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sábado, 27 de março de 2021

Ditadura de Mianmar atira na multidão e mata mais de cem pessoas

 É uma terra de milhares de templos onde o budismo, uma religião pacifista, virou instrumento de dominação e repressão. No Dia das Forças Armadas, os militares que derrubaram o governo civil de Mianmar, a antiga Birmânia, em 1º de fevereiro atiraram hoje contra uma multidão de manifestantes desarmados e mataram 114 pessoas. Entre os mortos, há crianças de 5, 13 e 14 anos.

Pelo menos 420 mianmarenses foram mortos pela repressão desde o golpe militar. Mais de 3 mil foram presos, inclusive o presidente U Win Myint e a líder civil do país, Aung San Suu Kyi, filha do herói da independência do Império Britânico, Aung San, e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991. 

Hoje foi o dia mais sangrento. Desta vez. A história registra vários massacres cometidos pelo Exército de Mianmar. No pior, em resposta à rebelião de 8 de agosto de 1988, mais de 3 mil pessoas morreram, embora os militares só admitam 350 mortes.

Desde 1962, ditaduras militares dominam este país do Sudeste Asiático, transformando-o num dos mais pobres do continente, com um breve período democrático recentemente. Em 2015, a Liga Nacional pela Democracia venceu as eleições parlamentares e elegeu 86% dos deputados da Assembleia da União.

Como Suu Kyi é proibida de presidir o país por uma cláusula constitucional feita para impedi-la, por ter sido casada com um estrangeiro e ter filhos com dupla nacionalidade, ela foi nomeada conselheira e se tornou uma espécie de primeira-ministra.

Em pronunciando na televisão, o líder do golpe, general Min Aung Hlaing lembrou que Aung San foi o fundador das Forças Armadas do país, mas não citou a filha, mantida em prisão domiciliar. A ditadura anulou as eleições de 8 de novembro, outra vitória esmagadora da LND. O general prometeu realizar eleições democráticas, sem citar uma data.

Suu Kyi perdeu o prestígio por defender as ações do Exército contra a minoria étnica rohingya, inclusive perante o Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia na Holanda. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel de 1984, pediu que o prêmio da líder mianmarense fosse retirado.

Nos Estados Unidos, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, declarou-se "horrorizado pelo banho de sangue provocado pelas forças de segurança, que mostra que a junta sacrificará a vida das pessoas". O chefe da diplomacia dos Estados Unidos elogiou "a coragem do povo de Mianmar ao rejeitar o reino de terror dos militares."

O secretário-geral da ONU, António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal, condenou o massacre "nos termos mais duros". Mas o povo de Mianmar precisa de muito mais do que elogios dos EUA e condenações formais da ONU. Nas ruas de Yangum, Mandalay e Naipidau, pedem uma intervenção internacional e acusam a China de apoiar o golpe.

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Ditadura de Mianmar abre fogo e mata 18 manifestantes

 É uma tragédia anunciada desde que o povo saiu às ruas para rejeitar o golpe militar de 1º de fevereiro em Mianmar, a antiga Birmânia, um país do Sudeste Asiático. Duas pessoas haviam sido mortes em protestos anteriores. 

Hoje, as forças de segurança abriram fogo contra manifestações em  mais de uma cidade. Pelo menos 18 pessoas morreram no domingo sangrento em Yangum, a antiga Rangun, maior cidade do país. Algumas fontes falam em 26 mortos.

Os militares derrubaram o governo civil sob a alegação de que houve fraude maciça nas eleições de 8 de novembro de 200, em que a Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Aung San Suu Kyi,  conquistou ampla maioria na Câmara dos Representantes e na Câmara das Nacionalidades da Assembleia da União, o parlamento bicameral do país.

Até agora, as Forças Armadas e a polícia estavam usando gás lacrimogênio, bombas de efeito moral e balas de borracha. Neste domingo, pela primeira vez, usaram munição real em Yangum, Mandalay, Bago e Dawei. O Escritório dos Direitos Humanos das Nações Unidas no país condenou a violência e declarou que "o uso de violência letal contra manifestantes não violentos nunca é justificável sob as normas internacionais dos direitos humanos."

"Quantas vidas são necessárias para a ONU agir?", perguntou Nyi Nyi Aung Htet Naing no sábado à noite no Facebook. No domingo, o engenheiro civil de 23 anos foi baleado e morto em Yangum.

Os militares mandam em Mianmar desde um golpe em 1962. Transformaram um dos países mais ricos da região num dos mais pobres e atrasados. Em 8 de agosto de 1988, massacraram 3 mil pessoas em Yangum, a antiga capital e principal cidade do país, no chamado Levante 8888.

A principal líder civil do país, Aung San Suu Kyi, é filha do herói da independência do país do Império Britânico, em 1948, Aung San, assassinado pouco antes da independência. Suu Kyu estudou na Universidade de Déli, na Índia e nas Universidades de Oxford e de Londres, na Inglaterra, casou-se com um inglês e trabalhou na ONU em Nova York.

Suu Kyi voltou ao país para cuidar da mãe doente em 1988. Diante do massacre, tornou-se líder da oposição com um comício para 500 mil pessoas em 26 de agosto e fundou a LND. No ano seguinte, foi colocada em prisão domiciliar. A LND conquistou 59% dos votos e 81% das cadeiras da Assembleia da União em 1990. Os militares anularam as eleições.

Em 1991, Suu Kyu ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Presa em casa, não pôde receber. Durante 21 anos, ela ficou 15 em prisão domiciliar. Duas vezes, em 1996 e 2003, sua caravana foi atacada quando fazia política no interior do país.

A breve experiência democrática mianmarense veio em consequência de uma catástrofe da natureza. Com ventos de até 215 quilômetros por hora, o ciclone Nargis arrasou a região do delta do Rio Irauádi. Mais de 138 mil pessoas morreram. O prejuízo passou de US$ 10 bilhões.

Com o país falido, os militares anunciaram uma abertura democrática em 2010 e a LND voltou a pedir registro como partido político, em 2011. O governo Barack Obama apoiou a democratização. Nas eleições de 2012, ela chegou à Assembleia da União. No mesmo ano, foi aos EUA, recebeu a Medalha de Ouro do Congresso e esteve com o presidente Obama na Casa Branca.

Em 2015, a LND obteve outra grande vitória, mas Suu Kyi foi barrada de se candidatar à Presidência por ser viúva de um estrangeiro e ter dois filhos estrangeiros. Virou então, em 2026, Conselheira do Estado, uma espécie de primeira-ministra, cargo que exercia até o golpe. 

Desde então, ela está prisão domiciliar. A primeira acusação foi de importar 10 equipamentos de telecomunicações tipo walkie-talkie. Depois, também foi denunciada por violar a Lei de Gestão de Desastres, por interagir com uma multidão durante a pandemia do novo coronavírus, e incitação a distúrbios da ordem pública. Pode ser condenada a até nove anos de prisão.

O presidente U Win Myint também está preso e incomunicável sob a acusação de infringir a lei sobre catástrofes e incitar a distúrbios da ordem. O prefeito da capital, Naipidau, Myo Aung, foi denunciado por incitar à desordem.

No governo, Suu Kyi manchou sua imagem internacional ao aceitar o genocídio da etnia muçulmana rohingya, vítima de massacres cometidos pelos militares, o que levou à fuga de 700 mil pessoas para Bangladesh em 2016 e 2017. Foi acusada de "legitimar o genocídio".

Diante do Tribunal Internacional de Justiça da ONU, em Haia, na Holanda, ela defendeu a atuação dos militares contra a minoria rohingya. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1984, pediu que o Nobel de Suu Kyi fosse retirado. Mas ela continua sendo a líder do país.

Ela pode ter se resignado diante da superioridade do poder de fato dos militares, mas há fortes suspeitas de que compactue com a visão nacionalista dos militares, que são budistas e enfrentam rebeliões de nove grupos armados de alguns dos 135 povos que vivem no país. Muitos lutam pela independência desde que o país deixou o Império Britânico.

A mais longa guerra civil em andamento no mundo justifica a ditadura e os massacres.

A China apoia a ditadura. Descreveu o golpe como uma "reforma ministerial". Nas ruas, os manifestantes denunciam o regime comunista chinês e pedem apoio aos EUA, que anunciaram sanções contra o golpe militar. O Japão, maior democracia da Ásia, ficou em silêncio.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Militares dão golpe e prendem líder civil de Mianmar

Os militares, que mandam em Mianmar, a antiga Birmânia, desde 1962, deram mais um golpe de Estado no país do Sudeste Asiático. A líder civil Aung San Suu Kyu, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991, e outros políticos foram presos. Horas antes, os militares decretaram estado de emergência por um ano. Legalmente, só o presidente Win Myint, aliado de Suu Kyi, poderia fazer isso. Ele também foi preso.

A desculpa para o golpe foi uma suposta fraude nas eleições parlamentares de novembro, vencidas por ampla margem pela Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Suu Kyi, que conquistou supermaiorias nas duas câmaras da Assembleia da União. Na quinta-feira, a comissão eleitoral rejeitou as alegações de fraude dos militares.

Com soldados ocupando as ruas da capital, Naupidai, e da principal cidade, Yangum, a antiga Rangum, o poder será transferido hoje para o comandante das Forças Armadas, general Min Aung Hlaing. O telefone e a Internet foram cortados, os voos domésticos foram cancelados e o aeroporto internacional de Yangum fechado. O novo Parlamento tomaria posse nesta semana.

Filha de Aung San, o herói da independência do país do Império Britânico, em 1948, Suu Kyi passou 15 anos em prisão domiciliar. Depois da ampla vitória da LND nas eleições de 8 de novembro de 2015, impedida de assumir a Presidência, foi nomeada Conselheira do Estado, um cargo comparado ao de primeira-ministra.

Em 2017, centenas de milhares de muçulmanos do povo rohingya fugiram de Mianmar para escapar de um genocídio cometido pelo Exército. A maioria era refugiada ou descendente de refugiados da guerra da independência de Bangladesh, a República de Bengala, que se tornou independente do Paquistão em 1971.

Suu Kyi ignorou os apelos da sociedade internacional para proteger os rohingyas. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1984, chegou a pedir que o prêmio dela fosse cassado. Ela perdeu a aura de defensora dos direitos humanos.

Os Estados Unidos, a União Europeia e a Austrália exigiram a restauração da democracia e liberdade para os presos políticos.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Mianmar solta jornalistas presos por denunciar massacre do Exército

Depois de 511 dias de prisão, Mianmar libertou hoje dois jornalistas condenados por denunciar um massacre cometido pelo Exército do país na guerra contra a minoria rohingya num processo que gerou pesadas críticas ao desrespeito aos direitos humanos pelo governo mianmarense.

Wa Lone, de 33 anos, e Kyaw Soe Oo, de 29, foram presos em dezembro de 2017 e considerados culpados com base na Lei de Segredos Oficiais, do tempo em que a antiga Birmânia era uma colônia do Império Britânico. Em setembro de 2018, pegaram sete anos de cadeia.

Hoje, saíram da prisão por causa de uma anistia dada pelo presidente Win Myint a 6.250 prisioneiros no início do Ano Novo pelo calendário tradicional de Mianmar.

"Estou feliz e ansioso para ver minha família e meus colegas", declarou Wa Lone, citado pela agência de notícias Reuters. "Não vejo a hora de voltar à redação."

A reportagem que provocou a ira dos militares denunciou o massacre de 10 muçulmanos da minoria rohingya, perseguida pela maioria budista que domina Mianmar e o Exército, em Inn Din, no estado de Rakhine.

As autoridades mianmarenses reconheceram o massacre. No ano passado, sete soldados foram condenados a 10 anos de trabalhos forçados pelos crimes cometidos.

Mesmo assim, no mês passado, a Suprema Corte rejeitou um recurso dos jornalistas pedindo a revogação da sentença condenatória. Também no mês passado, a agência Reuters recebeu o Prêmio Politzer, o mais importante do jornalismo americano, pelo trabalho de reportagem em Mianmar, com destaque para as "notáveis contribuições" dos dois.

O caso suscitou pesadas críticas contra a principal líder política do país, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1991. Vários críticos pediram que o prêmio fosse retirado.

Mais de 730 mil rohingyas fugiram para Bangladesh para escapar da repressão em Mianmar, que não os reconhece como cidadãos alegando que são parte e descendentes de refugiados da Guerra da Independência de Bangladesh, em 1971.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

"Teu silêncio tem um preço alto", o bispo Tutu alerta Aung San Suu Kyi

Diante da perseguição e fuga da minoria muçulmana rohingya sob pressão do Exército de Mianmar, o arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984 pela luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, enviou uma carta advertindo a líder do movimento pela democratização do país, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Nobel da Paz em 1991: "Teu silêncio tem um preço muto alto."

Para o bispo Tutu, o "horror" e "limpeza étnica" no estado de Rakhine, com uma fuga que pode chegar a 300 mil rohingyas para o vizinho e miserável Bangladesh, o obrigou a escrever para a mulher que se acostumou a chamar de "minha querida e amada irmã".

O Exército realiza uma operação punitiva desde 25 de agosto, quando o grupo rebelde Exército de Salvação Rohingya Arakan atacou vários postos policiais. As Nações Unidas estimam que o total de mortos passe de mil.

Suu Kyi, filha de Aung San, líder da independência da Birmânia do Império Britânico, em 1948, se tornou o maior símbolo da luta pela democracia contra uma ditadura militar que embruteceu e empobreceu o país desde 1962.

Em 1990, sua Liga Nacional pela Democracia obteve uma vitória eleitoral esmagadora. Os militares anularam o resultado e mantiveram Suu Kyi em prisão domiciliar durante 15 anos. Cinco anos depois de ser libertada, ele liderou a LND à vitória nas primeiras eleições, em 2015.

Desde então, proibida de governar o país por uma lei feita sob medida pela ditadura por ter sido casada com um estrangeiro (britânico), é o poder por trás do trono como Primeira Conselheira do Estado. Teve de fazer concessões os militares, que aparentemente continuam tendo carta branca para atacar as inúmeras minorias étnicas de Mianmar.

Pelo menos 13 grupos armados aderiram a um cessar-fogo, mas cinco continuam ativos. A situação do povo rohingya, muçulmano, massacrado e perseguido pelo Exército da maioria budista, é a mais trágica.

Acusada de omissão, Suu Kyi desqualificou as denúncias de violações dos direitos humanos como "desinformação" e chamou os rohingyas de "terroristas".

"Sou agora velho, decrépito e formalmente aposentado, mas quebro meu voto de permanecer em silêncio sobre questões públicas por causa de uma tristeza profunda", escreveu Tutu.

"Durante anos, tive uma fotografia sua na minha mesa para me lembrar da injustiça e do sacrifício que você suportou por causa de seu amor e compromisso com o povo de Mianmar. Você simbolizava a correção.

"Sua emergência na vida pública aliviou nossas preocupações sobre a violência perpetrada contra membros do povo rohingya. Mas o que alguns chamam de 'limpeza étnica' e outros de um 'genocídio lento' persistiu - e recentemente se acelerou.

"É incongruente para um símbolo da correção liderar um país assim", criticou o arcebispo sul-africano. "Se o preço político por sua ascensão aos mais altos cargos em Mianmar é o teu silêncio, é certamente um preço alto demais."

A mais jovem ganhadora do Nobel da Paz, a estudante paquistanesa Malafa Yousafzai, também fez um apelo a Suu Kyi: "Toda vez que vejo as notícias meu coração se parte. Nos últimos anos, condenei repetidamente esse tratamento trágico e vergonhoso. Ainda estou esperando que minha colega laureada com o Nobel Aung San Suu Kyi faça o mesmo."

quarta-feira, 30 de março de 2016

Assessor de Aung San Suu Kyi assume Presidência de Mianmar

Htin Kyaw, um assessor de Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, assumiu hoje a Presidência de Mianmar, a antiga Birmânia, noticiou a Agência France Presse (AFP). É o primeiro governo eleito democraticamente depois de mais de 50 anos de ditadura militar.

O general da reserva Myint Swe e Henry Van Thio, da minoria étnica chin, foram empossados como vice-presidentes. Suu Kyi foi nomeada ministro do Exterior, mas deixou claro que será o poder real por trás do trono no país do Sudeste Asiático.

Ela não pode presidir o país por causa de uma lei aprovada pela ditadura barrando pessoas casadas com estrangeiros ou que tenham filhos com estrangeiros possam chefiar o Estado. Suu Kyi é viúva de um britânico, com quem teve filhos.

A Liga Nacional pela Democracia, que domina o novo governo, pretende integrar as diversas minorias étnicas que lutaram contra a ditadura militar, mas os militares devem resistir. Há 17 grupos armados em luta contra o governo. Depois de ficar no poder desde 1962, os militares dominam a burocracia e a economia de Mianmar.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Mianmar tem primeiro Parlamento democrático em mais de 50 anos

Depois de mais de meio século de ditadura militar, Mianmar (antiga Birmânia) empossou hoje o primeiro Parlamento parcialmente eleito. A maioria é da Liga Nacional pela Democracia, liderada por Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, mas ela está legalmente impedida de concorrer à Presidência.

A LND elegeu 255 dos 440 deputados e 135 dos 224 senadores, acabando na prática com o domínio absoluto dos militares sobre este empobrecido país do Sudeste Asiático, que vinha desde 1962. Mas os militares controlam 25% das cadeiras e têm poder de veto sobre reformas constitucionais. O comandante das Forças Armadas tem a prerrogativa de nomear os ministros da Defesa e do Interior.

Win Myint, da LND, foi eleito presidente do Parlamento, e T-Khun Myat, da minoria étnica kachin, vice.

O desafio da LND é formar uma coalizão que atraia os pequenos partidos representando minorias étnicas sem alienar a maioria nacionalista e budista nem os militares, que ainda controlam boa parte do Parlamento e da economia do país.

Suu Kyi advertiu que seja quem for o presidente do país, a ser eleito indiretamente, quem vai mandar é ela, num desafio aos militares. Filha de Aung San, o herói da independência do país do Império Britânico em 1948, não pode ser presidente porque é viúva de um britânicos e tem filhos cidadãos britânicos, uma cláusula constitucional incluída sob medida para afastá-la.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Partido da ditadura reconhece vitória da oposição em Mianmar

A Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, venceu as primeiras eleições democráticas realizadas em Mianmar, a antiga Birmânia, depois de 25 anos, admitiu hoje o presidente Partido da União Solidariedade e Desenvolvimento (PUSD), Htay Oo, citado pela agência Reuters.

Os resultados oficiais ainda não foram divulgados. Ainda não está claro se a LND terá a supermaioria de dois terços necessária para governar sem fazer aliança com outros partidos. A Constituição imposta pela ditadura militar que governa a antiga Birmânia desde 1962 e mudou o nome do país para Mianmar reserva 25% das cadeiras na Assembleia Nacional para indicados pelas Forças Armadas.

Com base em pesquisas de boca de urna e resultados parciais, um porta-voz da LND estimou que o partido possa eleger mais de 70% dos deputados. O novo Parlamento será responsável pela próxima eleição presidencial.

Em 1990, quando a LND conquistou 392 das 492 cadeiras, a junta militar ignorou o resultado, colocou Suu Kyi em prisão domiciliar e governou como Conselho de Estado para a Paz e o Desenvolvimento até 2011, quando começou a abertura democrática. Desta vez, os militares prometeram acatar a decisão das urnas.

Para barrar o acesso de Suu Kyi, filha de Aung San, herói da independência nacional, obtida do Império Britânico em 1947, os militares introduziram uma cláusula na Constituição feita sob medida para impedir que pessoas casadas com estrangeiros ou filhos de estrangeiros sejam presidentes. O falecido marido da líder oposicionista era britânicos e ela tem filhos britânicos

De qualquer maneira, Mianmar sai das eleições com um ambiente político mais pluralista, mais complexo e etnicamente carregado num momento de crescimento rápido e mudanças que vão definir o futuro do país. Se a LND confirmar a vitória e eleger o presidente, Suu Kyi vai governar, mesmo que seja indiretamente.

Seus principais desafios serão combater a corrupção endêmica, criar um ambiente econômico capaz de gerar milhões de empregos e resolver os conflitos étnicos de minorias que denunciavam discriminação sob a ditadura militar.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Líder de Mianmar quer paz e desenvolvimento

A pacificação dos conflitos étnicos, o desenvolvimento industrial e a geração de empregos são os principais objetivos do presidente Thein Sein, o ex-general convertido no primeiro civil a governar Mianmar desde que as Forças Armadas tomaram o poder neste país do Sudeste da Ásia, em 1962.

Em uma de suas primeiras entrevistas em um ano e meio no cargo, esse filho de camponeses humildes do Sudeste do país lembrou sua atuação nos anos 70 contra rebeldes no Norte da antiga Birmânia, rebatizada de Mianmar pela ditadura militar.

"Como um soldado que passou toda a carreira lutando contra estes grupos armados,  eu os via como inimigos. Mas, quando me tornei presidente, percebi que a morte de um soldado kachin é o mesmo que a morte de um soldado do Exército Nacional. É morte de um cidadão de Mianmar e portanto uma perda para o país", declarou o presidente. "Agora, não vejo mais as forças rebeldes como inimigas, mas como parte da solução", disse ao jornal inglês Financial Times.

Seu governo já assinou acordos de paz com 10 dos 11 grupos rebeldes armados em atuação em Mianmar. Faltam apenas os kachins.

Desde que se tornou primeiro-ministro, em 2007, Thein Sein visitou os países vizinhos e foi à Assembleia Geral das Nações Unidas para romper o isolamento diplomático do país, que tinha na China sua principal aliada. Isso foi mais importante depois do ciclone Nargis, que arrasou o Sudoeste de Mianmar em 2008.

Na eleição de 2010, o ditador Than Shwe indicou Thein Sein como candidato a presidente. A votação foi boicotada pela líder da oposição, Aung San Suu Kyu, e considerada fraudulenta por observadores internacionais.

O presidente iniciou seu mandato sob uma aura de suspeição. Em meados do ano passado, ele lançou seu programa de reformas radicais para acabar com o isolamento e a ruína econômica em que 50 anos de ditaduras militares deixaram Mianmar.

Suu Kyi foi eleita deputada e tomou posse. Além de negociar a paz com as minorias étnicas, Thein Sein  reformou sindicatos e a previdência social, liberalizou as finanças e permitiu a flutuação parcial da moeda, o kyat.

"Tive uma origem muito pobre. Experimentei em primeira mão a pobreza deste país, e isso está relacionado com meu desejo, desde o momento em que me tornei presidente, de fazer da redução da pobreza uma prioriedade para este país", acrescentou Thein Sein.

A meta do governo é reduzir a pobreza de 26% para 16% da população até 2015 e triplicar neste período a renda média por habitante, que hoje é de apenas US$ 750.

sábado, 16 de junho de 2012

Suu Kyi recebe Nobel de Paz 21 anos depois

Ao receber hoje em Oslo, na Noruega, o Prêmio Nobel da Paz de 1991, a líder da oposição em Mianmar, a antiga Birmânia, Aung San Suu Kyi, declarou que "o problema do acesso à justiça no meu país não é um problema de uma pessoa só".

Suu Kyi passou a maior parte dos últimos 20 anos em prisão domiciliar. Foi libertada e se elegeu deputada. Muitos de seus correligionários continuam na cadeia, em condições muito difíceis.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Líder da oposição toma posse no Parlamento de Mianmar

A líder da oposição contra a ditadura que há 50 anos desgraça Mianmar, Aung San Suu Kyi, tomou posse hoje de sua cadeira de deputada no Parlamento da antiga Birmânia, depois de alguns dias de relutância em jurar lealdade ao regime que combate. Ela passou a maior parte dos últimos 20 anos em prisão domiciliar.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Hillary vai a Mianmar apoiar abertura tímida

O presidente Barack Obama vai mandar a secretária de Estado, Hillary Clinton, a Mianmar no próximo mês. A primeira visita de um chefe da diplomacia americana à antiga Birmânia em 50 anos está sendo interpretada como um apoio a uma tímida abertura política depois de quase 50 anos de ditadura, informa hoje o jornal The New York Times.

A viagem foi anunciada depois que a líder da oposição, Aung San Suu Kyu, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1991, que ficou quase todos os últimos 20 anos em prisão domiciliar revelou que será candidata ao Parlamento em 2012, reporta a TV pública britânica BBC.

Seu partido, a Liga Nacional pela Democracia, boicotou as eleições do ano passado.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Mianmar solta mais de 6 mil presos políticos

Em claro sinal de degelo de uma ditadura que desgoverna Mianmar, a antiga Birmânia, desde 1962, o país está soltando mais de 6 mil. A anistia em massa dá esperança de abertura num dos regimes mais fechados do mundo, noticia a rede de televisão americana CNN.

Nos últimos meses, a histórica líder da oposição, Aung San Suu Kyi, foi libertada da prisão domiciliar onde ficou quase todos os últimos 20 anos. Há pouco, o governo suspendeu a construção de uma barragem de interesse da China, até agora o principal apoio internacional à ditadura. Isso foi visto como um sinal do desejo de aproximação com o Ocidente.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Suu Kyi pede ajuda contra aids em Mianmar

Onde Aung San Suu Kyi vai, arrasta multidões. Hoje a recém-libertada líder da oposição em Mianmar visitou um sanatório para pacientes da síndrome de deficiência imunológica adquirida (aids) mantido por seu partido, a Liga Nacional da Democracia, em Yangoon, a antiga capital do país.

Eram tantos fotógrafos e cinegrafistas que ela pediu uma ajuda em dinheiro em troca de cada foto. Alguns jovens subiram nas árvores para ver a mulher pequena e frágil que desafia uma das ditaduras mais fechadas do mundo.

Suu Kyi recebeu muitas flores, deu carinho e pediu ajuda para comprar medicamentos antiretrovirais contra o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e a aids, para comprar comida e um prédio maior para obrigar pobres que contraíram a doença. Ela disse que é preciso força mental para enfrentar o vírus da aids.

A maioria dos 70 pessoas abrigados no sanatório depende de organizações não governamentais para obter medicamentos.

Num breve discurso, Suu Kyi declarou que "às vezes só vontade política não basta. É preciso unir conhecimento e poder popular".

sábado, 13 de novembro de 2010

Líder da oposição em Mianmar é libertada

A ditadura militar que desgoverna Mianmar, a antiga Birmânia, autorizou hoje a líder da oposição, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1991, a sair da prisão domiciliar onde ela passou 15 dos últimos 21 anos, informou agora há pouco a agência de notícias Associated Press.

Uma multidão a esperava. Em discurso para seus seguidores, ela destacou a necessidade de trabalhar juntos pela democratização do país.

Seu partido, a Liga Nacional pela Democracia, venceu as eleições de 1990, anuladas pelo regime militar que subdesenvolveu o país a partir de 1962. Sem a participação de Suu Kyi, a liga se negou a disputar as eleições do domingo passada, vencidas pelo partido da ditadura, com mais de 80% dos votos.

Aung San Suu Kyi deve ser solta hoje

Centenas de pessoas fazem vigília nesta noite diante da casa da líder da oposição em Mianmar, a antiga Birmânia. Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel de Paz 1991, passou quase todos os últimos 20 anos em prisão domiciliar.

Suu Kyi deve ser solta uma semana depois das primeiras eleições realizadas no país em 20 anos. A ditadura militar venceu com 80% dos votos

Em Hiroxima, no Japão, ao participar de uma reunião de ganhadores do Nobel da Paz, Wuer Kaixi, um dos líderes do movimento pela democracia massacrado na Praça da Paz Celestial, em Pequim, em 1989, pediu às autoridades chinesas que se inspirem no exemplo de Mianmar e soltem o dissidente Liu Xiaobo, ganhador do prêmio de 2010.

Liu está condenado a 11 anos de prisão por assinar um manifesto pedindo eleições democráticas na China.

domingo, 7 de novembro de 2010

EUA denunciam fraude eleitoral em Mianmar

A ditadura militar que desgoverna Mianmar, a antiga Birmânia, realizou hoje suas primeiras eleições em 20 anos, mas a líder da oposição, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1991, foi proibida de participar. Os Estados Unidos denunciaram uma fraude eleitoral para tentar legitimar o regime, apoiado pela China.

Como Suu  Kyi, que passou a maior parte dos últimos 20 anos sob prisão domiciliar, não pôde concorrer, a Liga Nacional pela Democracia, vencedora das eleições anuladas em 1990, decidiu boicotar o pleito e foi extinta pela Junta Militar.

A Birmânia era um país relativamente próspero até 1962. Desde então, é governado por militares que o transformaram num dos mais pobres e corruptos do mundo.

domingo, 16 de agosto de 2009

Ditadura de Mianmar liberta americano

A ditadura militar de Mianmar, a antiga Birmânia, entregou o anarquista americano John Yettaw, condenado a sete anos de prisão, ao senador dos Estados Unidos Jim Webb. Afinal, ele já cumpriu seu papel.

Ao nadar até a casa da líder da oposição birmanesa, Yang San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1991, Yettaw violou os termos da prisão domiciliar que a manteve isolada em casa nos últimos 18 anos. Exausto, ele pediu para pernoitar na casa de Suu Kyi.

Era o pretexto para que o regime militar que empobreceu a Birmânia e mudou seu nome para Mianmar precisava para abrir novo processo contra Suu Kyi. A prisão domiciliar foi prolongada por mais um ano e meio. Isso deixa a política mais popular do país fora das eleições que a junta pretende realizar em 2010 para dar uma aparência de legitimidade à ditadura.

Yettaw foi apenas um idiota útil à ditadura. Sob uma inspiração supostamente divina, nadou 3 quilômetros até a casa de um símbolo da liberdade e da democracia - e conseguiu que Suu Kyi ficasse presa por mais tempo.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Mianmar condena Suu Kyi a mais 18 meses

A ditadura militar que governa Mianmar, a antiga Birmânia, no Sudeste Asiatico, condenou a líder da oposição, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1991, a mais um ano e meio de prisão domiciliar por "violar os termos" da prisão domiciliar anterior.

O suposto crime pelo qual Suu Kyi foi condenada foi ter recebido um anarquista americano que atravessou a nado durante a noite um lago e chegou à casa da líder da oposição birmanesa contra a vontade dela.

Suu Kyi passou quase todos os 19 anos desde que voltou ao país sob prisão domiciliar. Sua Liga Nacional para a Democracia venceu as eleições de 1990, mas a ditadura ignorou o resultado e desde então a mantém presa dentro da sua própria casa.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Mianmar prende oposiconistas na festa de Suu Kyi

A líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz 1991, passou seu 63º aniversário sozinha em casa, sob prisão domiciliar, onde esteve quase todo o tempo desde que voltou ao país, há 18 anos. Pelo menos sete partidários de Suu Kyi foram presos quando protestavam exigindo sua libertação.

Filha de Aung San, o herói da independência nacional do Império Britânico, em 1947, Suu Kyi voltou ao país em uma breve abertura democrática depois do massacre de 3 mil pessoas em 1988, quando os militares atiraram contra a multidão desarmada. Ela liderou a Liga Nacional pela Democracia, amplamente vitoriosa nas eleições de 1990, ignoradas pela ditadura.

A Birmânia era o maior exportador mundial de arroz, mas a ditadura militar no poder desde 1962 a transformou em Mianmar, um dos países mais pobres e mais fechados do mundo, atingido no mês passado por um violento ciclone que pode ter matado 134 mil pessoas.