda não está claro se a LND terá a supermaioria de dois terços necessária para governar sem fazer aliança com outros partidos. A Constituição imposta pela ditadura militar que governa a antiga Birmânia desde 1962 e mudou o nome do país para Mianmar reserva 25% das cadeiras na Assembleia Nacional para indicados pelas Forças Armadas.

Com base em pesquisas de boca de urna e resultados parciais, um porta-voz da LND estimou que o partido possa eleger mais de 70% dos deputados. O novo Parlamento será responsável pela próxima eleição presidencial.

Em 1990, quando a LND conquistou 392 das 492 cadeiras, a junta militar ignorou o resultado, colocou Suu Kyi em prisão domiciliar e governou como Conselho de Estado para a Paz e o Desenvolvimento até 2011, quando começou a abertura democrática. Desta vez, os militares prometeram acatar a decisão das urnas.

Para barrar o acesso de Suu Kyi, filha de Aung San, herói da independência nacional, obtida do Império Britânico em 1947, os militares introduziram uma cláusula na Constituição feita sob medida para impedir que pessoas casadas com estrangeiros ou filhos de estrangeiros sejam presidentes. O falecido marido da líder oposicionista era britânicos e ela tem filhos britânicos

De qualquer maneira, Mianmar sai das eleições com um ambiente político mais pluralista, mais complexo e etnicamente carregado num momento de crescimento rápido e mudanças que vão definir o futuro do país. Se a LND confirmar a vitória e eleger o presidente, Suu Kyi vai governar, mesmo que seja indiretamente.

Seus principais desafios serão combater a corrupção endêmica, criar um ambiente econômico capaz de gerar milhões de empregos e resolver os conflitos étnicos de minorias que denunciavam discriminação sob a ditadura militar.

sábado, 10 de outubro de 2015

Mianmar acusa China de sabotar negociações de paz

O principal negociador do governo de Mianmar, a antiga Birmânia, acusou a China de boicotar uma tentativa de acertar um cessar-fogo nacional com dois grupos étnicos rebeldes, noticiou hoje o jornal The Irrawaddy, citado pela agência Reuters.

Min Zaw Oo afirmou que um diplomata chinês  pressionou o Exército do Estado Unido de Wa e a Organização Independente Kachin e não assinar o acordo de paz. De 15 grupos étnicos rebeldes, que incluem até a etnia hã, majoritária na China, só nove aderiram ao acordo até agora ou devem fazer isso até o prazo, 15 de outubro.

A China nega qualquer interferência e alega defender o diálogo entre as partes para chegar à paz.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Líder de Mianmar quer paz e desenvolvimento

A pacificação dos conflitos étnicos, o desenvolvimento industrial e a geração de empregos são os principais objetivos do presidente Thein Sein, o ex-general convertido no primeiro civil a governar Mianmar desde que as Forças Armadas tomaram o poder neste país do Sudeste da Ásia, em 1962.

Em uma de suas primeiras entrevistas em um ano e meio no cargo, esse filho de camponeses humildes do Sudeste do país lembrou sua atuação nos anos 70 contra rebeldes no Norte da antiga Birmânia, rebatizada de Mianmar pela ditadura militar.

"Como um soldado que passou toda a carreira lutando contra estes grupos armados,  eu os via como inimigos. Mas, quando me tornei presidente, percebi que a morte de um soldado kachin é o mesmo que a morte de um soldado do Exército Nacional. É morte de um cidadão de Mianmar e portanto uma perda para o país", declarou o presidente. "Agora, não vejo mais as forças rebeldes como inimigas, mas como parte da solução", disse ao jornal inglês Financial Times.

Seu governo já assinou acordos de paz com 10 dos 11 grupos rebeldes armados em atuação em Mianmar. Faltam apenas os kachins.

Desde que se tornou primeiro-ministro, em 2007, Thein Sein visitou os países vizinhos e foi à Assembleia Geral das Nações Unidas para romper o isolamento diplomático do país, que tinha na China sua principal aliada. Isso foi mais importante depois do ciclone Nargis, que arrasou o Sudoeste de Mianmar em 2008.

Na eleição de 2010, o ditador Than Shwe indicou Thein Sein como candidato a presidente. A votação foi boicotada pela líder da oposição, Aung San Suu Kyu, e considerada fraudulenta por observadores internacionais.

O presidente iniciou seu mandato sob uma aura de suspeição. Em meados do ano passado, ele lançou seu programa de reformas radicais para acabar com o isolamento e a ruína econômica em que 50 anos de ditaduras militares deixaram Mianmar.

Suu Kyi foi eleita deputada e tomou posse. Além de negociar a paz com as minorias étnicas, Thein Sein  reformou sindicatos e a previdência social, liberalizou as finanças e permitiu a flutuação parcial da moeda, o kyat.

"Tive uma origem muito pobre. Experimentei em primeira mão a pobreza deste país, e isso está relacionado com meu desejo, desde o momento em que me tornei presidente, de fazer da redução da pobreza uma prioriedade para este país", acrescentou Thein Sein.

A meta do governo é reduzir a pobreza de 26% para 16% da população até 2015 e triplicar neste período a renda média por habitante, que hoje é de apenas US$ 750.

sábado, 16 de junho de 2012

Suu Kyi recebe Nobel de Paz 21 anos depois

Ao receber hoje em Oslo, na Noruega, o Prêmio Nobel da Paz de 1991, a líder da oposição em Mianmar, a antiga Birmânia, Aung San Suu Kyi, declarou que "o problema do acesso à justiça no meu país não é um problema de uma pessoa só".

Suu Kyi passou a maior parte dos últimos 20 anos em prisão domiciliar. Foi libertada e se elegeu deputada. Muitos de seus correligionários continuam na cadeia, em condições muito difíceis.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Líder da oposição toma posse no Parlamento de Mianmar

A líder da oposição contra a ditadura que há 50 anos desgraça Mianmar, Aung San Suu Kyi, tomou posse hoje de sua cadeira de deputada no Parlamento da antiga Birmânia, depois de alguns dias de relutância em jurar lealdade ao regime que combate. Ela passou a maior parte dos últimos 20 anos em prisão domiciliar.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Ban Ki Moon pede fim das sanções a Mianmar

No primeiro discurso de um estrangeiro no Parlamento de Mianmar, a antiga Birmânia, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon, pediu hoje a suspensão das sanções internacionais ao país, que iniciou um processo de democratização depois de 50 anos de ditadura militar.

A líder da oposição, Aung San Suu Kyu, da Liga Nacional pela Democracia, voltou atrás e já admite prestar o juramento exigido para assumir a cadeira de deputada. Ela se negava a jurar lealdade a um regime que considera ilegítimo.

domingo, 1 de abril de 2012

Aung San Suu Kyu é eleita deputada em Mianmar

Depois de passar a maior parte dos últimos 22 anos em prisão domiciliar, finalmente a líder da oposição em Mianmar, a antiga Birmânia, foi eleita hoje para o parlamento deste país do Sudeste Asiático, que está em processo de democratização para acabar com 50 anos de ditadura militar.

Seu partido, a Liga Nacional pela Democracia, venceu as eleições de 1990, anuladas pela junta militar da época, e só agora volta a disputar eleições. Ganhou hoje 44 das 45 cadeiras em disputa.

Suu Kyu ganhou o Prêmio Nobel da Paz 1991 por sua luta pacífica contra a ditadura.