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sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Alabama rejeita pedido de recontagem de votos de juiz pedófilo

O estado do Alabama certificou ontem a vitória do candidato democrata Doug Jones na eleição para preencher a vaga aberta no Senado dos Estados Unidos pela nomeação de Jeff Sessions como ministro da Justiça, rejeitando o pedido de recontagem dos votos feito pelo ex-desembargador Roy Moore, acusado de pedofilia durante a campanha eleitoral.

Com o escândalo, Moore perdeu por 22 mil votos e Jones conquistou a primeira vitória de um democrata para representar o Alabama no Senado desde 1992, numa grande derrota para o presidente Donald Trump, que se empenhou diretamente na campanha do pedófilo, ignorando as acusações de crimes sexuais contra menores.

Moore não aceitou o resultado e recorreu às autoridades eleitorais apresentando-se como vítima de "fraude eleitoral sistemática". Seus partidários acusaram o secretário de Estado do Alabama, John Merrill, do Partido Republicano de ignorar provas e destruí-las.

Em resposta, Merrill afirmou que o estado não guarda nenhum registro dos votos eletrônicos, mas guarda as cópias em papel para uma possível recontagem e desafiou qualquer pessoa a apontar indícios consistentes de fraude em qualquer eleição no Alabama.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Evangélico pedófilo aliado de Trump perde eleição no Alabama

O candidato democrata Doug Jones foi eleito para o Senado dos Estados Unidos pelo estado do Alabama, vencendo o ex-juiz evangélico Roy Moore, aliado do presidente Donald Trump, acusado pedofilia por várias mulheres durante a campanha eleitoral.

Foi a primeira vitória democrata para o Senado no Alabama desde 1972 e o senador eleito naquele ano aderiu ao Partido Republicano dois anos depois. A derrota reduz a maioria republicana no Senado para dois votos (51-49), dificultando a aprovação das propostas legislativas do governo Trump. O presidente apoiou outro candidato na eleição primária republicana, mas resolveu ficar com Moore, apesar das denúncias de crimes sexuais.

Como o resultado foi apertado, Moore recusou-se a reconhecer a derrota, argumentando que, quando a diferença é de 1%, os votos devem ser recontados. Na realidade, a lei do Alabama prevê a recontagem quando a diferença for de até 0,5% ou quando um candidato pedir e pagar.

Com 99% da apuração concluída, a diferença é de 1,5% dos votos apurados. A vantagem do democrata é menor do que os 22.783 votos, cerca de 1,7%, preenchidos à mão por republicanos que se recusaram a votar em Moore.

Quando Trump nomeou o então senador Jeff Sessions para secretário da Justiça, ninguém poderia imaginar que os republicanos perderiam uma eleição no estado, um dos mais pobres e conservadores dos EUA. Mas o candidato errado ganhou a eleição prévia e se negou a desistir quando foi desmoralizado.

Durante a campanha, uma mulher revelou ter sido molestada sexualmente por Moore quando ela tinha 14 anos e ele 32, em reportagem publicada no jornal The Washington Post. Várias outras mulheres fizeram acusações semelhantes.

O ex-desembargador, afastado duas vezes do Tribunal de Justiça do Alabama por querer colocar os Dez Mandamentos do cristianismo dentro da corte, negou tudo. Alegou se tratar de uma conspiração esquerdista para desmoralizá-lo.

Mesmo assim, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, outros dirigentes do Partido Republicano e até Ivanka Trump, filha do presidente, declararam que acreditavam nas mulheres. Eles não conseguiram convencer Trump a abandonar Moore, o que o pressionaria a desistir da candidatura.

Trump entrou pessoalmente na campanha e insistiu que a eleição de um republicano era fundamental para manter a maioria do partido no Senado. Foi uma derrota pessoal.

Outro grande perdedor foi o ex-chefe de campanha e ex-estrategista de Trump na Casa Branca, Steve Bannon, um guru do ultranacionalismo e antiglobalismo da ultradireita, que apoiou Moore desde a primária.

Trump é acusado de abuso sexual por pelo menos dez mulheres. Anos atrás, nos bastidores de um programa de televisão, ele fez comentários revelados durante a campanha em que se gabava de apalpar os órgãos sexuais de mulheres que não reagiriam negativamente porque ele é rico e famoso.

Apesar do escândalo, Trump foi eleito. Com a onda de denúncias de crimes sexuais cometidos pelo produtor de cinema Harvey Weinstein, magnatas de Hollywood, jornalistas, chefs de cozinha e outras celebridades caíram do pedestal e estão sendo processados por assédio sexual.

Os políticos foram os últimos. Sob pressão das bancadas femininas, o senador Al Franken renunciou ao mandato na semana passada. E agora as mulheres que acusam Trump voltaram as manchetes e insistem que o presidente seja investigado por crimes sexuais.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Acusações de crime sexual derrubam candidatura ao Senado dos EUA

O líder do Partido Republicano no Senado dos Estados Unidos, Mitch McConnell, pediu hoje ao juiz ultraconservador aposentado Roy Moore que retire sua candidatura ao Senado pelo estado do Alabama. Cinco mulheres o acusaram de as molestar sexualmente quando eram menores de idade.

Leigh Corfman tinha 14 anos e Moore 32, em 1979. Em reportagem publicada na semana passada pelo jornal The Washington Post, Corfman, hoje com 53 anos, revelou detalhes de como foi levada para uma casa no meio do mata, despida e submetida a abusos por um homem muito mais velho.

Moore nega as acusações, mas McConnell disse hoje sem hesitar: "Eu acredito na mulher." Outras três mulheres ouvidas na reportagem contaram ter sido abordadas por Moore com intenções libidinosas.

O candidato reagiu pelo Twitter: "A pessoa que tem de sair é o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell. Ele levou os conservadores ao fracasso e deve ser substituído."

Hoje, uma quinta mulher, Beverly Young Nelson, denunciou avanços sexuais de Moore quando ela era adolescente. Chorando, contou na televisão ter sido abusada sexualmente numa sala. Quando tentou fugir, ele trancou a porta e continuou o abuso. "Eu estava aterrorizada. Pensei que ela ia me estuprar. Em algum momento, desistiu."

Mais uma vez, o candidato manteve o tom da campanha e reivindicou a superioridade moral: "As forças do mal vão mentir, enganar, roubar - até mesmo infligir danos físicos - se acreditarem que vão silenciar cristãos conservadores como eu e você."

Mesmo que Moore desista, seu nome estará na cédula na eleição de 12 de dezembro, para preencher a vaga aberta com a nomeação do senador Jeff Sessions para ministro da Justiça do governo Donald Trump. Uma alternativa é Luther Strange, derrotado por Moore na eleição primária do partido.

O Alabama é um dos estados mais conservadores e pobres dos EUA, com grande população rural. Talvez o eleitorado mais à direita ainda prefira Moore a Doug Jones, um democrata a favor do aborto. Neste caso, ele poderia ser expulso do partido ou cassado por maioria de dois terços de seus colegas de Senado.

Ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Alabama, Moore foi afastado porque insistia em manter uma cópia dos dez mandamentos em exposição na parede. Durante a eleição primária, contou com o apoio decidido dos eleitores evangélicos para superar os US$ 10 milhões gastos por aliados de McConnell.

O presidente Trump apoiou Strange, enquanto o ex-estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, fez campanha para Moore. Ideólogo do trumpismo, Bannon é ultranacionaislita, contra a globalização, contra a imigração e contra o livre comércio. Quer derrubar McConnell e pretende apresentar candidatos orientados por suas ideias nas eleições primárias republicanas para conquistar o coração do partido e pressioná-lo a seguir a agenda de Trump.