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sábado, 21 de junho de 2025

Superbombardeiros dos EUA atacam usinas nucleares do Irã

Seis fortalezas voadoras norte-americanas B-2 bombardearam na madrugada deste domingo pela hora local duas instalações nucleares do Irã, em Fordo e Natanz, com 12 megabombas de 13,6 toneladas capazes de penetrar na rocha para destruir fortalezas subterrâneas, enquanto submarinos dos Estados Unidos atacaram a central nuclear de Isfahan com 100 mísseis de cruzeiro Tomahawk. 

O presidente Donald Trump declarou que os alvos foram totalmente destruídos. Em nota nas redes sociais, Trump disse que foram ataques pontuais e que chegou a hora de negociar, "senão os ataques serão muito maiores". Vai depender de como será a retaliação do Irã, que se nega a negociar enquanto não houver um cessar-fogo.

Em rápido pronunciamento na Casa Branca, ao lado do vice-presidente James Vance e dos secretários da Defesa, Pete Hegseth, e de Estado, Marco Rubio, Trump afirmou num tom bastante duro e agressivo que foram "ataques maciços e precisos" e um "sucesso militar espetacular" contra um país que descreveu como "o maior patrocinador do terrorismo no mundo" que há mais de 40 anos mata norte-americanos e ameaça os Estados Unidos e Israel.

Até agora, os EUA se limitavam a ajudar Israel e abater os mísseis e drones inimigos. Hoje, entraram na guerra. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, apostou alto ao atacar o Irã. Trump dobrou a aposta.

A Guarda Revolucionária Iraniana advertiu que "todo militar ou cidadão norte-americano na região é alvo."  

O principal objetivo desta guerra é destruir o programa nuclear do Irã, mas ao mesmo tempo aumenta a determinação do regime fundamentalista xiita iraniano de fazer a bomba como última garantir de sobrevivência. Para acabar com o problema, seria necessário mudar o regime em Teerã e as guerras no Afeganistão, no Iraque e na Líbia mostram que isso não será fácil.

Em 10 dias, a guerra matou pelo menos 657 iranianos e 25 israelenses.

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Força Aérea de Israel ataca o programa nuclear do Irã

 A Força Aérea de Israel (FAI) confirmou há pouco que está bombardeando o programa nuclear, fábricas e bases de lançamento de mísseis, defesas antiaéreas e comandantes militares do Irã. Foram seis ondas de ataque. Os alarmes antiaéreos soam em todo o Estado de Israel como advertência para a resposta iraniana. Todos os voos de e para Israel estão suspensos. O espaço aéreo está fechado. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está reunido com o gabinete de guerra. Os preços do barril de petróleo subiram quase 9% para cerca de US$ 75.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, descreveu o ataque como "preemptivo", para evitar que o Irã faça a bomba atômica. A Operação Leão se Levanta deve durar vários dias. No final, "não haverá ameaça nuclear" do Irã, declararam oficiais militares de Israel. "Temos uma oportunidade estratégica. Chegamos a um ponto sem volta e não tínhamos escolha a não ser agir agora."

Em nota oficial, as Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram o início de "um ataque preemptivo e preciso" contra o Irã "com o objetivo de destruir o programa nuclear iraniano e em resposta à contínua agressão do regime iraniano contra Israel". Em meia hora, teriam destruído as defesas antiaéreas iranianas.

"Dezenas de aviões da Força Aérea de Israel completaram recentemente o golpe inicial, que incluiu dezenas de ataques contra alvos militares, inclusive locais ligados ao programa nuclear em várias regiões do Irã", acrescentou a nota. "O público deve seguir as instruções do Comando da Frente Interna das FDI ... e agir com calma e responsabilidade. As FDI e as autoridade relevantes estão preparadas para uma variada gama de hipóteses defensivas e ofensivas que podem ser necessárias."

"Há anos", continua a declaração, "o regime iraniano trava uma campanha direta e indireta de terror contra o Estado de Israel, financiando e dirigindo atividades terroristas através de seus aliados no Oriente Médio, enquanto avança para obter armas nucleares. O regime iraniano é a cabeça do eixo responsável por todos os ataques terroristas contra Israel desde o início da guerra", afirma o comando militar israelense.

"O regime iraniano proclama que seu objetivo é destruir o Estado de Israel. Altos funcionários do regime iraniano declararam a intenção de destruir Israel e operam neste sentido com seus aliados no Oriente Médio. Hoje, o Irã está mais perto do que nunca de obter uma arma nuclear. Armas de destruição em massa nas mãos do regime iraniano são uma ameaça existencial ao Estado de Israel e ao resto do mundo. O Estado de Israel não vai permitir que um regime cujo objetivo é destruir Israel obtenha armas nucleares", concluiu a nota.

Israel alega que o Irã tem urânio enriquecido para fabricar nove armas nucleares. Um dos principais alvos foi a Central Nuclear de Natanz, principal instalação de enriquecimento de urânio do Irã. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Mohammad Bagheri, o comandante da Guarda Revolucionária Iraniana, o braço armado da ditadura dos aiatolás, general Hossein Salami, o comandante da Defesa Aérea, general Ghulam  Ali Rashid, e dez cientistas nucleares iranianos, entre eles Fereydoun Abbasi-Davani e Mohammad Mehdi Tehranchi, foram mortos.

Em pronunciamento na televisão, o primeiro-ministro Netanyahu agradeceu o apoio dos Estados Unidos, mas o presidente Donald Trump avisou que não participaria do ataque, o que foi confirmado há pouco pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Para tentar aliciar iranianos que são contra o regime, Netanyahu disse: "Nossa luta não é contra vocês. Nossa luta é contra a ditadura brutal que oprime vocês há 46 anos. Acredito que o dia da sua libertação está próximo. Quando isto acontecer, a grande amizade entre nossos povos vai voltar a florescer".

O xá Mohamed Reza Pahlevi, derrubado pela Revolução Islâmica em fevereiro de 1979, era aliado de Israel.

Na primeira reação oficial do Irã, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, ameaçou com uma "punição severa": Israel vai enfrentar "um destino amargo e o doloroso", declarou o ditador iraniano através da Agência de Notícias República Islâmica (IRNA).

Israel "abriu sua mão cruel e manchada de sangue para cometer um crime contra nosso amado país, revelando mais do que nunca sua natureza perversa ao atacar áreas residenciais. Com este crime, o regime sionista "traçou para si um destino amargo e doloroso que definitivamente vai ter."

No ano passado, o Irã bombardeou Israel diretamente pela primeira vez e fez isso duas vezes. Israel contra-atacou destruindo as defesas antiaéreas iranianas, numa preparação ao ataque desta noite.

Ontem, o Irã ameaçou atacar as bases militares dos EUA, que tem 40 a 45 mil soldados no Oriente Médio num total de 64 instalações militares. Rubio advertiu a não fazer isso, sob pena de retaliação, e hoje declarou que os EUA não participaram dos bombardeios. Mas certamente vão participar da defesa de Israel quando o Irã responder. O secretário de Estado disse que a prioridade é proteger os militares norte-americanos.

Neste fim de semana, os EUA e o Irã fariam a sexta rodada de negociações para tentar desarmar o programa nuclear iraniano. Até agora, não havia avanços porque o governo Trump exigia o fim do processamento de urânio pela República Islâmica. Israel era contra a negociação, que hoje perdeu o sentido.

A questão agora é qual será a capacidade de retaliação do regime iraniano, que certamente está mais decidido do que nunca a fazer a bomba atômica. Israel afirma que não quer mudança de regime, mas como o Irã já desenvolveu a tecnologia só uma mudança de regime garantiria a segurança de Israel.

O Irã tem hoje 610 mil soldados nas Forças Armadas, 190 mil na Guarda Revolucionária, 350 mil reservistas e 90 mil membros da milícia Basij, que faz o jogo sujo do regime internamente, e mais de 3 mil mísseis. Mas não conseguir direito de passagem pelos países vizinhos para chegar a Israel por terra.

domingo, 5 de julho de 2020

EUA interceptam ataque de foguete contra embaixada em Bagdá

Horas depois de instalar um sistema de defesa proteger de ataques de artilharia, morteiros e foguetes pequenos, os Estados Unidos conseguiram interceptar um foguete disparado contra a embaixada americana no Iraque em 4 de julho, Dia da Independência dos EUA, noticiou o jornal israelense The Jerusalem Post.

O ataque acontece depois de quatro explosões em instalações nucleares do Irã atribuídas a Israel. Sem assumir a responsabilidade, o ministro do Exterior israelense, Gabi Ashkenazi, declarou: "Temos uma política há vários governo de não permitir que o Irã tenha capacidade nuclear. 

"Este regime com tais habilidades é uma ameaça existencial a Israel e não podemos permitir que se instale na nossa fronteira norte", observou o ministro, numa referência à presença militar iraniana na Síria. "Fazemos ações que é melhor não comentar."

A República Islâmica e suas milícias aliadas tiveram um papel decisivo para sustentar a ditadura de Bachar Assad na guerra civil síria. Em várias ocasiões, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu considerou inaceitável uma presença militar permanente do Irã na Síria, especialmente numa faixa de até 50 quilômetros de distância da fronteira de Israel.

Uma série de explosões misteriosas ocorreu no Irã desde quinta-feira passada. A primeira foi numa instalação próxima do complexo militar de Parchin. O regime dos aiatolás atribuiu o incidente a uma explosão de gás, mas fotos de satélite revelaram que o alvo foi uma fábrica de mísseis.

No mesmo dia, uma explosão num hospital de Teerã matou 19 pessoas. Na sexta-feira, houve um grande incêndio num prédio da central nuclear de Natanz, a maior instalação de enriquecimento de urânio do Irã. Ontem, houve relatos de outro incêndio perto de uma usina de energia elétrica na região de Ahvaz, no Sul do país, perto da fronteira com o Iraque.

Em entrevista à Rádio do Exército, o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, tentou desvincular o país das explosões: "Nem todo incidente que transparece no Irã tem de ver conosco. Todos suspeitam de nós todo o tempo, mas nem todo incidente que acontece no Irã necessariamente tem algo a ver conosco."

Gantz, ex-comandante das Forças de Defesa de Israel disputou as últimas eleições contra o primeiro-ministro Netanyahu e formou um governo de coalizão depois de três eleições em que nenhum dos dois conseguiu maioria absoluta. 

"Continuamos a agir em todas as frentes para reduzir a possibilidade de que o Irã se torne uma potência nuclear. Um Irã nuclear é uma ameaça ao mundo, à região e a Israel. Faremos todo o possível para evitar que isto aconteça. E faremos todo o possível para impedir o Irã de difundir o terrorismo e distribuir armas, não vou me referir a nenhum caso específico", acrescentou o ministro da Defesa.

A preocupação de Israel não se limita às armas nucleares. O país quer a prorrogação do embargo das Nações Unidas à venda de armas ao Irã além de outubro, o prazo atualmente estabelecido, para impedir a ditadura teocrática iraniana de adquirir sistemas avanços de armamentos.

O ministro do Exterior lembrou que o Irã arma dezenas de milícias no Oriente Médio. A maior de todas é o Hesbolá (Partido de Deus), do Líbano, país que no momento enfrenta uma séria crise econômica, com protestos nas ruas contra a presença da milícia no governo da união nacional.

A Organização de Energia Atômica do Irã confirmou a ocorrência de um incidente na central nuclear de Natanz, alvo em 2010 de um ataque cibernético com o vírus Stuxnet para atrasar o desenvolvimento da bomba atômica iraniana. Na época, o regime iraniano acusou os EUA e Israel. O Stuxnet é considerado um verme por tornar lentos os computadores que infecta.

Oficialmente, o Irã nega estar desenvolvendo armas nucleares, mas retomou várias atividades de seu programa atômico depois que o presidente Donald Trump retirou, em maio de 2018, os EUA do acordo negociado pelo governo Barack Obama, as outras grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança da ONU ( China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha.

Em janeiro, um ataque de mísseis americanos matou o general Kassem Suleimani, o mais graduado oficial iraniano, no aeroporto de Bagdá, depois de ataques de milícias xiitas iraquianas financiadas, armadas e treinadas pelo Irã. O general comandava a Força Quods, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, e coordenava mais de 60 milícias xiitas no Oriente Médio.

terça-feira, 3 de março de 2020

Irã acelera enriquecimento de urânio e fica mais perto da bomba atômica

A República Islâmica do Irã acelerou o enriquecimento de urânio e pode ter a quantidade necessária para fazer uma arma nuclear dentro de meses. 

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão do sistema Nações Unidas, divulgou hoje seu relatório trimestral sobre as atividades nucleares do Irã, inclusive um segundo documento com detalhes sobre as manobras da República Islâmica para encobrir atividades nucleares do passado. 

É o primeiro relatório desde que o Irã decidiu, em janeiro, negar acesso aos inspetores da AIEA a três instalações não fiscalizadas antes. Meu comentário:

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Assassinato de líderes não é política externa

O Irã atacou nesta noite duas bases militares do Iraque onde há soldados dos Estados Unidos, mostrando mais uma vez o fracasso da estratégia de matar líderes inimigos. Como observou o comentarista Gideon Rachman, do jornal Financial Times, "assassinato político não é política externa".

A República Islâmica do Irã assumiu hoje a responsabilidade por um ataque com mais de uma dúzia de mísseis balísticos contra duas bases militares do Iraque, onde havia soldados dos Estados Unidos.

É a retaliação pelo assassinato do general iraniano Kassem Suleimani, comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, num ataque de drones na noite de 2 para 3 de janeiro, em Bagdá.
Os danos ainda não foram revelados pelo governo americano.

Horas antes, o presidente Donald Trump ameaçou ordenar um ataque “desproporcional” se cidadãos e interesses dos Estados Unidos fossem atingidos. Os mísseis saíram do território iraniano e alvejaram as bases de Assad, no Oeste, e outra cidade curda de Arbil, no Norte do Iraque.

A bola volta agora para a quadra dos Estados Unidos. A expectativa agora é qual será a reação de Trump, como será o novo ataque americano. Meu comentário:
Depois do ataque, o Ministério do Exterior do Irã divulgou nota tentando desescalar a situação, alegando ter dado uma resposta "proporcional com base no Artigo 51 da Carta das Nações Unidas", e o presidente Donald Trump escreveu no Twitter, seu meio de comunicação favorito, que "tudo está bem". Nenhum dos dois lados quer a guerra. 

Inteligência de Israel considera baixo risco de ataque do Irã pela morte do general

Os serviços secretos de Israel consideram baixa a probabilidade de um ataque do Irã como parte da retaliação pelo assassinato pelos Estados Unidos em 2 de janeiro, em Bagdá, do general Kassem Suleimani, que era comandante da Força Quods, tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, noticiou hoje a agência Reuters.

O primeiro-ministro interino, Benjamin Netanyahu orientou o ministério a deixar claro que os EUA agiram sozinhos ao matar Suleimani, sem envolvimento de Israel, apesar da inimizade histórica entre os dois países.

Israel tenta evitar uma escalada no confronto capaz de envolver o país. O governo israelense apoia a campanha de pressão máxima dos EUA contra o Irã, mas a ameaça de guerra levou a uma tentativa de se distanciar das ações mais recentes dos americanos.

Há alguns anos, Israel examina a possibilidade de atacar unilateralmente o Irã para neutralizar o programa nuclear iraniano, considerado hoje a maior ameaça à segurança do Estado judaico. Em campanha para as eleições parlamentares de 2 de março, Netanyahu se apresenta como o único líder capaz de garantir a segurança de Israel. Uma escalada no conflito com o Irã fragilizaria esta posição.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Analistas apontam maiores riscos de conflitos internacionais em 2020


Todos os anos o Centro para Ação Preventiva do Conselho de Relações Exteriores pede a especialistas em política externa, segurança e defesa para fazerem uma lista dos piores conflitos armados em andamento ou em potencial, as possibilidades de escalada no próximo ano e o impacto internacional. 

Para 2020, foram citados 13 conflitos, com  destaque para o risco de um grande atentado terrorista contra os Estados Unidos cometido ou inspirado por uma organização estrangeira como Al Caeda ou Estado Islâmico, um ataque cibernético à infraestrutura do país, inclusive ao sistema eleitoral, que pode partir da China, da Rússia, do Irã ou da Coreia do Norte, e um confronto entre os Estados Unidos e o Irã ou seus aliados. Meu comentário:

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Irã testa míssil de médio alcance em novo desafio aos EUA

A República Islâmica dobra a aposta. O regime dos aiatolás está certo de que o presidente Donald Trump não quer envolver os Estados Unidos em outra guerra o Oriente Médio antes da reeleição e aumenta as provocações.

Pela primeira vez desde que a confrontação entre os dois países entrou numa perigosa escalada com ataques a navios petroleiros e drones derrubados pelos dois lados, a ditadura teocrática iraniana testou nesta semana um míssil balístico, o Chahab-3, com alcance de mil quilômetros. É o suficiente para atingir a Arábia Saudita e Israel, os dois maiores aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Ao realizar o teste de mísseis, o Irã tem dois objetivos. Por um lado, faz uma nova demonstração de força para os americanos. É parte de sua estratégia agressiva para reagir às sanções impostas por Trump depois de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear assinado em 2015 para congelar por dez anos o programa nuclear militar iraniano e assim evitar que o Irã fabrique a bomba atômica.

Por outro lado, aperfeiçoa seu programa de mísseis balísticos. 

O recado é claro. Se for atacado, o Irã pode causar danos catastróficos às forças americanas e a aliados dos Estados Unidos na região, causando uma conflagração no Oriente Médio muito maior do que a gerada pela invasão do Iraque em 2003.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Kim acusa EUA de má fé no encontro com Putin

Ao se reunir hoje com o ditador Vladimir Putin em Vladivostok, no Leste da Rússia, para evitar o isolamento diplomático, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, acusou os Estados Unidos de agirem com má fé no encontro de cúpula com o presidente Donald Trump, realizado em 27 e 28 de fevereiro em Hanói, no Vietnã.

Sempre interessado em minar a supremacia dos EUA para posar como líder da uma potência mundial, Putin deu apoio à desnuclearização da Península Coreana. Além de desarmar o programa nuclear norte-coreano, isso implicaria o fim da presença militar americana na Coreia do Sul, que vem desde a Guerra da Coreia (1950-53).

Os resultados do encontro de cúpula Kim-Putin serão limitados por causa das sanções internacionais contra seus dois países, a preocupação da Rússia com a proliferação nuclear e o interesse da Coreia do Norte de manter as negociações com os EUA.

Kim tem na Rússia uma fonte importante de energia e um contrapeso à influência da China, responsável por mais de 90% do comércio internacional norte-coreano.

Tanto a China quanto a Rússia ajudam a Coreia do Norte a driblar as sanções impostas pelos EUA. Por concordar em princípio com o desarmamento nuclear no primeiro encontro de cúpula com Trump, em 12 de junho de 2018, em Cingapura, Kim parece ter convencido a China e a Rússia de que não é uma ameaça nuclear.

Estes dois países têm interesse em reduzir o poderio internacional dos EUA. Estariam ajudando a Coreia do Norte a evitar as sanções com a troca de mercadorias entre navios em alto mar e o uso de companhias de navegação com bandeiras de outros países.

A cúpula Kim-Trump fracassou porque a Coreia do Norte exigiu o fim pelo menos parcial das sanções internacionais. Os EUA exigem a total desnuclearização do país para suspender as sanções.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

EUA e Coreia do Norte devem declarar o fim da Guerra da Coreia

Durante o encontro de cúpula de 27 e 28 de fevereiro em Hanói, no Vietnã, o presidente Donald Trump e o ditador Kim Jong Un devem fazer uma declaração conjunto proclamando o fim da Guerra da Coreia (1950-53), noticiou a agência de notícias sul-coreana Yonhap, citando como fonte um assessor presidencial da Coreia do Sul.

A declaração de paz terá um significado simbólico importante para a reconciliação entre as duas Coreias, divididas desde o fim da Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos ocuparam o Sul da Península Coreana e a União Soviética, o Norte.

Com o fim oficial da guerra, a Coreia do Norte e a China podem pressionar os EUA a retirar seus 28,5 mil soldados da Coreia do Sul, como o presidente americano já sinalizou que gostaria de fazer, mas deve ser contido pelo Pentágono, preocupado com a ascensão da China.

Trump e Kim se encontraram pela primeira vez em 12 de junho de 2018 em Cingapura, onde assinaram uma carta de intenções prometendo desnuclearizar a Península Coreana. Desde então, a Coreia do Norte suspendeu os testes nucleares e de mísseis, e os EUA as manobras militares conjuntas com a Coreia do Sul. Mas não houve avanços práticos na desnuclearização.

Os EUA pediram ao Norte a apresentação de um cronograma para entregar 60% a 70% de suas armas atômicas dentro de seis a nove meses. A ditadura comunista norte-coreana insiste no relaxamento das sanções econômicas.

Há uma possibilidade de que os EUA suspendam parte das sanções, permitindo a retomada das atividades do complexo industrial de Kaesong, no Norte, onde empresas da Coreia do Sul empregam mão de obra norte-coreana. Mas pode ser um sinal para a China e a Rússia relaxarem as sanções internacionais aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e minar a estratégia de Trump.

O presidente já reduziu suas expectativas. Em vez de uma desnuclearização total e verificável, está disposto a aceitar um congelamento dos testes nucleares e de mísseis. Para o Japão e a Coreia do Sul, alvos mais próximos dos mísseis nucleares de Kim, um congelamento com desnuclearização a longo prazo significa reconhecer a Coreia do Norte como potência nuclear.



Ele escolheu o Vietnã na expectativa de mostrar que um regime comunista pode criar uma economia forte aderindo à economia de mercado. Mas o grande exemplo de sucesso para a Coreia do Norte é a Coreia do Sul e Kim não tem a menor intenção de democratizar seu país.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Europa cria mecanismo para escapar das sanções dos EUA ao Irã

A Alemanha, a França e o Reino Unido anunciaram ontem a criação de um mecanismo para fazer negócios com o Irã, apesar das sanções impostas pelos Estados Unidos. O sistema de pagamentos será chamado de instrumento de apoio a trocas comerciais (Instex). Vai permitir às empresas negociar com o Irã fora do mercado do dólar.

O Instex será uma entidade estatal, com sede na França, sob a gerência de um alemão e a direção superior de um conselho com sede no Reino Unido, tudo sob a supervisão da União Europeia. Países de fora do bloco, como China, Índia e Rússia, podem aderir, se quiserem.

Pelo sistema, as empresas iranianas poderão vender seus produtos na Europa e obter crédito para importar produtos europeus. O foco inicial será em remédios e alimentos, que estão excluídos das sanções impostas pelo presidente Donald Trump ao se retirar do acordo negociado pelo governo Barack Obama para desarmar o programa nuclear iraniano.

Agora, o Irã tem de fazer sua parte, criar um sistema para se conectar ao Instex. Isso pode levar meses.

Em depoimento nesta semana ao Congresso, os diretores dos serviços de inteligência dos EUA fizeram uma análise de riscos diferente de posições do presidente Trump, especialmente em relação ao Irã e à Coreia do Norte.

Enquanto a ditadura comunista da Coreia do Norte tem todo o interesse em preservar sua capacidade nuclear já adquirida, o Irã estaria cumprindo o acordo assinado em 2015 com as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha.

O interesse da Europa está em manter o acordo. Também manda um recado aos EUA de Trump: está pronta para agir por conta própria, a exercer sua "autonomia estratégica" e independência em relação a Washington, uma posição defendida pela França.

Ao transformar o dólar em mais uma arma de sua política externa, Trump, com sua visão de mundo ultranacionalista, abala a posição do dólar como moeda dominante do sistema financeiro internacional. É um alerta a outros grandes atores da economia internacional, como a Europa, a China, o Japão e a Índia. Devem se preparar para a era pós-dólar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Coreias do Norte e do Sul planejam construir ferrovia entre os dois países

Em uma cerimônia de grande significado simbólico as Coreias do Norte e do Sul anunciaram ontem a construção de uma nova ferrovia ligando os dois países, noticiou a agência Associated Press (AP).

O anúncio tem caráter simbólico porque qualquer investimento ou projeto de infraestrutura na Coreia do Norte depende de um relaxamento ou suspensão das sanções internacionais aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para pressionar a ditadura comunista de Pyongyang a entregar suas armas nucleares.

Num de seus três encontros de cúpula neste ano, o presidente sul-coreano, Moon Jae In, e o ditador norte-coreano, Kim Jong Un, concordaram em modernizar a reconstruir estradas de ferro e de rodagem ligando os dois países.

Tudo depende de um avanço nas negociações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte para desnuclearizar a Península Coreana. Depois do encontro de cúpula histórico de Kim com o presidente Donald Trump, em 12 de junho, em Cingapura, as negociações praticamente não evoluíram. Há poucos dias, Trump falou na expectativa de realizar um segundo encontro de cúpula em breve.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

China corta pela metade importações de petróleo do Irã

A Sinopec, maior refinaria da China, reduziu à metade a importação de petróleo iraniano antes da entrada em vigor, em novembro, das sanções impostas pelos Estados Unidos depois de se retirar do acordo nuclear assinado em 2015 para desarmar o programa nuclear do Irã, noticiou hoje a agência Reuters.

É um duro golpe no Irã. A República Islâmica contava com a China e a Índia, seus maiores importadores, para neutralizar pelos menos em parte as sanções impostas pelo governo Donald Trump. Com a decisão da Sinopec e das maiores refinarias indianas, as exportações de petróleo iranianas podem cair para 1 milhão de barris por dia.

Os EUA ameaçam aplicar sanções cruzadas contra qualquer empresa ou país que faça negócios com o Irã, vetando acesso ao mercado americano e às transações em dólar. Antes mesmo da entrada em vigor das sanções, a economia iraniana está sofrendo.

Há dois dias, ao presidente Trump presidiu uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o Irã e ficou isolado ao tentar isolar o Irã. As outras grandes potências com direito de veto na ONU signatárias do acordo (China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha tentam manter o acordo por acreditar que o Irã está cumprindo-o.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Trump cancela encontro EUA-Coreia do Norte por falta de avanço na desnuclearização

Através do Twitter, o presidente Donald Trump enviou mensagem com "os mais calorosas considerações e respeito" ao ditador Kim Jong Un, e manifestou interesse em encontrá-lo em breve, mas suspendeu a viagem que o secretário de Estado, Mike Pompeo, faria à Coreia do Norte por falta de progresso nas negociações para desnuclearizar a Península Coreana. 

Trump culpou a China, com quem está engajado numa guerra comercial, pelas manobras do regime comunista de Pyongyang, acusando Beijim de "não estar ajudando no processo de desnuclearização como antes", noticiou o jornal The Washington Post.

É a primeira que o presidente dos Estados Unidos admite falta de avanços nas negociações para desarmar a Península Coreana desde o histórico encontro de cúpula com Kim em 12 de junho de 2018 em Cingapura. Trump chegou a afirmar que a ameaça nuclear norte-coreana havia desaparecido.

Seria a quarta visita de Pompeo à Coreia do Norte. Em ocasiões anteriores, o secretário de Estado americano propôs ao regime comunista norte-coreano que aceite um cronograma para abandonar suas armas nucleares. Cerca de 60% das armas seriam entregues dentro de seis meses para destruição.

O governo de Pyongyang resiste. Alega que os EUA estão querendo um desarmamento nuclear unilateral sem oferecer contrapartida. Ao mesmo tempo, satélites-espiões americanos revelaram que os centros de pesquisa e desenvolvimento de mísseis e armas nucleares norte-coreanos estão em plena atividade.

Trump escreveu que o "secretário Pompeo deve ir à Coreia do Norte em futuro próxima, provavelmente depois que nossas relações comerciais com a China sejam resolvidas." Atribui a estagnação das negociações à China. Ignora que esse vaivém é o padrão de comportamento do regime stalinista de Pyongyang desde que começou sua chantagem atômica, depois do fim de sua maior patrocinadora, a União Soviética, em 1991.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Volta das sanções dos EUA agrava crise do Irã

O governo Donald Trump reimpôs a partir de hoje uma série de sanções ao Irã, inicialmente concentradas no setor financeiro, para pressionar economicamente a República Islâmica depois de retirar os Estados Unidos do acordo nuclear assinado em 2015 para congelar o programa nuclear militar iraniano por dez anos.

Na contramão da União Europeia, da China, da Rússia, da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e do próprio Departamento da Defesa dos EUA, Trump abandonou o acordo e restabeleceu as sanções econômicas ao regime dos aiatolás e, cada vez mais, da Guarda Revolucionária Iraniana, sob os aplausos de dois grandes aliados dos EUA no Oriente Médio: Israel e a Arábia Saudita, inimigos jurados do Irã.

“O presidente Trump vai continuar a se opor à agressão do regime iraniano e os EUA vão aplicar completamente as sanções reimpostas”, declarou em nota oficial a Casa Branca.  Depois de ameaçar o Irã com um ataque jamais visto se desafiar os EUA, no mês passado, Trump disse estar pronto para se reunir sem precondições com líderes iranianos. A proposta foi recusada.

“Eles poderiam aceitar a oferta de negociações do presidente, abandonar completamente e de maneira  verificável seus programas nuclear e de mísseis balísticos, parar de financiar o terrorismo e de intervir militarmente em outros países da região”, declarou à Fox News o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton.

Em resposta, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, considerou as sanções uma “insensatez” e acusou Trump de “querer iniciar uma guerra psicológica contra a nação iraniana”. Ele afirmou que Trump se mostrou “inconfiável” ao romper o acordo negociado no governo Barack Obama e disse que o Irã não vai negociar sob sanções.

“Você não pode esperar o diálogo de uma pessoa que lhe dá uma faca e deixa a faca enfiada”, declarou o aiatolá-presidente em entrevista a uma televisão iraniana. “Se houver confiança, o Irã estará sempre aberto a negociações, mas não fazem sentido enquanto estivermos sob sanções.”

Tido como um aiatolá moderado dentro do regime fundamentalista xiita iraniano, Rouhani venceu a eleição presidencial com a promessa de se reaproximar do Ocidente para melhorar a situação econômica do país.

O acordo nuclear, visto com suspeita pela linha-dura e a Guarda Revolucionária, foi sua grande vitória e uma das grandes realizações de política externa do governo Barack Obama, ao lado do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e do acordo comercial da Parceria Transpacífica. Trump acabou com tudo.

Numa segunda etapa, a partir de novembro, os EUA devem suspender totalmente as importações de petróleo do Irã e estão pressionando os aliados a fazer o mesmo.

Desde já, as empresas que fizerem negócios com o Irã podem ser alvo de sanções cruzadas. Podem, por exemplo, ser proibidas de operar em dólares, algo inviável para empresas transnacionais ocidentais.

Assim, a companhia de petróleo francesa Total está suspendendo investimentos de US$ 2 bilhões para explorar o megacampo de gás de Pars do Sul, com prejuízo de US$ 100 milhões. Cerca de 90% das operações da Total são feitas por bancos dos EUA e 30% dos acionistas da empresa são americanos.

Nos últimos meses, a moeda iraniana, o rial, perdeu 37% do valor. A inflação disparou e o desemprego está em alta. As manifestações de proteste se multiplicam. Houve até uma greve no Grande Bazar, em Teerã.

Esses protestos não têm força política para ameaçar o regime. Em 2009, o Movimento Verde apoiava a candidatura do ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mussavi. Agora, não há articulação. Há uma revolta espontânea contra um regime ditatorial em meio a uma grave crise econômica com expectativa de piorar.

Ao mesmo tempo, as empresas ocidentais deixam o campo aberto para a China, que não rompeu o acordo nuclear. As companhias chineses pretendem tomar o mercado de automóveis das concorrentes da França, que tinham no Irã, um país de 81 milhões de habitantes, um mercado importante para suas exportações.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Coreia do Norte está fabricando novos mísseis

Um mês e meio depois do encontro de cúpula histórico entre o presidente Donald Trump e o ditador Kim Jong Un, a Coreia do Norte está fabricando pelo menos um, talvez dois, mísseis balísticos intercontinentais de combustível líquido num centro de pesquisas na periferia de Pyongyang, noticiou o jornal The Washington Post citando como fonte os serviços secretos dos Estados Unidos.

A descoberta, revelada em imagens de satélites-espiões, desmente a alegação de Trump de que a Coreia do Norte “não é mais uma ameaça nuclear”.

Outros informes confidenciais citam uma instalação de enriquecimento urânio chamada Kangson. Em depoimento no Senado na semana passada, o secretário de Estado, Mike Pompeo, admitiu o regime comunista norte-coreano “continua produzindo material físsil” para bombas atômicas.

Em 12 de junho, Kim e Trump assinaram uma carta de intenções prometendo “trabalhar rumo” à “desnuclearização” da Península Coreana. Desde então, a Coreia do Norte. Fez gestos simbólicos, como desmontar a Estação de Lançamento de Satélites de Sohae, mas, na prática, estaria se esforçando para manter sua capacidade nuclear.

“Vimos indo para o trabalho como antes”, observou um funcionário americano, falando da fábrica de Sanumdong, onde os norte-coreanos estariam trabalhando no míssil Hwasong-15, como mostraram imagens da Agência Nacional de Inteligência Geoespacial.

De acordo com a reportagem do Post, altos funcionários norte-coreanos tentam esconder o número de ogivas nucleares e mísseis, assim como de instalações nucleares, com o objetivo de não dar acesso total a inspetores internacionais. A ditadura stalinista de Pyongyang pretende declarar e entregar 20 ogivas nucleares, preservando dezenas.

sábado, 7 de julho de 2018

Coreia do Norte considera "lamentável" exigência de desnuclearização total

O Ministério do Exterior da Coreia do Norte chamou hoje de "lamentável" a exigência dos Estados Unidos de uma desnuclearização total e unilateral como precondição para as negociações entre os dois países. Assim, desmentiu o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, que saiu de Pyongyang declarando que a visita foi "positiva".

Pompeo admitiu que há muito trabalho a ser feito, mas seu otimismo contrasta com o ceticismo do regime comunista norte-coreano, que descreveu a postura de negociação dos EUA como "gangsterista" e "cancerosa".

Depois da carta de intenções assinada pelo presidente Donald Trump e pelo ditador Kim Jong Un no histórico encontro de cúpula de 12 de junho, em Cingapura, os negociadores dos dois países precisam começar a discutir os detalhes técnicos da desnuclearização e do regime de inspeções para fiscalizar um possível acordo. As indicações neste momento não são favoráveis.

Enquanto os EUA exigem uma "desnuclearização completa, irreversível e verificável", a Coreia do Norte amplia suas instalações nucleares. É um sinal de que pretende manter sua capacidade nuclear ou ao menos ganhar tempo e arrastar as negociações com avanços e recuos como em ocasiões anteriores.

As exigências de segurança da Coreia do Norte para abrir mão de suas armas atômicas também são desconhecidas. Se incluírem a retirada total dos 28,5 mil soldados americanos estacionados na Coreia do Sul, os EUA não aceitarão.

sábado, 30 de junho de 2018

Coreia do Norte aumentou produção de combustível nuclear

Em um sinal de que não pretende abandonar suas armas atômicas, a Coreia do Norte aumentou a produção de combustível nuclear e fez reformas importantes para melhorar um centro de pesquisas, revelaram imagens de satélites-espiões dos Estados Unidos.

Quando for a Pyongyang nesta semana, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, vai deixar claro que os EUA conhecem as reais dimensões do programa nuclear norte-coreano. Não estão dispostos a aceitar que algo seja escondido.

No encontro de cúpula histórico de 12 de junho em Cingapura, o presidente Donald Trump e o ditador Kim Jong Un assinaram uma carta de intenções. O regime comunista norte-coreano se comprometeu com a desnuclearização em troca de garantias de segurança e de ajuda ao desenvolvimento econômico.

Apesar das promessas, dos sorrisos e das juras de melhora nas relações entre os dois países, o que está sendo aperfeiçoado é a Central Nuclear de Yongbion, revelou o boletim de notícias 38 North, especializado em Coreia do Norte. Seu nome vem do paralelo 38º Norte, que divide as duas Coreias.

"De jeito nenhum, a Coreia do Norte vai abandonar algum dia suas armas nucleares", observou o diretor do Centro para o Interesse Nacional, Harry Kazianis, ao comentar as últimas notícias. "Desde a cúpula, aprendemos que a Coreia do Norte está querendo uma coisa do governo Trump: a aceitação do status nuclear, não o desarmamento."

A reunião com Trump foi uma vitória diplomática de Kim, que saiu de seu isolamento histórico e ainda conseguiu do presidente americano uma concessão importante: a suspensão das manobras militares conjuntas dos EUA com a Coreia do Sul.

Trump ganhou prestígio, mas está sendo criticado por dizer que a ameaça nuclear norte-coreana acabou. Na quarta-feira, o secretário de Estado, Mike Pompeo, declarou ao Senado que o risco ainda existe. O presidente estaria falando numa redução da ameaça. "Não existe nenhuma dúvida a esse respeito", concluiu Pompeo.

O documento assinado em Cingapura é vago. Todos os detalhes do programa de desnuclearização da Coreia do Norte serão definidos em negociações longas e complexas.

Kazianis acredita que Kim vai usar a mesma tática de seu avô e de seu pai, de quem herdou o poder num comunismo dinástico: "Negociar durante meses ou anos enquanto consolida Pyongyang como uma potência nuclear.

Outros analistas têm mais esperanças. Jonathan Schanzer, da Fundação para a Defesa das Democracias, vê nas imagens de satélite "inegavelmente um sinal de que a Coreia do Norte não será uma parceira confiável neste esforço de desnuclearização. Espero um misto de barganhas e ameaças de parte dos EUA para descobrir se a Coreia do Norte é séria no compromisso de concluir o processo."

Os EUA terão de mostrar seriedade, fazer pressão, talvez aumentar sua presença militar na região, o que incomodará a China. No senado, o secretário Pompeo considerou "inapropriado e, francamente, contraproducente" revelar "detalhes das discussões em andamento".

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Greve e protestos indicam agravamento da crise econômica no Irã

Muitas lojas do Grande Bazar de Teerã não abriram ontem numa greve de protesto e uma nova onda de manifestações sinalizaram um agravamento da crise econômica do Irã, com a desvalorização da moeda e o aumento dos juros desde que o governo Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo nuclear para desarmar o programa nuclear do país.

Se o fim das sanções e a volta do Irã ao mercado internacional não tiveram o impacto positivo esperado sobre a economia do país, a volta das sanções e a suspensão de investimentos externos trouxeram de volta o fantasma da crise que levou o regime dos aiatolás às negociações com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha.

Os protestos são destaque do noticiário iraniano, inquietando as autoridades da República Islâmica, que costumam responder com repressão e manifestações paralelas a favor do regime.

Como os EUA aplicam sanções cruzadas, as empresas de outros países que fizerem negócios com a Irã poderão ser penalizadas e perder o direito de acesso ao mercado americano e a transações em dólar dentro sistema financeiro.

Pelas exigências feitas pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo, para reabrir o diálogo, retirada de forças iranianas de outros países e fim do apoio a grupos extremistas e da interferência em outros países do Oriente Médio,   parece claro que a política do governo Trump para o Irã é mudança de regime.

O Irã também fez demandas inaceitáveis para Washington, como a retirada dos EUA do Afeganistão e o fim do apoio a Israel. Não há perspectiva de reaproximação entre os dois governos enquanto Trump estiver no poder.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Kim e Trump mostram otimismo no encontro de cúpula histórico

Eles apertaram as mãos como velhos camaradas. Sorriram para as câmeras diante de bandeirinhas dos dois países. O presidente Donald Trump tomou um ar professor. O sanguinário ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, parecia um jovem estudante deslumbrado. O clima era de paz e concórdia.

Seis meses depois de trocarem ameaças de morte ferozes e ofensas pessoais, Trump e Kim se encontraram hoje em Cingapura para iniciar um diálogo pela paz. Os Estados Unidos exigem a "desnuclearização completa, irreversível e verificável, enquanto a Coreia do Norte quer reconhecimento, garantias de segurança e o fim das sanções internacionais que sufocam a frágil economia do regime comunista.

Trump e Kim ficaram sozinhos com os tradutores durante 45 minutos. Depois, houve uma reunião de trabalho com os assessores. Neste momento, há um almoço de trabalho.

A principal oferta dos EUA, além de garantir a manutenção de Kim no poder, é promover o desenvolvimento econômico da Coreia do Norte, um país que parou no tempo em comparação com a Coreia do Sul. Trump vai sair cantando vitória, como de costume, mas por enquanto o grande vencedor é o ditador norte-coreano.

Kim Jong Un acaba de conseguir o que a Coreia do Norte sempre quis: negociações diretas com os EUA, ignorando a Coreia do Sul e o Japão, que o regime stalinista de Pyongyang sempre descreveu como "fantoches de Washington".

De pária da sociedade internacional, depois de sua mensagem conciliatória de Ano Novo, iniciando a reaproximação com a Coreia do Sul, Kim conseguiu encontros com os presidentes dos EUA e da Coreia do Sul, e com o ditador da China, Xi Jinping, seu maior aliado. Com sua disposição para o diálogo, a China e a Rússia estão prontas a relaxar as sanções internacionais para garantir a sobrevivência econômica do regime comunista dinástico.

Sem ceder em absolutamente nada, Kim conseguiu reconhecimento internacional, câmeras e holofotes para consolidar sua imagem interna de estadista dedicado a garantir um futuro melhor para o país mais fechado do mundo.

O mais difícil começa em seguida. As negociações para desarmar o programa nuclear da Coreia do Norte e a implementação de um possível acordo devem levar anos. A diferença agora é o contato direto e pessoal dos dois líderes. Mas há muito mais em jogo.

Interessados diretos no resultado final, a China, o Japão e a Coreia do Sul, e em escala menor a Rússia, vão tentar influenciar as negociações. Aos governos de Tóquio e Seul, não serve, por exemplo, um acordo que elimine os mísseis intercontinentais, capazes de atingir os EUA, mas permite os de curto e médio alcances.

A China gostaria da retirada total dos 28,5 mil soldados americanos estacionados na Coreia do Sul, mas é improvável que os EUA aceitem isso mesmo se as duas Coreias finalmente assinarem um acordo de paz, pondo fim à Guerra da Coreia (1950-53).