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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Fevereiro

 IMPÉRIO RETOMA CALCUTÁ

    Em 1757, pelo Tratado de Alinagar, Robert Clive restaura o domínio do Império Britânico sobre Calcutá (hoje Kolkota), num prelúdio para a conquista de Bengala na Batalha de Plassey, em 23 de junho.

Por um século, até 1857, a Companhia das Índias Orientais coloniza parte da Índia para o Império Britânico. A administração imperial direta de Londres vai até a independência e a divisão do país em Índia e Paquistão, em agosto de 1947.

SUCESSÃO NA URSS

    Em 1984, um ano e três meses depois de suceder a Leonid Brejnev, morre o líder soviético Yuri Andropov, ex-diretor-geral do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da União Soviética.

Yuri Vladimirovich Andropov é um homem poderoso dentro do regime comunista. Chega ao poder, ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista, em 12 de novembro de 1982, aos 68 anos, com a saúde debilitada. É considerado o preceptor e padrinho político da Mikhail Gorbachev, então comissário de agricultura do governo soviético.

Seu sucessor, Konstantin Chernenko, também tem breve passagem pelo cargo de líder máximo do partido e do regime. Reina de 13 de fevereiro de 1984 a 11 de março de 1985 e é substituído por Gorbachev, o último líder da URSS, em 11 de março de 1985.

MAGIC JOHNSON VOLTA PARA JOGO DAS ESTRELAS

    Em 1992, o grande astro do basquete Magic Johnson volta às quadras para disputar o Jogo das Estrelas meses depois de revelar que tem o vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da síndrome de deficiência imunológica adquirida (aids).

Earvin Magic Johnson nasce em Lansing, no estado de Michigan, em 14 de agosto de 1959, filho de um montador da General Motors e de uma zeladora de escola municipal. Seus pais jogaram basquete e assistiam aos jogos da NBA (Associação Nacional de Basquete dos EUA).

Aos 14 anos, ele ingressa numa escola que não é só para negros e seus colegas brancos não passam a bola nos jogos de basquete. É necessária uma intervenção do treinador George Fox, que escala Johnson como armador por causa da criatividade. No segundo ano, era um dos melhores times de estudantes de Michigan.

Aos 15 anos, Earvin ganha o apelido de Magic Johnson. Ele vai para a Universidade Estadual de Michigan para jogar na sua posição original. Sonha em ser comentarista, Assim, se concentra no curso de comunicação social.

Em 1978, Johnson estampa capa da revista Sports Illustrated, A Universidade Estadual de Michigan vai para a final do basquete universitário na temporada 1978-79 contra a Universidade de Indiana, liderada por Larry Bird, que vai para o Boston Celtics e trava um longo duelo com Magic Johnson. Michigan vence por 75-64. 

Aos 20 anos, ele entra no sorteio da NBA e vai para o Los Angeles Lakers. É um dos maiores e talvez o mais criativo armador da história do basquete. É cinco vezes campeão da NBA, três vezes escolhido o melhor jogador. três vezes escolhido o melhor jogador das finais e duas vezes o melhor do Jogo das Estrela.

Magic Johnson conquista uma medalha de ouro com o Time dos Sonhos na Olimpíada de Barcelona, em 1992. É o jogador com maior média de assistências por jogo da história da NBA.

Em 7 de novembro de 1991, numa notícia chocante, Johnson anuncia que testou positivo para o HIV e está abandonando o basquete. Volta para o jogo das estrelas e a olimpíada.

IRA ROMPE TRÉGUA

    Em 1996, com a explosão de um caminhão-bomba na Ilhas dos Cães, na região das Docas de Londres, o Exército Republicano Irlandês (IRA) rompe o cessar-fogo na luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, paralisando o processo de paz para acabar uma guerra civil de 30 anos com 3,5 mil mortes. Duas pessoas morrem, mais de 100 saem feridas e os prejuízos chegam a 150 milhões de libras.

A Inglaterra interfere na Irlanda desde a Invasão Anglo-Normanda de 1169 e mais tarde anexa a ilha ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Quando a Irlanda se torna independente, em 1922, seis dos nove condados da província do Úlster formam a Irlanda do Norte, de maioria protestante, que continua fazendo parte da União.

Os protestantes da Irlanda do Norte são descendentes de presbiterianos escoceses enviados para lá numa migração forçada promovida por Oliver Cromwell, o ditador do breve período republicano da história da Inglaterra (1649-60). Eles festejam todos os anos com paradas a vitória na Batalha do Boyne, em 1º de julho 1690, sobre os católicos e nacionalistas irlandeses.

Nos anos 1960, a minoria católica, republicana e nacionalista irlandesa se revolta contra a discriminação, o desemprego e sua posição de cidadãos de segunda classe na Irlanda do Norte. Na onda dos movimentos de libertação nacional da segunda metade do século 20, renasce o Exército Republicano Irlandês (IRA), que trava uma guerra de guerrilha contra o Exército Real britânico, que intervém na província em agosto de 1969.

O conflito tem seu pior momento no início dos anos 1970, com o Domingo Sangrento, 30 de janeiro de 1972, quando soldados britânicos fuzilam e matam 14 pessoas que participam de uma manifestação desarmada em Londonderry.

A partir de 1976, o governo britânico adota uma linha dura e passa a tratar os guerrilheiros do IRA como criminosos comuns e não como presos políticos. Com a ascensão ao poder da primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher (1979-90), há greves de fome de presos do IRA e dez morrem, inclusive Bobby Sands, deputado eleito da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

As mortes dão status de herói aos presos e prestígio ao Sinn Féin, o partido político do IRA, hoje o maior da Irlanda do Norte. E radicalizam ainda mais a situação.

Em 1984, o IRA tenta matar Thatcher e outros membros do governo britânico num atentado a bomba contra um hotel na cidade balneária de Brighton onde se realizava a convenção anual do Partido Conservador.

As negociações secretas começam por iniciativa do deputado John Hume, que procura o Sinn Féin para discutir a paz. 

Na Declaração de Downing Street, em 15 de dezembro de 1993, os governos britânico e irlandês se comprometem com o direito do povo norte-irlandês à autodeterminação. Assim, a Irlanda do Norte só será integrada à República da Irlanda quando a maioria da população decidir, e as questões entre o Sul e o Norte da Irlanda devem ser resolvidas pelos irlandeses.

Com base nestes princípios, em 31 de agosto de 1994, o IRA anuncia um cessar-fogo, seguido em 13 de outubro pelos Comando Militar Conjunto dos Legalistas, os paramilitares protestantes.

A exigência dos protestantes de um desarmamento do IRA como precondição para negociar causa uma estagnação no processo de paz que leva ao atentado na Ilha dos Cães.

O IRA restaura o cessar-fogo em 20 de julho de 1997. As negociações multipartidárias são retomadas em setembro. O Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa é assinado em 10 de abril criando uma divisão do poder entre republicanos e unionistas em que uma minoria de 40% têm direito de veto para evitar o domínio de uma comunidade sobre a outra.

A saída do Reino Unido da União Europeia cria um problema para a paz pelo risco de haver uma fronteira dura entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, desnecessária quando os dois países pertenciam à UE. O Protocolo da Irlanda do Norte ainda é alvo de controvérsia.

Só no ano passado o Partido Unionista Democrático (DUP) concorda em recriar o governo de união nacional da Irlanda do Norte forjado pelo acordo de paz, que exige a participação do maior partido da comunidade protestante e unionista, a favor de pertencer ao Reino Unido, e dos partidos católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses, que defenfem a unificação da Irlanda.

Pela primeira vez, o novo governo é chefiado pelo Sinn Féin, o partido do Exército Republicano Irlandês (IRA), que travo a guerra civil de 1969-98 na luta pela unificação da Irlanda. Michelle O'Neill assume o cargo de primeira-ministra em 3 de fevereiro de 2024.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

 TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do faraó-menino, que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

O tesouro de Tutancâmon está no recém-inaugurado Grande Museu do Egito, o maior museu antropológico do mundo.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os 66 diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba com a posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

Semanas depois, 13 reféns, na maioria negros e mulheres, são libertados. Outro refém é solto por motivos de saúde. Os outros 52 são mantidos em cativeiro até o fim da ocupação.

Até hoje, os dois países não reataram as relações diplomáticas, embora tenham negociado um acordo em 2015 junto com os outros membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) para desarmar o programa nuclear iraniano. 

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela polícia, Amir, de 27 anos, um estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasce em 1º de março de 1922 Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordânia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudam em 4 de agosto de 1961. 

Quando os pais se separam, a mãe se casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato presidencial na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeia John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton. Na eleição, realizada menos de dois meses depois do colapso do banco Lehman Brothers, que deflagra uma crise financeira internacional, derrota o senador republicano John McCain, um veterano de guerra que passou cinco anos e meio preso no Vietnã do Norte.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima. Mais de 190 países se comprometem a adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

O Acordo Quadro sobre Mudança do Clima é negociado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). É o início da ação global para evitar que a concentração de gases carbônicos na atmosfera por causa da atividade humana eleve demais a temperatura da Terra. Desde então, são realizadas conferências das partes (CoPs) do acordo.

Em 1997, é assinado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países desenvolvidos se comprometiam a reduzir as emissões em 5% em relação a 1990. Os Estados Unidos negociam o acordo com o vice-presidente Al Gore, um ecologista, mas o Senado não ratifica alegando concorrência desleal, já que os países em desenvolvimento não precisam fazer nada.

Quando o Protocolo de Quioto caduca, em 2012, a China, com seu desenvolvimento industrial, é a maior poluente. Há necessidade de um acordo que inclua todos os países.

O Acordo de Paris, assinado na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-21), em 2015, prevê que cada país apresente metas voluntárias de redução de emissões e a criação de mecanismos financeiros para os países menos desenvolvidos reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e enfrentarem os impactos da mudança do clima com mitigação e adaptação.

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro abre mão de realizar a CoP-25 no Brasil, alegando que custaria R$ 500 milhões. A conferência é transferida para o Chile e acaba sendo realizada em Madri, na Espanha, por causa das manifestações de protestos contra o governo chileno naquele ano. O Brasil tenta bloquear o acordo.

Em 2021, a CoP-26, realizada em Glasgow, na Escócia, registra alguns avanços como acordos sobre florestas e redução das emissões de gás metano, mas não chega a um acordo para banir o uso de carvão e, mais importante, para financiar a transição energética nos países em desenvolvimento.

O Brasil promete acabar com o desmatamento em 2030, mas Bolsonaro afirma que é o "desmatamento ilegal". Com o desmatamento na Amazônia, vira o maior vilão global da destruição da natureza.

Na CoP-27, realizada de 6 a 18 de novembro em Charm al-Cheikh, no Egito, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, é convidado. Isto marca um retorno do protagonismo do Brasil nas negociações internacionais de meio ambiente depois do calamitoso governo Bolsonaro.

Os países em desenvolvimento cobram a promessa dos países ricos de dar US$ 100 bilhões por ano para combater o aquecimento global. Os mecanismos financeiros, inclusive o mercado de créditos de carbono, em que países que emitem menos podem vender sua "cota de poluição" a países ou empresas, ficam de ser regulamentados na conferência deste ano.

A CoP-28 é realizada de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Decide que o mundo precisa fazer uma transição para reduzir as emissões de combustíveis fósseis, triplicar até 2030 a produção de energia de fontes renováveis, redobrar os esforços para aumentar a eficiência energética e eliminar gradualmente os subsídios "ineficientes" aos combustíveis fósseis. A CoP-28 é presidida por um diretor de companhia de petróleo dos EAU.

A CoP-29 é realizada de 11 a 22 de novembro deste ano em Baku, a capital da ex-república soviética do Azerbaijão, outro grande produtor de petróleo. Os países ricos se comprometem a dar US$ 300 bilhões por ano para financiar a transição energética e mitigar os efeitos do aquecimento global, bem menos do que US$ 1,3 trilhão reivindicado pelos países em desenvolvimento.

Neste ano, a CoP-30 será realizada de 10 a 21 de novembro em Belém, a capital do Pará, no Brasil. Será a primeira realizada na Amazônia, junto à maior floresta tropical do planeta, que será decisiva para conter o aquecimento global. 

O presidente Donald Trump, que retirou os EUA pela segunda vez do Acordo de Paris, boicota a conferência. A Argentina do neofascista Javier Milei não confirma a participação.

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terça-feira, 23 de setembro de 2025

Reconhecimento da Palestina tem valor simbólico

Com o reconhecimento da independência da Palestina por  Austrália, Canadá, França, Portugal e Reino Unido, a situação não muda no campo de batalha. Israel conquistou hegemonia militar no Oriente Médio. Só pode ser parado pelos Estados Unidos e o presidente Donald Trump não mostra a menor intenção de fazer isso. Mas o significado simbólico é importante.

É uma tentativa de salvar a proposta de paz com a criação de dois países, Israel e Palestina, para dividir o território histórico da Palestina, como previa a resolução das Nações Unidas que criou Israel em 1947. O governo de extrema direita de Israel rejeita totalmente esta possibilidade e ameaça anexar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

Este é o grande desafio do países que reconhecem a Palestina: transformar declarações em realidade e resgatar a dignidade do povo palestino. Já são 157 dos 193 países-membros da ONU. 

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Fevereiro

 IMPÉRIO RETOMA CALCUTÁ

    Em 1757, pelo Tratado de Alinagar, Robert Clive restaura o domínio do Império Britânico sobre Calcutá (hoje Kolkota), num prelúdio para a conquista de Bengala na Batalha de Plassey, em 23 de junho.

Por um século, até 1857, a Companhia das Índias Orientais coloniza parte da Índia para o Império Britânico. A administração imperial direta de Londres vai até a independência e a divisão do país em Índia e Paquistão, em agosto de 1947.

SUCESSÃO NA URSS

    Em 1984, um ano e três meses depois de suceder a Leonid Brejnev, morre o líder soviético Yuri Andropov, ex-diretor-geral do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da União Soviética.

Yuri Vladimirovich Andropov é um homem poderoso dentro do regime comunista. Chega ao poder, ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista, em 12 de novembro de 1982, aos 68 anos, com a saúde debilitada. É considerado o preceptor e padrinho político da Mikhail Gorbachev, então comissário de agricultura do governo soviético.

Seu sucessor, Konstantin Chernenko, também tem breve passagem pelo cargo de líder máximo do partido e do regime. Reina de 13 de fevereiro de 1984 a 11 de março de 1985 e é substituído por Gorbachev, o último líder da URSS, em 11 de março de 1985.

IRA ROMPE TRÉGUA

    Em 1996, com a explosão de um caminhão-bomba na Ilhas dos Cães, na região das Docas de Londres, o Exército Republicano Irlandês (IRA) rompe o cessar-fogo na luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, paralisando o processo de paz para acabar uma guerra civil de 30 anos com 3,5 mil mortes. Duas pessoas morrem, mais de 100 saem feridas e os prejuízos chegam a 150 milhões de libras.

A Inglaterra interfere na Irlanda desde a Invasão Anglo-Normanda de 1169 e mais tarde anexa a ilha ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Quando a Irlanda se torna independente, em 1922, seis dos nove condados da província do Úlster formam a Irlanda do Norte, de maioria protestante, que continua fazendo parte da União.

Os protestantes da Irlanda do Norte são descendentes de presbiterianos escoceses enviados para lá numa migração forçada promovida por Oliver Cromwell, o ditador do breve período republicano da história da Inglaterra (1649-60). Eles festejam todos os anos com paradas a vitória na Batalha do Boyne, em 1º de julho 1690, sobre os católicos e nacionalistas irlandeses.

Nos anos 1960, a minoria católica, republicana e nacionalista irlandesa se revolta contra a discriminação, o desemprego e sua posição de cidadãos de segunda classe na Irlanda do Norte. Na onda dos movimentos de libertação nacional da segunda metade do século 20, renasce o Exército Republicano Irlandês (IRA), que trava uma guerra de guerrilha contra o Exército Real britânico, que intervém na província em agosto de 1969.

O conflito tem seu pior momento no início dos anos 1970, com o Domingo Sangrento, 30 de janeiro de 1972, quando soldados britânicos fuzilam e matam 14 pessoas que participam de uma manifestação desarmada em Londonderry.

A partir de 1976, o governo britânico adota uma linha dura e passa a tratar os guerrilheiros do IRA como criminosos comuns e não como presos políticos. Com a ascensão ao poder da primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher (1979-90), há greves de fome de presos do IRA e dez morrem, inclusive Bobby Sands, deputado eleito da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

As mortes dão status de herói aos presos e prestígio ao Sinn Féin, o partido político do IRA, hoje o maior da Irlanda do Norte. E radicalizaram ainda mais a situação.

Em 1984, o IRA tenta matar Thatcher e outros membros do governo britânico num atentado a bomba contra um hotel na cidade balneária de Brighton onde se realizava a convenção anual do Partido Conservador.

As negociações secretas começam por iniciativa do deputado John Hume, que procura o Sinn Féin para discutir a paz. 

Na Declaração de Downing Street, em 15 de dezembro de 1993, os governos britânico e irlandês se comprometem com o direito do povo norte-irlandês à autodeterminação. Assim, a Irlanda do Norte só será integrada à República da Irlanda quando a maioria da população decidir, e as questões entre o Sul e o Norte da Irlanda devem ser resolvidas pelos irlandeses.

Com base nestes princípios, em 31 de agosto de 1994, o IRA anuncia um cessar-fogo, seguido em 13 de outubro pelos Comando Militar Conjunto dos Legalistas, os paramilitares protestantes.

A exigência dos protestantes de um desarmamento do IRA como precondição para negociar causa uma estagnação no processo de paz que leva ao atentado na Ilha dos Cães.

O IRA restaura o cessar-fogo em 20 de julho de 1997. As negociações multipartidárias são retomadas em setembro. O Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa é assinado em 10 de abril criando uma divisão do poder entre republicanos e unionistas em que uma minoria de 40% têm direito de veto para evitar o domínio de uma comunidade sobre a outra.

A saída do Reino Unido da União Europeia cria um problema para a paz pelo risco de haver uma fronteira dura entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, desnecessária quando os dois países pertenciam à UE. O Protocolo da Irlanda do Norte ainda é alvo de controvérsia.

Só no ano passado o Partido Unionista Democrático (DUP) concorda em recriar o governo de união nacional da Irlanda do Norte forjado pelo acordo de paz, que exige a participação do maior partido da comunidade protestante e unionista, a favor de pertencer ao Reino Unido, e dos partidos católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses, que defenfem a unificação da Irlanda.

Pela primeira vez, o novo governo é chefiado pelo Sinn Féin, o partido do Exército Republicano Irlandês (IRA), que travo a guerra civil de 1969-98 na luta pela unificação da Irlanda. Michelle O'Neill assume o cargo de primeira-ministra em 3 de fevereiro de 2024.

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

 TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do jovem faraó que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba depois da posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela polícia, Amir, de 27 anos, um estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasce em 1º de março de 1922 Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordânia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudam em 4 de agosto de 1961. 

Quando os pais se separam, a mãe se casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeia John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton. Na eleição, realizada menos de dois meses depois do colapso do banco Lehman Brothers, que deflagra uma crise internacional, derrota o senador republicano John McCain, um veterano de guerra que passou cinco anos e meio preso no Vietnã do Norte.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima. Mais de 190 países se comprometem a adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

O Acordo Quadro sobre Mudança do Clima é negociado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). É o início da ação global para evitar que a concentração de gases carbônicos na atmosfera por causa da atividade humana eleve demais a temperatura da Terra. Desde então, são realizadas conferências das partes (CoPs) do acordo.

Em 1997, é assinado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países desenvolvidos se comprometiam a reduzir as emissões em 5% em relação a 1990. Os Estados Unidos negociam o acordo com o vice-presidente Al Gore, um ecologista, mas o Senado não ratifica alegando concorrência desleal, já que os países em desenvolvimento não precisam fazer nada.

Quando o Protocolo de Quioto caduca, em 2012, a China, com seu desenvolvimento industrial, é a maior poluente. Há necessidade de um acordo que inclua todos os países.

O Acordo de Paris, assinado na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-21), em 2015, prevê que cada país apresente metas voluntárias de redução de emissões e a criação de mecanismos financeiros para os países menos desenvolvidos reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e enfrentarem os impactos da mudança do clima com mitigação e adaptação.

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro abre mão de realizar a CoP-25 no Brasil, alegando que custaria R$ 500 milhões. A conferência é transferida para o Chile e acaba sendo realizada em Madri, na Espanha, por causa das manifestações de protestos contra o governo chileno naquele ano. O Brasil tenta bloquear o acordo.

Em 2021, a CoP-26, realizada em Glasgow, na Escócia, registra alguns avanços como acordos sobre florestas e redução das emissões de gás metano, mas não chega a um acordo para banir o uso de carvão e, mais importante, para financiar a transição energética nos países em desenvolvimento.

O Brasil promete acabar com o desmatamento em 2030, mas Bolsonaro afirma que é o "desmatamento ilegal". Com o desmatamento na Amazônia, vira o maior vilão global da destruição da natureza.

Na CoP-27, realizada de 6 a 18 de novembro em Charm al-Cheikh, no Egito, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, é convidado. Isto marca um retorno do protagonismo do Brasil nas negociações internacionais de meio ambiente depois do calamitoso governo Bolsonaro.

Os países em desenvolvimento cobram a promessa dos países ricos de dar US$ 100 bilhões por ano para combater o aquecimento global. Os mecanismos financeiros, inclusive o mercado de créditos de carbono, em que países que emitem menos podem vender sua "cota de poluição" a países ou empresas, ficam de ser regulamentados na conferência deste ano.

A CoP-28 é realizada de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Decide que o mundo precisa fazer uma transição para reduzir as emissões de combustíveis fósseis, triplicar até 2030 a produção de energia de fontes renováveis, redobrar os esforços para aumentar a eficiência energética e eliminar gradualmente os subsídios "ineficientes" aos combustíveis fósseis. A CoP-28 é presidida por um diretor de companhia de petróleo dos EAU.

A CoP-29 será realizada de 11 a 22 de novembro deste ano em Baku, a capital da ex-república soviética do Azerbaijão, outro grande produtor de petróleo.

No próximo ano, a CoP-30 será em Belém, a capital do Pará, no Brasil. Será a primeira realizada na Amazônia, junto à maior floresta tropical do planeta, que será decisiva para conter o aquecimento global.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 9 de Fevereiro

IMPÉRIO RETOMA CALCUTÁ

    Em 1757, pelo Tratado de Alinagar, Robert Clive restaura o domínio do Império Britânico sobre Calcutá (hoje Kolkota), num prelúdio para a conquista de Bengala na Batalha de Plassey, em 23 de junho.

Por um século, até 1857, a Companhia das Índias Orientais coloniza parte da Índia para o Império Britânico. A administração imperial direta de Londres vai de 1857 até a independência da Índia e do Paquistão, em agosto de 1947.

SUCESSÃO NA URSS

    Em 1984, um ano e três meses depois de suceder a Leonid Brejnev, morre o líder soviético Yuri Andropov, ex-diretor-geral do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da União Soviética.

Yuri Vladimirovich Andropov é um homem poderoso dentro do regime comunista. Chega ao poder, ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista, em 12 de novembro de 1982, aos 68 anos, com a saúde debilitada. É considerado o preceptor e padrinho político de Mikhail Gorbachev, então comissário de agricultura do governo soviético.

Seu sucessor, Konstantin Chernenko, também tem breve passagem pelo cargo de líder máximo do partido do regime. Reina de 13 de fevereiro de 1984 a 11 de março de 1985 e é substituído por Gorbachev, o último líder da URSS.

IRA ROMPE TRÉGUA

    Em 1996, com a explosão de um caminhão-bomba na Ilhas dos Cães, na região das Docas de Londres, o Exército Republicano Irlandês (IRA) rompe o cessar-fogo na luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, paralisando o processo de paz para acabar uma guerra civil de 30 anos com 3,5 mil mortes. Duas pessoas morrem, mais de 100 saem feridas e os prejuízos chegam a 150 milhões de libras.

A Inglaterra interfere na Irlanda desde a Invasão Anglo-Normanda de 1169 e mais tarde anexou a ilha menor ao Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda. Quando a Irlanda se torna independente, em 1922, seis dos nove condados da província do Úlster formam a Irlanda do Norte, de maioria protestante, que continua fazendo parte da União.

Os protestantes da Irlanda do Norte são descendentes de presbiterianos escoceses enviados para lá numa migração forçada promovida por Oliver Cromwell, o líder do breve período republicano da história da Inglaterra. Eles festejam todos os anos com paradas a vitória na Batalha do Boyne, em 1690, sobre os católicos e nacionalistas irlandeses.

Nos anos 1960, a minoria, católica, republicana e nacionalista irlandesa se revolta contra a discriminação, o desemprego e sua posição de cidadãos de segunda classe na Irlanda do Norte. Na onda dos movimentos de libertação nacional da segunda metade do século 20, renasce o Exército Republicano Irlandês (IRA), que trava uma guerra de guerrilha contra o Exército Real britânico, que intervém na província em agosto de 1969.

O conflito tem seu pior momento no início dos anos 1970, com o Domingo Sangrento, 30 de janeiro de 1972, quando soldados britânicos fuzilam e matam 14 pessoas que participavam de uma manifestação desarmada em Londonderry.

A partir de 1976, o governo britânico adota uma linha dura e passa a tratar os guerrilheiros do IRA como criminosos comuns e não como presos políticos. Com a ascensão ao poder da primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher, há greves de fome de presos do IRA e dez morrem, inclusive Bobby Sands, deputado eleito da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

As mortes deram status de herói aos presos e prestígio ao Sinn Féin, o partido político do IRA, hoje o maior da Irlanda do Norte. E radicalizaram ainda mais a situação.

Em 1984, o IRA tenta matar Thatcher e outros membros do governo britânico num atentado a bomba contra um hotel na cidade balneária de Brighton onde se realizava a convenção anual do Partido Conservador.

As negociações secretas começam por iniciativa do deputado John Hume, que procura o Sinn Féin para discutir a paz. 

Na Declaração de Downing Street, em 15 de dezembro de 1993, os governos britânico e irlandês se comprometem com o direito do povo à autodeterminação. Assim, a Irlanda do Norte só será integrada à República da Irlanda quando a maioria da população decidir, e as questões entre o Sul e o Norte da Irlanda devem ser resolvidas pelos irlandeses.

Com base nestes princípios, em 31 de agosto de 1994, o IRA anuncia um cessar-fogo, seguido em 13 de outubro pelos Comando Militar Conjunto dos Legalistas, os paramilitares protestantes.

A exigência dos protestantes de um desarmamento do IRA como precondição para negociar causou uma estagnação no processo de paz que leva ao atentado na Ilha dos Cães.

O IRA restaura o cessar-fogo em 20 de julho de 1997. As negociações multipartidárias são retomadas em setembro. O Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa é assinado em 10 de abril criando uma divisão do poder entre republicanos e unionistas em que uma minoria de 40% têm direito de veto para evitar o domínio de uma comunidade sobre a outra.

A saída do Reino Unido da União Europeia cria um problema para a paz pelo risco de haver uma fronteira dura entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, desnecessária quando os dois países pertenciam à UE. O Protocolo da Irlanda do Norte ainda é alvo de controvérsia.

Só recentemente o Partido Unionista Democrático (DUP) concorda em recriar o governo da união nacional da Irlanda do Norte forjado pelo acordo de paz, que exige a participação do maior partido da comunidade protestante e unionista, a favor de pertencer ao Reino Unido, e dos partidos católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses, que defenfem a unificação da Irlanda.

Pela primeira vez, o novo governo será chefiado pelo Sinn Féin, o partido do Exército Republicano Irlandês (IRA), que travou a guerra civil de 1969-98 na luta pela unificação da Irlanda.

sábado, 4 de novembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

 TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do jovem faraó que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba depois da posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela polícia, Amir, de 27 anos, estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasce em Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordândia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudavam, em 4 de agosto de 1961. 

Quando os pais se separam, a mãe se casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeia John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e mais de 190 países vão adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

O Acordo Quadro sobre Mudança do Clima é negociado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). É o início da ação global para evitar que a concentração de gases carbônicos na atmosfera por causa da atividade humana eleve demais a temperatura da Terra. Desde então, são realizadas conferências das partes (CoPs) do acordo.

Em 1997, é assinado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países desenvolvidos se comprometiam a reduzir as emissões em 5% em relação a 1990. Os Estados Unidos negociam o acordo com o vice-presidente Al Gore, um ecologista, mas o Senado não ratifica alegando concorrência desleal, já que os países em desenvolvimento não precisam fazer nada..

Quando o Protocolo de Quioto caduca, em 2012, a China, com seu desenvolvimento industrial, é a maior poluente. Há necessidade de um acordo que inclua todos os países.

O Acordo de Paris, assinado na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-21), em 2015, prevê que cada país apresente metas voluntárias de redução de emissões e a criação de mecanismos financeiros para os países menos desenvolvidos reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e enfrentarem os impactos da mudança do clima com mitigação e adaptação.

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro abre mão de realizar a CoP-25 no Brasil, alegando que custaria R$ 500 milhões. A conferência é transferida para o Chile e acaba sendo realizada em Madri, na Espanha, por causa das manifestações de protestos contra o governo chileno naquele ano. O Brasil tenta bloquear o acordo.

Em 2021, a CoP-26, realizada em Glasgow, na Escócia, registra alguns avanços como acordos sobre florestas e redução das emissões de gás metano, mas não chega a um acordo para banir o uso de carvão e, mais importante, para financiar a transição energética nos países em desenvolvimento.

O Brasil promete acabar com o desmatamento em 2030, mas Bolsonaro afirma que é o "desmatamento ilegal". Com o desmatamento na Amazônia, vira o maior vilão global da destruição da natureza.

Na CoP-27, realizada de 6 a 18 de novembro em Charm al-Cheikh, no Egito, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, é convidado. Isto marca um retorno do protagonismo do Brasil nas negociações internacionais de meio ambiente depois do calamitoso governo Bolsonaro.

Os países em desenvolvimento cobram a promessa dos países ricos de dar US$ 100 bilhões por ano para combater o aquecimento global. Os mecanismos financeiros, inclusive o mercado de créditos de carbono, em que países que emitem menos podem vender sua "cota de poluição" a países ou empresas, ficam de ser regulamentados na conferência deste ano.

A CoP-28 será realizada de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Pelo andamento das discussões nas reuniões preparatórias, pode não haver acordo.

O Brasil vai sediar a CoP-30 em novembro de 2023 em Belém do Pará.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Petro reata com Venezuela e anuncia cessar-fogo na Colômbia

 O novo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou sábado, durante visita ao Departamento de Antióquia, uma trégua multilateral com os grupos guerrilheiros em atividade no país, noticiou hoje o jornal El Tiempo.

Em curto prazo, o esforço para pacificar o país vai aumentar a segurança e reduzir o risco de ataques nas zonais rurais. Mas não há garantia de sucesso. Qualquer acordo de paz vai depender da aprovação do Congresso e da adesão dos guerrilheiros.

Primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, Petro prometeu na campanha a “paz total”, o fim de uma guerra civil que matou cerca de 500 mil pessoas desde 1948. 

O Exército de Libertação Nacional (ELN), hoje o maior grupo armado do país, enviou uma delegação de alto nível para Havana, a capital de Cuba, sede das negociações, e libertou dois grupos de reféns. O governo suspendeu as ordens de prisão dos líderes da guerrilha para que possam entrar contato com sua organização.

A bancada do Pacto Histórico, a coalizão de governo, apresentou ao Congresso um projeto para encaminhar as negociações. A proposta prevê a suspensão dos mandados de prisão e extradição dos comandantes de grupos armados que negociem a paz, inclusive dos chefões dos cartéis do tráfico de drogas. Autoriza governadores e prefeitos a participar de diálogos regionais com os rebeldes. E tenta assegurar que futuros governo mantenham as negociações.

O governo Juan Manuel Santos (2010-18) negociou a paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que abandonaram a luta armada em 2017, mas seu sucessor, Iván Duque, sabotou o processo de paz. Cerca de um terço dos guerrilheiros das FARC voltou à guerra.

Nesta segunda-feira, o embaixador colombiano Armando Benedetti apresentou credencias ao ministro do Exterior da Venezuela, Carlos Farías, e foi recebido pelo ditador Nicolás Maduro no Palácio de Miraflores, em Caracas, selando o reatamento entre os dois países, rompidos desde 23 de fevereiro de 2019, outra promessa de Petro.

Durante, a campanha, Petro, que foi ativista político do grupo guerrilheiro M-19, foi acusado de querer impor um regime como o venezuelano. Ele era amigo e admirador de Hugo Chávez, mas se tornou um crítico do regime chavista. Afirmou que “um pequeno grupo de pessoas se locupletando da renda do petróleo não pode-se chamar de revolução”. Petro é ecologista.

O restabelecimento de relações com a Venezuela ajuda o processo de paz colombiano porque os grupos armados costumam se refugiar no país vizinho.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 13 de Setembro

FASCISTAS INVADEM EGITO

    Em 1940, a Itália Fascista do ditador Benito Mussolini cruza a fronteira da Líbia e ataca o Egito na Segunda Guerra Mundial (1939-45)

Na sua expansão econômica imperialista, a Itália ocupa a Líbia em 1912. A partir de 1935, ano em que invadiu a Etiópia, Mussolini começou a enviar camponeses para a Líbia para aliviar a superpopulação do país. Quando a guerra começou, a Itália tinha bastante gente no Norte da África.

O delírio de grandeza do fascismo era resgatar a glória do Império Romano. A invasão do Egito se insere neste contexto.

ACIDENTE NUCLEAR EM GOIÂNIA

    Em 1987, uma cápsula do elemento radioativo césio-137 abandonada em Goiânia é pega vendida por catadores a um ferro-velho, onde é aberta cinco dias depois trabalhadores que ficam maravilhados com o conteúdo de um azul radiante que chegou a ser esfregado em uma menina como se fosse decorativo e o distribuíram entre amigos e parentes. Seis pessoas morrem e 1,6 mil são afetadas.

A cápsula usada em tratamentos de medicina nuclear é abandonada dentro de uma máquina obsoleta pelo Instituto de Radiologia de Goiânia quando muda de sede, em 1985, sem observar as medidas cautelares previstas em lei.

PROCESSO DE PAZ

    Em 1993, o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, e o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, dão um histórico aperto de mãos nos jardins da Casa Branca, ao lado do presidente Bill Clinton, e anunciam um acordo para iniciar um processo de paz com o objetivo de acabar com o conflito árabe-israelense.

A ideia de criar uma pátria para o povo judeu ganha força no fim do século 19 com os pogroms (massacres) na Europa Oriental e o caso Alfredo Dreifus, um capitão do Exército da França acusado de ser espião para a Alemanha, condenado e enviado para a prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

Em 2 de dezembro de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), na Declaração de Balfour, em carta ao Barão de Rothschild, líder da comunidade judaica no Reino Unido, o ministro do Exterior britânico, Arthur James Balfour, promete fundar uma pátria para os judeus, se o Império Otomano for derrotado.

A promessa estimula a migração de judeus para a Palestina. Conflito com os árabes começa nos anos 1920 e se intensifica com a ascensão do nazismo ao poder na Alemanha em 1933. Isto leva à Revolta Árabe (1936-39).

Depois da Segunda Guerra Mundial, as Nações Unidas aprovam a divisão da Palestina e a criação do Estado Nacional judaico. Quando Israel é fundada, em 14 de maio de 1948, os vizinhos árabes rejeitam a medida e entram numa guerra vencida por Israel. Milhares de árabes são expulsos, dando origem ao movimento nacional palestino.

A Guerra dos Seis Dias, em 1967, termina com uma vitória-relâmpago de Israel e a ocupação da Faixa de Gaza e da Península do Sinai, que eram parte do Egito; das Colinas do Golã, da Síria; e da Cisjordânia, que era parte da Jordânia.

Com mais uma derrota árabe na Guerra do Yom Kippur, em 1973, o ditador do Egito, Anuar Sadat, se aproxima dos Estados Unidos, vai a Israel e negocia a paz em troca da devolução do Sinai. Sadat paga com a vida, é assassinado oito anos depois do início da guerra. A paz entre árabes e judeus dependeria de mais negociações, que não aconteceram.

O processo de paz entre Israel e os palestnos começa em 1991, depois da guerra para expulsar os iraquianos do Kuwait, quando Israel foi atacado e não retaliou para manter a unidade da aliança contra o Iraque de Saddam Hussein.

Sem sucesso no início, o processo de paz anda com negociações secretas em Oslo, a capital da Noruega, que resulta no acordo anunciado na Casa Branca e na criação da Autoridade Nacional Palestina. O assassinato do primeiro-ministro Rabin, em 4 de novembro de 1995, por um ultradireitista israelense é um golpe na paz.

No ano seguinte, chega ao poder o primeiro-ministro direitista Benjamin Netanyahu, que arrasta as negociações enquanto amplia a colonização da Cisjordânia ocupada para criar uma política de fato consumado, origem da atual estagnação no processo de paz.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Derrota de Netanyahu pode marcar fim de uma era em Israel

A derrota do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu nas eleições de 17 de setembro pode marcar o fim de uma era, salvar a democracia israelense e dar uma chance à paz com os palestinos.

O resultado ainda está indefinido. Apurados 97% nas segundas eleições deste ano em Israel, o partido Azul e Branco, liderado pelo ex-comandante do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, general Benny Gantz, está na frente com 33 deputados, enquanto o partido Likud, de Netanyahu, elegeu 32 deputados na Knesset, o Parlamento israelense.

Como a Knesset tem 120 cadeiras, ambos ainda estão longe da maioria absoluta de 61 deputados necessária para formar um novo governo. 

Hoje, Netanyahu propôs a Gantz a formação de uma grande aliança dos dois grandes partidos, com revezamento dos dois na chefia de governo. O general rejeitou. Com mais deputados, tem prioridade. Declarou que pretende formar uma coalizão ampla e liderar um governo de união nacional politicamente liberal. 

Esta aliança ampla pode incluir o Likud, desde que Netanyahu não seja mais líder. As negociações podem durar semanas e até meses. Se Gantz fracassar, Netanyahu terá mais uma chance. Meu comentário:

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Líder das FARC lamenta ter entregue as armas

Um dos principais negociadores das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Iván Márquez, considera ter sido um erro entregar as armas antes de obter garantias de que o governo iria cumprir todos os pontos do acordo de paz assinado em 2016, noticiou hoje o jornal El Colombiano, de Medellín.

Este tipo de declaração pode levar centenas ou até milhares de ex-guerrilheiros a abandonar o processo de paz e aderir a organizações criminosas.

No ano passado, foi eleito presidente Iván Duque, um linha-dura apoiado pelo ex-presidente Álvaro Uribe. Ambos discordam de vários aspectos do acordo de paz, como a anistia aos ex-guerrilheiros, o tribunal especial e a integração de ex-rebeldes à vida política. No poder, Duque está desacelerando o processo de paz.

Com as negociações com o Exército de Libertação Nacional (ELN), que era o segundo maior grupo guerrilheiro do país, estagnadas, aumenta o risco de que ex-rebeldes das FARC abandonem o acordo de paz e entrem para o ELN.