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segunda-feira, 23 de junho de 2025

Trump anuncia trégua entre Israel e Irã após ataque a base dos EUA

 Depois de um ataque iraniano com seis mísseis balísticos sem maiores consequências à base aérea de Al Udeid (foto), em Doha, no Catar, a maior instalação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, o presidente Donald Trump anunciou uma trégua entre Israel e o Irã. A resposta revela a debilidade estratégica do regime teocrático iraniano.

Em tom triunfalista e hiperbólico, Trump declarou numa rede social às 18h em Washington (19h em Brasília) que é o fim da Guerra dos Doze Dias: "Esta é uma guerra que poderia durar anos e destruir o Oriente Médio inteiro, mas não destruiu e nunca vai."

O Catar intermediou a negociação com o Irã depois de alertar que tinha o direito de responder ao ataque a seu território. Trump disse que o Irã avisou antes. Depois do bombardeio que não feriu ninguém, descrito em Teerã como "arrasador e poderoso", o Irã mandou um recado aos EUA através do Catar para dizer que não haveria mais ataques. A Casa Branca respondeu que não faria novos bombardeios e retomaria as negociações para um acordo nuclear.

O Irã queria o cessar-fogo e confirmou logo. Israel estava bombardeando Teerã, relutou um pouco e se preparou para se defender de novas barragens de mísseis antes da trégua entrar em vigor.

Como a trégua elimina o risco imediato de ataques a instalações petrolíferas ou de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 21% do petróleo consumido no mundo, os preços do petróleo caíram em cerca de US$ 10 para os níveis anteriores ao ataque de Israel em 13 de junho, abaixo de US$ 70 por barril.

Hoje foram reveladas imagens de caminhões perto da central nuclear de Fordo, bombardeada pelos EUA, num sinal de que o Irã retirou o urânio enriquecido e talvez alguns equipamentos antes do ataque.

Na manhã desta terça-feira, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, acusou o Irã de violar o cessar-fogo. Trump reagiu furioso. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que "a guerra acabou". 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou: "Conquistamos uma vitória histórica que vai resistir ao teste do tempo. Removemos duas ameaças existenciais: a ameaça de aniquilação por bombas nucleares e e ameaça de aniquilação por 20 mil mísseis balísticos [o Irã tinha cerca de 3 mil antes da guerra]. (...) Os EUA se juntaram ao nosso lado de maneira sem precedentes e destruíram a instalação subterrânea de enriquecimento [de urânio] de Fordo."

A primeira avaliação da inteligência norte-americana é que as instalações nucleares bombardeadas na sexta-feira não foram totalmente destruídas e atrasaram o programa nuclear do Irã em poucos meses.

sábado, 21 de junho de 2025

Superbombardeiros dos EUA atacam usinas nucleares do Irã

Seis fortalezas voadoras norte-americanas B-2 bombardearam na madrugada deste domingo pela hora local duas instalações nucleares do Irã, em Fordo e Natanz, com 12 megabombas de 13,6 toneladas capazes de penetrar na rocha para destruir fortalezas subterrâneas, enquanto submarinos dos Estados Unidos atacaram a central nuclear de Isfahan com 100 mísseis de cruzeiro Tomahawk. 

O presidente Donald Trump declarou que os alvos foram totalmente destruídos. Em nota nas redes sociais, Trump disse que foram ataques pontuais e que chegou a hora de negociar, "senão os ataques serão muito maiores". Vai depender de como será a retaliação do Irã, que se nega a negociar enquanto não houver um cessar-fogo.

Em rápido pronunciamento na Casa Branca, ao lado do vice-presidente James Vance e dos secretários da Defesa, Pete Hegseth, e de Estado, Marco Rubio, Trump afirmou num tom bastante duro e agressivo que foram "ataques maciços e precisos" e um "sucesso militar espetacular" contra um país que descreveu como "o maior patrocinador do terrorismo no mundo" que há mais de 40 anos mata norte-americanos e ameaça os Estados Unidos e Israel.

Até agora, os EUA se limitavam a ajudar Israel e abater os mísseis e drones inimigos. Hoje, entraram na guerra. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apostou alto ao atacar o Irã. Trump dobrou a aposta.

A Guarda Revolucionária Iraniana advertiu que "todo militar ou cidadão norte-americano na região é alvo."  

O principal objetivo desta guerra é destruir o programa nuclear do Irã, mas ao mesmo tempo aumenta a determinação do regime fundamentalista xiita iraniano de fazer a bomba como última garantir de sobrevivência. Para acabar com o problema, seria necessário mudar o regime em Teerã e as guerras no Afeganistão, no Iraque e na Líbia mostram que isso não será fácil.

Em 10 dias, a guerra matou pelo menos 657 iranianos e 25 israelenses.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Secretário de Estado dos EUA promete implementar acordo por fases

Para tentar acalmar os aliados árabes e Israel, que suspeitam do acordo nuclear das cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da Alemanha com o Irã, o secretário de Estado americano, John Kerry, anunciou em Lausanne, na Suíça, que a implementação será gradual. A cada etapa, o cumprimento do acordo pelo Irã será avaliado, acrescentou o chefe da diplomacia dos Estados Unidos.

A intenção é reduzir e limitar o programa nuclear iraniano para impedir o país de fazer a bomba atômica, dando amplos poderes para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas, para inspecionar suas instalações. Em troca, a república islâmica exige o fim das sanções internacionais.

Os principais pontos do acordo são:
• A central nuclear iraniana de Natanz será a única autorizada a continuar enriquecendo urânio, mas a teores usados em usinas de produção de energia atômica, de no máximo 3,67%.
• Os estoques de urânio enriquecidos acima disso serão diluídos e o combustível nuclear usado será enviado ao exterior.
• O estoque de urânio que ficará no Iraque será reduzido de 10 mil para 300 quilos.
• O número total de centrífugas será reduzido de 19 mil para 6 mil.
• A usina nuclear subterrânea de Fordo será convertida numa instalação de pesquisas. Ela foi escondida pelo regime fundamentalista iraniano. Só foi descoberta pela espionagem dos EUA.
• O reator de água pesada de Arak, uma das grandes preocupações da França, será redesenhado para que não possa produzir plutônio, outra carga usada em armas atômicas, além do urânio enriquecido.
• Estas três centrais nucleares estarão sujeitas a inspeções rigorosas sem aviso prévio da AIEA.
• Quando o Conselho de Segurança da ONU, os EUA e a União Europeia se certificarem de que o acordo está sendo cumprido, as sanções internacionais serão suspensas

As negociações foram prorrogadas por dois dias porque os EUA exigem que os detalhes estivessem neste acordo preliminar. Até 30 de junho de 2015, precisa haver um acordo definitivo.