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sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Alemanha dissolve Parlamento e antecipa eleições em plena crise

 O presidente Frank-Walter Steinmeier dissolveu hoje o Parlamento Federal da Alemanha. As eleições gerais foram antecipadas em sete meses depois da queda do chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Olaf Scholz. Serão realizadas em 23 de fevereiro de 2025, em meio a uma crise do modelo econômico alemão e de ascensão da extrema direita. A favorita é a União Democrata-Cristão (CDU), o partido tradicional da direita conservadora, liderado por Friedrich Merz, que deve ser o próximo chefe de governo.

Maior economia da Europa e terceira do mundo, a Alemanha enfrenta uma crise de seu modelo econômico por causa da concorrência dos países da Ásia, especialmente da China, e do fim da energia barata da Rússia. O governo Scholz caiu por causa da discordância dos liberais-democratas sobre a recuperação da economia.

A CDU de Merz faz campanha com a defesa do neoliberalismo econômico, com cortes de impostos e gastos públicos, e contra a imigração. A onda de refugiados que entrou no governo Angela Merkel (2005-21) é a principal causa do surgimento e ascensão do partido neonazista Alternativa para a Alemanha (AfD), que está em segundo lugar nas pesquisas.

Com o fragmentação do sistema política e a recusa dos partidos tradicionais de formar governo com a extrema direita, há uma expectativa de que sejam necessários meses após as eleições até a Alemanha ter um novo governo. Como a França também está em crise, com um governo sem maioria na Assembleia Nacional, o eixo central da União Europeia está enfraquecido no momento da volta do presidente Donald Trump à Casa Branca.

sábado, 8 de setembro de 2018

Parlamento do Iraque discute revolta em Bássora em sessão extraordinária

O Parlamento do Iraque realizou uma sessão extraordinária hoje em Bagdá para discutir medidas de emergência para conter uma revolta popular em Bássora, a maior cidade da região de maioria xiita no Sul do país, onde o governo impôs um toque de recolher noturno, noticiou a Agência France Presse.

As manifestações foram provocadas pela deficiência dos serviços públicos essenciais como o fornecimento de água e de energia elétrica. Desde o início do mês, pelo menos 15 rebeldes morreram em confrontos com as forças de segurança.

Nesta semana, os rebeldes incendiaram o Consulado do Irã e atacaram o aeroporto local com três foguetes Katiúcha. Os ataques a grupos apoiados e financiados pelo Irã mostra um claro repúdio, mesmo em regiões de maioria xiita, à interferência iraniana nos assuntos internos do Iraque.

A violência tende a continuar enquanto os manifestantes não acreditarem nas promessas do governo central de Bagdá. A longo prazo, a consequência pode ser um movimento federalista para dividir o país em regiões com ampla autonomia, como já acontece na região curda no Norte do país.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Knesset declara Israel “lar nacional do povo judeu”

Por 62 a 55 votos, o Parlamento de Israel aprovou na madrugada de hoje uma lei que, pela primeira vez, estabelece que o país é o “lar nacional do povo judeu” nas Leis Básicas, que exercem o papel de Constituição, noticiou o jornal The Times of Israel.

O árabe deixa de ser uma língua oficial. A Autoridade Nacional Palestina e a população árabe, cerca de 20% dos 9 milhões de israelenses, denunciam um regime de apartheid que os tornaria cidadãos de segunda classe.

“É um momento histórico nos anais do sionismo e do Estado de Israel”, proclamou o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu. “A Israel que você conhece acabou”, reagiu o jornal liberal israelense Haaretz.

A lei também declara que Jerusalém é a capital de Israel, reconhece o calendário hebraico como oficial, em que inclui o Dia da Independência, 14 de maio, e os feriados religiosos judaicos.

“Consagramos na lei o princípio básico de nossa existência. Israel é o Estado nacional do povo judeu, que respeita os direitos individuais de todos os seus cidadãos. Este é o nosso Estado, o Estado judaico”, declarou Netanyahu.

Os críticos, inclusive os israelenses do movimento Paz Agora, o acusam de mudar um princípio da declaração de independência de Israel de que todos os cidadãos seriam iguais, independentemente do seu povo.

Na tribuna da Knesset, o deputado árabe Jamal Zahalka rasgou uma cópia do texto aprovado. “Com surpresa e tristeza, declaro a morte da democracia. O funeral será hoje aqui neste plenário”, protestou o deputado Ahmad Tibi.

O texto final foi acertado no domingo entre Netanyahu e o ministro da Educação, Naftali Bennett, que está à direita do primeiro-ministro e gostaria de anexar toda a Cisjordânia ocupada. A parte que “autoriza uma comunidade composta de pessoas da mesma fé e nacionalidade manter o caráter exclusivo daquela comunidade” foi substituída por uma cláusula celebrando os “assentamentos judaicos” de modo geral.

No Parlamento, o projeto foi emendado para excluir a discriminação habitacional. Mas vários aspectos farão de Israel mais uma vez alvo de críticas internacionais. O próprio presidente Reuven Rivlin, que exerce funções protocolares, numa rara intervenção política, advertiu que a lei “poderá causar danos ao povo judeu em Israel e no mundo inteiro - e pode inclusive ser usada como arma por nossos inimigos.”

A lei foi proposta pela primeira vez em 2011 pelo deputado Avi Dichter, na época no partido Kadima, hoje no Likud, liderado pelo primeiro-ministro. Netanyahu deu apoio ao projeto. Foram necessários anos para obter a aprovação.

Israel mudou antes disso. Com a imigração de 1 milhão de judeus da extinta União Soviética, a composição foi alterada. O Estado de Israel foi fundado por judeus da Europa Oriental, pelo Partido Trabalhista, com uma visão social-democrata europeia.

Os kibbutzim, as comunidades agrícolas, eram o exemplo dessa sociedade modelo. Em 2010, havia 270 kibbutzim, onde viviam 100 mil pessoas.

Com sua aversão ao socialismo, os imigrantes soviéticos mudaram o perfil político de Israel. O país nunca teve um governo tão à direita, com tantos ultranacionalistas no ministério.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Nigéria e Senegal invadem Gâmbia para depor ditador

Em nome da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental e da União Africana, com mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas, os exércitos da Nigéria e do Senegal invadiram hoje a Gâmbia para depor o ditador Yahya Jammeh e dar posse ao presidento eleito, o empresário Adama Barrow.

O novo presidente tomou posse na embaixada da Gâmbia em Dacar, a capital senegalesa, noticiou a agência Reuters.

Yammeh chegou a reconhecer a derrota na eleição presidencial de 1º de dezembro de 2016. Depois, voltou atrás. Em 18 de janeiro de 2017, o Parlamento prorrogou o mandato de Jammeh. Ele estava no poder desde um golpe de Estado em 1994.

sábado, 15 de outubro de 2016

Rebeldes tomam sede do Parlamento da Líbia em Trípoli

Uma facção contrária ao governo de união nacional reconhecido internacionalmente tomou a sede do Parlamento da Líbia em Trípoli, noticiou hoje a agência Reuters.

Os líderes do primeiro governo formado depois da queda do ditador Muamar Kadafi, em 2011, que tomaram o Hotel Rixos, faziam parte do governo de união nacional reconhecido pelas Nações Unidas. O governo, que luta para impor sua autoridade a milícias rivais, condenou a ação.

Esse desafio ao governo é mais uma ameaça à estabilização da Líbia, que vive em estado de anarquia desde a queda de Kadafi, e à unidade necessária para combater a infiltração no país da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Palestinos vão ao Conselho de Segurança da ONU contra colônias

Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, anunciou planos para apresentar um projeto de resolução ao Conselho de Segurança das Nações Unidas contra as colônias israelenses instaladas na Cisjordânia, ocupada na Guerra dos Seis Dias, em 1967. 

Abbas manifestou a esperança de que nenhuma potência vete a proposta. Os Estados Unidos costumam vetar resoluções capazes de prejudicar Israel. Diante do péssimo relacionamento entre o presidente Barack Obama e o primeiro-ministro linha-dura israelense Benjamin Netanyahu, depois das eleições de 8 de novembro os EUA poderiam não vetar a resolução.

Netanyahu sabotou todas as tentativas do governo Obama de retomar o processo de paz árabe-israelense, especialmente por ampliar os assentamentos de colonos israelenses na Cisjordânia, contrariando a Carta da ONU e o direito internacional, que proíbem a guerra de conquista e a expansão territorial à força.

Sem sucesso nas negociações diretas, nos últimos anos, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) resolveu apelar às organizações internacionais para obter o pleno reconhecimento de seu Estado Nacional na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Em 2012, a Palestina passou de observadora a "Estado observador não membro" da ONU.

No seu pronunciamento, o primeiro-ministro Netanyahu convidou Abbas para discursar no Parlamento de Israel e se ofereceu para falar no Parlamento palestino em Ramalá, na Cisjordânia.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Usbequistão indica primeiro-ministro como presidente interino

O Parlamento da ex-república soviética do Usbequistão nomeou hoje o primeiro-ministro Chavkat Mirziyoyev como presidente provisório depois da morte do ditador Islam Karimov e convocou eleições presidenciais a serem realizadas nos próximos três meses, noticiou a agência Reuters.

Mirziyoyev, do clã de Samarcanda, já era considerado o favorito na disputa sucessória. Primeiro-ministro desde 2003, sua ascensão a presidente interino reforça sua posição numa ditadura que sempre realizou eleições de cartas marcadas para consagrar o líder. Ele teria o apoio da Rússia.

Os outros nomes citados são o vice-primeiro-ministro Rustam Azimov e o chefe do serviço secreto, Rustam Inoyatov. Este último, um linha-dura de 72 anos, tem menos chance. Ambos são do clã de Tachkent, a capital.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Parlamento da Espanha rejeita novo governo Mariano Rajoy

Por 180 a 170 votos, os deputados do Parlamento da Espanha rejeitaram a tentativa do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy de formar um governo sem maioria. Daqui a dois dias, haverá uma segunda votação. Se Rajoy perder, o país terá de realizar eleições gerais pela terceira vez em menos de um ano.

O impasse político é reflexo da crise econômica iniciada em 2011, que chegou a deixar mais de 25% dos espanhóis e mais da metade dos jovens sem emprego. Isso abalou a credibilidade dos partidos que se alternavam no poder desde 1982, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de centro-esquerda, e o Partido Popular (PP), de direita.

Da crise nasceram dois novos partidos, o esquerdista Podemos, antiliberal, anticapitalista e antiglobalização, e os Cidadãos, liberal, de centro-direta, dividindo o eleitorado ao galvanizar os indignados com a crise da periferia da Zona do Euro.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Mianmar tem primeiro Parlamento democrático em mais de 50 anos

Depois de mais de meio século de ditadura militar, Mianmar (antiga Birmânia) empossou hoje o primeiro Parlamento parcialmente eleito. A maioria é da Liga Nacional pela Democracia, liderada por Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, mas ela está legalmente impedida de concorrer à Presidência.

A LND elegeu 255 dos 440 deputados e 135 dos 224 senadores, acabando na prática com o domínio absoluto dos militares sobre este empobrecido país do Sudeste Asiático, que vinha desde 1962. Mas os militares controlam 25% das cadeiras e têm poder de veto sobre reformas constitucionais. O comandante das Forças Armadas tem a prerrogativa de nomear os ministros da Defesa e do Interior.

Win Myint, da LND, foi eleito presidente do Parlamento, e T-Khun Myat, da minoria étnica kachin, vice.

O desafio da LND é formar uma coalizão que atraia os pequenos partidos representando minorias étnicas sem alienar a maioria nacionalista e budista nem os militares, que ainda controlam boa parte do Parlamento e da economia do país.

Suu Kyi advertiu que seja quem for o presidente do país, a ser eleito indiretamente, quem vai mandar é ela, num desafio aos militares. Filha de Aung San, o herói da independência do país do Império Britânico em 1948, não pode ser presidente porque é viúva de um britânicos e tem filhos cidadãos britânicos, uma cláusula constitucional incluída sob medida para afastá-la.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Irã e China fazem acordos para elevar comércio para US$ 600 bi

Durante a primeira viagem do presidente Xi Jinping ao Oriente Médio, a China e o Irã assinaram hoje 17 acordos para fortalecer a cooperação mútua e aumentar o comércio bilateral para US$ 600 bilhões nos próximos dez anos, reportou a agência Reuters.

Ao comentar a visita, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, o homem-forte do regime teocrático iraniano, declarou que o Irã não deve confiar no Ocidente, mas procurar fortalecer sua economia e segurança ampliando os laços com Beijim.

Entre os acordos assinados, um faz parte da Iniciativa Cinturão e Estradas, uma série de obras de infraestrutura para abrir rotas comerciais na Eurásia. O projeto inclui a reconstrução do Caminho da Seda, usado pelo italiano Marco Polo para ir à China no século 13.

Há uma semana, as potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas suspenderam as sanções internacionais contra o Irã, depois que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificou que o país está cumprindo o acordo para desarmar seu programa nuclear.

Além de desbloquear US$ 100 bilhões congelados no exterior, o acordo reintegra o Irã ao mercado internacional, deflagrando uma série de visitas a Teerã e viagens ao exterior de líderes e empresários iranianos tentando ganhar dinheiro com a nova realidade.

Será um alívio para o presidente Hassan Rouhani, o principal arquiteto do acordo do lado iraniano, mas talvez chegue tarde demais para os reformistas terem sucesso nas eleições parlamentares de fevereiro, que vai eleger o novo Parlamento (Majlis) e a Assembleia dos Sábios, órgão supremo, com poderes para eleger e destituir o Supremo Líder.

A linha-dura não só criticou o acordo, minimizando sua importância, como conseguiu vetar as candidaturas de vários candidatos reformistas para tentar manter sua maioria. Caberá à nova Assembleia dos Sábios provavelmente escolher o sucessor de Khamenei, o herdeiro do aiatolá Ruhollah Khomeini.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Deputados sunitas boicotam governo e parlamento do Iraque

O Parlamento do Iraque suspendeu a sessão hoje depois que os deputados e ministros sunitas decidiram boicotar as reuniões do governo e do Poder Legislativo em protesto contra a violência contra a minoria sunita no Leste do país, noticiou a agência Reuters.

Um atentado terrorista suicida cometido pela milícia sunita Estado Islâmico do Iraque e do Levante na cidade de Mikdadia em 11 de janeiro deflagrou uma onda de violência sectária com retaliações de milícias xiitas contra mesquitas e civis.

A alienação da minoria sunita pelo governo central de maioria xiita em Bagdá é uma das razões do sucesso do Estado Islâmico em ocupar vastas regiões do Iraque.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Delegados dos parlamentos rivais assinam acordo de paz na Líbia

Deputados dos dois parlamentos rivais da Líbia, sediados em Trípoli e em Tobruk, assinaram hoje um acordo de paz negociado pelas Nações Unidas, reportou a agência Reuters.

As potências ocidentais apostam no acordo para acabar com a anarquia em vigor desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011, mas há sérias dúvidas. Anteontem, em entrevista coletiva em Malta, os presidentes dos dois parlamentos pediram o adiamento da assinatura.

O acordo é resultado de mais de um ano de negociações para restaurar a estabilidade depois que a aliança de milícias islamitas Amanhecer da Líbia tomou o controle da capital líbia, Trípoli, forçando o governo reconhecido internacionalmente a se reinstalar em Tobruk.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Parlamento da Alemanha aprova guerra contra Estado Islâmico

Por 446 a 146 votos, com sete abstenções, a Câmara Federal da Alemanha aprovou hoje a adesão à aliança de mais de 65 países liderada pelos Estados Unidos na guerra contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, reportou a rádio estatal Voz da Alemanha.

É mais um gesto de solidariedade com a vizinha e aliada França depois dos atentados em Paris. Não é uma missão de combate. A Alemanha deve enviar ao Oriente Médio 1,2 mil soldados, uma fragata, seis aviões Tornado de reconhecimento e um avião para reabastecimento no ar.

Os militares alemães não devem entrar diretamente em combate, mas assessorar outras forças. A fragata vai ajudar a proteger o grupo naval liderado pelo porta-aviões francês Charles de Gaulle.

Como a grande aliança liderada pela chanceler (primeira-ministra) conservadora Angela Merkel detém 80% das cadeiras da Câmara, os 146 votos contrários indicam que deputados governistas votaram contra a guerra.

"Os alemães podem estar certos de que o envio da missão à Síria não viola o direito internacional nem a Constituição", assegurou o ministro da Justiça, Heiko Maas. "Temos de parar esse bando assassino de terroristas. Isso não será alcançado somente com uma ação militar, mas também não será alcançado sem uma."

Sob intensa pressão dos bombardeios das grandes potências mundiais nos campos de batalha do Oriente Médio, o Estado Islâmico está perdendo territórios, mas isso torna ainda mais provável a realização de atentados terroristas contra alvos dessas potências.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Catalunha inicia processo para a independência

Por 72-63, os deputados do Parlamento da Catalunha aprovaram ontem em Barcelona uma resolução para iniciar um "desligamento democrático" da Espanha, declarando que a região autônoma não está mais sujeita às decisões do governo central do país, com sede em Madri. O primeiro-ministro conservador espanhol, Mariano Rajoy, vai recorrer ao Tribunal Constitucional para anular a medida.

O documento é mais uma declaração de intenções do que uma proclamação de independência, mas o governo regional da Catalunha, com sede em Barcelona, promete ignorar desde já qualquer decisão do supremo tribunal espanhol. Isso cria uma dualidade legal iniciando um período de insegurança jurídica na região mais rica da Espanha.

Dentro de um mês, o governo separatista catalão deve começar a criar seus próprios sistemas fiscal e previdenciário, e ministérios independentes. O governo central de Madri fará tudo o que for possível para enfraquecer o governo regional e esvaziar o processo.

Se o movimento pela independência da Catalunha ignorar o provável veto do Tribunal Constitucional, Rajoy pode recorrer a medidas financeiras. O governo catalão opera com déficit. Precisa regularmente de ajuda da Espanha. Sem essa ajuda, pode ser incapaz de pagar os funcionários públicos e comprar produtos essenciais.

Rajoy também pode exigir o afastamento do governador regional e da presidente do Parlamento. Em último caso, pode suspender a autonomia da Catalunha e tentar impor um governo aprovado por Madri.

Com certezas, tais medidas exacerbariam o movimento pela independência, deflagrando uma crise sem precedentes desde a democratização da Espanha depois da morte do ditador Francisco Franco, em 1975.

Em setembro, o Parlamento da Espanha aprovou uma lei dando poderes ao governo central para assumir o controle direto dos recursos das províncias, inclusive da polícia, em caso de emergência.

Um confronto direto fortaleceria os separatistas na realização de um referendo sobre a independência. Embora o movimento nacionalista tenha eleito a maioria absoluta dos deputados no Parlamento nas últimas eleições regionais, em setembro, sobretudo por causa da abstenção, só obteve 48% do voto popular.

O movimento nacionalista tomou as últimas eleições como um referendo sobre a independência, mas as pesquisas indicam que 70% dos catalães são contra. O clima de confrontação pode virar esse jogo.

No momento, é improvável que o governo regional da Catalunha tome medidas radicais, enquanto o governo central da Espanha deve aumentar as pressões financeiras e legais para dividir o movimento catalão para tentar derrubar o governo rebelde. Mas o primeiro-ministro Mariano Rajoy quer evitar o confronto antes das eleições nacionais de 20 de dezembro.

domingo, 11 de outubro de 2015

Parlamento novo primeiro-ministro do Nepal

O Parlamento do Nepal elegeu hoje Khadga Prasad Oli como novo primeiro-ministro do país. Ele recebeu os votos de 338 dos 597 deputados da Assembleia Nacional, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Como principais desafios, o novo líder terá de enfrentar os protestos contra a nova Constituição e a escassez de combustíveis, além de reconstruir o Nepal depois do violento terremoto de abril.

Oli teve o apoio de uma aliança de monarquistas, maoístas e centristas. Ele venceu o primeiro-ministro Sushil Koirala para se tornar o primeiro chefe de governo eleito sob a nova Constituição.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Parlamento da Grécia aprova acordo com os credores

Com 222 votos a favor, 64 contra e 11 abstenções, o Parlamento da Grécia aprovou na madrugada de hoje o terceiro acordo com os credores para o país receber empréstimos de emergência, desta vez no valor de 86 bilhões de euros.

Mais de 40 deputados da Coligação de Esquerda Radical (Syriza), inclusive o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis, votaram contra. Os ministros das Finanças da Zona do Euro discutem hoje os detalhes do programa de resgate para ajudar a Grécia a pagar uma dívida pública de 320 bilhões de euros que deve chegar a 200% do produto interno bruto, a soma de toda a riqueza que o país produz num ano.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Parlamento da Grécia discute proposta de acordo com credores

O projeto de lei sobre o terceiro programa de ajuda internacional, apresentado ontem, começa a ser discutido hoje no Parlamento da Grécia e deve ser votado até amanhã. Hoje sai o resultado do produto interno bruto do segundo trimestre. A expectativa é de forte contração.

Amanhã, os ministros das Finanças do Grupo do Euro voltam a debater o acordo anunciado em 11 de agosto para a Grécia receber 86 bilhões de euros ao longo de três anos. Em troca, o governo grego se comprometeu a realizar reformas que incluem 35 medidas acertadas com os parceiros da Zona do Euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE), a mal afamada troika.

A Grécia teme que a Alemanha decida dar um empréstimo-ponte em vez de liberar logo os fundos do novo programa de ajuda, com o objetivo de impor novas exigências. E o governo da Coligação de Esquerda Radical (Syriza) enfrenta problemas internos.

Uma parte do partido não concorda com o acordo. Gostaria de romper com a Eurozona e até com a União Europeia, ao contrário do que quer a maioria dos gregos. O primeiro-ministro Alexis Tsipras depende de votos dos partidos tradicionais, Nova Democracia, de direita, e o Partido Socialista Pan-Helênico (Pasok), para aprovar os acordos internacionais.

A votação do acordo será um bom teste para a coesão do governo em Atenas.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

BCE amplia ajuda de emergência a bancos da Grécia

Um dia depois que o Parlamento da Grécia aprovou o novo programa de ajuda proposto pelos sócios da Zona do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) ampliou hoje em 900 milhões de euros a linha de crédito de emergência para evitar a falência dos bancos gregos.

Em entrevista coletiva, o presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, justificou a medida tendo em vista "diversos avanços positivos" nas negociações da Grécia com os credores internacionais para acertar o terceiro programa de resgate financeiro da dívida pública do país.

Os bancos gregos estão fechado desde 29 de junho. Os correntistas só podem sacar 60 euros por dia por conta bancária. A ajuda de liquidez de emergência já era de 89 milhões. Houve um aumento pequeno, mas indica a disposição do BCE de evitar um colapso do sistema financeiro da Grécia.

Com conflitos na rua entre a polícia e manifestantes contrário ao acordo, e apesar dos votos contrários de 39 deputados do partido do governo, a Coligação de Esquerda Radical (Syriza), o Parlamento da Grécia aprovou ontem o acordo por 229 a 64, com seis abstenções.

Horas antes, a Assembleia Nacional e o Senado da França aprovaram o acordo sem problemas. A maior dificuldade deve ocorrer no Parlamento da Alemanha, onde há forte resistência da opinião pública em emprestar mais dinheiro à Grécia. A votação em Berlim será amanhã.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Talebã atacam o Parlamento do Afeganistão

A  milícia extremista muçulmana dos Talebã (Estudantes) reivindicou a autoria de um ataque ao Parlamento do Afeganistão. Pelo menos nove pessoas morreram, entre eles sete terroristas, uma mulher e uma criança, e 31 saíram feridas, informou o Ministério do Interior afegão.

Num claro desafio ao governo, o ataque comecou às 10h30 pela hora local de Cabul com um atentado terrorista suicida que abalou o plenário, que discutia a indicação do novo ministro da Defesa. Em seguida, seis milicianos tentaram invadir a sede do Parlamento. A polícia resistiu. Depois de uma hora, conseguiu matar todos os talebã.

"Todos os deputados e senadores foram resgatados e estão bem", declarou o chefe de polícia de Cabul, Abdul Rahman Rahimi.

O presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, nomeou recentemente Mohammad Massoom Stanekzai para ministro da Defesa, um cargo que exige aprovação do Parlamento. Ghani condenou o ataque descrevendo-o como "um ato claro de hostilidade contra a religião do Islã", numa tentativa de minar a credibilidade dos Talebã, que se apresentam como os únicos representantes legítimos do verdadeiro islamismo.

Com esse ataque ao coração do poder em Cabul, os Talebã mostram a determinar de obter vitórias e realizar ações espetaculares em sua ofensiva anual de verão, que começou antes do início oficial da estação, quando o fim do rigoroso inverno e o degelo permitem aos rebeldes intensificar a luta.

Este é o primeiro ano depois da retirada do grosso das forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos, que atacaram o Afeganistão a partir de 7 de outubro de 2001 para vingar os atentados terroristas de 11 de setembro em Nova York e no Pentágono. O governo dos talebã acolhia na época as principais bases da rede terrorista Al Caeda.

A Guerra do Afeganistão já é a mais longa da história dos EUA. Desde sua primeira eleição para a Casa Branca, em 2008, o presidente Barack Obama promete acabar com a participação americana.

Diante da ofensiva da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante no Iraque um ano atrás, Obama decidiu manter 9,8 mil soldados americanos no Afeganistão em vez dos 5 mil anteriormente previstos. Além de treinar a polícia e o Exército locais, eles podem participar de operações especiais antiterrorismo.

domingo, 21 de junho de 2015

Parlamento do Irã limita seu poder de vetar acordo nuclear.

O Majlis (Parlamento) do Irã aprovou hoje uma lei que limita seu próprio poder de bloquear um acordo nuclear que está sendo negociado com as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha, noticiou o sítio France 24.

Qualquer lei decorrente do acordo terá de passar pelo Supremo Conselho de Segurança Nacional, que será encarregado de fiscalizar seu cumprimento.

As negociações, que devem ser concluídas até 30 de junho de 2015, visam a congelar o programa nuclear iraniano durante dez anos para evitar que o país desenvolva armas atômicas. O Irã conserva o direito de enriquecer urânio a baixos teores para uso em reatores nucleares de produção de energia para fins pacíficos.

Em troca, as sanções internacionais impostas para punir o regime teocrático da República Islâmica serão suspensas gradualmente.