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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Líbia manda milícias entregar as armas e se dissolver

Sob pressão da opinião pública desde a morte do embaixador americano Christopher Stevens, o presidente da Assembleia Nacional, Mohamed Magrief, e o comandante do Exército da Líbia, Yussef al-Mangoush deram 24 horas no sábado para que todas as milícias "ilegítimas" entregam as armas e se dissolvam.

Na sexta-feira, dezenas de milhares de líbios que participaram do movimento popular que derrubou há um ano o ditador Muamar Kadafi saíram às ruas para protestar contra a ação antidemocrática das milícias, especialmente do grupo salafista Ansar al Charia, acusado pelo ataque ao Consulado dos Estados Unidos em Bengázi, onde morreu o embaixador.

domingo, 16 de setembro de 2012

Líbia prende 50 suspeitos da morte do embaixador

As autoridades da Líbia prenderam e interrogaram cerca de 50 suspeitos da morte do embaixador americano Christopher Stevens e três assessores num ataque ao Consulado dos Estados Unidos em Bengázi, segunda maior cidade do país.

Entre os presos, há estrangeiros da Argélia e do Máli, disse Muhamed al-Magariaf, presidente do Congresso Nacional da Líbia, em entrevista ao programa Face the Nation da TV americana CBS. Todos seriam membros ou simpatizantes da rede terrorista Al Caeda, informa a TV americana CNN.

sábado, 15 de setembro de 2012

Al Caeda reivindica ataque ao consulado dos EUA

Al Caeda na Península Arábica, um dos principais ramos da rede terrorista criada por Ossama ben Laden, reivindicou a responsabilidade pelo ataque contra o Consulado dos Estados Unidos em Bengázi, a segunda maior cidade da Líbia, no dia 11 de setembro de 2012, quando o embaixador Christopher Stevens e três assessores foram mortos.

Em nota, a rede terrorista declarou que foi uma vingança pela morte do subcomandante d'al Caeda, Abu Yahya al-Libi, e pediu aos militantes que continuem os ataques até o fechamento de todas as embaixadas americanas em países muçulmanos.

Uma onda de protestos varre o mundo islâmico por causa da Inocência dos Muçulmanos, um filme de quinta categora produzido nos EUA para ridicularizar o profeta Moamé e sua religião. Hoje a violência chegou ao Reino Unido e à Austrália, dois importantes aliados dos EUA. Mas o ataque ao consulado em Bengázi com metralhadoras e lança-foguetes não parecia uma manifestação espontânea, mas uma ação organizada.

Al-Libi era líbio. Ao reconhecer sua morte, o atual líder da rede terrorista, o médico egípcio Ayman al-Zawahiri pediu aos líbios que o vingassem. Como o país está cheio de grupos armados desde a revolta que acabou com a ditadura do coronel Muamar Kadafi há um ano, há uma grande quantidade de armas nas mãos da população.

Em entrevista à TV americana CNN, o ex-porta-voz do Departamento de Estado no governo Bill Clinton, James Rubin, observou que a rede terrorista é forte no Iêmen, para onde seus militantes foram para fugir da repressão na Arábia Saudita, e também na Argélia, no Máli e no Níger, mas não na Líbia. Mas admitiu a existência de grupos radicais que seguem a ideologia assassina de Ben Laden.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Obama promete não recuar diante de corpos de americanos mortos na Líbia

O presidente Barack Obama afirmou hoje que "os Estados Unidos não vão recuar", ao receber há pouco na Base Aérea de Andrews, no estado de Maryland, perto de Washington, os corpos dos quatro americanos mortos no ataque ao Consulado Americano em Bengázi, na Líbia, em 11 de setembro de 2012, inclusive do embaixador Christopher Stevens.

Primeiro, falou a secretária de Estado, Hillary Clinton, insistindo em que o governo americano não tem nada a ver com o filme maldito pelos muçulmanos por ridicularizar sua religião e o profeta Maomé.Hillary chamou Inocência dos Muçulmanos de uma "provocação cínica para provocar raiva, violência e conflito". Mas nada justifica, acrescentou, atacar representações diplomáticas.

Depois de Hillary, o presidente Barack Obama presta sua homenagem aos mortos, em tom grave e sério: "Steven era tudo o que os EUA queriam ter como embaixador. Visitou a primeira vez a região como um jovem voluntário. (...) Hoje, Steve volta para casa. Eles serviram os EUA.Tinham uma missão. Conheciam os perigos e os abraçaram. Viveram os ideais americanos: coragem, esperança e idealismo. Podemos deixar este mundo um pouco melhor. Hoje queremos realmente honrar a memória deles."

Com as massas de muçulmanos enfurecidos investindo contra representações diplomáticas ocidentais, Obama foi ainda mais sóbrio, mas reafirmou que os EUA não vão recuar: "As perdas e imagens horríveis dos últimos dias mostram que estes são dias difíceis. Tanta raiva e violência, mas entre todas as imagens desta semana lembro dos líbios que saíram para a rua para agradecer ao embaixador por trabalho pela libertação da Líbia com cartazes que diziam: 'Chris Stevens era um amigo do povo líbio'.

"É esta mensagem que mandamos ao mundo", acrescentou Obama. "Nós nos preocupamos com eles e com a liberdade. Os EUA nunca vão recuar. Para vocês, amigos e colegas, e para todos os americanos, o sacrifício deles nunca será esquecido. Levaremos à Justiça os responsáveis. Protegeremos nossos diplomatas. Vamos manter a cooperação, mas os países têm a obrigação de garantir a segurança [de embaixadas e consulados]. Somos americanos. Mantemos nossa cabeça erguida. Por causa de vocês, este país sempre vai brilhar neste mundo. A bandeira que vocês serviram agora os traz para casa."

Todos eram militares. As circunstâncias em que eles morreram ainda não foram explicadas. Podem ter morrido no incêndio causado por um foguete ou ter sido assassinados pelo grupo radical que atacou o consulado em Bengázi com metralhadoras e lança-foguetes.

Os EUA não têm alternativa. Para não perder ainda mais influência na região, precisam manter o engajamento com os novos governos islâmicos surgidos da Primavera Árabe. Como reconheceu o ex-porta-voz do Departamento de Estado no governo Clinton, James Rubin, em entrevista à CNN, "os EUA têm pouca influência no debate político interno destes países, mas podem influenciar na margem, apoiando os grupos que defendam os valores da democracia liberal".

No Egito, a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista do mundo, que ganhou as eleições parlamentares e presidencial com seu Partido da Justiça e Liberdade, convocou dois protestos contra o filme. A princípio, a reação do presidente Mohamed Mursi foi dúbia, a ponto de Obama comentar que "o Egito não é um país amigo, mas também não é inimigo".

Muçulmanos atacam outras embaixadas ocidentais

A onda de protesto contra o filme repulsivo Inocência dos Muçulmanos chegou hoje à Índia, à Indonésia, à Nigéria e ao Quênia, atingindo um total de 20 países e causando pelo menos 11 mortes nesta sexta-feira, o feriado religioso semanal do islamismo. No Sudão, manifestantes atacaram as embaixadas da Alemanha e do Reino Unido, países que nada têm a ver com a produção do filme.

Isso indica que grupos antiocidentais podem estar aproveitando o momento para tentar reduzir a influência do Ocidente e do liberalismo político nas jovens democracias que brotaram da Primavera Árabe.

No Líbano, uma multidão atacou a lanchonete americana Kentucky Fried Chicken em Trípoli, a segunda maior cidade do país. A polícia reagiu e uma pessoa morreu, no dia em que o papa Bento XVI chega a Beirute para pregar a paz e a tolerância entre cristãos, muçulmanos e judeus.

No Egito, cerca de 500 manifestantes tentaram atacar a Embaixada dos EUA, que fica no Centro do Cairo, num canto da Praça da Libertação, mas foram contidos pela polícia. Um grupo mais radical ainda tenta furar o bloqueio.

Em Saná, no Iêmen, a polícia atirou para o ar para dispersar os manifestantes.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Ataque a consulado mata embaixador dos EUA na Líbia

O embaixador dos Estados Unidos na Líbia, Christopher Stevens, e três funcionários consulares morreram ontem durante um ataque de foguetes ao Consulado Americano em Bengázi, a segunda maior cidade do país. Inicialmente a informação e de que eles teriam sido sufocados por um incêndio causado por manifestantes. Depois, surgiu uma versão de que teriam sido baleados quando saíam do local.

Era supostamente um protesto contra um filme produzido nos EUA e divulgado na Internet considerado ofensivo ao profeta Maomé. Mas o governo americano suspeita que a ação tenha sido planejada, reporta o jornal The New York Times.

A onda de protestos começou no Egito, onde a Embaixada dos EUA foi atacada e sua bandeira queimada depois que trechos do filme foram divulgados na televisão egípcia. Já está sendo comparada às manifestações de massa realizadas no fim de 2005 e início de 2006 contra a publicação de caricaturas de Maomé num jornal dinamarquês de extrema direita.

O blogue The Lede, do NY Times, está acompanhando os protestos no mundo muçulmano.

Inocência dos Muçulmanos, um filme menor ridicularizando o profeta Maomé lançado em julho passado, praticamente não foi notado até uma versão dublada em árabe ser jogada no YouTube. Só idiotas como o pastor Terry Jones, aquele que pretendia queimar cópias do Corão em 11 de setembro, ajudaram a promover a obra, de péssima qualidade.

Agora, o diretor Sam Bacile está escondido e teme por sua vida. Inicialmente foi dito que se tratava de um israelense naturalizado americano. Depois, soube-se que ele é um cristão copta egípcio de nome Nakoula Basseley Nakoula.

O consulado de Bengázi teria sido alvo de uma milícia conservadora em questões sociais, sob o argumento de que, se a liberdade de expressão não tem limites nos EUA, a reação deles também não precisar ter, dizia a primeira versão sobre o motivo do ataque.

Mas o governo provisório da Líbia atribuiu a ação a grupos leais ao ditador Muamar Kadafi, deposto e assassinado no ano passado, que estariam revoltados com a prisão do chefe do serviço secreto do antigo regime.

Para os analistas americanos que examinaram as imagens dos protestos, a manifestação do Cairo parecia uma ação espontânea de uma multidão enfurecida. Algumas pessoas escalaram o muro da embaixada, arrancaram a bandeira e tocaram fogo nela como em tantas manifestações de massa contra os EUA.

Em Bengázi, o ataque ao consulado foi feito com metralhadoras e lançadores de foguetes. Não são armas de uma massa irada, mas de um grupo com alguma organização e muito poder de fogo.

O presidente Barack Obama confirmou as mortes, descreveu o incidente como "um ataque ultrajante" e prometeu levar os responsáveis à Justiça em colaboração com o governo líbio. A oposição republicana aproveitou a oportunidade para acusar o governo de "baixar a guarda" no dia 11 de setembro, décimo-primeiro aniversário dos atentados terroristas contra os EUA.

A reação do candidato Mitt Romney foi considerada exagerada e contraproducente ao culpar o governo por um ataque totalmente inesperado. Quando morrem cidadãos americanos, o luto nacional deve ser coletivo e não partidarizado.

Vinte e quatro horas antes dos ataques, a rede terrorista Al Caeda divulgou declaração via Internet. O líder Ayman al-Zawahiri confirmou a morte de seu subcomandante, o líbio Abu Yahya al-Libi, num ataque com um aparelho não tripulado dos EUA e pediu aos líbios vingança.