Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
A Rússia fez um acordo para enviar armas nucleares à Bielorrússia e intensificou os ataques a Kiev nos últimos dias. Hoje o prefeito de Moscou atribuiu explosões na capital russa a drones da Ucrânia.
O ex-presidente Dimitri Medvedev previu que a guerra pode durar décadas, enquanto o ministro do Exterior, Serguei Lavrov, disse ao enviado chinês para negociar a paz que há "sérios obstáculos" por causa da Ucrânia e do Ocidente.
Se a guerra é a continuação da política por outros meios, a guerra só termina quando houver mudança de regime em Kiev ou Moscou, observa o historiador norte-americano Timothy Snyder, autor de vários livros sobre a Ucrânia.
Como terminam as guerras? O século 20 criou as guerras sem fim, entende o professor Chris Coker, diretor de LSE Ideias, o centro de pesquisas sobre relações internacionais da London School of Economics.
Sob o impacto econômico da guerra, a Alemanha entrou em recessão.
Dez presidentes da América do Sul se reúnem hoje em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para relançar a integração regional. Ontem, Lula recebeu o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, com honras de chefe de Estado e afirmou que foi "eleito pelo povo" e que as críticas ao regime chavista são uma "narrativa antidemocrática".
Na Turquia, o ditador Recep Tayyip Erdogan, há 20 anos no poder, foi reeleito para mais um mandato de cinco anos. É um exemplo de como a democracia iliberal involui para autocracia.
O governador da Flórida, Ron DeSanctis, lançou sua candidatura à Casa Branca no Twitter com vários problemas técnicos. É o principal adversário do ex-presidente Donald Trump na luta pela candidatura do Partido Republicano. Trump é o franco favorito, uma ameaça à democracia nos Estados Unidos.
A disputa pela água do Rio Helmand causa um conflito entre os regimes extremistas muçulmanos do Afeganistão e do Irã.
A China superou o Japão como maior exportadora mundial de automóveis. Lidera a corrida pelo carro elétrico e a produção de baterias de lítio. Meu comentário:
A Ucrânia pediu reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas depois que o ditador da Rússia, Vladimir Putin ameaçou instalar armas nucleares táticas na vizinha Bielorrússia, aliada do Kremlin, até 1º de julho.
O poderio e a agressividade crescentes da China, a invasão da Rússia pela Ucrânia, o eixo Beijim-Moscou, o declínio relativo e o aumento do isolacionismo dos Estados Unidos estão fomentando uma corrida armamentista na Ásia, informou o jornal The New York Times.
Diante de grande pressão popular, com 600 mil israelenses protestando nas ruas durante o fim de semana, ameaça de greve geral e a demissão do ministro da Defesa, há uma expectativa de que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu faça um pronunciamento hoje em Israel para anunciar uma pausa numa reforma judiciária que garantiria sua impunidade nos processos por corrupção que enfrenta. Meu comentário:
No 300º dia da guerra da Rússia para subjugar a Ucrânia, o presidente Volodymyr Zelensky visitou Washington nessa quarta-feira para tentar garantir a aprovação de uma ajuda de mais US$ 45 bilhões a ser votada pelo Congresso.
"Seu dinheiro não é caridade, é um investimento na segurança global e na democracia", declarou o líder ucraniano perante uma sessão conjunta do Congresso dos EUA em que invocou a luta contra o nazifascismo.
Enquanto o presidente Joe Biden promete manter a ajuda financeira e militar à Ucrânia "enquanto for necessária", o líder do Partido Republicano na Câmara, Kevin McCarthy, alega que "não vai dar um cheque em branco" a Zelensky. Os republicanos conquistaram maioria nas eleições de novembro. McCarthy pode presidir a Câmara a partir do próximo ano.
A ala de extrema direita da oposição, ligada ao ex-presidente Donald Trump, um aliado do ditador russo Vladimir Putin, que o ajudou na sua eleição, quer negar a ajuda, mas não é maioria dentro do partido.
Na Casa Branca, Zelensky foi recebido como herói. No início da guerra, quando se previa que a Rússia obteria uma vitória rapidamente, os EUA se ofereceram para retirar o presidente ucraniano do país.
Zelensky, um ex-comediante que virou presidente depois de estrelar um programa de televisão ironizando os presidentes e a corrupção, rejeitou. Disse que precisava de armas e munições. São as armas e a ajuda do Ocidente e aliados que permitem resistir ao assalto da segunda maior potência militar do planeta. Agora, quer mais aviões de combate, tanques e sistemas de defesa antiaérea.
Durante o discurso no Congresso, a presidente da Câmara dos Representantes, deputada Nancy Pelosi, e a vice-presidente Kamala Harris, que acumula a Presidência do Senado, estenderam uma bandeira ucraniana na mesa diretora.
A visita coloca contra a parede os adversários da ajuda, que alegam ser muito dinheiro para um país com sérios problemas de corrupção. Ao contrário da ala trumpista, o líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, é defensor da ajuda.
Zelensky foi vago diante de uma pergunta sobre o que considera uma paz justa, lembrando das mortes de dezenas de milhares de ucranianos.
Sua proposta de negociação exige:
• a retirada das forças russas de todo o território ucraniano, inclusive das áreas ocupadas antes desde 2014, antes do início da invasão de 24 de fevereiro de 2022;
• a investigação e punição dos crimes de guerra cometidos pela Rússia;
• indenização pelos prejuízos materiais, algo em torno de US$ 1 trilhão;
• e garantias de segurança contra futuras agressões da Rússia.
É evidente que Putin não tem como aceitar nem a retirada para as posições anteriores a 24 de fevereiro. Seria uma humilhação capaz de derrubá-lo do poder.
No momento, a Rússia bombardeia a infraestrutura do setor de energia elétrica da Ucrânia. Usa o frio do inverno que começa para pressionar ainda mais o povo ucraniano, que enfrenta temperaturas de até 14 graus negativos.
A Rússia ainda aposta em dobrar a resistência ucraniana numa guerra de longo prazo. O ditador anunciou a intenção de ampliar o Exército russo de 1 milhão para 1,5 milhão de soldados, prorrogando o serviço militar obrigatório até 30 anos. Diante do risco de uma reação negativa dentro da Rússia, acusa a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, pela guerra.
Na sua primeira visita à vizinha e aliada Bielorrússia desde 2019, Putin esteve na segunda-feira em Minsk com o ditador Alexander Lukachenko. Levantou suspeitas de que estaria planejando um novo ataque ao Norte da Ucrânia, partindo de território bielorrusso, em mais uma tentativa de tomar Kiev, a capital ucraniana, e de envolver a Bielorrúsia diretamente na guerra.
O anúncio de manobras militares conjuntas da Rússia e da Bielorrússia levou a Ucrânia a reforçar a fronteira norte. A única certeza é que a guerra de agressão, a guerra imperialista do czar Putin ainda vai durar muito tempo.
O advogado bielorrusso Ales Bialiatski, preso sem julgamento desde julho de 2021, a organização de defesa dos direitos humanos russa Memorial e o Centro de Liberdades Civis ucraniano vão dividir o Prêmio Nobel da Paz de 2022, anunciou hoje em Oslo o Comitê Norueguês do Nobel, descrevendo-os como “três destacados campeões dos direitos humanos, democracia e a coexistência pacífica.”
Todos são adversários do imperialismo da Rússia e do ditador Vladimir Putin, que completou 70 anos hoje, aniversário de 16 anos da morte da jornalista Anna Politkovoskaya, que denunciava os crimes de seu governo.
“Os laureados representam a sociedade civil em seus países”, declarou a presidente do comitê do Nobel, Berit Reiss Andersen. “Há muitos anos, promovem o direito de criticar o poder e protegem os direitos fundamentais dos cidadãos. Fazem um esforço excepcional para documentar crimes de guerra, abusos dos direitos humanos e abusos de poder. Juntos, demonstraram o significado da sociedade civil para a paz e a democracia.”
Em nota no Twitter, Kenneth Roth, ex-diretor-executivo da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos), escreveu: “No 70º aniversário de Putin, o Prêmio Nobel da Paz é concedido a um grupo de defesa dos direitos humanos da Rússia que ele fechou, um grupo de defesa dos direitos humanos ucraniano que está documentando seus crimes de guerra e um ativista bielorrusso preso por seu aliado Lukachenko.”
BIELORRÚSSIA
Bialiatski foi um dos pioneiros do movimento democrático que surgiu na Bielorrúsia nos anos 1980, com a glasnost, a abertura política promovida na União Soviética pelo líder comunista Mikhail Gorbachev.
Em 1996, ele fundou a organização não governamental Viasna (Primavera) para denunciar uma reforma constitucional que deu poderes ditatoriais ao presidente Alexander Lukachenko e reagir com protestos de rua. A ONG apoiou os manifestantes presos e suas famílias.
O laureado foi preso de 2011 a 2014 e de novo em julho de 2021, durante uma onda de manifestações contra mais uma reeleição fraudulenta de Lukachenko, em agosto 2020. Está preso até hoje, sem julgamento.
A abertura de Gorbachev também permitiu que ativistas dos direitos humanos criassem, em 1987, a ONG Memorial para documentar a história das vítimas do regime comunista soviético. O físico dissidente Andrei Sakharov, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1975 foi um dos fundadores.
MEMÓRIA
Com o colapso da URSS, no Natal de 1991, Memorial se tornou a maior organização de defesa dos direitos humanos da Rússia. Além das vítimas do comunismo, passou a compilar informações sobre as violações dos direitos humanos no país. Tornou-se a principal fonte de notícias sobre presos politicos detidos nas prisões russas e está na linha de frente da luta contra o militarismo e pelo Estado de Direito, justificou o comitê do Nobel.
Durante as Guerras da Chechênia, investigou os crimes cometidos. A chefe do escritório da Memorial na Chechênia, Natalia Estemirova, foi assassinada em 2009. Como parte da repressão da ditadura de Putin, a ONG foi declarada “agente estrangeiro” e, em 2021, foi fechada, mas os ativistas resistem.
“Ninguém planeja desistir”, afirmou o presidente da Memorial, Yan Rachinsky.
UCRÂNIA
Desde o início da invasão da Rússia pela Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, o Centro pelas Liberdades Civis identifica e documenta os crimes cometidos contra a população civil, em colaboração com investigações internacionais. Foi fundado em 2007 para promover a democracia na Ucrânia.
No ano passado, os ganhadores do Nobel da Paz foram os jornalistas russo Dimitri Muratov, editor-chefe do jornal Novaïa Gazeta, fechado depois do início da guerra na Ucrânia, e filipina Maria Ressa, pela luta pela liberdade de imprensa contra regimes autoritários.
O governo Putin descreveu na mídia oficial o prêmio como um instrumento a serviço de uma agressão de inimigos “russófobos”. Os mesmos meios de comunicação reportavam orgulhosamente indicações do ditador do Kremlin como candidato ao Nobel da Paz. Meu comentário:
AMEAÇA NUCLEAR
A premiação acontece num momento de agravamento da Guerra da Ucrânia. Diante de sucessivas derrotas do Exército da Rússia no campo de batalha, Moscou forjou plebiscitos ilegais para anexar quatro províncias ucranianas que não domina totalmente. Putin voltou a ameaçar usar armas nucleares para defender o que afirma agora ser “território russo”.
Ontem, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, advertiu para o risco de um “armagedon nuclear”, dizendo que a ameaça de um conflito com armas atômicas é o maior desde a Crise dos Mísseis em Cuba, 60 anos atrás.
Foi muito criticado por reproduzir a ameaça de Putin e pela comparação com o momento mais tenso da Guerra Fria.
Há um temor de que a Rússia use armas nucleares táticas. O historiador Timothy Snyder, professor da Universidade de Yale, não acredita nisso. Estas armas só seriam úteis se houvesse grande concentração de tropas de Ucrânia num local sem a presença de militar russos.
CRISE DOS MÍSSEIS
Em 14 de outubro de 1962, um avião espião U-2 fotografou silos e mísseis nucleares que a URSS estava instalando na ilha governada por Fidel Castro, que exilados cubanos haviam tentado invadir, com o apoio dos EUA, em abril de 1961. Cuba estava sob um duro boicote econômico de Washington, que dura até hoje, desde 7 de fevereiro de 1962.
Dois dias depois, as fotos e os relatórios de inteligência concluindo que os mísseis dariam aos soviéticos condições de realizar um primeiro ataque foram entregues ao presidente John Kennedy.
Logo, Kennedy convocou um gabinete de guerra, o Comitê Executivo do Conselho de Segurança Nacional. Os partidários de uma abordagem diplomática ficaram conhecidos como pombas e os defensores de uma invasão de Cuba eram os falcões. O Estado-Maior Conjunto concluiu por unanimidade que a única solução era uma invasão de Cuba em grande escala para destruir os mísseis e depor Fidel.
Em 22 de outubro daquele ano, às 19h, Kennedy fez um pronunciamento na televisão revelando a ameaça ao povo norte-americano. Ele impôs um bloqueio aeronaval a Cuba, que chamou de “quarentena” para dourar a pílula. Exigiu a retirada imediata e incondicional dos mísseis, e ameaçou interceptar e revistar qualquer navio com destino à ilha. Todo navio transportando armas teria de dar meia volta.
O líder soviético, Nikita Kruschev, advertiu em carta de 24 de outubro de 1962, quando alguns navios soviéticos deram meia volta, que o bloqueio “à navegação no espaço aéreo e em águas internacionais” era “um ato de agressão que está empurrando a espécie humana para o abismo de uma guerra mundial com mísseis nucleares”.
Na China, o Diário do Povo, órgão oficial do regime comunista, alardeou que 650 milhões de chineses estavam ao lado de Cuba.
ATAQUE ABORTADO
Ao mesmo tempo em que Kruschev falava grosso e navios soviéticos tentavam furar o bloqueio, a ponto de norte-americanos darem tiros de advertência, começavam negociações secretas. No momento mais tenso, um submarino soviético armado com mísseis nucleares de 15 quilotons foi cercado por navios de guerra dos EUA.
Como se soube depois, numa conferência com veteranos dos dois lados, em 1992, os três mais altos oficiais do submarino discutiram se atacavam ou não. O capitão Valentin Savitsky mandou preparar o torpedo nuclear. Foi dissuadido pelo subcomandante.
Para o diretor do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA Thomas Blanton, “um cara chamado Vassili Arkhipov salvou o mundo”.
Também não se sabia que os assessores militares soviéticos baseados em Cuba tinham na época 100 armas nucleares táticas (pequenas) que poderiam ser usadas para defender a ilha de uma invasão norte-americana.
A invasão quase ocorreu. Na noite de 26 de outubro, um jornalista e dublê de espião soviético estranhou que a cantina e a sala de imprensa do Congresso estivessem praticamente vazias. Um funcionário lhe disse: “Está todo o mundo indo para Cuba porque vai haver uma invasão.” O agente soviético avisou Moscou imediatamente.
ACORDO
Na manhã seguinte, às 9h, a Rádio Moscou anunciou que a URSS removeria os mísseis de Cuba em troca de retirada de mísseis norte-americanos de curto alcance baseados na Itália e na Turquia. Às 11h03, chegou à Casa Branca uma mensagem de Kruschev confirmando a proposta.
Kennedy concordou. Os mísseis baseados na Turquia eram obsoletos e seriam removidos de qualquer maneira. Serviram para livrar a cara de Kruschev, que cairia dois anos depois por outros motivos, pela luta interna pelo poder dentro da URSS. Os EUA prometeram não invadir a ilha.
Ao meio-dia, um míssil antiaéreo derrubou um avião norte-americano U-2 no espaço aéreo de Cuba. Os EUA hesitaram em concluir o acordo, mas o Kremlin os convenceu de que o alto comando não sabia do ataque. No dia seguinte, Kruschev disse ao filho Serguei que a ordem de abate partiu de “militares cubanos sob o comando de Raúl Castro”.
O bloqueio a Cuba dura até 20 de novembro. Para desarmar futuras crises, foi instalada uma linha direta entre a Casa Branca e o Kremlin, o telefone vermelho. Aparentemente, neste momento, está mudo, mas os altos comandos militares estão em contato.
Na segunda-feira, a Academia Real de Ciência da Suécia anuncia o vencedor do Prêmio Nobel de Economia.
Ele dirigia um Subaru vermelho num cruzamento do centro de Kiev quando uma explosão abriu violentamente a porta. O motorista foi jogado no banco de trás. O carro começou a andar para trás, enquanto ele tentava escapar das ferragens. Populares o ajudaram a sair momentos antes do veículo explodir em chamas diante de uma lanchonete do McDonald's. Mas os ferimentos foram mortais, reportou o jornal The New York Times.
A bomba estava colocada sob o carro e foi detonada por controle remoto. A explosão deixou uma cratera, uma carcaça e mais uma morte misteriosa de jornalista na antiga União Soviética. Pavel Cheremet nasceu em Minsk, a capital da Bielorrússia em 1971, na era soviética, onde se tornou jornalista.
Preso em 1997 pela ditadura de Alexander Lukachenko depois de assinar a Carta 97, uma manifesto pela democracia, Cheremet foi para a Rússia, onde trabalhou na televisão pública ORT.
Em julho de 2014, depois da anexação da Crimeia e do início da guerra civil fomentada por Moscou no Leste da Ucrânia, Cheremet deixou a ORT alegando que jornalistas que "não seguem o estilo de propaganda do Kremlin" estavam sendo perseguidos.
Cheremet era um grande crítico dos presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da Bielorrússia, Alexander Lukachenko; e da Ucrânia, Petro Porochenko. O governo ucraniano rapidamente acusou o Kremlin.
O ditador da ex-república soviética da Bielorrússia, Alexander Lukachenko, considerado o último stalinista da Europa, no poder desde 1994, venceu a eleição presidencial de domingo com 83,5% dos votos, conquistando um quinto mandato de cinco anos.
Como seu aliado, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, Lukachenko é um típico homem da antiga União Soviética. Putin subiu como agente do Comitê de Defesa do Estado (KGB), a temida polícia política soviética.
Lukachenko, hoje com 61 anos, foi diretor de uma fazenda coletiva e agente do KGB encarregado do patrulhamento de fronteiras. Também serviu no Exército Vermelho. Como deputado do Parlamento da Bielorrússia, foi o único a votar contra a independência do país. Agora, obteve sua maior votação.
Em segundo lugar, ficou a oposicionista Tatiana Korotkevich, com 4,4%, seguida pelo governista Serguei Gaidukevich, com 3,3%. Os brancos e nulos bateram os adversários do ditador.
Aliada de Moscou, a Bielorrússia formava com Rússia e Ucrânia o núcleo central eslavo da extinta URSS. Lukachenko chegou a propor uma união com a Rússia. Mantém a dependência política e financeira, mas fez gesto de abertura à União Europeia neste momento de grave crise na economia russa.
A UE está pronta a suspender sanções econômicas, financeiras e proibições de viagem dependendo de um relatório sobre a lisura das eleições a ser apresentado nesta segunda-feira pela Organização de Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).
Depois de votar ontem, Lukachenko declarou que a Bielorrússia não precisa de uma base aérea da Rússia: "Não precisamos de bases. A questão não está nas bases. Vamos nos erguer e nos unir ao povo russo e a qualquer que nos defenda na Bielorrússia até a morte, como já aconteceu", disse o ditador, lembrando a Segunda Guerra Mundial.
"A Rússia é um país fraternal e o mais próximo de nós, não se deve duvidar disso", acrescentou Lukachenko. Sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia, preferiu a neutralidade para "não alimentar as chamas. Queremos uma vida pacífica".
Depois da eleição anterior, em 2010, milhares saíram às ruas para protestar e enfrentar a polícia de choque. Ontem, cerca de 200 pessoas se reuniram, mas pouco depois se dispersaram.
A escritora e jornalista bielorrusa Svetlana Alexievich ganhou hoje o Prêmio Nobel de Literatura de 2015 por sua obra, descrita como "um monumento ao sofrimento e à coragem no nosso tempo", anunciou esta manhã em Estocolmo a Academia da Suécia, noticia o jornal The Washington Post.
É raro que o comitê do Nobel premie escritores de não ficção. Entre outros livros, Alexievich é autora de Vozes de Chernóbil, sobre os sobreviventes do pior acidente nuclear da história, ocorrido na Ucrânia em 26 de abril de 1986.
"Nos últimos 30 a 40 anos, ela vem mapeando o indivíduo soviético e o pós-soviético. Mas não é uma história sobre eventos. É uma história de emoções. O que ela nos oferece é um mundo de emoções", declarou Sara Danius, secretária permamente da Academia da Suécia.
Assim, prosseguiu, "os eventos históricos sobre os quais ela faz uma espécie de cobertura - o desastre de Chernóbil, a guerra soviética no Afeganistão e outros - são pretextos para explorar o indivíduo soviético e pós-soviético. Ela realizou milhares de entrevistas com crianças, mulheres e homens, e dessa maneira nos apresenta a história de indivíduos que não conhecemos muito. Ao mesmo tempo, ela nos oferece uma história de emoções, uma história da alma."
Em conflito com o Ocidente por causa de sua intervenção militar na Ucrânia, o presidente Vladimir Putin anunciou hoje seu apoio à instalação de uma base militar da Rússia na Bielorrússia, a outra república do núcleo eslavo que dominava a extinta União Soviética.
A proposta, feita inicialmente pelo ministro da Defesa, Serguei Choigu, em 2013, tende a aumentar a tensão entre a Rússia e os antigos países comunistas da Europa Oriental que saíram da órbita de Moscou, como a Polônia, vizinha da Bielorrússia, e entraram para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos.
A ex-república soviética da Bielorrússia tentou sem sucesso mediar o conflito entre Rússia e Ucrânia. Diante da crise econômica russa, busca uma aproximação econômica com a União Europeia. Mas o ditador Alexander Lukachenko, último líder stalinista do continente, já ancorou o país estratégica e militarmente à Rússia.
Depois de quase um ano de silêncio, os ministros da Defesa dos EUA e da Rússia voltaram a conversar ontem diante da crescente intervenção militar russa na Síria para apoiar a ditadura de Bachar Assad, que só controle hoje 15% do território nacional.
A ex-república soviética da Bielorrússia vai realizar sua eleição presidencial em 11 de outubro de 2015, anunciou ontem a comissão central eleitoral, citada pela agência Reuters.
O presidente Alexander Lukachenko, considerado o último ditador do continente europeu, no poder desde 1994, é o franco favorito. Ele promete amplo acesso a observadores internacionais.
A última eleição terminou com confronto entre os manifestantes e a polícia no centro de Minsk e várias prisões, inclusive de candidatos.
Para sustentar o argumento de que é alvo de uma intervenção militar, o governo da Ucrânia divulgou hoje um vídeo com imagens de 10 paraquedistas da Rússia capturados a cerca de 50 quilômetros a sudeste da cidade de Donetsk, tomada por separatistas apoiados pelo Kremlin.
O Ministério da Defesa da Rússia alegou que os soldados cruzaram a fronteira acidentalmente.
Hoje, os presidentes russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Petro Porochenko, se encontraram em Minsky, na Bielorrússia, com o ditador local, Alexander Lukachenko, numa rara oportunidade para discutir a crise cara a cara.
De olho no seu país, o ditador da Bielorrússia, Alexander Lukachenko, no poder há 20 anos, um dos maiores aliados de Moscou, rejeitou hoje a pressão da Rússia pela federalização da Ucrânia.
Em entrevista à televisão russa NTV, Lukachenko declarou que a federalização dividiria o país e destruiria o Estado ucraniano. A exemplo da Ucrânia, depois do fim da União Soviética, a Bielorrússia entregou à Rússia as armas nucleares instaladas em seu território.
A Rússia, a Bielorrússia e a Ucrânia formavam o núcleo central eslavo da URSS. O país de Lenin, Trotski e Stalin, pátria do comunismo internacional, desapareceu quando essas três repúblicas assinaram o Acordo de Minsk, em 8 de dezembro de 1991, rechaçando a proposta de confederação feita pelo último líder soviético, Mikhail Gorbachev.
Qualquer tentativa do homem-forte do Kremlin, Vladimir Putin, de recriar a URSS através da União Eurasiana será capenga sem esses três países.
O governo da ex-república soviética da Bielorrússia efetuou hoje as três primeiras prisões de suspeitos do atentado que matou 12 pessoas feriu outras 150 ontem no metrô de Minsk, no pior atentado no país na era moderna.
A Bielorrússia era, ao lado da Rússia e da Ucrânia, parte do núcleo eslavo que dominava a União Soviética. Seu atual presidente Alexander Lukachenko, no poder desde 1994, é considerado o último líder stalinista europeu.
Lukachenko se apressou em denunciar agentes estrangeiros.
O chefe do serviço secreto bielorrusso, que ainda mantém o nome soviético de KGB, Vadim Zaitsev, disse que a polícia procura "um homem corpulento com idade até 27 anos e aparência não eslava, de casaco marrom e gorro de lã". Ele teria sido visto fugindo do local.
As forças de segurança da ex-república soviética da Bielorrússia prenderam hoje à noite sete dos nove candidatos de oposição e mais de cem pessoas que protestavam em Minsk, a capital do país, contra a reeleição do ditador Alexander Lukachenko, o último líder stalinista da Europa, com quase 80% dos votos.
Quando a multidão começou a atacar a sede do governo, a polícia interveio.
A empresa estatal russa Gazprom reduziu ainda mais hoje, em 60%, o fornecimento de gás à ex-república soviética da Bielorrússia, em retaliação contra atrasos no pagamento.
É mais uma etapa do esforço da Rússia para restabelecer sua influência sobre todas as repúblicas da extinta União Soviética.
Mais uma ex-república soviética entra em atrito com a Rússia por causa do fornecimento de gás natural.
A Bielorrússia fechou o gasoduto que seguia para o resto da Europa depois que a estatal russa Gazprom reduziu o suprimento ao país em 30%. Foi uma pressão da Gazprom, que cobra dívidas equivalentes a R$ 342 milhões de reais.
Maior exportador mundial de energia, a Rússia fornece 25% do gás consumido na União Europeia. Quinze por cento desse gás passam pela Bielorrússia. Os países mais afetados pelo corte são Alemanha e Polônia.
O presidente bielorrusso, Alexander Lukachenko, quer cobrar o equivalente a R$ 463 milhões pelo trânsito do gás por seu país. Ele se encontrou com o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, mas não houve acordo.
O presidente Dimitri Medvedev afirmou hoje que a Rússia não quer conflito com os Estados Unidos e a Europa, mas considerou irreversíveis as independências da Abcásia e da Ossétia do Sul, duas províncias da ex-república soviética da Geórgia rebeladas com apoio russo.
Só dois países - a Bielorrússia e a Venezuela - reconheceram as independências. Na semana passada, a Rússia tentou angariar apoio na Organização de Cooperação de Xangai. Mas a China, que enfrenta movimentos separatistas nas regiões autônomas do Tibete e de Xinjiang, reiterou um dos princípios básicos de sua política externa, o respeito à integridade territorial de outros países. Negou apoio ao Kremlin.
A instalação de parte do sistema de defesa antimísseis dos Estados Unidos na Polônia deve ser acompanhada de baterias antiaéreas para defender o espaço aéreo polonês, exigiu hoje o novo ministro da Defesa, Bogdan Klich.
O escudo de defesa antimísseis dos EUA, também conhecido como programa Guerra nas Estrelas 2, prevê a implantação de uma base na Polônia com 10 interceptadores de mísseis.
Como o projeto enfrenta forte oposição da Rússia, que ameaça instalar mísseis na Bielorrússia em retaliação, Klich entende que a Polônia terá de fazer "uma nova tentativa de equilibrar custos e benefícios.
Essa postura reflete a promessa de campanha do novo primeiro-ministro liberal, Donald Tusk, mais europeísta e mais independente em relação aos EUA.
Além dos interceptadores na Polônia, o escudo antimísseis americano prevê a instalação de uma estação de radar na República Tcheca. Em retaliação, a Duma do Estado, Câmara do Parlamento da Rússia, denunciou o Tratado sobre Forças Convencionais na Europa, de 1990, um dos marcos do fim da Guerra Fria.
Um dos ditadores de quem o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, se aproximou simplesmente por ser antiamericano começa a cobrar a conta. Com uma dívida de US$ 456 milhões com a poderosa vizinha Rússia, que ameaça reduzir o fornecimento à metade, o presidente da Bielorrússia, Alexander Lukachenko, apelou ao caudilho venezuelano.
As temperaturas muito mais altas do que esperado para o inverno no Hemisfério Norte derrubaram hoje os preços do petróleo. Na Bolsa Mercantil de Nova Iorque, a cotação do barril para entrega em fevereiro caiu 3%, chegando a US$ 54,45, a menor desde junho de 2005. Desde o início do ano, o petróleo perdeu 10% do valor.
O calor está diminuindo a demanda por gás natural e óleo para a calefação ao mesmo tempo em que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não consegue impor a seus membros os cortes de produção aprovados para sustentar os preços em torno de US$ 60 por barril.
Ontem, o preço ficou em torno de US$ 56 por causa de um conflito entre a Bielorrússia e a Rússia, que ameaça cortar o fornecimento para a Alemanha, a Polônia e a Ucrânia através de um oleoduto que atravessa a Bielorrússia.
O governo da ex-república soviética da Bielorrússia concordou com um aumento de mais de 100% no gás que importa da Rússia, fechando um acordo de cinco anos que evita uma "guerra do gás" e a interrupção no fornecimento para a União Européia.
A Bielorrússia passa a pagar, em 2007, US$ 100 por mil metros cúbidos de gás vendido pela empresa estatal russa Gazprom. É mais do dobro do preço que pagava mas menos do que os US$ 105 que a Gazprom exigiu como preço mínimo.
No ano passado, um desacerto entre a Rússia e a Ucrânia, outra ex-república soviética, ameaçou o fornecimento de gás à Europa Ocidental, suscitando dúvidas sobre a confiabilidade da Rússia como fornecedora de energia. Com seu nacionalismo energético, a Rússia também obrigou a ex-república soviética da Geórgia a pagar duas vezes mais pelo gás.