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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 28 de Novembro

MAGALHÃES CHEGA AO PACÍFICO

    Em 1520, a serviço da coroa da Espanha, o navegador português Fernão de Magalhães conclui a travessia do estreito batizado com seu nome e atinge o Oceano Pacífico com três navios, na primeira viagem de circunavegação da Terra.

Fernão de Magalhães zarpa de Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, em 20 de setembro de 1519 com cinco navios e 270 homens para procurar uma rota pelo oeste para chegar as Ilhas das Especiariais (Indonésia).

A expedição entra no Rio da Prata. Sem sucesso, vai segue para o sul. Em março de 1520, a expedição para em Porto de São Julião, na Patagônia, onde Magalhães enfrenta uma revolta dos capitães espanhóis. Controla o motim executando um capitão rebelde e deixando outro em terra.

Em 21 de outubro de 1520, a frota finalmente descobre o Estreito de Magalhães, que separa a Terra do Fogo do continente. Só três navios entram na passagem: um afunda antes e outro deserta. Eles levam 38 dias para atravessar o estreito.

Ao ver o oceano do outro lado, Magalhães chora de alegria. A frota leva 99 dias para cruzar este oceano de águas tão calmas que deram o nome de Pacífico, provavelmente por causa do fenômeno El Niño, um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. É um contraste com o Oceano Atlântico, que os marinheiros chamam de Mar Tenebroso.

Como o Pacífico é muito maior, a comida acabou. Os marinheiros chegam à Ilha de Guam em 6 de março de 1521 mastigando peças de couro para tentar enganar o estômago.

Dez dias depois, a frota ancora na ilha de Cebu, nas Filipinas, onde o chefe local se converte em cristianismo e pede ajuda na guerra contra a ilha vizinha de Mactan, onde em 27 de abril Magalhães é ferido mortalmente por uma flecha envenenada e morre.

A expedição vai para as Ilhas Molucas, onde pega um carregamento de especiarias. Com apenas dois navios, sob o comando do espanhol Juan Sebastián Elcano, atravessa o Oceano Índico, dá a volta no Cabo da Boa Esperança (que os marinheiros ainda chamam pelo antigo nome de Cabo das Tormentas) e chega a Sanlúcar de Barrameda em 6 de setembro de 1522, completando a façanha.

SHAKESPEARE APAIXONADO

    Em 1582, aos 18 anos, o ator, poeta e dramaturgo William Shakespeare, um dos maiores escritores da história da humanidade, se casa em Stratford-upon-Avon, com Anne Hathaway, de 26 anos.

Dez anos depois, Shakespeare é um ator e dramaturgo renomado da cena teatral de Londres, um sucesso consolidado pelo lançamento de Romeu e Julieta (1995), O Mercador de Veneza (1597), Hamlet (1601), Otelo (1605), Rei Lear (1606) e Macbeth (1606).

Shakespeare se aposenta em 1610 e volta para Stratford, onde escreve suas últimas peças de teatro, inclusive A Tempestade (1611).

PRIMEIRA DEPUTADA BRITÂNICA

    Em 1919, Lady Astor, Nancy Astor, nascida nos Estados Unidos, é eleita com ampla maioria para a vaga do marido na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico e se torna a primeira deputada do Reino Unido.

 O marido Waldorf Astor vai para uma vaga hereditária na Câmara dos Lordes.

CONFERÊNCIA DE TEERÃ

    Em 1943, o presidente norte-americano Franklin Roosevelt, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, e o ditador soviético Josef Stalin se reúnem em Teerã, a capital do Irã, para discutir a estratégia conjunta para derrotar o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial (1939-45) e o mundo do pós-guerra.

O Irã tem importância estratégica na guerra. É por lá que os aliados, especialmente os Estados Unidos, dão armas e apoio logístico à União Soviética para a luta na frente oriental quando a Alemanha Nazista ocupava a Europa.

É o primeiro encontro entre Roosevelt e Stalin. Os Três Grandes concordam em invadir a Normandia, Em troca do apoio contra a Alemanha na frente oriental, a URSS promete ajudar os EUA na guerra contra o Japão. Churchill não confia em Stalin e entende que Roosevelt fez demais para cativar o líder comunista, que pretende criar uma zona de segurança entre a URSS e a Alemanha.

Em declaração conjunta em 1º de dezembro, os Três Grandes reconhecem "a suprema responsabilidade que pesa sobre nós e as Nações Unidas fazer uma paz que tenha a boa vontade da esmagadora maioria dos povos da Terra e acabe com o flagelo e o terror da guerra por muitas gerações." 

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Hoje na História do Mundo: 23 de Agosto

MORRE SÍMBOLO SEXUAL DOS ANOS 1920

    Em 1926, morre em Nova York aos 31 anos Rodolfo Alfonso Raffaello Pierre Filibert Guglielmi di Valentina D'Antonguolla, mais conhecido como Rodolfo Valentino, um ator italiano radicado nos Estados Unidos que se tornara o arquetípico galã cinematográfico, um símbolo sexual dos anos 1920.

Pouco depois do lançamento de seu último filme, O Filho do Xeique, Valentino é hospitalizado com uma úlcera perfurada e morre de peritonite oito dias depois de ser operado. Sua morte provoca várias tentativa de suicídio. Sua última namorada, a atriz Pola Negri, está inconsolável. 

Dezenas de milhares de pessoas prestam homenagem passando junto ao caixão em Nova York. Cem mil pessoas se concentram perto da igreja onde é realizado o funeral. O corpo é levada de trem para ser enterrado em Hollywood.

SACCO E VANZETTI EXECUTADOS

    Em 1927, apesar dos protestos internacionais de defensores de sua inocência, os anarquistas italianos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti são executados na cadeira elétrica por latrocínio, roubo seguido de mortes.

O tesoureiro de uma fábrica de sapatos de South Braintree, no estado de Massachusetts, é assassinado em 15 de abril de 1920 junto com um segurança. O latrocínio é atribuído a dois italianos, que fogem com US$ 15 mil.

Sacco e Vanzetti são presos ao ir a uma garagem atrás de um carro que a polícia supunha estar ligado ao crime. Os dois suspeitos estão armados e mentem nos depoimentos, mas não têm antecedentes criminais. Em 14 de julho de 1921, são condenados à morte.

A pena é mantida mesmo depois que Celestino Medeiros, condenado por homicídio, confessa em 1925 ter participado do latrocínio. O Tribunal de Justiça de Massachusetts não revisa a sentença e o governador Alvin Fuller nega os pedidos de clemência.

Em 1977, o governador Michael Dukakis reabilita Sacco e Vanzetti declarando que foram alvos de uma injustiça.

PACTO GERMANO-SOVIÉTICO

    Em 1939, a Alemanha nazista e a União Soviética firmam o Pacto Germano-Soviético ou Pacto Ribbentrop-Molotov, nomes dos ministros do Exterior que assinaram o acordo de não agressão a mando dos ditadores Adolf Hitler e Josef Stalin

Com o pacto, Hitler garante a paz temporariamente com a URSS, enquanto Stalin ganha tempo para se preparar para uma guerra que considerava inevitável. Os dois países dividem a Polônia, a Alemanha fica com a maior parte e Hitler entrega as repúblicas do Mar Báltico (Estônia, Letônia e Lituânia) à URSS.

Nove dias depois, em 1º de setembro, a Alemanha invade a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial (1939-45). A URSS ocupa o lado oriental. Com o controle da situação, em 1940, Hitler volta o esforço de guerra para conquistar a Europa Ocidental.

Ao ocupar parte da Polônia, a URSS detém 22 mil militares, policiais e cidadãos comuns acusados de espionagem e subversão pelo Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), o nome da polícia política soviética na era Stalin (1927-53). Eles são mortos em abril e maio de 1940 no Massacre da Floresta de Katyn.

Em 22 de junho de 1941, a Alemanha invade a URSS na na Operação Barbarossa, a aposta mais ousada de Hitler, que o levaria à derrota e à morte. Mais de 80% das tropas alemãs são derrotadas na frente oriental. Com a entrada da URSS na guerra ao lado dos aliados, o governo polonês no exílio em Londres pede a libertação dos militares.

Dois anos depois da invasão, a Alemanha anuncia a descoberta de valas cheias de corpos na Floresta de Katyn. A URSS culpa os nazistas.

Com as vitórias nas batalhas de Stalingrado e de Kursk, em 1943, o Exército Vermelho para a ofensiva nazista e inicia a contraofensiva rumo a Berlim, tomada em 8 de maio de 1945, marco do fim da guerra na Europa. Hitler se suicida dias antes, em 30 de abril.

Só em 1990, durante o governo Mikhail Gorbachev (1985-91), a URSS reconheceu a responsabilidade pelo Massacre de Katyn.

LOU REED DEIXA VELVET UNDERGROUND

    Em 1970, o cantor e compositor Lou Reed faz seu último show com The Velvet Underground, uma das maiores bandas de rock americanas.

Reed conhece o galês John Cale em Nova York em 1964. Eles começam a tocar juntos. Com temas como protestituição e drogas, as letras de Reed estão muito distantes da música comercial. 

O apoio do artista plástico Andy Warhol credencia o Velvet Underground junto à vanguarda cultural nova-iorquina. A banda lança o primeiro álbum, Nico and the Velvet Underground, em 1967. Cale sai em 1968 e Lou Reed dois anos depois para fazer carreira solo. Ele morre em 2013.

terça-feira, 29 de junho de 2021

Hoje na História do Mundo: 29 de Junho

    Em 1941, a ofensiva da Alemanha nazista em três frentes na União Soviética toma Riga, a capital da Letônia, e cerca o exército inimigo em Minsk, a capital da Bielorrússia, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Apesar do Pacto Germano-Soviético, um tratado de não agressão assinado em 23 de agosto de 1939 para dividir a Polônia e deixar a URSS tomar as repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia), o ditador Josef Stalin considera inevitável a guerra contra a Alemanha por causa da incompatibilidade ideológica entre comunismo e nazismo. Mas acredita que Adolf Hitler não ordenaria a invasão antes de conquistar o Reino Unido. Foi surpreendido

Depois de perder a Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea travada de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, e o resto da Europa Ocidental sob seu controle, Hitler se volta para a frente oriental. Ao invadir a URSS, comete seu maior erro, que custou a derrota e a vida. Como Napoleão Bonaparte em 1812, subestimou a capacidade de resistência e luta do povo russo.

A Alemanha invadira a URSS uma semana antes. Em 22 de junho de 1941, 150 divisões alemãs entraram na pátria do comunismo com a cobertura da Luftwaffe, a Força Aérea nazista, que tinha superioridade aérea, e avançaram em três frentes: ao norte, rumo a Leningrado, hoje São Petersburgo; no centro, em direção a Moscou; ao sul, para Kiev, a capital da Ucrânia.

Com a ajuda de seus aliados finlandeses e romenos, a blitzkrieg, a guerra-relâmpago baseada na aviação e em tanques rápidos logo conquistou uma grande área do território soviético. Em 29 de junho, caíam Riga e Ventspils, na Letônia, 200 aviões soviéticos eram abatidos e os alemães estão fechando o cerco a três exércitos inimigos.

Era um duelo entre os maiores ditadores da história. De um lado, os generais alemães advertiram Hitler de que não teriam condições de cuidar de prisioneiros durante a invasão da URSS. Os inimigos presos seriam sumariamente executados. Por outro lado, Stalin não aceitava a rendição nem o recuo. Quem recuasse seria executado.

Em meados de outubro, Moscou e Leningrado estavam sitiadas. O Cerco de Leningrado foi uma das grandes batalhas da Segunda Guerra Mundial. Durou cerca de 900 dias, de 8 de Setembro de 1941 a 27 de Janeiro de 1944. A cidade passou fome. Os pais não deixavam os filhos saírem de casa porque havia um mercado negro de carne humana.

A ofensiva nazista foi contida na frente sul, na Batalha de Stalingrado, talvez a mais importante da história, travada de 23 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943. A partir daí, o Exército Vermelho lançou a contraofensiva que terminou em Berlim em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa.

    Em 1958, a seleção brasileira conquista sua primeira Copa do Mundo ao vencer a Suécia em Estocolmo por 5-2, com craques como Pelé, de apenas 17 anos, Garrincha, Didi, o craque da Copa, e Nílton Santos. Com 6 gols, Pelé foi a revelação da Copa.

    Em 1967, Mick Jagger e Keith Richards, os líderes dos Rolling Stones, foram levados a julgamento por uso de drogas depois de uma operação policial numa casa de Richards

A promotora tentou atribuir o fato de Marianne Faithful, namorada de Jagger, vestir apenas uma pele de urso ao uso de maconha. Keith considerou normal e respondeu: "Não somos velhos. Não estamos preocupados com um moralismo mesquinho." Virou um dos porta-vozes da geração rebelde dos anos 1960.

Mick foi preso com quatro comprimidos de anfetamina que havia comprado na Itália. Foi condenado a três meses de cadeia com direito a recorrer em liberdade. O caso de Keith era mais grave. Ele foi acusado de deixar usarem sua casa para consumo de drogas, condenado e sentenciado a um ano de prisão. No dia da sentença, saiu direto do tribunal para a prisão e Wormwood Scrubs. Foi recebido pelos outros presos como um astro do rock. E só ficou uma noite. No dia seguinte, conseguiu liberdade mediante pagamento de fiança.

Mais tarde, o caso foi anulado porque a tentativa de associar a seminudez de Marianne Faithful ao consumo de drogas foi considerada preconceituosa.

    Em 1972, por 5 a 4, a Suprema Corte considera inconstitucional a pena de morte do jeito em que era aplicada, por violar a Emenda nº 8 da Constituição dos Estados Unidos como "punição cruel e incomum". Mas não foi uma vitória dos defensores da abolição da pena capital. O supremo tribunal federal americano sugeriu que poderia aceitá-la se houvesse padrões uniformes para júris e juízes decidirem e métodos menos cruéis de execução.

Com 66% dos americanos a favor da pena de morte na época, em 1976, a Suprema Corte restabeleceu a pena morte. O primeiro executado, no ano seguinte, foi Gary Gilmore, condenado por matar um casal de idosos que se negou a lhe emprestar um carro no ultraconservador estado de Utah.

    Em 1974, a vice-presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume a Presidência da Argentina diante do estado terminal do marido Juan Domingo Perón, o líder populista que até hoje, 47 anos depois de sua morte, em 1º de julho daquele ano, domina a política do país.

O coronel Perón participou de um golpe militar em 1943. Virou ministro do Trabalho e depois vice-presidente e ministro da Guerra. Afastado em 9 de outubro de 1945 num golpe dentro do golpe, voltou nos braços do povo (sonho de todo populista) sob pressão dos sindicatos e de sua carismática amante, a atriz María Eva Duarte, a Evita. 

Em 17 de outubro, uma data magna do peronismo, Perón fez seu primeiro discurso do balcão da Casa Rosada para uma multidão estimada em 300 mil pessoas. Quatro dias depois, Perón, que era viúvo, casou com Evita, formando o casal que até hoje domina a política argentina.

Com a promessa de um salariaço aos trabalhadores, Perón foi eleito presidente com 52,4% dos votos em 1946. O aumento no salário salarial deflagrou uma grande alta no consumo: as vendas de fogões aumentaram 106%, de geladeiras 218%, de calçados 133%, de discos fonográficos 200% e de rádios 600%, incentivadas por programas de redistribuição da renda e de crédito barato. Entre 1945 e 1948, a economia cresceu a um recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais cresceram 46%.

Perón foi reeleito com 62% em 1951. Evita chegou a ser cotada para vice. Sob pressão conservadora, não foi indicada. Ela morreu aos 33 anos, em 26 de julho de 1952 de câncer de útero, como a primeira mulher de Perón, Aurelia Tizón.

A terceira mulher de Perón, Isabelita, 35 anos mais moça do que ele, era bailarina no Panamá quando conheceu o general no Natal de 1955, exilado depois do golpe militar de 16 de setembro daquele ano, que os golpistas chamam de Revolução Libertadora.

Atraído por sua beleza, o general viu nela a companheira de que sentia falta desde a morte da segunda mulher, sua grande paixão. Perón voltou à Argentina em 1973 e ganhou a eleição para um terceiro governo de menos de nove meses em meio a uma crise econômica e política, com uma guerra civil entre grupos guerrilheiros e grupos paramilitares de extrema direita.

A tentativa de transformar Isabelita numa segunda Evita, dando-lhe a vice-presidência e o governo quando Perón morreu, levou a uma tragédia, ao golpe militar de 24 de março de 1976 e à ditadura sanguinária que matou 30 mil argentinos até ser derrotada e humilhada pelos britânicos na Guerra das Malvinas (1982).

    Em 1995, a nave espacial americana Atlantis se acopla à estação espacial russa Mir para formar o maior satélite artificial da Terra. Foi um momento histórico de cooperação entre os antigos inimigos da Guerra Fria. 

Eram seis da manhã pelo horário da costa leste dos Estados Unidos quando a nave com seis tripulantes se aproximou da estação espacial a cerca de 392 quilômetros da Terra, na altura da fronteira entre a Rússia e a Mongólia. Os três cosmonautas russos transmitiram canções folclóricas da Rússia como um gesto de boas-vindas.

O comandante da Atlantis, Robert Gibson, manobrou durante duas horas para realizar o acoplamento. Teve de aproximar a nave de 100 toneladas até uma distância de menos de três polegadas (7,62 centímetros) a uma velocidade de não mais do que 3 cm/seg.

Na época, o diretor da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA), Daniel Goldin saudou o encontro no espaço como marco do "início de uma nova era de cooperação e amizade" entre a Rússia e os EUA. O projeto teve mais 11 missões. Foi decisivo para a construção da Estação Espacial Internacional que está em órbita hoje.

    Em 2014, o líder da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Abu Baker al-Baghdadi, anuncia na Grande Mesquita de Mossul, no Iraque, a fundação de um califado com jurisdição universal baseado inicialmente nos territórios conquistados pelo grupo na Síria e no Iraque.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Putin convida ditador da Coreia do Norte a visitar a Rússia

O presidente Vladimir Putin convidou hoje o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, a visitar a Rússia em setembro, durante a realização do Fórum Econômico Oriental, noticiou a agência Reuters. O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, poderá aproveitar a ocasião para também manter contato direto com Kim.

Diante da abertura de negociações diretas entre os Estados Unidos e o regime comunista norte-coreano, a Rússia, como país vizinho, não quer ficar de fora do processo, assim como a China, a Coreia do Sul e o Japão. Kim se encontrou duas vezes neste ano com o ditador chinês, Xi Jinping, e outras duas com o presidente sul-coreano, Moon Jae In.

A Rússia tem relações históricas com a Coreia do Norte. Na verdade, o ditador soviético Josef Stalin criou o país ao invadir o Norte da Península Coreana no fim da Segunda Guerra Mundial. O regime comunista norte-coreano foi fundado com o modelo stalinista e o culto da personalidade dos seus líderes.

Nos anos 1970s e 1980s, a União Soviética era responsável pela metade do comércio exterior norte-coreano. Projetos conjuntos responderam por 70% da energia elétrica, 50% dos fertilizantes químicos e 40% dos metais ferrosos produzidos na Coreia do Norte, que pagou em parte mandando prisioneiros fazer trabalhos forçados na Sibéria. O país perdeu seu maior patrono com o fim da URSS, em 1991.

Com a ascensão da China, que lutou ao lado da Coreia do Norte na Guerra da Coreia (1950-53), o regime comunista chinês tornou-se o maior aliado da ditadura stalinista de Pyongyang e nos últimos anos praticamente o único. A China é hoje responsável por 90% do comércio exterior norte-coreano.

Como o grande sonho de Putin é restaurar o poder imperial da URSS, a Rússia não pode ficar totalmente fora das negociações. Entre seus maiores objetivos, está minar a democracia ocidental e esvaziar o poder dos EUA.

Assim como a China, com a redução da ameaça de confrontação nuclear entre EUA e a Coreia do Norte, a Rússia defende o alívio das sanções impostas ao regime norte-coreano, enquanto os EUA só admitem suspendê-las quando o país abandonar as armas nucleares. Mas as trapalhadas e a agressividade de Kim no ano passado incomodaram os chineses, que não aceitam o risco de uma guerra na sua fronteira.

Putin está pronto para aproveitar oportunidades surgidas de possíveis divergências entre a China e a Coreia do Norte. A Rússia tem capacidade de superar a influência da China sobre Pyongyang, mas pode diminuir a pressão chinesa sobre Kim.

A entrada de jogadores de peso como a Rússia é um indicador de como será difícil a tarefa dos EUA de chegar a um acordo para desnuclearizar a Península Coreana e chegar a um acordo de paz definitivo na Guerra da Coreia.

terça-feira, 12 de junho de 2018

URSS: ascensão de Stalin levou a uma era de terror

O fracasso de mais uma revolução na Alemanha fortaleceu a tese de Stalin de desistir da revolução mundial para se concentrar na defesa da URSS e do “socialismo num país só”, tese aprovada no 14º Congresso do PC, em 1925.
Em 1924, no prefácio de seu livro As Lições de Outubro, Trotsky critica a atitude de Stalin em relação à revolta alemã e a indecisão de Kamenev e Zinoviev em 1917.
Em 1925, a aliança Stalin-Zinoviev se rompeu. No verão de 1926, Stalin e Bukharin lutavam contra a Oposição Unida de Trotsky, Kamenev e Zinoviev na batalha decisiva pelo controle do partido, perdida conferência do partido de outubro de 1926, quando Kamenev foi excluído do Politburo.

REVOLUÇÃO CHINESA

A China foi um tema importante do debate do PC da URSS. Stalin não acreditava em revolução socialista num país agrário e atrasado como a China do início do século 20. 
Trotsky via oportunidade para testar sua teoria da revolução permanente. Foi contra a política de fusão com o Kuomintang (KMT), o partido nacionalista liderado por Chiang Kai-shek, imposta por Stalin ao Partido Comunista chinês, para formar uma “frente popular”.
No meio da chamada Expedição do Norte (1926-28) para derrotar os senhores da guerra e unificar a China, em 12 de abril de 1927, o KMT massacrou os comunistas em Xangai, matando pelo menos 300 pessoas. Os expurgos e massacres se espalharam por todo o país. 
Era o início de uma longa guerra civil chinesa que seria interrompida pela invasão do Japão em 1937 e retomada depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, para terminar com a vitória comunista em 1º de outubro de 1949. 
Sob pressão do KMT, em 1934, o Exército Popular de Libertação de Mao Tsé-tung e Chu Enlai, com 100 mil guerrilheiros, iniciou a Longa Marcha, uma fuga de 16 de outubro de 1934 a 20 de outubro de 1935 por 10 mil km para manter sua capacidade de combate.
Na origem do conflito entre as duas superpotências comunistas durante a Guerra Fria, está a política de aliança com a classe dominante que Stalin impôs ao PC  chinês para formar uma “frente popular”.

EXPURGO DE TROTSKY

Trotsky e Zinoviev foram expurgados em 12 de novembro de 1927. Trotsky foi enviado para o exílio interno em Alma Ata, no Casaquistão, em 31 de janeiro de 1928, e expulso da URSS em 1929.
Depois de passar pela Turquia, França e Noruega, em setembro de 1936, Trotsky foi para o México, a convite do pintor muralista Diego Rivera. Com o aumento da repressão stalinista, toda sua família foi morta na URSS, com a exceção de sua filha Nina. 

ASSASSINATO

O próprio Trotsky foi assassinado pelo agente stalinista Ramón Mercader em 21 de agosto de 1940, em sua casa em Coyoacán, na periferia da Cidade do México, história contada no filme O Assassinato de Trotsky (1972), com Richard Burton como Trotsky e Alain Delon no papel do assassino.
No exílio, Trotsky escreveu vários livros, inclusive A Revolução Traída: a falsificação stalinista da História, uma denúncia do regime brutal que tomara conta da URSS. Em 1938, criou a Quarta Internacional na esperança de salvar o movimento comunista do stalinismo.
Trotsky previu que a burocratização destruiria a revolução socialista e os burocratas do partido seriam a nova burguesia. É mais ou menos o que aconteceu com o fim da URSS. Quem tinha privilégios dentro do sistema se beneficiou das privatizações e enriqueceu de um dia para o outro. Virou oligarca.

INDÚSTRIA PESADA

Vencida a batalha pelo controle do partido, Stalin lançou em 1928 o 1º Plano Quinquenal de Desenvolvimento para substituir a nova política econômica de Lenin pelo planejamento central e construir uma economia socialista. A meta central era criar uma indústria pesada e de defesa.
Desde que leu Minha Luta, o livro em que Adolfo Hitler expõe a ideologia nacional-socialista (nazista), Stalin considerava inevitável uma nova guerra com a Alemanha. Tendo em vista o medíocre desempenho do Exército Imperial czarista na Primeira Guerra Mundial, e especialmente sua incapacidade tecnológica e industrial para travar uma guerra moderna, o ditador soviético considerava urgente industrializar a URSS.
Na Primeira Guerra Mundial, a Rússia contara com seus aliados na Tríplice Entente (França e Reino Unido), mas até munição faltara. Durante a Guerra Civil, eles tinham apoiado as forças anticomunistas. Com o “socialismo num só país”, a URSS teria de garantir sua própria defesa.

COLETIVIZAÇÃO

Em 1929, Stalin acrescentou ao plano a coletivização da agricultura com a criação das fazendas coletivas, os colcozes, destruindo na prática os kulaks, os agricultores enriquecidos que formavam uma pequena burguesia rural. Como eram proprietários de terras, foram declarados “inimigos de classe”.
Oskulaks, que tinham de entregar a produção ao Estado durante a Guerra Civil, tinham voltado ao mercado com a nova política econômica. Mais uma vez, poderiam ser presos se vendessem a produção excedente.
Em 30 de janeiro de 1930, o Politburo do Comitê Central do PC decidiu acabar com os kulaks. “Esta classe deve ser esmagada numa batalha aberta, deve ser privada de suas fontes de existência e desenvolvimento”, decretou Stalin.

FOME

A coletivização da agricultura causou a grande fome de 1932-33. Em 1932, a produção de grãos caiu 32%. Como tinham de entregar seus animais ao Estado antes de entrar nas fazendas coletivas, a maioria dos camponeses preferia matá-los e vender o que fosse possível no mercado negro.
O rebanho bovino caiu de 33,2 milhões em 1928 para 27,8 milhões em 1941, o de porcos de 27,7 para 27,5 milhões e o de ovelhas de 114,6 para 91,6 milhões no mesmo período. Com a Segunda Guerra Mundial, só no fim dos anos 1950s, depois da morte de Stalin, o rebanho soviético recuperou os níveis de 1928.
Ao todo, a repressão política e a fome mataram de 6 a 8 milhões de soviéticos de 1930 a 1933, pelo menos 3 milhões na Ucrânia, onde a revolta contra Stalin era tanta que os nazistas foram recebidos como libertadores na Segunda Guerra Mundial.
Cerca de 24 milhões de camponeses deixaram o campo. Mais de 1,8 milhão foram enviados para campos de trabalhos forçados na Sibéria.

TERROR

Depois da guerra contra os pequenos proprietários rurais, de 1934 a 1939, Stalin lançou uma nova fase do terrorismo de Estado soviético, com um grande expurgo de funcionários públicos, membros do partido e das Forças Armadas, e uma vigilância constante de tudo e de todos.
O Estado que tinha nascido para acabar com os conflitos sociais e se extinguir transformava-se num dos Estados mais poderosos, arbitrários e implacáveis da História.
Em 1º de dezembro de 1934, o líder bolchevique Serguei Kirov foi morto. O assassino, o jovem militante do partido Leonid Nicolaiev e 13 supostos cúmplices foram condenados e mortos.
Stalin usou o caso como pretexto para denunciar uma suposta conspiração para matar a liderança soviética e iniciar uma perseguição implacável a seus adversários reais e imaginários.

PROCESSOS DE MOSCOU

Kamenev e Zinoviev, os ex-companheiros de Stalin na troika, foram julgados considerados moralmente cúmplices da morte de Kirov. Acusados em 1936 de trotskismo e de formar uma organização terrorista para tentar matar Stalin, eles negaram qualquer ligação com Trotsky.
Sob promessa de garantia de vida para eles e suas famílias, eles admitiram confessar os crimes de que eram acusados e fazer uma autocrítica em público.
Todos os 16 réus do caso Zinoviev-Trotsky foram condenados à morte em 24 de agosto de 1936 pelo Colégio Militar da Suprema Corte da URSS, presidido pelo juiz Vassili Ulrikh, sendo Andrei Vichinsky o procurador-geral. Foram executados nos porões da prisão Lubianka, em Moscou.
No segundo dos processos de Moscou, 17 réus, entre eles Nikolai Bukharin, Grigori Sokolnikov e o marechal Mikhail Tukhachevsky, foram julgados de 23 a 30 de janeiro de 1937 por supostas ligações com um Centro Trotskista Antissoviético. Treze foram fuzilados e os outros enviados a campos de trabalhos forçados.

EXPURGOS

Ao fazer a autocrítica, um dos réus, Karl Radek, um bolchevique nascido na Áustria, acusou “uma terceira organização da escola trotskista”, dando pretexto para uma ampla onda de expurgos e perseguições políticas.
Dos 139 candidatos a membros do Comitê Central eleito no 17º Congresso do PC, em 1934, 115 foram presos. Dos 1.966 delegados presentes no congresso, 1.108 foram presos.
O terceiro grande processo julgou, em março de 1938, 21 réus por pertencer a um suposto “bloco de direitistas e trotskistas” liderado por Nikolai Bukharin, ex-líder da Internacional Comunista, o ex-primeiro-ministro Alexei Rikov e Genrikh Yagoda, ex-chefe do NKVD. Os principais acusados foram fuzilados.
No auge da perseguição, em 1937 e 1938, a polícia política stalinista NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos) prendeu mais de 1,5 milhão de pessoas, das quais 681.692 foram mortas, numa média de mais de mil execuções por dia, revelaram documentos desclassificados depois do fim da URSS.

GUERRA CIVIL ESPANHOLA

A URSS estabeleceu relações com os EUA em 1933 e entrou para a Liga das Nações em 1934. Quando começou a Guerra Civil Espanhola (1936-39), Moscou apoiou ativamente o governo republicano contra os falangistas de Francisco Franco, que por sua vez tinham a ajuda da Alemanha.
Moscou forneceu centenas de tanques e aviões de combate, além de milhares de assessores militares e de mobilizarem pelo menos 40 mil voluntários das Brigadas Internacionais através da Internacional Comunista. Como stalinistas e anarquistas chegaram a lutar entre si nas ruas de Barcelona, Stalin foi acusado também de trair a revolução espanhola.

CONSTITUIÇÃO

Em 1936, uma nova Constituição estabelecia o regime comparado a uma escala rolante. Se o cidadão cumprisse fielmente as ordens e ficasse quieto no seu lugar, sua ascensão estaria garantida pelo desenvolvimento do socialismo.
No papel, garantia o direito à liberdade religiosa e ao sufrágio secreto, direto e universal. Stalin dizia que numa eleição não importa o voto, importa o resultado. O PC era a “vanguarda do povo trabalhador na sua luta para fortalecer e desenvolver a sociedade socialista” e, portanto, o único partido legal.

URSS: Guerra Fria deixou o mundo perto de um holocausto nuclear

A Guerra Fria foi a confrontação política, ideológica, econômica, militar e cultural entre os Estados Unidos, capitalistas, e a URSS, comunista, do fim da Segunda Guerra Mundial até o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 31 de dezembro de 1991.
Na Conferência de Yalta, em fevereiro de 1945, o ditador soviético Josef Stalin prometeu realizar eleições democráticas nos países da Europa Oriental ocupados pelo Exército Vermelho, mas adiou-as e impôs regimes comunistas fantoches de Moscou.
Com a rendição, em 8 de maio de 1945, a Alemanha é ocupada pelos EUA, a URSS, a Grã-Bretanha e a França. Berlim é dividida na Conferência de Pótsdam, realizada de 17 de julho a 2 de agosto de 1945.
 As bombas atômicas foram uma demonstração de força dos EUA. O Exército Vermelho teve o melhor desempenho na guerra. Os EUA tinham a arma capaz de anular qualquer vantagem no campo de batalha.
Em 22 de fevereiro de 1946, um diplomata americano em Moscou, George Kennan, enviou um longo memorando por telegrama ao Departamento de Estado alegando que a URSS era “impermeável à logica da razão”, mas “altamente sensível à lógica da força”.
O telegrama de Kennan foi a base da estratégia de “contenção” da URSS que foi a base da política americana durante a Guerra Fria. Como o comunismo seria inviável economicamente, os EUA deveriam conter o expansionismo soviético até que o sistema implodisse.

CORTINA DE FERRO

Ao discursar no Westminster College, em Fulton, no estado do Missouri, em 5 de março de 1946, o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, advertiu que a criação de países-satélites da URSS na Europa Oriental era “uma cortina de ferro caindo sobre a Europa”.

BLOQUEIO DE BERLIM

Para forçar as potências ocidentais a ceder o controle de Berlim, Stalin cercou a parte ocidental da cidade, um enclave no lado oriental da Alemanha, bloqueando-a de 24 de junho de 1948 a 12 de maio de 1949 para impedir que suprimentos chegassem por terra.
As Forças Aéreas dos EUA, Reino Unido, Austrália, Canadá e Nova Zelândia fizeram mais de 200 mil voos na ponte aérea para levar as 4,7 mil toneladas diárias de combustíveis e alimentos que Berlim Ocidental precisava até Stalin desistir.

OTAN

Para defender a Europa e a América do Norte do comunismo soviético, nasce em Washington em 4 de abril de 1949 a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com um princípio básico: um ataque contra qualquer país seria um ataque contra todos e levaria a uma reação coletiva.
O Tratado do Atlântico Norte foi assinado por 12 países: EUA, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Holanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Reino Unido. 
Durante a Guerra Fria, entraram a Alemanha Ocidental, a Espanha, a Grécia e a Turquia.
Depois da Guerra Fria, aderiram Albânia, Bulgária, Croácia, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Polônia, República Tcheca e Romênia. Hoje a OTAN tem 28 países-membros.

DUAS ALEMANHAS

A República Federal da Alemanha (ocidental) é fundada oficialmente em 23 de maio de 1949, com capital em Bonn.
A República Democrática da Alemanha (oriental) nasce em 7 de outubro de 1949, com capital em Berlim Oriental.

BOMBA SOVIÉTICA

Desde que descobriram o Projeto Manhattan, os soviéticos começaram a desenvolver a bomba atômica com uma equipe científica liderada por Igor Kurchatov e Andrei Sakharov, sob a supervisão de Laurenti Beria, diretor do NKVD, a superpoderosa polícia política de Stalin. Em 1945, a URSS conseguiu um esboço da bomba americana.
Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética testou sua primeira bomba atômica, iniciando a era do terror nuclear. O mundo tinha duas superpotências com a capacidade de projetar seu poderio militar a qualquer canto do planeta.

REVOLUÇÃO CHINESA

Em 1º de outubro de 1949, os comunistas liderados por Mao Tsé-tung tomam o poder na China. 
Os nacionalistas do Kuomintang, chefiados por Chiang Kai-shek, fogem para a ilha de Formosa (Taiwan), onde instalam a República da China.
Em dezembro de 1949, Mao vai a Moscou em busca da ajuda soviética. Stalin demora 50 dias para recebê-lo e impõe um Tratado Sino-Soviético colocando a China em posição inferior.
A revolução feita para que a China não fosse mais humilhada pelas potências imperialistas como nas Guerras do Ópio, no século 19, era humilhada pela pátria do comunismo.

BOMBA DE HIDROGÊNIO

Os EUA explodiram sua primeira bomba de hidrogênio, com tecnologia de fusão nuclear (as bombas de Hiroxima e Nagasaki era de fissão, ou divisão do núcleo do átomo), em 1º de novembro de 1952, no Oceano Pacífico.
Ivy Mike tinha 10,4 megatons (milhões de toneladas de dinamite). Era 650 vezes mais poderosa do que a bomba de Hiroxima.
Menos de um ano depois, em 12 de agosto de 1953, cinco meses depois da morte de Stalin, a URSS explodiu sua bomba de hidrogênio, equilibrando mais uma vez a corrida nuclear.

MORTE DE STALIN

O todo-poderoso líder supremo do PCUS morreu de uma hemorragia cerebral em 5 de março de 1953. Mas naturalmente há suspeitas de que possa ter sido envenenado.
Com a morte do ditador, o poder é divido entre a segunda troika: Gueorgui Malenkov, Laurenti Beria e Viacheslau Molotov. Quem virou líder foi Nikita Kruschev, eleito primeiro secretário do PCUS em 14 de março de 1953, logo após a morte de Stalin, cujos crimes denunciaria, apesar de ter sido um fiel seguidor como governador da Ucrânia, sua terra natal.

PACTO DE VARSÓVIA

Cinco dias depois da adesão da Alemanha Ocidental à OTAN, em 9 de maio de 1955, a URSS formou o Pacto de Varsóvia com seus aliados do Bloco Soviético: Albânia, Alemanha Oriental, Bulgária, Polônia, Romênia e Tcheco-Eslováquia.
Com a queda do Muro de Berlim e dos regimes comunistas da Europa Oriental, o Pacto de Varsóvia foi extinto, em 25 de fevereiro de 1991.

CRIMES DE STALIN

No 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, em 25 de fevereiro de 1956, o novo líder, Nikita Kruschev, denunciou o terrorismo de Estado, os crimes, perseguições políticas, os processos fabricados, as autocríticas feitas sob coerção e os assassinatos da era de Stalin.
Kruschev chamou Stalin de “violento”, “caprichoso” e “despótico”, e citou o Testamento de Lenin sugerindo o afastamento de Stalin da Secretaria-Geral do partido. Acusou-o inclusive pela morte de Kirov, que deflagrou os processos de Moscou e os expurgos dos anos 1930s.
Pelo menos 20 milhões de soviéticos foram mortos pelo stalinismo, a começar por milhões de pequenos produtores que resistiram à coletivização da agricultura, passando pelos expurgos no PC e nas Forças Armadas, que enfraqueceram o país antes da Grande Guerra Patriótica contra o nazismo.

HUNGRIA REBELDE

Com a morte de Stalin, houve uma breve liberalização no Bloco Soviético. O reformista Imre Nagy substituiu Matias Rákosi, o “melhor discípulo de Stalin na Hungria”, como primeiro-ministro, mas Rákosi manteve o cargo de secretário-geral do PC. Rákosi demitiu Nagy em 1955, mas caiu após a denúncia do stalinismo por Kruschev.
Em 23 de outubro de 1956, uma manifestação estudantil cresceu até reunir 200 mil pessoas na Praça do Parlamento, em Budapeste, para denunciar a submissão à União Soviética. À noite, o novo secretário do partido, Erno Gero, pediu ajuda a Moscou para “suprimir uma manifestação que atingiu uma escala sem precedentes”.

INVASÃO SOVIÉTICA

Na madrugada seguinte, os tanques soviéticos entraram em Budapeste. De 24 a 29 de outubro de 1956, houve pelo menos 71 choques armados dos soldados com a população. Em 28 de outubro, foi acertado um cessar-fogo.
Nagy, reinstaurado no cargo de primeiro-ministro pela revolução anunciou em 1º de novembro a saída da Hungria do Pacto de Varsóvia e pediu ajuda à OTAN. Uma segunda invasão soviética, em 4 de novembro, esmagou o levante.
A maior revolta contra a dominação soviética na Europa Oriental terminou em 10 de novembro de 1956, com a morte de cerca de 2,5 mil húngaros, sendo 1.569 civis mortos em Budapeste. Do lado soviético, morreram 699 soldados.
Como a OTAN não interveio temendo iniciar a Terceira Guerra Mundial, ficou claro que o mundo estava dividido em duas esferas de influência, uma dominada pela URSS, outra pelos EUA.

ERA ESPACIAL

Em 4 de outubro de 1957, a URSS lançou o Sputnik, o primeiro satélite artificial da Terra, assustando os EUA, que temiam que um foguete fosse capaz de jogar armas nucleares diretamente em território americano.
Começavam a era espacial e a corrida para o desenvolvimento da tecnologia de mísseis, que revolucionaria a guerra. Junto com a bomba atômica, tornaria os exércitos nacionais e a maioria das armas de guerra obsoletas.
A URSS seria o primeiro país a enviar um homem ao espaço, Yuri Gagarin, em 12 de abril de 1961. Ele disse: “A Terra é azul”. Em 16 de junho de 1963, Valentina Tereshkova se tornou a primeira mulher cosmonauta (como se diz na Rússia).
Alexei Leonov seria o primeiro a passear no espaço fora da nave. Em 18 de março de 1965, ele ficou 12 minutos e 9 segundos flutuando no espaço preso à nave por um cabo de 5,35 metros.
Os EUA mandariam os primeiros homens a pisar na Lua, Neil Armstrong e Edward Aldrin, em 20 de julho de 1969. 

REVOLUÇÃO CUBANA

Em 1º de janeiro de 1959, o ditador Fulgencio Batista fugiu. Os revolucionários liderados por Fidel Castro tomaram o poder. Embora ele tenha dito que sua revolução não era comunista, pressionado pelos EUA se aproximou de Moscou. Em 7 de maio de 1960, Cuba estabeleceu relações com a URSS.
Em 6 de agosto de 1960, as propriedades deestrangeiros na ilha foram estatizadas. Em resposta, o presidente Dwight Eisenhower congelou todas as propriedades cubanas nos EUA, rompeu relações diplomáticas com Cuba e suspendeu as exportações em 19 de outubro de 1960. 
O embargo total, que a propaganda cubana chama de bloqueio, viria em 3 de fevereiro de 1962, seria transformado em lei em 1993 e agravado em 1996.
Em 19 de dezembro de 1960, Cuba se alinhou à URSS e passou a receber ajuda econômica de Moscou.

ESPIONAGEM

Em 1º de maio de 1960, a União Soviética derrubou um avião-espião americano U-2 e prendeu o piloto, Francis Gary Powers. O incidente obrigou os EUA a admitir que realizavam voos de espionagem na URSS. Powers foi libertado dois anos depois numa troca de prisioneiros.

BAÍA DOS PORCOS

Ao tomar posse, em 20 de janeiro de 1961, o presidente John Kennedy herdou uma conspiração contra o regime comunista cubano articulada pelo ex-vice-presidente Richard Nixon. 
Em 15 de abril de 1961, oito aviões B-26 cedidos pela CIA (Agência Central de Inteligência), bombardearam o litoral cubano. Cerca de 1,5 mil rebeldes desembarcaram na Baía dos Porcos na madrugada de 16 para 17 de abril. Eles dominaram a milícia local, mas foram derrotados depois que Fidel Castro assumiu o comando da operação e se renderam em 20 de abril.
O fracasso da invasão fortaleceu Fidel, que declarou abertamente o caráter socialista da revolução cubana e pediu proteção à URSS.

VOTANDO COM PÉS

Desde a divisão da Alemanha, cerca de 3,5 milhões de alemães fugiram do lado oriental para o lado ocidental. Não podendo escolher seu próprio governo sob o regime comunista, “votavam com os pés” vindo para o Ocidente.
Em novembro de 1958, Kruschev dera um ultimato às potências ocidentais, dando-lhes seis meses para deixar Berlim, que seria transformada numa zona desmilitarizada.
Em 4 de junho de 1961, Kruschev encontrou-se com Kennedy em Viena e ficou com a impressão de que o jovem presidente americano era tolo e ingênuo. Deu novo ultimato, até 31 de dezembro de 1961. EUA, França e Reino Unido não aceitaram.
Em 25 de julho, Kennedy pediu um aumento do orçamento militar para ampliar o Exército dos EUA de 875 mil para 1 milhão de homens.

MURO DE BERLIM

Na madrugada de 13 de agosto de 1961, a Alemanha Oriental começou a construir um muro de 45 km que isolaria totalmente Berlim Ocidental. Kennedy respondeu colocando tanques nas ruas de Berlim. 
Até 9 de novembro de 1961, tanques americanos e soviéticos ficaram frente à frente nas ruas da cidade. No fim,  Kennedy aceitou a construção do Muro e Kruschev admitiu que as potências ocidentais jamais abandonariam Berlim.
Durante 28 anos, o Muro de Berlim foi a cicatriz viva da Guerra Fria, símbolo da divisão de Berlim, da Alemanha, da Europa e do mundo. Pelo menos 6 mil pessoas tentaram fugir atravessando-o. O Centro de História Contemporânea de Pótsdam certificou 136 mortes, mas outras estimativas chegam a 600.

CRISE DOS MÍSSEIS

Durante uma visita à Bulgária, em maio de 1962, Kruschev decidiu instalar mísseis nucleares em Cuba. Na volta, ele informou o Politburo do Comitê Central do PCUS. Em 29 de maio, uma delegação levou a Havana a proposta, aceita por Fidel um dia depois de receber os soviéticos. 
O primeiro navio soviético com mísseis, Poltava, chegou a Cuba em 15 de setembro. Em 14 de outubro, um avião-espião U-2 fez as primeiras fotos dos silos e bases de lançamento em construção na ilha, em San Diego de los Baños.
Os mísseis, com alcance de mil a 5 mil quilômetros, dariam à URSS a capacidade de realizar um primeiro ataque contra o território americano com o objetivo de anular a capacidade do inimigo de reagir, única maneira de ganhar uma guerra nuclear.
As fotos e as análises foram entregues a Kennedy em 16 de outubro de 1962. Naquele gabinete de crise com 12 altos assessores, entre eles seu irmão Robert Kennedy, ministro da Justiça, e Robert McNamara, ministro da Guerra, nasceram as expressões pombas e falcões. 
Os falcões queriam atacar Cuba por terra, mar e ar, invadir a ilha, destruir os mísseis e acabar com o regime comunista de Fidel Castro, mas o risco era enorme. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear. BobKennedy foi a pomba que defendeu um bloqueio aeronaval.

BLOQUEIO

Em pronunciamento em cadeia nacional de televisão, em 22 de outubro de 1962, Kennedy exigiu a retirada imediata e incondicional dos mísseis de Cuba. Anunciou ao povo americano que a URSS estava instalando mísseis nucleares em Cuba e a decisão de impor um bloqueio aeronaval à ilha. Para não parecer ofensivo, chamou de “quarentena”. 
O objetivo era impedir navios que pudessem levar mísseis de chegar a Cuba. Se algum navio tentasse furar o bloqueio, poderia ser abordado e atacado. Kennedy não acreditava numa solução pacífica. Estava pronto para invadir Cuba.
Kruschev advertiu em carta de 24 de outubro de 1962, quando alguns navios soviéticos deram meia volta, que o bloqueio “à navegação no espaço aéreo e em águas internacionais” era “um ato de agressão que está empurrando a espécie humana para o abismo de uma guerra mundial com mísseis nucleares”.
Ao mesmo tempo em que Kruschev falava grosso e navios soviéticos tentavam furar o bloqueio, a ponto de americanos darem tiros de advertência, começavam negociações secretas. 

TENSÃO MÁXIMA

Em 27 de outubro, quando o acordo entre os líderes estava próximo, dois incidentes quase iniciaram uma guerra nuclear.
Os soviéticos finalmente tinham instalado baterias antiaéreas em Cuba. Derrubaram um avião-espião U-2. Se tivessem feito isso antes, o U-2 anterior não teria feito as fotos dos mísseis. Os EUA não reagiram.
O momento mais tenso foi quando um submarino soviético foi cercado por navios de guerra americanos que não sabiam que o inimigo tinha torpedos nucleares de 15 quilotons. 

TORPEDO NUCLEAR

Como se soube depois, numa conferência com veteranos dos dois lados, em 1992, os três mais altos oficiais do submarino discutiram se atacavam ou não. O capitão Valentin Savitsky mandou preparar o torpedo nuclear. Foi dissuadido pelo subcomandante.
Para o diretor do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA Thomas Blanton, “um cara chamado Vassili Arkhipov salvou o mundo”.
Também não se sabia que os assessores militares soviéticos baseados em Cuba tinham na época 100 armas nucleares táticas (pequenas) que poderiam ser usadas para defender a ilha de uma invasão americana.

KRUSCHEV RECUA

No mesmo dia 27 de outubro de 1962, Kruschev aceitou retirar os mísseis soviéticos de Cuba, se os EUA se comprometessem a jamais invadir Cuba e retirassem mísseis nucleares instalados na Turquia. Era o sinal para o acordo.
Os mísseis Júpiter baseados na Turquia eram obsoletos. Ajudaram a livrar a cara de Kruschev, que tentou colocar os EUA na posição do mais fraco diante de seu público interno, mas não conseguiu convencer a cúpula do PCUS, que o derrubaria dois anos depois, em 1964.
De 5 a 9 de novembro, os mísseis foram retirados de Cuba. Os EUA suspenderam o bloqueio aeronaval em 20 de novembro de 1962. 

LIÇÕES ESTRATÉGICAS

A lição da crise dos mísseis é que a URSS não soube aproveitar a superioridade tecnológica mostrada ao lançar o Sputnik, em 1957, que lhe dava vantagem no desenvolvimento da tecnologia de mísseis.
Por causa da estrutura burocrática do regime soviético, as Forças de Foguetes Estratégicos estavam subordinadas ao Exército Vermelho, e o Exército Vermelho estava preocupado com uma guerra na Europa. O inimigo agora era outro e a melhor maneira de atacá-lo era com mísseis balísticos intercontinentais.
A instalação dos mísseis em Cuba, a 144 km do território americano, daria à URSS a capacidade de lançar um primeiro ataque, neutralizando a vantagem que os EUA tinham obtido de 1957 a 1962.
Por falta de comunicação entre diferentes setores da burocracia soviética, as Forças de Foguetes Estratégicos conseguiram colocar os mísseis e os silos em Cuba antes que as baterias de defesa antiaéreas estivessem instaladas para impedir a ação dos aviões espiões dos EUA. Se tivessem seguido a ordem correta, é provável que os mísseis não tivessem sido descobertos antes de estarem plenamente operacionais.

TELEFONE VERMELHO

Depois da Crise dos Mísseis, em 20 de junho de 1963, foi instalado o telefone vermelho e uma linha telegráfica direta entre a Casa Branca e o Kremlin para negociar crises internacionais.
Em 5 de agosto de 1963, os EUA e a URSS chegaram a um acordo para proibir testes nucleares, a não ser subterrâneos.

QUEDA DE KRUSCHEV

Dois anos depois, Kruschev seria derrubado por Leonid Brejnev, que ficou no poder na URSS de 1964 a 1982, mas no início teve de dividi-lo com a terceira troika: Brejnev, secretário-geral do partido; o primeiro-ministro Alexei Kossiguin; e o presidente do Presidium do Soviete Supremo, Anastas Mikoyan, depois substituído por Nikolai Podgorny.

ERA BREJNEV

A era Brejnev foi um período de estagnação e decadência econômica e tecnológica da URSS, que perdeu a onda da revolução da informática. Nos anos 70, os generais soviéticos se queixaram ao secretário-geral de que estavam perdendo a corrida armamentista por causa da tecnologia da informação.
O governo Brejnev ficaria marcado pela invasão da Tcheco-Eslováquia para acabar com a Primavera de Praga, em 1968, e a desastrosa invasão do Afeganistão, em 1979.

PRIMAVERA DE PRAGA

Em 5 de janeiro de 1968, Alexander Dubcek assumiu a liderança do PC tcheco-eslovaco com uma plataforma reformista para descentralizar as decisões econômicas e democratizar o regime comunista com o apoio de intelectuais e estudantes, na onda dos movimentos libertários dos anos 1960s, para criar “um socialismo com face humana”.
Depois de advertências de Brejnev e de países aliados do Bloco Soviético sobre os riscos da “ideologia burguesa” e das “forças antissocialistas”, na noite de 20 para 21 de agosto de 1968, 200 mil soldados e 2 mil tanques de quatro países do Pacto de Varsóvia – URSS, Bulgária, Hungria e Polônia – invadiram a Tcheco-Eslováquia e acabaram com a Primavera Árabe. Um estudante tcheco, Jan Palach, se imolou diante de um tanque russo na praça central de Praga, mas não houve resistência.
As tropas do Pacto de Varsóvia ficaram na Tcheco-Eslováquia até 1990.

NÃO PROLIFERAÇÃO

Outras potências entraram para o clube nuclear. 
O Reino Unido explodiu sua bomba atômica em 3 de outubro de 1952 e hoje tem 225 ogivas, sendo 160 operacionais. A França fez o primeiro teste em 13 de fevereiro de 1960 e tem hoje cerca de 300 ogivas. A China explodiu a bomba em 16 de outubro de 1964.
Em 1968, esses países negociaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear, que entrou em vigor em 1970. É injusto, na medida em que cria duas classes de países, os que já tinham armas nucleares e os que não podem ter, recebendo em troca ajuda para desenvolver energia atômica para fins pacíficos.
Alguns países ignoraram o tratado e fizeram a bomba, caso da Índia (1974), de seu arqui-inimigo Paquistão (1975), de Israel (provavelmente 1979) e mais recentemente da Coreia do Norte (2006). 
A África do Sul fez a bomba durante o regime segregacionista do apartheid e abriu mão ao se democratizar. O Brasil e a Argentina se comprometeram a não desenvolver armas nucleares. E o Irã negociou com as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha para desarmar seu programa nuclear. O presidente Donald Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018.