Mostrando postagens com marcador Desarmamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Desarmamento. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de setembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 25 de Setembro

 CONGRESSO APROVA DIREITOS FUNDAMENTAIS

    Em 1789, o Congresso aprova as 12 primeira emendas à Constituição dos Estados Unidos, inspiradas pela Lei de Direitos de 1689 na Inglaterra e consideradas em conjunto uma declaração de direitos fundamentais: liberdade de imprensa, liberdade religiosa, liberdade de associação, direito de processar o Estado, direito de portar armas, direito de ficar em silêncio para não se incriminar, entre outros.

Como a Constituição exige ratificação por 75% dos estados, as emendas são encaminhadas para ratificação, processo concluído em dezembro de 1791. Duas emendas não são ratificadas.

Emenda nº 1 (liberdade de religião, de expressão, de imprensa, de associação e de processar o governo): “O Congresso não legislará a respeito do estabelecimento de uma religião, ou proibindo seu livre exercício; ou abreviando a liberdade de expressão ou de imprensa; ou do direito de associação para fins pacíficos, e de peticionar o governo para reparar danos.”

Emenda nº 2 (direito de portar armas): “Uma milícia bem regulada, sendo necessária para a segurança de um Estado livre, e o direito das pessoas que possuir e portar armas, não devem ser penalizadas.

Emenda nº 3 (abrigo a soldados): “Nenhum soldado deve, em tempo de paz, ser aquartelado em nenhuma casa sem o consentimento do dono, nem em tempo de guerra, a não ser em maneira prevista em lei.

Emenda nº 4 (mandados de busca e prisão): “O direito das pessoas à proteção pessoal, de suas casas, documentos e bens contra buscas e apreensões irrazoáveis não deve ser violado, e nenhum mandado deve ser emitido sem uma causa provável, apoiada por um juramento ou afirmação, e especialmente descrevendo o local a ser revistado e as pessoas e coisas a serem apreendidas.

Emenda nº 5 (direitos em casos criminais): “Nenhuma pessoa deve responder por um crime capital, ou infame de outra sorte, a não ser na presença ou sob denúncia de um Grande Júri, à exceção de casos surgidos nas forças terrestres ou navais, ou numa milícia, quando em serviço em tempo de guerra ou diante de grave ameaça; nenhuma pessoa deve ser julgada duas vezes pela mesma ofensa; nem deve ser compelida em nenhum processo criminal a ser testemunha contra si mesma, nem privada de sua vida, liberdade ou propriedade sem o devido processo legal; nem a propriedade privada deve ser tomada para uso público sem a devida compensação.

Emenda nº 6 (direito a um julgamento justo): “Em processos criminais, o acusado deve ter direito a um julgamento público e rápido, por um júri estadual ou distrital onde o crime foi cometido, distrito previamente definido por lei, e de ser informado sobre a natureza e a causa da acusação; de ser confrontando com as testemunhas contra ele; de apresentar testemunhas em seu favor, e de ter a assistência de um advogado de defesa.

Emenda nº 7 (direitos em casos civis): “Em casos de direito consuetudinário onde o valor da controvérsia exceda vinte dólares, o direito de julgamento por júri deve ser preservado, e nenhum caso julgado por júri deverá ser reexaminado por qualquer tribunal dos EUA, a não ser nos termos da lei.

Emenda nº 8 (fiança, multas e punições): “Não devem ser exigidas finanças excessivas, nem impostas multas excessivas, nem infligidas punições cruéis e incomuns.

Emenda nº 9 (direitos devidos ao povo): “A enumeração de certos direitos pela Constituição não deve ser interpretada para negar ou depreciar outros direitos devidos ao povo.”

Emenda nº 10 (poderes dos estados e do povo): “Os poderes não delegados aos EUA, nem proibidos aos estados, estão reservados respectivamente aos estados ou ao povo.”

CÚPULA EUA-URSS

    Em 1959, durante a Guerra Fria, no fim de uma visita aos Estados Unidos, o líder da União Soviética, Nikita Kruschev (1954-64), faz uma reunião de dois dias com o presidente Dwight Eisenhower (1953-61). 

Os dois dirigentes se entendem sobre uma série de questões, mas a espionagem e o abate de um avião-espião americano U-2, em maio de 1960, acabam com a esperança de melhora nas relações entre as duas superpotências.

Os EUA e a URSS chegariam ao momento mais tenso e perigoso de 14 a 27 de outubro de 1962, na Crise dos Mísseis em Cuba, quando o governo John Kennedy (1961-63) impõe um bloqueio aeronaval à ilha e ameaça invadir o país para impedir a instalação de mísseis nucleares soviéticos.

Os mísseis só foram descobertos por um U-2 porque estavam expostos antes da instalação do sistema de defesa antiaérea que permitiria derrubar o avião-espião. Em 27 de outubro, quando a URSS cede e Kruschev faz um acordo com Kennedy, Cuba derruba um U-2, mas a crise está desarmada. 

IRA SE DESARMA

    Em 2005, sete anos depois do Acordo de Paz na Sexta-Feira Santa e dois dois anos depois de anunciar a intenção de se desarmar, o Exército Republicano Irlandês (IRA) entrega armas escondidas em locais secretos a uma comissão independente de desarmamento.

Quando a Irlanda se tornou independente do Reino Unido, em 1922, seis condados da Província do Úlster continuaram sob o domínio britânico. O IRA, fundado em 1917, manteve a determinação de lutar pela libertação total e a reunificação do país.

A discriminação dos católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses na Irlanda do Norte pega fogo nos anos 1960. Com o aumento da agitação social e da violência política, o Exército Real britânico intervém na Irlanda do Norte em agosto de 1969.

O IRA então se divide e o IRA provisório volta à luta armada, iniciando a guerra civil na Irlanda do Norte, que mataria 3,5 mil pessoas nos próximos 30 anos. A demora em entregar as armas depois do acordo de 1998 atrasou a implementação do plano de paz.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Coreia do Norte admite desnuclearização sem retirada das forças dos EUA

O ditador Kim Jong Un não vai exigir a retirada das forças dos Estados Unidos da Coreia do Sul para abrir mão das armas nucleares da Coreia do Norte, afirmou hoje o presidente sul-coreano, Moon Jae In. Era um obstáculo importante. Kim também acenou com a possibilidade de negociar um acordo de paz, 65 anos depois do fim da Guerra da Coreia (1950-53).

Há décadas, o regime comunista norte-coreano exigia a retirada total dos hoje 28,5 mil soldados americanos estacionados na Península Coreana; não reconhecia os governos da Coreia do Sul e do Japão, descritos como "fantoches dos EUA"; reivindicava a soberania sobre toda a Península Coreana; e só aceitava negociar diretamente com Washington.

Desde o fim da Guerra Fria e da União Soviética, em 1991, a ditadura stalinista de Pyongyang faz uma chantagem atômica. Começou usando o programa nuclear para barganhar energia e alimentos para sustentar sua economia falida.

Como os EUA jamais aceitaram a exigência de uma retirada total, as negociações não avançaram. Em décadas de negociações frustradas, a Coreia do Norte chegou a destruir o reator do Centro de Pesquisas Nucleares de Yongbion, mas, desde 2006, fez seis testes nucleares, três desde a ascensão de Kim Jong Un, em dezembro de 2011.

A expectativa de desarmamento da ditadura stalinista é a grande razão para Trump ir à Coreia do Norte. Será o primeiro encontro de cúpula dos dois países. Na Semana Santa, Trump enviou o diretor-geral da CIA (Agência Central de Inteligência) e secretário de Estado designado, Mike Pompeo, a Pyongyang para avaliar o compromisso de Kim com negociações de desarmamento nuclear.

Nos últimos dias, Trump comentou que Pompeo "estabeleceu um bom relacionamento" com o governo norte-coreano. O encontro com Kim está previsto para fim de maio ou início de junho, mas o presidente americano ainda ameaça não ir.

Ao receber ontem o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, na Casa Branca, o presidente Donald Trump ameaçou não realizar e até abandonar a esperada reunião de cúpula com Kim se a questão central da desnuclearização não estiver na mesa.

O Japão não quis ficar de fora de uma negociação que vai definir o futuro geopolítico da região. Abe pediu a Trump que fale dos japoneses sequestrados há décadas pelo regime norte-coreanos, uma questão muito importante e sensível no Japão.

Em Seul, o presidente Moon está otimista: "Os norte-coreanos não apresentaram qualquer condição inaceitável para os EUA, como a retirada das tropas americanas da Coreia do Sul. Eles só falaram sobre o fim das hostilidades contra o país e a necessidade de garantias de segurança. Os planos para o diálogo entre o Norte e os EUA devem avançar porque isto está claro."

Moon se encontra com Kim em 27 de abril. No início do mês passado, quando um enviado especial do Sul esteve com o ditador de Pyongyang, Kim teria dito que a Coreia do Norte não precisaria de armas nucleares se não se sentisse "ameaçada militarmente" e recebesse "garantias de segurança".

Em 2016, o regime norte-coreano reafirmou que os EUA deveria retirar suas tropas da Coreia se quisessem a desnuclearização da península. A mudança de posição é fundamental para o sucesso das negociações. Como lembrou Moon, mantendo a cautela, "o diabo está nos detalhes".

terça-feira, 10 de outubro de 2017

FARC se registram como partido para disputar eleições de 2018

Altos dirigentes das agora desmobilizadas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) registraram o grupo oficialmente ontem no Conselho Nacional Eleitoral, em Bogotá, como partido político, um dos pontos centrais do acordo de paz para acabar com quase 70 anos de guerra civil no país. O novo partido, as Forças Alternativas Revolucionárias do Comum, mantém a sigla FARC.

"Entregamos toda a documentação, inclusive o certificado de entrega das armas do Mecanismo de Monitoramento das Nações Unidas e os outros documentos exigidos pela legislação", declarou o dirigente Jairo Estrada.

Os ex-guerrilheiros preparam agora lista de candidatos do partido à Câmara e ao Senado. Ainda não decidiram se lançam candidato à Presidência. O subcomandante Iván Márquez, principal negociador das FARC, disse que o grupo está pronto a trabalhar com outros partidos para "superar a ordem social antiga e injusta".

Mais de 500 mil pessoas morreram desde que o assassinato do candidato liberal à Presidência da Colômbia Jorge Eliécer Gaitán foi morto em Bogotá, em 9 de abril de 1948. Mais de 2 mil pessoas foram mortas nos dias seguintes, no chamado Bogotazo, e entra 200 e 300 mil na década seguinte, conhecida na Colômbia como o período de La Violencia.

Naquela época, as oposições liberais e de esquerda foram para a clandestinidade para lutar contra o conservadorismo colombiano. No meio da guerra civil, em 1964, nasceram as FARC, como braço armado do Partido Comunista Colombiano, alinhado à União Soviética.

Com o declínio do comunismo como ideologia e o fim da URSS, em 1991, as FARC acabaram se aliando a máfias do tráfico de drogas para financiar a luta armada. Isso permitiu sua sobrevivência muito além dos outros grupos guerrilheiros de esquerda que tentaram tomar o poder na América Latina.

sábado, 30 de setembro de 2017

Líder do ELN ordena cessar-fogo a partir da meia-noite

Todos os guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN), segundo maior grupo rebelde da Colômbia, receberam ordens de cessar fogo a partir da meia-noite deste sábado pela hora local, 2h da madrugada de domingo em Brasília.

A mensagem foi transmitida diretamente pelo comandante Nicolás Rodríguez Bautista, mais conhecido como Gabino, na sexta-feira à noite, através de uma das rádios rebeldes do grupo. É consequência de uma trégua anunciada em 4 de setembro por negociadores do governo colombiano e do ELN. Deve durar de 1º de outubro de 2017 a 12 de janeiro de 2018.

 "Não tenho dúvida da nossa lealdade ao cumprir este compromisso", declarou Gabino, ressaltando que todo o alto comando do ELN apoia o acordo bilateral de cessar-fogo com o governo Juan Manuel Santos. A trégua, acrescentou, trará "um alívio humanitário significativo para a população colombiana, especialmente para os pobres e moradores de zonas de conflito."

Depois do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que está na fase de desmobilização dos guerrilheiros e desarmamento, o presidente Santos negocia a paz com o segundo maior grupo armado colombiano dentro de sua estratégia de pacificação.

A guerrilha já entendeu que a luta armada não faz mais sentido. Resta acertar os termos de sua integração à sociedade civil como partido político. As FARC tinham 7 mil homens em armas. O ELN tem cerca de 1,5 mil.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Rússia tem de optar entre Irã e Síria ou EUA, diz secretário de Estado

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, chegou hoje a Moscou com uma mensagem clara ao presidente Vladimir Putin: a Rússia terá de escolher entre os Estados Unidos ou a Síria, o Irã e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).

Num ultimato a Putin, o chefe da diplomacia americana declarou em Lucca, na Itália, onde ontem participou de uma reunião do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) antes de seguir para Moscou: "Queremos aliviar o sofrimento do povo sírio. A Rússia pode ser parte deste futuro e ter um papel importante. Ou a Rússia pode manter sua aliança com este grupo, que acreditamos que não vá servir os interesses russos a longo prazo."

Tillerson conheceu Putin quando era presidente da companhia de petróleo Exxon. Agora, questiona o compromisso real da Rússia com o desarmamento químico da Síria, decidido em 2013 depois que o então presidente americano, Barack Obama, resolveu não bombardear o regime sírio depois do uso de um ataque químico que mais 1.421 pessoas em Guta, na periferia de Damasco.

Na sua opinião, não está claro se a Rússia foi incompetente ou agiu de má fé, mas para os mortos "não faz muita diferença": "A Rússia falhou ao não manter os acordos feitos com base em múltiplas resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Essas acordos estipulavam que a Rússia garantiria que a Síria não teria mais armas químicas."

A Rússia insiste em que a ditadura de Bachar Assad é o governo legítimo da Síria. Em linha com o regime, acusa todos os seus inimigos de "terroristas" e não aceita a exigência dos EUA e da Europa de que o ditador seja afastado em qualquer processo de paz. Putin não abre mão de manter o aliado Assad no poder em Damasco.

Quando assumiu, o presidente Donald Trump estava disposto a melhorar as relações com o Kremlin. Tillerson chegou a dizer que "o futuro de Assad será decidido pelos sírios". Depois do bombardeio químico da semana passada, voltou à posição de Obama, que exigia a remoção do ditador.

"Está claro para todos nós que o reino da família Assad está chegando ao fim", afirmou o secretário de Estado. "A questão é como vai terminar e como será a transição tendo em vista a durabilidade e a estabilidade de uma Síria unida."

Para aumentar ainda mais a tensão entre as superpotências da Guerra Fria, altos funcionários dos EUA acusaram a Rússia de saber do bombardeio químico, ou seja, de cumplicidade com o crime de guerra da Síria.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Colômbia volta a negociar paz com ELN em janeiro

Ao mesmo tempo em que o Congresso ratificava o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o governo colombiano anunciou ontem o reinício, em janeiro de 2017, do diálogo com o Exército de Libertação Nacional (ELN), noticiou o jornal Latin American Herald Tribune.

Em declaração divulgada em Quito, a capital do Equador, onde será realizada a primeira rodada de negociações com o ELN, os representantes do governo manifestaram a esperança de que até lá seja libertado o ex-deputado Odín Sánchez, sequestrado pelo grupo.

O início de negociações de paz entre o governo e o segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia foi anunciado em 27 de outubro, em Quito. Por causa do sequestro de Sánchez, o presidente Juan Manuel Santos não viajou ao Equador.

Em 7 de novembro, o comandante supremo do ELN, Nicolás Rodríguez Bautista, de nome de guerra Gabino, perdão para dois rebeldes capturados pelo governo para soltar o ex-deputado. O governo colombiano respondeu que qualquer perdão "deve cumprir a lei em vigor".

A Colômbia agradeceu à colaboração do Equador e ao apoio de Brasil, Chile, Cuba, Noruega e Venezuela às negociações de paz com o ELN.

Com a ratificação pelo Congresso do acordo de paz com as FARC, os cerca de 7 mil homens em armas devem se concentrar em 20 áreas determinadas e entregar as armas sob a supervisão das Nações Unidas nos próximos seis meses. Mas a guerrilha advertiu que só vai depor as armas depois da aprovação de uma anistia para 2 mil guerrilheiros presos. É a próxima batalha legislativa do presidente Santos.

A oposição ao acordo, liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, considera uma rendição a garantia de vagas no Congresso para as FARC nas duas próximas eleições, independentemente do resultado das urnas.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Rússia suspende cooperação nuclear com os EUA

Em sua guerrinha fria inconsequente contra o Ocidente, o presidente Vladimir Putin anulou por decreto um acordo entre Estados Unidos e Rússia para eliminar excedentes de plutônio que não possam ser mais usados em armas nucleares.

Ao acusar os EUA de atitude "inamistosa", Putin indica que outros acordos de desarmamento e cooperação nuclear estão sob ameaça. Até mesmo o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias, o primeiro da história a eliminar armas atômicas, assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo presidente americano, Ronald Reagan, e o último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, corre risco de ser abandonado.

Aquele acordo eliminou os mísseis nucleares de curto e médio alcance das duas superpotências. Foi um marco do fim da Guerra Fria.

Putin subiu na vida como agente da polícia política soviética, o sinistro Comitê de Defesa do Estado (KGB) e considera o fim da URSS a "maior catástrofe geopolítica do século 20". Ele foi diretor do Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB, ainda o núcleo político do regime.

Desde que chegou ao poder no Kremlin, em 1999, Putin tenta resgatar pelo menos parte do poder imperial soviético. Faz isso ressuscitando a indústria bélica, intervindo política e militarmente nas outras ex-repúblicas soviéticas e, desde o ano passado, também na guerra civil da Síria.

Com a intervenção militar na Ucrânia e a anexação da Península da Crimeia, em 2014, Putin violou o acordo de 1994 que garantia a segurança do país em troca da entrega de todas as armas nucleares da antiga URSS à Rússia. Em resposta, os EUA e a União Europeia impuseram sanções econômicas à Rússia.

Sem sombra do poder econômico das superpotências de hoje, os EUA e a China, só resta ao protoditador do Kremlin fustigar as potências ocidentais. Suas bravatas servem mais para consumo interno, mas podem levar a incidentes que provoquem uma escalada.

sábado, 24 de setembro de 2016

Conferência das FARC aprova acordo de paz com governo

A 10ª Conferência das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) aprovou ontem à noite o acordo de paz negociado nos últimos quatro anos com o governo colombiano para pôr fim a mais de 50 anos de guerra civil.

A decisão unânime foi tomada no fim da conferência convocada para preparar os guerrilheiros das FARC para entregar as armas e se reintegrar à vida civil como um partido político de esquerda com uma anistia parcial que levará alguns a tribunais especiais e à prisão. O encontro foi realizado na planície de Yari, um dos redutos dos guerrilheiros no Sul da Colômbia.

O acordo de paz será assinado em 26 de setembro de 2016 na cidade histórica de Cartagena pelo presidente Juan Manuel Santos e o líder das FARC, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelo nomes de guerra de Timoleón Jiménez e Timochenko.

Em 2 de outubro, o acordo será submetido a um referendo popular. O governo Santos e a oposição de esquerda apoiam o voto sim, enquanto a oposição conservadora linha-dura liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe defende a rejeição ao acordo, alegando que faz concessões demais aos guerrilheiros.

As pesquisas dão mais de 60% para o sim. Se o não ganhar, o governo adverte que o conflito armado pode se arrastar por mais uma década.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Colômbia e FARC anunciam o fim da guerra

Depois de 52 anos de guerra civil, o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) anunciaram hoje um acordo de cessar-fogo definitivo a ser assinado amanhã dentro das negociações realizadas há quatro em Havana, a capital de Cuba.

Além do fim definitivo das hostilidades, o acordo prevê a concentração dos guerrilheiros em 26 a 30 zonas especiais para entrega das armas e desmobilização. Não são zonas de negociação, são lugares de passagem, de trânsito para os guerrilheiros voltarem à vida civil.

O presidente Juan Manuel Santos espera assinar o acordo de paz em 20 de julho de 2016.

As negociações têm amplo apoio internacional. O governo colombiano também abriu o diálogo pela paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN), o segundo maior grupo guerrilheiro do país, até mesmo para evitar que os rebeldes das FARC simplesmente mudem de grupo.

Cerca de 220 mil pessoas foram mortas desde 1964, quando as FARC entraram na guerra civil colombiana como braço armado do Partido Comunista. Outras 45 mil desapareceram e 6,9 milhões fugiram de casa.

Desde o assassinato do candidato liberal à Presidência da Colômbia Jorge Eliécer Gaitán, em 9 de abril de 1948, mais de 500 mil pessoas foram mortas pela violência política no país. Esta é a primeira expectativa concreta de paz em décadas.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

UE admite desarmar milícias da Líbia se houver acordo de paz

A União Europeia pode ajudar a Líbia a fortalecer suas fronteiras e desarmar as milícias se houver um acordo para formar um governo de união nacional, noticiou hoje a agência Reuters citando um documento interno do bloco europeu.

O texto preparado pela comissária de Relações Exteriores da UE, a ex-chanceler italiana Federica Mogherini, foi enviada aos países-membros ontem em preparação para uma reunião realizada hoje em Bruxelas, na Bélgica.

A Líbia vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011, com milícias rivais disputando o poder. A UE é a principal mediadora do diálogo entre as diferentes facções, mas enfrenta sérios problemas internos como as crises econômica e de refugiados para investir o tempo e o dinheiro necessários para reconstruir as instituições estatais líbias.

Kadafi caiu cinco meses depois de uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para impedir o massacre de civis em caso de vitória do ditador. Mas a ONU não enviou uma missão de paz para promover a reconciliação nacional.

O resultado foi a anarquia generalizada. A produção de petróleo, maior riqueza do país, desabou. Há dois governos paralelos disputando o poder. A Líbia se tornou ponto de partida para embarcações precárias que levam refugiados e imigrantes ilegais para a Europa. E a milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante se infiltrou no país.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Irã nega acordo para transferir urânio enriquecido à Rússia

A República Islâmica do Irã desmentiu ter chegado a um acordo com os Estados Unidos para enviar urânio enriquecido excedente à Rússia dentro das negociações para desarmar o programa nuclear iraniano e evitar que o país faça armas atômicas, noticiou hoje a agência Reuters.

Ontem, citando fontes diplomáticas, a agência Associated Press (AP) disse que os EUA e o Irã teriam acertado transferir a maior parte do urânio enriquecido iraniano para a Rússia. O porta-voz do Irã alegou que a divulgação de informações falsas dificulta as negociações e um possível acordo.

O Irã não abre mão de enriquecer urânio, e os EUA acreditam que a única garantia de que não fará a bomba é não ter urânio enriquecido. Este grande impasse emperra as negociações. Como os dois países países estão numa reaproximação sem precedentes desde a Revolução Islâmica, em 1979, não querem perder o que conseguiram em melhoria das relações. Mas um acordo definitivo ainda parece distante.

domingo, 20 de julho de 2014

ETA anuncia início do desarmamento

O grupo guerrilheiro separatista ETA (Euskadi ta Askatasuna = Pátria Básca e Liberdade) anunciou hoje em nota divulgada no jornal basco Gara o começo de um processo de desarmamento que marca o fim da guerra contra a Espanha.

"Sem esperar acordos" de paz, diz a nota, a ETA afirma ter "desmontado suas estruturas logísticas e operacionais" e estar se preparando para lacrar seus arsenais .

Desde que a ETA aderiu à luta armada pela independência do País Basco, em 1968, o conflito deflagrado causou pelo menos 829 mortes. Nesse período, o grupo fez declarações de cessar-fogo em 1989, 1996, 1998, 2006 e 2010. Mais de 700 etarras estão em prisões da Espanha, da França e de outros países.

Quando a milícia voltou a atacar, explodindo um caminhonete no estacionamento do aeroporto Barajas em Madri,  em 30 de dezembro de 2006, em meio a negociações de paz, o então primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero, suspendeu o diálogo e declarou mais uma vez que a ETA era um grupo terrorista.

Em 5 de setembro de 2010, a ETA declarou a trégua em vigor até hoje. Pouco mais de um ano depois, em 20 de outubro de 2011, a guerrilha basca anunciou "a cessação definitiva das atividades armadas". Em 24 de novembro de 2012, disse estar pronto a negociar um "fim definitivo" de suas ações e se desmobilizar.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Primeiro carregamento de armas químicas deixa a Síria

O primeiro carregamento com as armas químicas desmanteladas da Síria deixou hoje o porto de Latakia num navio dinamarquês, como parte de um acordo para eliminar o arsenal químico da ditadura de Bachar Assad, informou a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

Assad concordou em entregar as armas sob pressão dos Estados Unidos, que ameaçou bombardear a Síria em retaliação a um ataque químico que matou mais de 1,4 mil pessoas na periferia de Damasco em 21 de agosto de 2013.

Com mediação da Rússia, o regime sírio aceitou entregar uma lista de fábricas e arsenais de armas químicas, alegando ser completa, o que suscita dúvidas por causa da natureza ditatorial do governo Assad. Pelo menos não as usou mais.

domingo, 15 de setembro de 2013

Síria aceita acordo entre EUA e Rússia

O governo da Síria concorda com o acordo anunciado ontem em Genebra, na Suíça, entre os Estados Unidos e a Rússia para acabar com o arsenal de armas químicas do país, declarou hoje o ministro da Reconciliação, Ali Haidar, à agência de notícias russa RIA Novosti.

Haidar atribuiu o acerto aos russos, minimizando a importância da ameaça dos EUA de bombardear a Síria como punição contra o ataque de armas químicas contra a periferia de Damasco que matou 1.429 pessoas em 21 de agosto de 2013.

Na verdade, foi o medo de um ataque americano que levou o ditador Bachar Assad a admitir que tinha armas proibidas e aceitar entregá-las às Nações Unidas para destruição. Ainda não se sabe se está blefando, mas o presidente Barack Obama promete pagar para ver.

O presidente Vladimir Putin, que também pode estar blefando para proteger o aliado, usa a crise para tentar apresentar a Rússia como uma superpotência capaz de desafiar os EUA e assim aplacar a oposição interna e desviar a atenção para os problemas econômicos do país.

Em declarações à TV Al Arabiya, da Arábia Saudita, os rebeldes pediram à sociedade internacional que proíba a ditadura de Assad de atacá-los com mísseis balísticos e a Força Aérea.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Líbia manda milícias entregar as armas e se dissolver

Sob pressão da opinião pública desde a morte do embaixador americano Christopher Stevens, o presidente da Assembleia Nacional, Mohamed Magrief, e o comandante do Exército da Líbia, Yussef al-Mangoush deram 24 horas no sábado para que todas as milícias "ilegítimas" entregam as armas e se dissolvam.

Na sexta-feira, dezenas de milhares de líbios que participaram do movimento popular que derrubou há um ano o ditador Muamar Kadafi saíram às ruas para protestar contra a ação antidemocrática das milícias, especialmente do grupo salafista Ansar al Charia, acusado pelo ataque ao Consulado dos Estados Unidos em Bengázi, onde morreu o embaixador.

quarta-feira, 24 de março de 2010

EUA e Rússia anunciam novo acordo nuclear

Os Estados Unidos e a Rússia estão prestes a fechar um acordo para reduzir os arsenais nucleares estratégicos dos dois países em um quarto. Um novo tratado de redução de armas estratégicas deve ser assinado no início de abril em Praga, na República Tcheca.

Este novo acordo vai substituir o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start-1), assinando em 1991 pelos então presidentes dos EUA, George Herbert Walker Bush, e da União Soviética, Mikhail Gorbachev, cinco meses antes do fim da superpotência comunista.

É o primeiro passo na ofensiva diplomática do presidente Barack Obama para melhorar as relações com a Rússia, de quem precisa do apoio para  impedir que o Irã faça armas nucleares.

O máximo de ogivas nucleares estratégicas (aquelas que podem atingir diretamente o inimigo) será reduzido de 2,2 mil para 1,6 mil para cada país. O total de veículos para lançamento - mísseis e aviões bombardeiros estratégicos - cai pela metade, de 1,6 mil para 800 para cada país.

Ainda faltam detalhes finais, que devem ser acertados diretamente por Obama e Medvedev. Mas os negociadores russos e americanos estão convencidos de que o Start-2 será mesmo assinado em breve em Praga.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

ONU aprova resolução para desarmamento nuclear

Em reunião de cúpula presidida pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, o Conselho de Segurança da ONU aprovou hoje uma resolução para impedir a proliferação nuclear em que as potências nucleares reafirmam o compromisso de abrir mão de suas armas atômicas.

A medida prepara as negociações para renovar o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que deve ser revisado em maio.

Na prática, o objetivo é conter a proliferação. Não há precedentes na História de grandes potências abrindo mão de seu poder. O Senado dos EUA nunca ratificou o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares, aprovado em 1996.

• O mundo tem hoje cerca de 23,5 mil armas nucleares, 13 mil russas e 9,5 mil. Também tem a bomba atômica Reino Unido, França, China, Israel, Índia e Paquistão, os três últimos contrariando o TNP. A Coreia do Norte realizou duas explosões nucleares, mas isso não significa que tenha capacidade de fazer uma bomba. O Irã já teria urânio enriquecido para fazer a bomba e estaria desenvolvimento ogivas e tecnologia de mísseis. A oposição iraniana diz ter identificado mais duas instalações nucleares.

• O diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, disse que houve pelo menos 200 tentativas de roubo e tráfico de material nuclear no ano passado.