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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Maio

 SEMANA SANGRENTA EM PARIS

    Em 1871, a Comuna de Paris, uma revolta popular contra o governo provisório de Adolphe Tiers que tenta instaurar um regime revolucionário na França, é alvo de uma onda de repressão violenta conhecida como Semana Sangrenta.

A Comuna de Paris é uma insurreição contra o governo francês para criar um regime socialista com governo dos trabalhadores. Deflagrada em 18 de março, vai até 28 de maio. É resultado da derrota para a Alemanha na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), do Cerco de Paris e do colapso do Segundo Império (1852-70) sob Napoleão III.

A Assembleia Nacional eleita em fevereiro de 1871 para fazer a paz com a Alemanha tem uma maioria monarquista que reflete o conservadorismo das províncias. Os republicanos de Paris temem que a assembleia reunida em Versalhes restaure a monarquia.

Os revolucionários ganham as eleições municipais de 26 de março. O programa radical da comuna é adotado. Mas comunas de Marselha, Lyon, Saint-Étienne e Toulouse são rapidamente derrotadas. E os fédérés não tem organização militar para enfrentar uma máquina de guerra.

Em 21 de maio, as tropas do governo entram numa região não defendida de Paris. Na Semana Sangrenta, esmagam a comuna, que se defende com barricadas nas ruas da capital francesa e incêndios em prédios públicos.

Pelo menos 877 soldados morrem e outros 187 desaparecem nesta guerra civil. Do lado da Comuna de Paris, são 6.667 mortes confirmadas.

PRIMEIRA AVIADORA A CRUZAR O ATLÂNTICO

    Em 1932, a norte-americana Amelia Earhart se torna a primeira mulher a pilotar um avião sozinha e atravessar o Oceano Atlântico.

Amelia Mary Earhart nasce em Atchison, no estado do Kansas, em 24 de julho de 1897, filha de um advogado de companhia ferroviária e de uma mãe de família rica, mas o alcoolismo do pai complica a vida. Durante ou uma visita a uma irmã no Canadá, Amelia resolve cuidar de soldados feridos na Primeira Guerra Mundial (1914-18). 

Depois da guerra, ela entra para a Universidade de Colúmbia, em Nova York, mas larga porque a família insiste que vá morar na Califórnia. Lá, em 1920, voa pela primeira vez e começa a receber lições de pilotagem. Em 1921, compra seu primeiro avião e dois anos depois consegue a licença para pilotar.

Nos anos 1920, ela se muda para Massachusetts, onde trabalha como agente social numa casa para imigrantes em Boston, mas não perde a interessa na aviação.

Em 17 de junho de 1928, ela embarca como passageira num voo da Terra Nova, no Canadá, para Burry Port, no País de Gales. Vira celebridade e escreve um livro sobre a experiência, 20 horas e 40 minutos.

A viagem a estimula a organizar seu próprio voo solo. Ela sai em 20 de maio de 1932 de Harbour Grace, na Terra Nova, num Lockheed Vega e chega a Londonderry, na Irlanda do Norte no dia seguinte no tempo recorde de 14 horas e 56 minutos.

Além do sucesso como aviadora, Earhart é conhecida por encorajar as mulheres e desafiar as normas sociais que limitam suas oportunidades. 

Em 1935, Amelia Earhart voa sozinha do Havaí à Califórnia num viagem de 3.875 quilômetros, cerca de 800km a mais do que o sobrevoo ao Atlântico. Ela sai de Honolulu, no Havaí, em 11 de janeiro e chega a Oakland, na Califórnia, 17 horas e 7 minutos.

O próximo desafio é dar a volta ao mundo. Em 1º de junho de 1937, ela sai de Miami num avião bimotor Lockheed Electra com Fred Noonon como navegador. Depois de várias escalas para reabastecer, pousam em Lae, na Nova Guiné, em 29 de junho, tendo percorrido 35 mil quilômetros.

Em 2 de julho, eles partem em direção à Ilha Howland a 4,2 mil km de distância. Dois navios dos Estados Unidos ajudam na navegação. Na sua última mensagem pelo rádio, ela avisa que estão ficando sem combustível. O avião desaparece a cerca de 160km do destino.

BOMBA DE HIDROGÊNIO EM BIKINI

    Em 1956, um avião bombardeiro dos Estados Unidos joga uma bomba de hidrogênio sobre a ilha de Namu, no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, mostrando que a bomba H pode ser transportada de avião, num novo salto na corrida armamentista nuclear.

Os EUA testam armas nucleares em Bikini desde 1946, com explosões terrestres. Neste teste, um bombardeiro B-52 joga a bomba a uma altitude de mais de 15 mil metros. A explosão acontece a cerca de 4,6 quilômetros do solo, com uma energia de 15 megatons, equivalente a 15 milhões de toneladas de dinamite. 

 

ASSASSINATO DE RAJIV GANDHI

    Em 1991, o ex-primeiro-ministro indiano Rajiv Gandhi é assassinado num atentado terrorista suicida em Sriperumbudur, no estado de Tamil Nadu, na Índia.

Rajiv Ratna Gandhi nasce em Bombaim, hoje Mumbai, em 20 de agosto de 1944, filho da futura primeira-ministra Indira Gandhi e neto de Jawaharlal Hehru, o primeiro chefe de governo da Índia independente. Ele estuda no Imperial College de Londres e se forma em engenharia na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

O herdeiro político de Indira é outro filho, Sanjay Gandhi, que morre em acidente aéreo em 23 de junho de 1980. 

Outra tragédia, a morte da mãe e primeira-ministra Indira Gandhi, assassinada por um guarda-costas da seita sikh em 31 de outubro de 1984 em Nova Déli, leva Rajiv à chefia do governo e à liderança do Partido do Congresso.

No governo, Rajiv desburocratiza e liberaliza a economia do país. É o reformista que começa a abrir a economia da Índia, hoje a grande economia que mais cresce no mundo, em 6% a 7% ao ano. Deve passar o Japão neste ano para se tornar a quarta maior economia do mundo.

Sem sucesso, tenta pacificar as revoltas dos sikhs do Punjab, que lutam pela independência do Calistão, e dos muçulmanos da Caxemira, que gostariam de se unir ao Paquistão. Depois de escândalos financeiros e da derrota do Partido de Congresso nas eleições de 1989, Rajiv renuncia.

Em maio de 1991, Rajiv está em campanha eleitoral em Tamil Nadu, no Sul da Índia, ele e outras 16 pessoas morrem com a explosão de uma bomba escondida numa cesta de flores carregada por uma mulher ligada aos Tigres da Libertação do Ilam Tamil, um movimento separatista do vizinho Sri Lanka.

É uma vingança. Em 1987, Rajiv envia tropas da Índia para impor um cessar-fogo na guerra civil do país vizinho.

A Justiça da Índia condena em 1998 26 pessoas pelo assassinato de Rajiv Gandhi, tamis do Sri Lanka e seus aliados indianos.

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Fevereiro

JEFFERSON ELEITO PELA CÂMARA

    Em 1801, depois de um empate no Colégio Eleitoral, a Câmara dos Representantes elege Thomas Jefferson presidente dos Estados Unidos.

Jefferson nasce em 2 de abril (13 de abril pelo calendário atual) de 1743 em Shadwell, na colônia da Virgínia. Ele estuda grego e latim na adolescência e entra no College of William & Mary, em Williamburgo. Obsessivo, passa 15 horas por dia lendo livros e outras três horas tocando violino.

Principal autor da Declaração de Independência, ele é o primeiro secretário de Estado (1789-94), o segundo vice-presidente (1797-1801) e o terceiro presidente dos EUA (1801-9). Defede a separação total entre Igreja e Estado. 

Grande defensor da liberdade individual para ideia central da Revolução Americana, o que lhe valeu a alcunha de "apóstolo da liberdade", é importante na redação da Constituição dos EUA e das dez primeiras emendas, consideradas a declaração de direitos do país.

Durante seu governo, em 1803, os EUA compram por US$ 15 milhões a Louisiana da França de Napoleão Bonaparte, um território de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados ao longo do Vale do Rio Mississípi, dobrando o tamanho do território na época, antes da vitória sobre o México na Guerra Mexicano-Americana (1846-48) e da Marcha para o Oeste

Sua reputação é abalada por ter escravos e ter a convicção de que os EUA deveriam ser governados por homens brancos. Em 1998, um exame de DNA comprova que teve um filho com Sally Hemings, uma escravizada de quem era dono. 

BOMBA H BRITÂNICA

    Em 1955, em plena Guerra Fria, o ministro da Defesa do Reino Unido, Harold Macmillan, futuro primeiro-ministro, anuncia a decisão de fazer a bomba atômica de hidrogênio.

A bomba H é mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio jogadas pelos Estados Unidos em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945.

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode a bomba atômica. Na corrida armamentista nuclear da Guerra Fria, isso leva os EUA a investir na bomba H. Washington explode sua primeira bomba H em 1º de novembro de 1952.

O Reino Unido detona sua bomba atômica em 3 de outubro de 1952, tornando-se a terceira potência nuclear. Macmillan toma a decisão de fazer a bomba H antes da URSS testar sua bomba de hidrogênio, em 22 de novembro de 1955. 

A primeira bomba H britânica é detonada em 15 de maio de 1957. A França e a China também têm bombas de hidrogênio.

CHINA INVADE O VIETNÃ

    Em 1979, pouco menos de dois meses depois da invasão do Vietnã ao Camboja para derrubar o regime genocida do Khmer Vermelho, aliado de Beijim, o Exército Popular de Libertação da China invade o Vietnã, aliado da União Soviética, na primeira guerra aberta entre países comunistas.

As duas grandes potências comunistas, a China e a URSS, apoiam o Vietnã do Norte na guerra contra os Estados Unidos (1964-73) durante a Guerra Fria. Duas semanas antes do fim da Guerra do Vietnã com a queda de Saigon em 30 abril de 1975, o Khmer Vermelho toma o poder no Camboja e instaura seu reino do terror, com apoio chinês.

Diante da rivalidade entre China e URSS, o Vietnã unificado fortalece as relações com os soviéticos. A invasão do Camboja, no Natal de 1978, e a queda do ditador Pol Pot, em 9 de janeiro de 1979, levam à invasão chinesa.

Depois de nove dias de intensos combates, a invasão é repelida. A Guerra Sino-Vietnamita termina em 16 de março, mas as escaramuças na fronteira continuam até os anos 1980. O Vietnã vence porque a China se retira e o Vietnã mantém a ocupação do Camboja.

INDEPENDÊNCIA DO KOSSOVO

    Em 2008, a região do Kossovo declara independência da Sérvia, mas muitos países não a reconhecem até hoje. A Corte Internacional de Justiça decide que o Kossovo não violou o direito internacional.

Ao todo, 114 países reconhecem a independência do Kossovo, entre eles Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia, mas não a Rússia. Até hoje o Kossovo não faz parte das Nações Unidas por causa do veto da Rússia.

O Kossovo, onde a maioria da população tem origem albanesa, tinha o status de província autônoma da Sérvia dentro da Iugoslávia. Com o declínio do comunismo como ideologia, o líder sérvio Slobodan Milosevic apela para o nacionalismo sérvio para se manter no poder. Em 1987, faz um discurso em Pristina, a capital do Kossovo, dizendo que os sérvios nunca mais serão humilhados na sua própria terra.

É a senha para destampar os nacionalismos ferozes dos bálcãs. Em 1991, a Croácia e a Eslovênia declaram independência. A Sérvia, que domina o Exército Federal da Iugoslávia, não aceita e vai à guerra. Em 1992, a Bósnia-Herzegovina declara independência. É o início da mais brutal das guerras que dividem a Iugoslávia, com mais de 100 mil mortes em três anos, cerco de Sarajevo, massacres e campos de concentração como a Europa não via desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Em 1995, os acordos de Dayton, nos EUA, fazem a paz entre Bósnia, Croácia e Sérvia. No ano seguinte, Milosevic assenta 16 mil refugiados sérvios da Bósnia e da Croácia no Kossovo, muitos contra a vontade.

Diante da discriminação e da repressão contra a maioria albanesa, em 28 de fevereiro de 1998, começa a guerra entre a Sérvia e os rebeldes do Exército de Libertação do Kossovo. Em resposta aos massacres cometidos pelas forças de Milosevic, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entra na guerra em 24 de março de 1999 com bombardeios aéreos maciços. A Sérvia se rende em 11 de junho, depois de 78 dias de ataques aéreos da OTAN. 

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 21 de Maio

SEMANA SANGRENTA EM PARIS

    Em 1871, a Comuna de Paris, uma revolta popular contra o governo provisório de Adolphe Tiers que tenta instaurar um regime revolucionário na França, é alvo de uma onda de repressão violenta conhecida como Semana Sangrenta.

A Comuna de Paris é uma insurreição contra o governo francês para criar um regime socialista com governo dos trabalhadores. Deflagrada em 18 de março, vai até 28 de maio. É resultado da derrota para a Alemanha na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), do Cerco de Paris e do colapso do Segundo Império (1852-70) sob Napoleão III.

A Assembleia Nacional eleita em fevereiro de 1871 para fazer a paz com a Alemanha tem uma maioria monarquista que reflete o conservadorismo das províncias. Os republicanos de Paris temem que a assembleia reunida em Versalhes restaure a monarquia.

Os revolucionários ganham as eleições municipais de 26 de março. O programa radical da comuna é adotado. Mas comunas de Marselha, Lyon, Saint-Étienne e Toulouse são rapidamente derrotadas. E os fédérés não tem organização militar para enfrentar uma máquina de guerra.

Em 21 de maio, as tropas do governo entram numa região não defendida de Paris. Na Semana Sangrenta, esmagam a comuna, que se defende com barricadas nas ruas da capital francesa e incêndios em prédios públicos.

Pelo menos 877 soldados morrem e outros 187 desaparecem nesta guerra civil. Do lado da Comuna de Paris, são 6.667 mortes confirmadas.

PRIMEIRA AVIADORA A CRUZAR O ATLÂNTICO

    Em 1932, a norte-americana Amelia Earhart se torna a primeira mulher a pilotar um avião sozinha e atravessar o Oceano Atlântico.

Amelia Mary Earhart nasce em Atchison, no estado do Kansas, em 24 de julho de 1897, filha de um advogado de companhia ferroviária e de uma mãe de família rica, mas o alcoolismo do pai complica a vida. Durante ou uma visita a uma irmã no Canadá, Amelia resolve cuidar de soldados feridos na Primeira Guerra Mundial (1914-18). 

Depois da guerra, ela entra para a Universidade de Colúmbia, em Nova York, mas larga porque a família insiste que vá morar na Califórnia. Lá, em 1920, voa pela primeira vez e começa a receber lições de pilotagem. Em 1921, compra seu primeiro avião e dois anos depois consegue a licença para pilotar.

Nos anos 1920, ela se muda para Massachusetts, onde trabalha como agente social numa casa para imigrantes em Boston, mas não perde a interessa na aviação.

Em 17 de junho de 1928, ela embarca como passageira num voo da Terra Nova, no Canadá, para Burry Port, no País de Gales. Vira celebridade e escreve um livro sobre a experiência, 20 horas e 40 minutos.

A viagem a estimula a organizar seu próprio voo solo. Ela sai em 20 de maio de 1932 de Harbour Grace, na Terra Nova, num Lockheed Vega e chega a Londonderry, na Irlanda do Norte no dia seguinte no tempo recorde de 14 horas e 56 minutos.

Além do sucesso como aviadora, Earhart é conhecida por encorajar as mulheres e desafiar as normas sociais que limitam suas oportunidades. 

Em 1935, Amelia Earhart voa sozinha do Havaí à Califórnia num viagem de 3.875 quilômetros, cerca de 800km a mais do que o sobrevoo ao Atlântico. Ela sai de Honolulu, no Havaí, em 11 de janeiro e chega a Oakland, na Califórnia, 17 horas e 7 minutos.

O próximo desafio é dar a volta ao mundo. Em 1º de junho de 1937, ela sai de Miami num avião bimotor Lockheed Electra com Fred Noonon como navegador. Depois de várias escalas para reabastecer, pousam em Lae, na Nova Guiné, em 29 de junho, tendo percorrido 35 mil quilômetros.

Em 2 de julho, eles partem em direção à Ilha Howland a 4,2 mil km de distância. Dois navios dos Estados Unidos ajudam na navegação. Na sua última mensagem pelo rádio, ela avisa que estão ficando sem combustível. O avião desaparece a cerca de 160km do destino.

BOMBA DE HIDROGÊNIO EM BIKINI

    Em 1956, um avião bombardeiro dos Estados Unidos joga uma bomba de hidrogênio sobre a ilha de Namu, no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, mostrando que a bomba H pode ser transportada de avião, num novo salto na corrida armamentista nuclear.

Os EUA testam armas nucleares em Bikini desde 1946, com explosões terrestres. Neste teste, um bombardeiro B-52 joga a bomba a uma altitude de mais de 15 mil metros. A explosão acontece a cerca de 4,6 quilômetros do solo, com uma energia de 15 megatons, equivalente a 15 milhões de toneladas de dinamite. 

 

ASSASSINATO DE RAJIV GANDHI

    Em 1991, o ex-primeiro-ministro indiano Rajiv Gandhi é assassinado num atentado terrorista suicida em Sriperumbudur, no estado de Tamil Nadu, na Índia.

Rajiv Ratna Gandhi nasce em Bombaim, hoje Mumbai, em 20 de agosto de 1944, filho da futura primeira-ministra Indira Gandhi e neto de Jawaharlal Hehru, o primeiro chefe de governo da Índia independente. Ele estuda no Imperial College de Londres e se forma em engenharia na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

O herdeiro político de Indira é outro filho, Sanjay Gandhi, que morre em acidente aéreo em 23 de junho de 1980. 

Outra tragédia, a morte da mãe e primeira-ministra Indira Gandhi, assassinada por um guarda-costas da seita sikh em 31 de outubro de 1984 em Nova Déli, leva Rajiv à chefia do governo e à liderança do Partido do Congresso.

No governo, Rajiv desburocratiza e liberaliza a economia do país. É o reformista que começa a abrir a economia da Índia, hoje a grande economia que mais cresce no mundo, em 6% a 7% ao ano. Deve passar o Japão neste ano para se tornar a quarta maior economia do mundo.

Sem sucesso, tenta pacificar as revoltas dos sikhs do Punjab, que lutam pela independência do Calistão, e dos muçulmanos da Caxemira, que gostariam de se unir ao Paquistão. Depois de escândalos financeiros e da derrota do Partido de Congresso nas eleições de 1989, Rajiv renuncia.

Em maio de 1991, Rajiv está em campanha eleitoral em Tamil Nadu, no Sul da Índia, ele e outras 16 pessoas morrem com a explosão de uma bomba escondida numa cesta de flores carregada por uma mulher ligada aos Tigres da Libertação do Ilam Tamil, um movimento separatista do vizinho Sri Lanka.

É uma vingança. Em 1987, Rajiv envia tropas da Índia para impor um cessar-fogo na guerra civil do país vizinho.

A Justiça da Índia condena em 1998 26 pessoas pelo assassinato de Rajiv Gandhi, tamis do Sri Lanka e seus aliados indianos.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Fevereiro

JEFFERSON ELEITO PELA CÂMARA

    Em 1801, depois de um empate no Colégio Eleitoral, a Câmara dos Representantes elege Thomas Jefferson presidente dos Estados Unidos.

Jefferson nasce em 2 de abril (13 de abril pelo calendário atual) de 1743 em Shadwell, na colônia da Virgínia. Ele estuda grego e latim na adolescência e entra no College of William & Mary, em Williamburgo. Obsessivo, passa 15 horas por dia lendo livros e outras três horas tocando violino.

Principal autor da Declaração de Independência, ele é o primeiro secretário de Estado (1789-94), o segundo vice-presidente (1797-1801) e o terceiro presidente dos EUA (1801-9). Defensor da separação total entre Igreja e Estado. 

Grande defensor da liberdade individual para ideia central da Revolução Americana, o que lhe valeu a alcunha de "apóstolo da liberdade", é importante na redação da Constituição dos EUA e das dez primeiras emendas, consideradas a declaração de direitos do país.

Durante seu governo, em 1803, os EUA compram a Louisiana da França de Napoleão Bonaparte, um território de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados ao longo do Valei do Rio Mississípi

Sua reputação é abalada por ter escravos e ter a convicção de que os EUA deveriam ser governados por homens brancos. Em 1998, um exame de DNA comprova que teve um filho com Sally Hemings, uma escravizada de quem era dono. 

BOMBA H BRITÂNICA

    Em 1955, em plena Guerra Fria, o ministro da Defesa do Reino Unido, Harold Macmillan, futuro primeiro-ministro, anuncia a decisão de fazer a bomba atômica de hidrogênio.

A bomba H é mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio jogadas pelos Estados Unidos em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945.

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode a bomba atômica. Na corrida armamentista nuclear da Guerra Fria, isso leva os EUA a investir na bomba H. Washington explode sua primeira bomba H em 1º de novembro de 1952.

O Reino Unido detona sua bomba atômica em 3 de outubro de 1952, tornando-se a terceira potência nuclear. Macmillan toma a decisão de fazer a bomba H antes da URSS testar sua bomba de hidrogênio, em 22 de novembro de 1955. 

A primeira bomba H britânica é detonada em 15 de maio de 1957. A França e a China também têm bombas de hidrogênio.

CHINA INVADE O VIETNÃ

    Em 1979, pouco menos de dois meses depois da invasão do Vietnã ao Camboja para derrubar o regime genocida do Khmer Vermelho, aliado de Beijim, o Exército Popular de Libertação da China invade o Vietnã, aliado da União Soviética, na primeira guerra aberta entre países comunistas.

As duas grandes potências comunistas, a China e a URSS, apoiam o Vietnã do Norte na guerra contra os Estados Unidos (1964-73) durante a Guerra Fria. Duas semanas antes do fim da Guerra do Vietnã com a queda de Saigon em 30 abril de 1975, o Khmer Vermelho toma o poder no Camboja e instaura seu reino do terror, com apoio chinês.

Diante da rivalidade entre China e URSS, o Vietnã unificado fortalece as relações com os soviéticos. A invasão do Camboja, no Natal de 1978, e a queda do ditador Pol Pot, em 9 de janeiro de 1979, levam à invasão chinesa.

Depois de nove dias de intensos combates, a invasão é repelida. A Guerra Sino-Vietnamita termina em 16 de março, mas as escaramuças na fronteira continuam até os anos 1980. O Vietnã vence porque a China se retira e o Vietnã mantém a ocupação do Camboja.

INDEPENDÊNCIA DO KOSSOVO

    Em 2008, a região do Kossovo declara independência da Sérvia, mas muitos países não a reconhecem até hoje. A Corte Internacional de Justiça decide que o Kossovo não violou o direito internacional.

Ao todo, 114 países reconhecem a independência do Kossovo, entre eles Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia, mas não a Rússia. Até hoje o Kossovo não faz parte das Nações Unidas por causa do veto da Rússia.

O Kossovo, onde a maioria da população tem origem albanesa, tinha o status de província autônoma da Sérvia dentro da Iugoslávia. Com o declínio do comunismo como ideologia, o líder sérvio Slobodan Milosevic apela para o nacionalismo sérvio para se manter no poder. Em 1987, faz um discurso em Pristina, a capital do Kossovo, dizendo que os sérvios nunca mais serão humilhados na sua própria terra.

É a senha para destampar os nacionalismos ferozes dos bálcãs. Em 1991, a Croácia e a Eslovênia declaram independência. A Sérvia, que domina o Exército Federal da Iugoslávia, não aceita e vai à guerra. Em 1992, a Bósnia-Herzegovina declara independência. É o início da mais brutal das guerras que dividem a Iugoslávia, com mais de 100 mil mortes em três anos, cerco de Sarajevo, massacres e campos de concentração como a Europa não via desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Em 1995, os acordos de Dayton, nos EUA, fazem a paz entre Bósnia, Croácia e Sérvia. No ano seguinte, Milosevic assenta 16 mil refugiados sérvios da Bósnia e da Croácia no Kossovo, muitos contra a vontade.

Diante da discriminação e da repressão contra a maioria albanesa, em 28 de fevereiro de 1998, começa a guerra entre a Sérvia e os rebeldes do Exército de Libertação do Kossovo. Em resposta aos massacres cometidos pelas forças de Milosevic, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entra na guerra em 24 de março de 1999 com bombardeios aéreos maciços. A Sérvia se rende em 11 de junho, depois de 78 dias de ataques aéreos da OTAN.

terça-feira, 21 de maio de 2024

Hoje na História do Mundo: 21 de Maio

SEMANA SANGRENTA EM PARIS

    Em 1871, a Comuna de Paris, uma revolta popular contra o governo provisório de Adolphe Tiers na França, é alvo de uma onda de repressão violenta conhecida como Semana Sangrenta.

A Comuna de Paris é uma insurreição contra o governo francês. Deflagrada em 18 de março, vai até 28 de maio. É resultado da derrota para a Alemanha na Guerra Franco-Prussiana (1870-71) e do colapso do Segundo Império (1852-70) sob Napoleão III.

A Assembleia Nacional eleita em fevereiro de 1871 para fazer a paz com a Alemanha tem uma maioria monarquista que reflete o conservadorismo das províncias. Os republicanos de Paris temem que a assembleia reunida em Versalhes restaure a monarquia.

Os revolucionários ganham as eleições municipais de 26 de março. O programa radical da comuna é adotado. Mas comunas de Marselha, Lyon, Saint-Étienne e Toulouse são rapidamente derrotadas. E os fédérés não tem organização militar para enfrentar uma máquina de guerra.

Em 21 de maio, as tropas do governo entram numa região não defendida de Paris. Na Semana Sangrenta, esmagam a comuna, que se defende com barricadas nas ruas da capital francesa e incêndios em prédios públicos.

Pelo menos 877 soldados morrem e outros 187 desaparecem nesta guerra civil. Do lado da Comuna de Paris, são 6.667 mortes confirmadas.

BOMBA DE HIDROGÊNIO EM BIKINI

    Em 1956, um avião bombardeiro dos Estados Unidos joga uma bomba de hidrogênio sobre a ilha de Namu, no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, mostrando que a bomba H pode ser transportada de avião, num novo salto na corrida armamentista nuclear.

Os EUA testam armas nucleares em Bikini desde 1946, com explosões terrestres. Neste teste, um bombardeiro B-52 joga a bomba a uma altitude de mais de 15 mil metros. A explosão acontece a cerca de 4,6 quilômetros do solo, com uma energia de 15 megatons, equivalente a 15 milhões de toneladas de dinamite.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 17 de Fevereiro

BOMBA H BRITÂNICA

    Em 1955, em plena Guerra Fria, o ministro da Defesa do Reino Unido, Harold Macmillan, futuro primeiro-ministro, anuncia a decisão de fazer a bomba atômica de hidrogênio.

A bomba H é mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio jogadas pelos Estados Unidos em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945.

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode a bomba atômica. Na corrida armamentista nuclear da Guerra Fria, isso leva os EUA a investir na bomba H. Washington explode sua primeira bomba H em 1º de novembro de 1952.

O Reino Unido detona sua bomba atômica em 3 de outubro de 1952, tornando-se a terceira potência nuclear. Macmillan toma a decisão de fazer a bomba H antes da URSS testar sua bomba de hidrogênio, em 22 de novembro de 1955. 

A primeira bomba H britânica é detonada em 15 de maio de 1957. A França e a China também têm bombas de hidrogênio.

CHINA INVADE O VIETNÃ

    Em 1979, pouco menos de dois meses depois da invasão do Vietnã ao Camboja para derrubar o regime genocida do Khmer Vermelho, aliado de Beijim, o Exército Popular de Libertação da China invade o Vietnã, aliado da União Soviética, na primeira guerra aberta entre países comunistas.

As duas grandes potências comunistas, a China e a URSS, apoiam o Vietnã do Norte na guerra contra os Estados Unidos durante a Guerra Fria. Duas semanas antes do fim da Guerra do Vietnã com a queda de Saigon em 30 abril de 1975, o Khmer Vermelho toma o poder no Camboja e instaura seu reino do terror, com apoio chinês.

Diante da rivalidade entre China e URSS, o Vietnã unificado fortalece as relações com os soviéticos. A invasão do Camboja, no Natal de 1978, e a queda do ditador Pol Pot, em 9 de janeiro de 1979, levam à invasão chinesa.

Depois de nove dias de intensos combates, a invasão é repelida. A Guerra Sino-Vietnamita termina em 16 de março, mas as escaramuças na fronteira continuam até os anos 1980. O Vietnã vence porque a China se retira e o Vietnã mantém a ocupação do Camboja.

INDEPENDÊNCIA DO KOSSOVO

    Em 2008, a região do Kossovo declara independência da Sérvia, mas muitos países não a reconhecem até hoje. A Corte Internacional de Justiça decide que o Kossovo não violou o direito internacional.

Ao todo, 114 países reconhecem a independência do Kossovo, entre eles Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia, mas não a Rússia. Até hoje o Kossovo não faz parte das Nações Unidas por causa do veto da Rússia.

O Kossovo, onde a maioria da população tem origem albanesa, tinha o status de província autônoma da Sérvia dentro da Iugoslávia. Com o declínio do comunismo como ideologia, o líder sérvio Slobodan Milosevic apela para o nacionalismo sérvio para se manter no poder. Em 1987, faz um discurso em Pristina dizendo que os sérvios nunca mais serão humilhados na sua própria terra.

É a senha para destampar os nacionalistas ferozes dos bálcãs. Em 1991, a Croácia e a Eslovênia declaram independência. A Sérvia, que domina o Exército Federal da Iugoslávia, não aceita e vai à guerra. Em 1992, a Bósnia-Herzegovina declara independência. É o início da mais brutal das guerras que dividem a Iugoslávia, com mais de 100 mil mortes em três anos, cerco de Sarajevo, massacres e campos de concentração como a Europa não via desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Em 1995, os acordos de Dayton fazem a paz entre Bósnia, Croácia e Sérvia. No ano seguinte, Milosevic assenta 16 mil refugiados sérvios da Bósnia e da Croácia no Kossovo, muitos contra a vontade.

Diante da discriminação e da repressão contra a maioria albanesa, em 28 de fevereiro de 1998, começa a guerra entre a Sérvia e os rebeldes do Exército de Libertação do Kossovo. Em resposta aos massacres cometidos pelas forças de Milosevic, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entra na guerra em 24 de março de 1999 com bombardeios aéreos maciços. A Sérvia se rende em 11 de junho.

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Hoje na História do Mundo: 31 de Janeiro

 TRUMAN INVESTE NA BOMBA H

    Em 1950, cinco meses depois da explosão da primeira bomba atômica da União Soviética, o presidente Harry Truman anuncia aos Estados Unidos a decisão de desenvolver a bomba de hidrogênio, mil vezes mais poderosa do que as bombas jogadas em Hiroxima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os EUA testam sua primeira bomba de hidrogênio, chamada Mike, em 1º de novembro de 1952 no atol de Eniwetok, nas ilhas Marshall, no Oceano Pacífico.

As primeiras armas atômicas são de fissão nuclear de átomos pesados, o urânio-235 e o plutônio. Sua energia vem da divisão do núcleo de átomos pesados. 

A bomba de hidrogênio ou bomba termonuclear é resultado da fusão nuclear de átomos leves. Dois átomos de hidrogênio pesado e mais do que pesado se fundem a uma temperatura altíssima. É a reação que produz a energia do sol e das estrelas. O gatilho da bomba de hidrogênio é uma explosão nuclear de urânio para gerar a temperatura de 100 milhões de graus centígrados necessária à fusão nuclear.

No processo de fusão, as partículas subatômicas perdem 0,63% da massa, que se converte numa enorme quantidade de energia medida pela famosa fórmula de Albert Einstein: E = mc2, em que c é uma constante que representa a velocidade da luz no vácuo: 300 mil quilômetros por segundo.

Houve bombas de hidrogênio de mais de 50 megatons, com o poder de destruição de mais de 50 milhões de toneladas de dinamite. As instaladas em mísseis têm geralmente até 1,5 megaton.

A União Soviética testa sua primeira bomba de hidrogênio em 12 de agosto de 1953, elevando a corrida armamentista nuclear a outro patamar. O Reino Unido (1957), a China (1967) e a França (1968) também fizeram a bomba H.

Nos anos 1980, havia cerca de 40 mil bombas termonucleares no mundo.

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 1º de Novembro

TETO DA CAPELA SISTINA

    Em 1512, a Capela Sistina, no Vaticano, é aberta ao público pela primeira vez com o teto pintado por Michelangelo Buonarrotti, um dos maiores artistas do Renascimento.

Michelangelo nasce em Caprese em 6 de março de 1475 e cresce em Florença, um dos berços do Renascimento. Aos 13 anos, torna-se um artista aprendiz. Por seu talento, recebe a proteção de Lorenzo de Medici, o governante da cidade-estado italiana.

Depois de criar algumas das esculturas mais famosas da história, a Pietà (1498) e o David (1504), vai para Roma em 1508 para pintar o teto da Capela Sistina. Ele trabalha até a morte, aos 88 anos, em 1564.

TERREMOTO DE LISBOA

    Em 1755, três tremores de terra, o mais forte de 8 a 9 pontos na escala aberta de Richter, seguidos de um maremoto com ondas de 6 metros, arrasa a capital, onde vivem 10% dos 3 milhões de portugueses, e o litoral sul de Portugal, matando de 10 a 90 mil pessoas.

O Terremoto de Lisboa é tema de reflexão de grandes filósofos do Iluminismo como o francês Voltaire, que observa: "Se Deus é misericordioso, não é todo-poderoso; se é todo-poderoso, não é misericordioso."

A cidade é reconstruída sob a orientação do Marquês de Pombal, talvez o primeiro-ministro mais poderoso de Portugal, um déspota iluminado que expulsa os jesuítas do reino.

PRESIDENTE NA CASA BRANCA

    Em 1800, o segundo presidente dos Estados Unidos, John Adams, se muda para a Casa Branca, em Washington, construída para ser a sede do governo na nova capital do país a um custo de US$ 232 mil.

A pedra fundamental é lançada pelo presidente George Washington em 13 de outubro de 1792. A Casa Branca é queimada pelos britânico em agosto de 1814 durante a Guerra de 1812, quando o Reino Unido tenta acabar com a independência dos EUA. Em 1817, o presidente James Madison volta a morar lá.

Hoje, depois de muitas reformas, a Casa Branca tem seis andares e 142 peças.

BOMBA DE HIDROGÊNIO

    Em 1952, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos explodem no atol de Eniwetok, no Oceano Pacífico, a primeira bomba atômica de hidrogênio, Ivy Mike, reproduzindo a reação que produz a energia e a luz do sol com efeitos devastadores para dar uma superioridade temporária ao país na corrida armamentista depois da explosão da primeira bomba nuclear da União Soviética, em 29 de agosto de 1949.

A primeira bomba H tem o poder de destruição de 10,4 milhões de megatons (milhões de toneladas de dinamite). 

Mil vezes mais poderosa do que as bombas atômicas de urânio e plutônio, que usa como detonador, a bomba H teve a oposição de Robert Oppenheimer, o pai da bomba nuclear dos EUA.

Uma bomba de urânio de 15 kilotons (15 mil toneladas de dinamite) é jogada em Hiroxima, em 6 de agosto de 1945, e uma bomba de plutônio de 20 quilotons três dias depois em  Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial.

Em 12 de agosto de 1953, a URSS explode sua bomba H elevando a corrida armamentista a um novo patamar. O físico Andrei Sakharov, que depois de tornou um dissidente do regime comunista e ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 1975, é o pai da bomba H soviética.

A maior explosão nuclear até hoje é um teste soviético em 23 de outubro de 1961 com uma bomba H. A Bomba Tzar é de 58 megatons. 

A fusão de átomos de hidrogênio pesado (deutério) e mais que pesado (trítio), liberando a energia equivalente à massa de um nêutron, gera a energia do sol e das estrelas. Nunca foi controlada, Exige uma temperatura de 100 mil graus.

Com o aquecimento global, aumentam as pesquisas para ver se é possível usar a fusão a frio como uma fonte de energia segura. Até agora, é impossível. A 100 mil graus, tudo derrete.

NASCE A UNIÃO EUROPEIA

    Em 1993, depois de um atraso por causa da rejeição em plebiscito na Dinamarca, entra em vigor o Tratado de Maastricht, concluído em dezembro de 1991, para criar a União das Comunidades Europeias, fortalecer o Parlamento Europeu, criar o Banco Central da Europa (BCE) e a política externa e de segurança comum.

A integração europeia começa em 9 de maio de 1950 com o lançamento do Plano Schuman, batizado com o nome do ministro das Relações Exteriores e a França, Robert Schuman, para consolidar a paz no continente, especialmente entre a Alemanha e a França, cujo conflito histórico estava na origem das duas guerras mundiais. 

Em 1951, surge a Comissão Europeia do Carvão e do Aço para garantir o controle da produção de dois componentes básicos da indústria bélica.

A Comunidade Econômica Europeia é criada pelo Tratado de Roma, em 1957, e instalada em 1958 com seis países: Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo. A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973.

A Grécia, a Espanha e Portugal se associam nos 1980, depois de se democratizar. Quando é assinado o Tratado de Maastricht, são 12 países-membros. Com o fim da Guerra Fria, a Áustria, a Finlândia e a Suécia, países neutros, aderem em 1995.

Sua maior expansão acontece em 2004, depois das revoluções democráticas de 1989 nos países comunistas da Europa Oriental e da dissolução da União Soviética, em 1991: Chipre, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Lituânia, Malta, Polônia e República Tcheca.

A Bulgária e a Romênia entram em 2007 e a Croácia em 2013. Até hoje, só um país deixou o bloco, o Reino Unido, em 31 de janeiro de 2020, depois de um plebiscito realizado em 23 de junho de 2016.

sábado, 21 de maio de 2022

Hoje na História do Mundo: 21 de Maio

BOMBA DE HIDROGÊNIO EM BIKINI

    Em 1956, um avião bombardeiro dos Estados Unidos explodem uma bomba de hidrogênio sobre a ilha de Namu, no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, mostrando que a bomba H pode ser transportada de avião, num novo salto na corrida armamentista nuclear.

Os EUA testam armas nucleares em Bikini desde 1946, com explosões terrestres. Neste teste, um bombardeiro B-52 joga a bomba a uma altitude de mais de 15 mil metros. A explosão acontece a cerca de 4,6 quilômetros do solo, com uma energia de 15 megatons, equivalente a 15 milhões de toneladas de dinamite.

terça-feira, 12 de junho de 2018

URSS: Guerra Fria deixou o mundo perto de um holocausto nuclear

A Guerra Fria foi a confrontação política, ideológica, econômica, militar e cultural entre os Estados Unidos, capitalistas, e a URSS, comunista, do fim da Segunda Guerra Mundial até o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 31 de dezembro de 1991.
Na Conferência de Yalta, em fevereiro de 1945, o ditador soviético Josef Stalin prometeu realizar eleições democráticas nos países da Europa Oriental ocupados pelo Exército Vermelho, mas adiou-as e impôs regimes comunistas fantoches de Moscou.
Com a rendição, em 8 de maio de 1945, a Alemanha é ocupada pelos EUA, a URSS, a Grã-Bretanha e a França. Berlim é dividida na Conferência de Pótsdam, realizada de 17 de julho a 2 de agosto de 1945.
 As bombas atômicas foram uma demonstração de força dos EUA. O Exército Vermelho teve o melhor desempenho na guerra. Os EUA tinham a arma capaz de anular qualquer vantagem no campo de batalha.
Em 22 de fevereiro de 1946, um diplomata americano em Moscou, George Kennan, enviou um longo memorando por telegrama ao Departamento de Estado alegando que a URSS era “impermeável à logica da razão”, mas “altamente sensível à lógica da força”.
O telegrama de Kennan foi a base da estratégia de “contenção” da URSS que foi a base da política americana durante a Guerra Fria. Como o comunismo seria inviável economicamente, os EUA deveriam conter o expansionismo soviético até que o sistema implodisse.

CORTINA DE FERRO

Ao discursar no Westminster College, em Fulton, no estado do Missouri, em 5 de março de 1946, o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, advertiu que a criação de países-satélites da URSS na Europa Oriental era “uma cortina de ferro caindo sobre a Europa”.

BLOQUEIO DE BERLIM

Para forçar as potências ocidentais a ceder o controle de Berlim, Stalin cercou a parte ocidental da cidade, um enclave no lado oriental da Alemanha, bloqueando-a de 24 de junho de 1948 a 12 de maio de 1949 para impedir que suprimentos chegassem por terra.
As Forças Aéreas dos EUA, Reino Unido, Austrália, Canadá e Nova Zelândia fizeram mais de 200 mil voos na ponte aérea para levar as 4,7 mil toneladas diárias de combustíveis e alimentos que Berlim Ocidental precisava até Stalin desistir.

OTAN

Para defender a Europa e a América do Norte do comunismo soviético, nasce em Washington em 4 de abril de 1949 a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com um princípio básico: um ataque contra qualquer país seria um ataque contra todos e levaria a uma reação coletiva.
O Tratado do Atlântico Norte foi assinado por 12 países: EUA, Bélgica, Canadá, Dinamarca, França, Holanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Reino Unido. 
Durante a Guerra Fria, entraram a Alemanha Ocidental, a Espanha, a Grécia e a Turquia.
Depois da Guerra Fria, aderiram Albânia, Bulgária, Croácia, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Hungria, Letônia, Polônia, República Tcheca e Romênia. Hoje a OTAN tem 28 países-membros.

DUAS ALEMANHAS

A República Federal da Alemanha (ocidental) é fundada oficialmente em 23 de maio de 1949, com capital em Bonn.
A República Democrática da Alemanha (oriental) nasce em 7 de outubro de 1949, com capital em Berlim Oriental.

BOMBA SOVIÉTICA

Desde que descobriram o Projeto Manhattan, os soviéticos começaram a desenvolver a bomba atômica com uma equipe científica liderada por Igor Kurchatov e Andrei Sakharov, sob a supervisão de Laurenti Beria, diretor do NKVD, a superpoderosa polícia política de Stalin. Em 1945, a URSS conseguiu um esboço da bomba americana.
Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética testou sua primeira bomba atômica, iniciando a era do terror nuclear. O mundo tinha duas superpotências com a capacidade de projetar seu poderio militar a qualquer canto do planeta.

REVOLUÇÃO CHINESA

Em 1º de outubro de 1949, os comunistas liderados por Mao Tsé-tung tomam o poder na China. 
Os nacionalistas do Kuomintang, chefiados por Chiang Kai-shek, fogem para a ilha de Formosa (Taiwan), onde instalam a República da China.
Em dezembro de 1949, Mao vai a Moscou em busca da ajuda soviética. Stalin demora 50 dias para recebê-lo e impõe um Tratado Sino-Soviético colocando a China em posição inferior.
A revolução feita para que a China não fosse mais humilhada pelas potências imperialistas como nas Guerras do Ópio, no século 19, era humilhada pela pátria do comunismo.

BOMBA DE HIDROGÊNIO

Os EUA explodiram sua primeira bomba de hidrogênio, com tecnologia de fusão nuclear (as bombas de Hiroxima e Nagasaki era de fissão, ou divisão do núcleo do átomo), em 1º de novembro de 1952, no Oceano Pacífico.
Ivy Mike tinha 10,4 megatons (milhões de toneladas de dinamite). Era 650 vezes mais poderosa do que a bomba de Hiroxima.
Menos de um ano depois, em 12 de agosto de 1953, cinco meses depois da morte de Stalin, a URSS explodiu sua bomba de hidrogênio, equilibrando mais uma vez a corrida nuclear.

MORTE DE STALIN

O todo-poderoso líder supremo do PCUS morreu de uma hemorragia cerebral em 5 de março de 1953. Mas naturalmente há suspeitas de que possa ter sido envenenado.
Com a morte do ditador, o poder é divido entre a segunda troika: Gueorgui Malenkov, Laurenti Beria e Viacheslau Molotov. Quem virou líder foi Nikita Kruschev, eleito primeiro secretário do PCUS em 14 de março de 1953, logo após a morte de Stalin, cujos crimes denunciaria, apesar de ter sido um fiel seguidor como governador da Ucrânia, sua terra natal.

PACTO DE VARSÓVIA

Cinco dias depois da adesão da Alemanha Ocidental à OTAN, em 9 de maio de 1955, a URSS formou o Pacto de Varsóvia com seus aliados do Bloco Soviético: Albânia, Alemanha Oriental, Bulgária, Polônia, Romênia e Tcheco-Eslováquia.
Com a queda do Muro de Berlim e dos regimes comunistas da Europa Oriental, o Pacto de Varsóvia foi extinto, em 25 de fevereiro de 1991.

CRIMES DE STALIN

No 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, em 25 de fevereiro de 1956, o novo líder, Nikita Kruschev, denunciou o terrorismo de Estado, os crimes, perseguições políticas, os processos fabricados, as autocríticas feitas sob coerção e os assassinatos da era de Stalin.
Kruschev chamou Stalin de “violento”, “caprichoso” e “despótico”, e citou o Testamento de Lenin sugerindo o afastamento de Stalin da Secretaria-Geral do partido. Acusou-o inclusive pela morte de Kirov, que deflagrou os processos de Moscou e os expurgos dos anos 1930s.
Pelo menos 20 milhões de soviéticos foram mortos pelo stalinismo, a começar por milhões de pequenos produtores que resistiram à coletivização da agricultura, passando pelos expurgos no PC e nas Forças Armadas, que enfraqueceram o país antes da Grande Guerra Patriótica contra o nazismo.

HUNGRIA REBELDE

Com a morte de Stalin, houve uma breve liberalização no Bloco Soviético. O reformista Imre Nagy substituiu Matias Rákosi, o “melhor discípulo de Stalin na Hungria”, como primeiro-ministro, mas Rákosi manteve o cargo de secretário-geral do PC. Rákosi demitiu Nagy em 1955, mas caiu após a denúncia do stalinismo por Kruschev.
Em 23 de outubro de 1956, uma manifestação estudantil cresceu até reunir 200 mil pessoas na Praça do Parlamento, em Budapeste, para denunciar a submissão à União Soviética. À noite, o novo secretário do partido, Erno Gero, pediu ajuda a Moscou para “suprimir uma manifestação que atingiu uma escala sem precedentes”.

INVASÃO SOVIÉTICA

Na madrugada seguinte, os tanques soviéticos entraram em Budapeste. De 24 a 29 de outubro de 1956, houve pelo menos 71 choques armados dos soldados com a população. Em 28 de outubro, foi acertado um cessar-fogo.
Nagy, reinstaurado no cargo de primeiro-ministro pela revolução anunciou em 1º de novembro a saída da Hungria do Pacto de Varsóvia e pediu ajuda à OTAN. Uma segunda invasão soviética, em 4 de novembro, esmagou o levante.
A maior revolta contra a dominação soviética na Europa Oriental terminou em 10 de novembro de 1956, com a morte de cerca de 2,5 mil húngaros, sendo 1.569 civis mortos em Budapeste. Do lado soviético, morreram 699 soldados.
Como a OTAN não interveio temendo iniciar a Terceira Guerra Mundial, ficou claro que o mundo estava dividido em duas esferas de influência, uma dominada pela URSS, outra pelos EUA.

ERA ESPACIAL

Em 4 de outubro de 1957, a URSS lançou o Sputnik, o primeiro satélite artificial da Terra, assustando os EUA, que temiam que um foguete fosse capaz de jogar armas nucleares diretamente em território americano.
Começavam a era espacial e a corrida para o desenvolvimento da tecnologia de mísseis, que revolucionaria a guerra. Junto com a bomba atômica, tornaria os exércitos nacionais e a maioria das armas de guerra obsoletas.
A URSS seria o primeiro país a enviar um homem ao espaço, Yuri Gagarin, em 12 de abril de 1961. Ele disse: “A Terra é azul”. Em 16 de junho de 1963, Valentina Tereshkova se tornou a primeira mulher cosmonauta (como se diz na Rússia).
Alexei Leonov seria o primeiro a passear no espaço fora da nave. Em 18 de março de 1965, ele ficou 12 minutos e 9 segundos flutuando no espaço preso à nave por um cabo de 5,35 metros.
Os EUA mandariam os primeiros homens a pisar na Lua, Neil Armstrong e Edward Aldrin, em 20 de julho de 1969. 

REVOLUÇÃO CUBANA

Em 1º de janeiro de 1959, o ditador Fulgencio Batista fugiu. Os revolucionários liderados por Fidel Castro tomaram o poder. Embora ele tenha dito que sua revolução não era comunista, pressionado pelos EUA se aproximou de Moscou. Em 7 de maio de 1960, Cuba estabeleceu relações com a URSS.
Em 6 de agosto de 1960, as propriedades deestrangeiros na ilha foram estatizadas. Em resposta, o presidente Dwight Eisenhower congelou todas as propriedades cubanas nos EUA, rompeu relações diplomáticas com Cuba e suspendeu as exportações em 19 de outubro de 1960. 
O embargo total, que a propaganda cubana chama de bloqueio, viria em 3 de fevereiro de 1962, seria transformado em lei em 1993 e agravado em 1996.
Em 19 de dezembro de 1960, Cuba se alinhou à URSS e passou a receber ajuda econômica de Moscou.

ESPIONAGEM

Em 1º de maio de 1960, a União Soviética derrubou um avião-espião americano U-2 e prendeu o piloto, Francis Gary Powers. O incidente obrigou os EUA a admitir que realizavam voos de espionagem na URSS. Powers foi libertado dois anos depois numa troca de prisioneiros.

BAÍA DOS PORCOS

Ao tomar posse, em 20 de janeiro de 1961, o presidente John Kennedy herdou uma conspiração contra o regime comunista cubano articulada pelo ex-vice-presidente Richard Nixon. 
Em 15 de abril de 1961, oito aviões B-26 cedidos pela CIA (Agência Central de Inteligência), bombardearam o litoral cubano. Cerca de 1,5 mil rebeldes desembarcaram na Baía dos Porcos na madrugada de 16 para 17 de abril. Eles dominaram a milícia local, mas foram derrotados depois que Fidel Castro assumiu o comando da operação e se renderam em 20 de abril.
O fracasso da invasão fortaleceu Fidel, que declarou abertamente o caráter socialista da revolução cubana e pediu proteção à URSS.

VOTANDO COM PÉS

Desde a divisão da Alemanha, cerca de 3,5 milhões de alemães fugiram do lado oriental para o lado ocidental. Não podendo escolher seu próprio governo sob o regime comunista, “votavam com os pés” vindo para o Ocidente.
Em novembro de 1958, Kruschev dera um ultimato às potências ocidentais, dando-lhes seis meses para deixar Berlim, que seria transformada numa zona desmilitarizada.
Em 4 de junho de 1961, Kruschev encontrou-se com Kennedy em Viena e ficou com a impressão de que o jovem presidente americano era tolo e ingênuo. Deu novo ultimato, até 31 de dezembro de 1961. EUA, França e Reino Unido não aceitaram.
Em 25 de julho, Kennedy pediu um aumento do orçamento militar para ampliar o Exército dos EUA de 875 mil para 1 milhão de homens.

MURO DE BERLIM

Na madrugada de 13 de agosto de 1961, a Alemanha Oriental começou a construir um muro de 45 km que isolaria totalmente Berlim Ocidental. Kennedy respondeu colocando tanques nas ruas de Berlim. 
Até 9 de novembro de 1961, tanques americanos e soviéticos ficaram frente à frente nas ruas da cidade. No fim,  Kennedy aceitou a construção do Muro e Kruschev admitiu que as potências ocidentais jamais abandonariam Berlim.
Durante 28 anos, o Muro de Berlim foi a cicatriz viva da Guerra Fria, símbolo da divisão de Berlim, da Alemanha, da Europa e do mundo. Pelo menos 6 mil pessoas tentaram fugir atravessando-o. O Centro de História Contemporânea de Pótsdam certificou 136 mortes, mas outras estimativas chegam a 600.

CRISE DOS MÍSSEIS

Durante uma visita à Bulgária, em maio de 1962, Kruschev decidiu instalar mísseis nucleares em Cuba. Na volta, ele informou o Politburo do Comitê Central do PCUS. Em 29 de maio, uma delegação levou a Havana a proposta, aceita por Fidel um dia depois de receber os soviéticos. 
O primeiro navio soviético com mísseis, Poltava, chegou a Cuba em 15 de setembro. Em 14 de outubro, um avião-espião U-2 fez as primeiras fotos dos silos e bases de lançamento em construção na ilha, em San Diego de los Baños.
Os mísseis, com alcance de mil a 5 mil quilômetros, dariam à URSS a capacidade de realizar um primeiro ataque contra o território americano com o objetivo de anular a capacidade do inimigo de reagir, única maneira de ganhar uma guerra nuclear.
As fotos e as análises foram entregues a Kennedy em 16 de outubro de 1962. Naquele gabinete de crise com 12 altos assessores, entre eles seu irmão Robert Kennedy, ministro da Justiça, e Robert McNamara, ministro da Guerra, nasceram as expressões pombas e falcões. 
Os falcões queriam atacar Cuba por terra, mar e ar, invadir a ilha, destruir os mísseis e acabar com o regime comunista de Fidel Castro, mas o risco era enorme. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear. BobKennedy foi a pomba que defendeu um bloqueio aeronaval.

BLOQUEIO

Em pronunciamento em cadeia nacional de televisão, em 22 de outubro de 1962, Kennedy exigiu a retirada imediata e incondicional dos mísseis de Cuba. Anunciou ao povo americano que a URSS estava instalando mísseis nucleares em Cuba e a decisão de impor um bloqueio aeronaval à ilha. Para não parecer ofensivo, chamou de “quarentena”. 
O objetivo era impedir navios que pudessem levar mísseis de chegar a Cuba. Se algum navio tentasse furar o bloqueio, poderia ser abordado e atacado. Kennedy não acreditava numa solução pacífica. Estava pronto para invadir Cuba.
Kruschev advertiu em carta de 24 de outubro de 1962, quando alguns navios soviéticos deram meia volta, que o bloqueio “à navegação no espaço aéreo e em águas internacionais” era “um ato de agressão que está empurrando a espécie humana para o abismo de uma guerra mundial com mísseis nucleares”.
Ao mesmo tempo em que Kruschev falava grosso e navios soviéticos tentavam furar o bloqueio, a ponto de americanos darem tiros de advertência, começavam negociações secretas. 

TENSÃO MÁXIMA

Em 27 de outubro, quando o acordo entre os líderes estava próximo, dois incidentes quase iniciaram uma guerra nuclear.
Os soviéticos finalmente tinham instalado baterias antiaéreas em Cuba. Derrubaram um avião-espião U-2. Se tivessem feito isso antes, o U-2 anterior não teria feito as fotos dos mísseis. Os EUA não reagiram.
O momento mais tenso foi quando um submarino soviético foi cercado por navios de guerra americanos que não sabiam que o inimigo tinha torpedos nucleares de 15 quilotons. 

TORPEDO NUCLEAR

Como se soube depois, numa conferência com veteranos dos dois lados, em 1992, os três mais altos oficiais do submarino discutiram se atacavam ou não. O capitão Valentin Savitsky mandou preparar o torpedo nuclear. Foi dissuadido pelo subcomandante.
Para o diretor do Arquivo de Segurança Nacional dos EUA Thomas Blanton, “um cara chamado Vassili Arkhipov salvou o mundo”.
Também não se sabia que os assessores militares soviéticos baseados em Cuba tinham na época 100 armas nucleares táticas (pequenas) que poderiam ser usadas para defender a ilha de uma invasão americana.

KRUSCHEV RECUA

No mesmo dia 27 de outubro de 1962, Kruschev aceitou retirar os mísseis soviéticos de Cuba, se os EUA se comprometessem a jamais invadir Cuba e retirassem mísseis nucleares instalados na Turquia. Era o sinal para o acordo.
Os mísseis Júpiter baseados na Turquia eram obsoletos. Ajudaram a livrar a cara de Kruschev, que tentou colocar os EUA na posição do mais fraco diante de seu público interno, mas não conseguiu convencer a cúpula do PCUS, que o derrubaria dois anos depois, em 1964.
De 5 a 9 de novembro, os mísseis foram retirados de Cuba. Os EUA suspenderam o bloqueio aeronaval em 20 de novembro de 1962. 

LIÇÕES ESTRATÉGICAS

A lição da crise dos mísseis é que a URSS não soube aproveitar a superioridade tecnológica mostrada ao lançar o Sputnik, em 1957, que lhe dava vantagem no desenvolvimento da tecnologia de mísseis.
Por causa da estrutura burocrática do regime soviético, as Forças de Foguetes Estratégicos estavam subordinadas ao Exército Vermelho, e o Exército Vermelho estava preocupado com uma guerra na Europa. O inimigo agora era outro e a melhor maneira de atacá-lo era com mísseis balísticos intercontinentais.
A instalação dos mísseis em Cuba, a 144 km do território americano, daria à URSS a capacidade de lançar um primeiro ataque, neutralizando a vantagem que os EUA tinham obtido de 1957 a 1962.
Por falta de comunicação entre diferentes setores da burocracia soviética, as Forças de Foguetes Estratégicos conseguiram colocar os mísseis e os silos em Cuba antes que as baterias de defesa antiaéreas estivessem instaladas para impedir a ação dos aviões espiões dos EUA. Se tivessem seguido a ordem correta, é provável que os mísseis não tivessem sido descobertos antes de estarem plenamente operacionais.

TELEFONE VERMELHO

Depois da Crise dos Mísseis, em 20 de junho de 1963, foi instalado o telefone vermelho e uma linha telegráfica direta entre a Casa Branca e o Kremlin para negociar crises internacionais.
Em 5 de agosto de 1963, os EUA e a URSS chegaram a um acordo para proibir testes nucleares, a não ser subterrâneos.

QUEDA DE KRUSCHEV

Dois anos depois, Kruschev seria derrubado por Leonid Brejnev, que ficou no poder na URSS de 1964 a 1982, mas no início teve de dividi-lo com a terceira troika: Brejnev, secretário-geral do partido; o primeiro-ministro Alexei Kossiguin; e o presidente do Presidium do Soviete Supremo, Anastas Mikoyan, depois substituído por Nikolai Podgorny.

ERA BREJNEV

A era Brejnev foi um período de estagnação e decadência econômica e tecnológica da URSS, que perdeu a onda da revolução da informática. Nos anos 70, os generais soviéticos se queixaram ao secretário-geral de que estavam perdendo a corrida armamentista por causa da tecnologia da informação.
O governo Brejnev ficaria marcado pela invasão da Tcheco-Eslováquia para acabar com a Primavera de Praga, em 1968, e a desastrosa invasão do Afeganistão, em 1979.

PRIMAVERA DE PRAGA

Em 5 de janeiro de 1968, Alexander Dubcek assumiu a liderança do PC tcheco-eslovaco com uma plataforma reformista para descentralizar as decisões econômicas e democratizar o regime comunista com o apoio de intelectuais e estudantes, na onda dos movimentos libertários dos anos 1960s, para criar “um socialismo com face humana”.
Depois de advertências de Brejnev e de países aliados do Bloco Soviético sobre os riscos da “ideologia burguesa” e das “forças antissocialistas”, na noite de 20 para 21 de agosto de 1968, 200 mil soldados e 2 mil tanques de quatro países do Pacto de Varsóvia – URSS, Bulgária, Hungria e Polônia – invadiram a Tcheco-Eslováquia e acabaram com a Primavera Árabe. Um estudante tcheco, Jan Palach, se imolou diante de um tanque russo na praça central de Praga, mas não houve resistência.
As tropas do Pacto de Varsóvia ficaram na Tcheco-Eslováquia até 1990.

NÃO PROLIFERAÇÃO

Outras potências entraram para o clube nuclear. 
O Reino Unido explodiu sua bomba atômica em 3 de outubro de 1952 e hoje tem 225 ogivas, sendo 160 operacionais. A França fez o primeiro teste em 13 de fevereiro de 1960 e tem hoje cerca de 300 ogivas. A China explodiu a bomba em 16 de outubro de 1964.
Em 1968, esses países negociaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear, que entrou em vigor em 1970. É injusto, na medida em que cria duas classes de países, os que já tinham armas nucleares e os que não podem ter, recebendo em troca ajuda para desenvolver energia atômica para fins pacíficos.
Alguns países ignoraram o tratado e fizeram a bomba, caso da Índia (1974), de seu arqui-inimigo Paquistão (1975), de Israel (provavelmente 1979) e mais recentemente da Coreia do Norte (2006). 
A África do Sul fez a bomba durante o regime segregacionista do apartheid e abriu mão ao se democratizar. O Brasil e a Argentina se comprometeram a não desenvolver armas nucleares. E o Irã negociou com as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha para desarmar seu programa nuclear. O presidente Donald Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018.