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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Secretário de Estado dos EUA promete implementar acordo por fases

Para tentar acalmar os aliados árabes e Israel, que suspeitam do acordo nuclear das cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da Alemanha com o Irã, o secretário de Estado americano, John Kerry, anunciou em Lausanne, na Suíça, que a implementação será gradual. A cada etapa, o cumprimento do acordo pelo Irã será avaliado, acrescentou o chefe da diplomacia dos Estados Unidos.

A intenção é reduzir e limitar o programa nuclear iraniano para impedir o país de fazer a bomba atômica, dando amplos poderes para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas, para inspecionar suas instalações. Em troca, a república islâmica exige o fim das sanções internacionais.

Os principais pontos do acordo são:
• A central nuclear iraniana de Natanz será a única autorizada a continuar enriquecendo urânio, mas a teores usados em usinas de produção de energia atômica, de no máximo 3,67%.
• Os estoques de urânio enriquecidos acima disso serão diluídos e o combustível nuclear usado será enviado ao exterior.
• O estoque de urânio que ficará no Iraque será reduzido de 10 mil para 300 quilos.
• O número total de centrífugas será reduzido de 19 mil para 6 mil.
• A usina nuclear subterrânea de Fordo será convertida numa instalação de pesquisas. Ela foi escondida pelo regime fundamentalista iraniano. Só foi descoberta pela espionagem dos EUA.
• O reator de água pesada de Arak, uma das grandes preocupações da França, será redesenhado para que não possa produzir plutônio, outra carga usada em armas atômicas, além do urânio enriquecido.
• Estas três centrais nucleares estarão sujeitas a inspeções rigorosas sem aviso prévio da AIEA.
• Quando o Conselho de Segurança da ONU, os EUA e a União Europeia se certificarem de que o acordo está sendo cumprido, as sanções internacionais serão suspensas

As negociações foram prorrogadas por dois dias porque os EUA exigem que os detalhes estivessem neste acordo preliminar. Até 30 de junho de 2015, precisa haver um acordo definitivo.

terça-feira, 17 de março de 2015

EUA retiram Irã e Hesbolá da lista de ameaças terroristas

Em meio às negociações para desarmar o programa nuclear iraniano, pela primeira vez em muitos anos, o Irã e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) foram excluídas da lista de ameaças terroristas, anunciou hoje o diretor nacional de inteligência, James Clapper, ao apresentar seu relatório anual ao Senado dos Estados Unidos. Era uma exigência do regime iraniano.

A versão pública da Avaliação das Ameaças no Mundo dos serviços secretos dos EUA alega que o Irã está ajudando a combater extremistas muçulmanos sunitas como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mas advertiu que o apoio iraniano a comunidades xiitas aumenta o risco de violência sectária no Oriente Médio.

Os EUA lideram as negociações entre as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha com o Irã, que devem chegar a um anteprojeto de acordo até o fim de março de 2015.

Enquanto o Irã exige o fim das sanções internacionais, o outro lado quer o congelamento do programa nuclear iraniano e um regime de inspeções rigoroso para fiscalizar o acordo. A República Islâmica seria autorizada a manter um número limitado de centrífugas para uso civil. Não seria proibida de enriquecer urânio.

O anúncio deve irritar ainda mais o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que há duas semanas acusou o Irã em discurso no Congresso dos Estados Unidos de ser um grande financiador do terrorismo internacional. Apesar da manobra eleitoreira, Netanyahu corre risco de perder as eleições de hoje em Israel.