Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
quinta-feira, 20 de março de 2025
Turcos protestam em massa contra prisão do líder da oposição
quarta-feira, 27 de dezembro de 2023
Irã admite pela primeira vez participação direta na guerra
terça-feira, 30 de maio de 2023
Rússia envia armas nucleares à Bielorrússia e sofre ataque em Moscou
A Rússia fez um acordo para enviar armas nucleares à Bielorrússia e intensificou os ataques a Kiev nos últimos dias. Hoje o prefeito de Moscou atribuiu explosões na capital russa a drones da Ucrânia.
O ex-presidente Dimitri Medvedev previu que a guerra pode durar décadas, enquanto o ministro do Exterior, Serguei Lavrov, disse ao enviado chinês para negociar a paz que há "sérios obstáculos" por causa da Ucrânia e do Ocidente.
Se a guerra é a continuação da política por outros meios, a guerra só termina quando houver mudança de regime em Kiev ou Moscou, observa o historiador norte-americano Timothy Snyder, autor de vários livros sobre a Ucrânia.
Como terminam as guerras? O século 20 criou as guerras sem fim, entende o professor Chris Coker, diretor de LSE Ideias, o centro de pesquisas sobre relações internacionais da London School of Economics.
Sob o impacto econômico da guerra, a Alemanha entrou em recessão.
Dez presidentes da América do Sul se reúnem hoje em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para relançar a integração regional. Ontem, Lula recebeu o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, com honras de chefe de Estado e afirmou que foi "eleito pelo povo" e que as críticas ao regime chavista são uma "narrativa antidemocrática".
Na Turquia, o ditador Recep Tayyip Erdogan, há 20 anos no poder, foi reeleito para mais um mandato de cinco anos. É um exemplo de como a democracia iliberal involui para autocracia.
O governador da Flórida, Ron DeSanctis, lançou sua candidatura à Casa Branca no Twitter com vários problemas técnicos. É o principal adversário do ex-presidente Donald Trump na luta pela candidatura do Partido Republicano. Trump é o franco favorito, uma ameaça à democracia nos Estados Unidos.
A disputa pela água do Rio Helmand causa um conflito entre os regimes extremistas muçulmanos do Afeganistão e do Irã.
A China superou o Japão como maior exportadora mundial de automóveis. Lidera a corrida pelo carro elétrico e a produção de baterias de lítio. Meu comentário:
terça-feira, 16 de maio de 2023
Zelensky faz giro pela Europa atrás de dinheiro e armas
Em viagem surpresa pela Europa, o presidente Volodymyr Zelensky esteve na Itália, no Vaticano, na Alemanha, na França e no Reino Unido em busco de dinheiro, armas e apoio político às vésperas de uma anunciada contraofensiva de primavera para retomar territórios ocupados pela Rússia. Documentos vazados do Pentágono revelam que Zelensky cogitou lançar ataques em território russo, noticiou o jornal The Washington Post.
No livro recém-lançado A Guerra Russo-Ucraniana, o historiador ucraniano naturalizado norte-americano Serhii Plokhy, professor da Universidade de Harvard, afirma que a guerra acabou com a restauração do Império Russo sonhada pelo ditador Vladimir Putin.
O Brasil tenta evitar que a declaração final da reunião do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) a ser realizada de 19 a 21 de maio em Hiroxima acuse a Rússia pela guerra na Ucrânia.
A eleição presidencial da Turquia terá um segundo turno em 28 de maio. Com 49,5% dos votos no primeiro turno, contra 44,5% para o oposicionista Kemal Kiliçdaroglu, o presidente Recep Tayyip Erdogan é favorito.
A economia do Reino Unido cresceu apenas 0,1% no primeiro trimestre. Sob o peso da saída do país da União Europeia, é uma das poucas que ainda não recuperou o nível anterior à pandemia. Meu comentário:
sexta-feira, 12 de maio de 2023
EUA e China retomam diálogo de alto nível
O embaixador dos Estados Unidos em Beijim, Nicholas Burns, se encontrou nesta semana com o ministro do Exterior da China, Qin Gang. Foi o primeiro contato direto de alto nível entre as duas superpotências desde o abate de um balão-espião chinês que entrou no espaço aéreo norte-americano há três meses e meio. Num mundo que voltou a falar em guerra nuclear, o diálogo e a diplomacia são fundamentais para desarmar crises.
No Dia da Vitória, o ditador Vladimir Putin descreveu a invasão da Ucrânia como uma guerra civilizacional contra "elites globalistas ocidentais" que querem "destruir e família" e os "valores tradicionais".
A Ucrânia declara que precisa esperar a chegada de novas armas prometidas pelos países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), inclusive tanques alemães Leopard de última geração, para lançar uma esperada contraofensiva de primavera.
O Reino Unido anunciou o envio de mísseis com até 500 quilômetros de alcance. O governo ucraniano se compromete a não usar as armas para atacar o território da Rússia, só as forças invasoras russas.
Depois de ir a Moscou, o ex-chanceler brasileiro Celso Amorim foi a Kiev oferecer a mediação do Brasil ao presidente Volodymyr Zelensky.
O jornalista francês Arman Soldin, de 32 anos, coordenador de vídeo da Agência France Presse (AFP), é o 11º membro de uma equipe jornalística a morrer na guerra. Estava perto da cidade de Bakhmut, onde acontece a batalha mais encarniçada da guerra.
Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump foi condenado por abuso sexual e difamação e responde a vários outros processos que não o inabilitam a concorrer à Casa Branca em 2024.
Em patética entrevista à rede de televisão norte-americana CNN, Trump repetiu as mentiras sobre fraude na eleição que perdeu e alegou perseguição política e "caça às bruxas" para explicar as investigações de que é alvo.
Com o fim da emergência de saúde pública da pandemia, caduca um decreto do governo Trump que autorizava a rejeitar a entrada de imigrantes como medida preventiva contra a covid-19. O governo Biden deportou 2,7 milhões de imigrantes com base neste decreto.
O fim da medida deve provocar um grande fluxo de imigrantes para a fronteira do México com os EUA. Mas a regra agora exige que os candidatos a asilo ou imigração façam o pedido antecipadamente pela Internet. Quem tentar entrar ilegalmente será deportado automaticamente.
A Turquia realiza no domingo uma eleição presidencial decisiva para o futuro do país, que é uma ponte entre a Europa e a Ásia. O presidente Recep Tayyip Erdogan, do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), no poder há 20 anos e cada vez mais ditatorial.
Erdogan enfrenta o oposicionista Kemal Kiliçdaroglu, do secularista Partido Popular Republicano (CHP), fundado em 1923 por Mustafá Kemal Ataturk, o pai da Pai da República da Turquia depois da dissolução do Império Otomano no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18). Kiliçdaroglu promete unir o país e enfrentar a crise econômica, com inflação de mais de 40% ao ano.
Na Nicarágua, o ditador Daniel Ortega dissolveu a Cruz Vermelha. Meu comentário:
quinta-feira, 29 de outubro de 2020
Terrorista muçulmano mata três pessoas a facadas na França
Um refugiado tunisiano que teria entrado ilegalmente na Europa no mês passado matou três pessoas - duas mulheres e homem - a facadas na Catedral de Nossa Senhora da Assunção de Nice, no Sul da França, e arredores. Uma das vítimas era a chef de cozinha Simone Barreto Silva, uma brasileira de 40 anos residente na França. O assassino, identificado como Brahim Aouissoui, de 21 anos, foi baleado pela polícia e hospitalizado em estado grave.
"É a França que é atacada", reagiu o presidente Emmanuel Macron, que visitou o local. O novo ataque acontece dias depois de um professor secundarista ser degolado por usar caricaturas do profeta Maomé numa aula sobre liberdade de expressão. O terrorista chegou de barco à Ilha de Lampedusa, na Itália, em setembro, e teria entrado na França na véspera do ataque.
A primeira mulher, de 60 anos, foi degolada dentro da igreja. Em seguida, um homem foi ferido mortalmente por várias facadas. A brasileira foi morta dentro de um bar onde tentava de esconder para fugir do assassino. A baiana Simone ia à igreja todas as manhãs.
O terrorista saiu da igreja gritando "Alá ou akbar" (Deus é grande). A Procuradoria Nacional Antiterrorismo abriu inquérito por "homicídio" e "tentativa de homicídio". O ministro do Interior, Gérald Darmanin, ordenou um aumento da vigilância em locais de culto e o governo aumentou de 3 para 7 mil o número de militares que participam da Operação Sentinela.
A França vive um novo período de grande tensão sob ameaça do terrorismo dos extremistas muçulmanos por causa do julgamento do ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo, em que 12 pessoas foram mortas em 7 de janeiro de 2015. Os dois terroristas foram mortos pela polícia dias depois.
Desde 2 de setembro, 14 réus estão sendo julgados, três à revelia, por colaborar com o ataque ao Charlie Hebdo, que publicara caricaturas do profeta Maomé consideradas ofensivas ao islamismo. O professor Samuel Paty discutiu a questão em sala de aula, provocando reações indignadas de pelo menos um pai e de ativistas muçulmanos nas redes sociais.
Em 17 de outubro, Abdoullakh Abouyezidvitch Anzorov, um refugiado russo de origem chechena, degolou o professor e foi morto pela polícia. O governo francês respondeu tornando ilegais várias associações muçulmanas.
Vários países de maioria islâmica, entre eles o Egito, o Kuwait e a Turquia lançaram uma campanha de boicote a produtos franceses. O ditador turco, Recep Tayyip Erdogan, foi especialmente agressivo. Agora, manifestou condolências pelo atentado em Nice. Antes do segundo ataque, o ex-primeiro-ministro da Malásia Mahathir Mohamed declarou que "os muçulmanos têm o direito de matar franceses".
O recrudescimento da violência terrorista assombra a França no momento em que o país se prepara para iniciar amanhã um novo confinamento geral para combater a pandemia do coronavírus de 2019, que já matou 36 mil pessoas no país.
Nice tem um passado de terror. Em 14 de julho de 2016, no feriado da data nacional da França, outro terrorista tunisiano atropelou a matou 86 na avenida beira-mar.
terça-feira, 6 de outubro de 2020
Azerbaijão vai à guerra para retomar Nagorno-Karabakh
Enclave armênio é mais uma herança maldita do ditador soviético Josef Stalin
O conflito armado entre a Armênia e o Azerbaijão se agravou no fim de semana. As duas ex-repúblicas soviéticas se acusam de alvejar populações civis. Bombardeios armênios atingiram Ganja, a segunda maior cidade azerbaijana, sede da base aérea de onde teriam partido ataques contra a região de Nagorno-Karabakh (Alto Karabakh), um enclave de maior armênia em território reconhecido internacionalmente como parte do Azerbaijão. Perto dali, passam gasodutos e oleodutos que levam petróleo e gás do Azerbaijão para a Turquia e a Europa.
Pelo menos 400 pessoas morreram desde o início das hostilidades, em 27 de setembro. Mais poderoso, com uma população mais de três vezes maior, rico em petróleo e gás, o Azerbaijão, apoiado pela Turquia, exige a retirada incondicional dos armênios de Nagorno-Karabakh e arredores. A Armênia aposta numa solução diplomática por interferência da Rússia, com que tem um tratado de defesa. Moscou mantém no país duas bases militares da era soviética.
Leia mais em Quarentena News.
sexta-feira, 6 de março de 2020
Rússia e Turquia fazem acordo de cessar-fogo na Síria
Para o ditador russo, Vladimir Putin, o texto "servirá de base sólida para levar ao fim dos combates na região de Idlibe". Pelo acordo, os dois países signatários se comprometem a criar uma zona de segurança de seis quilômetros para cada lado da rodovia Damasco-Alepo (M4). A estrada que liga as duas maiores cidades sírias passa por Idlibe.
Ao todo, seria um corredor de segurança de 12 km ao longo da estrada. A Rússia e a Turquia ficaram de acertar os detalhes dentro de uma semana. O ditador turco, Recep Tayyip Erdogan, preveniu que seu país se reserva "o direito de responder com todas as nossas forças e em toda parte a qualquer ataque do regime de Damasco."
Na esperança de que este acordo "leve a uma cessação das hostilidades imediata e durável", o secretário-geral das Nações Unidas, o ex-primeiro-ministro português António Guterres destacou que a população do Noroeste da Síria já "suportou um sofrimento enorme".
Depois de meses de um conflito brutal, um milhão de civis fugiram de Idlibe. A próxima etapa da iniciativa de paz é uma reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta sexta-feira em Nova York. Mas a expectativa é que a ditadura de Bachar Assad, apoiada pela Rússia e o Irã, retome a ofensiva para conquistar o último bastião rebelde depois de nove anos de guerra civil, que se completam neste mês.
Ao concordar com o cessar-fogo, a Turquia parece disposta a entregar o significativo território ainda em poder dos rebeldes que apoia, extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda, em troca de um fim rápido dos combates.
Assim, a Turquia abre caminho para a próxima ofensiva do regime sírio sem nenhuma preocupação sobre a situação dos civis em fuga na região, reduzindo sua esfera de influência na Síria.
Sob o aspecto militar, o corredor de segurança reduz drasticamente a capacidade dos rebeldes de defender a cidade de Idlibe. A cidade rebelde de Jisr al-Shughour fica toda dentro do corredor.
Mesmo sendo questionável militarmente, o acordo é uma vitória diplomática para a Turquia, que melhora suas relações com a Rússia, a potência dominante hoje na Síria, no momento em que abre uma nova crise com a Europa ao permitir a saída de refugiados que querem entrar na União Europeia.
Pelo menos 380 mil pessoas foram mortas em nove anos de guerra civil na Síria e 5,5 milhões fugiram do país. Outras 13,5 milhões tiveram de sair de casa mas ficaram na Síria.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2019
Turquia vai enviar tropas à Líbia
Mesmo que o número de soldados e o tipo de armamento a ser enviados não tenha sido divulgado, a Turquia deve enviar tropas de combate à Líbia. Seria um grande reforço para o Governo do Acordo Nacional, que enfrenta o Exército Nacional da Líbia (ELN), comandado pelo marechal Khalifa Hifter, com o apoio de mercenários russos.
A Turquia apoia há muito tempo o Governo do Acordo Nacional, mas sua entrada na guerra civil da Líbia, assim como o envolvimento da Rússia, tornam o conflito ainda mais complexo e difícil de resolver.
Em abril, o ELN, que domina a região de Bengázi, a segunda maior cidade líbia, no Leste do país, lançou uma ofensiva para tentar capturar a capital, Trípoli. A Líbia vive em guerra civil desde a queda e a morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011.
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
Trump reduz a importância dos EUA no mundo
Ontem, a principal especialista em Rússia do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Fiona Hill, declarou à comissão de inquérito do impeachment na Câmara dos Representantes de que a alegação de que a Ucrânia tentou manipular as eleições americanas em 2016 é uma ficção espalhada pelos serviços secretos da Rússia para encobrir sua própria culpa.
Seu uso no debate político interno diminui os Estados Unidos e faz o jogo do ditador russo, Vladimir Putin, um dos grandes inimigos da democracia hoje no mundo inteiro. Trump repetiu o argumento falso hoje em entrevista à Fox News, o canal de televisão que cria inventa sua própria realidade e faz propaganda do presidente todo o tempo.
A política externa de Trump não é primeiro os Estados Unidos, é primeiro ele mesmo. Meu comentário:
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
Cessar-fogo na Síria é uma grande vitória para a Turquia
No nono dia da operação chamada cinicamente de Fonte da Paz, ao receber em Ancara o vice-presidente Mike Pence e o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, o ditador Recep Tayyip Erdogan concordou em suspender por cinco dias a ofensiva militar da Turquia.
segunda-feira, 14 de outubro de 2019
Exércitos da Turquia e da Síria estão em rota de colisão
Depois de um apelo da milícia árabe-curda Forças Democráticas Sírias, ameaçada pela invasão turca, as forças leais à ditadura de Bachar Assad avançaram para tomar o Nordeste do país, região antes ocupada pelo califado proclamado pelo Estado Islâmico.
quarta-feira, 9 de outubro de 2019
Turquia invade Nordeste da Síria para atacar curdos
segunda-feira, 7 de outubro de 2019
Trump trai curdos e autoriza invasão da Turquia ao Nordeste da Síria
sábado, 6 de julho de 2019
Ditador demite presidente do Banco Central da Turquia
Um decreto divulgado nas primeiras horas deste sábado afastou Cetinkaya um ano antes do fim de seu mandato de quatro anos. Ele será substituído pelo economista Murat Uysal, que fez carreira no banco estatal Halk antes de se tornar um dos vice-presidentes do Banco Central.
Num momento de fraqueza da economia turca, Erdogan havia se queixado das taxas básicas de juros, que estariam prejudicando a atividade empresarial. A taxa básica de juros de curto prazo está em 8,5% ao ano, depois de chegar em 24% em setembro de 2018 para combater a inflação.
O índice de crescimento de preços caiu do pico de 25% ao ano em outubro do ano passado para 15,7% no mês passado.
A lira turca perdeu 30% do valor desde o ano passado. A expectativa é de forte queda da moeda turca na segunda-feira.
domingo, 23 de junho de 2019
Ditador turco perde mais uma vez eleição para prefeito de Istambul
É mais um golpe na liderança de Erdogan. O AKP dominava o governo de Istambul, a maior e mais rica cidade da Turquia, desde 1994. Era uma base importante do ditador, que foi primeiro-ministro de 2003 a 2014, quando se tornou presidente com poderes reforçados.
Depois da tentativa frustrada de golpe militar em 15 de julho de 2016, em que sua vida esteve em perigo, Erdogan se tornou um ditador, a ponto de pressionar o Supremo Conselho Eleitoral a anular a eleição de 31 de março.
O CHP, um partido secularista, segue a tradição do fundador da República Turca depois da dissolução do Império Otomano, Mustafá Kemal Ataturk, que tentou separar a religião da política. Erdogan ascendeu como um islamista moderado. Durante a Primavera Árabe, a Turquia era apontada como exemplo de democracia num país muçulmano.
A oposição acusou o governo de interferir no processo eleitoral, alegando que a eleição só foi anulada por causa da derrota do AKP. Na terça-feira passada, o ditador declarou que Imamoglu poderia ser impedido de assumir a prefeitura se ganhar a eleição e não pedir desculpas ao governador da província de Ordu.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2018
Exército da Turquia adia operação militar no Leste da Síria
Erdogan tomou a decisão depois de falar pelo telefone com o presidente Donald Trump, que anunciou a retirada, apesar das críticas dos Departamentos da Defesa e de Estado e de aliados dos EUA. Com o adiamento da operação militar turca, diminui o risco de um conflito acidental com forças americanas.
Já as FDS ficam sob pressão do Exército da Turquia, do Exército da Síria e seus aliados iranianos e da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. A milícia árabe-curda foi criada pelos EUA para servir como força terrestre na campanha contra o Estado Islâmico.
Erdogan teme que os curdos da Síria se aliem ao governo autônomo do Curdistão iraquiano e proclamem a independência do Curdistão. Como a maioria dos curdos vive na Turquia, o novo país poderia reivindicar a soberania sobre uma área do Sudeste da Turquia.
Para surpresa de seus próprios generais e de países aliados, Trump anunciou nesta semana a retirada total dos 2 mil soldados americanos que estão na Síria, alegando que o Estado Islâmico está derrotado. O ditador da Rússia, Vladimir Putin, festejou. Não é um amigo dos EUA.
A retirada intempestiva de Trump provocou a demissão do secretário da Defesa, general James Mattis, considerado o último dos adultos capazes de controlar o presidente sem limites dos EUA.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
EUA anunciam retirada total da Síria
A saída americana abre o caminho para a Síria e a Turquia entrarem no território atualmente controlado pelas Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda apoiada pelos EUA, que ficaria totalmente desprotegida.
Com a decisão, o governo Donald Trump reduz ainda mais a influência do país na Síria e sua participação nas negociações de paz. Ganham a Rússia, a Síria, a Turquia e o Irã.
"Derrotamos o Estado Islâmico na Síria, minha única razão para estar lá na presidência de Trump", declarou o presidente no Twitter. Ainda há bolsões de resistência na fronteira entre a Síria e o Iraque, estimada em 35 mil milicianos ligados ao Estado Islâmico.
Trump já havia tentado retirar as forças dos EUA da Síria. Recuou diante da pressão dos Departamentos da Defesa e de Estado. O anúncio de hoje veio depois de uma conversa telefônica entre Trump e o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que ameaçou várias vezes atacar as FDS a leste do Rio Eufrates.
Os dois departamentos protestaram, assim como deputados e senadores dos dois partidos. Depois de conquistar a área dominada pelo Estado Islâmico na Síria, os militares americanos entendem ser necessário um trabalho de estabilização de longo prazo.
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
Assessor do príncipe-herdeiro comandou assassinato via Skype
Depois de insultar o jornalista, ele deu aprovação ao assassinato político: "Tragam-me a cabeça deste cão", vociferou Al Kahtani ao autorizar o "crime bárbaro", como definiu ontem o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.
O líder turco prometeu revelar tudo o que sabia, mas não acrescentou muito. Acusou os sauditas de homicídio premeditado e pediu a extradição dos 18 sauditas presos pela monarquia absolutista. Entre eles, está Al-Kahtani.
A televisão britânica Sky News afirmou que restos mortais do jornalista foram encontrados enterrados na residência do cônsul saudita em Istambul. Esta notícia não foi confirmada. Erdogan disse que o corpo não foi encontrado.
Também apareceu um vídeo de um sósia de Khashoggi que fazia parte do esquadrão da morte saudita. Ele usava as roupas do morto, mas foi denunciado pelos sapatos.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump descreveu a manobra para encobrir o assassinato como "um dos piores acobertamentos da história".
Trump insiste na versão oficial saudita de que foi uma operação não autorizada que não deu certo, como se fosse possível mobilizar a segurança pessoal do príncipe-herdeiro sem seu consentimento. Não quer abrir mão de um contrato de venda de armas no valor de US$ 110 bilhões.
"Era um projeto muito ruim desde a origem, foi mal executado e a operação de acobertamento foi uma das piores da história", declarou o presidente americano na Casa Branca", defendendo a versão oficial da monarquia absolutista.
Na segunda-feira, Trump falou pelo telefone com o príncipe Mohamed ben Salman, principal suspeito de ser o mandante do crime e aceitou suas desculpas: "Ele disse firmemente que não teve nada a ver com aquilo, que foi a um nível inferior." É difícil imaginar que isso seja possível num regime totalitário.
A primeira retaliação oficial dos EUA foi cancelar os vistos de entrada no país de 21 sauditas implicados no assassinato.
Em Riade, a capital saudita, o príncipe Mohamed ben Salman foi aplaudido numa conferência internacional para atrair investimentos para a Arábia Saudita. Apesar do boicote de várias empresas e governos ocidentais, no primeiro dia, o governo saudita anunciou negócios da ordem de US$ 50 bilhões.
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
Arábia Saudita muda versão sobre a morte do jornalista Jamal Khashoggi
Agora, o ministro do Exterior saudita, Adel al-Jubeir, admite que foi uma operação policial mal feita, "um erro monumental, mas nega que o príncipe-herdeiro, Mohamed ben Salman tivesse conhecimento.
A nova versão não convenceu ninguém. "Descobrimos que ele foi morto no consulado. Não sabemos como. Não sabemos os detalhes. Não sabemos onde está o corpo", declarou Al-Jubeir no domingo em entrevista à televisão americana Fox News diretamente de Riade, a capital saudita.
"Os indivíduos que fizeram aquilo agiram fora de suas responsabilidades. Foi um erro monumental, agravado pela tentativa de escondê-lo", acrescentando que o herdeiro do trono "não havia sido informado".
Até agora, informações vazadas pelo governo turco indicam que Khashoggi foi torturado e esquartejado vivo. Teve os dedos das mãos e os pés cortados e no fim foi decapitado numa execução brutal que teria sido gravada pela espionagem da Turquia.
Em comunicado conjunto, a Alemanha, a França e o Reino Unido exigiram explicações convincentes do regime saudita. A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, suspendeu a venda de armas à Arábia Saudita, pressionando os aliados a fazer o mesmo.
O grande aliado da Arábia Saudita no Ocidente, o presidente Donald Trump reluta em adotar sanções econômicas ou militares por causa do volume de negócios que o país tem com os Estados Unidos. Só em armas os sauditas querem comprar US$ 110 bilhões nos EUA e um total de US$ 350 bilhões em dez anos.
Na terça-feira, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ficou de anunciar o resultado das investigações e promete revelar toda a verdade sobre o caso.
