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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Trump queria mandar o Departamento da Justiça a processar Hillary e Comey

O presidente Donald Trump pretendia ordenar ao Departamento de Justiça em abril a abertura de processos contra a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, sua adversária na eleição presidencial de 2016, e o ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation) James Comey. Foi advertido pelo advogado-geral da Casa Branca que isso poderia deflagrar um processo de impeachment, noticiou o jornal The New York Times.

A pressão levou o advogado-geral, Donald McGahn, a pedir demissão. Revela claramente a intenção de Trump de usar o Departamento da Justiça, um órgão independente, para perseguir seu adversários políticos como num país ditatorial.

Apesar da advertência, o presidente continuou discutindo a questão em encontros privados. Queria nomear um procurador especial para investigar Comey e Hillary.

Depois das eleições intermediárias de 6 de novembro, demitiu o secretário da Justiça e procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, substituindo-o por um procurador subserviente, Matthew Whitaker, que fez anteriormente várias declarações contra o inquérito do procurador especial Robert Mueller, que investiga um possível conluio da campanha de Trump com a Rússia.

Whitaker foi acusado de participar de uma organização que recebeu uma doação ainda não identificada de US$ 1 milhão, o que compromete sua atuação como supervisor do inquérito sobre a Rússia.

A Casa Branca não comentou.

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Trump demite ministro da Justiça e abre guerra contra investigações

A onda azul do Partido Democrata reconquistou a maioria na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas eleições de ontem. Não fui uma tsuname. O Partido Republicano deve ampliar a maioria no Senado, mas o presidente Donald Trump demitiu hoje o ministro da Justiça e procurador-geral, Jeff Sessions para se proteger do inquérito do procurador especial Robert Mueller sobre a interferência da Rússia nas eleições de 2016.

A apuração ainda não terminou. Os democratas elegeram 223 deputados, cinco a mais do que o necessário para ter maioria na Câmara, e os republicanos, 199 deputados. Faltam os resultados de 13 distritos.

No Senado, os republicanos terão 51 cadeiras e os democratas 46, faltando definir três cadeiras.

Foi uma derrota para o presidente, que tinha maioria nas duas casas do Congresso. Por temor de que a maioria democrata investigue seus escândalos, conflitos de interesses e relações com a Rússia, Trump demitiu Sessions, que se negou a supervisionar o inquérito por ter mantido contato com o embaixador russo durante a campanha eleitoral.

Trump nunca engoliu a recusa. O subprocurador-geral, Rod Rosenstein, nomeou o procurador especial depois que o presidente demitiu James Comey, então diretor-geral do FBI, a polícia federal americana, em maio de 2017.

Depois de anunciar que entraria em “guerra” com a oposição se os democratas tentarem investigar ele e a família, Trump afastou Sessions e nomeou como interino Matthew Whitaker, que no ano passado declarou que Mueller não tem autorização para investigar as finanças pessoais do presidente e de sua família.

O presidente reclamou várias vezes de Sessions, insinuando que o procurador-geral deveria protegê-lo e não defender os interesses da Justiça dos EUA. Foi aconselhado a não demiti-lo antes das eleições de ontem para não prejudicar os candidatos republicanos.

Para reconquistar a Câmara, por causa do redesenho dos distritos eleitorais pelos republicanos nos estados que governam, os democratas precisavam de 55% do total de votos. Os republicanos são cada vez mais um partido conservador das pequenas cidades e das zonas rurais do país. Perdem nos grandes centros urbanos.

Apesar do excelente desempenho da economia, que cresce em ritmo de 3,5% ao ano, com desemprego de 3,7%, o menor índice desde 1969, a impopularidade do presidente, hoje na média de 42%, suas posições extremistas e os ataques ao programa do governo Barack Obama para garantir cobertura universal de saúde devolveram a maioria na Câmara aos democratas.

Obama perdeu a maioria na Câmara em 2010, no segundo ano de governo, principalmente por causa dos ataques dos republicanos a seu programa de saúde, que obriga os planos de saúde a cobrir doenças preexistentes. Agora, esta questão foi uma das grandes bandeiras dos democratas.

Os EUA têm a medicina mais desenvolvida do mundo, mas é muito cara. Os gastos somam 16% do produto interno bruto da maior economia do mundo, de cerca de US$ 20 trilhões. Uma doença como o câncer pode significar a falência da família e a morte do paciente.

Como a economia aparentemente atingiu o pico e a guerra comercial com a China ameaça provocar uma recessão, Trump pode tentar culpar os democratas. Levando em conta a taxa de desemprego e os preços das ações de empresas cotadas em bolsas de valores, o derrota do presidente em eleições intermediárias foi considerada a pior em 100 anos.

Outro fator importante na vitória democrata foi a expressiva participação das mulheres, irritadas pela misoginia de Trump. Com algumas cadeiras a definir, pelo 113 mulheres foram eleitas para o Congresso.

A líder democrata Nancy Pelosi, primeira mulher a presidir a Câmara, deve reassumir o cargo.

Alexandria Ocasio Cortez, uma socialista de origem porto-riquenha eleita por Nova York de 29 anos, será a mais jovem deputada. Ilhan Omar e Rashida Tlaib, eleitas por Minnesota e Michigan, serão as primeiras muçulmanas, enquanto Sharice Davids, do Kansas, e Debra Haaland, do Novo México, serão as primeiras mulheres indígenas no Congresso. São todas democratas.

A má notícia para os democratas é que venceram eleições locais. Das 29 cadeiras que tomaram dos republicanos para ter maioria, muitas estão em distritos conservadores onde os republicanos costumam ganhar e podem ser perdidas daqui a dois anos, nas próximas eleições.

Os republicanos devem aumentar a maioria no Senado, em eleições estaduais, e elegeram 20 dos 36 governadores estaduais, uma indicação melhor de um possível desempenho do partido na eleição presidencial de 2020. Venceram em estados-chaves como a Flórida e Ohio, decisivos na disputa pela Casa Branca.

Com a maioria na Câmara, os democratas podem denunciar o presidente e abrir um processo de impeachment, mas não têm a maioria de dois terços exigida no Senado para afastar o presidente. Parte da bancada republicana teria teria de abandonar Trump.

Uma acusação de obstrução de justiça, se Trump acabar com o inquérito do procurador especial, pode levar ao impedimento do presidente. Com certeza, os democratas vão aproveitar a maioria para investigar Trump.

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Rosenstein defende investigação sobre Rússia como adequada

O subprocurador-geral Rod Rosenstein descreveu como "adequada e independente" a investigação do procurador especial Robert Mueller sobre a interferência indevida da Rússia nas eleições de 2016 nos Estados Unidos, que o presidente Donald Trump chama de "caça às bruxas" e de "manipulada", noticiou o jornal The Wall Street Journal.

Em longa entrevista, Rosenstein reafirmou sua confiança nos resultados do inquérito. Foi ele que nomeou Mueller depois da demissão do diretor-geral James Comey por Trump, em 9 de maio de 2017.

Trump nunca perdoou seu ministro da Justiça, Jeff Sessions, por rejeitar a chefia do inquérito sobre a ingerência russa. Sessions se declarou impedido por ter mantido contato com russos durante a campanha. Há suspeitas do conluio da campanha com o Kremlin, o que o Trump nega.

O presidente acusou e humilhou no Twitter. Sessions respondeu que não aceitaria pressões políticas sobre investigações. Deve sair do governo no fim do ano. Trump não o demite para não ser acusado de obstrução de justiça.

Por presidir o inquérito e ter permitido que o escritório de seu advogado você alvo de uma operação de busca e apreensão. Rosenstein também virou alvo de Trump. Depois que o jornal The New York Times noticiou que teria proposto gravar reuniões internas para acusar o presidente de incapaz e afastá-lo do cargo com base na Emenda Constitucional nº 25, sua demissão era dada como certa.

Na época, em nota, o subprocurador negou ter gravado ou autorizado gravações do presidente. Ele acrescentou que "qualquer sugestão de que defendi a remoção do presidente é absolutamente falsa". Depois disso, os dois tiveram um encontro de trabalho na Casa Branca, Rosenstein sobreviveu.

"Tenho a solene responsabilidade de garantir que casos como este sejam investigados e denunciados, e fico satisfeito que o presidente tenha apoiado isso", declarou o subprocurador-geral. "Meu compromisso é garantir que a investigação seja adequada e independente e chegue ao resultado certo, qualquer que seja."

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Ministro da Justiça dos EUA rebate ataques do presidente Trump

Sob pressão depois que seu ex-advogado e um ex-chefe da campanha eleitoral foram condenados, o presidente Donald Trump atacou ferozmente o secretário da Justiça e procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, por não controlar as investigações. 

Sessions respondeu que enquanto for secretário o Departamento da Justiça "não será influenciado impropriamente por considerações políticas", informou a agência de notícias Associated Press (AP).

Em entrevista à televisão americana Fox News, que apoia o Partido Republicano e o movimento conservador, Trump tentou se defender das acusações de crimes imputadas a ele pelo advogado Michael Cohen. O presidente criticou o instituto da delação premiada, usado especialmente para desmantelar organizações mafiosas, afirmou que os réus mentem para reduzir suas penas.

O pai do advogado pressionou o filho dizendo que não havia sobrevivido ao Holocausto do povo judeu na Segunda Guerra Mundial para ter seu nome manchado por Trump, revelou o jornal The Wall Street Journal.

Foi mais um show do narcisismo de Trump, no estilo depois de mim, o dilúvio. Ele declarou que o impeachment de um presidente que está fazendo um governo tão bom, na opinião dele, "causaria um colapso do mercado" e "todo o mundo ficaria muito pobre".

Trump está furioso com Sessions porque ele se considerou impedido de supervisionar o inquérito sobre a influência indevida da Rússia na eleição presidencial de 2012. Como havia mantido contato com russos, o secretário entendeu corretamente que não poderia se envolver na investigação.

O inquérito ficou sob o controle do subprocurador-geral Rod Rosenstein, outro militante do Partido Republicano. Quando Trump demitiu o diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal americana, James Comey, em 9 de maio de 2017, Rosenstein decidiu nomear um procurador especial, Robert Mueller, ex-diretor-geral do FBI.

Desde então, Mueller denunciou 34 pessoas e há três obteve a condenação de Paul Manafort, o ex-chefe de campanha de Trump, em oito acusações de fraude fiscal e bancária quando trabalhava para o então presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, apoiado por Moscou. O advogado-geral da Casa Branca falou com Mueller sem o conhecimento do presidente, sinal de que queria se proteger.

A pedido de Trump, Cohen pagou US$ 130 mil à atriz pornô Stormy Daniels 11 dias antes da eleição e US$ 150 mil à ex-garota da Playboy Karen McDougal para que não revelassem seus casos durante a campanha. Isso é ilegal. O advogado admitiu ter violado a lei de financiamento eleitoral porque o silêncio delas foi comprado para não atrapalhar a eleição de Trump.

Para complicar ainda mais o presidente, o magnata da imprensa David Pecker, dono do National Enquirer, um jornal sensacionalista vendido em supermercados, conseguiu imunidade dos procuradores. Pecker ficou com os direitos de publicação nos dois casos, mas preferiu esconder as histórias para proteger Trump.

Em seus ataques de fúria, Trump acusa a investigação do procurador especial de ser "uma caça às bruxas" conduzida por "democratas raivosos". O desespero de um presidente que sempre se considerou acima da lei é cada vez mais evidente em suas declarações e tuitaços.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Procurador especial quer interrogar Trump nas próximas semanas

O procurador especial Robert Mueller pretende interrogar em breve o presidente Donald Trump para pedir explicações sobre as demissões do conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, general Michael Flynn, e do diretor-geral do FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, James Comey, revelou o jornal The Washington Post.

As ações do procurador especial indicam que ele está se aproximando do presidente. Mueller já denunciou Steve Bannon, ex-chefe de campanha de Trump e assessor especial da Casa Branca. Hoje, soube-se que ouviu na semana passada o secretário de Justiça e procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions.

Trump está irritado há muito tempo porque Sessions declarou-se impedido de presidir o inquérito sobre um possível conluio da candidatura republicana com a Rússia. Depois da demissão de Comey, o subprocurador-geral nomeou um procurador especial, tirando do governo qualquer possibilidade de interferir no inquérito.

Mueller já denunciou quatro ex-assessores de Trump. As suspeitas de obstrução de justiça de parte do presidente se avolumam. Pouco depois da demissão de Comey, Trump convocou o diretor-geral interino do FBI, Andrew McCabe, para uma reunião no Salão Oval da Casa Branca e lhe perguntou: "Em quem você votou na eleição de 2016?"

McCabe teria respondido que não votou, de acordo com o Post. O presidente teria manifestado descontentamento porque a mulher de McCabe disputou uma vaga no Senado do estado da Virgínia com o apoio de um comitê de ação política ligado a Hillary Clinton.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Trump: "Sou um gênio muito estável"

Diante das acusações e leviandade feitas no livro Fogo e Fúria: dentro da Casa Branca de Trump, o presidente Donald Trump defendeu hoje sua sanidade mental e sua capacidade para governar os Estados Unidos. Em entrevista na residência rural de Camp David, descreveu a si mesmo como "um gênio muito estável" e "muito inteligente", e insistiu que o livro não passa de uma coleção de mentiras.

Quando os advogados particulares do presidente tentaram impedir o lançamento, ele foi antecipado para sexta-feira. Fogo e Fúria já está em primeiro lugar na lista de mais vendidos da Amazon.com, a maior livraria virtual dos EUA.

Seu autor, Michael Wolff, afirma que 100% dos assessores consideram Trump infantil, imaturo e despreparado para comandar o país mais poderoso da Terra: "Este é um presidente que não lê, um presidente que não ouve, que pula de um lado para o outro como uma bola de fliperama", retorquiu o jornalista, sem recuar um milímetro no escreveu.

A situação de Trump foi agravada nas últimas horas pela revelação do jornal The New York Times de a investigação independente do procurador especial Robert Mueller descobriu que vários assessores do presidente pressionaram o secretário da Justiça e procurador-geral, Jeff Sessions, a não se declarar suspeito no inquérito sobre a influência da Rússia na eleição presidencial de 2018.

Furioso com a decisão de Sessions, o presidente teria dito que precisava do seu secretário da Justiça para protegê-lo. Em total desconhecimento da Constituição dos EUA, Trump alegou que Eric Holder protegia Barack Obama e Robert Kennedy protegia John Kennedy.

Seria mais um elemento para caracterizar a obstrução de justiça de Trump no caso da Rússia. O presidente pediu ao então diretor-geral do FBI, a polícia federal americana, James Comey que encerrasse o inquérito sobre o general Michael Flynn, o assessor de Segurança Nacional que não durou um mês na Casa Branca.

Como Comey não aceitou, foi demitido. Sua queda inesperada levou à nomeação de um procurador especial para o caso. Com o cerco apertando em torno do presidente, há uma campanha de ataques contra Mueller. Se Sessions sair, fica mais fácil afastar o procurador especial.

Trump insiste que tudo não passa de "notícias falsas" dos democratas para questionar a legitimidade de sua eleição, inesperada até para ele, de acordo com o relato de Wolff.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Acusações de crime sexual derrubam candidatura ao Senado dos EUA

O líder do Partido Republicano no Senado dos Estados Unidos, Mitch McConnell, pediu hoje ao juiz ultraconservador aposentado Roy Moore que retire sua candidatura ao Senado pelo estado do Alabama. Cinco mulheres o acusaram de as molestar sexualmente quando eram menores de idade.

Leigh Corfman tinha 14 anos e Moore 32, em 1979. Em reportagem publicada na semana passada pelo jornal The Washington Post, Corfman, hoje com 53 anos, revelou detalhes de como foi levada para uma casa no meio do mata, despida e submetida a abusos por um homem muito mais velho.

Moore nega as acusações, mas McConnell disse hoje sem hesitar: "Eu acredito na mulher." Outras três mulheres ouvidas na reportagem contaram ter sido abordadas por Moore com intenções libidinosas.

O candidato reagiu pelo Twitter: "A pessoa que tem de sair é o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell. Ele levou os conservadores ao fracasso e deve ser substituído."

Hoje, uma quinta mulher, Beverly Young Nelson, denunciou avanços sexuais de Moore quando ela era adolescente. Chorando, contou na televisão ter sido abusada sexualmente numa sala. Quando tentou fugir, ele trancou a porta e continuou o abuso. "Eu estava aterrorizada. Pensei que ela ia me estuprar. Em algum momento, desistiu."

Mais uma vez, o candidato manteve o tom da campanha e reivindicou a superioridade moral: "As forças do mal vão mentir, enganar, roubar - até mesmo infligir danos físicos - se acreditarem que vão silenciar cristãos conservadores como eu e você."

Mesmo que Moore desista, seu nome estará na cédula na eleição de 12 de dezembro, para preencher a vaga aberta com a nomeação do senador Jeff Sessions para ministro da Justiça do governo Donald Trump. Uma alternativa é Luther Strange, derrotado por Moore na eleição primária do partido.

O Alabama é um dos estados mais conservadores e pobres dos EUA, com grande população rural. Talvez o eleitorado mais à direita ainda prefira Moore a Doug Jones, um democrata a favor do aborto. Neste caso, ele poderia ser expulso do partido ou cassado por maioria de dois terços de seus colegas de Senado.

Ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Alabama, Moore foi afastado porque insistia em manter uma cópia dos dez mandamentos em exposição na parede. Durante a eleição primária, contou com o apoio decidido dos eleitores evangélicos para superar os US$ 10 milhões gastos por aliados de McConnell.

O presidente Trump apoiou Strange, enquanto o ex-estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, fez campanha para Moore. Ideólogo do trumpismo, Bannon é ultranacionaislita, contra a globalização, contra a imigração e contra o livre comércio. Quer derrubar McConnell e pretende apresentar candidatos orientados por suas ideias nas eleições primárias republicanas para conquistar o coração do partido e pressioná-lo a seguir a agenda de Trump.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Trump acaba com programa de proteção de menores imigrantes

O programa do governo Barack Obama conhecido como "Sonhadores", que permitia a menores que imigraram ilegalmente viver nos Estados Unidos sem risco de serem deportados será extinto em seis meses, anunciou hoje o secretário (ministro) da Justiça, Jeff Sessions. 

Cerca de 800 mil menores e jovens que entraram no país quando eram menores, a maioria da América Central, poderão ser expulsos do país com o fim da Ação Diferida para quem Chegou quando Menor (DACA).

Pelo sistema atual, os menores podem trabalhar legalmente por dois anos. Sessions sempre foi contra. Em 2002, como senador, liderou o esforço para barrar a proposta. Nos próximos seis meses, o Congresso deve aprovar uma nova proposta sobre como lidar com os imigrantes menores de idade.

Quem já está sob proteção até a data-limite de 5 de março de 2018 pode pedir uma extensão até 5 de outubro. Quem não recebe nem pediu o benefício até hoje (5 de setembro de 2017) será excluído.

O combate à imigração ilegal foi um dos principais temas da campanha eleitoral desde que Trump lançou sua candidatura, em junho de 2015, acusando os mexicanos de serem assassinos, traficantes e estupradores.

Até o presidente da Câmara, o deputado ultraconservador Paul Ryan, é contra a medida. Ele acredita que o Congresso deveria ter tempo para aprovar uma nova lei. O dono do Facebook, Mark Zuckerberg, criticou a decisão de acabar com a anistia a menores imigrantes com um dia "escuro" da história dos EUA.

A imigração de menores aumentou muito nos últimos anos com o aumento da atividade de máfias do tráfico de drogas na América Central, onde muitas se instalaram para escapar da guerra do governo mexicano contra as drogas. Em países como Guatemala, Honduras e El Salvador, o Estado não meios nem recursos para combater os cartéis das drogas.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Trump frita ministro da Justiça e procurador-geral dos EUA

Insatisfeito com a investigação sobre um possível conluio de sua campanha com o governo da Rússia, o presidente Donald Trump está hostilizando publicamente o ministro da Justiça e procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions.

Sessions foi o primeiro senador a apoiar a candidatura Trump. Se for demitido, as relações do presidente com a bancada do Partido Republicano no Senado serão sensivelmente abaladas. O presidente o humilha publicamente para forçar a demissão

O problema de Sessions é que ele admitiu ter se encontrado com o embaixador russo em Washington, depois de ter omitido isso no primeiro momento. Por essa razão, ele se declarou impedido de presidir o inquérito sobre a interferência indevida da Rússia na eleição presidencial americana.

Trump quer se livrar não apenas de Sessions, mas principalmente do procurador especial Robert Mueller, ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA. Quando demitiu o procurador independente Archibald Cox, em 1973, o então presidente Richard Nixon deixou clara sua culpabilidade no escândalo de Watergate, que o levou a renunciar em 1974.

Em 9 de maio, Trump demitiu o diretor-geral  James Comey, depois que este se recusou a encerrar o inquérito. Só um diretor-geral do FBI fora demitido no meio do mandato, por corrupção. Comey foi o primeiro afastado por investigar um presidente. Mas demitir o ministro da Justiça e procurador-geral é um desafio muito maior para um presidente que não respeita a liturgia do cargo e se considera melhor do que seus antecessores.

Nesta semana, Trump chegou a tuitar sobre seu "poder total" para perdoar, como se pudesse indultar a si mesmo. Hoje, acusou Sessions de ser "fraco" por não reabrir a investigação sobre o uso de correio eletrônico privado por Hillary Clinton quando secretária de Estado. O FBI encerrou o inquérito.

Três desafios aguardam Trump: o fracasso de mais uma votação da reforma de saúde para acabar com a cobertura universal do governo Obama; o inquérito sobre a Rússia, que se aproxima da família dele, nesta semana um filho e o genro depõe no Congresso; e a aprovação pelo Congresso de novas sanções à Rússia, que vão testar as relações de Trump com o Kremlin.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Diretor do FBI demitido pediu mais dinheiro para investigação

Dias antes de ser demitido, o diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, James Comey, pediu ao Departamento da Justiça mais dinheiro para a investigação sobre a interferência da Rússia na eleição presidencial americana e possível conluio com a candidatura Donald Trump, revelou hoje o jornal The New York Times citando como fonte altos funcionários do Congresso, inclusive o senador Richard Durbin.

O diretor demitido ontem pelo presidente Trump fez o pedido ao subprocurador-geral Rod Rosenstein, autor do memorando do Departamento de Justiça usado para justificar seu afastamento.

"Assim que Rosenstein assumiu, houve um pedido de recursos adicionais para a investigação e, poucos dias depois, ele foi demitido", declarou o senador democrata Richard Durbin. "Penso que a operação de Comey estivesse bafejando a nuca da campanha de Trump e seus assessores, e este foi um esforço para retardar a investigação."

Rosenstein é o mais alto funcionário a supervisionar a investigação. O ministro da Justiça e procurador-geral, Jeff Sessions, declarou-se impedido de presidir o inquérito por ter se encontrado com o embaixador russo em Washington e negado.

O Departamento da Justiça negou que o FBI tenha pedido mais dinheiro. Comey era um alto funcionário independente. Trump preza a lealdade. Na carta de demissão, deixou claro que pelo menos três vezes o diretor demitido teria lhe dito que não estava sendo investigado.

Em 28 de outubro de 2016, 11 dias antes da eleição presidencial, Comey rompeu a tradição do FBI de não se envolver em política. Revelou em carta ao Congresso que tinham sido descobertos mais mensagens da candidata democrata Hillary Clinton no inquérito sobre o uso de uma conta privada de correio eletrônico por ela quando secretária de Estado do primeiro governo Barack Obama.

Comey considerou Hillary "extremamente descuidada" com segredos de Estado, mas decidiu não indiciá-la. Foi um comentário que vai além do esperado para um diretor do FBI.

Na época, Comey foi duramente criticado pelo Partido Democrata, que pediu sua demissão, e elogiado por Trump, que afirmou ter recuperado sua "credibilidade". Em entrevista na semana passada, Hillary atribuiu sua derrota à declaração e à interferência da Rússia na eleição presidencial dos EUA.

Dentro do FBI, quem trabalhou perto de Comey acredita que ele não quis interferir na eleição. As pesquisas apontavam a vitória de Hillary. Ele teria ficado com medo de ser acusado de esconder um fato relevante.

Ao depor no Senado na semana passada, Comey disse se sentir "levemente nauseado" com a sugestão de que possa ter influenciado o resultado da eleição de 8 de novembro. Quando assistia ao depoimento, o presidente teria tomado a decisão de demiti-lo.

O governo Trump usou a confusão no inquérito sobre Hillary para justificar a demissão do diretor do FBI no terceiro de 10 anos de mandato. Pouca gente acredita nisso. Trump leva a lealdade para o laudo pessoal e está irritado com a investigação sobre a Rússia.

Sua atitude foi um tiro pela culatra. Não vai parar a investigação e, no Congresso, até mesmo membros do Partido Republicano, inclusive o senador John McCain, pedem a nomeação de um procurador independente para chefiar o inquérito.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Trump demite ministra interina da Justiça

O presidente Donald Trump demitiu ontem à noite a ministra interina da Justiça dos Estados Unidos, Sally Yates, uma remanescente do governo Barack Obama, enquanto o ministro nomeado, o senador Jeff Sessions, aguarda a aprovação do Senado.

Sally Yates orientou os promotores e procuradores do Departamento da Justiça a não aplicar o decreto de Trump vetando a entrada no país por 90 dias de cidadãos de sete países de maioria muçulmana e de refugiados por 120 dias, sob a alegação de violar a lei.

A Casa Branca a acusou de rejeitar uma medida destinada a proteger cidadãos americanos de atos de terrorismo.

Durante sua audiência de confirmação no Senado como subprocuradora-geral do governo Obama, o ministro nomeado por Trump perguntou se ela descumpriria uma ordem do presidente caso fosse contra a lei. Ela declarou que não aceitaria.

Mais de 900 estrangeiros foram barrados em aeroportos americanos desde sexta-feira pormcausa do decreto de Trump. Por decisão da Justiça, eles não podem ser deportados sumariamente. Há protestos em várias cidades nos EUA e da Europa contra a medida, inclusive dentro do Partido Republicano e do próprio governo Trump.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Trump nomeia falcões para cargos-chaves

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, nomeou hoje três expoentes da linha dura para cargos importantes de seu governo. Todos são considerados dissidentes em relação ao pensamento tradicional do Partido Republicano.

O senador Jeff Sessions, um dos primeiros republicanos a aderir a Trump, será ministro da Justiça e procurador-geral. O deputado Mike Pompeo será o diretor-geral da CIA (Agência Central de Inteligência). E o general da reserva Michael Flynn será o assessor de segurança nacional da Casa Branca.

Sessions é um conservador do Alabama. Em 1986, a Comissão de Justiça do Senado barrou sua indicação para juiz federal por causa de declarações racistas. Ele será responsável pela repressão à imigração ilegal. Trump fala em deportar pelo menos 3 milhões de ilegais.

Pompeo, da Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes, criticou as decisões do presidente Barack Obama de fechar prisões clandestinas da CIA e de proibir a tortura em interrogatórios. Na campanha, Trump defendeu a tortura.

Um dos líderes do movimento radical de direita Festa do Chá, Pompeo comandou as investigações sobre o ataque ao Consulado dos EUA em Bengázi, na Líbia, tentando responsabilizar a então secretária de Estado, Hillary Clinton, pela morte do embaixador e de três outros americanos.

O general Flynn foi uma das vozes mais raivosas do setor de segurança e defesa durante a campanha. Ele afirma que o islamismo não é uma religião, é uma ideologia política sanguinária que chamou de câncer, desprezando a crença de 1,3 bilhão de seres humanos.

Amigo de protoditadores como Vladimir Putin, da Rússia, e Recep Tayyip Erdogan, da Turquia, defende uma aliança com eles para combater o extremismo muçulmano, ignorando as intervenções militares russas na Ucrânia e na Síria e o desprezo desses autocratas pela democracia e o respeito aos direitos humanos.

Para quem esperava um Trump mais moderado no poder do que na campanha, é um choque de realidade. Até agora, não há nenhum moderado nem centrista no futuro governo dos EUA.