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segunda-feira, 9 de março de 2026

Irã resiste e se radicaliza com guerra de EUA e Israel

Depois de mais de 5 mil ataques em 10 dias, diante da disparada nos preços do petróleo, o presidente Donald Trump declarou hoje que a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã está "praticamente concluída". Mas a ditadura teocrática iraniana está determinada a resistir. Se sobreviver, terá ganho.

A eleição de Mojtaba Khamenei (foto), de 56 anos, para substituir o pai, morto no primeiro dia da guerra, como Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, é um sinal de endurecimento do regime, da rejeição à exigência de rendição total feita por Trump. O turbante preto significa que ele se apresenta como descendente direto do profeta Maomé.

O barril de petróleo chegou a US$ 119,50 nesta segunda-feira, a maior cotação em quase quatro anos. Recuou para menos de US$ 90 porque Trump acenou com a possibilidade de um fim rápido da guerra, "mas não nesta semana". Se o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, continuar fechado, o banco Goldman Sachs prevê que o barril chegue a US$ 150. Seria a maior cotação nominal da história.

Ao mesmo tempo em que abala a economia mundial, o Irã ataca os países árabes onde há bases dos EUA para pressionar esses países a convencer Trump a parar com a guerra. Mas a expectativa é de um conflito prolongado. E sempre há o risco de terrorismo.
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Fevereiro

 NASCE THOMAS EDISON

    Em 1847, nasce em Milan, no estado de Ohio, Thomas Alva Edison, o maior inventor de todos os tempos, que registra 1.093 patentes nos Estados Unidos e 2 mil no mundo inteiro. 

Edison recebe pouca educação formal, como acontece com a maioria dos norte-americanos na época. Com problemas de audição desde a infância, começa a trabalhar como operador de telégrafo aos 16 anos e logo usa sua engenhosidade para aperfeiçoar o sistema.

A partir de 1869, Edison torna-se inventor em tempo integral. Em 1876, ele se muda para um laboratório em Menlo Park, em Nova Jérsei, onde inventa o fonógrafo no ano seguinte tentando criar uma máquina para gravar conversas telefônicas.  Passa a ser conhecido como o Gênio de Menlo Park.

É o primeiro grande sucesso. Edison e sua equipe inventam a lâmpada de filamento incandescente em 1879 e precursores da câmera e do projetor de cinema nos anos 1880.

Sua maior contribuição é no campo da eletricidade. Edison desenvolve um sistema de distribuição de luz e energia, cria em Nova York a primeira usina de energia elétrica, inventa a bateria alcalina e o trem movido a energia elétrica. Ao todo, registra 1.093 patentes nos EUA e mais de 2 mil contando as invenções patenteadas no exterior.

O fonógrafo vai sendo aperfeiçoado na maneira de gravar e reproduzir até o surgimento disco musical de 78 rotações por minutos em 1915. Cada lado toca por 4 minutos e 30 segundos em média. 

Em 1948, a Columbia Records lança o LP (long playing) de 33,3 rpm, com cerca de 30 minutos de gravação de cada lado. 

A gravação estereofônica, em dois canais de som distintos, surge em 1958 e cria o som de alta fidelidade. 

TRATADO DE LATRÃO

    Em 1929, o ditador fascista Benito Mussolini e o representante do Vaticano Pietro Gasparri assinam o Tratado de Latrão, em que a Itália reconhece a soberania papal sobre a Cidade do Vaticano, um enclave de 45 hectares dentro de Roma.

Pelo tratado, o Vaticano reconhece a existência da Itália, com capital em Roma. Desde 1985, o catolicismo deixa de ser a religião oficial da Itália. Com isso, a educação religiosa para de ser obrigatória em escolas públicas.

REVOLUÇÃO ISLÂMICA

    Em 1979, semanas depois da fuga do xá Reza Pahlevi, a Revolução Islâmica toma o poder no Irã e impõe uma ditadura teocrática do fundamentalismo xiita.

O xá assume poderes ditatoriais depois do primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) durante a Guerra Fria, em 19 de agosto de 1953, contra o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, que nacionalizara a companhia petrolífera Anglo-Iranian Oil.

Durante 26 anos, o xá é um aliado dos EUA durante a Guerra Fria, com uma ditadura secularista, pró-ocidental e anticomunista. Em 1963, Pahlevi adota um programa de modernização da sociedade iraniana que enfrenta forte oposição do clero muçulmano. Depois de ser preso duas vezes, em 1964, o aiatolá Ruhollah Khomeini foge para o exílio na Turquia, no Iraque e na França.

A onda de protestos contra o regime começa em outubro de 1977 e se transforma numa grande campanha de desobediência civil. No fim de 1978 , manifestações e greves no setor petrolífero, base da economia iraniana, paralisam o país.

Pahlevi foge do país em 16 de janeiro e deixa no poder o primeiro-ministro Shapour Bakhtiar, oriundo da oposição. Seu governo convida Khomeini a voltar ao Irã, o que acontece em 1º de fevereiro. 

NELSON MANDELA LIVRE

    Em 1990, Nelson Mandela, o líder da luta da maioria negra contra o regime segregacionista do apartheid, é libertado depois de 27 anos de prisão e começa a negociar o fim da ditadura da minoria branca na África do Sul. 

Até sua imagem era proibida no país. A pneumonia que o mata em 5 de dezembro de 2013 é resultado das condições desumanas na prisão da Ilha de Robben, onde fica 16 anos.

Influenciado pelas ideias do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, baseadas na resistência pacífica e desobediência civil do naturalista norte-americano Henry David Thoreau, Mandela entra nos anos 1940 para a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA). Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 1960, o CNA parte para a luta armada.

Nelson Mandela se torna líder do braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação). Quando volta de treinamento militar no exterior, é preso, em 1962, e condenado à morte em 1964. A sentença depois é reformada para prisão perpétua. Durante o julgamento, ele declara estar lutando contra a ditadura da minoria branca e promete lutar contra uma ditadura da maioria negra.

Nos momentos mais violentos da guerra civil não declarada da África do Sul, o regime racista apela a Mandela, que sempre insiste que presos não podem negociar.

Diante da grande pressão internacional, do boicote internacional à economia sul-africana e do fim da Guerra Fria, ao tomar posse, em 1989, o último presidente branco da África do Sul, Frederik de Klerk, anuncia a intenção de libertar Mandela e negociar o fim do apartheid. Ambos ganham o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Depois de negociações tensas e difíceis, em 27 de abril de 1994, Mandela assume como o primeiro presidente eleito democraticamente da África do Sul. Convida para a posse um de seus carcereiros. Fiel à democracia, ao contrário da maioria dos líderes africanos, deixa o governo depois do primeiro mandato.

A data de nascimento Mandela, 18 de julho de 1918, é transformada pela ONU em Dia Internacional Nelson Mandela pela liberdade, justiça e democracia.

QUEDA DE MUBARAK

    Em 2011, durante a Primavera Árabe, cai Hosni Mubarak, ditador do Egito desde o assassinato de Anuar Sadat, em 6 de outubro de 1981.

A Primavera Árabe é uma onda de revoltas populares contra ditaduras que começa na Tunísia quando o engenheiro desempregado Mohamed Abouazizi, que trabalha como camelô, tem a mercadoria e a balança roubadas por um fiscal e se autoimola diante da Prefeitura de Ben Arous.

Quando ele morre, 18 dias depois, em 4 de janeiro, a revolta toma conta das ruas. Em 14 de janeiro, o ditador Zine el-Abidine ben Ali renuncia e foge do país depois de ficar 23 anos no poder.

Em 25 de janeiro, a revolta chega ao Egito, o maior e mais populoso país árabe. A polícia reprime com violência as manifestações. Pelo menos 846 pessoas morrem e mais de 6 mil saem feridas. Mais de 90 delegacias de polícia são incendiadas até que o Conselho Superior das Forças Armadas depõe Mubarak.

O Egito realiza suas primeiras eleições democráticas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, vence. Controla o Parlamento e elege o presidente Mohamed Mursi. Ele governa de 30 de junho de 2012 a 3 de julho de 2013, quando é deposto pelo atual ditador, marechal Abdel Fatah al-Sissi.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Janeiro

 PRIMEIRO EUROPEU NO HAVAÍ

    Em 1778, o navegador britânico James Cook chega a Waimea, na ilha de Kauai, e se torna o primeiro europeu a visitar o Havaí.

Cook nasce em 27 de outubro de 1728, em Marton-in-Cleveland, no Condado de York, na Inglaterra, filho de um agricultor que emigrou da Escócia. Ao perceber que o menino é inteligente, o patrão do pai paga os estudos até 12 anos. Um estágio numa cidade costeira de Whitby o põe em contato com o mar.

Aos 18 anos, Cook começa como aprendiz de marinheiro. Aos 21 anos, está pronto para grandes viagens. De início, trabalha nas águas perigosas do Mar do Norte, em navios de 300 a 400 toneladas. Ganha experiência para grandes viagens. Promovido a piloto, entra para a Marinha Real.

Ele vai duas vezes ao Canadá, em 1759 e 1763-67. Como capitão, faz três viagens ao Oceano Pacífico, em 1768-71, 1772-75 e 1776-79. Vai da Antártida ao Estreito de Bering, das costas da América do Norte à Austrália, à Nova Zelândia e ao Havaí. Com uma dieta de agrião, chucrute e um extrato de laranja, seus marinheiros não morrem de escorbuto, uma doença causada por falta de vitamina C.

PAPEL DA SUPREMA CORTE

    Em 1801, o presidente John Adams nomeia John Marshall como quarto presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos. Talvez seja o juiz mais importante da história do país, decisivo para estabelecer o papel constitucional da Corte como revisora das leis e intérprete da Constituição.

John Marshall nasce em 24 de setembro de 1755 numa cabana de madeira perto de Germantown, hoje Midland, na colônia da Virgínia. É o mais velho de 15 filhos de Thomas Marshall, um xerife e juiz de paz que chega a ter 80 mil hectares de terra na Virgínia e no Kentucky.

Quando começa a guerra da independência dos EUA, em abril de 1775, ele e o pai entram para um regimento na Virgínia. Em 1776, John entra para o Exército Continental e serve três anos sob o comando de George Washington em Nova Jérsei, em Nova York e na Pensilvânia. Chega ao posto de capitão e deixa o Exército em 1779.

Seu único estudo formal de direito foi uma série de palestras dadas por George Wythe no William and Mary College, na Virgínia em 1780. Em agosto daquele ano, Marshall consegue uma licença para atuar como advogado. Ele não participa da Convenção Constitucional que redige a Constituição dos EUA, mas faz campanha pela ratificação pelos estados.

Quando a Constituição entra em vigor, Washington lhe oferece um cargo de procurador federal na Virgínia e depois de procurador-geral, que nos EUA equivale a ministro da Justiça. Marshall recusou. Líder do Partido Federalista, de Alexander Hamilton e John Adams, está mais interessado na política estadual da Virgínia.

Em 1800, Marshall rejeita um convite para ser secretário da Guerra, mas aceita ser secretário de Estado, posição que ocupa até ser nomeado para a Suprema Corte.

O caso mais importante, Marbury x Madison, em 1803, consolida o o direito do supremo tribunal norte-americano de declarar leis inconstitucionais e solidifica a posição do Judiciário como um poder do mesmo nível do Executivo e do Judiciário.

Marshall participa de mais de mil julgamentos. Em mais de 500, é o relator. Assim, ajuda a forjar o papel da Corte e a natureza do governo dos EUA.

REFÉNS NO IRÃ SOLTOS

    Em 1981, minutos depois da posse de Ronald Reagan como presidente dos Estados Unidos, ativistas revolucionários iranianos libertam 52 reféns detidos há 444 dias, desde 4 de novembro de 1979, na embaixada norte-americana em Teerã.

O conflito entre EUA e Irã tem origem no golpe militar de 19 de agosto de 1953, o primeiro articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência) durante a Guerra Fria com o apoio do Reino Unido e a aprovação do presidente Dwight Eisenhower e primeiro-ministro Winston Churchill. Cai o primeiro-ministro nacionalista Mohammed Mossadegh, que estatizou o petróleo da Anglo Iranian Oil, e ascende ao poder o xá Reza Pahlevi.

Com o apoio dos EUA, o xá impõe uma ditadura secularista e anticomunista aliada do Ocidente na Guerra Fria, com uma polícia política, a Savak, acusada de prender e torturar adversários do regime, além de milhares de mortes.

A Revolução Iraniana começa com uma onda de greves no setor de petróleo que abala a economia do país em 1978. O clero conservador dominado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini era a instituição com força para tomar o poder.

Khomeini volta do exílio em Paris em 2 de fevereiro de 1979. O xá cai em 11 de fevereiro. Para o regime dos aiatolás, os EUA são o Grande Satã que sustentou a ditadura durante décadas.

O radicalismo e o ódio aos EUA levam à invasão da Embaixada Norte-Americana em Teerã em 4 de novembro de 1979 e a tomada dos diplomatas e funcionários como reféns, uma humilhação para o presidente Jimmy Carter, aliado do xá. O governo Carter tenta resgatar os reféns. 

A Operação Garra de Águia fracassa com a entrada de areia do deserto nos motores de helicópteros dos EUA. Um civil iraniano e oito militares americanos morrem quando um helicóptero cai sobre um avião de transporte de tropas.

Essa sucessão de derrotas e humilhações de Carter contribui junto com a inflação elevada para a vitória de Ronald Reagan na eleição presidencial de 1980. Ele negocia a libertação dos reféns para o dia de sua posse.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Irã clama por liberdade

Quarenta e sete anos depois da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, a ditadura teocrática do Irã enfrenta seu maior desafio, uma revolta popular sem precedentes, com mais de 2,5 mil mortes. 

O presidente Donald Trump ameaçou bombardear alvos do regime fundamentalista xiita se manifestantes fossem mortos. O ataque, ilegal à luz do direito internacional, pode acontecer neste fim de semana e iniciar uma nova guerra no Oriente Médio.

A atual onda de manifestações começou em 28 de dezembro no Grande Bazar, o mercado central de Teerã, em protesto contra a desvalorização da moeda e a inflação. Espalhou-se pelas 31 províncias do país. Em 8 de janeiro, o governo iraniano bloqueou a Internet e os telefonemas internacionais. No domingo passado, o massacre se tornou evidente nas imagens que conseguiram ser divulgadas no exterior.

 Não há garantia de que uma intervenção militar seja capaz de derrubar a ditadura. Bombardeios aéreos não têm como impedir as forças de segurança de continuar matando manifestantes. Mas regime dos aiatolás e da Guarda Revolucionária perdeu toda e qualquer legitimidade. Está condenado.

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terça-feira, 4 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

 TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do faraó-menino, que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

O tesouro de Tutancâmon está no recém-inaugurado Grande Museu do Egito, o maior museu antropológico do mundo.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os 66 diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba com a posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

Semanas depois, 13 reféns, na maioria negros e mulheres, são libertados. Outro refém é solto por motivos de saúde. Os outros 52 são mantidos em cativeiro até o fim da ocupação.

Até hoje, os dois países não reataram as relações diplomáticas, embora tenham negociado um acordo em 2015 junto com os outros membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) para desarmar o programa nuclear iraniano. 

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela polícia, Amir, de 27 anos, um estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasce em 1º de março de 1922 Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordânia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudam em 4 de agosto de 1961. 

Quando os pais se separam, a mãe se casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato presidencial na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeia John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton. Na eleição, realizada menos de dois meses depois do colapso do banco Lehman Brothers, que deflagra uma crise financeira internacional, derrota o senador republicano John McCain, um veterano de guerra que passou cinco anos e meio preso no Vietnã do Norte.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima. Mais de 190 países se comprometem a adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

O Acordo Quadro sobre Mudança do Clima é negociado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). É o início da ação global para evitar que a concentração de gases carbônicos na atmosfera por causa da atividade humana eleve demais a temperatura da Terra. Desde então, são realizadas conferências das partes (CoPs) do acordo.

Em 1997, é assinado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países desenvolvidos se comprometiam a reduzir as emissões em 5% em relação a 1990. Os Estados Unidos negociam o acordo com o vice-presidente Al Gore, um ecologista, mas o Senado não ratifica alegando concorrência desleal, já que os países em desenvolvimento não precisam fazer nada.

Quando o Protocolo de Quioto caduca, em 2012, a China, com seu desenvolvimento industrial, é a maior poluente. Há necessidade de um acordo que inclua todos os países.

O Acordo de Paris, assinado na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-21), em 2015, prevê que cada país apresente metas voluntárias de redução de emissões e a criação de mecanismos financeiros para os países menos desenvolvidos reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e enfrentarem os impactos da mudança do clima com mitigação e adaptação.

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro abre mão de realizar a CoP-25 no Brasil, alegando que custaria R$ 500 milhões. A conferência é transferida para o Chile e acaba sendo realizada em Madri, na Espanha, por causa das manifestações de protestos contra o governo chileno naquele ano. O Brasil tenta bloquear o acordo.

Em 2021, a CoP-26, realizada em Glasgow, na Escócia, registra alguns avanços como acordos sobre florestas e redução das emissões de gás metano, mas não chega a um acordo para banir o uso de carvão e, mais importante, para financiar a transição energética nos países em desenvolvimento.

O Brasil promete acabar com o desmatamento em 2030, mas Bolsonaro afirma que é o "desmatamento ilegal". Com o desmatamento na Amazônia, vira o maior vilão global da destruição da natureza.

Na CoP-27, realizada de 6 a 18 de novembro em Charm al-Cheikh, no Egito, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, é convidado. Isto marca um retorno do protagonismo do Brasil nas negociações internacionais de meio ambiente depois do calamitoso governo Bolsonaro.

Os países em desenvolvimento cobram a promessa dos países ricos de dar US$ 100 bilhões por ano para combater o aquecimento global. Os mecanismos financeiros, inclusive o mercado de créditos de carbono, em que países que emitem menos podem vender sua "cota de poluição" a países ou empresas, ficam de ser regulamentados na conferência deste ano.

A CoP-28 é realizada de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Decide que o mundo precisa fazer uma transição para reduzir as emissões de combustíveis fósseis, triplicar até 2030 a produção de energia de fontes renováveis, redobrar os esforços para aumentar a eficiência energética e eliminar gradualmente os subsídios "ineficientes" aos combustíveis fósseis. A CoP-28 é presidida por um diretor de companhia de petróleo dos EAU.

A CoP-29 é realizada de 11 a 22 de novembro deste ano em Baku, a capital da ex-república soviética do Azerbaijão, outro grande produtor de petróleo. Os países ricos se comprometem a dar US$ 300 bilhões por ano para financiar a transição energética e mitigar os efeitos do aquecimento global, bem menos do que US$ 1,3 trilhão reivindicado pelos países em desenvolvimento.

Neste ano, a CoP-30 será realizada de 10 a 21 de novembro em Belém, a capital do Pará, no Brasil. Será a primeira realizada na Amazônia, junto à maior floresta tropical do planeta, que será decisiva para conter o aquecimento global. 

O presidente Donald Trump, que retirou os EUA pela segunda vez do Acordo de Paris, boicota a conferência. A Argentina do neofascista Javier Milei não confirma a participação.

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quarta-feira, 25 de junho de 2025

Quem é o Supremo Líder do Irã?

Com a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, em 4 de junho de 1989, o aiatolá Ali Khamenei, que havia sido presidente de 1981-89, torna-se o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica. Tem fama de linha dura, mas um perfil publicado na revista Foreign Affairs (Set-Oct 2013) revela um aiatolá mais flexível, talvez para alimentar a esperança de um acordo sobre o programa nuclear do Irã, feito em 2015 e abandonado pelos Estados Unidos no primeiro governo Donald Trump, em 2018.

A visão de mundo de Khamenei foi forjada pelo golpe de 1953 contra o primeiro-ministro nacionalista Mohammed Mossadegh, que estatizara o petróleo da companhia britânica Anglo Iranian Oil em 1951. Foi o primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria. Ele acredita que os EUA sempre estiveram determinados a acabar com a revolução iraniana. Em 1981, foi vítima de um atentado que paralisou o braço direito.

“Khamenei sempre foi um crítico da democracia liberal e pensa que o Ocidente e o capitalismo estão num inevitável declínio de longo prazo. Mais ainda, vê os EUA como intrinsecamente islamofóbicos”, escreve na revista o jornalista e dissidente iraniano Akbar Ganji. 

“Mas ele não é automaticamente antiocidental e antiamericano. Não acredita que os EUA e o Ocidente sejam responsáveis por todos os problemas do mundo islâmico, que devam ser destruídos e que o Corão e a Charia sejam suficientes para resolver todos os problemas do mundo moderno. Considera a ciência e o progresso a ‘verdadeira civilização ocidental’, e gostaria que o povo iraniano aprendesse esta verdade”, diz o perfil. 

Para penetrar na mente ocidental, o aiatolá usa a literatura. É fã de A Divina Comédia, A Cabana do Pai Tomás, As Vinhas da Ira e sobretudo de Os Miseráveis, de Vítor Hugo, que considera “um livro de sociologia, de história, crítica, um livro divino, um livro de amor e sentimento” e A Cabana do Pai Tomás, “uma das obras de arte mais trágicas. Ainda é uma história viva 200 anos depois”. 

Khamenei, conclui o jornalista, “não é um maluco irracional esperando uma oportunidade para a agressão. Mas suas visões profundamente enraizadas e sua intransigência devem tornar qualquer negociação difícil e prolongada”.

Aos 86 anos, operado de um câncer na próstata em 2014, o regime debate sua sucessão. Está esconderijo numa fortaleza subterrânea, quase não se comunica porque está na mira do presidente Donald Trump e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, indicou três possíveis sucessores, teria entregue a condução da guerra a uma junta militar da Guarda Revolucionária Iraniana e se cogita a possibilidade de um golpe de Estado.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Fevereiro

NASCE THOMAS EDISON

    Em 1847, nasce em Milan, no estado de Ohio, Thomas Alva Edison, o maior inventor de todos os tempos, que registra 1.093 patentes nos Estados Unidos e 2 mil no mundo inteiro. 

Edison recebe pouca educação formal, como acontece com a maioria dos norte-americanos na época. Com problemas de audição desde a infância, começa a trabalhar como operador de telégrafo aos 16 anos e logo usa sua engenhosidade para aperfeiçoar o sistema.

A partir de 1869, Edison torna-se inventor em tempo integral. Em 1876, ele se muda para um laboratório em Menlo Park, em Nova Jérsei, onde inventa o fonógrafo no ano seguinte tentando criar uma máquina para gravar conversas telefônicas.  Passa a ser conhecido como o Gênio de Menlo Park.

É o primeiro grande sucesso. Edison e sua equipe inventam a lâmpada de filamento incandescente em 1879, precursores da câmera e do projetor de cinema nos anos 1880.

Sua maior contribuição é no campo da eletricidade. Edison desenvolve um sistema de distribuição de luz e energia, criou em Nova York a primeira usina de energia elétrica, inventou a bateria alcalina e o trem movido a energia elétrica. Ao todo, registra 1.093 patentes nos EUA mais de 2 mil contando as invenções patenteadas no exterior.

O fonógrafo vai sendo aperfeiçoado na maneira de gravar e reproduzir até o surgimento disco musical de 78 rotações por minutos em 1915. Cada lado toca por 4 minutos e 30 segundos em média. 

Em 1948, a Columbia Records lança o LP (long playing) de 33,3 rpm, com cerca de 30 minutos de gravação de cada lado. 

A gravação estereofônica, em dois canais de som distintos, surge em 1958 e cria o som de alta fidelidade. 

TRATADO DE LATRÃO

    Em 1929, o ditador fascista Benito Mussolini e o representante do Vaticano Pietro Gasparri assinam o Tratado de Latrão, em que a Itália reconhece a soberania papal sobre a Cidade do Vaticano, um enclave de 45 hectares dentro de Roma.

Pelo tratado, o Vaticano reconhece a existência da Itália, com capital em Roma. Desde 1985, o catolicismo deixa de ser a religião oficial da Itália. Com isso, a educação religiosa para de ser obrigatória em escolas públicas.

REVOLUÇÃO ISLÂMICA

    Em 1979, semanas depois da fuga do xá Reza Pahlevi, a Revolução Islâmica toma o poder no Irã e impõe uma ditadura teocrática do fundamentalismo xiita.

O xá assume poderes ditatoriais depois do primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) durante a Guerra Fria, em 19 de agosto de 1953, contra o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, que nacionalizara a companhia petrolífera Anglo-Iranian Oil.

Durante 26 anos, o xá é um aliado dos EUA durante a Guerra Fria, com uma ditadura secularista, pró-ocidental e anticomunista. Em 1963, Pahlevi adota um programa de modernização da sociedade iraniana que enfrenta forte oposição do clero muçulmano. Depois de ser preso duas vezes, em 1964, o aiatolá Ruhollah Khomeini foge para o exílio na Turquia, no Iraque e na França.

A onda de protestos contra o regime começa em outubro de 1977 e se transforma numa grande campanha de desobediência civil. No fim de 1978 , manifestações e greves no setor petrolífero, base da economia iraniana, paralisam o país.

Pahlevi foge do país em 16 de janeiro e deixa no poder o primeiro-ministro Shapour Bakhtiar, oriundo da oposição. Seu governo convida Khomeini a voltar ao Irã, o que acontece em 1º de fevereiro. 

NELSON MANDELA LIVRE

    Em 1990, Nelson Mandela, o líder da luta da maioria negra contra o regime segregacionista do apartheid, é libertado depois de 27 anos de prisão e começa a negociar o fim da ditadura da minoria branca na África do Sul. 

Até sua imagem era proibida no país. A pneumonia que o mata em 5 de dezembro de 2013 é resultado das condições desumanas na prisão da Ilha de Robben, onde fica 16 anos.

Influenciado pelas ideias do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, baseadas na resistência pacífica e desobediência civil do naturalista norte-americano Henry David Thoreau, Mandela entra nos anos 1940 para a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA). Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 1960, o CNA parte para a luta armada.

Nelson Mandela se torna líder do braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação). Quando volta de treinamento militar no exterior, é preso, em 1962, e condenado à morte em 1964. A sentença depois é reformada para prisão perpétua. Durante o julgamento, ele declara estar lutando contra a ditadura da minoria branca e promete lutar contra uma ditadura da maioria negra.

Nos momentos mais violentos da guerra civil não declarada da África do Sul, o regime racista apela a Mandela, que sempre insiste que presos não podem negociar.

Diante da grande pressão internacional, do boicote internacional à economia sul-africana e do fim da Guerra Fria, ao tomar posse, em 1989, o último presidente branco da África do Sul, Frederik de Klerk, anuncia a intenção de libertar Mandela e negociar o fim do apartheid. Ambos ganham o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Depois de negociações tensas e difíceis, em 27 de abril de 1994, Mandela assume como o primeiro presidente eleito democraticamente da África do Sul. Convida para a posse um de seus carcereiros. Fiel à democracia, ao contrário da maioria dos líderes africanos, deixa o governo depois do primeiro mandato.

A data de nascimento Mandela, 18 de julho de 1918, é transformada pela ONU em Dia Internacional Nelson Mandela pela liberdade, justiça e democracia.

QUEDA DE MUBARAK

    Em 2011, durante a Primavera Árabe, cai Hosni Mubarak, ditador do Egito desde o assassinato de Anuar Sadat, em 6 de outubro de 1981.

A Primavera Árabe é uma onda de revoltas populares contra ditaduras que começa na Tunísia quando o engenheiro desempregado Mohamed Abouazizi, que trabalha como camelô, tem a mercadoria e a balança roubadas por um fiscal e se autoimola diante da Prefeitura de Ben Arous.

Quando ele morre, 18 dias depois, em 4 de janeiro, a revolta toma conta das ruas. Em 14 de janeiro, o ditador Zine el-Abidine ben Ali, renuncia e foge do país depois de ficar 23 anos no poder.

Em 25 de janeiro, a revolta chega ao Egito, o maior e mais populoso país árabe. A polícia reprime com violência as manifestações. Pelo menos 846 pessoas morrem e mais de 6 mil saem feridas. Mais de 90 delegacias de polícia são incendiadas até que o Conselho Superior das Forças Armadas depõe Mubarak.

O Egito realiza suas primeiras eleições democráticas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, vence. Controla o Parlamento e elege o presidente Mohamed Mursi. Ele governa de 30 de junho de 2012 a 3 de julho de 2013, quando é deposto pelo atual ditador, marechal Abdel Fatah al-Sissi.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 20 de Janeiro

 PRIMEIRO EUROPEU NO HAVAÍ

    Em 1778, o navegador britânico James Cook chega a Waimea, na ilha de Kauai, e se torna o primeiro europeu a visitar o Havaí.

Cook nasce em 27 de outubro de 1728, em Marton-in-Cleveland, no Condado de York, na Inglaterra, filho de um agricultor que emigrou da Escócia. Ao perceber que o menino é inteligente, o patrão do pai paga os estudos até 12 anos. Um estágio numa cidade costeira de Whitby o põe em contato com o mar.

Aos 18 anos, Cook começa como aprendiz de marinheiro. Aos 21 anos, está pronto para grandes viagens. De início, trabalha nas águas perigosas do Mar do Norte, em navios de 300 a 400 toneladas. Ganha experiência para grandes viagens. Promovido a piloto, entra para a Marinha Real.

Ele vai duas vezes ao Canadá, em 1759 e 1763-67. Como capitão, faz três viagens ao Oceano Pacífico, em 1768-71, 1772-75 e 1776-79. Vai da Antártida ao Estreito de Bering, das costas da América do Norte à Austrália, à Nova Zelândia e ao Havaí. Com uma dieta de agrião, chucrute e um extrato de laranja, seus marinheiros não morrem de escorbuto, uma doença causada por falta de vitamina C.

REFÉNS NO IRÃ SOLTOS

    Em 1981, minutos depois da posse de Ronald Reagan como presidente dos Estados Unidos, ativistas revolucionários iranianos libertam 52 reféns detidos há 444 dias, desde 4 de novembro de 1979, na embaixada norte-americana em Teerã.

O conflito entre EUA e Irã tem origem no golpe militar de 19 de agosto de 1953, o primeiro articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência) durante a Guerra Fria com o apoio do Reino Unido e a aprovação do presidente Dwight Eisenhower e primeiro-ministro Winston Churchill. Cai o primeiro-ministro nacionalista Mohammed Mossadegh, que estatizou o petróleo da Anglo Iranian Oil, e ascende ao poder o xá Reza Pahlevi.

Com o apoio dos EUA, o xá impõe uma ditadura secularista e anticomunista aliada do Ocidente na Guerra Fria, com uma polícia política, a Savak, acusada de prender e torturar adversários do regime, além de milhares de mortes.

A Revolução Iraniana começa com uma onda de greves no setor de petróleo que abala a economia do país em 1978. O clero conservador dominado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini era a instituição com força para tomar o poder.

Khomeini volta do exílio em Paris em 2 de fevereiro de 1979. O xá cai em 11 de fevereiro. Para o regime dos aiatolás, os EUA são o Grande Satã que sustentou a ditadura durante décadas.

O radicalismo e o ódio aos EUA levam à invasão da Embaixada Norte-Americana em Teerã em 4 de novembro de 1979 e a tomada dos diplomatas e funcionários como reféns, uma humilhação para o presidente Jimmy Carter, aliado do xá. O governo Carter tenta resgatar os reféns. 

A Operação Garra de Águia fracassa com a entrada de areia do deserto nos motores de helicópteros dos EUA. Um civil iraniano e oito militares americanos morrem quando um helicóptero cai sobre um avião de transporte de tropas.

Essa sucessão de derrotas e humilhações de Carter contribui junto com a inflação elevada para a vitória de Ronald Reagan na eleição presidencial de 1980. Ele negocia a libertação dos reféns para o dia de sua posse.

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

 TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do jovem faraó que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba depois da posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela polícia, Amir, de 27 anos, um estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasce em 1º de março de 1922 Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordânia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudam em 4 de agosto de 1961. 

Quando os pais se separam, a mãe se casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeia John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton. Na eleição, realizada menos de dois meses depois do colapso do banco Lehman Brothers, que deflagra uma crise internacional, derrota o senador republicano John McCain, um veterano de guerra que passou cinco anos e meio preso no Vietnã do Norte.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima. Mais de 190 países se comprometem a adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

O Acordo Quadro sobre Mudança do Clima é negociado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). É o início da ação global para evitar que a concentração de gases carbônicos na atmosfera por causa da atividade humana eleve demais a temperatura da Terra. Desde então, são realizadas conferências das partes (CoPs) do acordo.

Em 1997, é assinado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países desenvolvidos se comprometiam a reduzir as emissões em 5% em relação a 1990. Os Estados Unidos negociam o acordo com o vice-presidente Al Gore, um ecologista, mas o Senado não ratifica alegando concorrência desleal, já que os países em desenvolvimento não precisam fazer nada.

Quando o Protocolo de Quioto caduca, em 2012, a China, com seu desenvolvimento industrial, é a maior poluente. Há necessidade de um acordo que inclua todos os países.

O Acordo de Paris, assinado na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-21), em 2015, prevê que cada país apresente metas voluntárias de redução de emissões e a criação de mecanismos financeiros para os países menos desenvolvidos reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e enfrentarem os impactos da mudança do clima com mitigação e adaptação.

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro abre mão de realizar a CoP-25 no Brasil, alegando que custaria R$ 500 milhões. A conferência é transferida para o Chile e acaba sendo realizada em Madri, na Espanha, por causa das manifestações de protestos contra o governo chileno naquele ano. O Brasil tenta bloquear o acordo.

Em 2021, a CoP-26, realizada em Glasgow, na Escócia, registra alguns avanços como acordos sobre florestas e redução das emissões de gás metano, mas não chega a um acordo para banir o uso de carvão e, mais importante, para financiar a transição energética nos países em desenvolvimento.

O Brasil promete acabar com o desmatamento em 2030, mas Bolsonaro afirma que é o "desmatamento ilegal". Com o desmatamento na Amazônia, vira o maior vilão global da destruição da natureza.

Na CoP-27, realizada de 6 a 18 de novembro em Charm al-Cheikh, no Egito, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, é convidado. Isto marca um retorno do protagonismo do Brasil nas negociações internacionais de meio ambiente depois do calamitoso governo Bolsonaro.

Os países em desenvolvimento cobram a promessa dos países ricos de dar US$ 100 bilhões por ano para combater o aquecimento global. Os mecanismos financeiros, inclusive o mercado de créditos de carbono, em que países que emitem menos podem vender sua "cota de poluição" a países ou empresas, ficam de ser regulamentados na conferência deste ano.

A CoP-28 é realizada de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Decide que o mundo precisa fazer uma transição para reduzir as emissões de combustíveis fósseis, triplicar até 2030 a produção de energia de fontes renováveis, redobrar os esforços para aumentar a eficiência energética e eliminar gradualmente os subsídios "ineficientes" aos combustíveis fósseis. A CoP-28 é presidida por um diretor de companhia de petróleo dos EAU.

A CoP-29 será realizada de 11 a 22 de novembro deste ano em Baku, a capital da ex-república soviética do Azerbaijão, outro grande produtor de petróleo.

No próximo ano, a CoP-30 será em Belém, a capital do Pará, no Brasil. Será a primeira realizada na Amazônia, junto à maior floresta tropical do planeta, que será decisiva para conter o aquecimento global.

sexta-feira, 19 de abril de 2024

Israel ataca base aérea perto de instalação nuclear do Irã

 A Força Aérea de Israel bombardeou na madrugada hoje pela hora local uma base aérea em Isfahan, na região central do Irã, para mostrar capacidade de atingir o interior do país inimigo. O regime iraniano anunciou o abate de drones e declarou que as instalações nucleares estão intactas, num sinal de que talvez não reaja, enquanto Israel indicou que as centrais atômicas podem ser alvo de um ataque mais forte.

O ataque era esperado desde que o Irã bombardeou Israel com mais de 350 drones e mísseis na noite de 13 para 14 de abril sem causar grandes danos. Só uma menina de sete anos foi gravemente ferida. Quase todos os projéteis foram abatidos pelo sistema de defesa antiaérea de Israel e pelas forças aéreas dos Estados Unidos e seus aliados.

Foi o primeiro ataque do Irã ao território israelense, uma resposta da República Islâmica ao bombardeio que matou 16 pessoas no Consulado Iraniano em Damasco, na Síria, em 1º de abril, inclusive quatro generais da Guarda Revolucionária Iraniana, um deles o comandante do braço da guarda para ações no exterior.

A grande questão agora é se o Irã vai revidar mais uma vez, numa estratégia de bateu-levou que leve a uma escalada no conflito, que de qualquer maneira não vai parar por aqui. Os dois países são inimigos desde a Revolução Islâmica de 1979 no Irã e o risco de guerra nunca foi tão grande.

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domingo, 11 de fevereiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 11 de Fevereiro

TRATADO DE LATRÃO

    Em 1929, o ditador fascista Benito Mussolini e o representante do Vaticano Pietro Gasparri assinam o Tratado de Latrão, em que a Itália reconhece a soberania papal sobre a Cidade do Vaticano, um enclave de 45 hectares dentro de Roma.

Pelo tratado, o Vaticano reconhece a existência da Itália, com capital em Roma. Desde 1985, o catolicismo deixa de ser a religião oficial da Itália. Com isso, a educação religiosa para de ser obrigatória em escolas públicas.

REVOLUÇÃO ISLÂMICA

    Em 1979, semanas depois da fuga do xá Reza Pahlevi, a Revolução Islâmica toma o poder no Irã e impõe uma ditadura teocrática do fundamentalismo xiita.

O xá assume poderes ditatoriais depois do primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) durante a Guerra Fria, em 19 de agosto de 1953, contra o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, que nacionalizara a companhia petrolífera Anglo-Iranian Oil.

Durante 26 anos, o xá é um aliado dos EUA durante a Guerra Fria, com uma ditadura secularista, pró-ocidental e anticomunista. Em 1963, Pahlevi adota um programa de modernização da sociedade iraniana que enfrenta forte oposição do clero muçulmano. Depois de ser preso duas vezes, em 1964, o aiatolá Ruhollah Khomeini foge para o exílio na Turquia, no Iraque e na França.

A onda de protestos contra o regime começa em outubro de 1977 e se transforma numa grande campanha de desobediência civil. No fim de 1978 , manifestações e greves no setor petrolífero, base da economia iraniana, paralisam o país.

Pahlevi foge do país em 16 de janeiro e deixa no poder o primeiro-ministro Shapour Bakhtiar, oriundo da oposição. Seu governo convida Khomeini a voltar ao Irã, o que acontece em 1º de fevereiro. 

NELSON MANDELA LIVRE

    Em 1990, Nelson Mandela, o líder da luta da maioria negra contra o regime segregacionista do apartheid, é libertado depois de 27 anos de prisão e começa a negociar o fim da ditadura da minoria branca na África do Sul. 

Até a imagem era proibida no país. A pneumonia que o matou foi resultado das condições desumanas na prisão da ilha de Robben, onde ficou 16 anos.

Influenciado pelas ideias do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, baseadas na resistência pacífica e desobediência civil do naturalista norte-americano Henry David Thoreau, Mandela entra nos anos 1940 para a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA). Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 1960, o CNA parte para a luta armada.

Nelson Mandela se torna líder do braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação). Quando volta de treinamento militar no exterior, é preso, em 1962, e condenado à morte em 1964. A sentença depois foi reformada para prisão perpétua. Durante o julgamento, ele disse que estava lutando contra a ditadura da minoria branca e prometeu lutar contra uma ditadura da maioria negra.

Nos momentos mais violentos da guerra civil não declarada da África do Sul, o regime racista apelou a Mandela, que sempre insistiu que presos não podem negociar.

Diante da grande pressão internacional, do boicote internacional à economia sul-africana e do fim da Guerra Fria, ao tomar posse, em 1989, o último presidente branco, Frederik de Klerk, anunciou a intenção de libertar Mandela e negociar o fim do apartheid. Ambos ganharam o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Depois de negociações tensas e difíceis, em 27 de abril de 1994, Mandela assume como o primeiro presidente eleito democraticamente da África do Sul. Convida para a posse um de seus carcereiros. Fiel à democracia, ao contrário da maioria dos líderes africanos, deixa o governo depois do primeiro mandato.

A data de nascimento de Nelson Mandela, 18 de julho de 1918, foi transformada pela ONU em Dia Internacional Nelson Mandela pela liberdade, justiça e democracia.