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quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Extrema direita leva Netanyahu de volta ao poder em Israel

 Nas quintas eleições gerais em quatro anos, o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o chefe de governo com mais tempo no poder na história de Israel, prepara sua volta, mas a grande vencedora é extrema direita, que deve pular de 6 para 14 cadeiras e ter a terceira maior bancada na Knesset, o Parlamento de Israel. Será o governo mais à direita de história do país.

Líder do partido direitista Likud, Netanyahu governou Israel de 1996-97 e de 2009-21, superando o fundador de Israel, David Ben-Gurion. É o principal responsável pela estagnação e o fracasso do processo de paz com os palestinos.

No ano passado, caiu diante de uma coalizão ampla e frágil articulada pelo primeiro-ministro derrotado hoje, o centrista Yair Lapid, que reunia partidos de direita, centro, esquerda e árabes. Lapid defendia a paz com a criação de um Estado palestino. 

O novo governo fará o que puder para consolidar a ocupação e enterrar a solução com dois países, um árabe e um judeu, divindido o território histórico da Palestina, nos termos da decisão da ONU que criou o Estado de Israel, em 1947.

Para formar um governo, é necessária uma aliança com pelo menos 61 dos 120 deputados da Knesset. O Likud é o partido mais votado. Conquistou 32 cadeiras. Em segundo, ficou Yesh Atid (Há Futuro), de Lapid, com 24, seguido pela aliança Sionismo Religioso-Poder Judaico, com 14.

A Unidade Nacional, do ministro da Defesa Benny Gantz, aliado de Lapid, elegeu 12 deputados. Logo atrás, vem dois partidos religiosos da coligação de Netanyahu, Shas (11 cadeiras) e Judaísmo Unido da Torá (8). 

Yisrael Beiteinu (Israel Nossa Casa), do ex-ministro da Defesa linha-dura Avigor Lieberman, fundado por imigrantes da antiga União Soviética. Perdeu dois deputados e agora tem cinco.

A Lista Árabe Unida deve eleger cinco deputados, assim como a coalizão Hadash-Ta'al (Frente Democrática pela Paz e Igualdade, que inclui o Partido Comunista, e Movimento de Renovação Árabe), um a mais do que o Partido Trabalhista.

O partido que fundou e governou Israel nos primeiros 29 anos de sua história, e foi o grande responsável pelo processo de paz com os palestinos, perdeu três cadeiras e pode ter apenas quatro representantes no parlamento. O social-democrata Meretz não venceu a cláusula de barreira de 3,25% dos votos. Teve apenas 3,14% e ficou fora da Knesset.

Com 32 deputados do Likud, 14 da aliança Sionismo Religioso-Poder Judeu, 11 do Shas e 8 do Judaísmo Unido da Torá, Netanyahu pode formar um governo com uma maioria de 65 cadeira. Mas corre o risco de ficar refém de uma extrema direita supremacista, racista, xenófoba, misógina e homofóbica que defende a anexação da Cisjordânia ocupada e a expulsão de todos os árabes, que são cerca de 21% dos 9,6 milhões de israelenses.

O líder do Poder Judeu, Itamar Ben-Gvir, é discípulo de Meir Kahane, um rabino ultradireitista e deputado cujo partido Kach (Assim) foi banido por ser antidemocrático e racista. Os EUA o consideravam uma organização terrorista. Kahane foi assassinado em Nova York em 1990. Na sua sala, há uma foto do terrorista israelense Baruch Goldstein, que matou 29 palestinos num ataque à Tumba do Patriarca (Abraão), em Hebron, na Cisjordânia, em 1994.

Ben-Gvir defende a pena de morte para terroristas, pediu para as forças de segurança atirarem em palestinos que jogavam pedras e chegou a dizer que o resto da humanidade existe para "servir os judeus". É um discurso tão extremista que um deputado, respeitosamente, alegando não querer comparar com o supremacismo ariano do Nazismo, acabou comparando.

sexta-feira, 6 de março de 2020

Aliança de Netanyahu fica três cadeiras abaixo da maioria na Knesset

Com o fim da apuração dos votos da eleição de 2 de março, o partido conservador Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, ficou com 36 deputados contra 33 do partido Azul e Branco, de centro-direita. 


A aliança liderada por Netanyahu conquistou 58 cadeiras na Knesset, o Parlamento de Israel, de 120 cadeiras. Terá três deputados a menos do que o necessário para ter maioria absoluta e formar um governo.


Talvez o primeiro-ministro tenha festejado a vitória antes do tempo. Essas foram as terceiras eleições em menos de um ano em Israel. Mais uma vez, o resultado foi inconclusivo. Nenhum dos blocos parece em condições de formar um governo de maioria.

Netanyahu deve ser o primeiro líder a ser convidado pelo presidente Reuven Rivlin para tentar articular um governo. Se não conseguir, o general da reserva Benny Gantz, ex-comandante das Forças de Defesa de Israel, terá mais uma chance, como nas duas eleições anteriores.

A saída para este impasse seria a formação de um governo de união nacional do Likud como Azul e Branco, como antes da Guerra dos Seis, em 1967, e depois das eleições de 1984 e de 2009. Mas Gantz se nega a formar governo com o Likud enquanto Netanyahu for o líder porque o primeiro-ministro foi denunciado criminalmente por quatro escândalos de corrupção.

Chefe de governo que ficou mais tempo no poder em Israel, superando no ano passado o fundador do país, David ben Gurion, Netanyahu luta não só por sua carreira política, mas para não ir para a cadeia.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Direita vence eleições em Israel mas pode não ter maioria

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e sua aliança direitista conquistou o maior número de cadeira na Knesset, o Parlamento de Israel, nas eleições de hoje. Mas, mais uma vez, pode não ter maioria absoluta, indicam as pesquisas de boca de urna divulgadas há pouco pelas televisões israelenses.

Estas foram as terceiras eleições gerais em Israel em um ano. Tiveram a participação de 80% do eleitorado, a maior desde 1999. Talvez ainda não sejam capazes de romper o impasse, a exemplo do que ocorreu nas eleições de 9 de abril e 17 de setembro de 2019.

De acordo com as pesquisas, que erraram em eleições anteriores, o partido Likud, de Netanyahu, teria 37 deputados e sua coalizão chegaria a 60, uma abaixo da maioria na Knesset, de 120 cadeiras.

O partido Azul e Branco, liderado pelo general Benny Gantz, levaria 33 cadeiras e sua coalizão um total de 56 deputados.

Réu em quatro processos por corrupção, Netanyahu luta não só para manter o poder, mas para escapar da prisão. Ele espera conseguir o apoio necessário na Knesset para aprovar uma lei tornando o chefe de governo inimputável enquanto estiver no cargo.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Likud vai colocar liderança de Netanyahu em votação

O partido conservador Likud vai realizar uma eleição primária dentro de seis semanas diante do desafio do ex-deputado Gideon Saar à liderança do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, denunciado criminalmente por fraude e corrupção na semana passada.

A decisão do partido reflete a tensão para que Netanyahu deixe a vida pública depois da denúncia do procurador-geral. Mesmo que vença, o primeiro-ministro pode sair enfraquecido para disputar as próximas eleições.

Israel realizou duas eleições gerais neste ano, em 9 de abril e 17 de setembro, sem que nenhuma das duas grandes alianças conseguisse maioria absoluta na Knesset, o parlamento israelense, de 120 cadeiras. As próximas eleições devem ser realizadas no início de 2020.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Derrota de Netanyahu pode marcar fim de uma era em Israel

A derrota do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu nas eleições de 17 de setembro pode marcar o fim de uma era, salvar a democracia israelense e dar uma chance à paz com os palestinos.

O resultado ainda está indefinido. Apurados 97% nas segundas eleições deste ano em Israel, o partido Azul e Branco, liderado pelo ex-comandante do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, general Benny Gantz, está na frente com 33 deputados, enquanto o partido Likud, de Netanyahu, elegeu 32 deputados na Knesset, o Parlamento israelense.

Como a Knesset tem 120 cadeiras, ambos ainda estão longe da maioria absoluta de 61 deputados necessária para formar um novo governo. 

Hoje, Netanyahu propôs a Gantz a formação de uma grande aliança dos dois grandes partidos, com revezamento dos dois na chefia de governo. O general rejeitou. Com mais deputados, tem prioridade. Declarou que pretende formar uma coalizão ampla e liderar um governo de união nacional politicamente liberal. 

Esta aliança ampla pode incluir o Likud, desde que Netanyahu não seja mais líder. As negociações podem durar semanas e até meses. Se Gantz fracassar, Netanyahu terá mais uma chance. Meu comentário:

terça-feira, 9 de abril de 2019

Novas projeções indicam vitória de Netanyahu em Israel

Diante dos primeiros resultados oficiais, novas projeções dos canais 12 e 13 da televisão israelense apontam a vitória do primeiro-ministro ultradireitista Benjamin Netanyahu nas eleições desta terça-feira em Israel. 

O partido Likud, de Netanyahu, deve eleger 35 deputados da Knesset contra 34 da aliança Azul e Branca, de oposição e terá melhores condições de formar uma coalizão para chegar à maioria de pelo menos 61 deputados, noticiou o jornal The Times of Israel.

As duas emissoras colocam o partido religioso Shas em terceiro, com oito cadeiras, seguido pelo Judaísmo Unido da Torah, com sete, ambos aliados em potencial do primeiro-ministro. Os partidos Nova Direita, Zehut e Gesher não superaram a cláusula de barreira, de 3,25%, e devem ficar fora do parlamento.

Pelas projeções atualizadas do Canal 12, a direita deve eleger 63 dos 120 deputados e a centro-esquerda 57. O Canal 13 dá 65 cadeiras à coligação de direita. Quando saíram as pesquisas de boca de urna, o Canal 12 previa 37 cadeiras para a aliança Azul e Branca e 33 para o Likud. O Canal 13 previu um empate em 36 deputados para cada um.

Em porcentagem, apurados 3,4 milhões de votos, o Likud lidera com 27% contra 25,9% da aliança oposicionista, liderada pelo general Benny Gantz, ex-comandante do Exército de Israel, e pelo ex-apresentador de TV Yair Lapid.

Como vencedor, mesmo por pequena margem, de apenas um deputado, Netanyahu tem prioridade para tentar articular o novo governo. Se conquistar um quinto mandato, vai superar o fundador de Israel, David ben Gurion, e se tornar o primeiro-ministro que governou o país por mais tempo.

Na reta final da campanha, Netanyahu prometeu anexar as colônias judaicas na Cisjordânia ocupada, enterrando de vez a chance de criação de um país independente para o povo palestino.

Nas próximas semanas, o governo Donald Trump deve apresentar a nova proposta dos Estados Unidos para a paz entre árabes e israelenses. A expectativa é que tente ressuscitar a proposta de formação de uma federação com a Jordânia para acolher os palestinos. Não é uma receita para a paz.

sábado, 6 de abril de 2019

Netanyahu promete anexar colônias da Cisjordânia ocupada

Sob pressão na reta final da campanha para as eleições de terça-feira, 9 de abril, com pesquisas indicando vitória da oposição, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou hoje que vai "ampliar a soberania israelense", anexando definitivamente as colônias judaicas na Cisjordânia ocupada na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Em entrevista ao canal 12 da televisão de Israel, Netanyahu descartou a criação de um Estado nacional palestino, prometeu controlar a segurança na Cisjordânia e estender a soberania israelense aos mais de 400 mil colonos assentados no território árabe ocupado. Na sua visão, um país palestino "ameaçaria nossa existência".

O reconhecimento pelos Estados Unidos no mês passado da anexação ilegal por Israel das Colinas do Golã, ocupadas na mesma guerra, criou um precedente perigoso ao violar uma norma da sociedade internacional pós-Segunda Guerra Mundial. A Carta das Nações diz expressamente que "é vedada a guerra de conquista".

Netanyahu havia avisado o presidente Donald Trump. Não pretende retirar nem nenhuma pessoa das colônias instaladas na Cisjordânia. O radicalismo de Netanyahu no fim da campanha é uma tentativa de tirar votos dos partidos de extrema direita e atraí-los para o Likud.

A coalizão Azul e Branco, liderada pelo general Benny Gantz, ex-comandante militar de Israel, e pelo ex-apresentador de televisão Yair Lapid, está na frente nas últimas pesquisas. Deve eleger entre 28 e 32 deputados, enquanto o Likud teria de 28% a 31%. Mas o primeiro-ministro tem mais chances de formar uma coalizão com pelo menos 61 deputados, a maioria absoluta da Knesset, de 120 cadeiras.

sábado, 24 de dezembro de 2016

Governo de Israel rejeita resolução da ONU condenando colônias

Depois de acusar o governo Barack Obama de abandonar Israel no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeitou a resolução aprovada ontem e prometeu trabalhar com o futuro governo Donald Trump nos Estados Unidos para "anular os efeitos negativos" da decisão, que chamou de absurda.

Pela primeira vez desde a ocupação da Cisjordânia, inclusive o setor oriental de Jerusalém, e da Faixa de Gaza na Guerra dos Seis Dias, em 1967, os Estados Unidos não vetaram um projeto de resolução condenando Israel.

Com a abstenção de Washington, a medida foi aprovada por 14 a 0. Ao defender a posição americana, a embaixadora na ONU, Samantha Power, afirmou que a expansão das colônias judaicas na Cisjordânia mina a segurança de Israel e a possibilidade de uma paz com a coexistência de dois países, um árabe e um judaico, no território histórico da Palestina.

Obama tomou a decisão depois de sucessivos boicotes da direita israelense ao processo de paz iniciado em outubro de 1991 na Conferência de Madri.Os acordos de Oslo foram negociados pelo Partido Trabalhista israelense, de esquerda.

O partido Likud, de Netanyahu, sempre tratou de adiar as negociações alegando que os palestinos não são parceiros confiáveis e ao mesmo tempo ampliou as colônias para criar uma política de fato consumado.

Durante o atual governo dos EUA, o secretário de Estado, John Kerry, tentou várias vezes retomar o processo de paz, mas Netanyahu nunca aceitou a exigência palestina de congelar a colonização como precondição para negociar a paz. O governo direitista de Israel insiste em negociar sem precondições. É uma manobra protelatória para não levar a lugar nenhum.

Nos últimos anos, entraram para o governo israelense partidos defensores dos colonos que querem simplesmente anexar a Cisjordânia. Seria o fim do sonho de uma Palestina independente e um pesadelo para a democracia em Israel, que em poucos anos teria uma população de maioria árabe.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Apuração confirma vitória de Netanyahu em Israel

Com 99% das urnas apuradas, o partido Likud, do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, venceu as eleições em Israel, elegendo 30 dos 120 deputados da Knesset, o Parlamento israelense, contra 24 da União Sionista, liderada por Isaac Herzog, do Partido Trabalhista, noticiou o jornal Haaretz. Em terceiro lugar, ficou a Lista Conjunta, uma aliança de partidos árabes, com 14 cadeiras.

As eleições convocadas pelo chefe de governo no segundo ano de um mandato de quatro anos quase entregaram o poder à oposição. Nas últimas pesquisas pré-eleitorais, a US liderava com quatro deputados de vantagem.

Netanyahu fez um apelo desesperado no último momento, canibalizando os votos de seus aliados à direita com a promessa de não permitir a criação de um país para o povo palestino. Isso agrada aos colonos assentados na Cisjordânia ocupada, mas isola Israel internacionalmente ao enterrar o processo de paz mediado pelos Estados Unidos. As colônias em territórios ocupados violam o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, que proíbe a guerra de conquista.

No discurso da vitória, o primeiro-ministro prometeu procurar os partidos religiosos e de direita para negociar a formação do novo "governo forte para proteger a segurança e o bem-estar". Deve ser mais de direita e mais isolado internacionalmente.

Depois de mais esta vitória, que lhe dá um quarto mandato, Netanyahu se prepara para superar o fundador de Israel, David ben Gurion, como chefe de governo que ficou mais tempo no poder no país.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP) deve procurar o reconhecimento de um Estado Nacional palestino através de organizações internacional. Já aderiu ao Tribunal Penal Internacional (TPI). Diante do colapso total do processo de paz, vai denunciar Israel por crimes de guerra acirrando ainda mais o conflito.

terça-feira, 17 de março de 2015

Netanyahu vence eleições em Israel, indica pesquisa de boca de urna

O partido Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, venceu as eleições parlamentares de hoje em Israel, indicou uma pesquisa de boca de urna do Canal 2 da televisão israelense, que dá 28 deputados ao partido, batendo a União Sionista, liderada por Isaac Herzog, que conquistaria 27 cadeiras. Outras duas pesquisas indicam empate em 27 deputados.

Netanyahu agradeceu aos militantes do partido por "uma grande vitória", mas Herzog não se deu por vencido. O líder trabalhista declarou que os "partidos de centro" estão prontos para governar Israel.

Nos últimos dias, as pesquisas davam vantagem à US com quatro deputados de vantagem, o que levou Netanyahu a fazer apelos desesperados, inclusive de não permitir a criação de uma pátria para o povo palestino.

Quando forem conhecidos os resultados definitivos, o presidente deve convidar o líder do partido com mais deputados para formar um governo. Como a maioria na Knesset, o Parlamento de Israel, é de 61 deputados, haverá um período para formação de um governo de coalizão.

Além do maior número de deputados, se a pesquisa de boca de urna se confirmar, Netanyahu ainda teria mais parceiros em potencial para formar uma coligação de governo que poderia se situar ainda mais à direita.

Com medo de perder as eleições, nos últimos dias, o primeiro-ministro radicalizou, canibalizando os votos de suas aliados à direita com a promessa de impedir o surgimento de uma Palestina independente.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Netanyahu: "Se eu for eleito, não haverá Estado palestino"

Num apelo desesperado para não perder as eleições de amanhã em Israel, o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu enterrou definitivamente seu compromisso com a paz baseada em dois países, um israelense e outro palestino, convivendo lado a lado, informa o jornal liberal Haaretz.

As últimas pesquisas indicam uma vantagem de quatro deputados para a União Sionista, liderada por Isaac Herzog, do Partido Trabalhista, favorável às negociações de paz com a Autoridade Nacional Palestina e à criação de uma pátria para o povo palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.

"Se eu for eleito, não haverá Estado palestino", declarou Netanyahu. Numa última tentativa de tirar votos do partido de ultradireita Casa Judaica, que defende a manutenção das colônias implantadas ilegalmente nos territórios árabes ocupados, o chefe de governo de Israel abandonou a proposta de paz que prevê a criação de uma Palestina independente, feita em discurso na Universidade Bar-Ilan, em 2009.

Em entrevista a um sítio do magnata americano Sheldon Adelson, o líder do partido Likud acusou mais uma vez a esquerda de comprometer a segurança de Israel: "Acredito que qualquer um que se mude para estabelecer um Estado palestino e evacuar territórios está cedendo território para ataques de radicais islamitas contra Israel. A esquerda enterrou sua cabeça na areia e ignorou isso várias vezes, mas nós somos realistas e entendemos."

Se a União Sionista vencer amanhã, "vai se associar à comunidade internacional e suas propostas" como o congelamento das colônias na Cisjordânia ocupada, inclusive no setor oriental (árabe) de Jerusalém, e o retorno de Israel às fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Durante visita nesta segunda-feira ao assentamento de Bar Homa, no setor árabe de Jerusalém, Netanyahu afirmou que uma vitória da oposição, o "Hamastão B" incluiria a parte oriental da cidade: "Se Tzipi [Livni] e Bougie [Isaac Herzog] formarem um governo, o Hamastão B será estabelecido aqui."

O primeiro Hamastão seria a Faixa de Gaza, onde no ano passado Netanyahu travou mais uma guerra inútil sem conseguir destruir o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

quinta-feira, 12 de março de 2015

Última pesquisa dá vantagem à oposição nas eleições em Israel

Na última pesquisa do jornal liberal Haaretz antes das eleições de 17 de março de 2015 em Israel, a União Sionista, liderada pelo Partido Trabalhista aparece em primeiro lugar, com 24 deputados, seguida pelo partido Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Em terceiro lugar, ficou a Lista Conjunta, que reúne partidos da minoria árabe, com 13 cadeiras. Logo atrás, vem o partido Existe Futuro, do ex-apresentador de televisão Yair Lapid, com 12. O ultradireitista Casa Judaica e o partido Todos Nós elegeriam 12 deputados.

Cerca de 74% dos entrevistados manifestaram a intenção de votar. Para chefiar o futuro governo, 48% preferem Netanyahu e 34% o líder trabalhista, Isaac Herzog.

terça-feira, 10 de março de 2015

Oposição lidera pesquisas a uma semana das eleições em Israel

Uma semana antes das eleições legislativas em Israel, a União Sionista, coalizão liderada pelo Partido Trabalhista, desponta como favorita. Em pesquisa divulgada hoje pelo Canal 2 da televisão israelense, a US elegeria 25 deputados contra 21 do partido direitista Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que ainda é considerado o melhor nome para chefiar o governo por 49% dos entrevistados.

Até agora, a US e o Likud estavam tecnicamente empatados. A Lista Conjunta, de partidos árabes, e a Casa Judaica, do ultradireitista Naftali Bennett, que rejeita a criação de um Estado palestino, dividem o terceiro lugar com 13 deputados cada. Em quarto, com 12 cadeiras, está o partido Existe Futuro, chefiado por Yair Lapid, um ex-apresentador de TV que foi uma das estrelas das últimas eleições.

Outra pesquisa, da TV Knesset, do Parlamento de Israel, deu 24 cadeiras para a União Sionista, liderada por Isaac Herzog, e 21 para o Likud, informa o jornal The Times of Israel.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Pesquisa dá vitória a Netanyahu em Israel

O partido Likud, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, é o favorito para ganhar as eleições parlamentares de 17 de março de 2015 em Israel, conquistando 25 das 120 cadeiras da Knesset, a Câmara dos Deputados do país, indicou hoje uma pesquisa do jornal liberal Haaretz.

São três cadeiras a mais do que na pesquisa anterior. Assim, o Likud ultrapassa o Campo Sionista, a coligação liderada pelo Partido Trabalhista, em que o candidato a chefe de governo é Isaac Herzog, que elegeria 23 deputados.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Israel forma governo sem partidos religiosos

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu fechou acordo com os partidos Yesh Atid (Há Futuro) e Casa Jucaica para formar um novo governo que terá o apoio de 70 deputados na Knesset, o Parlamento de Israel, de 120 cadeiras, rompendo a aliança com os partidos religiosos.

Mas o jornal liberal israelense Haaretz observa que os jovens líderes dos novos partidos do governo, Yair Lapid e Natali Bennett, são desde já fortes candidatos a destronar Netanyahu e a assumir a chefia do governo.

Lapid, um ex-apresentador de televisão, foi a grande surpresa das eleições parlamentares de 22 de janeiro em Israel. Seu partido Yesh Atid conquistou 19 cadeiras. Se Netanyahu não tivesse conseguido formar o governo, seu prazo se esgotaria e o presidente Shimon Peres teria de convocar novas eleições.

As pesquisas indicam que, neste caso, o Yesh Atid cresceria para 25 deputados, enquanto a coligação Likud Beiteinu, de Netanyahu, cairia de 31 para 28.

Se nas atuais condições, Lapid já queria uma troca de primeiros-ministros dentro da coalizão ainda neste governo, com mais deputados sem dúvida exigiria um rodízio.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Israel deve elevar barreira para partidos para 4%

Diante da fragmentação política da Knesset, o Parlamento de Israel, a coligação Likud-Beiteinu e os partidos Yesh Atid (Há Futuro) e Casa Judaica teriam chegado a um acordo para aumentar de 2% para 4% a votação mínima para eleger deputados, informa o jornal The Times of Israel.

A mudança é exigida pelo grande vitorioso nas últimas eleições parlamentares, o ex-apresentador de televisão Yair Lapid, que luta para reduzir a influência dos partidos religiosos. Em 22 de janeiro de 2013, concorreram 34 partidos e 12 conquistaram cadeiras no Parlamento. Se a nova cláusula de barreira estivesse em vigor, apenas oito partidos teriam eleito deputados.

Qualquer reforma depende de um acerto entre os partidos secularistas para formar o novo governo. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teria dado um ultimato a Lapid: ou fecha o acordo ou o chefe de governo vai negociar com os partidos religiosos.

sábado, 30 de junho de 2012

Ex-primeiro-ministro Yitzhak Shamir morre aos 96 anos

O ex-primeiro-ministro Yitzhak Shamir, que fez parte da luta armada para criar o Estado de Israel e foi considerado terrorista pelo Império Britânico, morreu hoje aos 96 anos.

Shamir foi o chefe de governo que ficou mais tempo no poder no país depois do fundador de Israel, David ben Gurion, de 1983 a 1984 e depois de 1986 a 1992, como líder do partido Likud, o mesmo do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Com Mal de Alzheimer, estava afastado da vida pública há dez anos.

Linha dura, ele participou da Conferência de Madri, que lançou o processo de paz no Oriente Médio, em 30 e 31 de outubro de 1991, mas foi acusado de ampliar os assentamentos para tornar a colonização dos territórios árabes ocupados um fato consumado.

O então presidente George Herbert Walker Bush teve de suspender garantias de crédito dos Estados Unidos para Israel no valor de US$ 10 bilhões para forçar Shamir a congelar a colonização.

Só depois da vitória do trabalhista Yitzhak Rabin, em 1992, o processo de paz com os palestinos tomou impulso, o que levou aos Acordos de Oslo, ao aperto de mão entre Rabin e o líder da Organização para a Libertação da Palestina, Yasser Arafat, no jardim da Casa Branca, em 13 de setembro de 1993, e à criação da semiautônoma Autoridade Nacional Palestina no ano seguinte.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Kadima vence mas Netanyahu pode formar governo

O partido de centro-direita Kadima (Avante) elegeu 28 deputados, a maior bancada da Knesset, o Parlamento de Israel. Mas tudo indica que o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do partido direitista Likud, que conquistou 27 cadeiras, terá mais facilidade para formar um governo.

Como o parlamento israelense tem 120 cadeiras, o primeiro-ministro precisa do apoio de pelo menos 61 deputados para ser confirmado no cargo. Nenhum partido conseguiu fazer um quarto dos deputados, quanto menos a maioria, por causa do sistema eleitoral do país, que é rigorosamente proporcional. Isso fortalece os pequenos partidos.

Cabe agora ao presidente Shimon Peres escolher um líder partidário para tentar articular uma coligação viável. O presidente pode dar uma chance à atual ministra do Exterior, Tzipi Livni. Ela não teve sucesso quando sucedeu ao atual primeiro-ministro Ehud Olmert, derrubado por corrupção, na liderança do Kadima, em setembro de 2008.

A grande vedete das eleições foi o partido ultranacionalista Israel Beiteinu, liderado pelo imigrante russo Avigdor Lieberman, que elegeu 15 deputados com um discurso racista anti-árabe. Lieberman se tornou o fiel da balança na formação de qualquer coligação. Isso entusiasma Netanyahu, que considera a extrema direita uma aliada natural.

Também existe a possibilidade de se formar um governo de união nacional, uma grande coalizão, mas isso depende das concessões que a direita estiver disposta a fazer para negociar a paz com os palestinos com a mediação dos Estados Unidos.

Afinal, o Kadima foi fundado há pouco mais de três anos pelo então primeiro-ministro Ariel Sharon. Foi uma divisão do Likud feita por Sharon para criar um partido capaz de negociar a paz com os palestinos.

Como general, Sharon estava convencido de que a segurança de Israel depende do estabelecimento de fronteiras definitivas, o que exige a criação do Estado árabe prevista na partilha da Palestina ordenada pelas Nações Unidas em 1947.

O Partido Trabalhista, fundador de Israel, acaba de sofrer sua maior derrota eleitoral, mas também está comprometido com uma paz permanente. Isso exige uma negociação ampla que acabe com a estratégia gradual dos acordos de Oslo, nos anos 90.

Naquela época, surgiu a fórmula Gaza e Jericó primeiro. A Autoridade Nacional Palestina assumiria pouco a pouco o controle sobre os territórios árabes ocupados por Israel para que fosse criada confiança mútua ao longo do processo, na expectativa de se chegar a uma paz duradoura.

Funcionou, no início, com a implantação do governo semi-autônomo palestino na Faixa de Gaza e em parte da Cisjordânia. Mas o gradualismo deu aos extremistas dos dois lados uma espécie de direito de veto ao progresso das negociações.

Em 2000, no fim do governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA tentaram mediar um acordo entre Arafat e o então primeiro-ministro Ehud Barak, hoje ministro da Defesa e líder trabalhista. Na época, Barak já estava convencido de que o gradualismo era um beco sem saída.

O fracasso das negociações de Camp David levou o então líder da oposição israelense, Ariel Sharon, a visitar o Monte do Templo, no setor árabe de Jerusalém. Isso foi visto como uma ameaça de reconstrução do Templo, que fica junto à Esplanada das Mesquitas, e provocou a segunda intifada (revolta das pedras) contra a ocupação israelense, em que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que rejeita os acordos de Oslo, cometeu a maioria dos atentados terroristas contra Israel.

Desde antes, o Hamas e a extrema direita se nutrem mutuamente, garantindo a estagnação de um processo de paz iniciado em 1991, quando a guerra de libertação do Kuwait criou um clima mais favorável aos EUA no mundo árabe. Obama promete romper com esta injustiça histórica que alimenta o ódio e o anti-americanismo no mundo muçulmano, facilitando o recrutamento de terroristas suicidas por grupos como a rede terrorista Al Caeda.

domingo, 21 de setembro de 2008

Primeiro-ministro de Israel renuncia

O primeiro-ministro Ehud Olmert, indiciado por corrupção, apresentou hoje sua renúncia ao presidente de Israel, Shimon Peres. Ele tinha prometido fazer isso assim que seu partido Kadima escolhesse um novo líder. Na semana passada, o Kadima elegeu a ministra do Exterior, Tzipi Livni, para substituí-lo.

Olmert fica no cargo interinamente até Livni conseguir formar um novo governo. Se não conseguir, haverá eleições antecipadas.

No momento, o favorito é o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, líder do partido linha-dura Likud, de onde saiu o Kadima, em 2005, por iniciativa do então primeiro-ministro Ariel Sharon, preocupado em criar um partido para negociar um acordo de paz definitivo com os palestinos.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Olmert marca renúncia para setembro

Depois de meses de pressão sob acusações de corrupção, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, anunciou hoje que deixa o cargo em setembro, depois da eleição de um novo líder para seu partido Kadima (Avante).

Olmert foi prefeito de Jerusalém. Era vice-primeiro-ministro de Ariel Sharon quando o primeiro-ministro teve um acidente vascular cerebral que o deixou em coma e inconsciente até hoje, vivendo ligado a aparelhos. Herdou de Sharon a chefia do partido Kadima e do governo.

O Kadima (Avante) foi a herança política de Sharon, um linha-dura que no final da vida, como comandante militar, percebeu que há um momento para conquistar a paz. Em 2005 rompeu com a coligação direitista Likud e formou um partido para avançar na direção da paz dentro da fórmula de criação de dois Estados Nacionais independentes, um árabe e um judaico, no território histórico da Palestina.

Sharon sonhava em morrer depois de consolidar as fronteiras de Israel. Para isso, é necessária a paz.

Seu sucessor, Olmert, se elegeu com uma bancada do Kadima aquém do esperado: 28 deputados na Knesset, de 120 cadeiras. Para formar o governo, aliou-se ao Partido Trabalhista, de esquerda. É o partido que fundou Israel, de David Ben Gurion, dos kibbutzim e da central sindical Histadrut.

Na época, o líder era Amir Peretz, um dirigente sindical sem experiência militar. Como grande aliado, foi nomeado ministro da Defesa. Teve atuação desastrosa durante a fracassada ofensiva de 34 dias no Líbano contra a milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), que abalou o governo Olmert desde o início.

Os inimigos árabes ainda têm medo e respeitam Israel. Mas o Hesbolá se gaba de ter acabado com o mito de invencibilidade israelense. Morreram cerca de 150 israeleses e 1,2 mil libaneses, mas uma força irregular muito menor e bem infiltrada na sociedade conseguiu resistir à mais poderosa máquina militar do Oriente Médio.

Em 2007, Peretz perdeu a liderança trabalhista para o ex-primeiro-ministro Ehud Barak.

Depois, vieram os escândalos de corrupção. Olmert foi acusado de receber US$ 140 mil de um empresário americano, Morris Talansky. O primeiro-ministro demissionário alega que era dinheiro para a campanha, mas Talansky garante que foi usado para despesas pessoais de Olmert.

Com a impopularidade do governo, no momento, as pesquisas dão vantagem ao ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, do partido Likud, cada vez mais à direita, refratário ao processo de paz. Mantém a tática usada durante muito tempo por Sharon e outros falcões israelenses: fingir que está negociando para ganhar tempo e consolidar a ocupação.

Isso não impede que o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa Ehud Barak tenha orientado os deputados trabalhistas a derrubar o governo e provocar a antecipação das eleições, que não precisam ser realizadas até 2010, se alguém conseguir articular uma coalizão capaz de ter maioria para governar.

A favorita no Kadima é a ministra do Exterior, Tzipi Livni. Também são candidatos em potencial e o ex-ministro da Defesa e atual ministro dos Transporte, Shaul Mofaz, um linha-dura; o ministro do Interior, Meir Shitreet; e o da Segurança Interna, Avi Dichter.

Alguns analistas suspeitam que Olmert, ao anunciar a renúncia com antecedência e data marcada, a eleição de um novo líder do Kadima, dando-se aviso prévio, estaria na verdade blefando.

Se o novo líder do partido não conseguir formar um governo, ele permanece como primeiro-ministro interino. Isto pode lhe garantir uma sobrevida política de muitos meses em que poderia se dedicar, por exemplo, à paz com os palestinos, algo capaz de deixar uma marca positiva de seu governo para a História.