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segunda-feira, 27 de maio de 2019

Voto de desconfiança derruba primeiro-ministro conservador da Áustria

O mais jovem líder eleito do mundo, o chanceler (primeiro-ministro) da Áustria, Sebastian Kurz, de 32 anos, caiu hoje depois de um escândalo corrupção envolvendo o vice-chanceler e líder do Partido da Liberdade (FPÖ), de extrema direita. 

Kurz, que chegou ao poder em 2017, foi o primeiro líder austríaco afastado com um voto de desconfiança do Parlamento no pós-guerra. Para derrubar Kurz, a oposição social-democrata se aliou ao FPÖ para aprovar uma moção de desconfiança.

O estopim do escândalo chamado de Ibizagate foi uma gravação de julho de 2017, feita em Ibiza, na Espanha, em que o então vice-chanceler de ultradireita Hans-Christian Strache negociava contratos públicos e a compra de um jornal com uma mulher que se fez passar por sobrinha a de um oligarca russo.

Quando o escândalo veio à tona, Strache caiu e o FPÖ retirou seus outros ministros do governo, que ficou em minoria. Ficaram evidentes as ligações da extrema direita austríaca com a Rússia. Na gravação, ele manifestou a intenção de tornar o jornalismo da Áustria igual ao da Hungria, onde o primeiro-ministro de ultradireita Viktor Orbán cerceia a liberdade de imprensa.

Até setembro, quando haverá novas eleições, a Áustria, um país de 9 milhões de habitantes, deve ser administrada por um governo tecnocrático. Kurz será candidato à reeleição e as pesquisas apontam a vitória do seu Partido Popular Austríaco (ÖVP).

Nas eleições para o Parlamento Europeu no último fim de semana, o ÖVP venceu com 35%, seguido pelo Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ) com 23,4%, o FPÖ com 17,2% e os Verdes com 14%.

Para revigorar o partido, ao se tornar líder, Kurz tomou algumas bandeiras da extrema direita como a linha dura contra imigrantes em à crise com a tentativa de entrada na Europa de uma onda de refugiados das guerras na África e no Oriente Médio. Ele também abraçou as guerras culturais, proibindo o véu islâmico em escolas primárias.

Ao contrário dos populistas de extrema direita, o ex-chanceler austríaco evita a retórica inflamada e o tom estridente. Tenta passar a imagem de um conservador moderno, claramente à direita da chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, (Angela Merkel), mas dentro de um partido tradicional.

Depois das eleições de 2017, ele preferiu se aliar à ultradireita a formar uma grande coalizão com os sociais-democratas, reunindo os dois partidos que dominaram a política austríaca no pós-guerra.

Agora, o SPÖ propôs a moção de desconfiança alegando que Kurz precisa ser responsabilizado por se aliar à extrema direita.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Primeira-ministra Angela Merkel anuncia retirada da vida pública

Diante de mais uma grande perda da União Democrata-Cristã ontem nas eleições do estado de Hesse, no centro da Alemanha, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel anunciou hoje que este será seu último mandato como chefe de governo. Ela deixa o cargo em 2021 e não vai concorrer à reeleição como líder do partido em dezembro de 2018, informou a televisão pública britânica BBC.

"Não vou mais postular nenhum cargo político quando meu mandato acabar", declarou Merkel hoje em Berlim. "Como chanceler e líder da CDU, sou responsável por tudo, por seus fracassos e seus sucessos."

Tanto a CDU como o Partido Social-Democrata (SPD), seu parceiro na grande coalizão que governo a Alemanha, perderam dez pontos percentuais em relação às eleições anteriores em Hesse, onde fica Frankfurt, principal centro financeiro da Alemanha e sede do Banco Central Europeu (BCE).

Duas semanas antes, a União Social-Cristã (CSU), aliada da CDU na Baviera, sofrera uma perda semelhante e também o SPD nas eleições estaduais bávaras. Nos dois casos, os grandes beneficiários foram os Verdes à esquerda e o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Merkel sofre um desgaste por ter acolhido 1,1 milhão de refugiados das guerras no Oriente Médio  por causa das leis de asilo político generosas adotadas pela Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) para expiar a culpa pelos crimes do Nazismo.

A inesperada ascensão da AfD a partir das eleições gerais de 2017, quando a extrema direita voltou ao Parlamento alemão pela primeira vez desde o fim da guerra, foi um sinal claro de insatisfação. Agora, depois das eleições na Baviera e em Hesse, a AfD tem deputados em todas as assembleias legislativas regionais.

Com a forte queda dos dois partidos de centro, a grande coalizão é abalada. Se o SPD retirar o apoio, a aliança CDU-CSU terá de decidir se tenta governar em minoria ou se convoca novas eleições em que Merkel não seria candidato.

Neste clima, eleições gerais antecipadas tendem a produzir um Parlamento fragmentado, com negociações difíceis para formar um governo de maioria, provavelmente frágil. Como a Alemanha é a maior economia da Europa e a líder da União Europeia, a integração europeia também fragilizada no momento das negociações para a saúda do Reino Unido e de desafios dos governos de extrema direita da Itália, da Hungria e da Polônia.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Ministro da Defesa usa desculpa de Maduro ao falar da crise na Venezuela

Ao fazer uma das palestras de abertura da 15ª Conferência do Forte de Copacabana hoje no Rio de Janeiro, o ministro da Defesa do Brasil, general Joaquim Silva e Luna, atribuiu o agravamento da crise na Venezuela às sanções internacionais adotadas pelos Estados Unidos e a União Europeia contra a ditadura de Nicolás Maduro. É o discurso do ditador.

Ministro Silva e Luna
Dez dias depois que o jornal The New York Times advertiu o presidente Donald Trump a não intervir militarmente na Venezuela, o ministro admitiu que a situação vai pior, mas negou que haja um fracasso da cooperação multilateral na América Latina para mediar negociações internas e evitar uma tragédia maior no país vizinho, de onde fugiram 4 milhões de pessoas, criando um problema em Roraima, no Norte do Brasil.

"A estratégia que o Brasil usa com países vizinhos é de cooperação. Embora pertença a mecanismos como a OEA (Organização dos Estados Americanos), o Mercosul (Mercado Comum doSul) e a Unasul (União das Nações da América do Sul), busca trabalhar em relações bilaterais", afirmou o general em entrevista coletiva.

O general afirmou que o diálogo existe: "Estive há duas semanas na Venezuela, em contato com o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, tratando sobre nossa fronteira, segurança, crime transnacional."

Quanto à situação interna do país, "se busca encontrar uma solução com os países do entorno para que eles resolvam o problema internamente. Precisa muitas vezes de apoio, dar condições para que ele encontre sua solução. Existe um embargo econômico que dificulta a situação da Venezuela. Existe um impacto econômico. Existe uma diáspora."

Se o objetivo do Brasil é "consolidar um arco de estabilidade" na América do Sul "com paz e cooperação em todas as áreas", a crise da Venezuela é hoje o maior problema.

Na sua palestra, o ministro da Defesa afirmou que o mundo passa por uma "reacomodação" do poder num "mundo globalizado, onde não existem mais atores secundários". Neste mundo interligado, "todos buscam uma terra prometida onde jorra leite e mel", acrescentou numa citação bíblica.

O ministro da Defesa descartou qualquer possibilidade de intervenção militar no país vizinho: "Não visualizamos nenhum uso de meios militares nem de uso da força para resolver a situação da Venezuela".

Outros palestrantes descreveram uma situação catastrófica na Venezuela: "A crise política e institucional é resultado de um modelo contrário à Constituição de 1999. Não há Estado de Direito, não à respeito às institucionais democráticas como a Assembleia Nacional eleita legitimamente", declarou a ex-embaixadora Milagros Betancourt, professora da Universidade Andrés Belo.

Em seu lugar, Maduro colocou uma Assembleia Nacional Constituinte eleita num processo fraudulento, sem oposição.

É uma "calamidade" sem precedentes numa economia moderna, no caso, o país com as maiores reservas mundiais de petróleo: "Dois terços das empresas privadas fecharam, 5 milhões de hectares de terras produtivas foram desapropriados. A produção de petróleo caiu de 3 milhões para 1,4 milhão por dia. Faltam 70% dos medicamentos. O produto interno bruto caiu 50% desde 2014. A inflação deve chegar a 1.000.000% ao ano. O desemprego é de cerca de 50%. O país está em default, não honra seus compromissos internacionais."

Com essa depressão econômica, observou Christian Bonfili, diretor nacional de análise estratégica na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da Argentina, "87% dos venezuelanos caíram na pobreza e 61% na pobreza extrema."

No plano internacional, a Venezuela sofreu o maior retrocesso no índice de desenvolvimento humano (IDH) das Nações Unidos, acrescentou Milagros Betancourt. Na América Latina, "estamos em último lugar em todos os indicadores regionais, atrás até do Haiti. A violência é generalizada e o pior de tudo é uma imensa desesperança: a situação se agrava a cada dia. Até o início do ano, o governo negava a crise, atribuindo-a às sanções internacionais."

O clima é de anarquia e desordem: "Desde 2015, houve 1.192 execuções extrajudiciais na Venezuela", notou Bonfili, na conferência organizada pela Fundação Konrad Adenauer, ligada à União Democrata-Cristã da Alemanha, o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Delegação da União Europeia no Brasil.

A crise dos refugiados na Europa é "extracomunitária", comparou a professora Francesca Ramos Pismataro, diretora do Observatório da Venezuela da Faculdade de Ciência Política, Governo e Relações Internacionais da Universidade do Rosário, na Colômbia. "Na América Latina, com a exceção do Brasil, não temos a barreira linguística e a crise é interna desde 2015."

Para a Colômbia, que com sua longa guerra civil era um país de onde pessoas fugiam, em contraste com a Venezuela, que recebeu 6 milhões de colombianos nos últimos 70 anos, é um desafio se tornar um "país de acolhida".

O total de refugiados estimado pela Organização Internacional de Migração, 2,3 milhões, não leva em conta os venezuelanos que têm dupla nacionalidade. A Universidade Central da Venezuela (UCV) trabalha com uma estimativa de 4 milhões, constatou Francesca Ramos.

"Cerca de 12% dos venezuelanos fugiram numa migração Sul-Sul intrarregional; 72% ficam na região. Nos últimos dois anos, o fluxo aumentou mais de dez vezes. Não é produto de conflito, é econômica, social e cultural. Cerca de 40% foram para a Colômbia, onde em um ano e meio entraram 1 milhão de venezuelanos, ao mesmo tempo em que voltaram 300 mil colombianos que viviam na Venezuela", comentou a professora colombiana.

Até 2015, só 0,3% dos colombianos eram imigrantes.

A ex-embaixadora venezuelana não acredita no programa Volta à Pátria, lançado em abril pelo ditador Maduro, no qual o ministro da Defesa depositou esperança: "Ninguém quer voltar. Todos querem sair."

domingo, 8 de abril de 2018

Primeiro-ministro antiliberal é reeleito na Hungria

Antiliberal, antieuropeu, antissemita e anti-imigrantes, Viktor Orban é o protótipo de líder do neopopulismo nacionalista que ressuscita o fantasma do fascismo na Europa Oriental pós-comunista. Acaba de ser reeleito para um terceiro mandado consecutivo de primeiro-ministro da Hungria. 

Com 93% dos votos apurados, a aliança de seu partido, a União Cívica Húngara (Fidesz), com o Partido Popular Democrata-Cristão (KDNP) deve eleger mais de 133 dos 199 deputados da Assembleia Nacional, garantindo a maioria de dois terços necessárias para mudar a Constituição. 

No discurso da vitória, Orban afirmou que o resultado dava aos húngaros "a oportunidade de se defender e de defender a Hungria". Os inimigos? Estrangeiros, muçulmanos, a burocracia de Bruxelas, o liberalismo ocidental e o bilionário húngaro naturalizado americano George Soros.

O Fidesz nasceu em 1988, fundado por jovens estudantes na época da abertura dos regimes comunistas da Europa Oriental promovida pelo líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev. A Hungria tinha o regime mais liberal e a economia mais aberta do Bloco Soviético. Foi o país que abriu a cortina de ferro, em 2 de maio de 1989, meses antes da queda do Muro de Berlim.

Depois da derrota nas eleições de 1994, Orban assumiu a liderança do partido e o levou para uma linha mais conservadora, nacionalista e populista. No último comício, na sexta-feira passada, o tema central foi o fantasma do estrangeiros: "A imigração é como uma ferrugem que lenta mas seguramente vai consumir a Hungria."

Nos últimos anos, ele não aceitou receber uma parcela dos refugiados que entraram na União Europeia proporcional à população. É contra o aprofundamento da integração europeia e se aproximar do ditador da Rússia, Vladimir Putin, que tentou fazer um acordo comercial bilateral para romper com as regras da UE.

Em segundo lugar, com 20% dos votos, ficou o partido nacionalista Jobbik, que marchou para o centro e formaria governo com o Partido Socialista, que teve 12%, e o partido verde, quarto colocado com 7%, se Orban não tivesse maioria.

O governo ganhou nas zonas rurais e nas pequenas cidades, enquanto as oposições conquistaram a maioria das cadeiras da capital, Budapeste.

Tanto o líder do Jobbik, Gabor Vona, quanto o socialista, Gyula Molnar, renunciaram. "O objetivo do Jobbik, ganhar as eleições e forçar uma mudança no governo, não foi atingido. A Fidesz ganhou. Ganhou de novo", lamentou Vona. "Nós nos consideramos responsáveis pelo que aconteceu e entendemos a decisão dos eleitores", declarou Molnar.

A vitória de Orban é uma derrota para a sociedade civil, grupos de defesa dos direitos humanos, a luta contra a corrupção e os meios de comunicação independentes. O primeiro-ministro promete "acertar as contas morais, políticas e legais" com seus adversários.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Merkel vence único debate antes das eleições na Alemanha

Em campanha por um quarto mandato consecutivo, a chanceler (primeira-ministra) conservadora da Alemanha, Angela Merkel, levou a melhor no único debate televisivo da campanha, realizado ontem à noite. Ao responder sobre relações com a Turquia, ela descartou a possibilidade do país entrar na União Europeia.

O candidato social-democrata Martin Schulz atacou a política de refugiados, as relações com a Turquia e com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Merkel usou sua experiência internacional e foi considerada vencedora.

Antes do debate, a aliança entre a União Democrata-Cristã (CDU) de Merkel e a União Social-Cristã (CSU) tinha uma vantagem de 14 pontos nas pesquisas sobre o Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD). Depois de debate, 55% deram vitória à chanceler e apenas 35% ao líder social-democrata.

Sob pressão de Schulz, Merkel declarou: "É claro que a Turquia não deve se tornar um membro da UE. Vou falar com meus colegas para ver se podemos chegar a uma posição conjunta e encerrar as negociações de acesso."

O governo turco reagiu com indignação. Merkel defendeu o acordo da UE com a Turquia para tentar conter a onda de refugiados da guerra civil na Síria.

Schulz também cobrou uma posição mais dura em relação a Trump por "colocar o mundo à beira de crises com seus tuítes" e prometeu trabalhar com seus parceiros europeus, o Canadá, o México e a oposição americana.

Merkel alegou "não acreditar que a crise na Coreia do Norte possa ser resolvida sem o presidente americano, mas penso que devemos dizer nos termos mais claros possíveis que só pode haver uma solução pacífica e diplomática."

No poder desde 2005, Merkel é a líder da Europa e uma das maiores lideranças mundiais. Diante do recuo do papel internacional dos EUA de Trump, ela está sendo pressionada a assumir o papel de líder do mundo ocidental.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Partido de Merkel ganha eleições no maior estado da Alemanha

A reeleição de Angela Merkel em 22 de setembro de 2017 para um quarto mandato como chanceler (primeira-ministra) da Alemanha é cada vez mais provável. Seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), ganhou ontem as eleições na Renânia do Norte-Vestfália, o estado mais populoso da Alemanha, reduto tradicional do Partido Social-Democrata (SPD).

Pelas projeções da televisão alemã ZDF, a direitista CDU venceu com 33,3% dos votos contra 31% do SPD, de centro-esquerda que caiu oito pontos percentuais em relação às eleições anteriores. O Partido Liberal-Democrata (FDP), de centro-direita, ficou em terceiro com 12%. É um possível parceiro numa aliança com a CDU para formar um governo de coalizão.

A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita anti-imigração e antieuro, entrou no parlamento regional com 8% dos votos. Já está presente em 13 dos 16 estados alemães.

Os sociais-democratas também perderam nos últimos dois meses as eleições nos estados do Sarre e de Schleswig-Holstein. A quatro meses e meio das eleições, um atentado terrorista, um agravamento da crise de refugiados ou problemas na Zona do Euro podem abalar a opinião pública e alterar as pesquisas. Mas, num mundo conturbado, Merkel é uma garantia de estabilidade.

Seu maior rival, Martin Schulz, do SPD, ex-presidente do Parlamento Europeu, não desiste e cita o novo presidente da França, Emmanuel Macron, que amanhã se encontra com Merkel na sua primeira viagem ao exterior como chefe de Estado.

"Meu amigo Macron estava mal nas pesquisas há cinco meses e agora é presidente", declarou Schulz ao saber da derrota tentando animar a militância para as eleições de setembro.

Com dívida pública elevada e desemprego de 7,5%, acima de média nacional de 5,8%, a Renânia do Norte-Vestfália é chamada pejorativamente de "Grécia da Alemanha", em referência à crise da dívida grega, que ameaçou a própria existência do euro anos atrás.

Nas eleições parlamentares de 2013, a aliança CDU-CSU (União Social-Cristã) recebeu 42% dos votos e elegeu 311 deputados, cinco a menos do que a maioria absoluta. Como o FDU não atingiu o mínimo legal de 5% para entrar na Câmara Federal, Merkel acabou fazendo uma grande coalizão para governar com o SPD.

sábado, 25 de março de 2017

Integração da Europa faz 60 anos em meio à sua maior crise

A União Europeia festeja hoje os 60 anos do Tratado de Roma, que criou a Comunidade Econômica Europeia, em meio às maiores ameaças à sua sobrevivência, com a crise econômica dos países da periferia da Zona do Euro, a onda de refugiados das guerras do Grande Oriente Médio, o terrorismo dos extremistas muçulmanos, o ressurgimento da extrema direita e a saída do Reino Unido.

O processo de integração europeia foi lançado em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, pelo Plano Schuman, iniciativa do então ministro do Exterior da França, Robert Schuman, para evitar novas guerras na Europa a partir de uma reconciliação entre França e Alemanha.

No ano seguinte, o Tratado de Paris, assinado por Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo, criou a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. O objetivo era controlar o comércio destas matérias-primas para impedir o rearmamento da Alemanha.

Em 25 de março de 1957, os mesmos seis países pioneiros assinaram o Tratado de Roma, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1958 fundando a CEE, e dois dias depois a Comunidade Europeia da Energia Atômica (Euratom). A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entraram nos anos 1970s. Grécia, Espanha e Portugal, nos anos 1980s.

A União das Comunidades Europeias ganhou este nome no Tratado de Maastricht, em 1991. Com o fim da Guerra Fria no mesmo ano, em 1995, entraram países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia.

A grande expansão veio em 2004, com o ingresso de três ex-repúblicas soviéticas (Estônia, Letônia e Lituânia), quatro países do antigo Bloco Soviético (Eslováquia, Hungria, Polônia e República Tcheca), uma ex-república da Iugoslávia (Eslovênia) e duas ilhas do Mar Mediterrâneo (Chipre e Malta).

A Bulgária e a Romênia entraram em 2007 e a Croácia, em 2013. Montenegro, Sérvia e Turquia negociam a associação. A ex-república soviética da Ucrânia gostaria de entrar, mas enfrenta forte oposição da Rússia

No caso da Turquia, com o autoritarismo crescente do presidente Recep Tayyip Erdogan, a adesão está cada vez mais distante. A Grécia veta a Macedônia para evitar reivindicações territoriais sobre a região grega do mesmo nome.

Hoje, 27 países festejam os 60 anos. Deveriam ser 28, se 52% dos britânicos que foram às urnas em 23 de junho de 2016 não tivessem votado a favor da saída do país da UE. A primeira-ministra Theresa May não foi convidada para a festa.

Daqui a quatro dias, ela vai acionar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que regulamenta a saída de países da UE, deflagrando um processo de negociação que deve durar dois anos. Como uma das principais razões da vitória do não à Europa foi reassumir o controle da imigração, é provável que o Reino Unido deixe também o mercado comum europeu.

Uma regra básica do processo de integração da Europa é a livre circulação de mercadorias, pessoas e capitais. Assim, o Reino Unido deve deixar o segundo maior mercado do mundo, depois dos Estados Unidos e ainda corre o risco de perder a Escócia, que vai convocar novo plebiscito sobre a independência para tentar ficar na Europa.

Com a vitória da Brexit (British exit = saída britânica, em inglês), os movimentos nacionalistas e antieuropeus de ultradireita cresceram. O Partido da Liberdade, neonazista, quase venceu a eleição presidencial na Áustria. Na Holanda, o Partido da Liberdade liderado por Geert Wilders levou apenas 13% e ficou longe do poder.

Na França, a candidata da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, chegou a liderar as pesquisas sobre o primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 23 de abril de 2017. No momento, está em segundo, atrás do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, que concorre como independente e é favorito para vencer no segundo turno, em 7 de maio.

Se vencer, Le Pen promete acabar com a "imigração legal e ilegal", e convocar um plebiscito para tirar a França da UE. Ontem, foi a Moscou, receber o apoio do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que trabalha ativamente para destruir a UE e sabotar a democracia liberal do Ocidente. A saída da França seria o fim do processo de integração da Europa.

A UE é uma experiência inédita na história da humanidade. É uma entidade supranacional, um grupo de países que se associaram para resolver seus conflitos pacificamente e garantir a paz através da superação dos nacionalismos extremados que destruíram o continente em duas guerras mundiais e do desenvolvimento econômico integrado.

No modelo europeu, a economia social de mercado, os países mais ricos financiam o desenvolvimento dos países e das regiões mais pobres. Teve extraordinário sucesso na integração de países como Grécia, Irlanda e Portugal, depois atingidos pela crise do euro.

Esse modelo foi abalado pela entrada de países muito mais pobres da Europa Oriental, mas ainda é o melhor modelo para uma globalização social-democrata, essencial para evitar ondas de refugiados e imigrantes de países pobres e falidos onde o Estado entrou em colapso.

Aos 60 anos, a Europa unida mas nem tanto discute um futuro em "velocidades diferentes" ou geometria variável para dar flexibilidade ao bloco de 28 países. Na prática, já existe um núcleo central, os agora 19 países que adotaram o euro como moeda comum.

Durante cinco séculos, a Europa dominou o mundo a partir da expansão colonial marítima, da Revolução Comercial e da Revolução Industrial, antes de quase se suicidar em duas guerras e perder a supremacia. Os mesmos nacionalismos que causaram duas guerras mundiais voltam a mostrar as caras.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Quase 5 mil migrantes morreram no Mediterrâneo em 2016

A crise dos migrantes e refugiados das guerras no Oriente Médio saiu das manchetes, mas continua matando. Desde o início do ano, o total de mortos em naufrágios no Mar Mediterrâneo chegou a 4.752, enquanto 175 mil conseguiram realizar a travessia.

O problema foi discutido mais uma vez hoje em Bruxelas pelos líderes da União Europeia, sem que tenha sido encontrada uma solução. Na discussão sobre de quem é a culpa pela tragédia humanitária, a agência europeia de patrulhamento de fronteiras Frontex acusou organizações não governamentais como Save the Children (Salve as Crianças) e Médicos sem Fronteiras (MsF) de estimular o tráfico humano por atuarem muito perto da costa da Líbia.

Em muitos casos, os traficantes embarcam os refugiados e migrantes em embarcações precárias, avisam as guardas costeiras europeias e as ONGs e abandonam seus passageiros em pleno mar.

Desde a morte de mais de mil pessoas numa semana, a UE mudou de atitude e passou a tentar resgatar ativamente as embarcações à deriva e os náufragos. Neste ano, o total de mortos aumentou 25%, mas não sensibilizou os europeus. Há uma rejeição generalizada a imigrantes e refugiados, especialmente muçulmanos, vistos como terroristas em potencial.

Na Alemanha, que recebeu quase 1 milhão de refugiados, a medida abalou a popularidade da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel e provocou a criação de um novo partido de ultradireita, Alternativa para a Alemanha, contrário à política de migração e à união monetária europeia. Outros governos, sob a pressão de populistas de extrema direita, se recusam a aceitar uma cota de refugiados proporcional à população.

Mais de 5 milhões de pessoas fugiram da Síria por causa da guerra civil deflagrada pelo regime terrorista de Bachar Assad contra seu próprio povo. A vitória na Batalha de Alepo, com o apoio da Rússia, do Irã e de milícias xiitas iranianas, iraquianas e libanesas, pode ser o inicio do fim da guerra. Como o ditador foi o principal responsável pela matança e a maioria da população síria é sunita, justamente o alvo das forças governistas, o fim da fuga para a Europa é improvável.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Merkel é reeleita líder do partido com 89,5% dos votos

Candidata única, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, foi reeleita hoje líder da União Democrata-Cristã, um partido conservador de centro-direita, com 89,5% dos votos. Em 20 de novembro, ela anunciou a intenção de concorrer a um quarto mandato nas eleições parlamentares de setembro de 2017.

Sua popularidade foi arranhada por honrar a tradição de conceder asilo da Alemanha e da Europa no pós-guerra. Cerca de 1 milhão de refugiados entraram no país no ano passado, alimentando o discurso anti-imigração do novo partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Merkel começou seu discurso de uma hora e um quarto prometendo que não haverá um influxo de refugiados como em 2015. Ela criticou o bombardeio aéreo a Alepo pela Rússia e a Síria, e advertiu o Reino Unido de que não vai haver uma Brexit à la carte, em que os britânicos possam escolher apenas os aspectos do mercado comum europeu que lhe interessem.

Com a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, aumenta a responsabilidade de Merkel como líder do mundo ocidental e defensora da ordem internacional liberal pós-1945.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Turquia ameaça Europa com onda de refugiados

Diante da suspensão das negociações de adesão à União Europeia por causa dos atropelos à democracia depois do fracassado golpe de 15 de julho na Turquia, o presidente Recep Tayyip Erdogan ameaçou hoje abrir as fronteiras do país e soltar uma nova onda de refugiados rumo à Europa.

Para conter a onda de refugiados, a UE fez um acordo com a Turquia que previa a reabertura das negociações em troca de permanência no país do Oriente Médio de 3 milhões de pessoas que fugiram da guerra civil na Síria. Ontem, o Parlamento Europeu aprovou a suspensão das negociações.

Com o bombardeio sem trégua da cidade síria de Alepo pelas forças da Rússia e da Síria, e as ofensivas contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante em Mossul, no Iraque, e de Rakka, na Síria, a tendência é de aumentar a onda de refugiados.

Na Europa, os analistas políticos criticam a vinculação da crise dos refugiados à reabertura das negociações de adesão da Turquia. A democracia é uma pedra fundamental do projeto de integração europeia. Os abusos cometidos desde 15 de julho desqualificam o país de Erdogan para se tornar sócio do bloco europeu.

domingo, 2 de outubro de 2016

Governo da Hungria perde referendo contra política de refugiados da UE

Numa derrota para o primeiro-ministro fascistoide Viktor Orban, o não à política da União Europeia de distribuir refugiados de acordo com a população de seus países-membros venceu um referendo realizado hoje na Hungria, mas a consulta popular não valeu por causa da abstenção.

Orban, que migrou do liberalismo para a ultradireita ao sabor dos ventos da opinião pública, tenta sabotar as políticas da UE ao mesmo tempo em que reaproxima a Hungria da Rússia. Desta vez, fracassou.

O índice de comparecimento às urnas foi de 45% e os votos válidos somaram apenas 42%. Para o referendo ser válido, a metade dos votos terá de ser válida.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Centenas de migrantes morrem em naufrágio na costa do Egito

Um barco sobrecarregado com 450 a 600 migrantes afundou ontem no Mar Mediterrâneo a 12 quilômetros do litoral do Egito. Centenas de pessoas morreram afogadas. A Guarda Costeira salvou 163 pessoas e recolheu 51 corpos. Quatro tripulantes foram presos sob a acusação de tráfico de seres humanos, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Os imigrantes vinham da Síria, do Egito e de outros países africanos. Com o acordo entre a União Europeia e a Turquia para contar a onda de migrantes e refugiados que tentam entrar na Europa, a principal rota terrestre está bloqueada.

Assim, o Mediterrâneo voltou a ser principal toda da onda migratória. A Organização Internacional para Migrações estima que mais de 200 mil migrantes tentaram chegar à Europa pelo mar. Cerca de 3 mil morreram afogadas no primeiro semestre de 2016.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Extrema direita avança em eleições estaduais na Alemanha

O partido anti-imigrantes Alternativa para a Alemanha (AfD) tornou-se o primeiro a vencer a União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, pela direita. Nas eleições de domingo no estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, a AfD obteve 20,8% dos votos contra 19% para a CDU.

A vitória ficou com o Partido Social-Democrata (SPD), com queda de 35,6% para 30,6% em relação às eleições anteriores no estado da antiga Alemanha Oriental, que tem o menor eleitorado do país, apenas cerca de 1,6 milhão de eleitores. O SPD deve manter a grande aliança com a CDU que já domina o governo federal alemão.

Com apenas três anos de idade, o desempenho da AfD típico do voto de protesto: roubou votos de todos os partidos da ultradireita à extrema esquerda e mobilizou mais eleitores, diminuindo a abstenção.

A maior consolação foi que o Partido Nacional da Alemanha, de inspiração neonazista, não atingiu o mínimo de 5% dos votos e ficou fora de Assembleia Legislativa de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental. Os Verdes também não superaram a cláusula de barreira.

"Daqui para a frente, a Alemanha tem o que não tinha desde o fim da Segunda Guerra Mundial", em 1945, lamentou o jornal Die Welt.

O estado recebeu apenas 23 mil refugiados. Mesmo assim, o tema central foi a rejeição à política braços abertos para refugiados adotada por Merkel, que resolveu honrar a tradição alemã e europeia de oferecer asilo a refugiados. Esse repúdio não deve mudar antes das eleições federais de 2017.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Merkel se nega a mudar política de portas abertas a refugiados

Sob pressão depois dos recentes atentados terroristas na Alemanha, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel rejeitou firmemente hoje em entrevista coletiva em Berlim a possibilidade de mudar a política de acolher refugiados de guerra no país.

"Os jihadistas", declarou Merkel, "querem desafiar nossa disposição de acolher pessoas em distresse. Não vamos aceitar."

A líder democrata-cristã admitiu que os recentes atentados causaram "uma grande insegurança" na população, mas afirmou que "o medo não pode ser o fundamento da ação política", em resposta a seus próprios aliados, especialmente da União Social-Cristã, da Baviera, o estado alemão mais atingido pela onda de terror.

Com todo o peso de sua história, de duas guerras mundiais e do nazismo, "um país como a Alemanha não pode renunciar a sua responsabilidade humanitária. Ao contrário, deve assumi-la", acrescentou a chanceler.

Para acalmar os críticos ao menos em parte, Merkel anunciou medidas para facilitar a expulsão de refugiados que tiveram o pedido de asilo recusado ou cometeram crimes e para investigar a radicalização dos candidatos a asilo.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Mais de 3 mil migrantes morreram neste ano no Mar Meditarrâneo

Mais de 3 mil migrantes morreram em 2016 até 24 de julho na tentativa de atravessar o Mar Mediterrâneo para chegar à Europa, anunciou ontem a Organização Internacional para as Migrações (OIM). No mesmo período no ano passado, foram registradas 1.917 mortes.

O total de migrantes e refugiados que entraram no continente foi de 249.854 e deveria passar de 250 mil em horas, com a chegada à Itália de mais náufragos resgatados no Mediterrâneo. O aumento do número de mortes é atribuído ao maior fluxo de migrantes e alguns dias em maio em que mil pessoas morreram afogadas.

Em maio, houve naufrágios de dois grandes barcos, um dos 500 mortes e outro com 250. Assim o total superou 3 mil mortes mais cedo. Pelo terceiro ano seguido, mais de 3 mil migrantes e refugiados morreram em tragédias no mar.

"Apesar do patrulhamento constante e crescente do Mediterrâneo, tem sido extremamente difícil reduzir o número de vítimas. Às vezes, alguns poucos naufrágios causam centenas de mortes", lamentou o porta voz da OIM em Roma, Flavio di Giacomo.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Tribunal constitucional anula eleição presidencial na Áustria

Em uma decisão sem precedentes, a pedido do Partido da Liberdade, de extrema direita, o Tribunal Constitucional da Áustria anulou hoje o resultado do segundo turno da eleição presidencial, realizado em 22 de maio de 2016, quando o candidato independente e verde Alexander Van der Bellen venceu o ultradireitista Norbert Hofer por 50,3% a 49,7%, com uma vantagem de apenas 30.863 votos.

A decisão, baseada em denúncias de irregularidades na apuração em várias seções eleitorais, lança uma nova incerteza na tumultuada política austríaca. Van der Bellen deveria tomar posse em 8 de julho. Ele foi a solução para evitar o ascensão da extrema direita à Presidência de um país da União Europeia.

"As eleições são o fundamento da nossa democracia", justificou o presidente do supremo tribunal austríaco, Gerhart Holzinger. "A garantia deste fundamento é nosso dever. (...) Não há perdedores nem ganhadores. Nossa decisão não deve servir que a um objetivo: reforçar a confiança no Estado de Direito e em nossa democracia."

Nenhuma fraude nem manipulação dos resultados foi detectada. O tribunal constatou negligência na apuração em algumas zonas eleitorais e nos votos enviados pelo correio.

Com a onda de refugiados da África e do Grande Oriente Médio em busca de uma vida nova na Europa, 90 mil pediram asilo à Áustria no ano passado. O discurso anti-imigração da ultradireita ajudou a derrotar os partidos tradicionais, o Partido Social-Democrata (centro-esquerda) e o Partido Popular (centro-direita) no primeiro turno, em 24 de abril.

Em 9 de maio, o chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Werner Faymann pediu demissão, sendo substituído por Christian Kern, do mesmo partido.

Apesar da pequena margem, a vitória de Van der Bellen no segundo turno era vista como uma vitória da Europa e da tolerância com os refugiados. Mesmo assim, o neofascista Partido da Liberdade firmava-se como maior partido da Áustria. Agora, terá uma segunda chance de conquistar a Presidência de um país da UE.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Mais de 10 mil migrantes morreram no Mediterrâneo desde 2014

Desde 2014, mais de 10 mil migrantes morreram em naufrágios no Mar Mediterrâneo quando tentavam chegar à União Europeia, declarou ontem em Genebra, na Suíça, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados.

Foram 3,5 mil mortes em 2014, 3.771 em 2015 e 2.814 desde o início de 2016, revelou o porta-voz da ONU, classificando esses números como "horríveis". Desde sábado, não foi registrado nenhum naufrágio.

Mais de 200 mil migrantes e refugiados chegaram à Europa neste ano pelo mar, na Grécia, Chipre ou Espanha. A maioria dos refugiados vem das guerras civis na Síria, no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Tribunal proíbe prisão de migrantes em fronteiras internas da UE

A Corte Europeia de Justiça decidiu hoje que migrantes sem documentos não podem ser presos por tentar ilegalmente num país da União Europeia dentro da Zona de Schengen ou tentando sair dela, mas podem ser deportados para os países de origem, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A decisão foi tomada no caso de um ganês detido pela polícia francesa ao tentar entrar ilegalmente na França com documentos falsos como se fosse belga. Não se aplica ao Reino Unido e à Irlanda.

Esses países não fazem parte do Acordo de Schengen, de 1985, que acabou com o controle das fronteiras internas da UE e de países associados como a Islândia, a Noruega e a Suíça. Também não vale para a Dinamarca, que tem o direito de não adotar as políticas de segurança europeias com que não concorde.

De acordo com a sentença, os migrantes podem ser detidos por razões excepcionais como acusações criminais ou se forem objeto de uma ordem de deportação. A decisão terá forte impacto sobre a crise provocada pela onda de migrantes econômicos e refugiados das guerras da África e do Oriente Médio que invade a Europa.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

OTAN tenta conter tráfico de pessoas no Mar Egeu

O comando militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ordenou três navios de guerra a ir imediatamente para o Mar Egeu para tentar conter o tráfico humano de migrantes e refugiados da Turquia para a Grécia, informou o secretário-geral da aliança atlântica, Jens Stoltenberg, citado pela agência Reuters.

Sob comando alemão, os navios - da Alemanha, do Canadá e da Turquia - vão fazer operação de reconhecimento e vigilância. O ministro da Defesa da Grécia, Panos Kammenos, deixou claro que seu país só aceitará as patrulhas se os navios gregos e turcos ficarem em seus próprios mares territoriais e nenhum dos dois países assumir o comando rotativo da força.

Com a Batalha de Alepo em andamento na guerra civil da Síria, mais 60 mil pessoas teriam fugido do país. Diante desta tragédia, é evidente que cercas, controles e patrulhas navais serão insuficientes para reduzir o fluxo de imigrantes rumo à União Europeia.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Crise dos refugiados abala a popularidade de Angela Merkel

Com o desgaste provocado pela crise dos refugiados na Europa, a popularidade da chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, perdeu 12 pontos percentuais a está em 46%, indica uma nova pesquisa do instituto DeutschlandTrends.

Diante da rejeição da maioria dos países da União Europeia, Merkel decidiu receber todos os verdadeiros refugiados, excluindo apenas os chamados "migrantes econômicos", que não enfrentariam riscos de segurança em seus países de origem.

Isso provocou forte reação negativa na Alemanha, inclusive da União Social-Cristã (CSU), parceira da União Democrata-Cristã (CDU), liderada por Merkel, no estado da Baviera.

Merkel apenas reafirmou os princípios de democracia, liberdade e solidariedade que são a base do projeto de integração da Europa. Os avanços sexuais de imigrantes de origem norte-africana contra mulheres nas ruas de Colônia na véspera do Ano Novo abalaram a imagem dos refugiados, deflagrando uma nova onda de repúdio aos muçulmanos.

O carnaval será um novo teste para os limites da integração cultural dos estrangeiros na Alemanha.