O regime comunista da Coreia do Norte tem cerca de 50 quilos de plutônio, suficientes para fabricar 10 bombas atômicas, de acordo com um novo Livro Branco divulgado hoje pelo Ministério da Defesa da Coreia do Sul, reportou a agência de notícias sul-coreana Yonhap.
No relatório anterior, do fim de 2014, o governo sul-coreano estimava em 40 quilos o estoque de plutônio da Coreia do Norte. A nova avaliação estima que o regime stalinista de Pionguiangue avançou também na capacidade de enriquecer urânio e na miniaturização de bombas atômicas, essencial para acomodá-las dentro de mísseis.
Desde o fim de sua maior patrocinadora, a União soviética, em 1991, a Coreia do Sul faz uma chantagem atômica com o Ocidente, ameaçando desenvolver armas nucleares se não receber ajuda em energia e alimentos. O regime comunista da China é seu único aliado externo importante.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
terça-feira, 4 de outubro de 2016
Rússia suspende cooperação nuclear com os EUA
Em sua guerrinha fria inconsequente contra o Ocidente, o presidente Vladimir Putin anulou por decreto um acordo entre Estados Unidos e Rússia para eliminar excedentes de plutônio que não possam ser mais usados em armas nucleares.
Ao acusar os EUA de atitude "inamistosa", Putin indica que outros acordos de desarmamento e cooperação nuclear estão sob ameaça. Até mesmo o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias, o primeiro da história a eliminar armas atômicas, assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo presidente americano, Ronald Reagan, e o último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, corre risco de ser abandonado.
Aquele acordo eliminou os mísseis nucleares de curto e médio alcance das duas superpotências. Foi um marco do fim da Guerra Fria.
Putin subiu na vida como agente da polícia política soviética, o sinistro Comitê de Defesa do Estado (KGB) e considera o fim da URSS a "maior catástrofe geopolítica do século 20". Ele foi diretor do Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB, ainda o núcleo político do regime.
Desde que chegou ao poder no Kremlin, em 1999, Putin tenta resgatar pelo menos parte do poder imperial soviético. Faz isso ressuscitando a indústria bélica, intervindo política e militarmente nas outras ex-repúblicas soviéticas e, desde o ano passado, também na guerra civil da Síria.
Com a intervenção militar na Ucrânia e a anexação da Península da Crimeia, em 2014, Putin violou o acordo de 1994 que garantia a segurança do país em troca da entrega de todas as armas nucleares da antiga URSS à Rússia. Em resposta, os EUA e a União Europeia impuseram sanções econômicas à Rússia.
Sem sombra do poder econômico das superpotências de hoje, os EUA e a China, só resta ao protoditador do Kremlin fustigar as potências ocidentais. Suas bravatas servem mais para consumo interno, mas podem levar a incidentes que provoquem uma escalada.
Ao acusar os EUA de atitude "inamistosa", Putin indica que outros acordos de desarmamento e cooperação nuclear estão sob ameaça. Até mesmo o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias, o primeiro da história a eliminar armas atômicas, assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo presidente americano, Ronald Reagan, e o último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, corre risco de ser abandonado.
Aquele acordo eliminou os mísseis nucleares de curto e médio alcance das duas superpotências. Foi um marco do fim da Guerra Fria.
Putin subiu na vida como agente da polícia política soviética, o sinistro Comitê de Defesa do Estado (KGB) e considera o fim da URSS a "maior catástrofe geopolítica do século 20". Ele foi diretor do Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB, ainda o núcleo político do regime.
Desde que chegou ao poder no Kremlin, em 1999, Putin tenta resgatar pelo menos parte do poder imperial soviético. Faz isso ressuscitando a indústria bélica, intervindo política e militarmente nas outras ex-repúblicas soviéticas e, desde o ano passado, também na guerra civil da Síria.
Com a intervenção militar na Ucrânia e a anexação da Península da Crimeia, em 2014, Putin violou o acordo de 1994 que garantia a segurança do país em troca da entrega de todas as armas nucleares da antiga URSS à Rússia. Em resposta, os EUA e a União Europeia impuseram sanções econômicas à Rússia.
Sem sombra do poder econômico das superpotências de hoje, os EUA e a China, só resta ao protoditador do Kremlin fustigar as potências ocidentais. Suas bravatas servem mais para consumo interno, mas podem levar a incidentes que provoquem uma escalada.
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terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Funcionário do Irã nega destruição do reator de Arak
Ao contrário do que anunciou uma agência de notícias do Irã, um funcionário do governo negou que o reator de água pesada da usina nuclear de Arak tenha sido desmantelado e cheio de concreto, noticiou hoje a agência Associated Press (AP).
O funcionário disse que a República Islâmica deve assinar um acordo com a China para reformar o reator e vender a água pesada produzida pelo reator aos Estados Unidos através de um terceiro país, que atuaria como intermediário.
A mudança no reator de Arak para que não produza plutônio, carga para bombas atômicas, é um ponto central do acordo assinado pelo regime dos aiatolás com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para desarmar o programa nuclear iraniano.
O funcionário disse que a República Islâmica deve assinar um acordo com a China para reformar o reator e vender a água pesada produzida pelo reator aos Estados Unidos através de um terceiro país, que atuaria como intermediário.
A mudança no reator de Arak para que não produza plutônio, carga para bombas atômicas, é um ponto central do acordo assinado pelo regime dos aiatolás com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para desarmar o programa nuclear iraniano.
terça-feira, 12 de maio de 2015
Acordo EUA-China suscita dúvidas sobre não proliferação nuclear
Sem alarde, o presidente Barack Obama avisou o Congresso dos Estados Unidos em 21 de abril de 2015 que pretende renovar um acordo de cooperação nuclear com a China. Ao examinar o assunto, a Comissão de Relações Exteriores do Senado decidiu convocar cinco autoridades do governo para discutir a portas as fechadas as implicações comerciais, políticas e de segurança do acordo.
A cooperação vai permitir à China comprar reatores nucleares projetados nos EUA, equipamentos e tecnologia de reprocessamento de plutônio e uma tecnologia de resfriamento de reatores capaz de tornar os submarinos nucleares chineses mais silenciosos e difíceis de detectar.
O regime comunista chinês aumenta a cada ano seu orçamento e seu poderio militar. Já tem porta-aviões, submarinos e mísseis antissatélite capazes de neutralizar a superioridade militar dos EUA. Ameaça os países vizinhos com que têm disputas territoriais e está construindo bases em ilhas contestadas.
Assim, a venda de tecnologia nuclear aumentaria o poderio naval da China e o risco de proliferação nuclear. Se a decisão do presidente indica uma confiança nas relações com a segunda maior potência mundial, a indústria nuclear americana está de olho na venda de dezenas de reatores para a China.
Obama reafirma assim sua doutrina de política externa baseada num "engajamento construtivo", dando prioridade à diplomacia em vez do uso da força que caracterizou seu antecessor George W. Bush.
Para a oposição republicana, é um sinal de fraqueza, quase uma rendição: "Estes acordos podem ser instrumentos valiosos para promover os interesses dos EUA, mas eles devem sustentar e não minar os objetivos críticos de não proliferação do país", comentou o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o republicano Bob Corker.
O diretor-executivo do Centro de Educação Política para a Não Proliferação, Henry Sokolski, está preocupado com o reprocessamento de plutônio para uso em armas atômicas e o uso da tecnologia de resfriamento em submarinos nucleares. Na sua opinião, o problema é simples: "Desde quando o emprego pode comprometer a segurança nacional?"
A China explodiu sua bomba atômica em 1964. Tem cerca de 250 ogivas nucleares em condições de uso. Já absorveu tecnologia de armas e equipamentos militares importados da Rússia. Só recentemente Moscou voltou a vender aviões de alta tecnologia, sob pressão da crise e do isolamento internacional depois da invasão da Ucrânia. Sabe que a tecnologia será canibalizada.
O acordo de cooperação nuclear China-EUA, de 1985, foi assinado com base na Lei de Energia Atômica, de 1954, parte do programa Átomos para a Paz, do governo Dwight Eisenhower (1953-61), uma iniciativa para oferecer energia nuclear para fins pacíficos na tentativa de convencer outros países a não fazer a bomba atômica. Os EUA fizeram 123 acordos de cooperação nuclear pacífica com 22 países.
A cooperação vai permitir à China comprar reatores nucleares projetados nos EUA, equipamentos e tecnologia de reprocessamento de plutônio e uma tecnologia de resfriamento de reatores capaz de tornar os submarinos nucleares chineses mais silenciosos e difíceis de detectar.
O regime comunista chinês aumenta a cada ano seu orçamento e seu poderio militar. Já tem porta-aviões, submarinos e mísseis antissatélite capazes de neutralizar a superioridade militar dos EUA. Ameaça os países vizinhos com que têm disputas territoriais e está construindo bases em ilhas contestadas.
Assim, a venda de tecnologia nuclear aumentaria o poderio naval da China e o risco de proliferação nuclear. Se a decisão do presidente indica uma confiança nas relações com a segunda maior potência mundial, a indústria nuclear americana está de olho na venda de dezenas de reatores para a China.
Obama reafirma assim sua doutrina de política externa baseada num "engajamento construtivo", dando prioridade à diplomacia em vez do uso da força que caracterizou seu antecessor George W. Bush.
Para a oposição republicana, é um sinal de fraqueza, quase uma rendição: "Estes acordos podem ser instrumentos valiosos para promover os interesses dos EUA, mas eles devem sustentar e não minar os objetivos críticos de não proliferação do país", comentou o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, o republicano Bob Corker.
O diretor-executivo do Centro de Educação Política para a Não Proliferação, Henry Sokolski, está preocupado com o reprocessamento de plutônio para uso em armas atômicas e o uso da tecnologia de resfriamento em submarinos nucleares. Na sua opinião, o problema é simples: "Desde quando o emprego pode comprometer a segurança nacional?"
A China explodiu sua bomba atômica em 1964. Tem cerca de 250 ogivas nucleares em condições de uso. Já absorveu tecnologia de armas e equipamentos militares importados da Rússia. Só recentemente Moscou voltou a vender aviões de alta tecnologia, sob pressão da crise e do isolamento internacional depois da invasão da Ucrânia. Sabe que a tecnologia será canibalizada.
O acordo de cooperação nuclear China-EUA, de 1985, foi assinado com base na Lei de Energia Atômica, de 1954, parte do programa Átomos para a Paz, do governo Dwight Eisenhower (1953-61), uma iniciativa para oferecer energia nuclear para fins pacíficos na tentativa de convencer outros países a não fazer a bomba atômica. Os EUA fizeram 123 acordos de cooperação nuclear pacífica com 22 países.
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quinta-feira, 2 de abril de 2015
Secretário de Estado dos EUA promete implementar acordo por fases
Para tentar acalmar os aliados árabes e Israel, que suspeitam do acordo nuclear das cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da Alemanha com o Irã, o secretário de Estado americano, John Kerry, anunciou em Lausanne, na Suíça, que a implementação será gradual. A cada etapa, o cumprimento do acordo pelo Irã será avaliado, acrescentou o chefe da diplomacia dos Estados Unidos.
A intenção é reduzir e limitar o programa nuclear iraniano para impedir o país de fazer a bomba atômica, dando amplos poderes para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas, para inspecionar suas instalações. Em troca, a república islâmica exige o fim das sanções internacionais.
Os principais pontos do acordo são:
• A central nuclear iraniana de Natanz será a única autorizada a continuar enriquecendo urânio, mas a teores usados em usinas de produção de energia atômica, de no máximo 3,67%.
• Os estoques de urânio enriquecidos acima disso serão diluídos e o combustível nuclear usado será enviado ao exterior.
• O estoque de urânio que ficará no Iraque será reduzido de 10 mil para 300 quilos.
• O número total de centrífugas será reduzido de 19 mil para 6 mil.
• A usina nuclear subterrânea de Fordo será convertida numa instalação de pesquisas. Ela foi escondida pelo regime fundamentalista iraniano. Só foi descoberta pela espionagem dos EUA.
• O reator de água pesada de Arak, uma das grandes preocupações da França, será redesenhado para que não possa produzir plutônio, outra carga usada em armas atômicas, além do urânio enriquecido.
• Estas três centrais nucleares estarão sujeitas a inspeções rigorosas sem aviso prévio da AIEA.
• Quando o Conselho de Segurança da ONU, os EUA e a União Europeia se certificarem de que o acordo está sendo cumprido, as sanções internacionais serão suspensas
As negociações foram prorrogadas por dois dias porque os EUA exigem que os detalhes estivessem neste acordo preliminar. Até 30 de junho de 2015, precisa haver um acordo definitivo.
A intenção é reduzir e limitar o programa nuclear iraniano para impedir o país de fazer a bomba atômica, dando amplos poderes para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas, para inspecionar suas instalações. Em troca, a república islâmica exige o fim das sanções internacionais.
Os principais pontos do acordo são:
• A central nuclear iraniana de Natanz será a única autorizada a continuar enriquecendo urânio, mas a teores usados em usinas de produção de energia atômica, de no máximo 3,67%.
• Os estoques de urânio enriquecidos acima disso serão diluídos e o combustível nuclear usado será enviado ao exterior.
• O estoque de urânio que ficará no Iraque será reduzido de 10 mil para 300 quilos.
• O número total de centrífugas será reduzido de 19 mil para 6 mil.
• A usina nuclear subterrânea de Fordo será convertida numa instalação de pesquisas. Ela foi escondida pelo regime fundamentalista iraniano. Só foi descoberta pela espionagem dos EUA.
• O reator de água pesada de Arak, uma das grandes preocupações da França, será redesenhado para que não possa produzir plutônio, outra carga usada em armas atômicas, além do urânio enriquecido.
• Estas três centrais nucleares estarão sujeitas a inspeções rigorosas sem aviso prévio da AIEA.
• Quando o Conselho de Segurança da ONU, os EUA e a União Europeia se certificarem de que o acordo está sendo cumprido, as sanções internacionais serão suspensas
As negociações foram prorrogadas por dois dias porque os EUA exigem que os detalhes estivessem neste acordo preliminar. Até 30 de junho de 2015, precisa haver um acordo definitivo.
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quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Irã reforma reator nuclear de Arak
O Irã iniciou uma reforma no reator de Arak para limitar a produção de plutônio, um dos explosivos usados em bombas atômicas, anunciou o chefe do programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi.
A produção de plutônio é uma das maiores preocupações das potências ocidentais que tentam convencer a república islâmica a desarmar seu programa nuclear e não fabricar armas atômicas nas negociações entre o Irã, as cinco potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido) e a Alemanha.
A produção de plutônio é uma das maiores preocupações das potências ocidentais que tentam convencer a república islâmica a desarmar seu programa nuclear e não fabricar armas atômicas nas negociações entre o Irã, as cinco potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido) e a Alemanha.
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Irã pode fazer bomba atômica de plutônio
Até agora, as preocupações em torno do programa nuclear do Irã se concentravam no enriquecimento de urânio, que precisa chegar a teores acima de 90% para uso militar, mas hoje os Estados Unidos e a Europa temem que dentro de um ano o regime fundamentalista iraniano seja capaz de produzir plutônio para bombas atômicas.
Esta segunda via para desenvolver armas nucleares pode prejudicar as negociações com o novo presidente do Irã, Hassan Rouhani, considerado moderado, e aumentar a possibilidade de um bombardeio israelense, observa o jornal conservador The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York.
As atenções estão voltadas para um reator nuclear de água pesada em construção na cidade de Arak, no Noroeste do Irã
Esta segunda via para desenvolver armas nucleares pode prejudicar as negociações com o novo presidente do Irã, Hassan Rouhani, considerado moderado, e aumentar a possibilidade de um bombardeio israelense, observa o jornal conservador The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York.
As atenções estão voltadas para um reator nuclear de água pesada em construção na cidade de Arak, no Noroeste do Irã
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