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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Iraniana ganhadora do Nobel de Paz prevê fim da República Islâmica

A advogada e defensora dos direitos humanos iraniana Shirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2003, vê o início do fim da ditadura teocrática do Irã nas manifestações de protesto, no momento em que os Estados Unidos cogitam enviar mais 14 mil soldados para o Oriente Médio tendo em vista a República Islâmica.

Em entrevista à televisão francesa France 24, Shirin Ebadi descreveu a repressão às atuais manifestações de protesto contra o regime dos aiatolás como a mais violenta desde a vitória da Revolução Islâmica, em 1979.

Os protestos começaram em 15 de novembro, depois de um aumento de 300% no preço da gasolina. O número de mortos é estimado entre 300 e 500 pessoas. Mais mil pessoas foram feridas e 7 mil presas. A ditadura cortou a Internet para dificultar a mobilização popular. 

Para Shirin Ebadi, quanto mais fraco é um regime mais violenta é a repressão: “Estamos assistindo ao início do fim do regime fundamentalista islâmico. É claro que isto é um processo que vai durar anos, mas a hora vai chegar. O povo está revoltado, a corrupção é enorme e a desigualdade também. 90 por cento vivem mal, enquanto 10 por cento são muito ricos”, disse ela. “A censura é muito forte. O regime não tolera qualquer contestação.” Meu comentário: 

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Repressão a protestos deixa mais de 100 mortos no Irã

A ditadura teocrática do Irã matou pelo menos 106 pessoas para conter uma onda de manifestações de protesto. Centenas de pessoas saíram feridas e mais de mil foram presas, denuncia a organização não governamental de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional.

As manifestações irromperam há cinco dias e se espalharam por 21 cidades de quase todas as províncias iranianas. São mais intensas na capital, Teerã, e nas cidades de Isfahan e Ahvaz. As agências oficiais de notícias da República Islâmica confirmam apenas 12 mortes.

As forças de segurança acusam os manifestantes pelas mortes de dois policiais, cinco membros da Guarda Revolucionária Iraniana e um da força paramilitar Bassij, que costuma fazer o trabalho sujo para a Guarda. Meu comentário:

sábado, 3 de agosto de 2019

Polícia ataca manifestação e prende mais de 800 pessoas em Moscou

A polícia reprimiu com violência hoje na capital da Rússia uma manifestação não autorizada. Pela segundo sábado seguido, milhares de moscovitas protestavam contra a rejeição de mais de dez candidaturas independentes e de oposição às eleições para a Câmara Municipal de Moscou, em 8 de setembro. Mais de 800 manifestantes foram presos, inclusive a líder oposicionista Liubov Sobol, noticiou o jornal The Moscow Times.

Nas grandes cidades, os russos mostram insatisfação com a crise econômica e a virtual ditadura de Vladimir Putin e de seu partido Rússia Unida em que qualquer oposição ou dissidência é marginalizada, ignorada ou reprimida. Há uma semana, quase 1,4 mil pessoas foram presas.

Hoje, antes da manifestação, que seria uma marcha pacífica, agentes retiraram Sobol à força de um táxi e a enfiaram numa caminhonete da polícia. Logo depois, a polícia de choque começou a dispersar os manifestantes com cassetetes e gás lacrimogênio. Vários oposicionistas foram espancados. As autoridades admitiram 600 prisões, mas uma organização independente contou 828 presos.

As eleições municipais estão sendo vistas como prévias para as eleições parlamentares nacionais de2021.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Ortega admite antecipar eleição presidencial na Nicarágua

Depois de quase dois meses de manifestações de protesto em que pelo menos 139 pessoas foram mortas, o presidente Daniel Ortega admitiu diante do enviado especial dos Estados Unidos, Caleb McCarry, antecipar a eleição presidencial da Nicarágua, mas se negou a renunciar, como exige a oposição, noticiou ontem o jornal nicaraguense La Prensa.

Com a decisão do Exército de parar de reprimir os manifestantes, o ex-líder guerrilheiro está sendo obrigado a ceder à pressão das ruas. Se Ortega cair, a revolta contra a corrupção e o autoritarismo tende a se intensificar na Guatemala e em Honduras.

A revolta contra Ortega começou em 18 de abril, em protesto contra o aumento das contribuições previdenciárias e a redução nas pensões e aposentadorias. O governo recuou, mas a repressão violenta inflamou a situação, levando a Igreja Católica a pedir a saída do presidente.

Um dos nove comandantes da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que tomou o poder em Manágua em 17 de julho de 1979, derrubando a ditadura de Anastasio Somoza, Ortega governou a Nicarágua de até 1990, quando perdeu a eleição presidencial para Violeta Chamorro.

Ortega voltou em 2007, em aliança com a oligarquia somozista, manipulou as instituições, mudou a composição do supremo tribunal, censurou a mídia e é acusado de corrupção e enriquecimento ilícito, ao lado da mulher e vice-presidente Rosario Murillo. Hoje, é comparado a Somoza.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Protesto contra Ortega termina com 16 mortes na Nicarágua

A polícia e unidades paramilitares ligadas à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) atiraram contra uma manifestação de dezenas de milhares de pessoas ontem em Manágua, a capital da Nicarágua. Pelo menos 16 pessoas morreram e 79 saíram feridas, informou o jornal El Nuevo Diario.

A repressão violenta à marcha em homenagem às mães das mortos nos protestos de abril deve ampliar o movimento. Se o presidente Daniel Ortega cair, as oposições de outros países em crise da América Central, Guatemala e Honduras, devem fazer novas manifestações contra seus governos.

Em abril, Ortega propôs cortes de pensões e aumento nas contribuições previdenciárias, deflagrando uma onda de protestos, levando o presidente a recuar e voltar atrás em 23 de abril, depois de 53 mortes atribuídas principalmente às forças de segurança e a paramilitares ligados ao regime.

A Igreja Católica organiza os protestos contra a violência do governo e o Exército relutava em continuar atacando a multidão revoltada. Diante do uso de força mortal pelo governo, os bispos nicaraguenses se negam a retomar o diálogo.

Por causa do aumento nos preços do petróleo, há 20 dias, motoristas de táxi, ônibus e caminhões aderiram ao movimento. Depois de duas semanas de relativa calma, os protestos voltaram com força em 11 de maio nas principais cidades nicaraguenses: Manágua, León, Granada, Chinandega e Masaya.

No dia 12, o Exército pediu diálogo e declarou que não participaria mais da repressão contra os manifestantes. O Conselho Superior da Iniciativa Privada, que representa a elite empresarial, inclusive muitos aliados de Ortega, também defendeu o diálogo.

A dúvida é se Ortega resiste até a eleição presidencial de 2021, quando poderia voltar a ser candidato com base numa reforma que acabou com a limitação dos mandatos.

Um dos nove comandantes da FSLN, que tomou o poder em 17 de julho de 1979, Daniel Ortega governou a Nicarágua até ser derrotado por Violeta Chamorro na eleição presidencial de 1990. Voltou em 2007, em aliança com a oligarquia somozista que um dia combatera e desde então tenta se eternizar no poder.

Em Honduras, houve uma onda de protestos depois da contestada reeleição do presidente Juan Orlando Hernández, em novembro de 2017. A situação se acalmou com a divisão interna da oposição com a disputa pela liderança entre o ex-presidente José Manuel Zelaya e o candidato presidencial no ano passado, Salvador Nasralla. O Exército sustenta o governo conservador.

Na Guatemala, uma onda de manifestações contra a corrupção levou à queda do presidente Otto Pérez Molina, em 2015. O atual presidente, Jimmy Morales, um ex-humorista que chegou ao poder fazendo campanha contra os políticos e partidos tradicionais, também é alvo de investigações da Comissão contra a Impunidade, um órgão criado pelas Nações Unidas que as elites polícias e empresarias guatemaltecas querem desautorizar, na contramão da opinião pública.

Se Ortega cair, talvez o furacão da mudança varra também os governos do norte e nordeste da América Central.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Assassinos da ditadura militar pegam prisão perpétua na Argentina

O Tribunal Federal Oral da Argentina condenou há dois dias à prisão perpétua por "crimes contra a humanidade" 29 acusados por sequestros, torturas, assassinatos e os "voos de morte" durante a última ditadura militar (1976-83) a desgraçar o país, entre eles os capitães Alfredo Astiz, o Anjo da Morte, e Jorge Tigre Acosta, noticiaram os jornais Clarín e La Nación.

Foi o terceiro grande processo sobre os crimes cometidos na Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), a academia militar da Marinha argentina, que se tornou no principal centro de detenção, tortura e desaparecimento de presos políticos durante a guerra suja contra a esquerda. E o mais importante julgamento sobre direitos humanos na Argentina desde a condenação, há 32 anos, das juntas militares que desgovernaram o país de 1976 a 1982 e caíram com a derrota na Guerra das Malvinas.

No processo conhecido como ESMA III ou ESMA unificada, iniciado em 2012, 68 réus foram denunciados por crimes cometidos contra 789 pessoas; 14 morreram neste últimos cinco anos. Além dos 29 condenados à prisão perpétua, seis foram absolvidos e 19 pegaram de 8 a 25 anos de reclusão.

Durante a leitura da sentença, o tribunal situado no bairro do Retiro, no centro histórico de Buenos Aires, ficou dividido entre parentes das vítimas e defensores dos direitos humanos, de um lado, e partidários da ditadura, do outro, cantando o hino argentino e ofendendo jornalistas e ativistas.

O juiz David Obligado pediu aos manifestantes que baixassem faixas e cartas. Chegou a ameaçar evacuar a sala. Eram tantos os delitos que a leitura da sentença levou cinco horas. Só foram lidos os nomes dos réus, as acusações e os vereditos. As razões dos três desembargadores serão apresentadas noutro dia.

Mais de 5 mil presos políticos passaram pela ESMA e apenas centenas saíram com vida. Muitos foram drogados e jogados no mar nos sinistros voos da morte. Entre os sentenciados a passar a vida na cadeia, está o ex-piloto Mario Arru, responsável por alguns daqueles voos. Sua condenação foi das mais festejadas.

Arru estava no voo que jogou no Rio da Prata os sequestrados na Igreja de Santa Cruz, em que estavam a primeira presidente da organização das Mães da Praça de Maio, Azucena Villaflor, e as freiras francesas Alice Dumont e Leonis Duquet. Causou indignação a absolvição de Julio Poch, que morava na Holanda e foi extraditado depois de se gabar de ter participado dos voos da morte.

Talvez a figura mais odiada internacionalmente seja o capitão Alfredo Astiz, mais conhecido como Anjo da Morte, porque era jovem, louro e bonito na época da ditadura. Ele fico tristemente famoso por ter matado com um tiro pelas costas uma jovem sueca-argentina de apenas 17 anos, Dagmar Hagelin. Também foi acusado, entre muitos outros crimes, pelo sequestro e morte das freiras argentinas.

Durante a Guerra das Malvinas (1982), Astiz foi nomeado governador das Ilhas Geórgias do Sul, e se rendeu aos britânicos sem disparar um tiro. Preso, teve pedidos de extradição feitos pela França e a Suécia, mas a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher o entregou à ditadura militar argentina. Amiga do ditador chileno Augusto Pinochet, Thatcher era conivente com caçadores de comunistas.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Ex-procuradora-geral da Venezuela denuncia Maduro à Corte de Haia

A ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega Díaz esteve hoje na Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, em Haia, na Holanda, para denunciar o ditador Nicolás Maduro e outros altos dirigentes do regime chavista por crimes contra a humanidade e mais de 8 mil assassinatos. Ela pediu a prisão de Maduro.

A acusação tem como alvos principais o ditador, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, o ministro do Interior e Justiça, Néstor Reverol, e outros altos funcionários ligados às forças de segurança do Estado.

Ortega Díaz afirmou ter apresentado mais de mil elementos de prova dos crimes contra a humanidade cometidos pelo governo na repressão às manifestações de protesto da oposição, em que pelo menos 127 pessoas foram mortas desde abril.

"Temos atestados psiquiátricos, laudos periciais e depoimentos que sustentam a denúncia", declarou a ex-procuradora-geral, acrescentando que Maduro e o governo "devem pagar pela fome e a miséria a que submeteram o povo da Venezuela."

Militante chavista, Luisa Ortega foi nomeada procuradora-geral pelo então presidente Hugo Chávez em 2007. Virou dissidente em protesto contra a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte por Maduro numa manobra para tirar os poderes da Assembleia Nacional eleita em dezembro de 2015, com maioria oposicionista.

Pela Constituição da República Bolivarista da Venezuela, inspirada por Chávez, é necessário um referendo popular para convocar uma nova Constituinte. Ortega considerou a manobra de Maduro um ataque à herança do caudilho, que morreu em 5 de março de 2013, sendo substituído por Maduro por orientação do ditador cubano Fidel Castro. Ela proclamou que a Constituinte de Maduro era ilegal e ilegítima.

Em 5 de agosto de 2017, Ortega Díaz foi demitida pela Constituinte, que assumiu plenos poderes legislativos, atropelando o parlamento eleito democraticamente, num golpe que tornou a Venezuela uma ditadura escancarada, com todo o poder concentrado no Executivo. Quando foi decretada a prisão do marido, ela fugiu do país e desde então viaja pelo mundo denunciando os crimes do regime.

A Venezuela vive sua pior crise econômica da sua história independente. O produto interno bruto deve cair mais de 12% neste ano, caracterizando uma depressão se somado aos resultados negativos dos últimos anos. A inflação pode chegar a 1.200%. Com o desbastecimento, mais de 80% dos produtos básicos estão em falta.

Com reservas cambiais em moedas fortes abaixo de US$ 10 bilhões, no início do mês, Maduro anunciou que o país não tem mais condições de pagar suas dívidas, estimadas em US$ 120 bilhões pelo boletim de notícias Dolar Today. 

Madurou chamou os credores para renegociar e nomeou o vice-presidente Tareck El Aissimi e o ministro da Fazenda como principais negociadores. Ambos estão numa lista de sancionados pelo governo dos Estados Unidos. Assim, os americanos não podem negociar com eles, sob as penas da lei.

Na primeira reunião com representantes dos credores, o vice-presidente falou sozinho e não apresentou planos nem propostas. Distribuiu chocolate e café da Venezuela, mas não respondeu a nenhuma pergunta.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Catalunha repudia discurso do rei da Espanha e vai declarar independência

Vinte e quatro horas depois do discurso do rei Felipe VI, o governador regional da Catalunha, Carles Puigdemont, criticou, em pronunciamento transmitido há poucos minutos pela televisão, a declaração real por não fazer um "apelo ao diálogo e à concórdia", informou o jornal La Vanguardia, de Barcelona. 

Depois do plebiscito ilegal reprimido com violência pela polícia espanhola no domingo passado, Puigdemont pediu a mediação da União Europeia e anunciou que vai declarar independência, provavelmente na próxima segunda-feira.

"Assim, não", reagiu o governador Puigdemont, em resposta ao discurso do rei, "você decepcionou muitos catalães. "A gente esperava de você um apelo ao diálogo e à concórdia. O rei ignora deliberadamente os milhões de catalães que não pensam como o gobierno", falando em catalão, mas se referindo ao governo central de Madri em castelhano.

Puigdemont lamentou que "o rei não tenha exercido o poder moderador que a Constituição lhe outorga" e citou a greve geral e as manifestações de massa de ontem, que reuniram 700 mil pessoas, para dizer: "Somos um povo unido, que sempre tenta fazer as coisas com civismo e paz", acrescentou, numa condenação implícita ao uso da força contra o plebiscito, que deixou mais de 800 feridos.

Hoje, os partidos favoráveis à independência, Junts por el Sí e Candidatura de Unidade Popular (CUP), fizeram o pedido para que o governador vá na segunda-feira ao Parlament apresentar os resultados do plebiscito de 1º de outubro. A CUP exige uma declaração unilateral de independência da Catalunha em 9 de outubro.

Cerca de 42,3% dos mais de 5 milhões de eleitores da Catalunha votaram em 1º de outubro. Quem é contra a independência boicotou o plebiscito e muitos eleitores foram impedidos de votar pela polícia espanhola. Pela primeira contagem oficial, 92% dos votantes aprovaram a independência, mas isso representa pouco menos de 38% do total do eleitorado, o que mina sua legitimidade.

Pela manhã, o porta-voz do govern, Jordi Turull, confirmou que a marcha rumo à independência está definida: quando a recontagem dos votos do plebiscito de 1º de outubro for concluída definitivamente, o resultado será levado ao Parlament, que vai declarar a independência da Catalunha.

A Espanha já deixou claro que vai rejeitar a proclamação. Pela Constituição de 1978, todo o país deve votar em plebiscitos sobre a independência e não apenas a região interessada. Por isso, o Tribunal Constitucional e o governo conservador do primeiro-ministro Mariano Rajoy consideram a consulta popular ilegal.

Está criada uma crise constitucional, agravada pela prepotência do governo Rajoy. Como a UE não quer estimular movimentos pela independência, anunciou que se trata de uma questão interna da Espanha. O governo catalão pede a intermediação em defesa dos direitos de seus cidadãos como cidadãos europeus.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Mais de 98% votaram contra a Constituinte de Maduro

Mais de 98% dos 7,6 milhões de venezuelanos que participaram de uma consulta popular realizada pela oposição rejeitaram a proposta do ditador Nicolás Maduro de convocar uma Assembleia Nacional Constituinte eleita por entidades leais ao regime chavista.  

Como próximos passos, a oposição venezuelana convocou uma greve geral para 21 de julho e anunciou a formação de um governo paralelo para fazer sombra a Maduro. 

O ditador da Venezuela insiste na convocação de uma Constituinte. Seu principal objetivo é tirar a legitimidade da Assembleia Nacional, onde a oposição elegeu uma maioria de dois terços.

Com sua nova Constituição, que revoga a Carta escrita e aprovada sob a inspiração do finado caudilho Hugo Chávez, Maduro ambiciona o poder absoluto e o fim das eleições democráticas.

Ao comentar o resultado ontem, o presidente da Assembleia Nacional, deputado Julio Borges, afirmou que na prática o mandato de Maduro está revogado.

Hoje à tarde, horas de milicianos chavistas se concentraram perto da sede da Assembleia Nacional. O Legislativo deve receber hoje o relatório final do Comitê de Postulantes às 33 vagas do Tribunal Supremo de Justiça e fazer as nomeações até sexta-feira, colocando-se em rota de colisão com o Executivo.

Pouco depois do meio-dia, a agência Bloomberg noticiou que os Estados Unidos podem impor sanções ao ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e ao ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello por causa das violações dos direitos humanos na repressão aos protestos populares, que não cessam desde o início de abril, com cerca de cem mortes.

A Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história independente, com queda de mais de 20% no produto interno bruto nos últimos anos, inflação de 950% e desabastecimento de mais de 80% dos produtos básicos.

Com ou sem Constituinte, Maduro não tem resposta para esses problemas. Limita-se a denunciar uma conspiração internacional liderada pelos EUA com a conivência das classes dominantes venezuelanas.

Os EUA, a União Europeia e o Brasil apoiaram o resultado do referendo e pediram ao governo que desista da Constituinte. O governo Donald Trump ameaça impor novas sanções, enquanto o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu a intermediação do ditador de Cuba, Raúl Castro, para negociar uma solução pacífica.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Parlamento Europeu suspende negociações UE-Turquia

Diante da onda de repressão e perseguição política desencadeada depois da tentativa de golpe contra o presidente Recep Tayyip Erdogan, o Parlamento Europeu pediu hoje à Comissão Europeia que suspenda as negociações para a adesão da Turquia à União Europeia.

Em 15 de julho, um grupo de oficiais militares supostamente ligados ao clérigo Fetullah Gulen, asilado nos Estados Unidos, tentou derrubar o governo. Mais de 300 pessoas foram mortas e outras 2 mil feridas.

Uma onda de expurgos e prisões sacudiu o setor público, a academia e o jornalismo. Mais de 100 mil turcos perderam seus empregos sob a acusação de colaborar ou simpatizar com o golpe fracassado. Pelo menos 40 mil pessoas foram presas.

O respeito à democracia e aos direitos humanos é um ponto fundamental para fazer parte da UE.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Rússia fecha escritório da Anistia Internacional em Moscou

A polícia da Rússia fechou o escritório da organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional em Moscou. As fechaduras e trancas foram trocadas, e a energia elétrica cortada, noticiou hoje o jornal americano The Washington Post.

A medida foi tomada um dia depois que dirigentes da Anistia pediram a libertação do dissidente político Ildar Dadin, que alega ter sido torturado na prisão. O Kremlin não comentou o caso.

O governo russo pressiona e ameaça regularmente as organizações não governamentais de defesa dos direitos humanos e outras ONGs estrangeiras em atuação no país.

Essa intimidação se tornou mais forte desde as manifestações de massa denunciando fraude nas eleições parlamentares de dezembro de 2011, que o presidente Vladimir Putin tomou como uma tentativa de promover uma primavera árabe na Rússia.

As relações entre Moscou e o Ocidente se deterioraram nos últimos anos com as intervenções militares russas na Ucrânia, em 2014, e na Síria, a partir de 2015.

quarta-feira, 30 de março de 2016

EUA cortam ajuda à Tanzânia por causa de fraude eleitoral

A Corporação Desafio do Milênio, uma agência de ajuda internacional do governo dos Estados Unidos cortou uma ajuda de US$ 472 milhões para um projeto de eletrificação na Tanzânia depois de uma fraude na eleição presidencial do arquipélago semiautônomo de Zanzibar, informou a televisão pública britânica BBC.

O presidente Ali Mohamed Shein foi reeleito com 91% dos votos na contagem oficial. A agência americana alega que as eleições não foram inclusivas nem representativas.

Os EUA também manifestaram preocupação com a Lei de Crimes Cibernéticos da Tanzânia, de 2015. A pretexto de combater o terrorismo, é um instrumento de repressão a dissidentes e à liberdade de expressão.

A Tanzânia é um país do Leste da África ou África Oriental, situado entre a região dos grandes lagos do centro da África e o Oceano Índico. Foi colônia alemã e passou ao Império Britânico depois da Primeira Guerra Mundial.

Depois da independência, Tanganica, a parte continental do país, e o arquipélago de Zanzibar se uniram para formar da República Unida da Tanzânia, em 1964. É hoje um país de 52 milhões de habitantes com renda média por pessoa inferior a mil dólares por ano.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Putin acusa Lenin por federalismo e fim da URSS

Numa rara crítica aos dirigentes do passado comunista, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, condenou o pai da União Soviética, Vladimir Ilich Ulianov (Lenin) e o regime bolchevique pela repressão brutal e pelo modelo federalista, que responsabilizou pelo fim da União Soviética.

Durante um encontro de militantes de seu partido, Rússia Unida, na cidade de Sevastopol, Putin abandonou ontem uma cautela atribuída ao desejo de evitar críticas aos comunistas para não perder votos. O atual homem-forte do Kremlin condenou a execução do último czar e sua família, as mortes de milhares de padres e acusou Lenin de armar uma "bomba-relógio" sob o Estado, noticiou o jornal inglês The Guardian.

Ao traçar fronteiras administrativas e introduzir o federalismo ao criar a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), em 1922, o regime bolchevique deu a elas em tese o direito de se separar. Se isso era praticamente impossível no período stalinista, tornou-se uma possibilidade com a crise econômica do país e a tentativa de golpe contra o presidente Mikhail Gorbachev, em 1991.

Como exemplo desse federalismo destrutivo de Lenin, Putin citou o vale do Rio Don, no Leste da Ucrânia, onde Moscou fomentou uma guerra civil a partir de abril de 2014, um mês depois da anexação ilegal da Crimeia, com mais de 9 mil mortes desde então. Lenin teria incluído a região para aumentar a população proletária na Ucrânia.

Putin afirmou ainda que Lenin estava errado numa disputa com o futuro ditador Josef Vissarianovich Djugachvili (Stalin), que defendia um Estado unitário. No passado, o atual líder russo condenou as perseguições políticas e milhões de mortes do stalinismo, mas reconheceu seu papel na vitória sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

Outra crítica de Putin foi ao acordo de paz firmado pelos bolcheviques com a Alemanha na Primeira Guerra Mundial, cedendo parte do território russo meses antes da rendição alemã: "Perdemos para o lado derrotado, um caso único na história."

Na mesma ocasião, o presidente russo afastou a possibilidade de retirar a múmia embalsamada de Lenin de seu túmulo na Praça Vermelha, descartando "qualquer medida capaz de dividir a sociedade".

Ex-agente do Comitê de Defesa do Estado (KGB), a temida polícia política da URSS, Putin considerou o fim do país "a maior catástrofe geopolítica do século 20" e se empenha para restaurar pelo menos parte do poder imperial soviético.

O dirigente russo disse que acreditava na ideologia comunista e nas promessas de uma sociedade mais justa que "se assemelhava muito à Bíblia", mas admitiu que "o país não parecia a Cidade do Sol" idealizada pela utopia socialista.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Egito condena presidente deposto a 20 anos de prisão

O único presidente eleito democraticamente da história do Egito, Mohamed Mursi, deposto por um golpe militar em 3 de julho de 2013, foi condenado hoje a 20 anos de prisão por sequestro, tortura e incitação à violência na repressão aos protestos contra seu governo em 2012.

Desde dezembro de 2013, seu movimento político, a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico do mundo, é considerado terrorista pela Justiça egípcia. Centenas de militantes foram condenados, inclusive o supremo líder espiritual do grupo, Mohamed Badie, sentenciado à pena de morte. Ainda cabem recursos no seu caso e no de Mursi.

O ex-presidente e outros três partidários da Irmandade estavam numa cela instalada dentro do tribunal. Quando ouviram a sentença, transmitida ao vivo pela televisão, os três gritaram: "Alá é grande!"

terça-feira, 6 de maio de 2014

ONG denuncia tortura e repressão na Venezuela

Com brutalidade policial, tortura e ataques de milícias aliadas, o governo da Venezuela está atropelando os direitos humanos para reprimir a onda de manifestações contra o regime chavista do presidente Nicolás Maduro, denunciou ontem a organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos).

Pelo menos 40 pessoas foram mortas pela violência política desde 12 de fevereiro de 2014. A ONG cobra uma atuação mais decisiva da União das Nações Sul-Americanas (Unasul)

Ao combater os protestos da oposição, a polícia e a Guarda Nacional Bolivariana usam tanto armas letais quanto de efeito moral indiscriminadamente, além de espancar os manifestantes, diz o relatório Punidos por protestar: violações de direitos nas ruas, centros de detenção e no sistema judicial da Venezuela. Há prisões sem provas, justificativas ou mandado judicial. Os detidos são submetidos a torturas com choques e queimaduras.

"Chamam a atenção a virulência e a brutalidade da repressão, o fato de ser prolongada, o uso de civis armados, a negação do que está ocorrendo e a conivência da Justiça, especialmente do Ministério Público", declarou José Miguel Vivanco, diretor da HRW para a América. "É uma anomalia. Há comentários do presidente amplamente documentados que podem ser identificados como incitação à violência. Não é possível que ele não saiba o que está acontecendo."

As milícias chavistas agem com total liberdade e impunidade, acrescenta o relatório. Há pelo menos 13 casos de jornalistas perseguidos e agredidos, e suas fotos e vídeos, destruídas. O Poder Judiciário, dominado pelo regime, realiza julgamentos de madrugada. Não respeita prazos nem o direito à ampla defesa.

"Não são raras as manifestações por melhores condições de vida na região, como aconteceu no ano passado no Brasil, no Chile e no México. Também não é raro o uso excessivo da força pela polícia como aconteceu no Brasil, no Chile, no México e na Colômbia. Mas, quando houve excessos, presidente democráticos como Dilma Rousseff condenaram claramente a violação dos direitos humanos, uma situação bem distinta dos governantes da Venezuela", observou Vivanco.

Com a hiperinflação, o desabastecimento, um dos maiores índices de homicídio do mundo e agora também a violência política quotidiana, oito em cada vez venezuelanos consideram ruim a situação do país. A aprovação a Maduro caiu de 47% no início de fevereiro, antes do início da onda de protestos, para 37% em abril.

Para a HRW, o apoio do ex-presidente Lula à eleição de Maduro, em 2013, e o entusiasmo do assessor especial da Presidência da República para questões internacionais, Marco Aurélio Garcia, com os governos bolivaristas do subcontinente criam "sérios problemas de crebilidade" para a política externa brasileira.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

UE condena cassação de oposicionistas na Venezuela

A União Europa considera ilegais as cassações da deputada María Corina Machado, que esteve recentemente no Brasil, e de prefeitos da oposição que se negaram a seguir a estratégia de repressão do governo contra as manifestações de protesto contra a inflação, o desabastecimento, a violência e a censura.

Para o porta-voz para a América da diplomacia europeia, Christian Leffler, em entrevista à Folha de S. Paulo, "a cassação de uma deputada sem nenhum processo legal e a destituição de prefeito em bases que não são claras não são compatíveis com os padrões democráticos básicos."

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Bispos e ONGs denunciam repressão na Venezuela

A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) e 22 organizações não governamentais de defesa dos direitos humanos divulgaram notas defendendo o direito de livre reunião e manifestação. Elas denunciaram que ao reprimir os protestos contra o regime chavista policiais e militares violaram os direitos humanos, que a população tem sido vítima de grupos armados paramilitares e que são necessárias investigações independentes sobre todos esses crimes.

"Rechaçamos profundamente o uso da força exercido em algumas manifestações pelos organismos de segurança do Estado, que excederam os limites e produziram consequências irreparáveis. Comprovamos também a situação indefesa da cidadania diante de grupos armados não militares nem policiais que arremeteram contra a população", diz o comunicado da CEV.

Pelo menos 13 pessoas morreram nas manifestações de rua realizadas desde 12 de fevereiro de 2014 em Caracas e outras cidades da Venezuela.

O clero venezuelano adverte que é necessário processar e punir os responsáveis: "A Procuradoria deve investigar esses casos e entregar à Justiça os membros dessas organizações que tenham abusado de sua autoridade. É preciso chegar à verdade. Foi proposta a criação de uma comissão da verdade. Não é para favorecer um setor em detrimento de outro. É para que a Venezuela descubra quem delinquiu e imponha sua pena, seja quem seja. Daí a necessidade de pluralismo na comissão."

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Cinco pessoas morrem em protestos na Ucrânia

Pelo menos cinco pessoas morreram no quarto dia seguido de protestos na Ucrânia contra uma nova lei que proíbe manifestações públicas. Quatro homens foram mortos a tiros pela polícia e outro ao cair de um lugar alto.

O presidente Viktor Yanukovitch recebeu um grupo de oposicionistas, mas não há perspectiva de solução rápida da crise. O primeiro-ministro Mikola Azarov acusou a oposição de levar "terroristas" para as manifestações e de "ações criminosas" ao convocar os protestos.

A oposição exige a dissolução do Parlamento e a antecipação da eleição presidencial. O movimento de protesto começou há dois meses, quando o governo ucraniano abandonou negociações de livre comércio com a União Europeia, sob pressão da Rússia. Como depende economicamente, entre outras coisas, do gás russo, a Ucrânia cedeu, mas parte da população ficou inconformada.

Entre a oposição liberal pró-europeia, a sensação é que a Europa poderia ter feito mais política economicamente para atrair a Ucrânia. Como houve apenas críticas diplomáticas, sem a adoção de sanções ou outras medidas práticas de retaliação, só restou à oposição ucraniana ocupar a Praça da Independência, em Kiev. A alternativa é voltar para casa e esperar a eleição presidencial de 2015.

Depois de dois meses, havia uma certa fadiga de manifestações quando o governo aprovou, na semana passada, uma lei proibindo protestos não autorizados, sob pena de multa equivalente a R$ 670. Foi suficiente para a multidão voltar às ruas.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

China reprime com violência protesto no Tibete

Pelo menos cinco estudantes estão gravemente feridos e outros 15 hospitalizados depois que a polícia da China reprimiu com violência, na segunda-feira, manifestantes tibetanos que defendiam o direito de ser educados e poder falar na sua própria língua. O confronto aconteceu na província de Qinghai, no Leste do país.

Nos últimos dias, mais cinco tibetanos se atearam fogo em proteso contra o regime comunista chinês, informam o movimento Tibete Livre e a Rádio Ásia Livre. Com essas autoimolações, só neste mês pelo menos 22 tibetanos se atearam fogo; desde 2009, foram 86.

Mais de mil manifestantes, na maioria estudantes e professores, protestaram na região autônoma de Hainã, que os tibetanos chamam de Tsolho, para protestar contra as políticas de assimilação cultural do regime comunista chinês, exigir respeito às minorias e o direito de falar e ser educado na sua própria língua.

Os estudantes se concentraram diante da Escola Sorig Lobling, na cidade de Chabcha, às 5h40 de segunda-feira. Às 9h, a polícia atacou a manifestação com violência. Vários manifestantes foram hospitalizados, reporta o jornal The New York Times.

As províncias de Gansu, Qinghai e Sichuã e a região supostamente autônoma do Tibete macrorregião conhecida como Grande Tibete, de cerca de 1,1 milhão de quilômetros quadrados, 11,5% do território da China.

O regime comunista chinês, que luta para reconstruir a grandeza do passado imperial, não admite ceder o Tibete, integrado à China no século 13, quando ambos eram dominados pelo Império Mongol. Teme ainda que um Tibete independente reivindique a soberania por todo o Grande Tibete.

No século 20, o Tibete foi independente do fim do império chinês, em 1912, até sua ocupação pelo Exército Popular de Libertação em 1951, depois da vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung.

Desde então, os comunistas, que encaram o lamaísmo e a devoção ao Dalai Lama como resquícios da Idade Média, fazem uma política de assimilação cultural, com a migração forçada de chineses da etnia Han, combate à religião e à cultura tibetanas, proibição de uso da própria língua e outras medidas. Os tibetanos tomam isso como uma destruição de seu modo de vida. Por esta razão, estão se queimando vivos.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Número de presos políticos em Cuba aumenta

Com uma nova onda de repressão lançada pela ditadura dos irmãos Castro, o número de presos políticos em Cuba subiu para 67 nos últimos meses, denunciou ontem a Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, ilegal mas tolerada pelo regime comunista.

Em abril, havia 50 presos políticos em Cuba. Outros 15 dissidentes estavam em liberdade condicional. Durante o mês de outubro, houve "pelo menos 520 prisões arbitrárias por motivos políticos". O total desde o início do ano subiu para 5.625, 36% a mais do que as 4.123 detenções de todo o ano de 2011.