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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Iraniana ganhadora do Nobel de Paz prevê fim da República Islâmica

A advogada e defensora dos direitos humanos iraniana Shirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2003, vê o início do fim da ditadura teocrática do Irã nas manifestações de protesto, no momento em que os Estados Unidos cogitam enviar mais 14 mil soldados para o Oriente Médio tendo em vista a República Islâmica.

Em entrevista à televisão francesa France 24, Shirin Ebadi descreveu a repressão às atuais manifestações de protesto contra o regime dos aiatolás como a mais violenta desde a vitória da Revolução Islâmica, em 1979.

Os protestos começaram em 15 de novembro, depois de um aumento de 300% no preço da gasolina. O número de mortos é estimado entre 300 e 500 pessoas. Mais mil pessoas foram feridas e 7 mil presas. A ditadura cortou a Internet para dificultar a mobilização popular. 

Para Shirin Ebadi, quanto mais fraco é um regime mais violenta é a repressão: “Estamos assistindo ao início do fim do regime fundamentalista islâmico. É claro que isto é um processo que vai durar anos, mas a hora vai chegar. O povo está revoltado, a corrupção é enorme e a desigualdade também. 90 por cento vivem mal, enquanto 10 por cento são muito ricos”, disse ela. “A censura é muito forte. O regime não tolera qualquer contestação.” Meu comentário: 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Irã condena correspondente do jornal The Washington Post

A República Islâmica do Irã condenou hoje o chefe do escritório do jornal The Washington Post em Teerã, Jason Rezaian, acusado de espionagem e de fazer propaganda contra o regime fundamentalista, mas não esclareceu por qual acusação ele foi considerado culpado.

O veredito foi amplamente repudiado por parentes, amigos e colegas de Rezaian. A televisão estatal e a agência de notícias Estudantes Iranianos citaram como fonte Gholam Hossein Mohseni-Ejei, porta-voz do Tribunal Revolucionário de Teerã, um linha dura que criticou o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif por apertar a mão do presidente Barack Obama.

Filho de um emigrante iraniano que chegou aos Estados Unidos em 1959, Rezaian nasceu no Marin County, na Califórnia, e tem dupla nacionalidade. Foi morar no Irã, onde trabalhava para a imprensa dos EUA. Estava no Post desde 2012.

Em 22 de julho de 2014, a polícia invadiu sua casa e prendeu Rezaian e sua mulher, levando-os para uma prisão onde são detidos intelectuais e dissidentes do regime dos aiatolás. A mulher foi solta dois meses depois, mediante pagamento de fiança.

Seu processo se enquadra na resistência de setores mais conservadores do regime fundamentalista iraniano em relação aos EUA. Faz parte do plano de sabotagem do acordo nuclear firmado pelo Irã com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas para desarmar o programa nuclear do país e evitar que faça a bomba atômica.

Em 20 de abril de 2015, Rezaian foi formalmente acusado de espionagem e "propaganda contra a ordem estabelecida". Hoje, o porta-voz do Tribunal Revolucionário não deu mais detalhes sobre a condenação.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Iraniana é condenada a um ano de prisão por ir a jogo de vôlei

Ghoncheh Ghavami

Uma advogada iraniana de 25 anos residente em Londres foi condenada a um ano de prisão anteontem no Irã depois de ser presa por ir a um jogo de vôlei masculino, em 20 de junho de 2014, informou a televisão pública britânica BBC. Desde ontem, faz greve de fome.

Ghoncheh Ghavami foi acusada de fazer propaganda contra o regime fundamentalista iraniano por participar de uma manifestação diante do ginásio onde o Irã enfrentava a Itália pelo direito de mulheres assistirem a espetáculos esportivos masculinos.

As mulheres já eram proibidas de ir a jogos de futebol na República Islâmica do Irã. Desde 2012, o vôlei masculino foi incluído na lista negra.

Ghavami, formada em direito pela Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, tem dupla nacionalidade, é britânico-iraniana, mas o regime dos aiatolás não reconhece a cidadania britânica. Ela foi ao Irã visitar a família.

Em protesto por ter sido colocada em isolamento, Ghavami fez duas semanas de greve de fome a partir de 1º de outubro. A família anunciou ontem que ela voltou a fazer greve de fome contra a "prisão ilegal".

A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional a considera uma presa política. Mais de 700 mil pessoas já assinaram uma petição online pela sua libertação.

Seu caso se insere na queda de braço entre conservadores e moderados sobre o futuro do Irã e de sua revolução islâmica. O país se ocidentalizou durante a ditadura do xá Reza Pahlevi (1953-79). A revolução foi uma reação.

Depois da queda do xá, em 11 de fevereiro de 1979, houve uma luta pelo poder dentro da revolução. O clero conservador, única instituição não governamental organizada no país, afastou os grupos liberais e socialistas em batalhas campais épicas.

Os Estados Unidos, que apoiaram o golpe de 1953 contra o primeiro-ministro nacionalista Mossadegh, foram demonizados pelos aiatolás e vistos como fontes de todo o mal. Em 4 de novembro de 1979, militantes revolucionários tomaram a Embaixada dos EUA em Teerã e mantiveram 52 pessoas como reféns durante 444 dias. Os dois países jamais reataram relações diplomáticas.

Sob suspeita de estar desenvolvendo armas atômicas em seu programa nuclear, o Irã está sob a ameaça de um bombardeio israelense que depende do aval e do apoio dos EUA. É alvo de sanções internacionais lideradas pelos EUA e a União Europeia. Desde 2011, o Banco Central do Irã não pode nem fazer a compensação de operações em dólar.

Com a economia em crise, em junho de 2013, foi eleito presidente o aiatolá moderado Hassan Rouhani com a proposta de se reaproximar dos EUA e negociar a questão nuclear em troca do fim das sanções. Depois de um discurso conciliatório na Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro do ano passado, as negociações começaram.

Há um prazo-limite, 24 de novembro de 2014, para concluir as negociações. As grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança da ONU (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido) e a Alemanha exigem que o Irã pare de enriquecer urânio e abra suas instalações a inspeções irrestritas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O regime teocrático iraniano nega estar fazendo a bomba e insiste no direito de enriquecer urânio para fins pacíficos.

É improvável um acordo no fim deste mês, mas EUA e Irã parecem decididos a não desperdiçar a oportunidade para se reaproximar. A linha dura do regime dos aiatolás é contra. Considera a bomba atômica essencial para garantir a sobrevivência da revolução islâmica. E o fim das sanções reabriria o país, tirando-o do isolamento que afasta as influências estrangeiras.

Neste contexto, a condenação de Ghavami pode ser interpretada como parte da reação conservadora à reaproximação com o Ocidente. A polícia religiosa a prendeu porque ela representa a mulher livre, cosmopolita e ocidentalizada que luta pelos seus direitos contra uma sociedade machista e conservadora onde as mulheres ainda são responsabilizadas por seus próprios estupros.

Apesar da censura, da discriminação e do uso obrigatório do véu islâmico, as mulheres árabes que visitam Teerã se sentem muito mais livres no Irã do que nos seus países de origem. Na Arábia Saudita, não podem nem dirigir. No Afeganistão dos Talebã, que seguem a mesma corrente religiosa do Estado Islâmico, as mulheres não podiam trabalhar fora nem sair de casa desacompanhadas de um homem da família. Num país em guerra, muitas passaram fome.

O Irã é assim um misto de modernidade e conservadorismo religioso com uma classe média vibrante e ocidentalizada, que acredita na educação como meio de subir na vida. Se na Arábia Saudita, a maioria dos jovens se volta para o islamismo radical como solução para os problemas do mundo contemporâneo, no Irã, a juventude se inspira no Ocidente e admira seu desenvolvimento científico e tecnológico.

A maior esperança de melhoria da condição feminina no Irã está num acordo nuclear com as potências ocidentais, na reaproximação com a Europa e os EUA, e em reformas graduais promovidas pelos interessados em normalizar o país.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Khamenei: EUA derrubariam regime se pudessem

O Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica no Irã, aiatolá Ali Khamenei, não tem dúvidas: se pudessem, os Estados Unidos derrubariam imediatamente o regime fundamentalista iraniano. Mas ele defendeu o presidente Hassan Rouhani e pediu tolerância aos oponentes das negociações com as grandes potências sobre o programa nuclear do país.

"Os representantes americanos mentem quando dizem a nossas autoridades nas negociações que não querem mudança de regime", comentou o ditador iraniano. "Estão mentindo porque não hesitariam no momento em que tivessem condições para fazer isso."

Khamenei acrescentou que o Irã não deve tentar recuperar sua economia com a suspensão das sanções internacionais e, sim, através de inovações tecnológicas feitas em casa. Embora repudie o imperialismo ocidental, o Supremo Líder reconhece a superioridade tecnológica ocidental e gostaria que o Irã seguisse o Ocidente neste aspecto.

Ao líder com seus inimigos, observou o homem-forte do Irã, o país deve estar preparado para mudar de tática sem abrir mão de seus princípios fundamentais.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Funeral vira protesto contra ditadura no Irã

Dez dias antes da eleição presidencial de 14 de junho de 2013, em que só participam candidatos aprovados pelo regime fundamentalista do Irã, o funeral de um clérigo dissidente na cidade histórica de Isfahã terminou em protesto.

A multidão pedia "morte ao ditador", numa referência ao líder espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, "liberdade para os presos políticos" e "liberdade para Mussavi e Karroubi", dois oposicionistas derrotados na fraudulenta eleição presidencial de 2009.

Dezenas de milhares de iranianos participaram ontem do enterro do aiatolá Jalaludin Taheri, que morreu aos 87 e era um crítico da linha dura que domina o Irã. Foi o maior protesto desde a onda de manifestações do Movimento Verde, que apoiava Mir Hussein Mussavi há quatro anos.

Mussavi e Karroubi estão em prisão domiciliar desde aquela época. Quando começaram as revoltas da chamada Primavera Árabe, havia expectativa de que o mesmo pudesse acontecer no Irã, mas a ditadura  teocrática dos aiatolás conseguiu mais uma vez reprimir a oposição.

O favorito para a eleição presidencial é o principal negociador nuclear do país, Said Jalili, de 47 anos, que teria o apoio do aiatolá supremo.

Dois candidatos importantes foram rejeitado pelo Conselho dos Guardiães da Constituição, o ex-presidente Ali Akbar Hachemi Rafsanjani (1989-97), derrotado pelo atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, no segundo turno em 2005, e Esfandiar Machaie, chefe de gabinete e principal assessor de Ahmadinejad, que perdeu o apoio de Khamenei.

Assim, os reformistas apostam no ex-negociador nuclear Hassan Rohani, que seria mais moderado, mas não acreditam que Khamenei aceite sua vitória num possível segundo turno.

Em 2009, o presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad, que não pode se candidatar à reeleição, foi reeleito no primeiro turno sob fortes suspeitas, com 64% dos votos. Ao contrário das eleições anteriores, a apuração foi centralizada no Ministério do Interior.

Durante toda a apuração, realizada em seis horas, praticamente não houve variação percentual na votação dos candidatos. Karroubi teve 0,38% dos votos, muito menos do que na eleição anterior. Como  só o próprio regime investigou as denúncias de fraude e admitiu erros menores que não afetaram o resultado, só há provas circunstanciais