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domingo, 4 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Janeiro

  INDEPENDÊNCIA DA BIRMÂNIA

    Em 1948, a Birmânia, o país mais ao norte do Sudeste Asiático, conquista formalmente a independência do Império Britânico, concluindo a transferência de poder negociada em 1947 entre o líder birmanês Aung San e o primeiro-ministro do Reino Unido, Clement Atlee.

A região é habitada desde a pré-história. Desde o primeiro milênio da Era Cristã, é uma rota de passagem entre a China e Índia. Tem uma forte influência da cultura indiana. O budismo chega no século 9 e se torna a religião dominante no século 11.

O Império Mongol conquista o que hoje é a Birmânia do início do século 13 ao fim do século 14.. No século 16, o rei Tabinshweti e o filho conseguem unificar o país com a ajuda dos portugueses. Em 1599, o Reino de Pegu passa a fazer parte do Império Português.

Na dinastia criada por Alaungpaya, o reino de expande para o Oeste e entra em conflito com a Companhia das Índias Ocidentais, que toma Bengala em 1757 a serviço do Império Britânico. Depois das guerras de 1824-26, 1852 e 1885, os britânicos colonizam o país e dão o nome de Birmânia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Império do Japão domina a Birmânia. Com o fim da guerra, os países do Sudeste Asiático conquistam a independência.

A Birmânia é um país relativamente próspero até 1962, quando o general Ne Win dá um golpe e socializa a maior parte da economia do país, iniciando uma era de domínio dos militares que continua até hoje.

Em 1989, a ditadura militar rebatiza o país como União de Mianmar. Um breve período de redemocratização começa em 2011 sob a liderança de Aung San Suu Kyi, filha do líder da independência que passa anos em prisão domiciliar e ganha o Prêmio Nobel da Paz em 1991. 

Como conselheira do Estado a partir de 6 de abril de 2016, Suu Kyi chefia o governo como uma espécie de primeira-ministra até o golpe militar de 1º de fevereiro de 2021, quando ela e o presidente Win Myint são presos. Desde então, Mianmar está em guerra civil, um dos piores conflitos hoje no mundo. No momento, a ditadura realiza eleições numa tentativa de se legitimar.

GRANDE SOCIEDADE

    Em 1965, no Discurso sobre o Estado da União, o presidente Lyndon Johnson lança o programa social Grande Sociedade. 

Depois do assassinato do presidente John Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume o cargo e é eleito em 1964 com votação recorde no voto popular. 

No discurso, a prestação anual de contas do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, ele anuncia a criação dos programas de saúde Medicaid (para pobres) e Medicare (para idosos), a Lei de Direitos Civis, a Lei dos Direitos de Voto e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Com a Lei de Oportunidade Econômica, Johnson declara guerra à pobreza com políticas de educação infantil e de emprego.

Apesar do projeto Grande Sociedade, Johnson se torna extremamente impopular com o envolvimento direto dos EUA na Guerra do Vietnã (1964-73) e não se candidata à reeleição em 1968.

NIXON NÃO ENTREGA FITAS

    Em 1974, o presidente Richard Nixon (1969-74) se recusa a entregar documentos da Casa Branca pedidos pela comissão do Senado que investiga o Escândalo de Watergate, a invasão de sede do Partido Democrata em Washington em 17 de junho de 1972 pelo grupo de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de espionagem. 

É o início do fim de seu governo. O caso vai até a Suprema Corte, que manda o presidente entregar as fitas, que revelam obstrução de justiça. Nixon renuncia sete meses depois, em 9 de agosto. 

PRIMEIRA PRESIDENTE DA CÂMARA

    Em 2007, com a retomada do controle da Câmara dos Representantes pelo Partido Democrata, a deputada californiana Nancy Pelosi é a primeira mulher a presidir a casa legislativa. É a única mulher a presidir a Câmara até hoje.

"É um momento histórico para o Congresso e para a mulher neste país, um momento que estamos esperando há 200 anos", declarou Pelosi. "Para nossas filhas e netas, quebramos o teto de mármore. Para nossas filhas e netas, o céu é o limite. Tudo é possível para elas."

Nancy Pelosi começa a carreira política 20 anos antes como deputada federal. Entra para a liderança do Partido Democrata em 2001 e se torna líder na Câmara em 2003. Ela preside a Câmara dos Representantes de 2007-11 e 2019-23.

EDIFÍCIO MAIS ALTO DO MUNDO

    Em 2010, o emirado árabe de Dubai inaugura o edifício mais alto do mundo, Burj Khalifa, a Torre do Califa, com 828 metros e 160 andares, um projeto de US$ 1,5 bilhão.

O edifício faz parte de um complexo industrial e comercial com área de dois quilômetros quadrados no Centro de Dubai. A obra, realizada pela empresa sul-coreana Samsung Engenharia & Construções, começa em 21 de setembro de 2004. O preço inicial do metro quadrado das salas para escritórios é de US$ 43 mil.

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sábado, 4 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Janeiro

 INDEPENDÊNCIA DA BIRMÂNIA

    Em 1948, a Birmânia, o país mais ao norte do Sudeste Asiático, conquista formalmente a independência do Império Britânico, concluindo a transferência de poder negociada em 1947 entre o líder birmanês Aung San e o primeiro-ministro do Reino Unido, Clement Atlee.

A região é habitada desde a pré-história. No primeiro milênio da Era Cristã, é uma rota de passagem entre a China e Índia. Tem uma forte influência da cultura indiana. O budismo chega no século 9 e se torna a religião dominante no século 11.

O Império Mongol conquista o que hoje é a Birmânia do início do século 13 ao fim do século 14.. No século 16, o rei Tabinshweti e o filho conseguem unificar o país com a ajuda dos portugueses. Em 1599, o Reino de Pegu passa a fazer parte do Império Português.

Na dinastia criada por Alaungpaya, o reino de expande para o Oeste e entra em conflito com a Companhia das Índias Ocidentais, que toma Bengala em 1757 a serviço do Império Britânico. Depois das guerras de 1824-26, 1852 e 1885, os britânicos colonizam o país e dão o nome de Birmânia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Império do Japão domina a Birmânia. Com o fim da guerra, os países do Sudeste Asiático conquistam a independência.

A Birmânia é um país relativamente próspero até 1962, quando o general Ne Win e dá um golpe e socializa a maior parte da economia do país, iniciando uma era de domínio dos militares que continua até hoje.

Em 1989, a ditadura militar rebatiza o país como União de Mianmar. Um breve período de redemocratização começa em 2011 sob a liderança de Aung San Suu Kyi, filha do líder da independência que passa anos em prisão domiciliar e ganha o Prêmio Nobel da Paz em 1991. 

Como conselheira do Estado a partir de 6 de abril de 2016, Suu Kyi chefia o governo como uma espécie de primeira-ministra até o golpe militar de 1º de fevereiro de 2021, quando ela e o presidente Win Myint são presos. Desde então, Mianmar está em guerra civil, um dos piores conflitos hoje no mundo.

GRANDE SOCIEDADE

    Em 1965, no Discurso sobre o Estado da União, o presidente Lyndon Johnson lança o programa social Grande Sociedade. 

Depois do assassinato do presidente John Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume o cargo e é eleito em 1964 com votação recorde no voto popular. 

No discurso, a prestação anual de contas do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, ele anuncia a criação dos programas de saúde Medicaid (para pobres) e Medicare (para idosos), a Lei de Direitos Civis, a Lei do Direito de Voto e o Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano.

Com a Lei de Oportunidade Econômica, Johnson declara guerra à pobreza com políticas de educação infantil e de emprego.

Apesar do projeto Grande Sociedade, Johnson se tornou extremamente impopular com o envolvimento direto dos EUA na Guerra do Vietnã (1964-73) e não se candidatou à reeleição em 1968.

NIXON NÃO ENTREGA FITAS

    Em 1974, o presidente Richard Nixon (1969-74) se recusa a entregar documentos da Casa Branca pedidos pela comissão do Senado que investiga o Escândalo de Watergate, a invasão de sede do Partido Democrata em Washington em 17 de junho de 1972 pelo grupo de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de espionagem. 

É o início do fim de seu governo. O caso vai até a Suprema Corte, que manda o presidente entregar as fitas, que revelam obstrução de justiça. Nixon renuncia sete meses depois, em 9 de agosto. 

PRIMEIRA PRESIDENTE DA CÂMARA

    Em 2007, com a retomada do controle da Câmara dos Representantes pelo Partido Democrata, a deputada californiana Nancy Pelosi é a primeira mulher a presidir a casa legislativa. É a única mulher a presidir a Câmara até hoje.

"É um momento histórico para o Congresso e para a mulher neste país, um momento que estamos esperando há 200 anos", declarou Pelosi. "Para nossas filhas e neta, quebramos o teto de mármore. Para nossas filhas e netas, o céu é o limite. Tudo é possível para elas."

Nancy Pelosi começa a carreira política 20 anos antes como deputada federal. Entra para a liderança do Partido Democrata em 2001 e se torna líder na Câmara em 2003. Ela preside a Câmara dos Representantes de 2007-11 e 2019-23.

EDIFÍCIO MAIS ALTO DO MUNDO

    Em 2010, o emirado árabe de Dubai inaugura o edifício mais alto do mundo, Burj Khalifa, a Torre do Califa, com 828 metros e 160 andares, um projeto de US$ 1,5 bilhão.

O edifício faz parte de um complexo industrial e comercial com área de dois quilômetros quadrados no Centro de Dubai. A obra, realizada pela empresa sul-coreana Samsung Engenharia & Construções, começa em 21 de setembro de 2004. O preço inicial do metro quadrado das salas para escritórios é de US$ 43 mil.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Ditadura de Mianmar abre fogo e mata 18 manifestantes

 É uma tragédia anunciada desde que o povo saiu às ruas para rejeitar o golpe militar de 1º de fevereiro em Mianmar, a antiga Birmânia, um país do Sudeste Asiático. Duas pessoas haviam sido mortes em protestos anteriores. 

Hoje, as forças de segurança abriram fogo contra manifestações em  mais de uma cidade. Pelo menos 18 pessoas morreram no domingo sangrento em Yangum, a antiga Rangun, maior cidade do país. Algumas fontes falam em 26 mortos.

Os militares derrubaram o governo civil sob a alegação de que houve fraude maciça nas eleições de 8 de novembro de 200, em que a Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Aung San Suu Kyi,  conquistou ampla maioria na Câmara dos Representantes e na Câmara das Nacionalidades da Assembleia da União, o parlamento bicameral do país.

Até agora, as Forças Armadas e a polícia estavam usando gás lacrimogênio, bombas de efeito moral e balas de borracha. Neste domingo, pela primeira vez, usaram munição real em Yangum, Mandalay, Bago e Dawei. O Escritório dos Direitos Humanos das Nações Unidas no país condenou a violência e declarou que "o uso de violência letal contra manifestantes não violentos nunca é justificável sob as normas internacionais dos direitos humanos."

"Quantas vidas são necessárias para a ONU agir?", perguntou Nyi Nyi Aung Htet Naing no sábado à noite no Facebook. No domingo, o engenheiro civil de 23 anos foi baleado e morto em Yangum.

Os militares mandam em Mianmar desde um golpe em 1962. Transformaram um dos países mais ricos da região num dos mais pobres e atrasados. Em 8 de agosto de 1988, massacraram 3 mil pessoas em Yangum, a antiga capital e principal cidade do país, no chamado Levante 8888.

A principal líder civil do país, Aung San Suu Kyi, é filha do herói da independência do país do Império Britânico, em 1948, Aung San, assassinado pouco antes da independência. Suu Kyu estudou na Universidade de Déli, na Índia e nas Universidades de Oxford e de Londres, na Inglaterra, casou-se com um inglês e trabalhou na ONU em Nova York.

Suu Kyi voltou ao país para cuidar da mãe doente em 1988. Diante do massacre, tornou-se líder da oposição com um comício para 500 mil pessoas em 26 de agosto e fundou a LND. No ano seguinte, foi colocada em prisão domiciliar. A LND conquistou 59% dos votos e 81% das cadeiras da Assembleia da União em 1990. Os militares anularam as eleições.

Em 1991, Suu Kyu ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Presa em casa, não pôde receber. Durante 21 anos, ela ficou 15 em prisão domiciliar. Duas vezes, em 1996 e 2003, sua caravana foi atacada quando fazia política no interior do país.

A breve experiência democrática mianmarense veio em consequência de uma catástrofe da natureza. Com ventos de até 215 quilômetros por hora, o ciclone Nargis arrasou a região do delta do Rio Irauádi. Mais de 138 mil pessoas morreram. O prejuízo passou de US$ 10 bilhões.

Com o país falido, os militares anunciaram uma abertura democrática em 2010 e a LND voltou a pedir registro como partido político, em 2011. O governo Barack Obama apoiou a democratização. Nas eleições de 2012, ela chegou à Assembleia da União. No mesmo ano, foi aos EUA, recebeu a Medalha de Ouro do Congresso e esteve com o presidente Obama na Casa Branca.

Em 2015, a LND obteve outra grande vitória, mas Suu Kyi foi barrada de se candidatar à Presidência por ser viúva de um estrangeiro e ter dois filhos estrangeiros. Virou então, em 2026, Conselheira do Estado, uma espécie de primeira-ministra, cargo que exercia até o golpe. 

Desde então, ela está prisão domiciliar. A primeira acusação foi de importar 10 equipamentos de telecomunicações tipo walkie-talkie. Depois, também foi denunciada por violar a Lei de Gestão de Desastres, por interagir com uma multidão durante a pandemia do novo coronavírus, e incitação a distúrbios da ordem pública. Pode ser condenada a até nove anos de prisão.

O presidente U Win Myint também está preso e incomunicável sob a acusação de infringir a lei sobre catástrofes e incitar a distúrbios da ordem. O prefeito da capital, Naipidau, Myo Aung, foi denunciado por incitar à desordem.

No governo, Suu Kyi manchou sua imagem internacional ao aceitar o genocídio da etnia muçulmana rohingya, vítima de massacres cometidos pelos militares, o que levou à fuga de 700 mil pessoas para Bangladesh em 2016 e 2017. Foi acusada de "legitimar o genocídio".

Diante do Tribunal Internacional de Justiça da ONU, em Haia, na Holanda, ela defendeu a atuação dos militares contra a minoria rohingya. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1984, pediu que o Nobel de Suu Kyi fosse retirado. Mas ela continua sendo a líder do país.

Ela pode ter se resignado diante da superioridade do poder de fato dos militares, mas há fortes suspeitas de que compactue com a visão nacionalista dos militares, que são budistas e enfrentam rebeliões de nove grupos armados de alguns dos 135 povos que vivem no país. Muitos lutam pela independência desde que o país deixou o Império Britânico.

A mais longa guerra civil em andamento no mundo justifica a ditadura e os massacres.

A China apoia a ditadura. Descreveu o golpe como uma "reforma ministerial". Nas ruas, os manifestantes denunciam o regime comunista chinês e pedem apoio aos EUA, que anunciaram sanções contra o golpe militar. O Japão, maior democracia da Ásia, ficou em silêncio.