Mostrando postagens com marcador federalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador federalismo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Putin acusa Lenin por federalismo e fim da URSS

Numa rara crítica aos dirigentes do passado comunista, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, condenou o pai da União Soviética, Vladimir Ilich Ulianov (Lenin) e o regime bolchevique pela repressão brutal e pelo modelo federalista, que responsabilizou pelo fim da União Soviética.

Durante um encontro de militantes de seu partido, Rússia Unida, na cidade de Sevastopol, Putin abandonou ontem uma cautela atribuída ao desejo de evitar críticas aos comunistas para não perder votos. O atual homem-forte do Kremlin condenou a execução do último czar e sua família, as mortes de milhares de padres e acusou Lenin de armar uma "bomba-relógio" sob o Estado, noticiou o jornal inglês The Guardian.

Ao traçar fronteiras administrativas e introduzir o federalismo ao criar a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1922, o regime bolchevique deu a elas em tese o direito de se separar. Se isso era praticamente impossível no período stalinista, tornou-se uma possibilidade com a crise econômica do país e a tentativa de golpe contra o presidente Mikhail Gorbachev, em 1991.

Como exemplo desse federalismo destrutivo de Lenin, Putin citou o vale do Rio Don, no Leste da Ucrânia, onde Moscou fomentou uma guerra civil a partir de abril de 2014, um mês depois da anexação ilegal da Crimeia, com mais de 9 mil mortes desde então. Lenin teria incluído a região para aumentar a população proletária na Ucrânia.

Putin afirmou ainda que Lenin estava errado numa disputa com o futuro ditador Josef Vissarianovich Djugachvili (Stalin), que defendia um Estado unitário. No passado, o atual líder russo condenou as perseguições políticas e milhões de mortes do stalinismo, mas reconheceu seu papel na vitória sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

Outra crítica de Putin foi ao acordo de paz firmado pelos bolcheviques com a Alemanha na Primeira Guerra Mundial, cedendo parte do território russo meses antes da rendição alemã: "Perdemos para o lado derrotado, um caso único na história."

Na mesma ocasião, o presidente russo afastou a possibilidade de retirar a múmia embalsamada de Lenin de seu túmulo na Praça Vermelha, descartando "qualquer medida capaz de dividir a sociedade".

Ex-agente do Comitê de Defesa do Estado (KGB), a temida polícia política da URSS, Putin considerou o fim do país "a maior catástrofe geopolítica do século 20" e se empenha para restaurar pelo menos parte do poder imperial soviético.

O dirigente russo disse que acreditava na ideologia comunista e nas promessas de uma sociedade mais justa que "se assemelhava muito à Bíblia", mas admitiu que "o país não parecia a Cidade do Sol" idealizada pela utopia socialista.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Escócia rejeita a independência

Com as urnas de 26 dos 32 distritos eleitorais apuradas, o eleitorado da Escócia rejeitou em plebiscito a independência do Reino Unido por 54% a 46%. A televisão pública britânica BBC projeta a vitória do não. O comparecimento foi de 84%.

Desde o início da apuração, o não tomou a dianteira. Só no sétimo distrito eleitoral, o sim obteve sua primeira vitória. Ganhou também em Glasgow, a maior cidade escocesa.

Para evitar a independência da Escócia, o primeiro-ministro conservador, David Cameron, o vice-primeiro-ministro liberal-democrata, Nick Clegg, e o líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, prometeram entregar vários poderes do Estado ao governo semiautônomo da Escócia.

Na prática, para sobreviver, o Reino Unido vai passar por uma ampla reforma constitucional para se transformar numa espécie de federação em que as diferentes regiões, especialmente a Escócia, receberão muito dos poderes concentrados hoje no governo central, em Londres.

domingo, 13 de abril de 2014

Bielorrússia rejeita federalização da Ucrânia

De olho no seu país, o ditador da Bielorrússia, Alexander Lukachenko, no poder há 20 anos, um dos maiores aliados de Moscou, rejeitou hoje a pressão da Rússia pela federalização da Ucrânia.

Em entrevista à televisão russa NTV, Lukachenko declarou que a federalização dividiria o país e destruiria o Estado ucraniano. A exemplo da Ucrânia, depois do fim da União Soviética, a Bielorrússia entregou à Rússia as armas nucleares instaladas em seu território.

A Rússia, a Bielorrússia e a Ucrânia formavam o núcleo central eslavo da URSS. O país de Lenin, Trotski e Stalin, pátria do comunismo internacional, desapareceu quando essas três repúblicas assinaram o Acordo de Minsk, em 8 de dezembro de 1991, rechaçando a proposta de confederação feita pelo último líder soviético, Mikhail Gorbachev.

Qualquer tentativa do homem-forte do Kremlin, Vladimir Putin, de recriar a URSS através da União Eurasiana será capenga sem esses três países.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Ucrânia introduz eleições para governos regionais

Diante da pressão da Rússia por federalismo, o governo provisório da ex-república soviética da Ucrânia prometeu acabar com a nomeação dos governadores regionais e introduzir eleições diretas para o cargo. Um inquérito acusou a tropa de choque do governo pelas mais de cem mortes ocorridas na revolução de fevereiro de 2014.

O ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich, responsável pelas mortes, admitiu hoje que cometeu um erro ao pedir uma intervenção militar russa na Ucrânia e prometeu negociar a devolução da Crimeia com o presidente Vladimir Putin.

"A Crimeia é uma tragédia, uma grande tragédia", lamentou o presidente deposto.

Durante um de seus longos e improdutivos encontros com o secretário de Estado americano, John Kerry, o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov, sugeriu que o federalismo seria a melhor maneira de proteger a cultura e as populações russas da Ucrânia.

A Rússia mantém grande quantidade de tropas na fronteira, na análise da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, capazes de lançar uma grande invasão em 12 horas e tomar a Ucrânia em três a cinco dias.