Mostrando postagens com marcador Yitzhak Rabin. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Yitzhak Rabin. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 13 de Setembro

BATALHA DO QUEBEC

    Em 1759, as forças do Império Britânico vencem a França na Batalha do Quebec durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), em que os britânicos tomam as possessões francesas na Índia e quase todas na América do Norte.

O conflito começa dois anos antes, com uma disputa entra os impérios Francês e Britânico sobre o controle do alto Rio Ohio, se é parte da colônia da Virgínia ou não, seria parte de Louisiana Francesa, que seria vendida por Napoleão Bonaparte em 30 de abril de 1803, no governo Thomas Jefferson, por US$ 15 milhões. É uma disputa pelo coração da América do Norte.

No Quebec, na Batalha da Planície de Abraham, o general James Wolf lidera os britânicos e o Marquês de Montcalm os franceses. Os dois comandantes morrem de ferimentos sofridos na batalha. 

Dentro de um ano, o Canadá Francês capitula diante das forças britânicas. Com o fim da guerra, em 1763, a França cede praticamente todas as suas possessões no Canadá, menos o Quebec, hoje a única província do Canadá onde a maioria da população população (75%) fala francês como primeira língua.

A Guerra dos Sete Anos é uma das causas da independência dos EUA e da Revolução Francesa.

FASCISTAS INVADEM EGITO

    Em 1940, a Itália Fascista do ditador Benito Mussolini cruza a fronteira da Líbia, uma colônia italiana na época, e ataca o Egito na Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Na sua expansão econômica imperialista, a Itália ocupa a Líbia em 1912. Mussolini chega ao poder em 1922. A partir de 1935, ano em que invade a Etiópia, Mussolini envia camponeses para a Líbia para reduzir a superpopulação italiana. Quando a guerra começa, a Itália tem bastante gente no Norte da África.

O delírio de grandeza do fascismo é resgatar a glória do Império Romano. A invasão do Egito se insere neste contexto. A estratégia italiana é avançar ao longo da costa da Líbia e do Egito para tomar o Canal de Suez. No caminho, há forças do Império Britânico e da França Livre.

O 10º Exército da Itália avança 105 quilômetros no território egípcio. Enfrenta a 7ª Divisão de Blindados do Exército Real britânico. Em 16 de setembro, a ofensiva para e os italianos decidem se entrincheirar no porto de Sidi Barrani.

Antes que os italianos recuperem as forças para retomar o ataque, em 8 de dezembro de 1940,  os britânicos atacam os acampamentos italianos fora de Sidi Barrani, na Operação Compasso, de cinco dias, desarticulam o exército fascista e perseguem os remanescentes em fuga dentro de território da Líbia, em Bardia, Tobruk, Dema, Mechvili e no Golfo de Sirte.

MASSACRE NA PRISÃO

    Em 1971, a polícia de Nova York ataca a Instituição Correcional Attica para controlar um motim de presos que tomam 40 reféns. Pelo menos 29 presos e 10 reféns morrem.

A prisão de Attica, de 1931, é uma das últimas grandes prisões construídas nos Estados Unidos. Tem paredes de 60 centímetros de espessura e 9 metros de altura. Os apenados passam 14 horas por dia em celas superlotadas e insanas, não recebem atendimento de saúde, a comida é ruim e falta recreação.

Em 9 de setembro de 1971, dois agentes tentam disciplinar dois presos que estariam brigando. No dia seguinte, os presos se rebelam e tomam 40 agentes penitenciários como reféns. Quando o governador Nelson Rockefeller manda a polícia de Nova York invadir, acontece o massacre.

ACIDENTE NUCLEAR EM GOIÂNIA

    Em 1987, uma cápsula do elemento radioativo césio-137 abandonada em Goiânia, a capital do estado de Goiás, é vendida por catadores a um ferro-velho, onde é aberta cinco dias depois por trabalhadores que ficam maravilhados com o conteúdo de um azul radiante que chega a ser esfregado em uma menina como se fosse decorativo e é distribuído entre amigos e parentes.

Seis pessoas morrem e 1,6 mil são afetadas.

A cápsula usada em tratamentos de medicina nuclear é abandonada dentro de uma máquina obsoleta pelo Instituto de Radiologia de Goiânia quando muda de sede, em 1985, sem observar as medidas cautelares previstas em lei. Vai parar no ferro-velho e causa a tragédia.

PROCESSO DE PAZ

    Em 1993, o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, e o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, dão um histórico aperto de mãos nos jardins da Casa Branca, ao lado do presidente Bill Clinton, e anunciam um acordo para iniciar um processo de paz com o objetivo de acabar com o conflito árabe-israelense.

A ideia de criar uma pátria para o povo judeu ganha força no fim do século 19 com os pogroms (massacres) na Europa Oriental e o caso Alfred Dreifus, um capitão do Exército da França acusado de ser espião para a Alemanha, condenado e enviado para a prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

Em 2 de novembro de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), na Declaração de Balfour, em carta ao Barão de Rothschild, líder da comunidade judaica no Reino Unido, o ministro do Exterior britânico, Arthur James Balfour, promete fundar uma pátria para os judeus no território histórico da Palestina, se o Império Otomano for derrotado.

A promessa estimula a migração de judeus para a Palestina. O conflito com os árabes começa nos anos 1920 e se intensifica com a ascensão do nazismo ao poder na Alemanha, em 1933, e da imigração de judeus. Isso leva à Revolta Árabe (1936-39).

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Assembleia Geral das Nações Unidas, sob a presidência do chanceler brasileiro, Oswaldo Aranha, aprova a divisão da Palestina e a criação do Estado Nacional judaico. 

Quando Israel é fundada, em 14 de maio de 1948, os vizinhos árabes rejeitam o Estado judaico e entram numa guerra vencida por Israel no início de 1949. Cerca de 750 mil árabes são expulsos, dando origem ao movimento nacional palestino.

A Guerra dos Seis Dias, de 5 a 10 de junho de 1967, termina com uma vitória-relâmpago de Israel e a ocupação da Faixa de Gaza e da Península do Sinai, que eram parte do Egito; das Colinas do Golã, da Síria; e da Cisjordânia, que era parte da Jordânia, inclusive o setor árabe de Jerusalém.

Com mais uma derrota árabe na Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973, o ditador do Egito, Anuar Sadat, se aproxima dos Estados Unidos, vai a Israel e negocia a paz em troca da devolução do Sinai. Sadat paga com a vida, é assassinado oito anos depois do início da guerra, em 6 de outubro de 1981. A paz entre árabes e judeus depende de mais negociações, que não acontecem.

O processo de paz entre Israel e os palestinos começa na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois da guerra para expulsar os iraquianos do Kuwait, quando Israel é atacado e não retalia para manter a unidade da aliança liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque de Saddam Hussein.

Sem sucesso no início, o processo de paz anda com negociações secretas em Oslo, a capital da Noruega, que resultam em 1993 no acordo anunciado na Casa Branca e na criação da Autoridade Nacional Palestina (ANP). O assassinato do primeiro-ministro Rabin, em 4 de novembro de 1995, por um ultradireitista israelense é um golpe na paz.

No ano seguinte, chega ao poder o primeiro-ministro direitista Benjamin Netanyahu, que arrasta as negociações enquanto amplia a colonização da Cisjordânia ocupada para criar uma política de fato consumado, origem da atual estagnação no processo de paz. 

Bibi Netanyahu perde as eleições de 1999 e o primeiro-ministro Ehud Barak tenta negociar um acordo definitivo no fim do governo Bill Clinton, no ano 2000, mas Arafat rejeita a proposta apostando que um governo republicano seria menos a favor de Israel.

Barak é sucedido em 2001 pelo linha-dura Ariel Sharon, o general mais violento da história de Israel, que entende a necessidade de negociar a paz para acabar com a guerra. Sharon sai do Likud, funda o partido Kadima (Avante) e retira as colônias israelenses da Faixa de Gaza, mas sofre um acidente vascular cerebral que o inabilita. É sucedido em 2006 por Ehud Olmert, do mesmo partido, que cai num escândalo de corrupção em 2009, quando Netanyahu volta ao poder.

Desde então, Bibi domina a política israelense. Mesmo no breve período em que Netanyahu não lidera o governo, as negociações com os palestinos não avançam. O ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que sempre boicotou o processo de paz, agrava ainda mais a situação. 

No momento, colonos israelenses atacam palestinos na Cisjordânia com a cumplicidade do governo na expectativa de provocar uma reação capaz de levar à vitória da extrema direita nas eleições de 27 de outubro. 

O ministro da Segurança Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que já foi chamado de nazista na Knesset, o parlamento de Israel, condiciona o apoio a um futuro governo à adoção de uma política de "emigração voluntária" dos palestinos da Faixa de Gaza.

Desde as guerras entre países árabes e Israel, a paz nunca esteve tão distante. A alternativa é esta guerra sem fim. 

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

 TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do faraó-menino, que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

O tesouro de Tutancâmon está no recém-inaugurado Grande Museu do Egito, o maior museu antropológico do mundo.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os 66 diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba com a posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

Semanas depois, 13 reféns, na maioria negros e mulheres, são libertados. Outro refém é solto por motivos de saúde. Os outros 52 são mantidos em cativeiro até o fim da ocupação.

Até hoje, os dois países não reataram as relações diplomáticas, embora tenham negociado um acordo em 2015 junto com os outros membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) para desarmar o programa nuclear iraniano. 

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela polícia, Amir, de 27 anos, um estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasce em 1º de março de 1922 Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordânia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudam em 4 de agosto de 1961. 

Quando os pais se separam, a mãe se casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato presidencial na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeia John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton. Na eleição, realizada menos de dois meses depois do colapso do banco Lehman Brothers, que deflagra uma crise financeira internacional, derrota o senador republicano John McCain, um veterano de guerra que passou cinco anos e meio preso no Vietnã do Norte.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima. Mais de 190 países se comprometem a adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

O Acordo Quadro sobre Mudança do Clima é negociado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). É o início da ação global para evitar que a concentração de gases carbônicos na atmosfera por causa da atividade humana eleve demais a temperatura da Terra. Desde então, são realizadas conferências das partes (CoPs) do acordo.

Em 1997, é assinado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países desenvolvidos se comprometiam a reduzir as emissões em 5% em relação a 1990. Os Estados Unidos negociam o acordo com o vice-presidente Al Gore, um ecologista, mas o Senado não ratifica alegando concorrência desleal, já que os países em desenvolvimento não precisam fazer nada.

Quando o Protocolo de Quioto caduca, em 2012, a China, com seu desenvolvimento industrial, é a maior poluente. Há necessidade de um acordo que inclua todos os países.

O Acordo de Paris, assinado na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-21), em 2015, prevê que cada país apresente metas voluntárias de redução de emissões e a criação de mecanismos financeiros para os países menos desenvolvidos reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e enfrentarem os impactos da mudança do clima com mitigação e adaptação.

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro abre mão de realizar a CoP-25 no Brasil, alegando que custaria R$ 500 milhões. A conferência é transferida para o Chile e acaba sendo realizada em Madri, na Espanha, por causa das manifestações de protestos contra o governo chileno naquele ano. O Brasil tenta bloquear o acordo.

Em 2021, a CoP-26, realizada em Glasgow, na Escócia, registra alguns avanços como acordos sobre florestas e redução das emissões de gás metano, mas não chega a um acordo para banir o uso de carvão e, mais importante, para financiar a transição energética nos países em desenvolvimento.

O Brasil promete acabar com o desmatamento em 2030, mas Bolsonaro afirma que é o "desmatamento ilegal". Com o desmatamento na Amazônia, vira o maior vilão global da destruição da natureza.

Na CoP-27, realizada de 6 a 18 de novembro em Charm al-Cheikh, no Egito, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, é convidado. Isto marca um retorno do protagonismo do Brasil nas negociações internacionais de meio ambiente depois do calamitoso governo Bolsonaro.

Os países em desenvolvimento cobram a promessa dos países ricos de dar US$ 100 bilhões por ano para combater o aquecimento global. Os mecanismos financeiros, inclusive o mercado de créditos de carbono, em que países que emitem menos podem vender sua "cota de poluição" a países ou empresas, ficam de ser regulamentados na conferência deste ano.

A CoP-28 é realizada de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Decide que o mundo precisa fazer uma transição para reduzir as emissões de combustíveis fósseis, triplicar até 2030 a produção de energia de fontes renováveis, redobrar os esforços para aumentar a eficiência energética e eliminar gradualmente os subsídios "ineficientes" aos combustíveis fósseis. A CoP-28 é presidida por um diretor de companhia de petróleo dos EAU.

A CoP-29 é realizada de 11 a 22 de novembro deste ano em Baku, a capital da ex-república soviética do Azerbaijão, outro grande produtor de petróleo. Os países ricos se comprometem a dar US$ 300 bilhões por ano para financiar a transição energética e mitigar os efeitos do aquecimento global, bem menos do que US$ 1,3 trilhão reivindicado pelos países em desenvolvimento.

Neste ano, a CoP-30 será realizada de 10 a 21 de novembro em Belém, a capital do Pará, no Brasil. Será a primeira realizada na Amazônia, junto à maior floresta tropical do planeta, que será decisiva para conter o aquecimento global. 

O presidente Donald Trump, que retirou os EUA pela segunda vez do Acordo de Paris, boicota a conferência. A Argentina do neofascista Javier Milei não confirma a participação.

ESTE BLOG DEPENDE DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

sábado, 13 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Setembro

 BATALHA DO QUEBEC

    Em 1759, as forças do Império Britânico vencem a França na Batalha do Quebec durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), em que os britânicos tomam as possessões francesas na Índia e quase todas na América do Norte.

O conflito começa dois anos antes, com uma disputa entra os impérios Francês e Britânico sobre o controle do alto Rio Ohio, se é parte da colônia da Virgínia ou não, seria parte de Louisiana Francesa, que seria vendida por Napoleão Bonaparte em 1804. É uma disputa pelo coração da América do Norte.

No Quebec, na Batalha da Planície de Abraham, o general James Wolf lidera os britânicos e o Marquês de Montcalm os franceses. Os dois comandantes morrem de ferimentos sofridos na batalha. 

Dentro de um ano, o Canadá Francês capitula diante das forças britânicas. Com o fim da guerra, em 1763, a França cede praticamente todas as suas possessões no Canadá, menos o Quebec, hoje a única província do Canadá onde a maioria da população população (75%) fala francês como primeira língua.

FASCISTAS INVADEM EGITO

    Em 1940, a Itália Fascista do ditador Benito Mussolini cruza a fronteira da Líbia, uma colônia italiana na época, e ataca o Egito na Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Na sua expansão econômica imperialista, a Itália ocupa a Líbia em 1912. Mussolini chega ao poder em 1922. A partir de 1935, ano em que invade a Etiópia, Mussolini envia camponeses para a Líbia para reduzir a superpopulação italiana. Quando a guerra começa, a Itália tem bastante gente no Norte da África.

O delírio de grandeza do fascismo é resgatar a glória do Império Romano. A invasão do Egito se insere neste contexto. A estratégia italiana é avançar ao longo da costa da Líbia e do Egito para tomar o Canal de Suez. No caminho, há forças do Império Britânico e da França Livre.

O 10º Exército da Itália avança 105 quilômetros no território egípcio. Enfrenta a 7ª Divisão de Blindados do Exército Real britânico. Em 16 de setembro, a ofensiva para e os italianos decidem se entrincheirar no porto de Sidi Barrani.

Antes que os italianos recuperem as forças para retomar o ataque, em 8 de dezembro de 1940,  os britânicos atacam os acampamentos italianos fora de Sidi Barrani, na Operação Compasso, de cinco dias, desarticulam o exército fascista e perseguem os remanescentes em fuga dentro de território da Líbia, em Bardia, Tobruk, Dema, Mechvili e no Golfo de Sirte.

MASSACRE NA PRISÃO

    Em 1971, a polícia de Nova York ataca a Instituição Correcional Attica para controlar um motim de presos que tomam 40 reféns. Pelo menos 29 presos e 10 reféns morrem.

A prisão de Attica, de 1931, é uma das últimas grandes prisões construídas nos Estados Unidos. Tem paredes de 60 centímetros de espessura e 9 metros de altura. Os apenados passam 14 horas por dia em celas superlotadas e insanas, não recebem atendimento de saúde, a comida é ruim e falta recreação.

Em 9 de setembro de 1971, dois agentes tentam disciplinar dois presos que estariam brigando. No dia seguinte, os presos se rebelam e tomam 40 agentes penitenciários como reféns. Quando o governador Nelson Rockefeller manda a polícia de Nova York invadir, acontece o massacre.

ACIDENTE NUCLEAR EM GOIÂNIA

    Em 1987, uma cápsula do elemento radioativo césio-137 abandonada em Goiânia, a capital do estado de Goiás, é vendida por catadores a um ferro-velho, onde é aberta cinco dias depois por trabalhadores que ficam maravilhados com o conteúdo de um azul radiante que chega a ser esfregado em uma menina como se fosse decorativo e é distribuído entre amigos e parentes.

Seis pessoas morrem e 1,6 mil são afetadas.

A cápsula usada em tratamentos de medicina nuclear é abandonada dentro de uma máquina obsoleta pelo Instituto de Radiologia de Goiânia quando muda de sede, em 1985, sem observar as medidas cautelares previstas em lei. Vai parar no ferro-velho e causa a tragédia.

PROCESSO DE PAZ

    Em 1993, o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, e o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, dão um histórico aperto de mãos nos jardins da Casa Branca, ao lado do presidente Bill Clinton, e anunciam um acordo para iniciar um processo de paz com o objetivo de acabar com o conflito árabe-israelense.

A ideia de criar uma pátria para o povo judeu ganha força no fim do século 19 com os pogroms (massacres) na Europa Oriental e o caso Alfred Dreifus, um capitão do Exército da França acusado de ser espião para a Alemanha, condenado e enviado para a prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

Em 2 de novembro de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), na Declaração de Balfour, em carta ao Barão de Rothschild, líder da comunidade judaica no Reino Unido, o ministro do Exterior britânico, Arthur James Balfour, promete fundar uma pátria para os judeus no território histórico da Palestina, se o Império Otomano for derrotado.

A promessa estimula a migração de judeus para a Palestina. O conflito com os árabes começa nos anos 1920 e se intensifica com a ascensão do nazismo ao poder na Alemanha, em 1933, e da imigração de judeus. Isto leva à Revolta Árabe (1936-39).

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Assembleia Geral das Nações Unidas, sob a presidência do chanceler brasileiro, Oswaldo Aranha, aprova a divisão da Palestina e a criação do Estado Nacional judaico. 

Quando Israel é fundada, em 14 de maio de 1948, os vizinhos árabes rejeitam o Estado judaico e entram numa guerra vencida por Israel no início de 1949. Cerca de 750 mil árabes são expulsos, dando origem ao movimento nacional palestino.

A Guerra dos Seis Dias, de 5 a 10 de junho de 1967, termina com uma vitória-relâmpago de Israel e a ocupação da Faixa de Gaza e da Península do Sinai, que eram parte do Egito; das Colinas do Golã, da Síria; e da Cisjordânia, que era parte da Jordânia, inclusive o setor árabe de Jerusalém.

Com mais uma derrota árabe na Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973, o ditador do Egito, Anuar Sadat, se aproxima dos Estados Unidos, vai a Israel e negocia a paz em troca da devolução do Sinai. Sadat paga com a vida, é assassinado oito anos depois do início da guerra, em 6 de outubro de 1981. A paz entre árabes e judeus depende de mais negociações, que não acontecem.

O processo de paz entre Israel e os palestinos começa na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois da guerra para expulsar os iraquianos do Kuwait, quando Israel é atacado e não retalia para manter a unidade da aliança contra o Iraque de Saddam Hussein, liderada pelos Estados Unidos,

Sem sucesso no início, o processo de paz anda com negociações secretas em Oslo, a capital da Noruega, que resultam em 1993 no acordo anunciado na Casa Branca e na criação da Autoridade Nacional Palestina (ANP). O assassinato do primeiro-ministro Rabin, em 4 de novembro de 1995, por um ultradireitista israelense é um golpe na paz.

No ano seguinte, chega ao poder o primeiro-ministro direitista Benjamin Netanyahu, que arrasta as negociações enquanto amplia a colonização da Cisjordânia ocupada para criar uma política de fato consumado, origem da atual estagnação no processo de paz. Bibi Netanyahu perde as eleições de 1999 e Ehud Barak tenta negociar um acordo definitivo no fim do governo Bill Clinton, no ano 2000, mas Arafat rejeita a proposta apostando que um governo republicano seria menos a favor de Israel.

Barak é sucedido em 2001 pelo linha-dura Ariel Sharon, o general mais violento da história de Israel, que entende a necessidade de negociar a paz para acabar com a guerra. Sharon sai do Likud, funda o partido Kadima (Avante) e retira as colônias israelenses da Faixa de Gaza, mas sofre um acidente vascular cerebral que o inabilita. É sucedido em 2006 por Ehud Olmert, do mesmo partido, que cai num escândalo de corrupção em 2009, quando Netanyahu volta ao poder.

Desde então, Bibi domina a política israelense. Mesmo no breve período em que Netanyahu não lidera o governo, as negociações com os palestinos não avançam.

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

 TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do jovem faraó que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba depois da posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela polícia, Amir, de 27 anos, um estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasce em 1º de março de 1922 Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordânia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudam em 4 de agosto de 1961. 

Quando os pais se separam, a mãe se casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeia John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton. Na eleição, realizada menos de dois meses depois do colapso do banco Lehman Brothers, que deflagra uma crise internacional, derrota o senador republicano John McCain, um veterano de guerra que passou cinco anos e meio preso no Vietnã do Norte.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima. Mais de 190 países se comprometem a adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

O Acordo Quadro sobre Mudança do Clima é negociado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). É o início da ação global para evitar que a concentração de gases carbônicos na atmosfera por causa da atividade humana eleve demais a temperatura da Terra. Desde então, são realizadas conferências das partes (CoPs) do acordo.

Em 1997, é assinado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países desenvolvidos se comprometiam a reduzir as emissões em 5% em relação a 1990. Os Estados Unidos negociam o acordo com o vice-presidente Al Gore, um ecologista, mas o Senado não ratifica alegando concorrência desleal, já que os países em desenvolvimento não precisam fazer nada.

Quando o Protocolo de Quioto caduca, em 2012, a China, com seu desenvolvimento industrial, é a maior poluente. Há necessidade de um acordo que inclua todos os países.

O Acordo de Paris, assinado na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-21), em 2015, prevê que cada país apresente metas voluntárias de redução de emissões e a criação de mecanismos financeiros para os países menos desenvolvidos reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e enfrentarem os impactos da mudança do clima com mitigação e adaptação.

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro abre mão de realizar a CoP-25 no Brasil, alegando que custaria R$ 500 milhões. A conferência é transferida para o Chile e acaba sendo realizada em Madri, na Espanha, por causa das manifestações de protestos contra o governo chileno naquele ano. O Brasil tenta bloquear o acordo.

Em 2021, a CoP-26, realizada em Glasgow, na Escócia, registra alguns avanços como acordos sobre florestas e redução das emissões de gás metano, mas não chega a um acordo para banir o uso de carvão e, mais importante, para financiar a transição energética nos países em desenvolvimento.

O Brasil promete acabar com o desmatamento em 2030, mas Bolsonaro afirma que é o "desmatamento ilegal". Com o desmatamento na Amazônia, vira o maior vilão global da destruição da natureza.

Na CoP-27, realizada de 6 a 18 de novembro em Charm al-Cheikh, no Egito, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, é convidado. Isto marca um retorno do protagonismo do Brasil nas negociações internacionais de meio ambiente depois do calamitoso governo Bolsonaro.

Os países em desenvolvimento cobram a promessa dos países ricos de dar US$ 100 bilhões por ano para combater o aquecimento global. Os mecanismos financeiros, inclusive o mercado de créditos de carbono, em que países que emitem menos podem vender sua "cota de poluição" a países ou empresas, ficam de ser regulamentados na conferência deste ano.

A CoP-28 é realizada de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Decide que o mundo precisa fazer uma transição para reduzir as emissões de combustíveis fósseis, triplicar até 2030 a produção de energia de fontes renováveis, redobrar os esforços para aumentar a eficiência energética e eliminar gradualmente os subsídios "ineficientes" aos combustíveis fósseis. A CoP-28 é presidida por um diretor de companhia de petróleo dos EAU.

A CoP-29 será realizada de 11 a 22 de novembro deste ano em Baku, a capital da ex-república soviética do Azerbaijão, outro grande produtor de petróleo.

No próximo ano, a CoP-30 será em Belém, a capital do Pará, no Brasil. Será a primeira realizada na Amazônia, junto à maior floresta tropical do planeta, que será decisiva para conter o aquecimento global.

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 13 de Setembro

 BATALHA DO QUEBEC

    Em 1759, as forças do Império Britânico vencem a França na Batalha do Quebec durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), em que os britânicos tomam as possessões francesas na Índia e quase todas na América do Norte.

O conflito começa dois anos antes, com uma disputa entra os impérios Francês e Britânico sobre o controle do alto Rio Ohio, se é parte da colônia da Virgínia ou não, seria parte de Louisiana Francesa, que seria vendida por Napoleão Bonaparte em 1804. É uma disputa pelo coração da América do Norte.

No Quebec, na Batalha da Planície de Abraham, o general James Wolf lidera os britânicos e o Marquês de Montcalm os franceses. Os dois comandantes morrem de ferimentos sofridos na batalha. 

Dentro de um ano, o Canadá Francês capitula diante das forças britânicas. Com o fim da guerra, em 1763, a França cede praticamente todas as suas possessões no Canadá, menos o Quebec, hoje a única província do Canadá onde a maioria da população população (75%) fala francês como primeira língua.

FASCISTAS INVADEM EGITO

    Em 1940, a Itália Fascista do ditador Benito Mussolini cruza a fronteira da Líbia, uma colônia italiana na época, e ataca o Egito na Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Na sua expansão econômica imperialista, a Itália ocupa a Líbia em 1912. Mussolini chega ao poder em 1922. A partir de 1935, ano em que invade a Etiópia, Mussolini envia camponeses para a Líbia para reduzir a superpopulação italiana. Quando a guerra começa, a Itália tem bastante gente no Norte da África.

O delírio de grandeza do fascismo é resgatar a glória do Império Romano. A invasão do Egito se insere neste contexto. A estratégia italiana é avançar ao longo da costa da Líbia e do Egito para tomar o Canal de Suez. No caminho, há forças do Império Britânico e da França Livre.

O 10º Exército da Itália avança 105 quilômetros no território egípcio. Enfrenta a 7ª Divisão de Blindados do Exército Real britânico. Em 16 de setembro, a ofensiva para e os italianos decidem se entrincheirar no porto de Sidi Barrani.

Antes que os italianos recuperem as forças para retomar o ataque, em 8 de dezembro de 1940,  os britânicos atacam os acampamentos italianos fora de Sidi Barrani, na Operação Compasso, de cinco dias, desarticulam o exército fascista e perseguem os remanescentes em fuga dentro de território da Líbia, em Bardia, Tobruk, Dema, Mechvili e no Golfo de Sirte.

MASSACRE NA PRISÃO

    Em 1971, a polícia de Nova York ataca a Instituição Correcional Attica para controlar um motim de presos que tomam 40 reféns. Pelo menos 29 presos e 10 reféns morrem.

A prisão de Attica, de 1931, é uma das últimas grandes prisões construídas nos Estados Unidos. Tem paredes de 60 centímetros de espessura e 9 metros de altura. Os apenados passam 14 horas por dia em celas superlotadas e insanas, não recebem atendimento de saúde, a comida é ruim e falta recreação.

Em 9 de setembro de 1971, dois agentes tentam disciplinar dois presos que estariam brigando. No dia seguinte, os presos se rebelam e tomam 40 agentes penitenciários como reféns. Quando o governador Nelson Rockefeller manda a polícia de Nova York invadir, acontece o massacre.

ACIDENTE NUCLEAR EM GOIÂNIA

    Em 1987, uma cápsula do elemento radioativo césio-137 abandonada em Goiânia, a capital do estado de Goiás, é vendida por catadores a um ferro-velho, onde é aberta cinco dias depois por trabalhadores que ficam maravilhados com o conteúdo de um azul radiante que chega a ser esfregado em uma menina como se fosse decorativo e é distribuído entre amigos e parentes.

Seis pessoas morrem e 1,6 mil são afetadas.

A cápsula usada em tratamentos de medicina nuclear é abandonada dentro de uma máquina obsoleta pelo Instituto de Radiologia de Goiânia quando muda de sede, em 1985, sem observar as medidas cautelares previstas em lei. Vai parar no ferro-velho e causa a tragédia.

PROCESSO DE PAZ

    Em 1993, o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, e o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, dão um histórico aperto de mãos nos jardins da Casa Branca, ao lado do presidente Bill Clinton, e anunciam um acordo para iniciar um processo de paz com o objetivo de acabar com o conflito árabe-israelense.

A ideia de criar uma pátria para o povo judeu ganha força no fim do século 19 com os pogroms (massacres) na Europa Oriental e o caso Alfred Dreifus, um capitão do Exército da França acusado de ser espião para a Alemanha, condenado e enviado para a prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

Em 2 de dezembro de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), na Declaração de Balfour, em carta ao Barão de Rothschild, líder da comunidade judaica no Reino Unido, o ministro do Exterior britânico, Arthur James Balfour, promete fundar uma pátria para os judeus no território histórico da Palestina, se o Império Otomano for derrotado.

A promessa estimula a migração de judeus para a Palestina. O conflito com os árabes começa nos anos 1920 e se intensifica com a ascensão do nazismo ao poder na Alemanha, em 1933, e da imigração de judeus. Isto leva à Revolta Árabe (1936-39).

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Assembleia Geral das Nações Unidas, sob a presidência do chanceler brasileiro, Oswaldo Aranha, aprova a divisão da Palestina e a criação do Estado Nacional judaico. 

Quando Israel é fundada, em 14 de maio de 1948, os vizinhos árabes rejeitam o Estado judaico e entram numa guerra vencida por Israel no início de 1949. Cerca de 750 mil árabes são expulsos, dando origem ao movimento nacional palestino.

A Guerra dos Seis Dias, de 5 a 10 de junho de 1967, termina com uma vitória-relâmpago de Israel e a ocupação da Faixa de Gaza e da Península do Sinai, que eram parte do Egito; das Colinas do Golã, da Síria; e da Cisjordânia, que era parte da Jordânia, inclusive o setor árabe de Jerusalém.

Com mais uma derrota árabe na Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973, o ditador do Egito, Anuar Sadat, se aproxima dos Estados Unidos, vai a Israel e negocia a paz em troca da devolução do Sinai. Sadat paga com a vida, é assassinado oito anos depois do início da guerra, em 6 de outubro de 1981. A paz entre árabes e judeus depende de mais negociações, que não acontecem.

O processo de paz entre Israel e os palestinos começa na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois da guerra para expulsar os iraquianos do Kuwait, quando Israel foi atacado e não retaliou para manter a unidade da aliança contra o Iraque de Saddam Hussein, liderada pelos Estados Unidos,

Sem sucesso no início, o processo de paz anda com negociações secretas em Oslo, a capital da Noruega, que resultam em 1993 no acordo anunciado na Casa Branca e na criação da Autoridade Nacional Palestina (ANP). O assassinato do primeiro-ministro Rabin, em 4 de novembro de 1995, por um ultradireitista israelense é um golpe na paz.

No ano seguinte, chega ao poder o primeiro-ministro direitista Benjamin Netanyahu, que arrasta as negociações enquanto amplia a colonização da Cisjordânia ocupada para criar uma política de fato consumado, origem da atual estagnação no processo de paz. Mesmo no breve período em que Netanyahu não liderou o governo, as negociações com os palestinos não avançaram.

sábado, 4 de novembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

 TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do jovem faraó que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba depois da posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela polícia, Amir, de 27 anos, estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasce em Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordândia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudavam, em 4 de agosto de 1961. 

Quando os pais se separam, a mãe se casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeia John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e mais de 190 países vão adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

O Acordo Quadro sobre Mudança do Clima é negociado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). É o início da ação global para evitar que a concentração de gases carbônicos na atmosfera por causa da atividade humana eleve demais a temperatura da Terra. Desde então, são realizadas conferências das partes (CoPs) do acordo.

Em 1997, é assinado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países desenvolvidos se comprometiam a reduzir as emissões em 5% em relação a 1990. Os Estados Unidos negociam o acordo com o vice-presidente Al Gore, um ecologista, mas o Senado não ratifica alegando concorrência desleal, já que os países em desenvolvimento não precisam fazer nada..

Quando o Protocolo de Quioto caduca, em 2012, a China, com seu desenvolvimento industrial, é a maior poluente. Há necessidade de um acordo que inclua todos os países.

O Acordo de Paris, assinado na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-21), em 2015, prevê que cada país apresente metas voluntárias de redução de emissões e a criação de mecanismos financeiros para os países menos desenvolvidos reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e enfrentarem os impactos da mudança do clima com mitigação e adaptação.

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro abre mão de realizar a CoP-25 no Brasil, alegando que custaria R$ 500 milhões. A conferência é transferida para o Chile e acaba sendo realizada em Madri, na Espanha, por causa das manifestações de protestos contra o governo chileno naquele ano. O Brasil tenta bloquear o acordo.

Em 2021, a CoP-26, realizada em Glasgow, na Escócia, registra alguns avanços como acordos sobre florestas e redução das emissões de gás metano, mas não chega a um acordo para banir o uso de carvão e, mais importante, para financiar a transição energética nos países em desenvolvimento.

O Brasil promete acabar com o desmatamento em 2030, mas Bolsonaro afirma que é o "desmatamento ilegal". Com o desmatamento na Amazônia, vira o maior vilão global da destruição da natureza.

Na CoP-27, realizada de 6 a 18 de novembro em Charm al-Cheikh, no Egito, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, é convidado. Isto marca um retorno do protagonismo do Brasil nas negociações internacionais de meio ambiente depois do calamitoso governo Bolsonaro.

Os países em desenvolvimento cobram a promessa dos países ricos de dar US$ 100 bilhões por ano para combater o aquecimento global. Os mecanismos financeiros, inclusive o mercado de créditos de carbono, em que países que emitem menos podem vender sua "cota de poluição" a países ou empresas, ficam de ser regulamentados na conferência deste ano.

A CoP-28 será realizada de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Pelo andamento das discussões nas reuniões preparatórias, pode não haver acordo.

O Brasil vai sediar a CoP-30 em novembro de 2023 em Belém do Pará.