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sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

EUA anunciam novas sanções ao Irã citando risco iminente

A desculpa usada para justificar o assassinato político do general Kassem Suleimani, comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, foi repetida hoje pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo, para justificar a imposição de novas sanções econômicas ao Irã. 

Desta vez, os alvos foram os setores de construção civil, indústria têxtil, siderurgia e mineração, além do contra-almirante Ali Shamkhani, secretário do Conselho de Segurança Nacional, o ex-comandante da Guarda Mohsen Rezai e outros altos funcionários iranianos

Até agora, o governo Donald Trump não conseguiu comprovar a "ameaça iminente" que justificaria o ataque a Suleimani. Dois senadores do próprio partido republicano saíram revoltados de uma reunião secreta em que o Executivo apresentaria indícios e provas de sua alegação.

Ontem, em comício de sua campanha contra a reeleição, Trump afirmou que Suleimani pretendia atacar várias embaixadas dos Estados Unidos e planejava explodir a representação em Bagdá. Para seu eleitorado, foi além do que o governo diz oficialmente.

Trump anunciou as sanções ao Irã há dois dias, quando cantou vitória depois que a retaliação iraniana não matou nem feriu ninguém. O presidente observou o que "o Irã parece estar recuando" numa clara tentativa de desescalar a crise.

Com as sanções, a arma favorita de Trump, os EUA retomam a ofensiva.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Exército da Turquia adia operação militar no Leste da Síria

Diante do anúncio da retirada das tropas dos Estados Unidos da Síria, o presidente Recep Tayyip Erdogan adiou uma operação militar do Exército da Turquia no vale do Rio Eufrates contra a mílicia árabe-curda Forças Democráticas Sírias (FDS), noticiou hoje o jornal governista turco Daily Sabah.

Erdogan tomou a decisão depois de falar pelo telefone com o presidente Donald Trump, que anunciou a retirada, apesar das críticas dos Departamentos da Defesa e de Estado e de aliados dos EUA. Com o adiamento da operação militar turca, diminui o risco de um conflito acidental com forças americanas.

Já as FDS ficam sob pressão do Exército da Turquia, do Exército da Síria e seus aliados iranianos e da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. A milícia árabe-curda foi criada pelos EUA para servir como força terrestre na campanha contra o Estado Islâmico.

Erdogan teme que os curdos da Síria se aliem ao governo autônomo do Curdistão iraquiano e proclamem a independência do Curdistão. Como a maioria dos curdos vive na Turquia, o novo país poderia reivindicar a soberania sobre uma área do Sudeste da Turquia.

Para surpresa de seus próprios generais e de países aliados, Trump anunciou nesta semana a retirada total dos 2 mil soldados americanos que estão na Síria, alegando que o Estado Islâmico está derrotado. O ditador da Rússia, Vladimir Putin, festejou. Não é um amigo dos EUA.

A retirada intempestiva de Trump provocou a demissão do secretário da Defesa, general James Mattis, considerado o último dos adultos capazes de controlar o presidente sem limites dos EUA.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

General declara lealdade ao presidente deposto do Iêmen

O general Abdulrahman al-Halily anunciou ontem seu apoio ao presidente deposto do Iêmen, Abed Rabbo Mansur Hadi, que fugiu para a Arábia Saudita diante do avanço dos rebeldes hutis rumo ao porto de Áden, a segunda cidade mais importante do país, noticiou a agência Reuters.

Al-Halily comanda cerca de 15 mil homens estacionados perto da fronteira com a Arábia Saudita, que desde 25 de março bombardeia posição dos hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã em mais um conflito entre sunitas e xiitas no Oriente Médio.

Pelo menos 21 foram mortas ontem na guerra civil iemenita. A rede terrorista Al Caeda na Península Arábica, baseada no país para fugir da repressão saudita, beneficia-se do clima de instabilidade. Tomou o porto de Mukalla, capital da província de Hadraramaute, e libertou todos os presos na penitenciária local.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Constituição do Egito foi aprovada com 61% de abstenção

A nova Constituição do Egito foi aprovada por 98,1% dos eleitores que foram às urnas na terça e na quarta-feira, mas a abstenção foi de 61,4%, anunciou hoje oficialmente a Comissão Nacional Eleitoral.

O referendo constitucional foi a primeira votação popular desde o golpe contra o presidente Mohamed Mursi, em 3 de julho de 2013. Seu movimento político, a Irmandade Muçulmana, colocada na ilegalidade sob acusação de terrorismo, defendeu o boicote, mas a participação foi maior do que no referendo de 2012 sobre a Constituição proposta pelos islamitas, quando não votaram 67% dos eleitores inscritos.

Com a vitória do regime golpista, aumenta a possibilidade de que o comandante supremo das Forças Armadas, general Abdel Fattah al-Sissi, seja candidato na eleição presidencial a ser convocada em breve.

Diante do autoritarismo de Mursi e das manobras da Irmandade para impor um modelo político baseado no direito islâmico, liberais e esquerdistas que derrubaram o ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011, apoiaram a intervenção das Forças Armadas em julho passado. O risco é de volta da ditadura militar.

Desde a queda de Mursi, mais de mil pessoas foram mortas em conflitos com as forças de segurança e milhares foram presas.

domingo, 4 de agosto de 2013

Chefe do Estado-Maior dos EUA discute Síria e Irã em Israel

O mais alto comandante militar dos Estados Unidos chegou na noite deste domingo a Israel para discutir as ameaças à segurança do país causadas pelo programa nuclear do Irã, a guerra civil na Síria e o golpe militar no Egito, no momento em que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu adverte que nada muda com a ascensão ao poder em Teerã de um presidente moderado, Hassan Rouhani.

Netanyahu advertiu várias vezes de que não vai esperar "até que seja tarde demais" para lançar uma ação militar contra as instalações nucleares iranianas, enquanto o presidente Barack Obama optou por dar mais chances à diplomacia: "O presidente do Irã mudou, mas a meta do regime continua sendo fabricar armas nucleares para ameaçar Israel, o Oriente Médio e a segurança internacional".

Em agosto do ano passado, o comandante-em-chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, general Martin Dempsey, alertou que um bombardeio "poderia claramente retardar, mas possivelmente não destruir o programa nuclear do Irã. Não quero ser cúmplice se Israel decidir fazer isso".

Na época, o general afirmou que "a inteligência não era conclusiva" e alertou que "o regime de sanções internacionais poderia ser desmontado se o Irã fosse atacado prematuramente", lembra o jornal conservador The Times of Israel.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Ex-ditador da Guatemala vai a julgamento

Em uma vitória na luta pela defesa dos direitos humanos na América Latina, um juiz da Guatemala rejeitou 13 recursos que tentavam impedir o julgamento do ex-ditador Efraín Ríos Montt por genocídio e crimes contra a humanidade no período mais duro da pior guerra civil do continente durante a Guerra Fria.

Da queda do presidente Jacobo Árbenz, em 1954, no primeiro golpe de Estado patrocinado pela CIA na região durante a Guerra Fria, até o acordo de paz de 1996, estima-se que mais de 200 mil pessoas foram mortas na Guatemala.

O general Ríos Montt governou o país num dos períodos mais sangrentos, em 1982 e 1983. Por causa da Guerra das Malvinas, a ditadura guatemalteca perdera a ajuda militar dos Estados Unidos, enviada ilegalmente pelo governo Ronald Reagan através da Argentina.

A morte de um jornalista americano executado friamente pelas forças do ditador Anastasio Somoza no fim da revolução sandinista na Nicarágua levara o Congresso dos EUA a proibir a ajuda do governo a ditaduras latino-americanas. Para driblar a lei, o governo Reagan contava com a ajuda das sanguinárias juntas militares da Argentina, que faziam o jogo sujo para Washington na América Central.

Como os EUA apoiaram o Reino Unido na Guerra das Malvinas, a Argentina suspendeu a ajuda em 1982. A ditadura da Guatemala, que tinha uma disputa histórica com o Império Britânico em torno de Belize, a antiga Honduras Britânica, chegou a oferecer ajuda militar a Buenos Aires. Acabou lutando com ferocidade ainda maior contra seu próprio povo.

Neste processo, Ríos Montt é acusado pela morte de mais de 1,7 mil índios de origem maia, herdeiros de uma das três grandes civilizações pré-colombianas da América.

Há um ano, a promotoria denunciou o general, que governou a Guatemala por um ano e cinco meses, de permitir o uso de tortura, violência sexual e incêndios criminosos numa campanha de "terra arrasada" contra rebeldes esquerdistas e aldeias indígenas de regiões sublevadas. Sua defesa conseguiu retardar o julgamento alegando que nunca houve genocídio na Guatemala e que o ditador não tinha controle sobre o que acontecia no "campo de batalha".

Agora, o juiz Miguel Ángel Galvez conclui que "há indícios graves suficientes para submeter as partes envolvidas a um julgamento público". Além do general, é réu o chefe da inteligência militar na época, José Mauricio Rodríguez, reporta a agência de notícias Reuters.