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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Turquia vai enviar tropas à Líbia

O ditador Recep Tayyip Erdogan anunciou ontem que a Turquia aceitou um pedido de ajuda militar do Governo do Acordo Nacional, o governo da Líbia reconhecido internacionalmente, e vai pedir a autorização para enviar forças ao exterior quando o Parlamento voltar a se reunir, em 2020.

Mesmo que o número de soldados e o tipo de armamento a ser enviados não tenha sido divulgado, a Turquia deve enviar tropas de combate à Líbia. Seria um grande reforço para o Governo do Acordo Nacional, que enfrenta o Exército Nacional da Líbia (ELN), comandado pelo marechal Khalifa Hifter, com o apoio de mercenários russos.

A Turquia apoia há muito tempo o Governo do Acordo Nacional, mas sua entrada na guerra civil da Líbia, assim como o envolvimento da Rússia, tornam o conflito ainda mais complexo e difícil de resolver.

Em abril, o ELN, que domina a região de Bengázi, a segunda maior cidade líbia, no Leste do país, lançou uma ofensiva para tentar capturar a capital, Trípoli. A Líbia vive em guerra civil desde a queda e a morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Atentado duplo com carros-bomba mata 22 pessoas na Líbia

Dois carros-bomba explodiram hoje perto de uma mesquita em Bengázi, a segunda maior cidade da Líbia. Pelo menos 22 pessoas morreram e dezenas saíram feridas, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A Líbia vive num estado de guerra civil e anarquia desde a queda e morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011. O país nunca mais teve um governo central. Três governos disputam o poder, cada um com suas próprias milícias para garantir seu naco de poder.

No meio do conflito, sofre a indústria do petróleo líbio, disputada pelos três grupos rivais por ser a maior fonte de riqueza do país. Com o colapso do Estado, o clima de anarquia permitiu a infiltração da organização terrorista Estado Islâmico, quando começou a perder as guerras no Iraque e na Síria.

O Estado Islâmico degolou cristãos egípcios e dominou Sirte, a cidade natal de Kadafi. Foi derrotado. Mas é nesses países onde o Estado entrou em colapso que proliferam grupos terroristas, Líbano, Afeganistão, Somália, Iraque e Síria.

Em 11 de setembro de 2012, milicianos jihadistas do grupo Ansar al Charia atacaram o Consulado Americano em Bengázi e mataram quatro americanos, inclusive o embaixador John Christopher Stevens. O caso foi explorado pelo Partido Republicano para atacar o presidente Barack Obama e a então secretária de Estado, Hillary Clinton.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Trump nomeia falcões para cargos-chaves

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, nomeou hoje três expoentes da linha dura para cargos importantes de seu governo. Todos são considerados dissidentes em relação ao pensamento tradicional do Partido Republicano.

O senador Jeff Sessions, um dos primeiros republicanos a aderir a Trump, será ministro da Justiça e procurador-geral. O deputado Mike Pompeo será o diretor-geral da CIA (Agência Central de Inteligência). E o general da reserva Michael Flynn será o assessor de segurança nacional da Casa Branca.

Sessions é um conservador do Alabama. Em 1986, a Comissão de Justiça do Senado barrou sua indicação para juiz federal por causa de declarações racistas. Ele será responsável pela repressão à imigração ilegal. Trump fala em deportar pelo menos 3 milhões de ilegais.

Pompeo, da Comissão de Inteligência da Câmara dos Representantes, criticou as decisões do presidente Barack Obama de fechar prisões clandestinas da CIA e de proibir a tortura em interrogatórios. Na campanha, Trump defendeu a tortura.

Um dos líderes do movimento radical de direita Festa do Chá, Pompeo comandou as investigações sobre o ataque ao Consulado dos EUA em Bengázi, na Líbia, tentando responsabilizar a então secretária de Estado, Hillary Clinton, pela morte do embaixador e de três outros americanos.

O general Flynn foi uma das vozes mais raivosas do setor de segurança e defesa durante a campanha. Ele afirma que o islamismo não é uma religião, é uma ideologia política sanguinária que chamou de câncer, desprezando a crença de 1,3 bilhão de seres humanos.

Amigo de protoditadores como Vladimir Putin, da Rússia, e Recep Tayyip Erdogan, da Turquia, defende uma aliança com eles para combater o extremismo muçulmano, ignorando as intervenções militares russas na Ucrânia e na Síria e o desprezo desses autocratas pela democracia e o respeito aos direitos humanos.

Para quem esperava um Trump mais moderado no poder do que na campanha, é um choque de realidade. Até agora, não há nenhum moderado nem centrista no futuro governo dos EUA.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Colin Powell chama Trump de "desgraça nacional"

Em mensagens pessoais que vazaram na Internet, o ex-secretário de Estado americano Colin Powell, ex-comandante do Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, criticou a arrogância da candidata democrata, Hillary Clinton, e considerou o republicano Donald Trump uma "desgraça nacional" e um "pária internacional".

O vazamento veio de um sítio suspeito de ligações com o serviço secreto da Rússia, que estaria tentando intervir na eleição presidencial americana.

Powell acusou Trump de alimentar um movimento "racista" quando questionou o local de nascimento do presidente Barack Obama. "Todo o movimento em torno do nascimento de Obama era racista. Quando Trump não conseguiu provar o que alegara, disse que queria ver na certidão se ele não é muçulmano."

Sobre Hillary, o ex-secretário comentou que não é uma pessoa "transformadora", é "gananciosa" e "estraga tudo o que toca por arrogância", Ele não gostou de ter sido usado na tentativa de justificar o fato de Hillary ter usado um correio eletrônico privado quando era chefe da diplomacia dos EUA, colocando assim em risco a segurança nacional.

"Eu não disse a Hillary para ter um servidor privado em casa ligado à Fundação Clinton, contratar duas empresas privadas, apagar 60 mil mensagens e ter sua própria domínio", desabafou Powell. Mas ele descreveu a insistência em responsabilizá-lo pelo ataque ao Consulado Americano em Bengázi em 11 de setembro de 2012 como uma "caça às bruxas estúpida".

Na opinião de Powell, expressa em e-mail à também ex-secretária de Estado Condoleezza Rice, o maior responsável foi "um corajoso embaixador que acreditou que os líbios o amavam e que estaria bem num lugar extremamente vulnerável".

O embaixador Christopher Stevens e outros três americanos morreram no ataque de uma milícia jihadista ao consulado em Bengázi.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Três soldados franceses morreram em queda de helicóptero na Líbia

Três soldados de elite da França morreram quando viajavam num helicóptero do Exército Nacional da Líbia abatido por rebeldes islamistas perto de Bengázi, a segunda maior cidade do país, reportou a agência Associated Press (AP), citando fontes militares líbias.

Ninguém sobreviveu. O Ministério da Defesa da França se negou a comentar, alegando não poder fornecer informações sobre suas forças de operações especiais. Oficialmente não se sabia da presença de tropas de elite francesas na Líbia.

Cinco anos depois da queda do ditador Muamar Kadafi, a Líbia vive em estado de anarquia, com milícias rivais disputando o poder, inclusive o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, e enorme quantidade de armas.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Hillary admite erro por usar e-mail pessoal como secretária de Estado

A ex-primeira-dama Hillary Rodham Clinton, candidatíssima à Casa Branca em 2016, improvisou uma entrevista coletiva confusa ontem na sede das Nações Unidas, em Nova York, para tentar justificar o uso de uma conta pessoal de correio eletrônico "por conveniência" quando era secretária de Estado no primeiro governo Barack Obama (2009-13). Ela entregou todas as mensagem, menos as de natureza "privada", como se lhe coubesse esse julgamento.

"Seria melhor ter usado uma conta do governo", admitiu Hillary, depois de afirmar que não usou sua conta pessoal para enviar material sigiloso nem violou nenhuma regra da administração pública dos Estados Unidos, informou o jornal The Washington Post.

A Casa Branca recomenda que os funcionários do Poder Executivo usem contas do governo, inclusive por questões de segurança. "Pensei que usando um equipamento só seria mais fácil", alegou a favorita do Partido Democrata para concorrer à Presidência dos EUA em 2016. Sua candidatura, a ser lançada em abril, já dá munição aos adversários.

Hillary entregou ao Departamento de Estado em dezembro mais de 60 mil mensagens de trabalho recebidas na sua conta pessoal entre março de 2009, quando foi empossada secretária de Estado, e o início de 2013, com a exceção das de "natureza privada", como o casamento da filha ou a morte da mãe.

"Para qualquer funcionário público, é sua responsabilidade determinar o que é pessoal e o que é trabalho", argumentou a ex-secretária de Estado. "Ninguém quer tornar públicas suas mensagens pessoais. Acredito que a maioria das pessoas entende e respeita essa privacidade. Não havia razão para salvar tudo."

De 62.320 mensagens, 31.830 foram consideradas privadas por Hillary e assessores jurídicos. São 55 mil páginas impressas. O problema é que há um evidente conflito de interesses no julgamento do que é ou não de interesse publico, especialmente no caso de uma candidata à Presidência dos EUA.

Há anos, oposição republicana tenta responsabilizar os cortes de gastos pelas falhas de segurança no Consulado Americano em Bengázi, na Líbia, que levaram à morte do embaixador e outros três americanos em 11 de setembro de 2012.

Com a revelação na semana passada de que Hillary usou uma conta pessoal, o deputado republicano Mike Pompeo, da comissão parlamentar de inquérito sobre o ataque terrorista, pediu uma auditoria externa sobre as mensagens excluídas pela ex-secretária.

Essa confusão entre o público e o privado traz de volta a memória dos escândalos do governo Bill Clinton (1993-2001) e será explorada pelos adversários de Hillary mesmo antes do anúncio oficial de sua candidatura.

domingo, 7 de dezembro de 2014

General Hifter será nomeado comandante do Exército da Líbia

A Câmara dos Deputados da Líbia, o parlamento reconhecido internacionalmente, vai indicar nos próximos dias o general Khalifa Hifter para comandante do Exército, informou a televisão pública britânica BBC.

Desde outubro de 2014, o general Hifter coordena as forças leais ao governo provisório nos combates contra milícias islamitas na capital, Trípoli, e na segunda maior cidade do país, Bengázi. Sob pressão dos jihadistas, os deputados fugiram da capital e se reúnem na cidade de Tobruk, enquanto o velho parlamento, leal às milícias islamitas, faz sessões na capital.

Desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em 2011, a Líbia não tem um governo estável. Kadafi desinstitucionalizou o país, colocando tudo sob seu controle. Por medo de golpes militares, não tinha nem Forças Armadas organizadas.

Com uma população pequena, de apenas 6,2 milhões de habitantes, e grandes jazidas de petróleo e gás natural, a Líbia tem tudo para ser um país rico. Primeiro, precisa reconstruir o Estado Nacional.

O prolongado conflito na Líbia aumentou o tráfico de armas no Norte da África, com reflexo sobre os países do Sahel, onde aumentou o terrorismo de grupos aliados ideologicamente à rede terrorista Al Caeda, na Nigéria, no Mali, na República Centro-Africana e na Somália. Agora, aliados do Estado Islâmico do Iraque e do Levante declararam que Derna é a primeira cidade líbia a aderir ao Califado.

Na semana passada, oficiais do Pentágono, o Departamento da Defesa dos Estados Unidos manifestaram preocupação com a existência de centros de treinamento do Estado Islâmico no deserto da Líbia, onde pelo menos 200 jihadistas estariam sendo preparados para a "guerra santa" contra os infiéis - todos que não comungarem com sua versão extremada do Corão Sagrado.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Líder d'Al Caeda na Líbia foi preso na Turquia e entregue aos EUA

O líder da rede terrorista Al Caeda na Líbia, Abdel Basset Azzouz,  foi preso no mês passado ao tentar entrar na Turquia com um passaporte falso, noticiou hoje o jornal turco Hurriyet.

Azzouz foi entregue à Jordânia, que o extraditou para os Estados Unidos, onde será julgado pela acusação de envolvimento no ataque ao consulado em Bengázi, em 11 de setembro de 2012, quando o embaixador Christopher Stevens e outros três americanos foram mortos.

Na época, em meio a uma onda de protestos contra um filme depreciativo em relação ao profeta Maomé, o Consulado Americano em Bengázi foi atacado por uma milícia extremista muçulmana no 11º aniversário dos atentados contra as Torres Gêmeas e o Pentágono.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

ONU anuncia trégua humanitária na Líbia

As milícias e governos paralelos que disputam o poder na Líbia aceitaram ontem uma proposta das Nações Unidas de um cessar-fogo para permitir a ajuda humanitária a Bengázi, a segunda maior cidade do país.

Há uma expectativa de estender a trégua, se for respeitada. A Batalha de Bengázi se intensificou em outubro, quando o general Khalifa Hifter, apoiado pelo governo provisório reconhecido internacionalmente lançou hoje ofensiva contra as milícias islamitas que tomaram a cidade.

O país vive sob o caos e anarquia desde a queda do ex-ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011.

domingo, 2 de novembro de 2014

Forças pró-governo da Líbia retomam parte de Bengázi

O Exécito da Líbia e as forças secularistas comandadas pelo general Khalifa Hifter, aliado do governo provisório, retomaram alguns bairros de Bengázi, a segunda maior cidade do país, dominada por milícias extremistas muçulmanas, noticiou hoje a televisão árabe especializada em jornalismo Al Jazira. Pelo menos 36 pessoas morreram.

Há duas semanas, o general Hifter lançou uma ofensiva para tentar recapturar regiões do país em poder das milícias islamitas. Até agora, 254 pessoas na ofensiva.

Esta luta pelo poder entre facções rivais aumenta a violência, a instabilidade e a anarquia na Líbia. Três anos depois da queda e morte do ditador Muamar Kadafi, o país tem dois parlamentos concorrentes e o governo provisório não controla as duas maiores cidades líbias.

Uma das mílicias atacadas em Bengázi foi o grupo Ansar al-Charia, acusado pelo ataque contra o Consulado dos Estados Unidos na cidade em 11 de setembro de 2012, quando o embaixador Chris Stevens e três outros cidadãos americanos foram mortos. A ofensiva governamental recapturou um quartel a caminho do aeroporto de Bengázi.

terça-feira, 17 de junho de 2014

EUA capturam suspeito do ataque em Bengázi

Um comando de operações especiais dos Estados Unidos prendeu o suposto líder do grupo terrorista que atacou o consulado americano em Bengázi em 11 de setembro de 2012, matando o embaixador e três outros funcionários americanos na Líbia, revelou há pouco o jornal The Washington Post.

Ahmed Abu Khatalla foi preso nos arredores de Bengázi, a segunda maior cidade líbia e o berço da revolução que derrubou o ditador Muamar Kadafi em 2011.

Agentes do FBI, a polícia federal dos EUA, participaram da operação secreta. O governo americano informou que Khattala está preso "num local seguro fora da Líbia".

Até hoje a oposição republicana explora o ataque em Bengázi, acusando o governo Barack Obama de ter sido negligente com a segurança do consulado no aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001. Um objetivo central é atingir a então secretária de Estado, Hillary Clinton, favorita na corrida à Casa Branca de 2016.

domingo, 18 de maio de 2014

Milícia ataca o Parlamento da Líbia

Forças rebeldes lideradas pelo general Khalifa Hafter atacaram hoje a sede do Parlamento da Líbia, em Trípoli. Moradores da área contaram ter ouvido disparos de metralhadora, de baterias antiaéreos e de granadas disparadas por morteiros. A situação é confusa.

A mesma milícia enfrenta desde sexta-feira outros grupos armados em Bengázi, a segunda maior cidade líbia. Pelo menos 70 pessoas morreram no conflito.

Desde a queda do ditador Muamar Kadafi (1969-2011), a Líbia vive num clima de anarquia. Até agora, não foi possível chegar um acordo político para criar as instituições de um país democrático.

sábado, 17 de maio de 2014

Conflito entre milícias mata 43 pessoas em Bengázi

Pelo menos 43 pessoas foram mortas desde ontem num conflito entre milícias rivais em Bengázi, a segunda maior cidade da Líbia, que foi chamada de "capital dos rebeldes" durante a luta contra o ditador Muamar Kadafi, em 2011.

De um lado, estão as forças do general reformado Khalifa Hafter, um dos comandantes militares da revolta popular. Do outro, as milícias fundamentalistas Brigada 17 de Fevereiro, Brigada Escudo Líbio Nº 1 e Ansar al-Charia. Este último grupo foi responsável pelo ataque ao Consulado Americano em Bengázi em 11 de setembro de 2012, quando o embaixador dos EUA e outros três funcionários foram mortos.

O ataque ao consulado, descrito inicialmente pelo Departamento de Estado como uma revolta popular contra um filme ofensivo ao profeta Maomé em vez de ataque terrorista, é até hoje explorado politicamente pela oposição ao presidente Barack Obama no Congresso dos EUA. Agora, é uma tentativa de atingir a então secretária de Estado, Hillary Clinton, que desponta como candidata do Partido Democrata à Casa Branca em 2016.

Em vez de se preocupar com a crise decorrente do colapso do Estado na Líbia, o Partido Republicano tenta reescrever o passado para tentar a vitória no futuro. É uma receita para o fracasso nos EUA e na Líbia.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Carro-bomba mata nove na segunda maior cidade líbia

Pelo menos nove pessoas morreram com a explosão de um carro-bomba hoje em Bengázi, a segunda maior cidade da Líbia, chamando a atenção para os problemas de segurança na transição rumo à democracia um ano e meio após a morte do ditador Muamar Kadafi.

A explosão foi próxima a um hospital.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Departamento de Estado falhou no ataque em Bengázi

Uma serie de "falhas sistêmicas"do Departamento de Estado deixou o Consulado Americano em Bengázi, na Líbia, sem condições de se defender do ataque terrorista de 11 de setembro de 2012, em que morreram o embaixador Christopher Stevens e outros três cidadãos dos Estados Unidos, concluiu uma investigação ordenada pela secretária de Estado, Hillary Clinton. Ela aceitou todas as conclusões do inquérito.

O relatório confirma que o governo Barack Obama errou ao dizer que o ataque tinha acontecido em meio a um protesto contra um filme ofensivo ao profeta Maomé e ao islamismo de modo geral. Não houve manifestação naquele dia em Bengázi, constatou a investigação, citada no jornal The Washington Post.

É munição para a oposição republicana, que tentou tirar proveito político durante a campanha, insistindo em que Obama é um presidente frágil em questões de segurança e defesa.

Durante um debate na campanha eleitoral, o presidente não respondeu a uma pergunta sobre um pedido de reforço na segurança do consulado em Bengázi feito pela embaixada americana em Trípoli, que teria sido negado por contenção de despesas.

domingo, 18 de novembro de 2012

CIA aprovou declaração de Susan Rice sobre Bengázi

A Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço de espionagem dos Estados Unidos, aprovou o informe passado à embaixadora americana nas Nações Unidas, Susan Rice, sobre o ataque ao consulado em Bengázi que resultou na morte do embaixador americano na Líbia antes de suas declarações de 16 de setembro, afirmou seu ex-diretor, general David Petraeus.

Susan Rice, cotada para secretária de Estado do segundo governo Barack Obama, está sob fogo cerrado de alguns senadores republicanos interessados em criar um escândalo para manchar a imagem do presidente.

Quando o consulado foi atacado, em 11 de setembro de 2012, havia uma onda de protestos contra um filme ofensivo ao profeta Maomé produzido nos EUA. No dia seguinte, a análise das imagens mostrava realidades bem diferentes no Cairo, onde a Embaixada Americana foi cercada por uma multidão irada que subiu no muro, rasgou e queimou a bandeira, e em Bengázi, onde o consulado foi alvo de metralhadoras, foguetes e granadas.

Os republicanos alegam que Rice tentou encobrir o que foi de fato um ataque terrorista, como se o governo Obama quisesse abafar o caso.

Para o presidente, a reação republicana é ultrajante. A campanha eleitoral acabou. Os republicanos deveriam examinar o resultado das urnas e perceber que não devem hostilizar mulheres e minoriais raciais.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Obama quer manter corte de impostos para classe média

Ao comentar hoje as negociações com o Congresso para evitar que os Estados Unidos caiam num "abismo fiscal", o presidente Barack Obama pediu a prorrogação imediata dos cortes de impostos para a classe média, deixando para discutir a tributação dos 2% mais ricos, que ganham mais de US$ 250 mil (R$ 500 mil) por ano, e outras medidas para depois.

Se a Casa Branca e o Capitólio não chegarem a um acordo até o fim do ano, acabam os cortes de impostos dos governos de George W. Bush (2001-9) e entram em vigor reduções de despesas governamentais para conter o déficito público. Sairiam de circulação US$ 600 bilhões. Os EUA correriam o risco de cair num "abismo fiscal". Isso seria fatal para a frágil recuperação econômica do país. Traria a recessão de volta.

Em sua primeira entrevista coletiva em oito meses, Obama afirmou que não houve vazamento de informações classificadas no escândalo sexual envolvendo os generais David Petraeus, ex-diretor-geral da CIA e ex-comandante militar no Iraque e no Afeganistão, e John Allen, atual comandante militar no Afeganistão, nomeado para comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança liderada pelos EUA. Foi o destaque do jornal The Washington Post.

O presidente acusou os senadores republicanos John McCain e Lindsay Graham de jogar para a plateia quando ameaçam vetar uma possível indicação da embaixadora dos EUA nas Nações Unidos, Susan Rice, para secretária de Estado, em substituição a Hillary Clinton, que não fica no segundo governo Obama.

Rice, que é negra, é acusada pela oposição republicana de dar declarações equivocadas logo após o ataque contra o consulado americano em Bengázi em 11 de setembro de 2012, quando morreu o embaixador dos EUA na Líbia. No primeiro momento, a ação foi atribuída a manifestantes que estariam protestando contra um filme ofensivo ao Islã e ao profeta Maomé, mas logo ficou evidente que ninguém vai a um protesto com metralhadoras, foguetes e morteiros.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Manifestantes atacam milícia que matou embaixador

Dezenas de milhares de líbios do movimento popular que derrubou a ditadura de Muamar Kadafi marcharam hoje em Bengázi até a sede da milicia fundamentalista Ansar al-Charia, responsável pelo ataque ao Consulado dos Estados Unidos que resultou na morte do embaixador Christopher Stevens. Centenas atacaram a milícia.

Os manifestantes querem expulsar as milícias da cidade-símbolo da revolução na Líbia para que o novo regime não seja sequestrado por gangues de terroristas. A massa saiu às ruas para defender a democracia conquistada depois de 42 anos da ditadura cruel e personalista de Kadafi.

As bandeiras da milícia foram arrancadas e um carro incendiado, reportou a agência Reuters, citada pela TV pública britânica BBC.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Obama promete não recuar diante de corpos de americanos mortos na Líbia

O presidente Barack Obama afirmou hoje que "os Estados Unidos não vão recuar", ao receber há pouco na Base Aérea de Andrews, no estado de Maryland, perto de Washington, os corpos dos quatro americanos mortos no ataque ao Consulado Americano em Bengázi, na Líbia, em 11 de setembro de 2012, inclusive do embaixador Christopher Stevens.

Primeiro, falou a secretária de Estado, Hillary Clinton, insistindo em que o governo americano não tem nada a ver com o filme maldito pelos muçulmanos por ridicularizar sua religião e o profeta Maomé.Hillary chamou Inocência dos Muçulmanos de uma "provocação cínica para provocar raiva, violência e conflito". Mas nada justifica, acrescentou, atacar representações diplomáticas.

Depois de Hillary, o presidente Barack Obama presta sua homenagem aos mortos, em tom grave e sério: "Steven era tudo o que os EUA queriam ter como embaixador. Visitou a primeira vez a região como um jovem voluntário. (...) Hoje, Steve volta para casa. Eles serviram os EUA.Tinham uma missão. Conheciam os perigos e os abraçaram. Viveram os ideais americanos: coragem, esperança e idealismo. Podemos deixar este mundo um pouco melhor. Hoje queremos realmente honrar a memória deles."

Com as massas de muçulmanos enfurecidos investindo contra representações diplomáticas ocidentais, Obama foi ainda mais sóbrio, mas reafirmou que os EUA não vão recuar: "As perdas e imagens horríveis dos últimos dias mostram que estes são dias difíceis. Tanta raiva e violência, mas entre todas as imagens desta semana lembro dos líbios que saíram para a rua para agradecer ao embaixador por trabalho pela libertação da Líbia com cartazes que diziam: 'Chris Stevens era um amigo do povo líbio'.

"É esta mensagem que mandamos ao mundo", acrescentou Obama. "Nós nos preocupamos com eles e com a liberdade. Os EUA nunca vão recuar. Para vocês, amigos e colegas, e para todos os americanos, o sacrifício deles nunca será esquecido. Levaremos à Justiça os responsáveis. Protegeremos nossos diplomatas. Vamos manter a cooperação, mas os países têm a obrigação de garantir a segurança [de embaixadas e consulados]. Somos americanos. Mantemos nossa cabeça erguida. Por causa de vocês, este país sempre vai brilhar neste mundo. A bandeira que vocês serviram agora os traz para casa."

Todos eram militares. As circunstâncias em que eles morreram ainda não foram explicadas. Podem ter morrido no incêndio causado por um foguete ou ter sido assassinados pelo grupo radical que atacou o consulado em Bengázi com metralhadoras e lança-foguetes.

Os EUA não têm alternativa. Para não perder ainda mais influência na região, precisam manter o engajamento com os novos governos islâmicos surgidos da Primavera Árabe. Como reconheceu o ex-porta-voz do Departamento de Estado no governo Clinton, James Rubin, em entrevista à CNN, "os EUA têm pouca influência no debate político interno destes países, mas podem influenciar na margem, apoiando os grupos que defendam os valores da democracia liberal".

No Egito, a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista do mundo, que ganhou as eleições parlamentares e presidencial com seu Partido da Justiça e Liberdade, convocou dois protestos contra o filme. A princípio, a reação do presidente Mohamed Mursi foi dúbia, a ponto de Obama comentar que "o Egito não é um país amigo, mas também não é inimigo".

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Ataque a consulado mata embaixador dos EUA na Líbia

O embaixador dos Estados Unidos na Líbia, Christopher Stevens, e três funcionários consulares morreram ontem durante um ataque de foguetes ao Consulado Americano em Bengázi, a segunda maior cidade do país. Inicialmente a informação e de que eles teriam sido sufocados por um incêndio causado por manifestantes. Depois, surgiu uma versão de que teriam sido baleados quando saíam do local.

Era supostamente um protesto contra um filme produzido nos EUA e divulgado na Internet considerado ofensivo ao profeta Maomé. Mas o governo americano suspeita que a ação tenha sido planejada, reporta o jornal The New York Times.

A onda de protestos começou no Egito, onde a Embaixada dos EUA foi atacada e sua bandeira queimada depois que trechos do filme foram divulgados na televisão egípcia. Já está sendo comparada às manifestações de massa realizadas no fim de 2005 e início de 2006 contra a publicação de caricaturas de Maomé num jornal dinamarquês de extrema direita.

O blogue The Lede, do NY Times, está acompanhando os protestos no mundo muçulmano.

Inocência dos Muçulmanos, um filme menor ridicularizando o profeta Maomé lançado em julho passado, praticamente não foi notado até uma versão dublada em árabe ser jogada no YouTube. Só idiotas como o pastor Terry Jones, aquele que pretendia queimar cópias do Corão em 11 de setembro, ajudaram a promover a obra, de péssima qualidade.

Agora, o diretor Sam Bacile está escondido e teme por sua vida. Inicialmente foi dito que se tratava de um israelense naturalizado americano. Depois, soube-se que ele é um cristão copta egípcio de nome Nakoula Basseley Nakoula.

O consulado de Bengázi teria sido alvo de uma milícia conservadora em questões sociais, sob o argumento de que, se a liberdade de expressão não tem limites nos EUA, a reação deles também não precisar ter, dizia a primeira versão sobre o motivo do ataque.

Mas o governo provisório da Líbia atribuiu a ação a grupos leais ao ditador Muamar Kadafi, deposto e assassinado no ano passado, que estariam revoltados com a prisão do chefe do serviço secreto do antigo regime.

Para os analistas americanos que examinaram as imagens dos protestos, a manifestação do Cairo parecia uma ação espontânea de uma multidão enfurecida. Algumas pessoas escalaram o muro da embaixada, arrancaram a bandeira e tocaram fogo nela como em tantas manifestações de massa contra os EUA.

Em Bengázi, o ataque ao consulado foi feito com metralhadoras e lançadores de foguetes. Não são armas de uma massa irada, mas de um grupo com alguma organização e muito poder de fogo.

O presidente Barack Obama confirmou as mortes, descreveu o incidente como "um ataque ultrajante" e prometeu levar os responsáveis à Justiça em colaboração com o governo líbio. A oposição republicana aproveitou a oportunidade para acusar o governo de "baixar a guarda" no dia 11 de setembro, décimo-primeiro aniversário dos atentados terroristas contra os EUA.

A reação do candidato Mitt Romney foi considerada exagerada e contraproducente ao culpar o governo por um ataque totalmente inesperado. Quando morrem cidadãos americanos, o luto nacional deve ser coletivo e não partidarizado.

Vinte e quatro horas antes dos ataques, a rede terrorista Al Caeda divulgou declaração via Internet. O líder Ayman al-Zawahiri confirmou a morte de seu subcomandante, o líbio Abu Yahya al-Libi, num ataque com um aparelho não tripulado dos EUA e pediu aos líbios vingança.