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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Trump tenta justificar a guerra e promete fim em semanas

Num pronunciamento sem grandes novidades dirigido aos norte-americanos, o presidente Donald Trump defendeu hoje à a noite a necessidade de ir à guerra contra o Irã, insistiu em que está perto de atingir seus objetivos e prometeu mais uma vez acabar com o conflito armado em duas a três semanas. Tenta transformar um fracasso geopolítico retumbante numa vitória.

Trump começou exaltando o suposto sucesso dos militares dos Estados Unidos em pouco mais de um mês de guerra. Mais cedo, declarou que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu um cessar-fogo. O regime extremista iraniano negou e a Guarda Revolucionária afirmou que o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, não será reaberto com as "diatribes ridículas" do presidente norte-americano.

Para justificar a guerra, Trump lembrou que o regime ameaça os EUA desde a vitória da Revolução Islâmica em 1979. Citou dos ataques às forças norte-americanas no Líbano nos anos 1980 ao terrorismo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a Israel em 7 de outubro de 2023 para reiterar que o Irã jamais poderá ter armas nucleares. Recordou a morte do general Qassem Soleimani, comandante do braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, morto por um drone dos EUA perto do aeroporto de Bagdá em 3 de janeiro de 2020, no seu primeiro governo.

Se não tivesse matado Soleimani e acabado, em maio de 2018, com o "acordo desastroso" negociado pelo governo Barack Obama junto com as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidos, a situação seria muito pior, gabou-se Trump. Com seu estilo hiperbólico, alegou que "seria um mundo muito diferente: não haveria Israel nem Oriente Médio."

"Outros presidentes erraram. Estou corrigindo os erros", prosseguiu. "Em junho, ordenei o ataque às principais instalações nucleares na Operação Martelo da Meia-Noite." Na época, afirmou que o programa nuclear do Irã teria sido "completamente obliterado". Neste caso, não haveria necessidade de uma nova guerra. 

"O regime tentou então reconstruir o programa em locais totalmente diferentes, deixando claro que queria fazer armas nucleares. (...) Ao mesmo tempo, desenvolveu mísseis capazes de atingir praticamente o mundo inteiro." Mais um exagero. O Irã disparou um míssil contra uma base aérea na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico, a 4 mil quilômetros de distância, mas as estimativas são de que levaria 10 anos para ameaçar o território dos EUA.

Ao contrário do que diz a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), "estavam perto de fabricar armas nucleares", argumentou. "Há anos, eu disse que o Irã não poderia ter armas nucleares, mas falar não basta. Estou fazendo o que outros presidentes não tiveram coragem de fazer. Eliminei a Marinha, a Força Aérea, o programa de mísseis e a indústria bélica. Isso vai impedir o Irã de ameaçar os vizinhos. Esses objetivos estão perto da conclusão. Vamos terminar o trabalho em breve."

Desde o início da guerra, Trump cantou vitória mais de 20 vezes. Hoje, mentiu que a produção de petróleo dos EUA é maior do que as da Arábia Saudita e da Rússia juntas para afirmar que "não precisamos do petróleo do Estreito de Ormuz. Os países que recebem petróleo por lá devem proteger a rota de que tanto dependem. O Estreito de Ormuz será reaberto naturalmente quando a guerra acabar e os preços do petróleo vão cair."

Os preços da gasolina para o consumidor norte-americano vão ser decisivos nas eleições parlamentares de 3 de novembro nos EUA, quando Trump deve perder a maioria na Câmara e talvez também no Senado. Como o discurso de Trump decepcionou, os mercados abriram em queda na Ásia e o petróleo em alta.

Aos países abalados pela alta nos preços do petróleo para um patamar de US$ 100 por barril na pior crise energética da história, o presidente sugeriu: "Comprem dos EUA ou tenham uma coragem tardia e tomem o estreito", o que ele não tem coragem de fazer porque morreriam muitos soldados norte-americanos.

Trump criticou os aliados europeus por negar o uso de suas bases para ações de ataques e por não se oferecerem para reabrir o Estreito de Ormuz. Praticamente não falou das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico e dos outros aliados asiáticos, que tiveram enormes prejuízos com a guerra. Nem em Israel, que tem interesse numa guerra longa capaz de minar as bases econômicas e militares do Irã para levar o regime ao colapso.

"Vamos continuar a Operação Fúria Épica até atingir nossos objetivos, até daqui a pouco, muito pouco, os levamos de volta à Idade da Pedra", continuou Trump. Mais uma vez, prometeu atacam duramente o Irã nas próximas semanas, inclusive as usinas elétricas se o regime iraniano não fizer um acordo, uma contradição para quem garante que a guerra está ganha.

O presidente comparou a duração desta guerra com a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Guerra da Coreia (1950-53), a Guerra do Vietnã (1955-75) e a Guerra do Iraque (2003-11) para alegar que foi curta. Está no 32º dia.

Outra mentira: "Nunca falamos em mudança de regime." No início da guerra, era claro que esse era o principal objetivo dos EUA e de Israel. Agora, Trump alega que o regime mudou porque vários líderes foram mortos, mas o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, foi substituído pelo filho, o líder mais pragmático, Ari Larijani, o principal negociador iraniano, foi morto. 

O homem-forte do regime hoje aparentemente é o presidente do Majlis, o Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, ex-prefeito de Teerã, ex-comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária e ex-candidato a presidente. Ele rejeita qualquer negociação, embora o presidente Masoud Pezeshkian tenha dito em carta aberta ao povo norte-americano que o povo iraniano não é inimigo dos EUA e da Europa.

A Guarda Revolucionária está no controle, mais radicalizada e mais determinada a fabricar armas atômicas como garantia de sobrevivência do regime. Trump não falou em apreender os 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, a meio caminho para chegar a 90%, o teor necessário para fazer, com esta quantidade de urânio, até 10 armas nucleares.

Esta é a grande preocupação de Israel e dos analistas militares. Trump quer declarar vitória e ir embora deixando no poder uma ditadura mais extremista com capacidade de fabricar armas atômicas.

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sábado, 28 de fevereiro de 2026

EUA e Israel bombardeiam Irã para derrubar o regime

 Apesar das negociações em andamento dois dias atrás, Israel e os Estados Unidos lançaram hoje um ataque coordenado ao Irã, que reagiu bombardeando Israel e países árabes com bases militares norte-americanas. O presidente Donald Trump conclamou o povo iraniano a derrubar o regime fundamentalista, mas será difícil fazer isso sem uma operação terrestre.

A Operação Fúria Épica é a maior ofensiva militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque pelos EUA em março de 2003. O Crescente Vermelho, a Cruz Vermelha dos países muçulmanos, declarou que pelo menos 201 pessoas foram mortas e 747 feridas no Irã. 

Pelo menos 35 mísseis balísticos foram disparados contra Israel. A resposta iraniana não se limitou a Israel e a bases militares norte-americanas. Atingiu áreas civis de países vizinhos como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Kuwait.

O Departamento da Defesa anunciou que os alvos foram bases militares, os líderes e o sistema de defesa do regime fundamentalista iraniano. Desde que Israel e os EUA bombardearam o Irã na Guerra dos Doze Dias, em junho do ano passado, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Iraniana, aiatolá Ali Khamenei, teria indicado prováveis sucessores.

Em pronunciamento agora na televisão, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que chegou a hora de derrubar o regime, o que consolidaria a hegemonia israelense no Oriente Médio. Também anunciou a morte do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei.

Mais tarde, o governo iraniano confirmou as mortes de Khamanei, do ministro da Defesa, general Aziz Nassirzadeh; do comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, general Abdolrahim Mussavi; do comandante em chefe dos Guardiões da Revolução, general Mahammad Pakpur; e do almirante Ali Shamkhani, assessor do Líder Supremo e secretário do Conselho de Defesa. 

Sem uma invasão terrestre, o sucesso da operação depende da capacidade de uma revolta interna derrubar a ditadura dos aiatolás. Trump prometeu nove vezes ajudar uma insurreição, mas palavras não bastam. No primeiro momento, o mais provável é que a Guarda Revolucionária Iraniana recomponha sua cadeia de comando e assuma o controle. 

Uma onda de protestos deflagrada em 28 de dezembro no Grande Bazar de Teerã foi duramente reprimida pelo regime e suas milícias. O governo iraniano admitiu 3.117 mortes. A Agência de Notícias Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos EUA, citada pelo jornal britânico The Guardian, afirma ter confirmado 6 mil mortes e estar investigando outras 16 mil. Uma estimativa baseada em relatos médicos eleva esse total 33 mil. 

De modo geral, bombardeios aéreos não são suficientes para vencer guerras. Durante a Segunda Guerra Mundial, a blitz da Alemanha Nazista contra Londres fortaleceu a determinação dos britânicos. Na Guerra do Vietnã, os EUA bombardearam intensamente o Vietnã do Norte e perderam. 

Uma exceção foi a Guerra do Kosovo, em 1999. Depois de 78 dias de ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Sérvia abandonou o controle da província, mas o ditador Slobodan Milosevic só caiu em 5 de outubro de 2000 numa revolta popular contra fraude eleitoral.

Nos últimos dias, houve especulações sobre quais seriam os objetivos de uma ação militar dos EUA no Irã. Poderia ser uma demonstração de força para forçar o regime dos aiatolás a aceitar as condições impostas por Trump na mesa de negociações, uma nova tentativa de destruir o programa nuclear iraniano, ou de matar Khamenei numa estratégia de cortar cabeças e decapitar a liderança, ou de derrubar o regime. Sob pressão de Israel, Trump optou por acabar com o regime.

Em 14 de junho 2015, no governo Barack Obama, as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha fecharam um acordo com o Irã para congelar por 10 anos a parte militar do programa nuclear iraniano, sob fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018. 

No governo Joe Biden (2021-25), os EUA se propuseram a retomar as negociações, mas incluíram limitações ao programa de mísseis do Irã e o fim do apoio iraniano a milícias no Oriente Médio. 

Agora, nas negociações realizadas até quinta-feira passada, Trump fazia as mesmas exigências de Biden. O Irã só aceitava discutir a questão nuclear, não os mísseis nem o apoio a milícias. Um nova rodada de negociações indiretas mediadas pelo Catar estava prevista para segunda-feira em Viena, a capital da Áustria, sede da AIEA. Como no ataque de junho passado, Trump usou a tática de enganar o inimigo ao sugerir que as negociações estavam em andamento.

A meta dos bombardeios é acabar com a Revolução Islâmica, que tomou o poder no Irã em fevereiro de 1979 após derrubar o xá Reza Pahlevi, um ditador aliado do Ocidente e de Israel. O xá estava no poder desde agosto de 1953, quando o primeiro golpe militar articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria derrubou o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo, a grande riqueza natural do país.

Desde o início, os EUA (Grande Satã) e Israel (Pequeno Satã) foram declarados os principais inimigos do regime fundamentalista iraniano. Em 4 de novembro de 1979, guardas revolucionários invadiram a Embaixada dos EUA em Teerã e tomaram diplomatas e funcionários como reféns.

A ocupação da embaixada durou 444 dias, até a posse de Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981. Só aí foram soltos os últimos 52 reféns. Os dois países não reataram as relações diplomáticas.

Nesta guerra, uma das ameaças de retaliação do Irã é fechar o Estreito de Ormuz, a saída do Golfo Pérsico, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, inclusive da Arábia Saudita, maior exportador mundial, e das outras monarquias petroleiras da região. No momento, há petroleiros parados dos dois lados do estreito. O preço do barril de petróleo tipo Murban, de Abu Dhabi, subiu 4% para US$ 74,24.

Como os rebeldes hutis do Iêmen são aliados do Irã, também pode haver ataques a navios no Estreito de Bab al-Mandabe (Portão das Lágrimas, em árabe), que é a saída do Mar Vermelho para o Golfo de Áden e o Oceano Índico, como aconteceu durante a guerra na Faixa de Gaza.

A previsão é que não seja uma guerra curta como quer Trump. O poder de retaliação do Irã, mas o regime tem amplo controle de seu território e pode fechar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, e recorrer a ações terroristas no exterior. Ao longo de sua história, tem sido cruel com rebeldes e dissidentes.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Irã clama por liberdade

Quarenta e sete anos depois da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, a ditadura teocrática do Irã enfrenta seu maior desafio, uma revolta popular sem precedentes, com mais de 2,5 mil mortes. 

O presidente Donald Trump ameaçou bombardear alvos do regime fundamentalista xiita se manifestantes fossem mortos. O ataque, ilegal à luz do direito internacional, pode acontecer neste fim de semana e iniciar uma nova guerra no Oriente Médio.

A atual onda de manifestações começou em 28 de dezembro no Grande Bazar, o mercado central de Teerã, em protesto contra a desvalorização da moeda e a inflação. Espalhou-se pelas 31 províncias do país. Em 8 de janeiro, o governo iraniano bloqueou a Internet e os telefonemas internacionais. No domingo passado, o massacre se tornou evidente nas imagens que conseguiram ser divulgadas no exterior.

 Não há garantia de que uma intervenção militar seja capaz de derrubar a ditadura. Bombardeios aéreos não têm como impedir as forças de segurança de continuar matando manifestantes. Mas regime dos aiatolás e da Guarda Revolucionária perdeu toda e qualquer legitimidade. Está condenado.

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quinta-feira, 12 de junho de 2025

Força Aérea de Israel ataca o programa nuclear do Irã

 A Força Aérea de Israel (FAI) confirmou há pouco que está bombardeando o programa nuclear, fábricas e bases de lançamento de mísseis, defesas antiaéreas e comandantes militares do Irã. Foram seis ondas de ataque. Os alarmes antiaéreos soam em todo o Estado de Israel como advertência para a resposta iraniana. Todos os voos de e para Israel estão suspensos. O espaço aéreo está fechado. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está reunido com o gabinete de guerra. Os preços do barril de petróleo subiram quase 9% para cerca de US$ 75.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, descreveu o ataque como "preemptivo", para evitar que o Irã faça a bomba atômica. A Operação Leão se Levanta deve durar vários dias. No final, "não haverá ameaça nuclear" do Irã, declararam oficiais militares de Israel. "Temos uma oportunidade estratégica. Chegamos a um ponto sem volta e não tínhamos escolha a não ser agir agora."

Em nota oficial, as Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram o início de "um ataque preemptivo e preciso" contra o Irã "com o objetivo de destruir o programa nuclear iraniano e em resposta à contínua agressão do regime iraniano contra Israel". Em meia hora, teriam destruído as defesas antiaéreas iranianas.

"Dezenas de aviões da Força Aérea de Israel completaram recentemente o golpe inicial, que incluiu dezenas de ataques contra alvos militares, inclusive locais ligados ao programa nuclear em várias regiões do Irã", acrescentou a nota. "O público deve seguir as instruções do Comando da Frente Interna das FDI ... e agir com calma e responsabilidade. As FDI e as autoridade relevantes estão preparadas para uma variada gama de hipóteses defensivas e ofensivas que podem ser necessárias."

"Há anos", continua a declaração, "o regime iraniano trava uma campanha direta e indireta de terror contra o Estado de Israel, financiando e dirigindo atividades terroristas através de seus aliados no Oriente Médio, enquanto avança para obter armas nucleares. O regime iraniano é a cabeça do eixo responsável por todos os ataques terroristas contra Israel desde o início da guerra", afirma o comando militar israelense.

"O regime iraniano proclama que seu objetivo é destruir o Estado de Israel. Altos funcionários do regime iraniano declararam a intenção de destruir Israel e operam neste sentido com seus aliados no Oriente Médio. Hoje, o Irã está mais perto do que nunca de obter uma arma nuclear. Armas de destruição em massa nas mãos do regime iraniano são uma ameaça existencial ao Estado de Israel e ao resto do mundo. O Estado de Israel não vai permitir que um regime cujo objetivo é destruir Israel obtenha armas nucleares", concluiu a nota.

Israel alega que o Irã tem urânio enriquecido para fabricar nove armas nucleares. Um dos principais alvos foi a Central Nuclear de Natanz, principal instalação de enriquecimento de urânio do Irã. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Mohammad Bagheri, o comandante da Guarda Revolucionária Iraniana, o braço armado da ditadura dos aiatolás, general Hossein Salami, o comandante da Defesa Aérea, general Ghulam  Ali Rashid, e dez cientistas nucleares iranianos, entre eles Fereydoun Abbasi-Davani e Mohammad Mehdi Tehranchi, foram mortos.

Em pronunciamento na televisão, o primeiro-ministro Netanyahu agradeceu o apoio dos Estados Unidos, mas o presidente Donald Trump avisou que não participaria do ataque, o que foi confirmado há pouco pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Para tentar aliciar iranianos que são contra o regime, Netanyahu disse: "Nossa luta não é contra vocês. Nossa luta é contra a ditadura brutal que oprime vocês há 46 anos. Acredito que o dia da sua libertação está próximo. Quando isto acontecer, a grande amizade entre nossos povos vai voltar a florescer".

O xá Mohamed Reza Pahlevi, derrubado pela Revolução Islâmica em fevereiro de 1979, era aliado de Israel.

Na primeira reação oficial do Irã, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, ameaçou com uma "punição severa": Israel vai enfrentar "um destino amargo e o doloroso", declarou o ditador iraniano através da Agência de Notícias República Islâmica (IRNA).

Israel "abriu sua mão cruel e manchada de sangue para cometer um crime contra nosso amado país, revelando mais do que nunca sua natureza perversa ao atacar áreas residenciais. Com este crime, o regime sionista "traçou para si um destino amargo e doloroso que definitivamente vai ter."

No ano passado, o Irã bombardeou Israel diretamente pela primeira vez e fez isso duas vezes. Israel contra-atacou destruindo as defesas antiaéreas iranianas, numa preparação ao ataque desta noite.

Ontem, o Irã ameaçou atacar as bases militares dos EUA, que tem 40 a 45 mil soldados no Oriente Médio num total de 64 instalações militares. Rubio advertiu a não fazer isso, sob pena de retaliação, e hoje declarou que os EUA não participaram dos bombardeios. Mas certamente vão participar da defesa de Israel quando o Irã responder. O secretário de Estado disse que a prioridade é proteger os militares norte-americanos.

Neste fim de semana, os EUA e o Irã fariam a sexta rodada de negociações para tentar desarmar o programa nuclear iraniano. Até agora, não havia avanços porque o governo Trump exigia o fim do processamento de urânio pela República Islâmica. Israel era contra a negociação, que hoje perdeu o sentido.

A questão agora é qual será a capacidade de retaliação do regime iraniano, que certamente está mais decidido do que nunca a fazer a bomba atômica. Israel afirma que não quer mudança de regime, mas como o Irã já desenvolveu a tecnologia só uma mudança de regime garantiria a segurança de Israel.

O Irã tem hoje 610 mil soldados nas Forças Armadas, 190 mil na Guarda Revolucionária, 350 mil reservistas e 90 mil membros da milícia Basij, que faz o jogo sujo do regime internamente, e mais de 3 mil mísseis. Mas não conseguir direito de passagem pelos países vizinhos para chegar a Israel por terra.

domingo, 14 de abril de 2024

Irã contra-ataca Israel com mais de 300 drones e mísseis

Em resposta ao bombardeio ao Consulado Iraniano em Damasco, na Síria, em 1º de abril, o Irã disparou neste sábado mais de 300 drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro contra o território israelense. As Forças de Defesa de Israel afirmaram que 99% foram abatidos. Só há notícia de uma pessoa gravemente ferida, uma criança de 7 anos.

É o primeiro ataque direto do território iraniano contra Israel. Pode transformar a guerra indireta entre os dois países que vem desde a Revolução Islâmica no Irã em 1979 numa guerra aberta capaz de atrair os Estados Unidos e levar a uma conflagração geral no Oriente Médio com forte impacto sobre a economia mundial.

Nem os EUA nem o Irã tem interesse numa guerra direta que abalaria as chances de reeleição do presidente Joe Biden e colocaria um risco a ditadura teocrática dos aiatolás e da Guarda Revolucionária Iraniana. 

A missão do Irã nas Nações Unidas anunciou o fim do ataque na noite de ontem pelo horário de Brasília, mas, com certeza, Israel vai retaliar. O objetivo é restaurar a dissuasão e evitar novos ataques. Os possíveis alvos são milícias aliadas ao Irã no Líbano, na Síria, no Iraque e no Iêmen e o território iraniano

O governo israelense decide neste domingo sua próxima ação. Como o território de Israel foi atacado, o novo ataque tende a incluir o território iraniano. Se for maximalista, ataca as instalações nucleares do Irã, já que uma bomba atômica iraniana é considerada hoje a maior ameaça à existência de Israel. Mesmo que não seja, há o risco de uma escalada no conflito rumo a uma guerra que possivelmente envolveria os EUA.

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domingo, 7 de abril de 2024

Guerra faz seis meses sem perspectiva de paz e com risco de ampliação

Depois de seis meses de um dos conflitos mais violentos do século 21, com quase 35 mil mortes, Israel não conseguiu atingir nenhum de seus objetivos políticos e a guerra corre o risco de se ampliar por causa do bombardeio israelense ao Consulado do Irã em Damasco, na Síria, que matou sete membros da Guarda Revolucionária Iraniana, entre eles quatro generais, um deles o comandante do braço da guarda para ações no exterior.

As negociações para uma trégua e nova troca de reféns por presos estão estagnadas. Os Estados Unidos e Israel estão em alerta máximo à espera de uma retaliação do Irã, que pode vir com ataques de drones e mísseis ou atentados terroristas cometidos por milícias aliadas.

Além da ameaça de uma guerra com o Irã e as 60 milícias sustentadas pela ditadura teocráticas dos aiatolás, Israel está no maior afastamento dos Estados Unidos, seu principal aliado, em toda sua história. Na quinta-feira, o presidente Joe Biden e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tiveram o diálogo mais duro desde o início da guerra.

A estratégia israelense na luta contra o grupo terrorista Movimento de Resistência (Hamas) é de terra arrasada. De acordo com levantamento do jornal francês Le Monde, cerca de 60% dos hospitais, das escolas, das universidades e dos locais de culto na Faixa de Gaza foram totalmente destruídas ou danificadas.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Israel bombardeia consulado do Irã na capital da Síria

 Em uma escalada capaz de agravar ainda mais a guerra no Oriente Médio, Israel bombardeou na segunda-feira o Consulado Iraniano em Damasco, a capital da Síria. Entre os 11 mortos, sete eram membros da Guarda Revolucionária Iranianos e três eram generais, inclusive o comandante da Força Quds, braço da guarda para ações.

O regime fundamentalista xiita iraniano acusou Israel e os Estados Unidos, num sinal de que as milícias financiadas e armadas pelo Irã podem voltar a atacar bases militares norte-americanas na região. O risco maior é de uma guerra direta entre Israel e o Irã, em que os EUA interviriam.

Outra possibilidade é uma guerra total entre Israel e a milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), muito mais poderosa militarmente do que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

O Irã e o Hesbolá foram importantes para sustentar a ditadura de Bachar na guerra civil síria e tem forte presença no país.

Outro bombardeio israelense matou sete voluntários da organização não governamental World Central Kitchen, que dava ajuda alimentar na Faixa de Gaza. O total de palestinos mortos no território em guerra subiu para 32.845.

sábado, 3 de fevereiro de 2024

EUA atacam 85 alvos de milícias xiitas no Iraque e na Síria

 Em resposta à morte de três soldados norte-americanos num ataque a uma base militar na Jordânia no domingo passado, os Estados Unidos bombardearam 85 alvos de 7 locais diferentes ligados à da Guarda Revolucionária Iraniana e a milícias armadas, treinadas e financiadas pelo Irã no Iraque e na Síria com 125 bombas inteligentes, de maior precisão.

O ataque foi realizado por aviões bombardeiros B-1 que saíram dos EUA e voaram diretamente até seus alvos, a 10 mil quilômetros de distância, sendo reabastecidos no ar para mostrar que o país pode bombardear onde qualquer ponto da terra.

Pelo menos 18 milicianos de grupos apoiados pelo Irã morreram na Síria, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos. No Iraque, pelo menos 16 pessoas foram mortas.

O Iraque foi avisado com antecedência. Fez um protesto formal, mas dificilmente vai expulsar as forças dos EUA, que voltaram ao país para combater o grupo terrorista Estado Islâmico.

Em Teerã, o presidente Ebrahim Raïsi reafirmou que o Irã não quer a guerra, mas dará uma "resposta forte" a qualquer agressão. Isso indica que deve haver novos ataques a forças norte-americanas, talvez dentro de algum tempo. É provável que haja novos ataques e contra-ataques num futuro próximo.

Para dissuadir novas ações inimigas, o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca advertiu que é só o começo.

Na guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o grupo terrorista responsável pelo ataque de 7 de outubro, o Exército de Israel avançou rumo a Rafá, no extremo sul da Faixa de Gaza, para onde fugiu grande parte da população civil palestina.

O total de palestinos mortos na guerra em Gaza subiu para 27.238. Outros 66.452 foram feridos. No ataque terrorista de 7 de outubro a Israel, 1.139 israelenses e estrangeiros foram mortos e cerca de 250 sequestrados. Numa trégua no fim de novembro, 110 reféns foram soltos em troca de 240 presos palestinos.

As negociações para uma trégua e troca de reféns israelenses por presos palestinos foram suspensas por alguns dias para o Hamas consultar o que chama de "forças da resistência". O grupo terrorista exige a libertação de 100 a 150 presos para cada refém israelense e um cessar-fogo definitivo, com o fim da guerra.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Irã promete responder a "toda ameaça" dos EUA

 Num desafio aos Estados Unidos, o Irã declara que não quer a guerra, mas não vai fugir da luta. O presidente Joe Biden avisou que já decidiu como contra-atacar depois da morte de três soldados norte-americanos em ataque na Jordânia no domingo passado e prometeu punir quem armou a milícia responsável pelo bombardeio.

“Ouvimos ameaças de altos funcionários dos EUA de ataques ao Irã. Já nos testaram e nos conhecemos. Não vamos deixar nenhuma ameaça sem resposta. Não queremos a guerra, mas não temos medo dela”, declarou o comandante da Guarda Revolucionária Iraniana, general Hossein Salami.

Nem os EUA nem o Irã quer a guerra, mas o risco de acidentes, erros de cálculos e escaladas inesperadas sempre existe.

A estratégia de dissuasão de Washington não funcionou até agora porque as milícias financiadas, treinados e armadas pelo Irã ganham prestígio, apoio político e mais recursos ao enfrentar os EUA. Mas a trégua anunciada pelo grupo iraquiano Kataib Hesbolá (Batalhões do Partido de Deus), acusado pelo Pentágono pelo ataque, indica que sofreu pressões do Irã e do Iraque.

Essas milícias que ameaçam a segurança internacional, grupos armados não estatais, têm alguma autonomia, mas dependem de países para receber armas, dinheiro, cobertura diplomática e proteção.

A melhor maneira de conter o risco de uma grande conflagração no Oriente Médio é acabar com a guerra inicial entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). O líder supremo do Hamas, Ismail Haniya, é esperado no Cairo para acelerar as negociações para um cessar-fogo e a troca de reféns israelenses por presos palestinos, a esperança de início do fim da guerra.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Biden tomou decisão de atacar e milícia suspeita anuncia trégua

 O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, avisou ontem que está pronto para contra-atacar depois da morte de três soldados norte-americanos numa base militar na Jordânia na madrugada de domingo e incluiu entre os alvos o país que fabricou o drone: o Irã. Deve bombardear bases da Guarda Revolucionária Iraniana, provavelmente em outros países, sem alvejar o território do Irã, e a milícia iraquiana responsável pelo ataque. Um porta-voz da Casa Branca falou em "múltiplas ações".

Em uma tentativa de se esquivar, a milícia que o Departamento da Defesa dos EUA considera responsável, o grupo Kataib Hesbolá (Batalhões do Partido de Deus) anunciou uma trégua, mas não será poupado. O objetivo dos EUA é reduzir a capacidade ofensiva do grupo e matar seus líderes.

Um cessar-fogo na Faixa de Gaza e a libertação dos reféns israelenses podem começar na próxima semana, noticiou o jornal árabe Al Araby al-Jadeed, editado em Londres. Mas pelo menos nas declarações oficiais, as diferenças ainda são grandes.

O líder máximo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Ismail Haniya, está examinando as propostas discutidas no fim de semana em Paris pelos EUA, Israel, o Egito e o Catar, mas insiste no fim da guerra, na retirada total de Israel e no fim do cerco a Gaza.

Por outro lado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeita o fim da guerra, a retirada de Israel e a libertação de milhares de prisioneiros palestinos, especialmente os mais perigosos, mas pode ser desautorizado pelos ex-comandantes militares Benny Gantz e Gadi Eisenkot, membros do gabinete de guerra.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Milícia ligada ao Irã mata três soldados dos EUA na Jordânia

 O presidente Joe Biden afirmou que os Estados Unidos vão retaliar como e quando quiserem a um bombardeio de drones que matou três soldados norte-americanos e feriu outros 34 numa base militar da Jordânia perto da fronteira com a Síria. A oposição republicana exigiu um contra-ataque direto ao Irã, que sustenta todas as milícias envolvidas na atual guerra no Oriente Médio.

A Resistência Islâmica no Iraque, uma aliança de milícias apoiadas pela ditadura teocrática iraniana, assumiu a autoria do ataque. O Irã negou qualquer ligação com o bombardeio, que atribuiu ao "conflito entre os EUA e grupos da resistência". Mas aumenta o risco de um confronto direto entre os EUA e a República Islâmica.

Desde 17 de outubro, houve 180 ataques de milíicias ligadas ao Irã a bases onde há soldados norte-americanos no Iraque, na Síria e agora na Jordânia. Os contra-ataques dos EUA mataram pelo menos 30 milicianos, inclusive um comandante do grupo Harakat Hesbolá al-Nujaba (Movimento dos Nobres do Partido de Deus

Quatro diferentes ataques de drones visaram no domingo três bases militares. A Torre 22 foi alvejada. Pela primeira vez desde o início da guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), militares norte-americanos são mortos por fogo inimigo. Em 11 de janeiro, dois soldados da força de elite Seals, da Marinha dos EUA, morreram afogados durante a abordagem a um veleiro que levava mísseis iranianos para a milícia huti, do Iêmen.

Se não atacar diretamente o território do Irã para evitar um confronto direto em ano eleitoral, os EUA devem bombardear alvos da Guarda Revolucionária Iraniana na Síria, no Iraque, no Iêmen e talvez no Líbano.


NOTA: Depois da gravação, entrou a notícia de que Israel bombardeou o quartel-general da Guarda Revolucionária Iraniana na Síria.

domingo, 21 de janeiro de 2024

Israel mata na Síria comandantes da Guarda Revolucionária do Irã

Um bombardeio de Israel a Damasco, a capital da Síria, matou no sábado cinco membros da Guarda Revolucionária do Irã, inclusive o chefe e o subchefe de inteligência para ações no exterior. Israel não negou nem confirmou, como costuma fazer nestes casos.

O presidente iraniano, Ebrahim Raïsi, prometeu vingança e ela veio logo. Um ataque de mísseis contra uma base aérea em Faluja, no Iraque, feriu levemente dois soldados norte-americanos e um iraquiano.

Além da Síria, onde apoia a ditadura de Bachar Assad, comandantes Guarda Revolucionária Iraniana, braço armado da ditadura dos aiatolás, estão no Iêmen apoiando e supervisionando os ataques a navios da milícia huti no Mar Vermelho, capazes de abalar a economia mundial.

Um ataque de drones israelenses matou dois oficiais da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus). Mais de 200 pessoas morreram no Sul do Líbano desde o início da guerra. Pelo menos 160 eram combatentes do Hesbolá, que por sua vez matou 15 pessoas no Norte de Israel.

Durante a noite, Israel voltou a bombardear as cidades de Rafá e Khan Yunes, no Sul da Faixa de Gaza, e os campos de refugiados de Jabália, no Norte, e El Bureij, no Centro do território palestino, Com 165 mortes em 24 horas, o total de palestinos mortos em Gaza na guerra chegou a 24.927.

Em uma reunião de cúpula do Movimento dos Países Não Alinhados, em Kampala, em Uganda, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou que "o direito do povo palestino de construir seu próprio Estado deve ser reconhecido por todos." Mas o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, desmentiu o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para reafirmar a determinação de impedir a criação de uma Palestina independente.

Milhares de pessoas protestaram desde quinta-feira em Telavive e Haifa pedindo o fim da guerra, a libertação de todos os reféns e a realização de novas eleições para substituir Netanyahu.

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Irã ataca área do consulado dos EUA no Curdistão iraquiano

Pela primeira vez, o Irã, que apoia todas as milícias que atacam Israel, os Estados Unidos e a navegação no Mar Vermelho, fez um ataque direto. A Guarda Revolucionária Iraniana bombardeou com drones a área onde fica o Consulado dos EUA em Erbil, a capital do Curdistão, sob a alegação de atacar o serviço de espionagem de Israel, o Mossad. Pelo menos quatro pessoas morreram e seis saíram feridas. Nem pessoal nem instalações norte-americanas foram atingidas.

Os EUA e o Iraque condenaram o ataque. O governo iraquiano convocou uma reunião de emergência para discutir nesta terça-feira "a violação do território iraquiano e o não cumprimento pelo Irã do acordo de segurança entre os dois países."

A Marinha dos EUA interceptou um míssil de cruzeiro antinavio disparado pelos hutis, uma milícia apoiada pelo Irã, contra um navio cargueiro norte-americano. O navio foi atingido, mas seguiu viagem e ninguém saiu ferido.

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, anunciou o fim das operações de grande intensidade no Norte da Faixa de Gaza e acrescentou que em breve, ainda neste mês, esta fase da guerra termina também no Sul. Ele já fez este anúncio antes, sob pressão dos EUA para reduzir as mortes de civis inocentes. Até agora, de acordo com o Hamas, 24.100 palestinos foram mortos em Gaza.

O Exército disse ter descoberto 100 lançadores de foguetes em Beit Lahia, no Norte de Gaza, e um centro de comando do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) em Khan Yunes, a principal cidade do Sul de Gaza, onde estariam os líderes mais procurados por Israel, Mohamed Deïf, comandante das Brigadas al-Qassam, o braço armado do Hamas, e Yahya Sinwar, o líder do grupo terrorista em Gaza, considerado o principal mentor do ataque de 7 de outubro.

A pena da ativista iraniana Narges Mohammadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz do ano passado, foi aumentada em 1 anos e 3 meses por "fazer propaganda contra o Irã de dentro da prisão". Ela está condenada a 31 anos de cadeia. Já cumpriu 12 anos.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Atentado terrorista mata mais de 100 pessoas no Irã

Duas explosões em 15 minutos mataram pelo menos 103 pessoas e feriram outras 211 em Carmânia, no Irã, onde milhares de pessoas homenageavam o general mais importante da história da República Islâmica, morto há quatro anos num ataque dos Estados perto do aeroporto de Bagdá, no Irã. 

O general Qassem Suleimani era o comandante da Força Quods, braço armado da Guarda Revolucionária Iraniana, responsável por mais de 60 milícias no Oriente Médio. Ainda não se sabe se o ataque tem relação com a guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

O presidente linha-dura do Irã, Ebrahim Raïsi, acusou Israel e os EUA, mas não apresentou indícios de autoria nem das motivações do atentado, que não tem as características dos ataques israelenses contra a ditadura teocrática iraniana. Os EUA e o jornal libanês L'Orient-Le Jour sugeriram que o grupo terrorista Estado Islâmico pode ser responsável.

Em pronunciamento em homenagem ao general Suleimani, o líder da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), xeique Hassan Nasrallah, prometeu represálias pela morte do vice-líder do Hamas, Saleh al-Arouri, num ataque de Israel a Beirute na terça-feira. Advertiu que a morte "não ficará impune" e ameaçou Israel com uma luta "sem limites" se levar a guerra ao Líbano, indicando que não vai iniciar uma guerra total.

Israel e o Hesbolá trocam fogo de artilharia desde o início da guerra, num conflito de baixa intensidade em que mais nove milicianos do grupo morreram nas últimas 24 horas. Os esforços diplomáticos com o governo interino do Líbano para afastar o Hesbolá da fronteira com Israel estão agora fora de questão.

As negociações com o Hamas para trocar reféns israelenses por presos palestinos estão paralisadas por causa do assassinato de Al-Arouri.

Em 89 dias de guerra, 22.313 palestinos foram mortos e outros 57.296 foram feridos na Faixa de Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde do Hamas. No ataque a Israel que deflagrou a guerra, em 7 de outubro, 1.139 pessoas foram mortas.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Irã admite pela primeira vez participação direta na guerra

A Guarda Revolucionária Iraniana, base militar da ditadura dos aiatolás, declarou que o ataque terrorista de 7 de outubro foi uma resposta à morte, em 2020 do comandante das Brigadas al-Quods, o braço armado da guarda para ações no exterior. O grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) rejeitou a alegação iraniana.

É a primeira vez que o Irã admite participação direta na guerra. Todas as milícias que atacam Israel e os EUA são apoiadas pelo Irã. E a morte do comandante da Guarda Revolucionária na Síria aumenta o risco de guerra total entre Israel e a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), um braço armado do Irã.


O general Benny Gantz, ex-vice-primeiro-ministro e ex-comandante das Forças Armadas de Israel, ameaça dar uma resposta mais forte aos ataques do Hesbolá ao Norte de Israel, que foram pelo menos 18 nessa quarta-feira, de acordo com fontes militares israelenses. 

As forças de Israel atacaram mais 200 alvos em 24 horas e intensificaram as ações na Batalha de Khan Yunes, onde Israel acredita que estejam escondidos os principais líderes do na Faixa de Gaza. O Ministério da Saúde do Saúde anunciou que mais 195 palestinos foram mortos em Gaza em 24 horas, elevando o total de mortes no território para 21.320. 

Pelo menos 158 militares israelenses morreram até agora na invasão terrestre de Gaza, 498 desde o início da guerra. Com 82 dias de guerras, o e milícias aliadas ainda lançam foguetes contra o território israelense, num sinal de que não perderam a capacidade ofensiva. Desde 7 de outubro, cerca de 12 mil foguetes foram disparados de Gaza contra Israel. 

Os EUA interceptaram no Mar Vermelho 12 drones, três mísseis balísticos antinavio e 2 mísseis de cruzeiro disparados pelos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã na guerra civil do Iêmen, que intensificaram os ataques depois que um bombardeio israelense matou, na Síria, o oficial de ligação da Guarda Revolucionária Iraniana com a ditadura de Bachar Assad. 

O Irã, a principal força oculta por trás desta guerra, triplicou no mês passado o enriquecimento de urânio com teor de 60% de urânio-235. Está perto dos 90% necessário para fazer armas nucleares.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Israel mata alto comandante da Guarda Revolucionária do Irã

Um bombardeio de Israel na Síria matou um comandante da Guarda Revolucionária Iraniana, Sayyed Ravi Mussavi, responsável pela coordenação com o governo sírio, a ditadura de Bachar Assad, que a República Islâmica apoia na guerra civil da Síria. O Irã prometeu vingança.

Israel afirma que matou 8 mil milicianos do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) desde o início da guerra. Num dos piores dias da guerra, a Força Aérea de Israel matou 106 palestinos em bombardeios ao campo de Al-Maghazi no domingo à noite, e mais gente em El Bureij e Nusseirat, no Centro da Faixa de Gaza, e outros 23 em Khan Yunes, no Sul.

O Egito apresentou um plano de paz de três etapas que começa com uma trégua de 14 dias para trocar de reféns israelenses por presos palestinos e prevê a formação de um governo provisório de tecnocratas em Gaza, um cessar-fogo definitivo, eleições, a retirada total forças israelenses e um compromisso do Hamas de não atacar Israel, abrindo o caminho para um acordo de paz definitivo com a criação de uma pátria para o povo palestino. Meu comentário:

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Israel destrói QG da Guarda Revolucionária Iraniana em Damasco

A Força Aérea de Israel bombardeou e destruiu ontem o quartel-general e um depósito da Força Quods, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, no aeroporto de Damasco, a capital da Síria.

Pelo menos sete pessoas morreram, inclusive quatro oficiais do Irã, informou a agência de notícias turca Anadolu, acrescentando que o ataque aconteceu logo após o pouso de um avião de carga. A ditadura síria acusou Israel e declarou que as defesas antiaéreas do país avião interceptado "alvos hostis".

Três áreas diferentes foram alvejadas. O ataque anterior havia sido em 13 de fevereiro. No início do mês, a Rússia acusou a aviação israelense de colocar em perigo uma aeronave civil no espaço aéreo da Síria, controlado pelos russos.

Desde o início da guerra civil na Síria, em março de 2011, Israel realizou mais de  mil ataques aéreos a alvos iranianos. O objetivo é combater a presença do Irã e de milícias xiitas aliadas como o Hesbolá (Partido de Deus) libanês das proximidades com a fronteira de Israel.

O Irã tem cerca de 900 guardas revolucionários e 20 mil milicianos xiitas na Síria para apoiar a ditadura de Bachar Assad. Quer criar um crescente xiita que vá do Irã ao Mar Mediterrâneo passando pelo Iraque e a Síria para chegar até o Líbano e armar o Hesbolá, arqui-inimigo de Israel.

Pelo menos 380 mil pessoas foram mortas na guerra civil da Síria, que completa nove anos em março. É o segundo conflito mais mortífero do século 21, atrás apenas da Primeira Guerra Mundial Africana, a guerra civil na República Democrática do Congo, com a participação de seis exércitos nacionais e dezenas de grupos armados irregulares. De 1996 e 2002, mais de 5 milhões morreram em combate, de fome e doenças.

domingo, 12 de janeiro de 2020

Iranianos protestam contra abate de avião e mentiras do regime

Pelo segundo dia seguido, estudantes desafiaram a polícia e protestaram em universidades e em outros lugares do Irã contra a ditadura teocrática dos aiatolás, acusando o governo por derrubar um Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines, matando 176 pessoas, e de mentir no primeiro momento sobre a tragédia. Só ontem o presidente Hassan Rouhani admitiu o erro.

Numa universidade, centenas de estudantes se recusaram a pisar em bandeiras dos Estados Unidos e de Israel estendidas no chão por milicianos do grupo paramilitar Bassij, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para os atos mais sujos da repressão.

"Eles estão mentido que nosso inimigo é os EUA. Nosso inimigo está aqui", gritavam os universitários iraniano, de acordo com a agência de notícias Reuters. Cartazes com o general Kassem Suleimani, o comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana morto em 3 de janeiro por drones americanos, foram arrancados

Em sessão a portas fechadas, o comandante da Guarda Revolucionária, general Hussein Salami, depôs hoje no Majlis, o Parlamento do Irã, para dar explicações sobre o abate do avião de passageiros. Dos mortos, 82 eram iranianos, 63 canadenses, 11 ucranianos, 10 suecos, quatro afegãos, três alemães e três britânicos.

O Boeing da Ucrânia foi derrubado na quarta-feira, 8 de janeiro de 2020, pouco depois de um ataque simbólico de mísseis iranianos contra bases militares do Iraque onde há forças dos EUA, numa retaliação pela morte do general Kassem Suleimani. A defesa antiaérea do Irã esperava um contra-ataque e abateu o avião ucraniano.

Antes da morte do general, havia uma onda de protestos no Irã, iniciada em 15 de novembro por causa de aumentos de até 50% nos preços dos combustíveis. A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional estima que pelo menos 300 pessoas foram mortes na dura repressão da República Islâmica.

A morte de Suleimani favoreceu a linha-dura do regime, mas o abate do avião e as mentiras do governo reacenderam a revolta popular.

O presidente Donald Trump advertiu as autoridades iranianas de que "não pode haver outro massacre de manifestantes pacíficos nem o desligamento da Internet. O mundo está observando. Estamos acompanhando os protestos de perto e estamos inspirados por sua coragem." Mas seu apoio é ruim para os manifestantes, que serão acusados de traidores da pátria.

Nos programas de televisão de domingo com entrevistas ao vivo, o presidente foi desmentido pelo secretário da Defesa, Mark Esper, que negou haver indícios de um ataque iminente preparado por Suleimani. Em comício da campanha para a reeleição, Trump afirmou que várias embaixadas dos EUA, não só a de Bagdá, seria alvo de ameaças. Mais uma mentira.

Em Teerã, manifestantes a favor do regime fundamentalista xiita protestaram diante da Embaixada do Reino Unido para pedir seu fechamento. O embaixador britânico, Rob Macaire, foi preso ontem sob a acusação de participar de um protesto. Ele estava numa vigília pelas vítimas do avião que se tornou em manifestação antigovernamental.

Hoje, o governo iraniano convocou formalmente o embaixador para dar explicações. Macaire alegou ter ido a uma cerimônia em homenagem aos mortos. A União Europeia e o Reino Unido protestaram oficialmente contra a prisão do embaixador, denunciando-a como uma violação do direito internacional e do Acordo de Viena sobre o tratamento de funcionários diplomáticos.

Houve novos ataques de milícias xiitas iraquianas. Oito foguetes foram disparados hoje contra a base aérea de Balade, ao norte de Bagdá, onde há soldados dos EUA. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, qualificou os ataques como "uma violação contínua da soberania do Iraque". Porta-vozes militares do Iraque disseram que quatro iraquianos foram feridos.

Como observou Lourival Sant'Anna no jornal O Estado de S. Paulo, o novo ataque no Iraque pode ser uma manobra do Irã para desviar a atenção dos protestos internos e manter a tensão com os EUA para justificar a repressão diante da ameaça externa.

A única medalista olímpica do Irã, Kamia Alizadeh, anunciou hoje que está abandonando a cidadania iraniana para o governo não explorar seu sucesso para fazer propaganda, noticiou a televisão pública britânica BBC. Ela ganhou uma medalha de bronze no taekwondo na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

EUA anunciam novas sanções ao Irã citando risco iminente

A desculpa usada para justificar o assassinato político do general Kassem Suleimani, comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, foi repetida hoje pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo, para justificar a imposição de novas sanções econômicas ao Irã. 

Desta vez, os alvos foram os setores de construção civil, indústria têxtil, siderurgia e mineração, além do contra-almirante Ali Shamkhani, secretário do Conselho de Segurança Nacional, o ex-comandante da Guarda Mohsen Rezai e outros altos funcionários iranianos

Até agora, o governo Donald Trump não conseguiu comprovar a "ameaça iminente" que justificaria o ataque a Suleimani. Dois senadores do próprio partido republicano saíram revoltados de uma reunião secreta em que o Executivo apresentaria indícios e provas de sua alegação.

Ontem, em comício de sua campanha contra a reeleição, Trump afirmou que Suleimani pretendia atacar várias embaixadas dos Estados Unidos e planejava explodir a representação em Bagdá. Para seu eleitorado, foi além do que o governo diz oficialmente.

Trump anunciou as sanções ao Irã há dois dias, quando cantou vitória depois que a retaliação iraniana não matou nem feriu ninguém. O presidente observou o que "o Irã parece estar recuando" numa clara tentativa de desescalar a crise.

Com as sanções, a arma favorita de Trump, os EUA retomam a ofensiva.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Disparo de foguetes contra embaixada mantém ameaça aos EUA no Iraque

O ataque simbólico do Irã, sem matar nem ferir ninguém, reduziu a tensão no Oriente Médio, mas novos disparos de foguetes contra a embaixada mostram que o risco para os Estados Unidos no Iraque não acabou.

Em tom triunfalista e eleitoreiro, o presidente Donald Trump cantou vitória hoje na Casa Branca, dizendo que “o Irã parece estar recuando”. O novo ataque revela que o risco não está totalmente afastado.

Trump fala como herói para o eleitorado do Partido Republicano, mas sai derrotado politicamente do episódio, com o aumento da influência do Irã sobre o Iraque e o repúdio dos iraquianos à violação da soberania nacional. Trump perde, especialmente se as forças dos Estados Unidos saírem do Iraque.

Realmente, o ataque de ontem à noite com dezenas de mísseis contra duas bases militares onde há soldados americanos no Iraque parece ter sido calibrado para não matar ninguém. Visava a acalmar o público interno no Irã depois do assassinato do general Kassem Suleimani, comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, por um drone americano na semana passada perto do aeroporto de Bagdá.

O ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, invocou o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que dá aos países o direito de reagir a agressões. Foi uma resposta fraca, destinada a evitar o contra-ataque “desproporcional” ameaçado por Trump.

A morte de seu general mais importante intimidou a República Islâmica. Trump deixou claro estar pronto para usar a força quando americanos forem mortos ou feridos. O Irã tem a tecnologia de mísseis mais avançada do Oriente Médio. Mostrou capacidade militar, mas evitou danos capazes de escalar um conflito contra um inimigo muito mais poderoso. Meu comentário: