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domingo, 23 de fevereiro de 2025

Direita vence e extrema direita avança nas eleições na Alemanha

Com 28,5% dos votos, a aliança da União Democrata-Cristã com a União Social-Cristã (CDU-CSU) venceu as eleições parlamentares deste domingo na Alemanha, mas seu líder, Friedrich Merz (foto), terá de formar uma coalizão para governar, provavelmente com o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), que ficou em terceiro lugar com 16,4%, e talvez também com Os Verdes, que tiveram 11,6%.
A neonazista Alternativa para a Alemanha (AfD) dobrou seu percentual de votação para 20,8% e será o maior partido da oposição, com 151 deputados. Foi o melhor resultado da extrema direita depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Na faixa etária de 35 a 44 anos, foi o partido mais votado, com 26% contra 24% da direita republicana (CDU-CSU). Sua líder, Alice Weidel, declarou que será um governo frágil que não vai até o fim do mandato de quatro anos.

Três ataques terroristas recentes cometidos por imigrantes fortaleceram a extrema direita. Em dezembro, um médico saudita atropelou e matou seis pessoas e feriu 229 numa feira de Natal em Magdeburgo. Em 13 de fevereiro, um afegão que teve o pedido de asilo negado matou uma mulher e sua filha, e feriu outras 30 pessoas num atropelamento em Munique. No sábado, um refugiado sírio esfaqueou uma pessoa perto do Memorial do Holocausto em Berlim aos gritos de "morte aos judeus".

As eleições previstas para setembro foram antecipadas pelo colapso da coligação sinal de trânsito, vermelho do SPD, amarelo do Partido Democrático Livre (FDP) e os Verdes, em 6 de novembro do ano passado, depois que o FDP rejeitou a proposta orçamentária do chanceler (primeiro-ministro) Olaf Scholz cobrando austeridade fiscal para combater a crise econômica. Com apenas 4,4% dos votos, o FDP não superou a cláusula de barreira de 5%. Fica fora do Parlamento. Seu líder, Christian Linder, renunciou.

A participação de 83% do eleitorado foi a maior desde a reunificação do país, em 3 de outubro de 1990, mas a Alemanha ainda está dividida. Com 29,7% da votação, a extrema direita ganhou em toda a antiga Alemanha Oriental, a não ser em Berlim. Ficou em quarto lugar na antiga Alemanha Ocidental, com 13%.

No fim, a União (CDU-CSU) elegeu 208 dos 630 deputados da Câmara Federal, dos quais 299 são eleitos pelo voto distrital e os outros 331 pelo voto proporcional em listas partidárias. A AfD terá 151 cadeiras. 

Os sociais-democratas tiveram o pior resultado desde 1949, quando foi fundada a Alemanha Ocidental, depois da divisão do país no fim da Segunda Guerra Mundial. Ficaram com 121 deputados. Junto com a União, somam 329 cadeiras, suficientes para a maioria.

Os Verdes elegeram 85 deputados. Se entrarem no governo, a coalizão terá uma maioria folgada de 414 cadeiras, mas é improvável por causa da linha dura adotada por Merz contra a imigração. O futuro chanceler quer suspender o Acordo de Schengen, que aboliu as fronteiras internas da União Europeia, e voltar a fazer controle de fronteiras para impedir a entrada de imigrantes ilegais.

A Aliança Sarah Wagenknecht (BSW), de esquerda radical, chegou a 4,9% e também ficou fora. Se superasse a cláusula de barreira, como a televisão ZDF chegou a anunciar, Os Verdes teriam de entrar para o governo.

Nacionalista de esquerda, conservadora em questões sociais, a BSW é antieuropeia e contra a participação da Alemanha na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos. É uma dissidência do partido A Esquerda, que conquistou 8,8% dos votos e terá 64 parlamentares.

Uma cadeira foi conquistada pelo voto distrital pela Associação dos Eleitores de Schleswig do Sul.  

Maior economia da Europa e terceira do mundo, com produto interno bruto de US$ 4,9 trilhões, a Alemanha está em recessão há dois anos por causa do aumento da concorrência da indústria da China e do fim da energia barata da Rússia por causa das sanções à ditadura de Vladimir Putin em razão da invasão da Ucrânia. O modelo econômico alemão está em crise e não há solução fácil.

O maior desafio é a mudança de posição dos EUA no governo Donald Trump em relação à OTAN e à guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia. Isto obriga a Europa a aumentar os gastos militares tratar de garantir a segurança do continente sem depender de Washington. No momento, a Alemanha gasta 1,7% do PIB em defesa. A meta da OTAN era 2%. Trump quer um aumento para 5% para manter a aliança atlântica.

Diante dos problemas do país e da Europa, Merz pediu pressa nas negociações: "O mundo lá fora não está esperando por nós." Ele defende uma política mais dura com a Rússia. Quer dar mais armas à Ucrânia, enquanto o presidente dos EUA se aproxima de Putin e "fortalecer a Europa tão rapidamente quanto possível para que seja independente dos EUA."

Trump está chantageando a Ucrânia. Se o presidente Volodymyr Zelensky não concordar em ceder 50% das riquezas minerais da Ucrânia, no valor de US$ 500 bilhões, Trump ameaça suspender a ajuda ao país.

Nesta caso, a Europa terá de aumentar a ajuda militar à Ucrânia para evitar a vitória de Putin, que seria extremamente negativa para a segurança do continente.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

Alemanha dissolve Parlamento e antecipa eleições em plena crise

 O presidente Frank-Walter Steinmeier dissolveu hoje o Parlamento Federal da Alemanha. As eleições gerais foram antecipadas em sete meses depois da queda do chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Olaf Scholz. Serão realizadas em 23 de fevereiro de 2025, em meio a uma crise do modelo econômico alemão e de ascensão da extrema direita. A favorita é a União Democrata-Cristão (CDU), o partido tradicional da direita conservadora, liderado por Friedrich Merz, que deve ser o próximo chefe de governo.

Maior economia da Europa e terceira do mundo, a Alemanha enfrenta uma crise de seu modelo econômico por causa da concorrência dos países da Ásia, especialmente da China, e do fim da energia barata da Rússia. O governo Scholz caiu por causa da discordância dos liberais-democratas sobre a recuperação da economia.

A CDU de Merz faz campanha com a defesa do neoliberalismo econômico, com cortes de impostos e gastos públicos, e contra a imigração. A onda de refugiados que entrou no governo Angela Merkel (2005-21) é a principal causa do surgimento e ascensão do partido neonazista Alternativa para a Alemanha (AfD), que está em segundo lugar nas pesquisas.

Com o fragmentação do sistema política e a recusa dos partidos tradicionais de formar governo com a extrema direita, há uma expectativa de que sejam necessários meses após as eleições até a Alemanha ter um novo governo. Como a França também está em crise, com um governo sem maioria na Assembleia Nacional, o eixo central da União Europeia está enfraquecido no momento da volta do presidente Donald Trump à Casa Branca.

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Extrema direita vence primeira eleição na Alemanha no pós-guerra

 Como era temido, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) ficou em primeiro lugar nas eleições no estado da Turíngia e em segundo lugar na Saxônia. Este resultado é consequência dos problemas da reintegração da antiga Alemanha Oriental, da Crise de Refugiados e da impopularidade do atual governo federal do país. É improvável que os neonazistas consigam formar governo. O chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Olaf Scholz pediu aos outros partidos que não formem governo com a ultradireita.

Na Turíngia, um pequeno estado de apenas 2 milhões de habitantes, a extrema direita conquistou 32,8% dos votos, batendo a União Democrata-Cristã (CDU), o maior partido de oposição da direita conservadora, que teve 23,6%

Na Saxônia, a AfD (30,6%) ficou logo atrás da CDU (31,9%). Em ambos estados, a Aliança Sarah Wagennecht (BSW) ficou em terceiro lugar, com 15,8% na Turíngia e 11,8% na Saxônia. É um partido nacionalista e populista de extrema esquerda, eurocético e socialmente conservador, mas a favor do Estado do bem-estar social. A CDU terá problemas para formar governo com a BSW porque discordam em quase tudo, da questão social ao apoio à Ucrânia.

O comparecimento às urnas, de 74% na média dos dois estados, é um sinal que os alemães do Leste queriam punir o governo federal.

A coalizão de governo, chamada de sinal de trânsito, vermelho do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), amarelo do Partido Democrático Liberal (FDP) e Os Verdes, foi fragorosamente derrotada. Os três partidos do governo vivem brigando entre si. Raramente chegam a consensos. Scholz é um líder fraco. Deve cair nas próximas eleições gerais, daqui a um ano.

domingo, 9 de junho de 2024

Extrema direita avança nas eleições para o Parlamento Europeu

 Os partidos tradicionais mantêm o controle sobre o Parlamento Europeu pelos próximos cinco anos, apesar do avanço da extrema direita nas eleições iniciadas na quinta-feira. Os resultados preliminares foram anunciados neste domingo. 

A ultradireita venceu na França e na Áustria, ficou em segundo na Alemanha e consolidou a posição da primeira-ministra Giorgia Meloni na Itália. Deve ter pelo menos 169 das 720 cadeiras, mais de um quarto.

A presidente da Comissão Europeia, o órgão executivo da União Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, saudou a vitória dos partidos de centro, mas o centro de gravidade do Parlamento Europeu se moveu para a direita.

Na França, a Reunião Nacional, liderada por Marine Le Pen e nesta eleição por Jordan Bardella, ganhou com 31,5% dos votos, derrotando o partido Renascença, do presidente Emmanuel Macron, de centro-direita, que teve 14,6% dos votos, e o Partido Socialista, que chegou 13,8% com o Raphael Gluksmann como líder da lista de candidatos a eurodeputado.

Diante da derrota, o presidente francês dissolveu a Assembleia Nacional convocou eleições legislativas antecipadas para 30 de junho e 7 de julho, sob o argumento de que "a França precisa de uma maioria clara". O governo não tem maioria na Assembleia Nacional desde as eleições de 2022.

A direita conservadora venceu na Alemanha com 30,3% dos votos para a aliança entre a União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU), que terá 29 eurodeputados. A Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, ficou em segundo lugar com 15,6% e 15 cadeiras, à frente dos partidos do governo. É forte especialmente na antiga Alemanha Oriental. 

Entre os governistas, o Partido Social-Democrata (SPD), do primeiro-ministro Olaf Scholz, teve 14,6% dos votos e terá 14 eurodeputados. Os Verdes ficaram com 12% e 12 cadeiras, e o Partido Liberal-Democrata (FDP) com 5,3% e 5 cadeiras.

Os Irmãos da Itália (FdI), partido da primeira-ministra da extrema direita Giorgia Meloni, ganhou na Itália com 28,6% dos votos e levou 24 cadeiras, batendo o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, o maior da oposição, com 25,6% dos votos e 22 deputados. 

O Movimento 5 Estrelas (M5E), anarquista, ficou em terceiro, com 9,7% e 8 deputados e a Liga, também de extrema direita, foi o quarto partido mais votado, com 8,8% e 8 deputados. Perdeu 14 cadeiras, enquanto os Irmãos da Itália ganharam 14 deputados.

Na Espanha, o conservador Partido Popular (PP) teve 34% dos votos elegeu 22 eurodeputados e o Partido Socialista Operário Espanhol 30% recebeu 30% dos votos e conquistou 20 cadeiras; 64% dos espanhóis são europeístas. O partido de extrema direita Vox teve 9,6% dos votos e elegeu 6 eurodeputados. Um novo partido de extrema direita, Se Acabó la Fiesta (A Festa Acabou) elegeu mais três.

Uma observação importante é que a extrema direita não trabalha unida no Parlamento Europeu. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, se aproximou da presidente da Comissão Europeia, da CDU alemã, que faz parte do Partido Popular Europeu, o maior bloco do parlamento, com 184 deputados, que reúne partidos da direita tradicional, conservadores e democratas-cristãos.

Meloni não faz parte do bloco Identidade e Democracia, liderado por Le Pen, nem do bloco dos Conservadores e Reformistas Europeus. Le Pen se afasta da AfD. Então, apesar do crescimento, a ultradireita ainda não se entendeu para atuar em conjunto.

A UE sofreu desde a crise financeira internacional de 2008 com a Crise do Euro, um aumento da imigração por causa das guerras no Oriente Médio e na África, e com a guerra da Rússia contra a Ucrânia. A necessidade de socorrer economias em crise, a rejeição aos imigrantes e os bilhões de euros dados à Ucrânia alimentam a ascensão da extrema direita, que também recebeu o apoio da máquina de propaganda e notícias falsas do Kremlin.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Alemanha prende radicais de ultradireita suspeitos de golpe

Mais de 3 mil policiais participaram de uma megaoperação em 11 dos 16 estados da Alemanha para prender nessa quarta-feira 25 extremistas de direita de um grupo chamado Cidadãos do Reich, que fazia planos para derrubar o governo republicano e democrático, e restaurar a monarquia sob a liderança de um aristocrata de 71 anos, um candidato a rei que se apresenta como Heinrich ou Henrique XIII.

"Nosso Estado constitucional é forte. Sabemos nos defender com todas as nossas forças contra os inimigos da democracia", declarou a ministra do Interior, Nancy Faeser.

O grupo, considerado pelo governo alemão uma organização terrorista, acredita em teorias conspiratórias como a existência de um "Estado profundo" que governaria a Alemanha de fato. Anda armado e tentou invadir o Parlamento Federal em agosto de 2020. Rejeita totalmente as instituições estatais e o regime democrático da República Federal da Alemanha.

A Procuradoria o acusa de planejar a tomada do poder por "meios militares" com assalto armado ao Bundestag como os partidários de Donald Trump tentaram fazer em 6 de janeiro de 2001 no Capitólio para impedir a certificação da vitória de Joe Biden. Os Cidadãos do Reich pediriam ajuda à Rússia para tomar o poder na Alemanha.

Entre os presos, há ex-militares, um ex-policial e uma ex-deputada do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), Birgit Malsack-Winkemann, que trabalhava como juíza do Tribunal Regional de Berlim. Além do príncipe, líder político vigiado há anos pelos serviços secretos alemães, o coronel reformado Rüdiger von P. é apontado como comandante militar dos Cidadãos do Reich.

A rede terrorista começou a ser articulada no fim de novembro de 2021 com o objetivo de "derrubar a ordem estatal existente na Alemanha e substituí-la por uma forma de governo própria", nas palavras de um comunicado da Procuradoria. Seus membros sabem que isto só pode ser feito com o uso da força, o que "inclui cometer homicídios".

Os extremistas tentaram atrair soldados e policiais, e organizaram treinamentos de tiro para preparar o ataque. Até agora, foram identificados 51 suspeitos. A operação está em andamento e pode realizar novas prisões.

As autoridades alemãs alertam que o terrorismo de extrema direita aumentou com a onda de refugiados e se tornou ainda pior durante a pandemia.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Primeira-ministra Angela Merkel anuncia retirada da vida pública

Diante de mais uma grande perda da União Democrata-Cristã ontem nas eleições do estado de Hesse, no centro da Alemanha, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel anunciou hoje que este será seu último mandato como chefe de governo. Ela deixa o cargo em 2021 e não vai concorrer à reeleição como líder do partido em dezembro de 2018, informou a televisão pública britânica BBC.

"Não vou mais postular nenhum cargo político quando meu mandato acabar", declarou Merkel hoje em Berlim. "Como chanceler e líder da CDU, sou responsável por tudo, por seus fracassos e seus sucessos."

Tanto a CDU como o Partido Social-Democrata (SPD), seu parceiro na grande coalizão que governo a Alemanha, perderam dez pontos percentuais em relação às eleições anteriores em Hesse, onde fica Frankfurt, principal centro financeiro da Alemanha e sede do Banco Central Europeu (BCE).

Duas semanas antes, a União Social-Cristã (CSU), aliada da CDU na Baviera, sofrera uma perda semelhante e também o SPD nas eleições estaduais bávaras. Nos dois casos, os grandes beneficiários foram os Verdes à esquerda e o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Merkel sofre um desgaste por ter acolhido 1,1 milhão de refugiados das guerras no Oriente Médio  por causa das leis de asilo político generosas adotadas pela Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) para expiar a culpa pelos crimes do Nazismo.

A inesperada ascensão da AfD a partir das eleições gerais de 2017, quando a extrema direita voltou ao Parlamento alemão pela primeira vez desde o fim da guerra, foi um sinal claro de insatisfação. Agora, depois das eleições na Baviera e em Hesse, a AfD tem deputados em todas as assembleias legislativas regionais.

Com a forte queda dos dois partidos de centro, a grande coalizão é abalada. Se o SPD retirar o apoio, a aliança CDU-CSU terá de decidir se tenta governar em minoria ou se convoca novas eleições em que Merkel não seria candidato.

Neste clima, eleições gerais antecipadas tendem a produzir um Parlamento fragmentado, com negociações difíceis para formar um governo de maioria, provavelmente frágil. Como a Alemanha é a maior economia da Europa e a líder da União Europeia, a integração europeia também fragilizada no momento das negociações para a saúda do Reino Unido e de desafios dos governos de extrema direita da Itália, da Hungria e da Polônia.

domingo, 28 de outubro de 2018

Partido de Merkel sofre nova derrota na Alemanha

Num resultado capaz de abalar a grande coalizão governista da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, a União Democrata-Cristã (CDU) sofreu uma forte queda nas eleições do estado de Hesse, no centro da Alemanha, onde fica Frankfurt, a capital financeira do país. O Partido Social-Democrata, sócio na grande aliança,  também caiu muito.

Com 27,2%, a CDU continua sendo o maior partido em Hesse, mas perdeu 10 pontos percentuais em relação às eleições anteriores, cinco anos atrás. O SPD ficou em segundo com 19,6%. Em 2013, tivera 30,7% dos votos. Perdeu espaço para um extraordinário crescimento dos Verdes, que devem ficar com 19%.

O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 13% dos votos. Agora, tem representantes em todas as assembleias legislativas estaduais.

Para o secretário-geral do SPD, o resultado indica que "a grande coalizão não pode continuar deste jeito".

A CDU governa Hesse há 19 anos, nos últimos cinco numa aliança improvável com os Verdes. Como esses dois partidos podem não ter maioria no parlamento regional, um novo arranjo deve incluir o Partido Liberal-Democrata (FDP).

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Merkel fracassa ao formar governo e Alemanha pode ter novas eleições

Com a retirada dos liberais-democratas (FDP) das negociações para formar um novo governo na Alemanha, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel enfrenta sua crise política mais grave em 12 anos no poder. Depois de um mês, ela não conseguiu promover um acordo entre a aliança da União Democrata-Cristã e com a União Social-Cristã (CDU-CSU), que lidera, o FDP e os Verdes.

Os principais pontos de discórdia foram refugiados, migração e mudança do clima. Sem avanços até sexta-feira passada, prazo fixado pela chanceler para chegar um acerto, o líder do FDP, Christian Lindner, abandonou as negociações.

 "É melhor não governar do que governar insinceramente", declarou Lindner. Na sua opinião, o processo "demonstrou que os quatro parceiros não têm uma visão comum do nosso país nem uma base comum de confiança".

Merkel foi obrigada a formar um governo de coalizão depois que a CDU obteve nas eleições de 24 de setembro seu pior resultado desde 1949, nas primeiras eleições da Alemanha Ocidental. Sob pressão do novo partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD), a aliança CDU-CSU teve apenas 30,2% dos votos.

No domingo, o presidente da Alemanha, o ex-líder do Partido Social-Democrata (PSD) e ex-ministro do Exterior Frank-Walter Steinmeier advertiu para os ricos de novas eleições, que podem fortalecer ainda mais a extrema direita.

Agora, a primeira-ministra pode formar um governo sem maioria parlamentar, que seria frágil, precisando barganhar apoio a cada votação, tentar rearticular a grande coalizão com o SPD ou convocar novas eleições no início de 2018.

No seu primeiro governo (2005-9) e no terceiro (2013-17), Merkel fez alianças com o SPD para ter maioria no Parlamento. Mas aparentemente o SPD prefere novas eleições. Pode ser o fim melancólico da carreira política da mulher apontada como líder do mundo livre depois da ascensão de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos.

domingo, 24 de setembro de 2017

Merkel é reeleita e ultradireita volta ao Parlamento da Alemanha

Com cerca de 33% dos votos, a aliança entre a União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU) garantiu a esperada reeleição da chanceler (primeira-ministra) conservadora Angela Merkel para um quarto mandato como chefe de governo da Alemanha. 

A grande novidade das eleições de 2017 foi a volta ao Parlamento alemão de um partido de extrema direita pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

A Alternativa para a Alemanha (AfD), surgida em reação à política de Merkel de acolher os refugiados de guerras no Oriente Médio e à crise do euro, ficou em terceiro lugar, com 12,6% dos votos e 94 deputados, atrás do Partido Social-Democrata (SPD), que teve 20,5% da votação e elegeu 153 deputados.

Também conquistaram assentos na Câmara Federal da Alemanha o Partido Liberal-Democrata (FDP),  com 10,7% dos votos, terá 80 deputados; a Esquerda, com 9,2%, elegeu 69 deputados; e os Verdes, com 8,9% da votação, terão 67 deputados.

Apesar da vitória, com 246 deputados na Câmara Federal (Bundestag) de 709 cadeiras, a aliança CDU-CSU obteve seu pior resultado desde 1949, nas primeiras eleições da Alemanha Ocidental.

Merkel pode tentar a aliança com os liberais-democratas, um antigo aliado de governos democratas-cristãos, mas não basta para ter maioria absoluta. Ela também precisaria do apoio da bancada verde para formar um governo de maioria, com 393 deputados.

Outra opção é manter a grande aliança com o SPD. Os sociais-democratas sofreram o desgaste de ser o parceiro menor na coalizão de governo. Devem preferir a oposição para reconstruir sua base de apoio. De qualquer maneira, Merkel sai enfraquecida das eleições.

Pela Constituição da República Federal da Alemanha, do pós-guerra, há uma cláusula de barreira. Para entrar na Câmara, um partido precisa de no mínimo 5% dos votos nacionalmente. Foi uma fórmula usada evitar o acesso de nazista e comunistas ao Parlamento.

É a primeira vez desde Hitler e do partido nazista que a extrema direita estará no Parlamento Alemão. Ao celebrar como vitória, os ultranacionalistas prometeram fazer uma oposição feroz a Merkel e investigar os últimos governos. Do lado de fora, manifestantes liberais e de esquerda gritavam: "Fora, nazistas!"

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Partido de Merkel ganha eleições no maior estado da Alemanha

A reeleição de Angela Merkel em 22 de setembro de 2017 para um quarto mandato como chanceler (primeira-ministra) da Alemanha é cada vez mais provável. Seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), ganhou ontem as eleições na Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha, reduto tradicional do Partido Social-Democrata (SPD).

Pelas projeções da televisão alemã ZDF, a direitista CDU venceu com 33,3% dos votos contra 31% do SPD, de centro-esquerda que caiu oito pontos percentuais em relação às eleições anteriores. O Partido Liberal-Democrata (FDP), de centro-direita, ficou em terceiro com 12%. É um possível parceiro numa aliança com a CDU para formar um governo de coalizão.

A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita anti-imigração e antieuro, entrou no parlamento regional com 8% dos votos. Já está presente em 13 dos 16 estados alemães.

Os sociais-democratas também perderam nos últimos dois meses as eleições nos estados do Sarre e de Schleswig-Holstein. A quatro meses e meio das eleições, um atentado terrorista, um agravamento da crise de refugiados ou problemas na Zona do Euro podem abalar a opinião pública e alterar as pesquisas. Mas, num mundo conturbado, Merkel é uma garantia de estabilidade.

Seu maior rival, Martin Schulz, do SPD, ex-presidente do Parlamento Europeu, não desiste e cita o novo presidente da França, Emmanuel Macron, que amanhã se encontra com Merkel na sua primeira viagem ao exterior como chefe de Estado.

"Meu amigo Macron estava mal nas pesquisas há cinco meses e agora é presidente", declarou Schulz ao saber da derrota tentando animar a militância para as eleições de setembro.

Com dívida pública elevada e desemprego de 7,5%, acima de média nacional de 5,8%, a Renânia do Norte-Vestfália é chamada pejorativamente de "Grécia da Alemanha", em referência à crise da dívida grega, que ameaçou a própria existência do euro anos atrás.

Nas eleições parlamentares de 2013, a aliança CDU-CSU (União Social-Cristã) recebeu 42% dos votos e elegeu 311 deputados, cinco a menos do que a maioria absoluta. Como o FDU não atingiu o mínimo legal de 5% para entrar na Câmara Federal, Merkel acabou fazendo uma grande coalizão para governar com o SPD.

domingo, 20 de novembro de 2016

Merkel é candidata a um quarto mandato na Alemanha

Doze dias depois da eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos, a primeira-ministra conservadora Angela Merkel anunciou hoje em Berlim sua candidatura a um quarto mandado como chefe de governo da Alemanha, preparando-se para ser a principal líder a favor do internacionalismo liberal pós-1945.

Ao manter o compromisso histórico da Alemanha e da União Europeia de acolher refugiados de guerra, Merkel, no poder desde 2005, perdeu popularidade, mas não se rendeu ao discurso populista antiestrageiros alimentando pelo ressurgimento da extrema direita no continente.

Seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), sofreu uma derrota humilhante, ficando em terceiro lugar nas eleições de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, um dos estados mais pobres do país e da antiga Alemanha Oriental, base eleitoral da primeir,a-ministra.

A vitória, em 6 de setembro de 2016, foi do Partido Social-Democrata (SPD), com 30,5%, seguido pelo novo partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD), com 20,9%, deixando a CDU em terceiro com 19% numa clara rejeição à política de refugiados de Merkel.

O detalhe é que o estado, por ser pobre, é um dos que menos atraem imigrantes na Alemanha. Numa concessão aos partidos de ultradireita, a chanceler declarou hoje ser contra os trajes muçulmanos que cobrem o rosto inteiro, como o nicabe e a burca.

A AfD está roubando votos dos partidos tradicionais. Sua fatia do eleitorado encolhe a cada eleição geral. Em 2013, a CDU e o SPD tiveram 67% dos votos. Nas pesquisas para as eleições gerais de setembro de 2017, têm em média 55% das preferências do eleitorado.

Merkel assumiu a responsabilidade pelas derrotas da CDU, mas não abriu mão dos princípios da democracia e da liberdade, base da ordem internacional pós-Segunda Guerra Mundial  liderada pelos EUA em aliança com a Europa Ocidental.

Esta visão de mundo é ameaçada pelo ressurgimento de um nacionalismo hostil nos EUA com Donald Trump,a crescente agressividade militar da China ao intimidar países vizinhos, as intervenções militares da Rússia de Vladimir Putin, no Reino Unido com o movimento para sair da UE e no resto da Europa com a ascensão de partidos neofascistas como a Frente Nacional, na França.

Os cinco países citados acima são as grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, responsáveis em última análise pela paz e segurança internacionais. Se não chegarem a acordos básicos e reavivarem o nacionalismo, o risco de guerras aumenta exponencialmente.

Por ironia do destino, cabe a uma mulher, líder da Alemanha, país que iniciou as duas guerras mundiais que acabaram com a ordem mundial eurocêntrica, a defesa da ordem internacional liberal construída para acabar com o mundo nefasto das guerras nacionalistas. Outros líderes, como Trump e Putin parecem não ter aprendido as lições da história.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Extrema direita avança em eleições estaduais na Alemanha

O partido anti-imigrantes Alternativa para a Alemanha (AfD) tornou-se o primeiro a vencer a União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, pela direita. Nas eleições de domingo no estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD obteve 20,8% dos votos contra 19% para a CDU.

A vitória ficou com o Partido Social-Democrata (SPD), com queda de 35,6% para 30,6% em relação às eleições anteriores no estado da antiga Alemanha Oriental, que tem o menor eleitorado do país, apenas cerca de 1,6 milhão de eleitores. O SPD deve manter a grande aliança com a CDU que já domina o governo federal alemão.

Com apenas três anos de idade, o desempenho da AfD típico do voto de protesto: roubou votos de todos os partidos da ultradireita à extrema esquerda e mobilizou mais eleitores, diminuindo a abstenção.

A maior consolação foi que o Partido Nacional da Alemanha, de inspiração neonazista, não atingiu o mínimo de 5% dos votos e ficou fora de Assembleia Legislativa de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental. Os Verdes também não superaram a cláusula de barreira.

"Daqui para a frente, a Alemanha tem o que não tinha desde o fim da Segunda Guerra Mundial", em 1945, lamentou o jornal Die Welt.

O estado recebeu apenas 23 mil refugiados. Mesmo assim, o tema central foi a rejeição à política braços abertos para refugiados adotada por Merkel, que resolveu honrar a tradição alemã e europeia de oferecer asilo a refugiados. Esse repúdio não deve mudar antes das eleições federais de 2017.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Partido nacionalista ganha força na Alemanha

Enquanto os partidos tradicionais caem nas pesquisas, o novo partido nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD) está ganhando força com a crise da Zona do Euro e principalmente a onda de refugiados vindos do Oriente Médio, infomrou joje o jornal Die Welt.

De acordo com uma nova pesquisa do instituto Deutschland Trend para a televisão ARD, a coalizão conservadora entre a União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU) liderada pela chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel caiu dois pontos para 34%. 

O Partido Social-Democrata (SPD) tem o apoio de apenas 21% do eleitorado, a menor parcela em quase 20 anos de pesquisas da ARD.

A AfD subiu três pontos para 14%. É um partido conservador e eurocético formado em 2013, inicialmente para contestar os programas de resgate  financeiros dos países da Eurozona envididados pela crise além da capacidade de pagar (Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha). É contra o euro, a favor da volta do marco ou de uma união monetária menor. 

Como a Alemanha lidera a União Europeia, mudanças políticas no país terão impacto em todo o continente.

Para manter os princípios fundamentais do projeto europeu, Merkel decidiu acolher os refugiados, ressuscitando o fantasma do nacionalismo alemão. O movimento Peguida contra uma suposta islamização da Europa foi um sinal do renascimento do autoritarismo alemão. A ascensão da AfD é mais um.