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sexta-feira, 6 de março de 2020

Aliança de Netanyahu fica três cadeiras abaixo da maioria na Knesset

Com o fim da apuração dos votos da eleição de 2 de março, o partido conservador Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ficou com 36 deputados contra 33 do partido Azul e Branco, de centro-direita. 


A aliança liderada por Netanyahu conquistou 58 cadeiras na Knesset, o Parlamento de Israel, de 120 cadeiras. Terá três deputados a menos do que o necessário para ter maioria absoluta e formar um governo.


Talvez o primeiro-ministro tenha festejado a vitória antes do tempo. Essas foram as terceiras eleições em menos de um ano em Israel. Mais uma vez, o resultado foi inconclusivo. Nenhum dos blocos parece em condições de formar um governo de maioria.

Netanyahu deve ser o primeiro líder a ser convidado pelo presidente Reuven Rivlin para tentar articular um governo. Se não conseguir, o general da reserva Benny Gantz, ex-comandante das Forças de Defesa de Israel, terá mais uma chance, como nas duas eleições anteriores.

A saída para este impasse seria a formação de um governo de união nacional do Likud como Azul e Branco, como antes da Guerra dos Seis, em 1967, e depois das eleições de 1984 e de 2009. Mas Gantz se nega a formar governo com o Likud enquanto Netanyahu for o líder porque o primeiro-ministro foi denunciado criminalmente por quatro escândalos de corrupção.

Chefe de governo que ficou mais tempo no poder em Israel, superando no ano passado o fundador do país, David ben Gurion, Netanyahu luta não só por sua carreira política, mas para não ir para a cadeia.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Direita vence eleições em Israel mas pode não ter maioria

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e sua aliança direitista conquistou o maior número de cadeira na Knesset, o Parlamento de Israel, nas eleições de hoje. Mas, mais uma vez, pode não ter maioria absoluta, indicam as pesquisas de boca de urna divulgadas há pouco pelas televisões israelenses.

Estas foram as terceiras eleições gerais em Israel em um ano. Tiveram a participação de 80% do eleitorado, a maior desde 1999. Talvez ainda não sejam capazes de romper o impasse, a exemplo do que ocorreu nas eleições de 9 de abril e 17 de setembro de 2019.

De acordo com as pesquisas, que erraram em eleições anteriores, o partido Likud, de Netanyahu, teria 37 deputados e sua coalizão chegaria a 60, uma abaixo da maioria na Knesset, de 120 cadeiras.

O partido Azul e Branco, liderado pelo general Benny Gantz, levaria 33 cadeiras e sua coalizão um total de 56 deputados.

Réu em quatro processos por corrupção, Netanyahu luta não só para manter o poder, mas para escapar da prisão. Ele espera conseguir o apoio necessário na Knesset para aprovar uma lei tornando o chefe de governo inimputável enquanto estiver no cargo.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Derrota de Netanyahu pode marcar fim de uma era em Israel

A derrota do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu nas eleições de 17 de setembro pode marcar o fim de uma era, salvar a democracia israelense e dar uma chance à paz com os palestinos.

O resultado ainda está indefinido. Apurados 97% nas segundas eleições deste ano em Israel, o partido Azul e Branco, liderado pelo ex-comandante do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, general Benny Gantz, está na frente com 33 deputados, enquanto o partido Likud, de Netanyahu, elegeu 32 deputados na Knesset, o Parlamento israelense.

Como a Knesset tem 120 cadeiras, ambos ainda estão longe da maioria absoluta de 61 deputados necessária para formar um novo governo. 

Hoje, Netanyahu propôs a Gantz a formação de uma grande aliança dos dois grandes partidos, com revezamento dos dois na chefia de governo. O general rejeitou. Com mais deputados, tem prioridade. Declarou que pretende formar uma coalizão ampla e liderar um governo de união nacional politicamente liberal. 

Esta aliança ampla pode incluir o Likud, desde que Netanyahu não seja mais líder. As negociações podem durar semanas e até meses. Se Gantz fracassar, Netanyahu terá mais uma chance. Meu comentário:

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Netanyahu promete anexar colônias e o Vale do Rio Jordão

Em situação difícil às vésperas das eleições de 17 de setembro em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu hoje anexar o Vale do Rio Jordão e todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, noticiou hoje o jornal The Times of Israel. É quase um terço do território.

Depois de vários escândalos de corrupção, com quatro processos em andamento, Netanyahu e seu partido Likud estão em empate técnico ou atrás, em algumas pesquisa, do partido Azul e Branco, liderado por Benny Gantz, comandante-em-chefe das Forças de Defesa de Israel de 2011 a 2015.

A oposição propõe limitar o número de mandatos do primeiro-ministro, proibir políticos denunciados de servir na Knesset, o Parlamento de Israel, mudar a lei que considera não judeus cidadãos de segunda classe, investir no ensino básico e na saúde pública, e reiniciar as negociações de paz com a Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Antes das eleições de 9 de abril, que Netanyahu venceu, mas não conseguiu formar um governo, o presidente Donald Trump reconheceu a soberania de Israel sobre as Colinas do Golã, ocupadas da Síria na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexadas em 1981. Abriu um precedente para os Estados Unidos reconhecerem anexações de território, numa violação da Carta das Nações Unidas, que proíbe a guerra de conquista.

Na mesma guerra, Israel também ocupou a Península do Sinai, devolvida ao Egito pelo acordo de paz de Camp David, em 1979, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém. Israel se retirou da Faixa de Gaza em agosto de 2005.

Historicamente o Likud prolongou as negociações de paz com os palestinos para tornar a ocupação da Cisjordânia um fato consumado. As colônias ocupam locais estratégicos. Hoje o projeto da direita israelense é anexar a Cisjordânia.

Ao anexar as colônias, Netanyahu inviabilizaria a criação de um Estado nacional para o povo palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. É a receita para uma guerra sem fim. É uma jogada política para fidelizar suas bases eleitorais, construir uma coalizão majoritária na Knesset e escapar da prisão.

Com base nos acordos de Oslo, a Cisjordânia está dividida em áreas A, administradas pela Autoridade Nacional Palestina; áreas B, onde a administração é dividida; e áreas C, controladas por Israel, onde estão as colônias israelenses. O Vale do Rio Jordão é uma região fértil onde vivem 50 mil palestinos e 11 mil israelenses.

sábado, 6 de abril de 2019

Netanyahu promete anexar colônias da Cisjordânia ocupada

Sob pressão na reta final da campanha para as eleições de terça-feira, 9 de abril, com pesquisas indicando vitória da oposição, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou hoje que vai "ampliar a soberania israelense", anexando definitivamente as colônias judaicas na Cisjordânia ocupada na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Em entrevista ao canal 12 da televisão de Israel, Netanyahu descartou a criação de um Estado nacional palestino, prometeu controlar a segurança na Cisjordânia e estender a soberania israelense aos mais de 400 mil colonos assentados no território árabe ocupado. Na sua visão, um país palestino "ameaçaria nossa existência".

O reconhecimento pelos Estados Unidos no mês passado da anexação ilegal por Israel das Colinas do Golã, ocupadas na mesma guerra, criou um precedente perigoso ao violar uma norma da sociedade internacional pós-Segunda Guerra Mundial. A Carta das Nações diz expressamente que "é vedada a guerra de conquista".

Netanyahu havia avisado o presidente Donald Trump. Não pretende retirar nem nenhuma pessoa das colônias instaladas na Cisjordânia. O radicalismo de Netanyahu no fim da campanha é uma tentativa de tirar votos dos partidos de extrema direita e atraí-los para o Likud.

A coalizão Azul e Branco, liderada pelo general Benny Gantz, ex-comandante militar de Israel, e pelo ex-apresentador de televisão Yair Lapid, está na frente nas últimas pesquisas. Deve eleger entre 28 e 32 deputados, enquanto o Likud teria de 28% a 31%. Mas o primeiro-ministro tem mais chances de formar uma coalizão com pelo menos 61 deputados, a maioria absoluta da Knesset, de 120 cadeiras.