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segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Hoje na História do Mundo: 10 de Outubro

 MARTEL PARA EXPANSÃO MUÇULMANA

    Em 732, na Batalha de Tours, perto de Poitiers, na França, Carlos Martel derrota o exército árabe que invadira e tomara a Península Ibérica a partir de 711, parando a expansão muçulmana na Europa, onde os árabes criam o Império Al-Andaluz no que os mouros chamavam de "terra dos vândalos", referência às tribos germânicas que tomaram o continente depois da queda do Império Romano do Ocidente, em 476.

O governador muçulmano de Córdoba, Abd-ar-Rahman, morre em combate e as forças árabes recuam.

A vitória de Carlos Martel leva ao início da dinastia carolíngia, com seu filho Pepin. Seu neto, Carlos Magno, é coroado imperador do Sacro Império Romano-Germânico pela papa Leão III no Natal do ano 800.

Os muçulmanos são expulsos da Península Ibérica depois da tomada de Granada, em 2 de janeiro de  1492, pelos reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela. Portugal e a Espanha são frutos da Reconquista.

MENORES EXECUTADOS EM AUSCHWITZ

    Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista executa 800 romenos menores de idade, inclusive mais de 100 com idades de 9 a 14 anos, no campo de concentração e centro de extermínio de Auschwitz, na Polônia.

Auschwitz, Oswiecim em polonês, fica num importante entroncamento ferroviário da Europa Oriental. Em 27 de abril de 1940, Heinrich Himmler, o comandante da SS, a organização paramilitar que era a tropa de choque do regime nazista, decide transformar um quartel do Exercito da Polônia em campo de concentração.

Dos 11 milhões de mortos no Holocausto, estima-se que 1,5 milhão morreram em Auschwitz-Birkenau, uma rede de campos de concentração. Dos 6 milhões de judeus mortos no Holocausto, 1,1 milhão teriam morrido em Auschwitz-Birkenau.

Depois dos judeus, os ciganos são o povo mais sacrificado pelos nazistas. Cerca de 1,5 milhão de ciganos morreram no Holocausto. Também morrem socialistas, comunistas, negros, homossexuais, deficientes e dissidentes políticos.

No ambiente mais opressivo e aterrorizante criado pelo homem, com o melhor da ciência e requintes de crueldade nunca vistos, há uma revolta em 7 de outubro de 1944. Centenas de prisioneiros judeus que carregam os corpos da câmara de gás para os fornos crematórios detonam explosivos trazidos por mulheres judias que trabalham numa fábrica de armamentos próxima.

Cerca 450 prisioneiros participam da rebelião e 250 conseguem fugir. Todos são capturados e executados, assim como cinco mulheres da fábrica de armas, não antes de serem torturados para confessar detalhes, especialmente como conseguiram contrabandear explosivos para dentro do campo. Nenhuma das mulheres falou.

A execução em massa das crianças romenas e ciganas é parte da vingança nazista contra a revolta.

EUA PEDEM DESCULPAS A MINISTRO AFRICANO

    Em 1957, o presidente Dwight Eisenhower pede desculpas em nome do governo dos Estados Unidos ao ministro das Finanças de Gana, Komla Agbeli Gbedemah, que não é atendido num restaurante na cidade de Dover, no estado de Delaware.

É um dos muitos incidentes com autoridades e diplomatas africanos durante a segregação racial nos EUA, que só acaba nos anos 1960. O racismo estrutural e a discriminação persistem até hoje. 

VICE DE NIXON RENUNCIA

    Em 1973, um ano antes da renúncia do presidente Richard Nixon por causa do Escândalo da Watergate, Spiro Agnew cai em desgraça por corrupção e se torna o primeiro vice-presidente da história dos Estados Unidos a renunciar.

As duas denúncias levaram à Casa Branca o presidente da Câmara dos Representantes, Gerald Ford, o único ocupante da Casa Branca não eleito para presidente e vice.

No mesmo dia, Agnew admite a culpa numa acusação de evasão fiscal em troca da retirada de acusações de corrupção quando era governador do estado de Maryland. É condenado a três anos com direito a liberdade condicional e multa de US$ 10 mil.

RESGATE DO ACHILLE LAURO

    Em 1985, aviões de caça F-14 da Marinha dos Estados Unidos interceptam um avião de passageiros do Egito que levava quatro terroristas palestinos que haviam sequestrado o navio de cruzeiro italiano Achille Lauro e o obrigam a pousar numa base aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em Sigonella, na Sicília.

Os quatro terroristas Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), um grupo dissidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tomam o navio em 7 de outubro com cerca de 80 passageiros e 320 tripulantes a bordo para exigir a libertação de 50 palestinos presos em Israel. Ameaçam explodir o navio e matar os 11 norte-americanos a bordo.

No dia seguinte, o navio chega ao porto de Tartus, na Síria, que se nega a recebê-los. Para aumentar a pressão, os terroristas matam o judeu norte-americano Leon Klinghoffer, de 69 anos, que andava em cadeira de rodas. Jogam o corpo e a cadeira no mar.

O presidente da OLP, Yasser Arafat, condena o sequestro e a OLP se junta às autoridades egípcias para negociar a crise. O Achille Lauro vai então para Porto Said, no Egito, onde os sequestrados entregam os reféns e se rendem em troca de livre passagem para um destino ignorado. Eles embarcam num Boeing 737 da Egypt Air com destino à Tunísia, mas o avião não recebe autorização de pouco e é localizado pelos caças norte-americanos a cerca de 130 quilômetros ao sul da ilha grega de Creta.

Em 10 de julho de 1986, a Justiça da Itália condena três terroristas a penas de 15 a 30 anos de cadeia. O outro, menor de idade  julgado separadamente.

quinta-feira, 14 de julho de 2022

Hoje na História do Mundo: 14 de Julho

CONQUISTA DE JERUSALÉM 

     Em 1099, os cavaleiros cristãos tomam Jerusalém na Primeira Cruzada

No século 11, os muçulmanos que dominam a região começam a perseguir os cristãos. O imperador bizantino Alexius Comenos pede ajuda ao Ocidente.

Num discurso em Clermont, na França, em 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II lança as Cruzadas. Abandona o ensinamento de Jesus Cristo de amar uns aos outros e prega morte "aos infiéis".

Mais de 4 mil cavaleiros e 25 mil soldados de infantaria formam o exército cruzado. Sob o comando de Godofredo de Bulhões, Roberto de Flandres e Raimundo de Toulouse, parte em 1096 e entra na Ásia Menor em 1097. Chega a Jerusalém em 7 de junho de 1099.

A Primeira Cruzada é a única das nove a tomar Jerusalém. O Reino Cristão de Jerusalém dura até 1291, quando cai Acre, sua última capital. 

QUEDA DA BASTILHA

    Em 1789, a tomada da prisão da Bastilha, em Paris, marca o início da Revolução Francesa. 

A fortaleza é um símbolo da tirania do monarquia francesa. Os rebeldes destruíram a prisão, onde esperavam encontrar um arsenal.

A revolução, marco do início da Idade Contemporânea, derrubou a monarquia e levou a um Período do Terror (1793-94) em que o rei Luís XVI, a rainha Maria Antonieta e até líderes revolucionários, como os jacobinos Georges Jacques Danton e Maximiliano Robespierre, foram guilhotinados. Jean-Paul Marat foi assassinado no banho

O terrorismo político, o "banho de sangue purificador" prometido pelas revoluções para criar um mundo novo, o terror como instrumento planejado de ação política, nasce aí. Durante a segunda fase da revolução, o poder passa para a Convenção (1792-95) e o Comitê de Salvação Pública, liderado por Robespierre, tem mais poder do que tinha o rei. Decide quem vai literalmente perder a cabeça. 

A Revolução Francesa termina em 1799, com o golpe que levou Napoleão Bonaparte ao poder. Cinco anos depois, ele se coroaria imperador.

MORTE DE BILLY THE KID

    Em 1881, o xerife Pat Garrett mata Henry McCarthy, conhecido como Billy the Kid, no Rancho Maxwell, no estado do Novo México. 

Garrett persegue Billy the Kid durante três meses, desde que o pistoleiro foge da cadeia três dias antes da data marcada para sua execução.

Billy the Kid matara numa embosca, em 1º de abril de 1878, o xerife William Brady e o subxerife George Hindman, em vingança pela morte do fazendeiro John Tunstall, para quem tinha trabalhado. O xerife e o sub eram aliados de outros fazendeiros.

Aos 18 anos, Kid matara 17 homens.

ATENTADO À BEIRA-MAR

    Em 2016, o tunisiano Mohamed Lahouaiej Bouhlel, um terrorista muçulmano de 31 anos, atropela, mata 86 pessoas e fere outras 400 com um caminhão na avenida beira-mar da cidade de Nice, na Riviera Francesa, na data nacional da França, aniversário do início da Revolução Francesa de 1789.

A França está em guerra contra o terrorismo dos jihadistas, que repudiam a participação do país na guerra dos Estados Unidos contra a organização terrorista Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Sofre dois grandes atentados terroristas em 2015. 

Em 7 de janeiro, extremistas islâmicos mataram 12 pessoas ao atacar o jornal humorístico Charlie Hebdo, que publicara caricaturas do profeta Maomé. Em 13 de novembro, 130 pessoas foram mortas em ataques a um jogo de futebol, um show de música, bares e restaurante. O Estado Islâmico reivindicou a autoria deste atentado.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Ultranacionalismo hindu aumenta risco de guerra nuclear

O risco de uma guerra nuclear parecia inimaginável com o fim da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, em 1991. Está de volta. Não só os acordos de desarmamento e controle de armas não estão sendo renovados. Um governo fundamentalista hindu de caráter fascistoide alimenta a tensão entre a Índia e o Paquistão. 

Os Estados Unidos abandonaram no ano passado o Acordo sobre Forças Nucleares Intermediárias, assinado em 1987 pelo presidente americano Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev. Foi o primeiro a eliminar toda uma classe de armas nucleares, os mísseis de curto e médio alcances baseados em terra. 

Em 2021, expira o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, assinado em 2010 pelos Estados Unidos e a Rússia. O presidente Donald Trump só aceita renegociar e a China também for incluída. Mas a China tem muito menos armas atômicas do que Estados Unidos e Rússia. Não vai aceitar um status inferior e Washington e Moscou não vão querer dar paridade. Há um impasse. 

O risco de guerra nuclear entre superpotências é menor porque seria a destruição mutuamente assegurada. É uma guerra que não podem ganhar. 

Ao mesmo tempo, o Irã poderá ter em meses a quantidade de urânio enriquecido necessária para uma bomba atômica. Se os Estados Unidos e Israel não bombardearem preventivamente como ameaçam, e o Irã tiver armas nucleares, outras potências regionais do Oriente Médio como a Arábia Saudita e a Turquia não vão querer ficar atrás. 

A Coreia do Norte virou uma potência nuclear. Diante da relutância do governo Trump de garantir a proteção de aliados, a Coreia do Sul pode fazer armas atômicas e quem sabe até o Japão, que teria de mudar a Constituição. 

Mas a ameaça mais imediata é de uma guerra nuclear entre a Índia e o Paquistão depois que o governo ultranacionalista hindu do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, intensificou a discriminação aos muçulmanos. Meu comentário:

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Batalha da universidade entra no terceiro dia em Hong Kong

As manifestações pela liberdade e a democracia em Hong Kong tem o dia mais violento em cinco meses de protesto. Desde sábado, a Universidade Politécnica de Hong Kong está cercada pela polícia. 

Depois do segundo dia de confrontos violentos entre a polícia de choque e os manifestantes, cerca de 500 estudantes permanecem entrincheirados dentro do campus. Mais de 400 pessoas foram presas e pelo menos 36 foram feridas. Um carro blindado da polícia foi incendiado.

Todas as rotas de fuga estão bloqueadas. Com coquetéis Molotov, jovens vestidos de preto travaram mais uma batalha feroz com a polícia, que usou gás lacrimogênio e balas de borracha. Depois de ser atacada com arco e flecha no fim de semana, a polícia ameaçou usar munição real para conter os manifestantes. 

Na China, os jornais do regime comunista exigem uma repressão mais dura para acabar com os protestos. A ditadura de Beijim teme que os manifestantes inspirem revoltas da mesma natureza no país.Meu comentário:

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Índia revoga a autonomia da Caxemira e aumenta tensão com o Paquistão

O governo nacionalista hindu da Índia suprimiu ontem a autonomia do estado de Jamu e Caxemira, onde a população de maioria muçulmana gostaria de anexar a região, disputada desde a independência do Império Britânico, em 1947, com o vizinho Paquistão.

"A Constituição será aplicada integralmente em Jamu e Caxemira", anunciou o ministro do Interior, Amit Shah, privando o estado de fazer suas próprias leis. A medida foi tomada depois que a Índia mandou 35 mil policiais militares para a região, descrevendo este envio como uma "operação normal".

Ontem, para evitar uma reação, a Índia cortou a internet e os telefones em Jamu e Caxemira e colocou líderes políticos locais em prisão domiciliar.

A iniciativa do governo Narendra Modi indignou o Paquistão: "Como parte deste contencioso internacional, o Paquistão empregará todos os meios possíveis para ir contra este decisão ilegal", deplorou em nota o Ministério do Exterior paquistanês.

Centenas de pessoas protestaram em Lahore, a grande cidade do Leste do Paquistão. Desde 1947, Índia e Paquistão travaram quatro guerras, sendo três sobre a Caxemira, o principal motivo da discórdia.

Quando os dois países se tornaram independentes, as regiões de maioria hindu formaram a Índia e as regiões de maioria muçulmana, o Paquistão. Pelo menos 2 milhões de pessoas morreram e 10 milhões emigraram para ficar do lado certo da fronteira.

Na Caxemira, o governador colonial, o marajá Hari Singh, optou pela Índia, apesar da maioria muçulmana, origem do conflito que se arrasta até hoje entre dois países que têm armas nucleares.

Analistas internacionais acreditam que a decisão da Índia de revogar a autonomia da Caxemira foi tomada depois da oferta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de mediar o conflito. A Índia se nega internacionalizar o que considera um problema interno. Só admite negociar bilateralmente com o Paquistão, sem qualquer interferência externa.

sábado, 3 de agosto de 2019

Índia envia 35 mil policiais militares para Jamu e Caxemira

O governo nacionalista hindu da Índia mandou 35 mil policiais militares para Jamu e Caxemira, o estado mais ao norte do país, onde desde 1989 há uma rebelião armada da maioria muçulmana, que gostaria de anexar a região ao Paquistão. O Ministério do Interior indiano descreveu o envio das forças como uma "operação normal".

Mesmo que a Índia declare que o movimento de tropas é uma "operação normal", o Paquistão, inimigo histórico, deve dar uma resposta aumentando seu contingente do outro lado da fronteira.

A Caxemira está no centro do conflito histórico entre a Índia e o Paquistão, que travaram três guerras desde a independência do Império Britânico, em 1947, duas em torno da Caxemira, em 1947 e 1962.

A guerra de 1971 levou à independência de Bangladesh, a República de Bengala, antes chamada de Paquistão Oriental, e ainda houve o conflito de Kargil, em 1999, que alguns consideram uma guerra, mas limitada àquela região.

Quando a Índia se dividiu, os estados de maioria muçulmana formaram o Paquistão e as regiões de maioria hindu formaram a Índia. Entre 10 a 12 milhões de pessoas foram desalojadas e se mudaram. Ao todo, estima-se que 2 milhões de pessoas tenham morrido na divisão da Índia.

Os dois inimigos históricos têm a bomba atômica. A Índia fez seu primeiro teste nuclear em 1974 e o Paquistão em 1975. Em maio de 1998, ambos assumiram o status de potência nuclear testando bombas e mísseis na corrida armamentista no Sul da Ásia.

Como uma guerra total hoje seria devastadora, a dissuasão nuclear evita uma escalada nos conflitos. A Índia reclama que o Paquistão apoia grupos extremistas muçulmanos que travam uma guerra indireta, especialmente na Caxemira, onde há uma insurgência muçulmana desde 1989. O Paquistão cobra a realização de um plebiscito sobre o futuro da região.

Ao receber o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, na Casa Branca, o presidente Donald Trump ofereceu a mediação dos Estados Unidos para resolver o conflito. Como parte mais forte, a Índia se recusa a internacionalizar a questão. Só aceitar discutir bilateralmente com o Paquistão e rejeita qualquer possibilidade de ceder parte de seu território.

Em fevereiro deste ano, um atentado terrorista de um grupo baseado no Paquistão matou 40 policiais indianos em Pulwama, em Jamu e Caxemira. A poucos meses das eleições, o primeiro-ministro nacionalista hindu Narendra Modi ordenou um bombardeio aéreo, supostamente nos acampamentos da milícia Jaish-e-Mohamed, o Exército de Maomé, responsável pelo ataque.

O Paquistão retaliou, derrubou um avião indiano e capturou o piloto. Mas não passou disso. Logo o conflito foi desarmado. Mas a tensão entre os dois inimigos históricos armados com bombas atômicas é uma ameaça permanente.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Atentado terrorista mata 46 policiais indianos na Caxemira

Um terrorista suicida jogou hoje um veículo utilitário esportivo carregado de explosivos contra um ônibus de um comboio de policiais na região indiana da Caxemira, reivindicada pelo Paquistão. 

Foi o pior atentado em 30 anos de rebelião de grupos muçulmanos que lutam para integrar a Caxemira ao Paquistão. Pelo menos 46 policiais morreram e outros 38 saíram feridos, noticiou o jornal indiano Hindustan Times.

A Índia acusa o Paquistão de apoiar o grupo terrorista muçulmano Jaish-e-Mohamed, o Exército de Maomé. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, candidato à reeleição nas próximas eleições, previstas para abril e maio, condenou o atentado "abjeto" e "degradante", e advertiu que os responsáveis vão pagar "um preço alto". O Ministério do Exterior da Índia apelou ao vizinho Paquistão para "parar de apoiar terroristas".

O comboio de 78 ônibus levava 2,5 mil pessoas de Jamu para Srinagar, a capital do estado indiano de Jamu e Caxemira. O ataque contra a Força Policial Central da Reserva (CRPF, em inglês) aconteceu na localidade de Lethpora, a 30 quilômetros de Srinagar.

Ao reivindicar a autoria do atentado, o Exército de Maomé identificou o "mártir" como Adil Ahmad Dar, do distrito de Pulwana, onde ocorreu o atentado. O fato de ser da região pode indicar que o conflito se tornou mais local. Ele aderiu ao grupo terrorista no ano passado. O carro levava 350 quilos de explosivos.

"O sacrifício de nosso bravo pessoal de segurança não será em vão", afirmou o primeiro-ministro Modi. "A nação inteira está unida ombro a ombro com as famílias de nossos corajosos mártires. Que os feridos se recuperem rapidamente."

Seu maior adversário nas eleições, o líder do Partido do Congresso, Rahul Gandhi, declarou no Twitter: "Estou profundamente perturbado por um ataque covarde a um comboio da CRPF em Jamu e Caxemira no qual muitos de nossos bravos homens da CRPF foram martirizados e um grande número saiu ferido, alguns gravemente."

Em plena campanha, o porta-voz do Partido do Congresso acusou Modi, alegando que o terrorismo não diminuiu durante seu governo.

O maior impacto será nas relações entre Índia e Paquistão, inimigos históricos que têm a região da Caxemira como fogo principal do conflito.

Quando a Índia se tornou independente do Império Britânico, em 1947, e foi dividida em Índia e Paquistão, os governadores das províncias tiveram o direito de optar a que país queriam pertencer. Houve uma migração em massa de 10 milhões de pessoas, a maior da história, e cerca de 1 milhão de pessoas morreram, conta a televisão pública britânica BBC.

Todos os estados de maioria muçulmana ficaram no Paquistão, menos a Caxemira, onde o marajá Hari Singh optou pela Índia, semeando um conflito histórico que se arrasta até hoje. O Paquistão exige a realização de um plebiscito sob supervisão das Nações Unidas para que a população local decida seu futuro, mas a Índia se nega a internacionalizar o conflito.

Desde a independência, os dois países já travaram três guerras, em 1947, 1965 e 1971, quando a Índia apoiou a independência do antigo Paquistão Oriental, Bengala Oriental no período imperial, hoje a República de Bengala ou Bangladesh.

Em maio de 1998, os dois países assumiram oficialmente o status de potências nucleares. Provavelmente, já tivessem a bomba atômica desde os anos 1970s. A dissuasão nuclear evitou novas guerras abertas que hoje seriam arrasadoras. Em 1999, houve um conflito armado em Kargil, um distrito da Caxemira onde soldados paquistaneses se infiltraram disfarçados de guerrilheiros, com mais de mil mortes, mas foi contido na região.

Como a Índia é mais rica e mais poderosa, o Exército do Paquistão, que governou o país durante metade de sua existência, apoia milícias extremistas muçulmanas como o Exército de Maomé. O governador de Jamu e Caxemira, Satya Pal Malik, acusou o Paquistão, argumentando que o grupo terrorista baseado no país vizinho não assumiria a responsabilidade pelo ataque sem o apoio dos militares paquistaneses.

Foi muito pior do que o ataque à cidade de Uri, na Caxemira, em 18 de setembro de 2016, atribuído ao Exército de Maomé, em que 19 soldados e quatro rebeldes morreram.

"Isto é muito maior do que Uri", observou o general Deependra Singh Hooda, ex-comandante-em-chefe do Comando Norte do Exército da Índia, responsável pela região da Caxemira.

"Ao contrário de Uri, um grupo terrorista baseado no Paquistão assumiu a responsabilidade. Vai haver uma enorme pressão sobre o Paquistão. Mas", destacou, "como um grupo baseado no Paquistão assumiu a responsabilidade, Nova Déli terá de agir. A forma e o conteúdo da retaliação são prerrogativa do governo."

Nesta sexta-feira, o primeiro-ministro Modi preside a uma reunião de seu gabinete de segurança para decidir como será a reação oficial da Índia. O Ministério do Exterior indiano repudiou "o ataque odioso e degradante perpetrado pelo Exército de Maomé, uma organização terrorista proscrita pela ONU e vários países baseada no Paquistão e apoiada pelo Paquistão".

A declaração oficial do governo indiano pediu que o líder do grupo, Massud Azhar, tenha seu nome lançado na lista de terroristas do comitê de sanções do Conselho de Segurança da ONU.

O pior atentado em 30 anos de insurgência muçulmana na Caxemira indiana apoiada pelo Paquistão marca uma mudança de tática dos rebeldes, que geralmente faziam ataques coordenados a quartéis da Índia. Com carros-bomba, podem fazer mais ações surpreendentes com grande poder de destruição.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Mianmar condena repórteres à prisão por divulgar segredos de Estado

A Justiça de Mianmar, a antiga Birmânia, condenou hoje dois jornalistas da agência de notícias Reuters a sete anos de cadeia por obter e divulgar segredos de Estado sobre o conflito com a minoria étnica rohingya. As Forças Armadas do país são acusadas de genocídio contra os rohingyas, que são muçulmanos.

Wa Lone e Kyae Soe Oo relataram graves violações dos direitos humanos nas operações dos militares mianmarenses no estado de Rakhine, no Oeste de Mianmar. A polícia plantou documentos secretos para incriminar os repórteres, alegou a defesa.

A denúncia foi feita com base na Lei de Segredos de Estado, reminiscência do período colonial britânico, encerrado em 1948. Os promotores afirmaram que os documento secretos foram roubados para ganho financeiro da Reuters em prejuízo dos interesses nacionais de Mianmar, uma linguagem típica da ditadura militar que o país foi até pouco tempo e de que não consegue se livrar.

Suas reportagens revelaram o massacre de dez homens e garotos amarrados uns aos outros na vila de Inn Din, uma das raras ocasiões em que o Exército foi obrigado a reconhecer as atrocidades cometidas pelos soldados.

Os militares de Mianmar foram acusados pelos investigadores da ONU por cerca de 10 mil mortes e pela fuga do país de mais de 700 mil rohingyas, que foram para o vizinho Bangladesh, a República de Bengala, criada com a independência do antigo Paquistão Oriental, em 1971.

A linha dura das Forças Armadas da Birmânia, que desgovernaram o país de 1962 até 2016 e ainda têm plenos poderes para combater várias minorias étnicas rebeldes. A líder civil do país é Aung San Suu Kyi, que passou a maior parte das três últimas décadas em prisão domiciliar e ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991.

Suu Kyi tem sido extremamente criticada pelo silêncio diante das atrocidades dos generais. A luta contra as minorias étnicas e religiosas têm o apoio da maioria budista e o silêncio da filha do líder da independência, que se tornou o símbolo da luta pela democracia no país, enquanto os militares falam em "acabar com o problema bengalês", como se os rohingyas fossem imigrantes ilegais.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Suprema Corte mantém vetos à entrada nos EUA impostos por Trump

Numa vitória do presidente Donald Trump, por 5 a 4, a Suprema Corte manteve hoje a proibição de entrada nos Estados Unidos de cidadãos de cinco países de maioria muçulmana (Iêmen, Irã, Líbia, Síria e Somália) mais Coreia do Norte e Venezuela.

Foi o segundo decreto de Trump sobre o assunto. O primeiro foi derrubado por discriminação religiosa ao visar apenas países muçulmanos. O Iraque foi excluído na segunda versão por causa dos iraquianos que atuaram e atuam junto às forças dos EUA no país.

O Chade fazia parte da primeira versão do segundo decreto. Foi retirado em abril por ser outro país onde há tropas dos EUA para combater o terrorismo na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, na África.

A sentença, apoiada pela maioria conservadora e redigida pelo ministro Anthony Kennedy, rejeita o argumento de discriminação e estabelece que o presidente tem autoridade, nos termos da Constituição dos EUA, para impor vetos à entrada no país de cidadãos de determinados países, supostamente considerados inimigos dos EUA.

Para o jornal Los Angeles Times, foi a maior vitória jurídica de Trump. A proibição é mais uma face de sua tortuosa política de imigração.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Exército da Índia enfrenta rebeldes da Caxemira em confronto mortal

Pelo menos 13 militantes islamistas, três soldados e quatro civis morreram numa operação do Exército da Índia no Vale da Caxemira contra grupos que lutam para que a região seja integrada ao Paquistão por ter maioria muçulmana. Foi o maior número de mortos no conflito num dia nos últimos anos.

Outras 70 pessoas saíram feridas na ação militar no distrito de Shopian. O Exército declarou que foi um sucesso: "É um dia especial para nossas forças", festejou o general A. K. Bhatt.

A Caxemira é uma região disputada entre a Índia e o Paquistão, inimigos históricos. Quando os dois países se tornaram independentes do Império Britânico, em agosto de 1947, os líderes das diversas regiões tiveram o direito de escolher onde ficariam.

Com uma exceção, as regiões de maioria muçulmana formaram o Paquistão e as de maioria hindu ficaram na Índia. O marajá Hari Singh, príncipe do estado de Jamu e Caxemira, preferiu se integrar à Índia.

Desde a independência, o Paquistão defende a realização de um plebiscito para que a população legal decida se gostaria de sair da Índia. Hoje uma parte da população defende a independência total da Caxemira. A Índia considera uma questão interna. Nega-se a internacionalizar o problema e levar para foros internacionais como a ONU.

Duas das três guerras indo-paquistanesas, em 1947 e 1965, foram causadas pela disputa pela Caxemira. A terceira, em 1971, foi a Guerra da Independência de Bangladesh ou República de Bengala.

Os dois inimigos históricos são potências nucleares assumidas oficialmente desde maio de 1998, mas fizeram seus primeiros testes nucleares décadas antes, a Índia em 1974, com ajuda da União Soviética, e o Paquistão em 1975, com apoio da aliada China.

As armas nucleares tiveram um efeito dissuasório. Desde que dominaram a bomba atômica, Índia e Paquistão não entraram mais em guerra, mas também não chegaram a um acordo de paz. A partir de 1989, grupos armados muçulmanos entraram na luta contra o que chamam de "ocupação indiana".

Quando começa o degelo, na primavera no Hemisfério Norte, os dois países se enfrentam ao longo de sua fronteira disputada. O conflito mais sério foi em 1999 em Kargil, situada a 205 quilômetros de Srinagar, a capital da Caxemira. É uma região gelada de 160 km de extensão, com postos militares a altitudes de até 5.485 metros. Pelo menos 1,2 mil pessoas morreram.

Em  2016, a insurgência se inflamou com a morte de Burhan Muzaffar Wani, um líder carismático. No domingo, houve um tiroteio na vila de Draged-Sugan. Sete milicianos foram mortos. Uma multidão saiu às ruas para protestar e dar cobertura à fuga dos rebeldes, pertencentes aos grupos Hizbul Mujahedin (Partido dos Guerreiros Santos) e Lashkar e-Taiba (Exército dos Puros).

O Exército da Índia atirou contra a multidão com balas de borracha, munição letal e gás lacrimogênio. A Internet foi desligada para impedir maior articulação dos manifestantes. Também houve um tiroteio ao redor da vila de Kachdora.

"Enquanto um caxemira estiver vivo, vamos apoiar os militantes", afirmou no hospital o estudante Numaan Ahmad Malik, de 27 anos, ferido no protesto.

No ano passado, de acordo com as autoridades indianas, 213 milicianos foram mortos, o maior número em sete anos.

"Para cada dez mortos, mais 20 pessoas vão aderir à luta até que esta terra seja libertada da ocupação indiana", desafiou Imtiyaz Ahmad, um manifestante de Kachdora.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Trump tuíta vídeos anti-islâmicos falsos da extrema direita britânica

Em mais um gesto ultrajante que provocou repúdio internacionalmente, o presidente Donald Trump divulgou hoje de manhã vídeos anti-islâmicos falsos difundidos pelo movimento de extrema direita Grã-Bretanha Primeiro. A oposição pede cancelamento da visita dos Estados Unidos ao país marcada para 2018.

Trump tem 44 milhões de seguidores no Twitter. Logo vieram as respostas e comentários. Um muçulmano britânico acusou o mesmo movimento de radicalizar o assassino da deputada britânica Jo Cox, morta durante a campanha eleitoral do ano passado.

Num dos vídeos, supostos extremistas muçulmanos destruíam uma estátua da Virgem Maria. Em outro, atacavam um garoto holandês de muletas. No mais terrível, um jovem é jogado de um telhado e espancado até a morte.

O viúvo da deputada, Brendan Cox, também reagiu negativamente: "Trump legitimou a ultradireita em seu próprio país, agora está tentando fazer o mesmo no nosso. Espalhar o ódio tem consequências e o presidente deveria ter vergonha de si mesmo."

Mais duro ainda foi o deputado negro David Lammy, da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico: "O presidente dos EUA está promovendo um grupo extremista odioso, fascista e racista com líderes presos e condenados. Ele é um aliado ou amigo deles. Donald Trump, você não é bem-vindo no meu país e na minha cidade."

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, defendeu Trump alegando que ele "quer fronteiras seguras e fortalecer a segurança nacional. Se o vídeo é ou não real, a ameaça é real e é disso que o presidente está falando."

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Tensão se agrava na República Centro-Africana

Um ataque com granadas abala a frágil paz na República Centro-Africana, para onde o Brasil deve mandar soldados para uma força internacional, se aceitar o pedido feito oficialmente ontem pelas Nações Unidas, advertiu hoje o boletim Africa Confidential.

Em 11 de novembro, dois homens de motocicleta jogaram granadas num bar onde havia um concerto pela paz e a reconciliação nacional, em Bangui, a capital do país. Eles escolheram um dos bairros que foram palco de conflitos violentos há três anos, quando a República Dominicana esteve à beira do caos.

Sete pessoas morreram e outras 20 saíram feridas no ataque ao bairro PK5, informou a agência Reuters. É um enclave muçulmano na cidade majoritariamente cristã.

"Três ou quatro jovens nossos foram mortos, aparentemente em represália porque pensaram que muçulmanos estavam por trás do ataque com granadas", disse Habib Soule, um morador muçulmano do PK5. "Erguemos barricadas para garantir que os provocadores não entrem no bairro."

Cada vez mais o presidente Faustin-Archange Touadéra, um membro da elite dominante cristã eleito em fevereiro de 2016, é acusado de não dialogar com a oposição e a minoria muçulmana.

O Secretariado da ONU pediu ao Brasil 750 soldados de infantaria para a Missão Integrada Multidimensional para a Estabilização da República Centro-Africana (Minusca). No momento, a ONU tem 12 mil soldados no país.

A República Centro-Africa tem 623 mil quilômetros quadrados e cerca de 5 milhões de habitantes, com produto interno bruto de US$ 1,85 bilhão e renda média de US 370 por pessoa. É um dos países mais pobres do mundo, muito mais pobre do que o Haiti. O governo brasileiro tem até 15 de dezembro para dar uma resposta.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, admitiu na semana passada a possibilidade de enviar até mil soldados: "O Brasil gostaria de assumir o comando, mas a palavra final é da ONU. Mesmo sem o comando, o Brasil vai participar. Temos responsabilidades globais com a estabilidade e a paz no mundo."

"Será muito mais difícil do que no Haiti", afirmou ontem o último comandante da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), chefiada pelo Brasil, general Ajax Porto Pinheiro, ao fazer um balanço da participação brasileira na sede da ONU no Rio de Janeiro, no Palácio do Itamaraty.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Carniceiro da Bósnia pega prisão perpétua em tribunal da ONU

O Tribunal Especial das Nações Unidas para a Antiga Iugoslávia, com sede em Haia, na Holanda, condenou hoje à prisão perpétua o ex-comandante militar sérvio na guerra contra a independência da Bósnia-Herzegovina (1992-95), general Ratko Mladic, por genocício, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Ele protestou aos gritos e foi retirado do tribunal, revelou o jornal inglês The Independent.

Aos 75 anos, o Carniceiro da Bósnia foi condenado, entre outras razões, por dois episódios marcantes da guerra civil da Bósnia, o cerco da capital, Sarajevo, em que mais de 10 mil pessoas foram mortas, e o Massacre de Srebrenica, o pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Ao todo, 100 mil pessoas morreram na guerra.

Cerca de 8 mil homens e adolescentes foram sumariamente executados depois da queda de Srebrenica, que deveria estar sob proteção de uma missão de paz da ONU a cargo de holandeses, em julho de 1995. Mladic foi considerado culpado de 10 das 11 acusações. Seus advogados prometem recorrer.

O alto comissário da ONU para direitos humanos, Zeid Raad al-Hussein, festejou o resultado como "uma vitória importante da Justiça": "Mladic presidiu aos crimes mais sinistros cometidos na Europpa desde a Segunda Guerra Mundial, levando terror, morte e destruição a milhares de vítimas, e tristeza, tragédia e trauma a tantos mais. Sua condenação é um testamento à coragem e à determinação de vítimas e testemunhas que nunca abandonaram a esperança de levá-lo à Justiça."

A sentença é também uma alerta, acrescentou: "O veredito de hoje é uma advertência a quem comete tais crimes de que não vão escapar da Justiça, não importa quão poderosos sejam nem o tempo que leve para pegá-los. Eles serão responsabilizados."

Mladic foi denunciado criminalmente pelo tribunal em 1996. Ele foi preso 15 anos depois, em maio de 2011, em Lazarevo, na Bósnia. Sua prisão era uma exigência da União Europeia para abrir negociações para a adesão da Sérvia.

A maior de todas as seis repúblicas que formavam a Iugoslávia, a Sérvia tinha o controle do Exército federal e resistiu à tentativa de outras repúblicas de proclamar a independência. A primeira foi a Eslovênia, alvo de uma pequena guerra civil porque não tinha quase população sérvia.

Na Croácia, a guerra civil foi mais brutal. Durou quatro anos (1991-95) e foi marcada por cercos e massacres. Mais de 8 mil sérvios e soldados iugoslavos e pelo menos 11,3 mil croatas morreram.

A Bósnia era multiétnica, com 44% de muçulmanos bósnios, 31% de sérvios e 15% croatas. Em todas as guerras civis, as tropas federais, leais ao presidente iugoslavo e líder sérvio Slobodan Milosevic, usaram armas e arsenais escondidos durante a Guerra Fria para tentar submeter os outros povos iugoslavos.

Milosevic morreu em Haia enquanto esperava o julgamento. O presidente da autoproclamada República Sérvia da Bósnia, Radovan Karadzic, foi condenado no ano passado a 40 anos de prisão por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Com a condenação de Mladic, o tribunal especial encerra suas atividades.

Finalmente, fez-se alguma justiça para as vítimas da guerra civil na Bósnia, mas no momento em que o fantasma do ultranacionalismo e do neofascismo voltam a assombrar a Europa.

Hoje o atual presidente sérvio, Alexander Vucic, declarou que o país "respeita as vítimas" e pediu um olhar para o futuro: "Gostaria de convocar a todos para olhar para o futuro e não se afogar nas lágrimas do passado. Precisamos olhar para o futuro para finalmente termos um país estável."

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Ativistas do povo de Biafra incendeiam mesquita na Nigéria

Militantes do movimento Povo Indígena de Biafra (IPOB, do inglês) tocaram fogo no fim de semana em uma mesquita na cidade de Ogrute, capital da região de Igbo-Ezer, no estado de Enugu, no Sudeste da Nigéria, o país mais populoso da África.

O ataque provocou tumulto e pânico onde os moradores do povo hauçá, o mais numeroso do país, que é muçulmano. Na semana passada, o Exército cercou e atacou a casa do líder do IPOB, Nnmandi Kanu, que lidera o movimento pela independência. Ele estaria planejando uma fuga para a vizinha República de Camarões,

Em Abuja, a capital federal, o governo central acusou indivíduos descontentes politicamente e saqueadores de tesouros de patrocinar agitadores e separatistas do IPOB para desestabilizar a Nigéria. O ministro da Informação e da Cultura, Alhaji Lai Mohammed, acusou o grupo de não ter outro propósito.

A guerra civil de Biafra (1967-70) foi um dos conflitos mais graves da África depois da independência, com um total de 1 milhão de mortos em combate e de fome.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Justiça amplia conceito de família de decreto antimuçulmanos de Trump

A Suprema Corte manteve hoje a decisão de um juiz do Havaí que ampliou o conceito de família do decreto para barrar a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de seis países de maioria muçulmana, rejeitando um apelo do governo Donald Trump.

O decreto de Trump proíbe a aceitação de novos pedidos de asilo político por 120 dias e a entrada nos EUA por 90 dias de cidadãos do Iêmen, do Irã, da Líbia, da Somália, da Síria e do Sudão. É o segundo. O primeiro atingia também o Iraque, onde os EUA lutam como Força Aérea do Exército iraquiano e milícias aliadas contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Depois da versão revista ser derrubada por discriminação religiosa em primeira instância e em tribunais federais regionais, o supremo tribunal americano aceitou examinar o caso a partir de outubro e colocou o decreto em vigor até lá, com uma exclusão importante.

A Suprema Corte decidiu excluir do veto quem tiver uma relação de "boa fé" com pessoas e entidades nos EUA. Isso inclui quem tem visto de residência permanente e seus parentes.

Na definição de família, o governo Trump considerou apenas a família nuclear: pai, mãe e filhos. A Justiça Federal do Havaí acrescentou avós, netos, tios, primos e sobrinhos. Trump recorreu e perdeu mais uma.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Trump vai à Suprema Corte para manter decreto antimuçulmanos

O governo Donald Trump anunciou hoje que vai pedir à Suprema Corte a anulação de uma decisão de um juiz federal da primeira instância do Havaí que ampliou a definição de familiares prevista no decreto para limitar a entrada nos Estados Unidos de refugiados e de cidadãos de países majoritariamente muçulmanos. O juiz incluiu avós, netos, tios, sobrinhos e primos.

Ao aceitar examinar o caso, o que fará a partir de outubro, a Suprema Corte manteve o decreto, mas decidiu que não se aplica a quem tiver visto para entrar nos EUA ou "relações de boa fé" com entidades ou pessoas do país.

O decreto proíbe a entrada nos EUA por 90 dias de cidadãos de seis países de maioria muçulmana - Iêmen, Irã, Líbia, Síria, Somália e Sudão - e de novos pedidos de asilo por 120 dias. O juiz Derrick Watson considerou a definição de família muito restrita por incluir apenas pais e filhos.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Suprema Corte aceita parte do veto de Trump a viajantes muçulmanos

O supremo tribunal federal dos Estados Unidos aceitou hoje examinar o decreto do presidente Donald Trump proibindo a entrada no país de cidadãos de seis países muçulmanos, declarada inconstitucional por instâncias inferiores por discriminação religiosa. 

Antes da decisão final, o o veto poderá ser aplicado a quem "não tiver estabelecido uma relação de boa fé com uma pessoa ou uma entidade dos EUA."

Pouco depois da possa, em janeiro de 2017, Trump baixou um decreto vetando a entrada no país por 90 dias de cidadãos de sete países muçulmanos: Iêmen, Irã, Iraque, Líbia, Síria, Somália e Sudão. Todos os pedidos de asilo político ficariam suspendos por 120 dias. Um juiz de primeira instância do Havaí e o tribunal federal de recursos de São Francisco, na Califórnia, rejeitaram o decreto.

Sob pressão do governo do Iraque, que luta com o apoio dos EUA contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Batalha de Mossul, Trump decretou em março uma nova versão do veto sem iraquianos. Casos como o de um tradutor do Exército do Iraque que não pôde entrar nos EUA revoltaram o governo de Bagdá.

Mais uma vez, agora um juiz de primeira instância de Maryland e um tribunal federal de recursos do estado da Virgínia, declararam a inconstitucionalidade da medida. A Emenda nº 1 à Constituição dos EUA garante plena liberdade de imprensa, de religião, de associação para fins pacíficos e para processar o governo americano.

O presidente insiste em que o veto é necessário para garantir a segurança nacional. Festejou a decisão como "uma vitória clara da segurança nacional".

A Suprema Corte marcou para outubro as audiências para ouvir os argumentos das duas partes. Os três ministros mais conservadores do tribunal - Samuel Alito, Neil Gorsuch e Clarence Thomas - foram contra a admissão parcial do veto alegando que sua aplicação será difícil e ameaçar "provocar uma enxurrada de ações até a decisão final sobre o mérito do caso".

Quando a Suprema Corte ouvir as alegações das partes, o prazo de 90 dias previsto no decreto terá acabado

quinta-feira, 16 de março de 2017

Justiça dos EUA suspende mais um decreto anti-imigração de Trump

Um juiz federal do Havaí considerou inconstitucional por discriminação religiosa um segundo decreto do presidente Donald Trump proibindo a entrada nos Estados Unidos por 90 dias de cidadãos de seis países de maioria muçulmana e por 120 dias a concessão de asilo político. Trump prometeu levar o caso até a Suprema Corte a pretexto de proteger o país contra o terrorismo.

A Casa Branca fez várias alterações em relação ao primeiro decreto, rejeitado na primeira instância e pelo Tribunal Federal de Recursos de São Francisco, em segunda instância. Mas o juiz Derrick Watson vê um erro fundamental: a discriminação com base religiosa viola a Emenda nº 1 da Constituição dos EUA, que garantes as liberdades de expressão, religiosa, de associação para fins pacíficos e de processar o governo para reparar uma lesão ao direito individual.

Em comício para um grupo de seguidores em Nashville, no estado do Tennessee, o presidente reafirmou a intenção de "ir até a Suprema Corte para proteger o povo americano". Trump atribuiu a decisão judicial a "razões políticas" e alegou que faz os EUA "parecerem fracos" diante do resto do mundo.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Trump demite ministra interina da Justiça

O presidente Donald Trump demitiu ontem à noite a ministra interina da Justiça dos Estados Unidos, Sally Yates, uma remanescente do governo Barack Obama, enquanto o ministro nomeado, o senador Jeff Sessions, aguarda a aprovação do Senado.

Sally Yates orientou os promotores e procuradores do Departamento da Justiça a não aplicar o decreto de Trump vetando a entrada no país por 90 dias de cidadãos de sete países de maioria muçulmana e de refugiados por 120 dias, sob a alegação de violar a lei.

A Casa Branca a acusou de rejeitar uma medida destinada a proteger cidadãos americanos de atos de terrorismo.

Durante sua audiência de confirmação no Senado como subprocuradora-geral do governo Obama, o ministro nomeado por Trump perguntou se ela descumpriria uma ordem do presidente caso fosse contra a lei. Ela declarou que não aceitaria.

Mais de 900 estrangeiros foram barrados em aeroportos americanos desde sexta-feira pormcausa do decreto de Trump. Por decisão da Justiça, eles não podem ser deportados sumariamente. Há protestos em várias cidades nos EUA e da Europa contra a medida, inclusive dentro do Partido Republicano e do próprio governo Trump.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Juíza suspende decreto antimuçulmanos de Trump

Uma juíza federal de Nova York impediu por medida liminar no sábado à noite a expulsão de cidadãos de sete países de maioria muçulmana que chegaram aos Estados Unidos ou estejam em trânsito e tenham vistos válidos para entrar no país. Na prática, suspendeu parte dos efeitos de um decreto do presidente Donald Trump contra muçulmanos.

Em 27 de janeiro, Trump baixou decreto proibindo a entrada nos EUA por 90 dias de cidadãos do Irã, do Iraque, do Iêmen, da Síria, da Líbia, da Somália e do Sudão, de qualquer refugiado por 120 dias e de refugiados sírios indefinidamente. Logo os estrangeiros começaram a ser barrados nos aeroportos americanos e nos voos internacionais para os EUA.

Houve casos absurdos como o de um iraquiano que trabalhou como tradutor para o Exército dos EUA durante a ocupação do Iraque. Ele foi um dos que recorreram à Justiça.

"Os reclamantes têm forte probabilidade de sucesso em estabelecer que sua remoção viola o devido processo e a proteção igual perante a lei garantidas pela Constituição dos EUA", escreveu na sentença a juíza Ann  Donnelly, de um tribunal federal com sede no bairro do Brooklyn.

A magistrada acrescentou: "Há um perigo iminente de que, na ausência da suspensão da remoção, haja danos substanciais e irreparáveis a refugiados, portadores de visas e outros indivíduos das nações submetidas ao decreto de 27 de janeiro."

O Irã já retaliou, vetando a entrada de cidadãos americanos. Também dificulta a saída de quem tem dupla cidadania iraniano-americana.